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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Referência a Vinho Madeira em “Privateering” de Mark Knopfler (2012) e “Have a Madeira My Dear” de Flanders & Swann (1956)


Corsários, mulheres bonitas e vinho Madeira. Estes são os ingredientes de uma nova música de Mark Knopfler, vocalista conhecido dos Dire Straits. A música dá pelo nome de “Privateering”, a qual, curiosamente, dá o nome ao álbum, lançado em Setembro de 2012.

A referência ao vinho Madeira repete-se várias vezes ao longo da música, cuja letra refere a vida aventureira dos corsários ao serviço da coroa britânica. Um corso, ou corsário, era um pirata que através da carta de corso de um governo, era autorizado a pilhar navios de outra nação. Com os corsos, os países podiam enfraquecer os seus inimigos sem suportar os custos relacionados com a manutenção e construção naval.

O corso (Privateer) surge-nos como um herói aventureiro com uma vida boémia e de luxúria da qual fazia parte o famoso e irresistível Vinho Madeira.


Mas esta não terá sido a única vez que o Vinho Madeira inspirou letras de músicas que se tornaram célebres um pouco por todo o mundo. O famoso duo cómico inglês Flanders and Swann começou a interpretar em 1956 as suas canções em duas revistas, “At the top of a hat” e “At the top of another hat”. “Have a Madeira My Dear” foi celebrizado na primeira dessas revistas e a letra fala de um velho que seduz uma jovem com a ajuda do Vinho Madeira.

A peça estreou-se em 1960 no West End, em Londres e foi um sucesso que percorreu vários continentes até à Austrália e América. Nos Estados Unidos foi um sucesso estrondoso da Brodway.  O refrão Madeira My Dear “ficou no ouvido” um pouco por todo o mundo, particularmente de muitos ingleses e americanos, até aos nossos dias.


"Madeira my Dear" foi igualmente interpretada por muitos outros artistas como Tony Randall ou os holandeses Ted de Braak e Johnny Jordaan.

Fontes: IVBAM / wikipedia / Funtrivia 

Letra de "Privateering"

(...)
To lay with pretty women
to drink Madeira wine
to hear the roller’s thunder
on a shore that isn’t mine
Privateering, we will go
Privateering, Yoh! oh! ho!
Privateering, we will go
Yeah! oh! oh! ho!

Video: Youtube 

Letra de "Have a Madeira My Dear"

She was young, she was pure, she was new, she was nice
She was fair, she was sweet seventeen.
He was old, he was vile, and no stranger to vice
He was base, he was bad, he was mean.
He had slyly inveigled her up to his flat
To view his collection of stamps,
And he said as he hastened to put out the cat,
The wine, his cigar and the lamps:

Have some madeira, m'dear.
You really have nothing to fear.
I'm not trying to tempt you, that wouldn't be right,
You shouldn't drink spirits at this time of night.
Have some madeira, m'dear.
It's really much nicer than beer.
I don't care for sherry, one cannot drink stout,
And port is a wine I can well do without...
It's simply a case of chacun a son gout
Have some madeira, m'dear


Videos: Flanders & Swann / Tony Randall (no Carol Burnett Show) / Ted de Braak (NL)



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

"Portugal meu avozinho" com letra de Manuel Bandeira

Ari Barroso, o poeta Manuel Bandeira e João Condé
O coleccionador João Condé estava certa noite numa “boite” [discoteca]. Com ele, além de outros amigos, se encontrava Ari Barroso. A conversa girava sobre música popular.

Foi quando Condé lançou a ideia: que o Ari fizesse um samba de parceria com Manuel Bandeira. Dito isso, foi ao telefone e ligou para a casa do poeta, Bandeira ficou entusiasmado e confessa que não pode dormir.

Sentou-se à mesa de trabalho e, de manhã, já tinha escrito o poema. Ari fez a música e, posteriormente, reuniu os amigos dele e do poeta para a apresentação do samba. Foi uma boa festa: Bandeira aprovou a partitura de Ari e houve mesmo promessa de novas produções da mais recente dupla de sambistas.

