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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

"Lisboa em Pessoa" de João Correia Filho (2011)

Certo dia, um jornalista brasileiro apaixonado por literatura conheceu um roteiro para desvendar Lisboa, criado pelo poeta Fernando Pessoa, o qual foi publicado com o título “Lisboa: o que o turista deve ver”.

Desse encontro nasceu a inspiração para que João Correia Filho refizesse o percurso proposto pelo poeta e transformasse a sua aventura neste guia: "Lisboa em Pessoa - guia turístico e literário da capital portuguesa".

Além dos lugares citados pelo poeta, o autor incluiu outros locais imperdíveis para quem deseja explorar a cidade e mais três itinerários extras: um baseado na vida e na obra de Eça de Queiroz, uma visita a Sintra e um roteiro pelas livrarias e pelos cafés mais charmosos de Lisboa.


Para completar, criou um guia de sobrevivência para facilitar a vida dos viajantes ao longo das suas aventuras lisboetas. Além dos poemas de Fernando Pessoa, incluiu também trechos da obra de outros escritores portugueses, como José Saramago, Inês Pedrosa e Luís de Camões, que ajudaram o jornalista a ir mais fundo na alma lusitana.

Mais do que um guia, "Lisboa em Pessoa" é também um relato fascinante, recheado de belas imagens, e vai conquistar aqueles que, como o autor, têm a viagem como uma das suas grandes paixões. E na literatura, a sua maior inspiração.

Fontes: Clube dos Livros / Viagem de Cinema

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

“O Clube Dumas” de Arturo Pérez-Reverte (1993)


Um caçador de livros antigos procura os poucos volumes existentes de uma obra cujas imagens podem abrir as próprias portas do Inferno. Acontece é que um desses livros se encontra nas mãos de um coleccionador privado, em Sintra. O “Clube Dumas” transporta-nos para lá.

Uma das epígrafes que encabeça os capítulos [capítulo VII] é retirado de “O Crime da Estrada de Sintra”, de Eça Queiroz e Ramalho Ortigão, revelando um interesse do autor não só pela geografia, como pela literatura lusitana.


"As nove portas"

Lucas Corso, procura a autenticidade de um dos exemplares de "As nove portas", encadernação de 1666 por Aristide Torchia, a mando do livreiro Varo Borja. Esta procura vai levá-lo aos outros dois exemplares conhecidos.

O segundo encontra-se em Sintra, propriedade do bibliófilo Victor Fargas e o terceiro, em Paris, propriedade da Baronesa Frida Ungern, uma viúva fascinada pelo oculto.

Após o contacto de Corso com os dois proprietários, estes são assassinados e os livros destruídos ou roubados. Não sem antes, Corso poder compará-los e verificar que oito das nove gravuras existentes nos livros, tinham diferenças entre si.

Curiosidades

A colecção de Victor Fargas inclui a 1ª edição - em 4 volumes - de "Os Lusíadas" de Luís de Camões (Ibarra 1789)

"Club Dumas" foi nomeado para os prémios Anthony, Macavity e World Fantasy.

O filme "A nona porta" (1999) de Roman Polanski (1999) foi baseado neste livro de Reverte.

Fontes: Filipe d’Avillez, Revista “Os Meus Livros” (adaptado) / wikipedia / Clorofórmio do Espírito

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Eça e Portugal na visão do brasileiro Dário Castro Alves


Dário Castro Alves (1927-2010), antigo embaixador do Brasil, escreveu "Era Lisboa e Chovia" (1985), "Era Tormes e Amanhecia" (1992) (dicionário gastronómico baseado na obra de Eça de Queiroz), "Era Porto e Entardecia" (1994) (dicionário de enologia da obra do mesmo autor), e ainda "Luso-Brasilidades nos 500 anos".

Dário Moreira de Castro Alves, reuniu no livro "O Vinho do Porto na Obra de Eça de Queiroz”, tudo o que o escritor diz sobre o vinho fino do Douro.


