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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Aventura de Amália no teatro brasileiro


Em Setembro de 1944, Amália fez a sua estreia no Brasil no Casino de Copacabana, o local de maior prestígio da América latina, nesses anos de guerra. Mas não se apresenta apenas como cantora: preparam para a sua aparição um espectáculo, "Numa Aldeia Portuguesa", cantando seis fados, dois com orquestra e os outros com o conjunto de guitarras de Fernando de Freitas, que viajara com ela para a acompanhar a rigor, tudo isto numa moldura muito bonita e com dois vestidos riquíssimos, umas casaquinhas com vastas saias em tons de vermelho escuro, um bordado a ouro e o outro a veludo preto, com vastos xailes bordados e até um avental ostentando o escudo nacional.

Foi um enorme sucesso, ia com contrato para quatro semanas e ficou quatro meses. E pediram-lhe que voltasse breve, com um conjunto de seis raparigas bonitas, para fazer uma grande digressão pelo Brasil.

Mal Amália chegou a Lisboa, muito festejada, começou a preparar o regresso ao Brasil, mas como não percebia nada de organizar companhias foi aconselhar-se com Manuel Santos Carvalho. E assim começa a aventura de Amália no teatro brasileiro.

Novos números. Em homenagem a Getúlio Vargas.
 O veterano cómico viu ali uma oportunidade de fazer uma tournée ao Brasil, como se fazia antes, e, apoiado no grande nome de Amália, constituiu uma inteira companhia de revista, com cómicos, desde a sua mulher Ema de Oliveira a Virgínia Soler e ao jovem Humberto Madeira, e até a jovem Celeste Rodrigues, a irmã de Amália, que também já cantava.

Levaram Frederico Valério como director musical e Amadeu do Vale, para abrasileirar os textos das duas obras a apresentar: a revista "Boa Nova" e a opereta "A Rosa Cantadeira".


Quando Amália chegou ao Rio com aquela companhia e sem nenhuma rapariga bonita, Atalaia, o director do Casino de Copacabana ficou espantado, não queria nada daquilo. E então, constituiu-se apressadamente a “Companhia de Revista Amália Rodrigues”, que aportou ao Teatro República, misturada com artistas brasileiros, umas bailarinas, as 20 Boa Nova girls, mais o tenor português Luís Piçarra, fizeram-se cenários e guarda-roupa, tudo novo e muito bonito, e Amadeu do Vale fez uma revista a criticar os costumes brasileiros, que estreou a 20 de Agosto de 1945.

Na TV Excelsior

A crítica detestou, por os portugueses se atreverem a criticar os brasileiros, mas mesmo assim, sobretudo devido a Amália, a revista manteve-se quase dois meses em cena.

Entretanto, para equilibrar as finanças, Amália cantava à segunda-feira, dia de folga dos teatros, no Casino de Copacabana. Cantava o seu reportório e, como Valério e Amadeu do Vale lá estavam, coisas novas, como o "Fado Brasileiro", que ficaria conhecido como o "Fado Xuxu".


E depois da revista, a 17 de Outubro, veio então "A Rosa Cantadeira", com Amália na protagonista, e que foi um sucesso, com o "Fado do Ciúme", a "Marcha da Mouraria", e triunfo supremo, um fado novo que se tornaria num dos êxitos máximos, "Ai, Mouraria", em que a memória da cidade distante se confunde com um amor fugaz, com um bairro e uma rua, ´a Velha Rua da Palma`, e música evocadora de Valério: por força de ter sido escrito em terras distantes.

Foi o único fado de Valério que Amália manteria no seu reportório, até ao fim. Foi com base no seu princípio que Charles Aznavour mais tarde escreveria "Ay, Mourir Pour Toi".