Assim nasceu “Portugal meu avozinho”, com letra do grande poeta, membro da Academia Brasileira de Letras, Manuel Bandeira, e música de Ari Barroso.

Estava previsto que esse samba fosse, então, gravado por Sílvio Caldas, mas não chegou a ser editado.


Recordações de João Condé (1964)

Estávamos eu e Ary jantando num restaurante na Zona Sul. Informava-lhe da leitura feita em revista espanhola sobre o sucesso que Agustín Lara havia obtido com sua canção "Madrid".

Comentávamos o facto, quando tive a ideia que transmiti ao compositor. Por que não fazer uma canção sobre o Brasil e Portugal ? Ary gostou da sugestão e sugeri que a letra fosse de Manuel Bandeira.

Era 1,30h da manhã, mas o poeta é pernambucano e não tem banca. Liguei para ele, conversamos a respeito e Ary e Bandeira se entenderam. Bandeira não pode dormir antes de fazer os versos. Eu estava doido de sono mas sempre tive grande ternura por Portugal e todo esse sentimento me surgiu naquele instante. Alguns minutos depois a letra estava pronta.

O lançamento em pré-estreia do samba foi num sábado, comemorando o aniversário de seu filho Flávio. O título: "Portugal meu Avôzinho". Musicar a letra fora muito fácil. Bandeira, que era mestre, já fizera a letra com ritmo. "Tive de fazer uma coisa que agradasse tanto aos brasileiros como aos portugueses. Creio que consegui."

Bandeira desfazendo-se por um momento da austeridade de seu fardo académico e da sisudez de Professor Universitário, compôs um samba - evocando Portugal e traçando um quadro lírico de suas relações com o Brasil.


Manuel Bandeira na voz de Oliveira Hime (1987) com música de Moraes Moreira

O centenário de nascimento de Manuel Bandeira (1886-1968) teve duas comemorações retardadas para 1987, mas assim mesmo com a maior validade: as edições do álbum "Estrela Da Vida Inteira", de Olívia Hime e o belíssimo livro "Bandeira Da Vida Inteira" (...)

Entusiasmada com a repercussão que o seu projecto lítero-fonográfico anterior, "A Música Em Pessoa" havia alcançado, Olívia Hime esperava que a ideia de um disco com a musicalização de poemas de um dos maiores nomes de nossa literatura [brasileira], Manuel Bandeira, também tivesse boa acolhida junto a gravadora do grupo Globo. Que engano!

(...) nenhum outro poeta pós-modernismo teve mais versos musicados do que Manuel Bandeira (...) Chegou até a tentar uma parceria com Ary Barroso, para quem escreveu (1955) a letra do samba "Portugal, Meu Avozinho" - mesmo poema que, agora, o baiano Moraes Moreira deu um tratamento de funk.


"Portugal meu avozinho" em livro de Manuel Bandeira

“Portugal, meu avozinho” consta em seu último livro "Mafuá do malungo", composto por jogos onomásticos, dedicatórias rimadas, liras e sátiras políticas de circunstâncias, e que faz parte de uma fase mais madura do poeta.

Nesta obra, o poeta não se priva de utilizar formas combatidas na poesia modernista de 22, como a redondilha maior, tão tradicional da literatura portuguesa, da qual se valeu para compor a poesia em questão.

O poema realça imagens culturais e sentimentos característicos de Portugal. A começar pelo título, temos “avozinho” - repetindo-se durante todo o poema-, palavra que estabelece o grau de parentesco entre Portugal e Brasil, e o diminutivo, além de expressar afectividade e “carinho”, é maneira de falar peculiar aos portugueses.

Homenageia Portugal e ressalta o elo que há entre este e o Brasil, que herda um “gosto misturado/ De saudade e de carinho”, isto é, o carácter saudosista e sentimentalista do povo e da literatura portuguesa.

Herdeiros somos, também, da mistura de raças “De pele branca e trigueira” e de culturas “Gosto de samba e de fado”. Traçando os paralelos entre as duas culturas, proclama a união entre elas que, apesar de aparentemente separadas pelo “mar profundo”, ou ainda, pelas diferenças naturais existentes entre dois continentes tão distintos, constituem “um só mundo”.




