Mostrar mensagens com a etiqueta estórias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta estórias. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Eddie Constantine em Lisboa (1960)


"Eddie em Lisboa” é um filme francês de acção e espionagem, realizado em 1960 por Pierre Monzarel, tendo como protagonista o famoso actor Eddie Constantine, que inspirou o título português.

A presença de Constantine nos seus filmes era tão marcante que vários títulos dos seus filmes utilizaram o seu nome: "Ça va être ta fête" tornou-se "Eddie em Lisboa" em Portugal, "Des frissons partout " foi intitulado "Eddie wieder colt-richtig" e "Eddie, o tromokratis ton Parision", respectivamente na Alemanha e Grécia, e "Lemmy pour les dames" foi traduzido para "Eddie ja naiset" na Finlândia.


Sinopse

Eddie Constantine interpreta o agente secreto John Larvis (ou John Lewis na versão em inglês) que se desloca a Lisboa numa missão especial para encontrar Marc Lemoine, um agente duplo desaparecido, que tem em sua posse informações importantes que lhe podem custar a sua vida.

Em Lisboa, Larvis é ameaçado por um gangue violento e envolve-se com uma jovem jornalista francesa, interpretada por Barbara Laage. O chefe dos Serviços Secretos acaba por que lhe contar que Lemoine nunca existiu. Mas tal informação não significa o fim da sua missão em Lisboa, pois é a partir daí que começam os seus verdadeiros problemas.


Rodagem em Portugal

Rodado em Lisboa, o filme tem cenas gravadas no Aeroporto de Lisboa, no Hotel Ritz e nas Avenidas Novas, sendo um dos figurantes o então jovem António Homem Cardoso, que se tornou um dos mais famosos fotógrafos portugueses das última decadas.


O sucesso de Eddie Constantine 

Filmes havia cuja publicidade girava sobretudo em torno do prestígio do protagonista principal. O seu nome, à frente da ficha artística de qualquer filme, faz esgotar as lotações, é garantia de uma acção movimentada, cheia de imprevisto, como detective corajoso, hábil em desenvencilhar-se das armadilhas dos bandidos que persegue (...)


Como Eddie Constantine mudou a vida do fotografo Homem Cardoso

António Homem Cardoso tinha 14 anos, quando ia a passar na Praça de Touros de Algés e reparou numas luzes. Como era de dia achou estranho e resolveu aproximar-se. Era um filme que estava a ser rodado. Os actores principais eram Eddie Constantine e Bárbara Laage.

A simpatia pelo jovem de tenra idade foi imediata e durante todo o tempo de gravações passou a sair sempre com eles. "Eles simpatizaram comigo, convidaram-me para figurante e mascote e pagaram-me 1363 escudos, uma fortuna na altura".

No final Eddie Constantine ofereceu-lhe a sua máquina fotográfica, acto que revolucionou a vida de António para sempre. A partir desse momento começou a tirar fotografias, o seu trabalho começou a agradar as pessoas e pensou que poderia fazer desse passatempo a sua profissão e continuar o seu ritmo de vida, livre.

Fontes: imdb / ideias de rua / adrimag / mediatico / kisskiss

sábado, 31 de março de 2012

J. Rentes de Carvalho: entre a Holanda e Portugal


Nascido em Vila Nova de Gaia em 1930, de ascendência transmontana, foi obrigado por razões políticas a abandonar Portugal, tendo vivido em Paris e largas temporadas no Brasil. Entretanto, um amigo, adido comercial da embaixada do Brasil na Holanda, precisou de ajuda para dirigir uns relatórios. "Respondi-lhe que iria duas semanas no máximo. Fiquei 55 anos."

Depois da experiência como assessor na embaixada, andou a vender revestimentos para telhados. "Foram três anos muito duros."

Na época conheceu um professor catedrático que dirigia um curso de literatura portuguesa na Universidade de Amesterdão. "Tinha aprendido português na Indonésia e escrevera uma tese sobre Fernando Pessoa. Já tinha uns 60 anos e conversávamos muito sobre literatura e Portugal. Um dia, disse-me: ‘você não é dos telhados, mas da universidade’".

Assim começou a dar aulas sem ser licenciado. Em cerca de dois anos deu por findo o curso com a tese "O Povo na Obra de Raul Brandão". Ali leccionou até 1988.


Principal bibliografia (1972)

A sua bibliografia inclui romances (entre eles "Montedor", 1968, "O Rebate", 1971, "A Sétima Onda", 1984, "La Coca", 1992, "Ernestina", 1998, "A Amante Holandesa", 2003), contos, diário ("Tempo Contado" - nome do seu blog - ou "Tempo sem Tempo"), crónica ("Mazagran", 1992) e guias de viagem. O seu "Portugal, een gids voor vrieden" ("Portugal, Um Guia para Amigos"), de 1988, esgotou dez edições.

"Com os Holandeses" ("Waar die andere God woont", publicado originalmente em neerlandês, em 1972, e um sucesso editorial na Holanda) é a primeira obra de J. Rentes de Carvalho no catálogo da Quetzal.

O mais recente título de Rentes de Carvalho é "Gods Toorn over Nederland" ("A Ira de Deus sobre a Holanda").

"Com os Holandeses" (1972)


Um dos grandes temas de Rentes de Carvalho teve como base a observação da vida dos holandeses. O ponto de partida foi o seu famoso "Waar die andere God woont" de 1972, traduzido para português com o título "Com os holandeses".

Na Holanda já vai na 13ª edição, a Portugal só chegou em 2009.

Luís Carmelo escreveu, nessa altura, que é "pena é que Portugal não tenha tido, no último meio século, nenhum escritor estrangeiro que tivesse dado do país o retrato tão corrosivo e objectivo como o que Rentes de Carvalho generosamente concedeu à Holanda. Apesar de algumas farpas estimulantes e certeiras do amigo holandês Gerrit Komrij (e do seu ainda actualíssimo "Um Almoço de negócios em Sintra").


Um desconhecido em Portugal durante muitos anos

José Rentes de Carvalho vendia milhares de livros na Holanda, mas isso não fazia dele alguém conhecido em Portugal.