Como surgiu a ideia de abordar a obra de Eça ?

Notava eu que muitos e muitos brasileiros que passavam por Lisboa, onde eu servia como Embaixador, sabendo que eu tinha interesses em Eça de Queiroz me vinham perguntar onde se deram tais e tais cenas, presentes nos grandes romances de Eça – "Os Maias", "O Primo Basílio", "A tragédia da Rua das Flores", "A Capital" e outros.

Perguntavam tudo, minuciosamente. Dinah [sua esposa, a famosa escritora Dinah Silveira de Queiroz] então me assinalou que seria um tema interessante, considerando que Eça era uma personalidade viva na sensibilidade brasileira.

Eça era Lisboa, e ninguém a decantou mais fortemente como escritor do que ele. Além do mais havia o lado propriamente brasileiro. O Brasil estava atrás de toda a vida lisboeta. Raspando-se um pouco as velhas paredes de Lisboa, se dá no Brasil. Isso é um facto.


"Era Lisboa e chovia"

O primeiro foi "Era Lisboa e chovia", um roteiro cultural, histórico, literário e sentimental construído a partir da obra de Eça de Queiroz. Modéstia à parte, trata-se de um livro não superado quanto ao tema.

A longínqua explicação para o título vem de Alfredo Valadão, eciano fanático, que adorava explicar o sentido profundo, profundíssimo, de porque Eça escolhera falar de Lisboa.

E naquele trecho de A capital, em que o grande autor registra a fase altamente irônica de que "era Lisboa e chovia", queria dizer o seguinte: Fradique vinha de Paris, granfinérrima cidade das luzes, e chegava à suja estação de Santa Apolônia, em Lisboa, em lúgubre madrugada.

Surge então a frase que ficou famosa, em que dizia "além de ser Lisboa, ainda chovia". Era, pois, o fim...


"Era Porto e entardecia" e "Era Tormes e amanhecia"

Em "Era Porto e entardecia" são listadas todas as bebidas mencionadas por Eça, do absinto à zurrapa.

E por fim "Era Tormes e amanhecia" é um completo dicionário gastronômico cultural, com o nascimento literário de Eça de Queiroz na região do D´Ouro.


"Luso-Brasilidades nos 500 anos"

Com uma perspectiva universalista, Castro Alves levou por diante uma importante valorização do espaço lusófono, partindo de uma dimensão histórica para reconhecer nesse legado uma dimensão actual: "Brasil - Portugal. 1500-2000" e, no mesmo ano, "Depois das Caravelas. As Relações entre Portugal e o Brasil. 1808-2000" constituem exemplo do estudo em que baseava uma convicção empenhada.


Depoimento de Jorge Amado

Dario sabe Eça de cor e salteado e ninguém sabe mais em Lisboa do que esse ex-embaixador que fez da diplomacia uma escola de convivência, de verdadeiro intercâmbio cultural: letras e artes, vinhos e comidas. O que deveriam fazer todos os embaixadores e em geral não fazem.

Fontes: Blog de Dário Alves / Triplov / Da praia da Granja / Culturas e afectos Lusófonos / Embaixada de Portugal no Brasil

terça-feira, 13 de abril de 2010

"Os Maias" em mini-série da Rede Globo (2001)

"Os Maias" foi uma mini-série exibida pela Rede Globo entre 9 de Janeiro e 23 de Março de 2001, em 42 episódios. Adaptada do romance homónimo de Eça de Queiroz, foi escrita por Maria Adelaide Amaral, João Emanuel Carneiro e Vincent Villari, incluindo personagens e cenas de outros dois romances do autor português, "A Relíquia" e "A Capital".

A mini-série, co-produzida pela Globo e pela SIC, conta com um narrador, o actor Raul Cortez, que conta toda a história em "voz off", como se fosse o próprio Eça de Queiroz.