Francisco José

O cantor português lançou um disco com o título de "Portugal meu avozinho" (um EP com 4 canções), mas sem qualquer ligação ao texto de Manuel Bandeira. O disco foi editado em Angola pela Lusolanda e incluia os temas "Deixa-me só", "Frívolo amor", "Nem quero pensar" e "Triste sina".



David Nasser (1965)

Uma noite, Miguel Torga, genial poeta português, nascido em S. Martinho de Anta, Trás-os-Montes, falou no Brasil acerca da sua terra. Escutaram-no numerosos componentes da colónia portuguesa e, também, alguns brasileiros. Entre estes últimos, David Nasser, o grande jornalista de O Cruzeiro.

David Nasser viria depois a Portugal, que percorreu de norte a sul (dessa viagem deixar-nos-ia um livrinho – “Portugal, Meu Avôzinho”). O jornalista não mais esqueceu - nem aquela memorável noite lusitana no Rio de Janeiro, com Torga, nem a sua viagem de férias.

Compôs então, na sua revista (O Cruzeiro, 3 de Outubro de 1964), um dos mais belos e sentidos hinos de amor a Portugal e, em particular, a Trás-os-Montes. Uma crónica surpreendente. Tanto mais surpreendente quanto é certo que ele não tinha ascendência portuguesa (seus pais eram naturais do Líbano).

David Nasser recebeu da Academia de Ciências de Lisboa o Prémio Camões pelo livro "Portugal, meu avozinho", publicado em 1965, uma colectânea de artigos sobre a terra de Camões publicados em O Cruzeiro e escritos durante 1964, quando David Nasser esteve em Portugal.

Sobre a premiação, o dono dos Diários Associados escreveu o artigo “Nem Camões escapou desta peste!”, no qual reafirma a ligação do jornalista com a revista que o tornou célebre.


Letra

Como foi que temperaste,
Portugal meu avôzinho,
Esse gosto misturado
De saudade e de carinho?
Esse gosto misturado
De pele branca e trigueira,
Gosto de África e de Europa,
Que é o da gente brasileira!
Gosto de samba e de fado,
Portugal meu avôzinho,
Ai, Portugal, que ensinaste
Ao Brasil o teu carinho
Tu de um lado e do outro Nós...
No meio o mar profundo!
Mas por mais fundo que seja
Somos os dois um só mundo!
Grande mundo de ternura
Feito de três continentes
Ai, mundo de Portugal,
Gente mãe de tantas gentes!
Ai, Portugal de Camões,
Do bom trigo e do bom vinho,
Que nos deste, ai avôzinho,
Esse gosto misturado,
Que é saudade e que é carinho.

Fontes/Mais informações: AryBarroso.com.br / lume.ufrgs / prosa em poema / Blog da Professora Eleandra Lelli / torre da história ibéricamillarch

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Canções espanholas dedicadas à mulher portuguesa (1968 e 1972)


Ao contrário do que seria de supor - e resultante de uma cada vez maior clareza que se faz sentir à medida que a pesquisa histórica avança - existem no mundo Tunante espanhol várias referências musicais a Portugal e às mulheres portuguesas mais concretamente, o que corrobora de forma evidente que o intercâmbio estudantil entre os dois países existiu e de forma preemente, comprovada ao longo de vários séculos até.

O cancioneiro estudantil patente no Museo Internacional del Estudiante mostra isso de forma clara, algo que vai para além da mais que famosa "Estudiantina Portuguesa"(de 1950) e não se resumindo somente a este tema, pois há efectivamente mais exemplos do acima dito, como são os casos de "Morena de Portugal" e "Portuguesiña", lançados respectivamente em 1968 e 1972:


"Morena de Portugal" (1968)

Com letra de Juan Gabriel García Escobar e música de J. Cortina (pseudónimo de José de Juan de Águilla, que "registou" como suas inúmeras canções tradicionais espanholas), "Morena de Portugal" é um tema, em estilo Pasacalle Estudiantina, com referências aos amores de um estudante da Universidade de Salamanca por uma morena portuguesa.