As suas primeiras editoras em Portugal publicaram os seus livros sem jamais prestarem contas, pelo que optou por publicar os seus livros na Holanda, ainda que os escreva em Português e na sua maioria tenham mais de Portugal do que da Holanda, mas por razões insondáveis também nunca nenhum editor português tomou nota da sua existência.

Episódio curioso e sintomático desse desdém passou-se em 1989, durante a Buchmesse de Frankfurt. O editor holandês decidiu que o stand inteiro da editora seria quase inteiramente dedicado aos seus livros. Fora e dentro do stand foram colocadas várias fotografias do autor, com o nome em bom tamanho, e fotografias das capas, tudo em formato de cartaz.


Durante três dias passaram por lá dezenas de editores, funcionários da cultura e jornalistas portugueses. O escritor viu alguns a pararem embasbacados, mas não houve um único com curiosidade de saber quem era o compatriota, ou por que razão o exibiam ali.

Leonardo de Freitas, o patrão da Editorial Escritor, escreveu-lhe em fins de 1997 a dizer que gostaria de editar os seus livros, o que aconteceu até meados da primeira década do Século XXI.

Actualmente, com a Quetzal a relançar a sua obra em Portugal, José Rentes de Carvalho diz-se com “o coração cheio”.


Holandeses e Portugueses

Dos holandeses bem nos falta o afinco ao trabalho e ao estudo a sério, a consciência social, a disciplina, a pontualidade.

Para a Holanda poderíamos certamente exportar aquela nossa forma de carinho que, mesmo quando não é sincera, sempre dá um certo conforto à alma.

E poderíamos ensinar os holandeses a comer. Há aqui excelentes restaurantes, mas a culinária doméstica é de fugir dela a sete pés.

Um pouquinho do nosso "deixa lá" também compensaria da rigidez calvinista.


Outras curiosidades

Até recentemente desconhecido do grande público português, é actualmente considerado um dos autores mais inovadores e inteligentes da prosa escrita em língua Portuguesa.

Para a editora De Arbeiderspers, de Amsterdam, dirigiu e escreveu os posfácios da edição em língua holandesa das principais obras de Eça de Queiroz.

A sua biobibliografia acha-se incorporada desde a 9ª edição na Grote Winkler Prins Encyclopedie, a mais antiga (1870) das enciclopédias holandesas.

Fontes/Mais informações: Eito fora / jornal i / Página oficial / wikipedia / DN / Blog Tempo Contado / Up Magazine (TAP)/ Pnet Literatura / Bert Ernste / Quetzal

quinta-feira, 15 de março de 2012

Gerrit Komrij: de Trás-os-montes até Vila Pouca

Gerrit Komrij, escritor e poeta holandês, estava farto da vida literária e das suas obrigações e decidiu emigrar para um país longínquo. Isso foi em 1984 e o país mais longínquo que podia imaginar nessa altura foi Portugal.

Com o seu companheiro, foram à procura de isolamento numa aldeia afastada de Trás-os-montes (Alvites). Foram cinco anos dramáticos (entre 1984 e 1988) e não tardou que entrassem em conflito com os poderes locais. Estes cinco anos resultaram no romance "Atrás dos Montes".

Agora vivem na Beira (Vila Pouca da Beira, Oliveira do Hospiyal), também num sítio isolado, mas um pouco mais perto da "civilização", isto é, mais perto de uma livraria, presença essencial a Gerrit Komrij, que colecciona livros desde os seus 15 anos. Diz que são mais humanos do que os seres humanos. E aqui começou devagar a sentir-se em casa, aprendeu a língua, teve, como diz, o privilégio de conhecer uma literatura.


"Atrás dos Montes" (1990)

“Atrás dos Montes” (“Over de Bergen”) é a história de um jovem em busca das suas raízes.

Pedro Sousa e Silva, farto da vida de “jet set” de Lisboa, chega à terra dos seus sonhos, na província mais distante e mais isolada do país, para se instalar no imponente solar abandonado que os seus antepassados habitaram outrora. (...)

A sua existência parece predestinada a uma vida serena de prazeres simples. Mas não tarda que por detrás da fachada exótica se descubra uma sociedade baseada na desconfiança e no terror. À volta da velha casa estala uma guerra sem tréguas. O isolamento transforma-se numa prisão. Confrontado com uma comunidade onde nada mudou após a queda do regime totalitário, Pedro é obrigado a ceder.


Até mais logo ... (uma estória interessante)

Em "Atrás dos Montes", Gerrit fala da exuberância da paisagem, da hospitalidade nacional, da qualidade de vida e de um episódio delicioso que revela porque se cansam tanto os portugueses com a verdade.

Komrij tinha acabado de se instalar na sua quinta, em Alvites, e resolveu descer à aldeia para conhecer os habitantes. A simpatia local esmagou-o, mas regressou a casa em pânico, dizendo ao seu companheiro: "Todos se despediram dizendo 'até mais logo', deve ser tradição da terra. No final da tarde aparecem-nos aí".

Prepararam então o jardim para receber a aldeia. Esperaram, esperaram, mas ninguém apareceu. Komrij levou algum tempo a descodificar este desligamento entre o que se diz e o que se faz - mas percebeu a simplicidade: é só uma forma educada de adiar um problema.


"Um almoço de negócios em Sintra" (1996), colectânea de crónicas sobre Portugal

Todas as semanas escreve uma crónica sobre a sua aldeia portuguesa para um jornal holandês - onde satiriza sobre tudo e todos.

"Um Almoço de Negócios em Sintra" é um retrato em corpo inteiro de Portugal e dos portugueses. Um retrato solícito e inteligente, que anda tão perto do enternecimento como da provocação. Os nossos defeitos, de tão próprios, acabam por parecer virtudes. E as nossas patentes qualidades têm, afinal, a mais peculiar das marcas.

"Um Almoço de Negócios em Sintra" é, assim, para os portugueses, um livro frontal, aqui e além incómodo, mas sempre revelador.


"Vila Pouca, Contos Portugueses" (2009)

De 1984 a 1988, Komrij viveu em Alvites, Trás-os-Montes, uma vivência que inspirou o seu primeiro romance Over de bergen (Atrás dos Montes, 1990). Desde 1988 vive em Vila Pouca da Beira, que retratou em "Vila Pouca, Portugese verhalen".