Fontes/Mais informações: "Amália coração independente" (Pavão dos Santos) / Blog "Amália Rodrigues centenário" (1)(2)(3)




Imagens: "Amália Rodrigues centenário" / Jornais brasileiros (Diário de Notícias, Correio da Manhã, Sports) / Teatro em Portugal (Facebook)  / Discogs

sábado, 15 de setembro de 2018

O Brasil e o Fado com "Foi Deus" de Alberto Janes


Estávamos no início dos anos 50 e Amália era já uma artista consagrada, reconhecida internacionalmente como a maior intérprete do Fado, quando Alberto Janes, então um desconhecido, decide um dia deslocar-se a Lisboa com o objectivo de lhe oferecer as suas composições.

Ao chegar a casa de Amália, Janes conta-lhe que era farmacêutico e que tinha uma farmácia em Reguengos de Monsaraz, de onde era natural, mas a sua paixão era a música e o seu sonho era ser artista. Quem rodeava Amália nesse dia teve uma opinião negativa acerca de Alberto Janes … que era um desconhecido, que a música dele não dava para Amália cantar, etc…


Amália ouviu-o atentamente e reconheceu-lhe um talento invulgar, decidindo naquele mesmo instante comprar uma das suas músicas, o célebre "Foi Deus", que viria a ser gravado em Londres nas históricas sessões de Abbey Road, transformando-se num êxito imediato em 1953. Seguiram-se outros tantos trechos, o célebre "Vou dar de beber à dor", o "É ou não é", o "Il mare é amico mio", o "Caldeirada", temas que - tal como Amália vaticinara - seriam sucessos em qualquer parte do mundo.

Escrito propositadamente para Amália Rodrigues, "Foi Deus" rapidamente se tornou indissociável da personalidade musical desta intérprete. Nos seus versos, o compositor exprimiu com felicidade a sua profunda admiração pela Diva do Fado ao atribuir o talento de Amália a uma criação divina, comparável com os milagres da natureza.


Regravada e cantada por tantos fadistas ao longo destes mais do que sessenta anos, obteve igualmente um grande sucesso no Brasil.

As primeiras versões no Brasil foram de cantores portugueses aí radicados como Olivinha Carvalho e Alberto Ribeiro, ambos em 1955, e Ester de Abreu em 1956, que gravaram "Foi Deus" no seu estilo original de fado.

A primeira versão, em estilo mais livre, foi da autoria da cantora gaúcha Cândida Rosa que gravou em 1959 o fox-canção (ou fado-canção) "Foi Deus" (tendo como lado b a sua versão de "De Degrau em Degrau").
 

 

No entanto é no começo dos anos 60 que "Foi Deus" se torna (ainda) mais conhecida no Brasil ao ser gravada por Ângela Maria, que era a cantora mais popular da época no Brasil, num estilo beguine ou fado com arranjo abolerado.

À gravação de Ângela Maria em 1962 seguiram-se recriações por muitos outros artistas brasileiros como Iraquitan, em 1963, Francisco Egydio em 1964, Agnaldo Timóteo, em 1968, Nelson Gonçalves (terceiro maior vendedor de discos da história do Brasil, no seu álbum "Só Nós Dois" de 1970), Rosinha Valença, em 1975, Fagner, em 1991, Agnaldo Rayol, em 1998, Emílio Santiago, em 1998, Roberta Miranda (no seu álbum "Tudo Isto É Fado" de 1991), ou Cauby Peixoto (a solo e em dueto com Ãngela Maria em 1977 e com Selma Reis em 2013).


Um dos maiores sucessos de 1963 no Brasil foi a versão de "Foi Deus" pela cantora portuguesa, radicada no Brasil, Gilda Valença, irmã de Ester de Abreu.

O tema foi incluído no álbum "Marcha Rancho - Um Toque Brasileiro Nos Grandes Sucessos de Portugal", no qual sucessos da música portuguesa foram gravados com arranjos de marcha rancho e acompanhamento da Lira do Mestre Lula e Grupo de Coristas.


"Foi Deus" foi igualmente gravado pela cantora espanhola Maria Dolores Pradera, em 1968, no seu disco “Maria Dolores Pradera canta a Portugal”,  com acompanhamento à guitarra de Fernando de Freitas e à viola de Amândio Manuel, num disco que incluía também versões de “Lisboa não sejas francesa”, “Mãe preta” e “Primavera” .