Foi interpretado pelo famoso cantor espanhol Manolo Escobar, que celebrizou temas como "Y viva España".

Letra

Un baile de fin de curso,
allá en la Universidad,
fue donde nos conocimos,
morena de Portugal.

La luna de Salamancanos
vio reir y soñar,
y luego, cuando te fuiste,
¡que triste mi soledad!

¡Ay, morena, mi morena!
¡ Ay, mi amor en Portugal!
El fulgor de tu miradaya
nunca podré olvidar.

Ya la luna no sonríe
al pasar por mi balcón;
ella sabe mi secreto:
quererte y sufrir de amor.

¡Ay, morena, mi morena !
portuguesiña vuelve a mí,
que este estudiante
muere por ti.



"Portuguesiña" (1970)

Com letra de Julian Bazán e música de Miguel Cuenca e Miguel Rodriguez Algarra, foi gravado por cantores como António Molina (no seu primeiro álbum) e Miguel  de Ronda.

A letra da canção contém diversas referências à letra da canção "Uma Casa Portuguesa".

Letra

Bajo el faro de la luna
rompe el silencio un cantar,
pasa rondando la tuna
las calles de Portugal.

El corazón como ofrenda
y una promesa de amor,
te trae desde su tierra
un caballero español.

Portuguesiña miña,
de mi corazón,
escucha tú, mi niña,
mis coplas de amor.

No importa la frontera
entre España y Portugal,
si bajo sus banderas
el amor creciendo está.

Levántate, mi niña,
y sal al balcón,portuguesiña,
miña, miña, miña, miña,
portuguesiña de mi corazón.

Un San José de azulejos
en la pared del jardín,
entre parrales y rosas
portuguesiña te vi.

Ahora tengo la certeza
de que la puerta se abrió,
de esa casa portuguesa
para mi amor español


Video (António Molina)



O tema foi igualmente interpretado no programa de talentos do Canal Sur "Se llama Copla"

Video (Miguel Angel Palma no programa "Se llama Copla")






Dá que pensar (pergunta retórica de Pena/WB)

"Quantos temas nossos são dedicados a Espanha ou à mulher espanhola (mesmo se, por cá, estamos bem servidos, tal como certamente eles por lá)?".

De facto, temos muito a aprender com os nossos vizinhos!

Valha-nos, ao menos, o facto de interpretarmos mais temas espanhóis do que eles temas portugueses, mas mesmo assim ...

Fontes:  Aventuras na tunolândia / Partituras / Youtube

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Wendy Nazaré canta "Lisboa" em novo video-clip (2012)


Descendente de ingleses, mas também de argelinos, belgas e portugueses, Wendy Nazaré homenageou as raízes lusitanas no segundo álbum, "A tire d'ailes", interpretando, em dueto com o cantor francês Pep's, o tema "Lisboa" cujo video clip foi gravado na capital portuguesa.

Artista desde os 11 anos, idade que tinha quando escreveu a primeira canção em inglês, Wendy Nazaré não conseguiu ainda se tornar uma estrela na Bélgica, onde mora actualmente, mas parece ser uma daquelas cantoras para quem a música, mais do que um negócio, é uma paixão.

Desde pequena passou férias em Portugal, junto de um senhor de quem gostava muito, mas que na altura não imaginava que era seu avô (pois o seu avô, português, tinha tido uma relação amorosa com a sua avô, belga. no Congo). Nasceu assim uma forte ligação a esse seu avô e a Portugal, que esteve na origem da canção "Lisboa", pois a cantora afirma que era capaz de escrever toneladas de canções sobre Portugal e sobre o seu avô.