Libretto de "Melodias Estranhas" (2001)

A ópera "Melodias Estranhas" é uma co-produção bilingue luso-flamenga, com música de António Chagas Rosa e libreto do holandês Gerrit Komrij, para as duas Capitais Europeias da Cultura de 2001 (Roterdão e Porto).

A ópera é centrada nas personagens de Erasmo de Roterdão e Damião de Góis que, há 500 anos atrás, construíram uma amizade a partir da recusa mútua pelo fanatismo religioso.


"Nós por eles" (RTP 2)

“Está no meu carácter ver o lado ridículo das pessoas e escrever sátiras sobre eles, mas, claro, estou consciente do facto que estou a viver num país onde sou um hóspede e os portugueses são muitíssimo generosos em me acolher, portanto não posso ser demasiado crítico.”

“(…) numa outra língua, a dois mil quilómetros de distância, escrevo de uma maneira muito simpática sobre o que acontece nesta pequena aldeia por baixo da superfície.”

“Quando eu ficar absolutamente maluco, então, não sei onde me vão pôr (…) Mas enquanto tenho o destino em minhas próprias mãos vou ficar aqui. Sim, acho que vou morrer aqui. O cemitério é mesmo ao lado, portanto a viagem será curta.“

Fontes: Programa “Nós por eles” (RTP 2) / wikipedia / ritualmente / ilcml / dornes / Expresso

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Cristina Branco canta Slauerhoff (2000)

Cristina Branco propôs a edição do seu primeiro álbum de estúdio, "Murmúrios", a uma editora portuguesa. Foi recusado. Depois, com ele (após ter optado pela Holanda como rampa de lançamento para a sua carreira), ganhou o prémio do "Le Monde de la Musique" para o melhor álbum de "world music" de 1999.

Quando o foi receber a Paris, na presença das Bartollis deste mundo, em vez de se restringir aos proverbiais agradecimentos, pediu para cantar com o companheiro, guitarrista e compositor Custódio Castelo.

Valeu-lhe um contrato com a Universal francesa, fruto do instantâneo "coup de foudre" pela sua música de um responsável dessa editora presente na cerímonia. "Post Scriptum", de 2000, reincidiu no mesmo prémio.

E, com "O Descobridor - Cristina Branco canta Slauerhof", atingiu o disco de platina pelas vendas na Holanda, terra natal de Jan Jacob Slauerhoff, o poeta das muitas afinidades com Portugal e a mitologia do fado. (...)


Jan Jacob Slauerhoff

Jan Jacob Slauerhoff, um poeta holandês razoavelmente desconhecido em Portugal, não seria a escolha mais evidente para o álbum de uma cantora portuguesa cuja matriz é ainda o fado...

Slauerhoff era um indivíduo completamente inadapatado à sociedade do princípio do século XX. Privou com o Fernando Pessoa e foi tradutor de Camões. Buscava o estímulo de outras culturas que o fizessem sair da sua forma de escrever e sentir que era um bocado depressiva.

Acho que acabei por encontrar nele aquela tristeza que toda a gente vê no fado. Era médico de bordo, passou por todas as colónias portuguesas (viveu algum tempo em Macau e apaixonou-se por uma bailarina local de quem teve um filho) e, quando veio a Portugal, encontrava-se muito doente. Fazia uma vida bastante boémia e conheceu muitos lugares e cantores de fado.

Um dos poemas deste disco, "Vida Triste", é a tradução dele de uma letra de fado que lhe foi oferecida por um desses boémios com quem se dava. E que, agora, sessenta e tal anos depois, foi resgatada para a língua portuguesa por nós.


Como é que chegaram ao conhecimento da poesia de Slauerhoff?

Estava em digressão pela Holanda e, durante um jantar, conversávamos acerca da literatura portuguesa, de Fernando Pessoa. Nessa altura, alguém mencionou a existência de um poeta holandês que partilhava um pouco desse espírito. Pedi a tradução de um texto dele ("A Uma Princesa Distante" que também acabou por figurar no disco) e, apesar de ser uma tradução à letra, chegou para me aperceber que tinha uma forma de escrever e de pensar muito "portuguesa".

A tradutora fez-nos chegar vinte e tal poemas e, desses, cerca de onze, eram perfeitos para construir um álbum.

Fados ?

Houve uma primeira tradução muito agarrada ao texto original que era impossível de cantar. Fiz uma segunda tradução, mais livre e cantável e as coisas foram surgindo assim. No final, quando começámos a gravar, percebemos que não seriam exactamente fados mas sim temas muito tristes que acabavam por estar muito proximos do espírito original do fado. E, no fundo, foi através deste álbum que compreendi quais eram realmente as características do fado.

Fonte: João Lisboa (adaptado)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

"Portugal.the Man" do Arkansas para o mundo

Alguém imaginaria que um dia surgiria uma banda proveniente do Estado norte-americano do Arkansas com o nome Portugal ? Pois o improvável aconteceu e os "Portugal.The Man" (sim, com um ponto a separar o nome) surgiram das cinzas dos Anatomy of a Ghost e, com um estilo musical de raízes indie, aqui e ali tingido com elementos soul, blues e folk.

O nome da banda resultou da tentativa de criar uma entidade algo mítica que fosse maior do que os seus integrantes, sendo inspirada na ideia de David Bowie de que a fama será "bigger than life". Eles queriam que a banda fosse "maior do que a vida", mas não queriam que fosse utilizado nenhum nome dos seus membros.

Segundo o guitarrista e vocalista John Gourley, a ideia surgiu-lhe do facto de um país ser um grupo de pessoas, tendo Portugal sido, por casualidade, o primeiro país que lhe veio à mente. Assim, o nome da banda é "Portugal", mas "The Man" realça que se trata de um indíviduo e não de um país.

O nome tem igualmente um significado mais pessoal, pois "Portugal.the man" seria o título do livro que Gourley tinha planeado escrever sobre o seu pai e as suas muitas aventuras.