Fontes/Mais informações: Aldeia da lusofonia / "Subsídio para o estudo da obra de Alberto Janes" (Tese de Jorge Manuel Neves Carrega) / Museu do Fado / Portal do Fado / Fado Cravo



 

domingo, 15 de junho de 2014

Sucesso de "A Gaiola Dourada" de Ruben Alves (2013)

 
"A Gaiola Dourada” (título original em francês: “La cage dorée”) é um filme francês de comédia, escrito e realizado pelo luso-francês Ruben Alves, que retrata a comunidade de emigrantes portugueses radicados em França.

O filme estreou em França a 24 de abril de 2013, tendo estado 22 semanas em exibição e alcançado mais de um milhão e duzentos mil espectadores.


Acompanhamos Maria (Rita Blanco) e José Ribeiro (Joaquim de Almeida), um casal luso a viver há 30 anos num dos melhores bairros de Paris. Ela é porteira do prédio (a ‘gaiola dourada’), ele trabalha nas obras.

Ambos são fulcrais para os patrões, embora esse reconhecimento só surja quando o casal recebe uma avultada herança com a condição de se mudarem para Portugal e fica num dilema, entre cumprir o sonho ou manter a rotina. A coscuvilhice lusa leva a que todos saibam da herança secreta e, às escondidas, os patrões franceses vão tentar convencer o casal a ficar.


As características mais portuguesas são o âmago do filme tanto no lado mais cómico, como no lado mais sério. Destaque ainda para a estridente e divertida Maria Vieira e a surpreendente actriz luso-francesa Bárbara Cabrita, que faz de filha de Maria e José, num papel intenso.

O filme tem uma pequena participação do futebolista Pauleta (que representou o Paris Saint German), que aparece subitamente para a festa final. 


Porquê o título - a "Gaiola Dourada" ?

Um dia, Ruben Alves viu uma reportagem sobre uma porteira portuguesa que trabalhava em Paris. A câmara seguia a senhora durante todo o dia de forma a documentar o seu quotidiano.

A última pergunta da reportagem foi: “A senhora está aqui há 40 anos e a reforma está quase a chegar... vai voltar para Portugal?”. A senhora olha para a câmera e diz: “Claro que quero voltar para o meu país.” Depois pensa em silêncio e acrescenta: “Mas ao mesmo tempo, sinto-me tão bem na minha ‘Gaiola Dourada'".


Um produto de amor

A "Gaiola Dourada" é um produto de amor (aliás o título na Alemanha foi "Portugal mon amour"). O filme de Ruben Alves foi feito em França, com financiamento francês mas conta uma história profundamente portuguesa. Uma homenagem sentida em cada cena filmada pelo actor/realizador/guionista luso-francês.

E se o filme faz-nos rir também nos comove quando chegamos à consumação do sonho, no nosso Douro, tão bonito como só ele sabe ser. As filmagens tiveram como cenário a Quinta dos Malvedos da Família Symington, em Alijó, nas encostas do Douro.



Julga-se que há mais de 800 mil portugueses em França. A maior parte partiu nos anos 60, 70 e 80 e ocupou cargos pouco qualificados. O filme pega no estereótipo do casal português em que ela é porteira e ele trabalha na construção civil para mostrar de uma forma muito divertida mas com dilemas e traumas reais quem são estes portugueses em França.

Os temas que o filme aborda são profundos: quem são e o que sentem estes portugueses, a forma como são tratados pelos franceses, o amor incondicional por Portugal, o peso de 30 anos a viver em França entre os estereótipos, o dilema entre voltar à pátria e continuar a viver na rotina francesa, a relação difícil dos filhos com a sua ‘Portugalidade’


Fado

Um dos momentos mais emocionantes do filme é, sem dúvida, a interpretação do fado "Prece" de Amália por Catarina Wallenstein, que inclui o verso:"Das mãos de Deus tudo aceito, mas que morra em Portugal".