Fontes: Blog "A música francófona" (adaptado) / Lusojornal











Video: Youtube

Letra

Ça n'fait même pas 20 ans que j'te connais et toi tu vois déjà dans mes veines
Le creux qu'à laissé les larmes et la distance de 2000km
C'est parce que t'as la même gorgé de soleil et de souvenirs qui dansent
Au rythme des fados, de leur robe noir et des cris immenses
Y'a comme un goût de par coeur que je parcours dans tes soirs, tes matins
Pourtant on n'est ni soeur ni amant d'avec ou sans lendemain
On a ces mêmes grands places, ces grands hommes qui nous ont marqués au fer
Depuis Salazar le marquis de Pombal jusqu'à nos terribles grand-pères

Cheira bem, já tem sol, Cheira a lua, cheira a Lisboa Cheira bem, já tem sol, Cheira a lua, cheira a Lisboa

Perdue entre la mer et les montagnes mentholées de Sintra
Toi tu te repères avec un nuage d'alegria
Ta seule ligne de conduite est de suivre le vent et peu importe
Des marées où tout passe, orage, tourment, pourvu qu'il t'emporte padapadapada
Tu t'es rebâties après un séisme pire que l'enfer
Plus belle, plus rayonnante
Tu nous éclabousses de lumière
Et ça me rassure de savoir que même quand nous ne serons plus là
Même juste dans l'air encore, on te sentira padapadapada

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

"Salada Portuguesa" de Manoel Monteiro (1909-1990)

Manoel Monteiro nasceu em São Martinho de Cimbres, Portugal. Emigrou para o Brasil, em 1923, aos 14 anos de idade conjuntamente com o pai e um tio. Dois anos mais tarde, o pai e o tio regressaram a Portugal, e ele passou a viver sozinho na cidade do Rio de Janeiro.

Empregou-se no comércio, trabalhando como caixa. Ingressou na escola de ballet, onde estudou sob a orientação de Maria Olenewa. Em 1927, passou a integrar o corpo de balé do Teatro Municipal, onde se manteve até 1930, quando foi proibido de dançar devido a problemas cardíacos.



Estreou em disco em 1933, gravando na editora Odeon os fados "O teu olhar" e "O último fado", ambos compostos por Carlos Campos. Em seguida, gravou a "Marcha das rosas” e a canção "Chora a cantar", de motivo popular.

Teve seu primeiro grande sucesso, com a gravação do fado "Santa Cruz" (Caramés / D. Santos), editados no seu terceiro disco.


No repertório de Manuel Monteiro, destacavam-se géneros portugueses como fados, viras e marchas, tendo também gravado obras de autores brasileiros, principalmente do género carnavalesco.

Sua discografia em 78 rpm vai de 1933 a 1959, tendo gravado cerca de 65 discos com 127 músicas, a maior parte na Odeon.


Alguns dos seus sucessos:

"Rosas de Portugal"
"Amores de estudante"(1939);
"O último fado"
"Marcha das rosas" (1933);
"Rosas divinais" (1933);
"O canto do ceguinho" (1933);
"A morte da ceguinha" (1933);
"Heroísmo de bombeiro" (1933);
"Meu Portugal" (1933);
"Corações de Portugal" (1934);
"Salada Portuguesa" (1935)
"Maria morena"(1955)
"Nem às paredes confesso" (1955)


Primeiro cantor português a ter sucesso no Brasil

Em 1949, foi homenageado pela classe artística com um evento realizado no Teatro Carlos Gomes, por ter sido o primeiro cantor português a ter sucesso no Brasil.

Abriu, assim, o caminho para que outros cantores lusos se projetassem por intermédio das gravadoras nacionais, como José Lemos e Joaquim Pimentel, já em 1935, e vários outros posteriormente.


Em 1948, participou como actor e responsável pela coreografia do filme "Inconfidência Mineiroa", realizado por Carmen Santos”.

"Salada Portuguesa" ("Caninha verde")


Em 1935, lançou com grande sucesso a marcha "Salada Portuguesa" (V. Paiva / P. Barbosa), que se tornaria conhecida com o título "Caninha verde", mencionado no texto da música.

Esta marcha foi por si apresentada no filme 'carnavalesco' "Alô, alô, Brasil" (Fevereiro de 1935), de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro. Ainda neste ano, gravou as marchas "João, João, João", "Balãozinho multicor", "Olé, Carmen", em homenagem a Carmen Miranda; e "Sou da folia".