Rodagem em Portugal

- A tradicional casa dos Maias, conhecida como o Ramalhete, teve como fachada um antigo casarão abandonado em Lisboa, de 1788, de propriedade particular.

- Para dar mais realismo às cenas ambientadas em Portugal, a mini-série foi gravada durante seis semanas em várias regiões do país, sendo a primeira produção da TV Globo a passar tanto tempo fora do Brasil.

- Foram a Portugal 26 integrantes de um elenco de mais de 50 actores, além de 95 pessoas da equipe de produção. Cerca de 50 portugueses trabalharam na mini-série.

- Em Portugal, a equipe gravou no Vale do Douro, ao norte do país, onde foram feitas as sequências da colheita de milho e uva mostradas na história.

- Na estação de trem de Vargelas, foi gravado o embarque de trem de Carlos da Maia para Coimbra, quando o personagem ingressa na faculdade de Medicina.

- A cena do enterro de Pedro Maia foi realizada na vila de Monção, quase na fronteira com a Espanha. A cidade de Sintra também serviu de cenário para várias gravações.


Curiosidades

- Os portugueses Campos Matos (arquitecto), Isabel Pires de Lima e Carlos Reis integraram uma equipa de especialistas que ministraram uma série de palestras sobre a vida e obra (e época) de Eça de Queiroz, realizadas no Projac.

- Quando visitava o museu do Louvre, em Paris, Fábio Assunção viu uma pintura em que aparecia o personagem criado por Eça de Queiroz, Carlos Eduardo da Maia.

Entre muitos homens retratados pela obra, Carlos Eduardo era o mais cabeludo e com o olhar mais lúcido, segundo Fábio Assunção.

O actor conseguiu uma reprodução da imagem e levou-a a Luiz Fernando Carvalho, propondo que aquela fosse a caracterização do personagem. O director concordou e, assim, foi decidido o visual que Carlos Eduardo da Maia teria.

- Em 2004, a Globo Vídeos lançou "Os Maias" em DVD. O DVD contou com edição de Luiz Fernando Carvalho, que fez alterações no formato da série, cortando as partes da narrativa que se referem aos romances "A Relíquia" e "A Capital".

Outro destaque do DVD são as notas sobre a obra literária, através de Beatriz Berrine, professora titular de literaturas portuguesa e brasileira da PUC - São Paulo.

Embora transmitida em horário inconveniente, a mini-série promoveu sucessivas reedições do romance de 1888. Para surpresa geral o título chegou à lista dos livros mais vendidos no Brasil em começos do século XXI.


Prémios e reconhecimento

A mini-série foi um dos programas mais premiados de 2001, sendo inclusive elogiado por um público intelectual menos afeito à televisão, apesar de terem havido alguns problemas na produção da série.

"Os Maias" recebeu os prémios de melhor cenografia, fotografia e direcção de arte do II Festival Latino-Americano de Cine Vídeo de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Fontes: wikipedia / Memória Globo / IMDb

Mais informações: (1), (2), (3)

Videos: (1), (2)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Eça de Queiroz adaptado ao cinema em “Amor & Cia.” de Helvécio Ratton (1999)


A cidade histórica de São João del Rey, Minas Gerais, é o cenário perfeito para a requintada reconstituição de época do filme “Amor & Cia.", uma adaptação livre da obra de Eça de Queiroz ("Alves & Companhia"), que conta a história de um homem traído, um coração dividido entre a paixão e a honra. Uma comédia romântica que se poderia passar em qualquer lugar e em qualquer época.


Sinopse

Em São João del-Rei, no final do século XIX, vive Alves (Marco Nanini), um próspero negociante.

Um dia ele vai para casa mais cedo para comemorar com Ludovina (Patricia Pillar) os quatro anos de casados, mas aí encontra Machado (Alexandre Borges), seu sócio, em atitude suspeita.