Fontes: wikipedia / musicaonline

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O fado de Maria Berasarte (2009)


Maria Berasarte, nascida em 1978, estudou canto lírico e deixou-se seduzir por outras sonoridades e acaba de editar o seu primeiro álbum.

Com direcção musical de José Peixoto e letras originais de Tiago Torres da Silva, "Todas Las Horas Son Viejas" pega em fados tradicionais e, sem pretensiosismo, apresenta uma visão diferente deste género musical tão tipicamente português.

"Espero que as pessoas oiçam o disco com o mesmo carinho com que eu o fiz. Não é mostrar como a espanhola canta fado, não é uma coisa de 'ah, eu sou fadista'... Eu sou uma espanhola, basca, cantora, e que fez uma homenagem ao fado porque o fado fez muito por mim, e Portugal também", explicou.

Primeiro contacto com o Fado

Apesar de ser Filha de Galegos, não tinha tido grandes contactos com o fado. Até que um dia ouve Amália na televisão espanhola:

"Ouvi cantar de uma maneira que nunca tinha ouvido. Parecia com o flamengo, mas noutro plano, muito diferente, mas muito visceral" (…)

"Precisava mesmo de ouvir algo assim. Queria deixar a escola de canto, mas ainda não sabia qual o rumo que queria seguir."

Primeiro disco

Queria gravar um disco que recolhesse canções de diversos géneros, quando a sua mãe lhe fala da possibilidade de gravar fados. Após contactar José Peixoto (Madredeus) por e-mail, o músico português aceita ser o produtor do disco, sendo convidado Tiago Torres da Silva para ser o autor das letras em espanhol.


Depoimento de Tiago Torres da Silva

O disco da Maria Berasarte foi um acontecimento. Nada fiz para que acontecesse, mas a Maria, que é uma cantora extraordinária, apaixonou-se pelo Fado e veio a Portugal com o intuito de encontrar os parceiros certos para esta viagem.

Quando me encontrou, pediu-me que escrevesse letras em português para ela e fui eu que lhe propus que, se era para cantar fado, tinha de cantar com as palavras que aprendeu desde criança. Eu sou um letrista de vozes, para vozes! Tento sempre escrever como se fosse o cantor que vai interpretar aquelas palavras.

Por isso, fez-me sentido escrever em castelhano e foi um desafio muito grande, porque tive de comprar dicionários de rimas em espanhol, de expressões... durante meses a fio só li livros em castelhano e, por fim, escrevi aquelas letras de fados tradicionais, o que não é nada directo, porque a poesia popular portuguesa (e, por isso, quase todos os fados tradicionais) é maioritariamente em redondilha maior.

E as sete sílabas não calham bem ao espanhol... tive de as fazer caber... mas acho que isto foi um episódio que eu tenho muita vontade de repetir... mas nada mais que isso...por exemplo, gostava imenso de fazer um disco com fados tradicionais em francês... e até sei quem seria a cantora...

Quanto à questão de se estas experiências são fado ou não, confesso que não me interessa muito. Eu faço o que tenho de fazer, Existe alguma coisa inominável que me impele a fazer as coisas. Por isso, do ponto de vista da intimidade, claro que isto tudo é fado. Do ponto de vista da catalogação pública, talvez nada disto seja fado. Pelo menos, para os puristas, não é, de certeza!

Uma letra fala de se sentir como portuguesa

Palavra triste
Quando a guitarra beija
Não importa a tristeza
Eu sinto-me portuguesa
Eu também digo saudade

Fontes: Programa Bairro Alto (RTP2) / Portal do Fado / Blogue de Letras

Video: "Cosas que no sé"

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

"Menina da Ria" de Caetano Veloso (2009)

O cantor brasileiro Caetano Veloso cumpriu a promessa e dedicou uma música à cidade de Aveiro, pela qual ficou apaixonado quando passou por Portugal. "Menina da ria" é um dos doze temas do novo álbum "Zii e Zie" e surge trinta anos depois do músico ter gravado "Menino do rio", no álbum "Cinema Transcendental".

Caetano Veloso recordou que "Menina do ria" resulta de uma promessa feita ao público que esteve num concerto seu em Aveiro em 2008.

A ria "é uma característica da cidade. É muito bonita. Todo o mundo fala 'a ria'. Eu comentei na hora do show, só de violão: eu vou fazer uma música chamada 'Menina da ria'. Eles riram muito, aplaudiram, fiquei com esse compromisso, cheguei no Brasil e fiz", explicou Caetano Veloso.

A letra faz referência aos barcos da ria, aos ovos-moles, aos prédios art-nouveau.

Fonte: Visão
Letra

Uma moça de lá do outro lado da poça
Numa aparição transatlântica
Me encheu de elegante alegria
(Ai Portugal, ovos moles, Aveiro)
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria

E uma preta (parece que eu estou na Bahia)
Tão linda quanto ela e dizia
No seu português lusitano:
"Pode o Caetano tirar uma foto?"
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria

Arte Nova, um prédio art-nouveau numa margem
Em frente à marina-miragem
Os barcos na Ria, e depois
Uma taça
Sobre o púbis glabro, um estudo
Nenhum descalabro se tudo
É sexo sem sexo em nós dois
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria


Ligação: Video (ao vivo)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O "London London" de Zeca

Londres, 1970, talvez. José Afonso gravava "Traz Outro Amigo Também" nos estádios da Pye. Ao lado, os Status Quo registavam o segundo álbum, "Spare Parts" mas tinham de o interromper de quando em quando para não prejudicar o andamento mais sereno de Zeca. (...)

Londres fervilhava. Era o fim dos Beatles, do "Chelsea Drugstore" que os Stones cantavam, o aparecimento dos skinheads, a morte lenta dos hippies, da Carnaby Street e de King's Road.

Mas havia outros motivos de interesse. Para Londres convergiam os exilados políticos de outros países, nomeadamente do Brasil. Entre eles, Gilberto Gil e Caetano Veloso que cedo conviveram com Zeca.

Nos intervalos das gravações, o Zeca jogava judo comigo em casa da Nina, em Oakley Street, no coração de Chelsea. A irmã, Manuela, cuidava das moedas no meter para não faltar a electricidade. O seu companheiro, José Labaredas, homem bom do Couço, amigo do Zeca, cantador de fados de Lisboa, assistia. (...)