Era importante para Ruben Alves ter fado no filme, pois, além ser fã da música, o filme era sobre Portugal: "O que eu gosto nela é que ela não é cantora de fado, mas tem um lirismo na voz que eu acho interessante para o meio cinematográfico. E ela é actriz, era importante ter alguém que cantasse e interpretasse.

Gravámos mesmo com guitarristas e numa casa de fado, não como num estúdio. Cada minuto foi em directo, como numa casa de fado, tudo fechado, um calor horrível. Depois de quatro minutos eu disse 'corta', virei-me e estava a minha equipa toda a chorar. E eram franceses! Pensei que era bom sinal, se aqui estão a chorar, imagina os imigrantes, que vão perceber melhor."


O português em França

O português de França é bem visto a nível profissional, integrado, conhecido por ser corajoso e disponível, mas não há representação forte nos media ou no audiovisual. Quem são? Como vivem a emigração?

O realizador Ruben Alves quis pôr a nu estas questões e humanizar os portugueses, para mostrar que há mais nas pessoas para além da porteira e do homem das obras.

O filme não é autobiográfico mas é inspirado nos pais do realizador, que têm o mesmo perfil dos protagonistas. Nas sensações, na maneira de pensar e ver a vida.

Ruben Alves tentou dar uma alma portuguesa a este filme francês. Talvez seja o filme francês mais português de sempre.


Sucesso de crítica e bilheteira

O filme "A Gaiola Dourada" foi o 14º título de produção europeia com mais espectadores em 2013 no conjunto das salas de cinema dos países da União Europeia. Em França, o filme foi exibido ao público pela primeira vez, a 24 de abril de 2013, tendo tido uma grande afluência logo na primeira semana, com perto de mil espectadores por sala, o que representaria em média, 40 mil espectadores por dia.

Foi elogiado pela crítica francesa que considerou como "humano, sensível, irónico e sem pretensão" e um crítico francês considerou que poderia transformar-se "na comédia do ano".

Na antestreia, no Gaumont Marignan, em Paris, surgiram várias porteiras portuguesa, emigrantes em França, para ver o filme tendo uma delas sido entrevistada pelo jornal francês Le Figaro, expressando a sua felicidade pois era a primeira vez que alguém as retratava.


Apesar de ser sobre uma família portuguesa tem uma parte muito universal com que todos se podem identificar. Foi por isso que o filme foi tão bem recebido não só pela comunidade portuguesa, mas pela francesa e até árabe.

O filme teve críticas muito boas mesmo de jornais intelectuais como o Le Monde ou o Telegrama. Tocou ao grande público, dos trabalhadores à classe mais alta. Mas o sucesso veio muito do boca a boca. É um filme pequeno, com um elenco de gente pouco conhecida em França. Tornou-se num fenómeno através da comunidade portuguesa. Houve reportagens sobre as idas de família inteiras às salas, algo que não se via em França à muito tempo. E no final batiam palmas, cantavam e até dançavam!

O sucesso de bilheteira em França motivou igualmente o cartunista KK a fazer um cartoon com a comparação entre o Iron Man e Iron Woman (que era a Maria) ilustrando com o título "Box-office: "La Cage Dorée" tient tête à "Iron Man 3".


Prémios e nomeações


Séléction Officielle Compétition Festival de l'Alpe d'Huez de 2013 (Prémio do Público, Prémio de Interpretação Feminina)

Prémios do Cinema Europeu - nomeado na categoria Prémio do Público

Nomeado para os César na categoria de melhor primeira obra

Fontes/Mais informações:wikipedia / destak / facebook / diário digital / cinemaschallenge / Lauro António apresenta / Próximo nível / C7nema.netImdb / TSF

  


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O sucesso de “Petticoats of Portugal” (“Rapariga do Portugal”)


Com o sucesso internacional de canções portuguesas como “Coimbra” (“Avril au Portugal”) e “Lisboa Antiga” (“Adieu Lisbonne”), Portugal esteve na moda durante os anos 50 tendo inspirado sucessos internacionais como “Lavandiéres au Portugal” e “Petticoats of Portugal”.