Apesar de aparentemente nada de mais grave ter acontecido, Alves expulsa a mulher de casa no mesmo dia, e pensa em desafiar seu sócio e ex-amigo para um duelo, no qual apenas uma arma estaria carregada e a distância seria de dois passos. Entretanto, os acontecimentos tomam um rumo inesperado.


Prémios e nomeações

- Três prémios no Festival de Brasília, nas categorias: Melhor Filme, Melhor Actriz (Patrícia Pillar) e Melhor Desenho de Produção.
- Dois prémios no Festival de Cinema Brasileiro de Miami, nas categorias de Melhor Actor (Marco Nanini) e Melhor Banda Sonora.
- Prémio de Melhor Filme Latino-americano, no Festival de Cinema de Mar del Plata.
- Duas nomeações no Grande Prémio do Cinema Brasil, nas categorias de Melhor Filme e Melhor Actor (Marco Nanini).

Fonte: wikipedia / IMDb

terça-feira, 6 de abril de 2010

"O Primo Basílio" em mini-série da Rede Globo (1988)

A mini-série "O Primo Basílio" foi exibida pela Rede Globo entre 9 de Agosto e 2 de Setembro de 1988, em 16 episódios. Adaptada do romance homónimo de Eça de Queiroz, foi escrita por Gilberto Braga e Leonor Bassères , sob direcção de Daniel Filho.

A adaptação para televisão recebeu críticas e elogios dos portugueses. Alguns intelectuais consideraram que a adaptação do romance de Eça de Queiroz não fora bem realizada. Já a Federação das Associações Portuguesas e Luso-Brasileiras julgou que o programa foi fundamental para a divulgação da cultura portuguesa e da literatura de Eça de Queiroz.

A narrativa apresenta quatro personagens centrais: Luísa (Giulia Gam), seu primo Basílio (Marcos Paulo), seu marido, Jorge (Tony Ramos) e a empregada Juliana (Marília Pêra).


Visita a Portugal

O cenógrafo Mário Monteiro pesquisou em detalhes as ruas de Lisboa e, sobretudo, seguiu as descrições de Eça de Queiroz, fundamentais para a realização da obra. A equipe também visitou Lisboa e procurou reproduzir a atmosfera da cidade.

Algumas cenas da mini-série foram gravadas em Sintra, Portugal.


Curiosidade

Marília Pêra não queria interpretar uma mulher infeliz e amargurada, fisicamente feia e maltratada. Um dos argumentos usados pelo realizador Daniel Filho para convencê-la foi que a personagem era uma das favoritas do cineasta espanhol Luis Buñuel.


Banda sonora:

O primo Basílio teve direcção musical de Roger Henri. A banda sonora incluía um tema composto por Wagner Tiso, "O fado da Leopoldina", com letra de Eça de Queiroz, interpretada por Beth Goulart, que fazia o papel de Leopoldina na história.



Fontes: Memória Globo / IMDb


 

quinta-feira, 1 de abril de 2010

"Der Vetter Basilio" de Wilhelm Semmelroth (1969)


A estação de televisão alemã WDR transmitiu em Julho de 1969 uma série de dois episódios baseada no romance “O Primo Basílio” do escritor português Eça de Queirós.

Com argumento de Gerd Angermann e realização de Wilhelm Semmelroth, a série contava, nos principais papéis, com a participação dos seguintes actores: Diana Körner (Luiza), Erich Hermann Schleyer (Jorge), Hans von Borsody (Basilio) e Ingeborg Lapsien (Juliana).

A série foi rodada em Portugal em condições bastante adversas, tendo o realizador tido a necessidade de participar como figurante em várias ocasiões, porque os actores amadores não apareceram para as gravações. 





Fontes: wikipedia / IMDb

terça-feira, 30 de março de 2010

“O Primo Basílio" em castelhano (1934 + 1944)


Um dos mais importantes autores da literatura portuguesa, José Maria de Eça de Queirós (1845-1900) tornar-se-ia um dos nossos escritores cuja obra, com maior frequência e de modo mais sugestivo, foi transposta pelo cinema mesmo com incidência além-fronteiras.