Uma noite, fomos todos jantar a um dos restaurantes portugueses de Beauchamp Place, mesmo ao lado do Harrods. Ou foi no Fado ou na Caravela, já não me lembro. Eu, o Zeca Afonso, o Zé Labaredas, a Nina, a Manuela, a Milu, todas irmãs, o Gilberto Gil e o Caetano Veloso. (...)

No meio dos pastéis de bacalhau, Caetano Veloso confessou que estava atrapalhado. Os seus amigos do Brasil perguntavam-lhe como era a vida em Londres. Ele queria responder com uma canção, mas não sabia como.

E foi nessa noite londrina, num recanto bem português, que José Afonso trauteou o que viria a ser o famoso "London London" de Caetano Veloso. Sem créditos, a não ser para os que assistiram ao parto da canção.

Fonte: Luís Pinheiro de Almeida (in "Vejam bem" e Guedelhudos AKA ié-ié)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Aliki Kayaloglou canta Fernando Pessoa (2007)

Aliki Kayaloglou é uma cantora grega, que já colaborou com dois dos mais importantes compositores gregos, inicialmente com Mikis Theodorakis e depois com Manos Hadjikdakis.

Empenhada em partilhar o seu gosto pela poesia, Aliki possui uma particular forma de interpretar textos poéticos e de os comunicar com o público, dando recitais, desde 1982, sobre alguns dos seus poetas preferidos como G. Seferis, O. Elytis, Cavafy K., Ritsos G., Anagnostakis M., Gatsos N., Lorca, Horácio Ferrer, Fernando Pessoa e outros.

Em 2007 lançou o disco "Aliki Kayaloglou Sings Fados and Reads Fernando Pessoa's Ode Maritima" no qual cantava o fado e declamava a "Ode Marítima" de Fernando Pessoa.


Fado e Fernando Pessoa (adaptado do blog de um lusodescendente)

Numa bela tarde, deparei-me com um disco em que apenas dois nomes me eram familiares. "Fado" e "Fernando Pessoa". (...)

Escusado será dizer que às vezes ainda caio na armadilha de sentir as minhas raízes. Mesmo com uma ênfase em outro lugar. E se o mundo fosse um? ...

Fontes: Aliki Kayaloglou (site) / Du bleu dans mes nuages

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Roberto Leal, um cantor de fé

Roberto Leal é o nome artístico do cantor português António Joaquim Fernandes natural de Trás-os-Montes.

Imigrou para o Brasil em 1962, com os pais e 10 irmãos. Em 1971 inicia sua carreira, com a canção "Arrebita" (original do conjunto António Mafra), e neste mesmo ano tem a sua primeira aparição em Televisão no Programa do Chacrinha.

Em 1972 ganha o prémio de Rei da Juventude Brasileira, do Velho Guerreiro (Chacrinha) e o importante Troféu Globo de Ouro, da TV Globo, entre inúmeros outros.

Protagonizou o filme "O Milagre", que conta sua própria história, com recordes de bilheteira (14 semanas em cartaz no Cine Paissandu).

Como tudo começou

Quando comecei a minha carreira no Brasil, levava na bagagem a infância, as coisas que ouvia na minha aldeia de Val da Porca em Trás-os-Montes. Levei comigo uma música muito engraçada do grupo António Mafra chamada "Arrebita" e o brasileiro achou aquilo fantástico.

Mas até eu colocar a música cá fora, as coisas foram muito difíceis. Foi uma luta gravar e tocar. Foi preciso um homem de muita coragem chamado Chacrinha, para eu ter a minha grande oportunidade. A partir daí nunca mais parei.

Video: programa de Ronnie Von

Versões

Ao longo da sua carreira, Roberto Leal gravou diversas versões de temas portugueses, nomeadamente no início da sua carreira:

"Arrebita" (de António Mafra) (em 1971)
"Lisboa antiga" e "Grandola, Vila Morena" (em 1974)
"Clarinha" (de António Mafra), "O Bailinho da Madeira" e "Canção do Mar" (em 1975)
"Só nós dois" (em 1976)

Homenageou Amália, em 1975, com o tema "Canção para Amália".


Crítica musical

“A Popularidade de Roberto Leal” chega nas lojas hoje, na verdade não é um cd novo e sim um album com as musicas mais populares de Roberto.. eu chorei de rir.. mas é um cd prá la de divertido e alto astral.. mesmo não gostando do estilo “jaspion de portugual” adorei o cd.. as musicas tem mensagens positivas.. um ritmo animado.. eu acho que até quem não goste do estilo deve pegar pra dar uma ouvida. Afinal não é qualquer um que vende 17 milhões de cópias sem precisar rebolar a bundinha e descer até o chão, passar horas repetindo os refrões como nos axés ou ate mesmo batendo o cabelo como Colapso Calypso. (...)


Sucesso no cinema com “O Milagre - O poder da fé” (1998)

Em 1978 passou por uma experiência única e muito bem sucedida, que foi a sua primeira incursão no cinema. Protagonizou o filme “O Milagre”, que conta sua própria história, com recordes de bilheteria (foram 14 semanas de permanência em cartaz no Cine Paissandu, apenas para citar um exemplo).


Sinopse: "Uma família de feirantes portugueses, radicada no Brasil, vive em (...) sérias dificuldades financeiras. Para agravar a situação, o pai está cego e não pode mais trabalhar para auxiliar no sustento da família. Devoto fervoroso, a grande esperança do pai é conseguir algum dinheiro para ir a Portugal, onde, acredita, recuperará a visão rezando no altar de Santo Ambrósio.