“Petticoats of Portugal” (“Rapariga do Portugal”) é uma canção popular norte-americana com música e letra de Michael Durso, Mel Mitchell and Murl Kahn.

Dick Jacobs and His Orchestra alcançou o 16º lugar no Top dos Estados Unidos em Outubro de 1956. Na crítica da Billboard, publicada na altura, e que é igualmente um reflexo do sucesso do tema, pois seis diferentes versões competiam por um lugar no top, era referido que: "Com "Petticoats", Jacobs apresenta uma faceta que irá vender por si próprio à primeira audição (“has a side which will sell itself on first listen”). O tema é contangiante e melodioso e a combinação da orquestra com o coro transmite-lhe uma curiosa produção".

Billy Vaughn and His Orchestra atingiu o nº 83 do Top Norte Americano em Dezembro de 1956.

Por outro lado, a versão de Caesar Giovannini alcançou a 19ª posição em Chicago e o nº 29 na Revista Cashbox, mas não entrou nas tabelas da revista da Billboard.


A estranha fixação da "música de elevador" por Portugal

Os anos 50 foram uma época de ouro para a chamada "música de elevador".

Curiosamente muitas dessas músicas debruçavam-se sobre países como Portugal. Mesmo que não tivessem letra, bastava estar atento aos seus títulos: "Portuguese Washerwoman”, “April In Portugal”…

Por que será ?


O fado como potencial moda latina

"Petticoats of Portugal” foi regravado por inúmeros artistas, incluindo Valentina Félix, uma cantora portuguesa radicada nos E.U.A.

Sam Chase referiu na revista Billboard que, após o sucesso da Bossa Nova, o Fado poderia ser uma das novas “Modas Latinas” (conjuntamente com estilos novos como o Bongoson, a Guarania e o Bambuco).

Segundo o jornalista, o Fado tinha alcançado um sucesso considerável na América Latina, sobretudo no Brasil. A qualquer momento poderia surgir uma combinação do Fado com um ritmo brasileiro, que pudesse originar uma nova moda.

Em São Paulo, a Adega Lisboa Antiga estava constantemente cheia de admiradores dos principais representantes do Fado no Novo Mundo, como Teresinha Alves (da Editora Continental) e Manuel Taveira (da RCA Victor).


O jornalista referiu igualmente que a editora Mointor tinha um importante papel no surgimento do fado com artistas como Valentina Felix e Fernanda Maria, realçando que o álbum “Petticoats of Portugal” de Valentina Felix representava uma novidade. Pela primeira vez uma cantora era acompanhada por um grupo instrumental (e não pelos tradicionais dois guitarristas), o Conjunto Cantares de Portugal. E havia o recurso à língua inglesa em duas canções: “Petticoats of Portugal” e “April in Portugal”, que podiam contribuir para a difusão deste estilo de música portuguesa.


Outras versões

“Petticoats of Portugal” foi regravado por artistas como Terry Lester, Ray Martin, Perez Prado, Tex Beneke, Florian Zabach (orquestra com coro), Lawrence Welk ou Warren Covington and The Commanders (em versão instrumental foxtrot).

O cantor brasileiro Cauby Peixoto lançou, em 1957, no seu segundo álbum, uma versão em português, em ritmo tango, com letra de Ghiaroni, intitulada “Garotas de Portugal”.

E Pierre Kolmann, pseudónimo do músico brasileiro Britinho, também gravou, em 1957, "Anáguas de Portugal", em versão instrumental.


Ray Franky interpretou “De Rokjes van Portugal”, em 1957, com letra em holandês de Lei Camps e Jos Dams.


Guy Belanger foi o responsável pela adaptação para francês, com o título de “Le Jupon du Portugal”, publicada por músicos como Tune Up Boys.

E Marc Fontenoy foi o autor da letra, com o mesmo nome, “Le Jupon du Portugal”, gravada por Johnny Grey (incluindo no EP "Cindy" que foi nº 1 na Bélgica em 1957).


“Muchachita de Portugal” com letra em espanhol de Alvey, pseudónimo de Alberto L. Martinez, foi gravada por artistas como os argentinos Los 4 bemoles.