A primeira dessas adaptações foi “O Primo Basílio”, uma produção portuguesa, de 1922, da Invicta Film, com realização do francês Geroges Pallu.

Esta obra de Eça de Queirós foi posteriormente adaptada ao cinema por dois realizadores hispano-americanos, o mexicano Carlos Najera (67 anos antes da adaptação de Carlos Carrera do "Crime do Padre Amaro") e o argentino Carlos Schlieper.

"El Primo Basilio" (1934)

Carlos Najera adaptou e realizou em 1934 o filme “El Primo Basílio”, com produção da Eurindia films (México).

Najera alterou a última sequência do filme por razões económicas. A Eurindia films deixou de pagar o vencimento a Andrea Palma (Luísa), pelo que os diálogos finais foram substituídos pelo texto de uma carta que Luísa tinha escrito a Jorge (Joaquín Busquets) e que ele aparece a ler até ao final do filme.

"El Primo Basilio" foi exibido pela Cinemateca Portuguesa no dia 7 de Junho de 1987 no ciclo “Que Viva México”.

(Mais informações na página dedicada a Andrea Palma, primeira diva do cinema mexicano)


"El Deseo" (1944)

E em 1944, Carlos Schlieper realizou "El deseo", uma produção argentina, com a interpretação de Aida Luz (Luísa) e Santiago Gómez Cou (Basílio).

Elsa Connor ganhou o prémio de melhor actriz secundária nos Prémios "Silver Condor".



Elsa Connor
Fontes: José de Matos-Cruz (“Eça de Queirós em imagens animadas”) / TDT-Latinoamericano / Cinefacts / Grupokane / solocortos / labatichica / Crónica TV (Elsa Connor)

quinta-feira, 25 de março de 2010

“Relíquia” de Eça de Queirós em BD (2007)

Lançada em 2007 no Brasil, "A Relíquia" (Conrad Editora) é um bom exemplo de uma adaptação bem conseguida de um romance para quadradinhos [BD] (…) [da autoria] de Marcatti, aliás Francisco A. Marcatti Jr., autor underground brasileiro, nascido em São Paulo, a 16 de Junho de 1962.

(…) Marcatti fez o que deve ser feito numa adaptação: interiorizou o espírito do romance de Eça e o seu peculiar sentido de humor, na sua crítica exacerbada à Igreja Católica, aos seus fiéis fanáticos e às suas crenças e credulidades, tarnspondo-os depois para a (sua) nova linguagem.

A opção de manter "a estrutura da história original" ajudou à consistência do livro, bem como a utilização, nos textos, de "uma mistura de coloquialidade e erudição para facilitar a leitura sem perder o tom clássico da obra", sem que isso o tornasse demasiado denso ou pesado.

Fonte/Mais informações: Pedro Cleto (adaptado)


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Eça de Queirós na obra de Marisa Monte (2000)


A famosa cantora brasileira Marisa Monte lançou em 2000 o tema "Amor I Love You", com música e letra de Carlinhos Brown e Marisa Monte.

O tema termina com um trecho do livro "O Primo Basílio", de Eça de Queirós, lido por Arnaldo Antunes, o qual descreve, de forma poética, o modo como Luísa ficou ao receber o bilhete de seu primo Basílio.


Devaneio literário

Já reparou na homenagem feita no clipe de "Amor, I love you", de Marisa Monte? Trata-se de uma referência feita a partir de uma citação colocada na canção. Declamado por Arnaldo Antunes, o trecho remete a uma das obras máximas de Eça de Queirós: "O Primo Basílio". O vídeo, dirigido por Breno Silveira, relê o clássico do autor português tendo os dois cantores/compositores mencionados actuado como os principais personagens desta famosa história.

Ganhador de vários prêmios na época de seu lançamento, "Amor, I love you" vale-se principalmente da bela fotografia e direção de arte para recontar essa história, numa singela homenagem. Leia o livro, assista ao clip e faça a sua comparação.