Vivendo de pequenos expedientes, o filho caçula, ajudado por seu amigo Toninho, busca de todas as maneiras conseguir algum dinheiro para que seu pai possa realizar o seu sonho. Mas suas tentativas não resultam em nenhum salto positivo, além de sempre o colocar em situações complicadas. Tentando ser cantor, o rapaz é vítima de exploradores que lhe tiram o pouco que consegue ganhar. Mas mesmo assim, consegue gravar um disco que resulta num grande sucesso. Em pouco tempo, rico e famoso, leva o seu pai a Portugal, onde acontece o milagre". (Extraído do Guia de Filme, 79)


Fâs

Fãs famosos não faltam para o cantor. Entre eles estão o padre Marcelo Rossi, que gravou um "Vira de Jesus", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e até o técnico brasileiro Luiz Felipe Scolari.

Fontes/Mais informações: página oficial / wikipedia / Ovo colorido / Mundo Universitário / Blog oficial / Cinemateca Brasil  / Filme completo


 
 

quarta-feira, 20 de maio de 2009

As Raincoats de Ana da Silva (1977-1984; 1993-)


As The Raincoats foram umas das pioneiras bandas rock totalmente feminina. Juntaram-se em 1978, em plena histeria pós-punk, na cidade de Londres que ainda ressacava os recentes ícones Sex Pistols e The Clash e abraçaram a new-wave que chegava do outro lado do Atlântico, de Nova Iorque. Eram quatro raparigas e a mais velha era portuguesa – madeirense de nascimento e Ana da Silva de seu nome.

Para além da guitarrista Ana da Silva, a banda era complementada pela carismática baterista Palmolive (que tinha abandonado as The Slits, outra legendária banda-rock feminina e que viria a partir para a Índia em 1979, sendo substituída por Ingrid Weiss), pela baixista Gina Birch e pela violinista Vicky Aspinall.

Separadas eram quase inóquas, mas em conjunto formavam uma combinação explosiva de punk-rock de cariz experimental, cujo violino de Vicky Aspinall contribuia em muito para uma sonoridade bastante particular.

As The Raincoats eram uma banda manifestamente feminina e não o era só devido ao seu alinhamento exclusivamente feminino; era-o na sua postura, nas suas músicas e nas suas letras, que passavam uma espécie de mensagem de emancipação da mulher, arruinando qualquer esteriótipo feminino que se atravessasse à frente.

Depois de três álbuns de originais – “The Raincoats” em 1984, “Odyshape” em 1981 e “Moving”, em 1984 – e de uma abrasiva reputação construída em terras de Sua Majestade, as The Raincoats anunciaram o seu fim. Que afinal era apenas um até já.

Com efeito, dez anos depois, Kurt Cobain, mítico líder dos Nirvana e símbolo do movimento grunge, repescou as The Raincoats desta vez para o reconhecimento internacional. Tidas como influência fulcral da sua música, Kurt Cobain exigiu que os álbuns das The Raincoats fossem reeditados, para que a sua música pudesse ser descoberta por uma nova geração.

Inesperadamente, viram-se nas bocas do Mundo quando menos o esperavam e Ana da Silva e Gina Birch reavivaram as The Raincoats, desta vez com Heather Dunn na bateria e Anne Wood no violino.

Fonte: Rua de Baixo

A admiração de Kurt Cobain

Depois das aventuras musicais, Ana Paula foi trabalhar para o Antiquário que entretanto o seu primo [Manuel Castinho] tinha aberto em Londres.

Em Maio de 1993, Kurt Cobain escreveu nas notas do álbum "Incesticide", dos Nirvana, que as Raincoats tinham sido uma das bandas que mais o influenciaram.

Mais ou menos por essa altura, Kurt Cobain passa por Londres à procura de uma cópia nova do álbum "The Raincoats", já que a sua se encontrava danificada e foi à loja da Rough Trade, mas ficou a ver navios, já que não havia cópias.

Prestável, a empregada da loja forneceu a Kurt Cobain a morada do Antiquário de Manuel Castilho onde Ana Paula trabalhava, mas nem assim teve sorte. Ana Paula não só não tinha o disco, como não reconheceu Kurt Cobain (como pode?), mas aceitou ficar com uma morada.

Só mais tarde Ana Paula se apercebeu da gaffe e enviou discos e outro material.

Kurt Cobain acabou por interceder pela reedição da obra das Raincoats e estas dedicaram-lhe o "Extended Play", o EP de reunião de Julho de 1994.

Fonte: Guedelhudos (ié-ié)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Nome de Grupo: Rosa Mota

Em Abril de 1993, durante a viagem presidencial de Mário Soares a Londres, o jornalista Luís Pinheiro de Almeida descobriu no "What's On" a existência de uma banda de rock com o nome de Rosa Mota.

Não foi difícil convencer os companheiros de profissão a ir ao Water Rats, uma espécie de Rock Rendez-Vous londrino, assistir a um concerto da banda. Até porque Soares ia a caminho da Escócia e tinham a noite livre.

Durante alguns anos trocou informações com a banda. Mandavam-lhe os discos, autografados, notícias, como o contrato com a Mute, chegaram-lhe inclusivé a pedir para falar com Rosa Mota para não haver melindre com o nome, o que cheguou a fazer.

Rosa Mota, a atleta, acabaria por confessar ao "Jornal de Notícias" que se sentira "muito orgulhosa" pela "usurpação" do seu nome.

Em Londres, a banda explicou que tinha escolhido o nome de Rosa Mota pela "muita admiração" que tinha pela atleta portuguesa e também porque desejava ser uma "banda-maratona" com "muitos anos de vida".

Os nomes dos músicos: Julie Rumsey (voz e guitarra), Ian Bishop (voz e guitarra), Sacha Galvagna, italiana, (guitarra), Michelle Marti, espanhola, (guitarra) e Justin Chapman (bateria).

Agora, imaginem a surpresa da banda quando viu entrar pelo clube dentro 15 barulhentos jornalistas portugueses, tantos quantos eram ao princípio, mas nem todos aguentaram o "caos controlado" da banda indie de Camden Town.

Fonte: Guedelhudos (ié-ié)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

"Venham mais cinco" em versão dos Keltia (1979) e Victor Manuel y Ana Belén (2015)

 

O grupo Keltia, um duo galego formado por Xosé Ramón Gayoso (apresentador do programa Luar da TV Galiza; à esquerda na foto) e Álvaro Someso, publicou em finais da década de 80 o seu único álbum, "Choca esos cinco", o qual incluía, entre outros temas, adaptações de poemas da espanhola Rosalía de Castro e uma versão da famoso canção “Venham mais cinco” de José Afonso que dá título ao disco e que foi igualmente editado como single.