Letra de "Salada Portuguesa" ("Caninha verde")

A minha caninha verde já chegou de Portugal
A minha caninha verde já chegou de Portugal
Vamos todos, minha gente, festejar o carnaval
Vamos todos, minha gente, festejar o carnaval
Vai Manoel mais a Maria
Nos três dias de folia
Pierrot e Colombina
Vai João e negra Mina...
A minha caninha verde já chegou de Portugal
A minha caninha verde já chegou de Portugal
Vamos todos, minha gente, festejar o carnaval
Vamos todos, minha gente, festejar o carnaval
O vovô já me dizia
No Brasil há alegria
Desde o tempo de Cabral
Que existe o Carnaval...

(...)

"Fado Manoel Monteiro"


É um dos fados mais significativos do repertório de Manoel Monteiro da autoria de A. Ferreira e Gonçalves Dias, gravado em disco Odeon, em 1937.

Sou português e grito ao mundo inteiro
Filho de gente humilde, mas honrada
E se adoro o Brasil hospitaleiro
Jamais esquecerei a Pátria amada.
Brasil e Portugal trago-os no peito
Unidos pela amizade e pela história
Se devo a Portugal o meu respeito
Ao Brasil devo toda minha glória.
Sinto pela minha Pátria devoção
Mas amo tanto a Pátria brasileira
E chego a não saber se o coração
Ama a segunda mais do que a primeira
E por ser do Brasil um grande amigo
Sou brasileiro afirmo muita vez
E sinto orgulho igual de quando sinto
Nasci em Portugal, sou português.
Portugal é meu torrão natal
A Pátria mãe de heroís e de guerreiros
Mas se o Brasil nasceu de Portugal
Eu sou portanto irmão dos brasileiros.


Rádio

Iniciou sua actividade radiofónica no início da década de 30, quando se apresentou no programa "Luso brasileiro” da Rádio Educadora do Brasil. Na época, as rádios mantinham programas específicos de música portuguesa, para atender à procura da numerosa colónia que emigrou para o Brasil.

Teve um programa na Rádio Vera Cruz. Durante as décadas de 1960/70 esteve sempre presente em programas de rádio e TV relacionados com temas portugueses.


Outras Homenagens

Seu nome foi dado a uma das ruas de Cimbres (Portugal), para assim, perpetuar seu filho ilustre. No Brasil, o cantor conta com sete nome de ruas, espalhadas por diversas cidades do País.

Em 1992, J. Gonçalves Monteiro, lançou um livreto sobre a vida e carreira de Manoel Monteiro. Foi feita uma tiragem de 1000 exemplares para venda. Toda a receita seria revertida para fazer um busto e colocá-lo em Cimbres. Infelizmente não teve grande repercurssão.

O poeta e diplomata brasileiro Vinicius de Moraes no seu tema "Samba da Benção" faz referência a Manoel Monteiro: "A benção Manoel Monteiro, e a todos os fadistas deste mundo!"

Fontes: Thais Matarazzo (1)(2)(3) / Cifrantiga2 / Dicionario MPB

Videos (com imensas fotos): Eradogramaphone ("Fado do Povo", "O Meu Barquinho" e "Amores de Aldeia") / "Madragoa" / "Minha bandeira"



quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Referência ao Adamastor e a Portugal em "Com que roupa" de Noel Rosa (1930)

No final de 1929, Noel Rosa compôs "Com que roupa ?", samba que retrata a pobreza, a fome e a miséria. Um tema original, até revolucionário para a época, fazendo alusão a uma característica marcadamente brasileira: a de se gozar da própria desgraça, levando a vida de forma divertida, dentro da filosofia do "rir para não chorar".

Quanto à melodia, é simples, contagiante e possui uma história curiosa: desde os tempos de colégio, Noel tinha o hábito de parodiar o Hino Nacional; é possível que inconscientemente tenha utilizado essa melodia sem se dar conta do plágio. Quem lhe preveniu quanto ao risco de apreensão da música pela censura foi o maestro Homero Dornellas, que foi quem alterou a melodia e passou-a para a pauta.