Extracto da letra (Eça de Queirós)

Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente!
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades,
e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido;
sentia um acréscimo de estima por si mesma,
e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante,
onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia um êxtase,
e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!"

Links: Video, Linguística

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Cinema brasileiro recria "Primo Basílio" de Eça de Queirós (2007)


O realizador brasileiro Daniel Filho adaptou ao cinema, em 2007, o famoso romance de Eça de Queirós "Primo Basílio", sendo a acção transposta para a cidade de São Paulo de 1958.


Sinopse

A história se passa em São Paulo, em 1958. Luísa (Débora Fallabella) é uma jovem romântica, frágil e sonhadora, casada com Jorge (Reynaldo Gianecchini), um engenheiro envolvido na construção da nova capital nacional, Brasília. O casal faz parte da alta sociedade de São Paulo.

Quando Jorge é chamado para Brasília a trabalho, Luísa reencontra seu primo Basílio (Fábio Assunção), sua paixão da juventude. Ela está entediada, sozinha em casa com as empregadas Juliana (Glória Pires) e Joana. Mas seu tédio não dura muito, pois o primo começa a visitá-la. E Basílio é pouco discreto sobre suas intenções e não demora muito para que ele conquiste Luísa com as histórias de suas viagens pela Europa. (...)


Curiosidade

Daniel Filho também dirigiu a mini-série homónima que foi produzida pela Rede Globo em 1988.

Fontes: wikipedia, página oficial

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

"Crime do Padre Amaro" no México dos nossos dias (2002)



Depois de três longas-metragens, a adaptação de um clássico oitocentista lançou o realizador mexicano Carlos Carrera nos EUA (nomeação para melhor filme em língua estrangeira). Tudo por causa de Eça. Tudo por causa de "O Crime do Padre Amaro".


A escolha de Eça de Queirós

Antes de "O Crime do Padre Amaro" já tinha lido "A Relíquia". Gosto muito da forma como Eça aponta críticas à sociedade sua contemporânea e da sua construção de personagens, neste caso, personagens vis, cheias de ambições. O encontro com o livro foi casual e como tenho forte formação católica, interessei-me particularmente por fazer este filme.

Sabia que o filme poderia ser considerado como uma espécie de falta de respeito, porque a cultura é algo vivo. Mas o filme não é o livro. Por outro lado, a minha obra provocou uma maior curiosidade sobre os livros de Eça. Sobretudo no México, onde foram sabotadas três edições de "O Crime do Padre Amaro".


Adaptação à actualidade

Eu e Vicente Leñero, um escritor católico praticante, famoso no México, começámos a trabalhar no guião e decidimos fazer as mudanças necessárias para que fosse possível adaptar o romance à actualidade. Apesar das transformações, tentámos sempre respeitar a essência da novela, as suas personagens, as situações e a abordagem da hipocrisia.

Foi essa abordagem da hipocrisia e do cinismo que mais contribuíram para a controvérsia gerada pela Igreja. As manifestações, entre outras formas de contestação, acabaram por ser excelentes veículos de publicidade...


Reacções em Portugal

Luís Francisco Rebello, presidente da sociedade portuguesa de autores, pediu ao Governo que recorresse aos tribunais para proibir a exibição do filme em Portugal.

Mesmo entre especialistas na obra de Eça de Queirós não há consenso. Carlos Reis, ainda que admitindo que provavelmente Eça ficaria vaidoso com o facto de saber que um livro seu deu origem a um filme no México, pensa que Eça ficaria insatisfeito do ponto de vista artístico. Já Isabel Pires de Lima pensa que Eça gostaria do filme pois este "respeita o que é essencial no romance que resiste a ser transposto de uma cidade de província de Portugal do século XIX para uma aldeia nos confins do México em pleno século XXI." (Leme, 2003:19).

Fontes: Maria José Oliveira (Público), Paula Cruz