James Last lançou, em 1973, uma versão instrumental com o título “In Portugal”.

E Lars Lönndahl e Monica Velve gravaram “Det bläser upp i Portugal”, com letra em sueco da autoria de Kairo.



A versão em Finlandês, “Portugalin Tuulispää”, da autoria de Pauli Ström, foi interpretada, em ritmo Béguin, por Olavi Virta.


E Börge Müller foi o autor da letra em dinamarquês, "Påenbænk i Lissabon", cuja versão foi gravada por Erik Michaelsen.


E a famosa actriz Jayne Mansfield também interpretou "Petticoats of Portugal" no seu álbum "An evening with Jayne".



Letra "Petticoats of Portugal"

When breezes blow petticoats of Portugal.
There’s quite a show on the streets of Portugal;
Each passer by winks his eye, whistles and smiles,
The ooh’s and ah’s, loud hurrahs, echo for miles;
The shapely gams, ‘neath petticoats of Portugal.
Start traffic jams,
But the cop on the square doesn’t care!
There’s not a guy alive who doesn’t thrive
On watching skirts go free!
Especially the petticoats of Portugal


Letra "Le Jupon au Portugal"

C'est si joli
Un jupon du Portugal
Jupon fleuri
Capiteux et virginal

(...)

C'est si grisant
Un jupon du Portugal
Qu'en le voyant
Tourner joyeusement
Dans un bal
Un grand amour peut naître en vous
Qui vous remplit de désirs fous
C'est idéal
Un p'tit jupon du Portugal

Fontes: wikipediaTheOzHiztoryblog  / Billboard

Mais versões
 

domingo, 20 de outubro de 2013

"Kanimambo": de Moçambique para o Mundo


Uma Casa Portuguesa“ tem pouco de moçambicano. Mas “Kanimambo”, igualmente com música de Artur Fonseca e letra de Reinaldo Ferreira e Matos Sequeira, “já tem qualquer coisa de africano, naquela versão retro-luso-treto-africana, como os 'portugas' que tentam dançar a marrabenta”.

João Maria Tudella alcançou em 1959 o seu primeiro êxito como cançonetista, interpretando, no Rádio Clube de Moçambique, a canção "Kanimambo".

Com “Kanimambo” fará carreira em Portugal continental e algum sucesso nos Estados Unidos e na América do Sul. Defendendo sempre o seu estatuto de amador, é igualmente convidado para uma digressão ao Brasil.
 

 “Kanimambo” (obrigado num dialecto moçambicano) ficou como um símbolo dos últimos e melhores momentos da soberania portuguesa em Moçambique e ainda hoje, à beira Índico, é talvez a mais conhecida canção moçambicana.

Além do original, cantado por João Maria Tudela, existe uma outra versão, mais kitsch, cantada pelos Catita Brothers.

“Kanimambo” foi igualmente gravado pelo alemão  Horst Wende e a sua orquestra (versão instrumental), no seu álbum "Africana", que incluía versões de diversas canções de sabor africano, e pelo grupo galego “Los Españoles” num dos seus E.P. (Extended Play).


Los Españoles

Los Españoles foram um grupo vocal e instrumental formado por cinco jovens provenientes de La Coruña, León e Pontevedra que, sem perder as suas características hispânicas, possuíam um  repertório internacional que lhes permitiu ter algum sucesso, nas décadas de 50 e 60, em diversos países europeus, como França, Holanda, Alemanha e Suécia.

Além de "Kanimambo", gravaram "Moçambique", um outro sucesso de João Maria Tudella, com letra de Matos Sequeira e música de Artur da Fonseca, bem como versões do "Fado das Queixas", da autoria de Frederico de Brito e José Carlos Rocha, e "De degrau em degrau" de Jerónimo Bragança e Nóbrega e Sousa.



Fontes: Estado sentido / Ratosreturn / wikipedia

Agradecimento: João Carlos Callixto

Video: Horst Wende / Los Españoles ("Moçambique")