Fonte: caratulascoque

Video: "Choca esos cinco

 


Canciones regaladas de Victor Manuel y Ana Belén


Nos últimos meses de 2013, Carlos San Martin, que trabalha para a editora Sony Espanhola, propôs ao cantor Victor Manuel e à sua esposa Ana Belén que lançassem um álbum com versões de alguns dos seus temas preferidos.

 “A Guerra das Rosas”, da autoria de José Mário Branco e Manuela de Freitas (incluído no álbum "Do amor e dos dias" de Camané), e “Venham mais Cinco”, de Zeca Afonso, foram duas das canções escolhidas. Quando Victor Manuel comunicou a San Martín que a SPA (Sociedade Portuguesa de Autores) não respondera ao seu pedido por carta, San Martín considerou que era “normal”, pois ele tinha trabalhado em Portugal.

Voltou a pedir e demoraram um mês a responder a uma mensagem por correio eletrónico onde solicitavam o envio das canções em MP3 para fazê-las chegar aos seus autores, cópia digital essa que já tinha seguido na correspondência anterior. Passou mais um mês e foi necessário pedir o apoio de Lourdes Guerra e Luis Pastor para intercederem junto de Zélia, viúva de Zeca Afonso, e só assim começaram a ter aprovação para gravar essa canção.

Fontes: "Antes de que sea tarde: Memorias descosidas" de Víctor Manuel (adaptado)/ Sony music


A GUERRA DE LAS ROSAS (A GUERRA DAS ROSAS) José Mario Branco / Manuela de Freitas

Canción muy divertida que habla de las relaciones de una pareja al borde del precipicio pero siempre dispuestos a reconciliarse. Es una canción portuguesa cantada solo por Víctor. “Partiste sin decir adiós ni nada, fingiste que era culpa toda mía, dijiste que mi vida era extraviada, te grité por la escalera que porqué no te morías…”

12. CHOCA ESOS CINCO (VENHAM MAIS CINCO) José Afonso

Una de las mas celebradas canciones del autor de “Grandola villa morena”. Muy versionada y muy popular en Portugal. Aparentemente ligera pero canción de resistencia siempre. Con aire de fiesta y cargas de profundidad. Hermosa canción del añorado Zeca Afonso.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

"Grândola, Vila Morena" na voz de Nara Leão

A cantora brasileira Nara Leão gravou em 1974 os temas "Grândola, Vila Morena" e "Maio Maduro de Maio", ambos da autoria de Zeca Afonso, os quais foram incluídos no EP "A Senha do Novo Portugal" da editora Philips.

Os temas foram recuperados na colectânea "Raridades 2" editada em 2002 e que, como o próprio nome indica, visava a redescoberta de temas desconhecidos da cantora brasileira.

Audio: 1, 2

"Grândola, Vila Morena" e a censura brasileira

A canção "Grândola, Vila Morena", de Zeca Afonso, foi gravada por Nara Leão em 1974, passando inicialmente despercebida à censura brasileira.

Num documento do III Exército Brasileiro é demonstrada a indignação das autoridades quando confrontadas com o facto de que "esta música vem sendo tocada com insistência, diariamente na Rádio Continental de Porto Alegre, no horário das 12.00 às 13.00 horas”.

Em resposta, o Director da Censura, Romero Lago, afirma que a canção estava autorizada desde 20 de Maio de 1974 para poder ser gravada pelo cantor luso-brasileiro Roberto Leal.

Curiosamente, "Grândola ...", uma das senhas da Revolução dos Cravos não foi alvo de censura por parte das ditaduras do Brasil, Espanha e Portugal.


"Narólogos"

Preciso da ajuda de um 'narólogo' para esclarecer um mistério. Comprei aqui em Lisboa um compacto simples da Nara cantando o 'hino' da revolução portuguesa de 75: 'Grândola, Vila Morena', do Zeca Afonso. Nunca tinha ouvido falar desta gravação...

Procurei nas discografias do CliqueMusic e Itaú Cultural e nada. Browseei a internet e nada.

Quem me pode me ajudar com alguma informação? Alguém que tenha a biografia do Sérgio Cabral pode 'checar' se há alguma referência? Terá o disco saído no Brasil? Acho que não...

Fonte: Alan Romero (net)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

"Viagem a Lisboa" de José Luis Aguirre (1996)

José Luis Aguirre é um escritor espanhol que nasceu em Valência, em 31 de Janeiro de 1931, no seio de uma família de escritores, tendo-se notabilizado sobretudo na área do conto e do teatro.

Aguirre recebeu em 2007 o Prémio Lluís Guarner. De entre os seus trabalhos é de realçar a colectânea de contos "Cuando éramos jóvenes", que incorpora novas técnicas narrativas como o "estilo indirecto livre", o "monólogo interior", "palavras novas", "ruptura tipográfica" e "numeração caótica".

A série, dedicada ao escritor português Fernando Pessoa, inclui os capítulos "Viaje a Lisboa", "Inicio en Lisboa", "Buscando al Señor Pessoa", "El día que desapareció el señor Pessoa" e "La Última Estafa".

Señor Pessoa

“Si vas a Lisboa, como he oído, dale recuerdos de mi parte al amigo Pessoa”. “¿A quién?” “A Fernando Pessoa, hombre... no me digas que no lo conoces o, al menos, no lo has oído nombrar”. “Si claro, Pessoa”, disimulé mi ignorancia. “En Lisboa lo conoce todo el mundo y si tienes tiempo le darás un paquetito de mi parte. No sé la dirección pero tu pregunta porque en Lisboa, como te digo, lo conoce todo el mundo”.

Al día siguiente Miguel me enviaba una cajita envuelta en papel de regalo muy bien atada con una cinta verde y con el nombre y dirección en una de sus caras: “Fernando Pessoa. Chiado. Lisboa” (...)

(...)