Depois de lançado, "Com que roupa ?" imediatamente passou a fazer parte do cotidiano carioca, da linguagem, das conversas. Noel não contava com tamanho sucesso, caso contrário, não teria vendido os direitos sobre a música ao cantor e locutor Ignácio Guimarães, o Ximbuca, por cento e oitenta mil réis. Ximbuca ficou tão empolgado em ser o dono do samba, que resolveu gravá-lo também.

Noel, então, decidiu acrescentar outros versos (Seu português...), pensando sempre num país explorado, na pobreza, usando a sua boa dose de humor e ironia. O Adamastor citado é, na verdade, o nome de um navio português, que homenageia o titã cantado por Luís de Camões em Os Lusíadas. Para a gravação de Ximbuca, Noel preferiu alterar os versos da terceira estrofe; ao invés de Meu terno já virou estopa ele coloca Meu paletó....


Noel costumava inventar outras estrofes para "Com que roupa ?" e cantá-las em programas de rádio, mas nenhuma delas foi gravada. (...)

O compositor foi muitas vezes procurado por repórteres para que contasse a história de "Com que roupa ?" e, a cada entrevista, dava uma versão diferente. Numa de suas versões, explicou que teve inspiração quando precisava ir a uma festa, mas, literalmente, não tinha roupa alguma, pois sua mãe, para lhe poupar a saúde, havia escondido todas as suas vestimentas, para que assim não saísse para a boemia.


Em outra entrevista, declarou que não gostava da música, pois ela havia sido feita para o povo e as músicas de que ele mais gostava eram feitas para ele mesmo. Também chegou a dizer que a música havia sido feita pensando naqueles dias em que você é convidado para um programa, mas não tem dinheiro, então, você pergunta, com que roupa ?


Letra alternativa

Agora vou mudar minha conduta
Eu vou pra luta
Pois eu quero me aprumar
Vou tratar você com força bruta
Pra poder me reabilitar
Pois esta vida não está sopa
E eu pergunto com que roupa?
Com que roupa que eu vou?
Pro samba que você me convidou
Com que roupa eu vou?
Pro samba que você me convidou
Agora eu não ando mais fagueiro
Pois o dinheiro
Não é fácil de ganhar
Mesmo eu sendo um cabra trapaceiro
Não consigo ter nem pra gastar
Eu já corri de vento em popa
Mas agora com que roupa?
Eu hoje estou pulando como sapo
Pra ver se escapo
Desta praga de urubu
Já estou coberto de farrapo
Eu vou acabar ficando nu
Meu paletó virou estopa
Eu nem sei mais com que roupa ?

Seu português agora foi-se embora
Já deu o fora
E levou seu capital
Esqueceu quem tanto amava outrora
Foi no Adamastor pra Portugal
Pra se casar com uma cachopa

E agora com que roupa ?


Gravações

Gravada originalmente na Parlophone em 1930 pelo próprio Noel Rosa, acompanhado por Bando Regional, e lançada em discos 78 rpm.

Outras gravações conhecidas são as de Inácio Guimarães Loyola (1931), Aracy de Almeida (1951), Trio Surdina, Marília Batista (1963), Nélson Gonçalves (1967), Elza Soares (1967), Helena de Lima (1969), Martinho da Vila (1970), Os Três Moraes (1973), Maria Creuza (1974), Doris Monteiro, Paulo Marques, Sambistas da Guanabara, Turma da Bossa, Banda do Canecão, Luiz Bandeira, Grupo 10.001 & Vocal Documenta, Rosinha de Valença, MPB-4 (1987), Zezé Motta, Guiba, Zizi Possi, Gilberto Gil (1991), Marco Neves (1995), Ivan Lins (1997), Caetano Veloso & Zeca Pagodinho, entre outras.


Videos: Noel Rosa (versão sem referência a Portugal) / Diogo Nogueira (com referência a Portugal)

Fonte: Musicachiado