"El señor Pessoa no estaba en los cafés. El señor Pessoa no estaba en el embarcadero viejo. El señor Pessoa no estaba en la Plaza del Comercio. El señor Pessoa no estaba en su pensión. El señor Pessoa no estaba en la oficina. El señor Pessoa no estaba en Lisboa."

Versão integral

Fontes: uji / Panorama

segunda-feira, 2 de março de 2009

"Portugal I Love You" de John Edmond

John Edmond é um cantor nascido na Rodésia (actual Zimbabwe) que obteve grande sucesso, sobretudo na década de 70, com as suas canções de cariz patriótico.

No início da década de 80, o cantor publicou o single "Portugal I Love You", o qual chegou a ser lançado no Brasil.

Após contactar a sua esposa, ficámos a saber que a mesma era de origem portuguesa, o que inspirou o cantor a compôr a referida canção.

Depoimento de Teresa Edmond

"Portugal I Love You" was written by John Edmond for me "Teresa" now his wife.

John being a song writer singer and entertainer and myself being a dancer met on a show in the 70's fell in love and walla........... he wrote the song for me!, me being of Portuguese descent and a dancer inspired John to write the song.

"Coimbra" was a restaurant that we use to perform at. "Portugal I love you" was released in Brazil in the 1980's [and] became a very well played track on various Brazillian Radio stations. Amazing that you should find it after all these years!

The Cd on which this song "Portugal I Love" you is a track is still available and as popular as ever. It is on the CD "BY REQUEST" from John Edmond on our web site www.johnedmond.co.za.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

“Lejos de Lisboa” de Pasión Vega (2003)


Apesar de Portugal ser em Espanha um vazio, existe uma minoria informada, que não só se interessa, como aprecia o ignorado vizinho. Para alguma elite é mesmo um distintivo de bom gosto.

Na cultura portuguesa encontram figuras e ambientes que promovem nos media e alguns encontram fontes de inspiração artística. É o caso de Pasión Vega que, no seu álbum “Banderas de nadie”, apresenta "Lejos de Lisboa", um tema alusivo a Lisboa, com laivos de toada fadista.

“Lejos de Lisboa”

A música foi composta por Ernesto Halffter (1905-1989) para uma letra popular portuguesa (anónima), com o título original “Ai, qué linda moça”.

Após Paco Gordillo, agente de Pasión, ter assistido à interpretação de “Lejos de Lisboa” pela soprano María Bayo, decidiram contactar a família de Halffter a demonstrar o interesse pelo tema, tendo sido feita a adaptação para castelhano, mantendo-se o título original.

“Ai, qué linda moça” foi uma das seis canções portuguesas baseadas em textos populares (de 1940-41), que foram gravadas, em 1999, na sua versão em português pela soprano María José Montiel, acompanhado ao piano por Miguel Zanetti.

Fontes: Edmundo Tavares, Carles Garcia

Video

Letra

La melancolía de calles perdidas que huelen a mares,
gente que camina y luces de luna de barcos que parten.
Si cierro los ojos puedo ver las calles por donde anduvimos
y escuchar canciones que hablan del destino que nunca tuvimos.

Poemas del aire vendrán hasta aquí
lejos de Lisboa y lejos de ti.
Amor recordado, tristeza sin fin,
Lejos de Lisboa y lejos de ti.

La ropa tendida al sol de la tarde, banderas de nadie;
Las calles en cuesta que suben a un cielo de azules que arden.
Plazas con palomas, puestos de claveles y de rosas blancas,
la ciudad antigua guarda la memoria de un tiempo que escapa.

Poemas del aire vendrán hasta aquí
lejos de Lisboa y lejos de ti.
Amor recordado, tristeza sin fin,
Lejos de Lisboa y lejos de ti.

Amor recordado, tristeza sin fin,
lejos de Lisboa y lejos de ti.

(Popular portuguesa/Versão espanhola: Pablo Guerrero/Música: Ernesto Halffter) Editions Max Eschig, París

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

"Formiga bossa nova" de Adriana Partimpim (2004)


Quem introduziu a formiga na bossa nova ?

Em 2004 a cantora brasileira Adriana Calcanhotto gravou [com a colaboração de António Chaínho] a música "Formiga Bossa Nova" no disco "Adriana Partimpim", disco idealizado para as crianças, no qual a artista usa o heterónimo de Adriana Partimpim (seu apelido na infância).

A música "Formiga Bossa Nova" foi musicada pelo compositor português Alain Oulman, responsável por alguns dos maiores sucessos de Amália Rodrigues.

A melodia foi construída sobre o poema do poeta também português Alexandre O'Neill (Alexandre Manuel Vahía de Castro O'Neill de Bulhões) fundador do Movimento Surrealista de Lisboa.

O poema que deu origem a canção é intitulado "Velha Fábula em Bossa Nova". A letra é esta:

"Minuciosa formiga / não tem que se lhe diga:/ leva a sua palhinha /asinha, asinha. /Assim devera eu ser /e não esta cigarra / que se põe a cantar / e me deita a perder. /Assim devera eu ser: /de patinhas no chão, / formiguinha ao trabalho / e ao tostão ./ Assim devera eu ser / se não fora / não querer. / (-Obrigado,formiga! / Mas a palha não cabe / onde você sabe...) .

Como este mundo é redondo e Platão já anunciava o Eterno Retorno, vale lembrar que em 1969, pela etiqueta ColumbiaVC, foi editado um single gravado especialmente por Amália Rodrigues com esta canção.

Como vemos, Amália Rodrigues já introduzira a formiga na Bossa Nova. Confira o áudio

Fonte: Rádio Educativa (Brasil):

Drop of Jupiter

Aqueles que conhecem o último álbum editado pela brasileira Adriana Calcanhoto, de certo já ouviram o tema "Formiga Bossa Nova".

É talvez a música de que mais gosto do Adriana Partimpim. Como curiosa que sou, pesquisei o autor da poema, e qual não foi o meu espanto quando encontrei o nome de Alexandre O’Neill ? Mais interessante ainda foi descobrir que este poema foi musicado por Alain Oulman para Amália Rodrigues, e a canção editada em 1970, no LP "Com que voz".

Curiosidade: o tema foi igualmente regravado nos discos ao vivo de Cristina Branco e Entre aspas.