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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Beatriz Costa - Vedeta em Portugal e no Brasil


A actriz portuguesa Beatriz Costa (1907-1996) efectuou cinco digressões ao Brasil (1924, 1929, 1937, 1939 e 1950) e fixou residência no Rio de Janeiro durante grande parte da década de 1940, quando organiza uma Companhia de Teatro de Revista com o actor brasileiro, de origem espanhola, Oscarito (Companhia de Revistas Beatriz Costa com Oscarito – 1942/1945).

Em 1924, ela já estava actuando no Teatro Maria Vitória de Lisboa, na revista "Rés Vês", ainda como corista. No dia 24 de julho  embarcou, com a Companhia Portuguesa de Revistas do Teatro Eden de Lisboa, em parceria de António de Macedo (director artístico da Companhia) com José Loureiro (empresário português que detinha vários teatros no Brasil, como o República), no navio Lutetia rumo ao Brasil.

A companhia apresentava como elementos principais as actrizes Lina Demoel, Zulmira Miranda, Carmen Martins e Julieta de Almeida e os actores Álvaro Pereira e Jorge Gentil.


Esta primeira temporada da Companhia Portuguesa de Revistas dura quatro meses (de 7 de agosto a 8 de dezembro), sendo apresentados no teatro República um total de nove espectáculos de revistas inéditas e em "reprise" dentre as quais estão "Fado corrido", "Tiro ao alvo", "Chá com torradas", "Piparote", "Aqui d’El-Rei", "Rez-Vez", "O 31", "Tic-Tac" e "De capote e lenço".

No dia 9 de dezembro, Beatriz Costa seguiu com a companhia para uma temporada nas cidades de São Paulo e Santos retornando novamente para uma nova temporada, no Rio de Janeiro de onde parte para Portugal em 14 de junho de 1925.

No entanto, não foi dessa vez que Beatriz Costa ficou no Brasil. Voltando a Portugal, com reputação, de grande artista, passou por várias companhias ao lado de renomados artistas, como Nascimento Fernandes, Manoel de Oliveira e Eva Stachino, quando obteve grande popularidade com o número "D. Chica e Sr. Pires", ao lado de Álvaro Pereira.


Em 1927, talvez influenciada pelo furor que o corte à la garçonne (popularizado por Margarida Max e Louise Brooks) provocou, Beatriz Costa estreou no cinema, com um novo corte de cabelo que se tornaria sensação entre as mulheres: o franjão.

A partir daí, como se diz em Portugal, toda a gente sabe o que significa ter uma franja à Beatriz Costa.


A sua segunda visita ao Brasil foi com a companhia portuguesa de Eva Stachino, em 1929. Novamente, a imprensa portuguesa noticiou o sucesso da actriz, relembrando sua passagem pela América do Sul.

Em solo brasileiro, o grupo apresentou as revistas "Pó de Maio", "Lua de Mel", "Meia-noite", "Carapinhada" e "A Mouraria", entre outras.

"Minha Noite de Núpcias" (1931)

Após a tournée ao Brasil, Beatriz Costa foi escolhida pelos homens da Paramount para encarnar o papel de Clara Bow em "Minha Noite de Núpcias", versão portuguesa de "Her Wedding Night" de Frank Tuttle (1930), rodada em Paris nos estúdios de Joinville sob direcção do realizador brasileiro Alberto Cavalcanti.

O filme teve sucesso em Portugal e no Brasil, destacando-se, nos principais papéis, ao lado de Beatriz Costa,o actor brasileiro Leopoldo Froes e o actor português Estevão Amarante.


Em 1933 a sua imagem é eternizada em "A Canção de Lisboa" de José Cottinelli Telmo, um dos primeiros filmes sonoros realizados em Portugal.

O filme é estreado Brasil, no Cinema Odéon, em Dezembro de 1933, permanecendo em cartaz até 7 de janeiro de 1934. E posteriormente é reposto no Cinema Alhambra (em fevereiro) e noutros cinemas como o Floresta (em maio), o Nacional (em junho) e o Popular (em setembro).

Em outubro é exibido no cinema gratuito do Auditorium do Rio de Janeiro, no decurso da Feira Internacional de Amostras (entrada 1$000). E em 1937 é exibido no Grande festival do Centro Recreativo Braz de Pina.



Em 1936 é um dos destaques da lendária revista "Arre Burro" (que viria a ser um dos seus maiores sucessos em Portugal e no Brasil) e faz parte do elenco de "O Trevo de Quatro Folhas", dirigido por Chianca de Garcia, com a participação do actor brasileiro Procópio Ferreira (no seu primeiro papel no cinema) e do actor português Nascimento Fernandes.

O filme é estreado em Portugal (em 1936) e no Brasil (1937).


Em 1937 retorna ao Brasil agora com a sua própria companhia (Companhia Portuguesa de Revistas com Beatriz Costa), contratada pelo empresário José Loureiro, que, segundo diria mais tarde, “foi o degrau para a minha independência”.

No Rio de Janeiro, ela se apresenta no Teatro República sucessivamente nas revistas: "Arre, Burro!", "Estrelas de Portugal", "O Liró", "O Santo António", "Sardinha Assada" e "Água, Vae…"
  

O Jornal "A Batalha" assinala na sua edição de 15 de outubro de 1937 a “reprise” da revista “Arre Burro !” (depois de quatro semanas de “êxito ruidoso”), que terá sido reclamada insistentemente por mais de mil pessoas que escreveram cartas e enviaram telegramas quer para Beatriz Costa quer para a empresa do Theatro República.

Actua igualmente no Teatro Casino Antárctica em São Paulo sob direcção artística de Rosa Matheus e direcção musical do maestro António Lopes.


Em maio de 1939 parte novamente para o Brasil com a sua companhia (Companhia Portuguesa de Revistas Beatriz Costa). Julgava-se que por alguns meses, mas a guerra que rebenta na Europa no Outono  mantém-na do outro lado do Atlântico durante cerca de 9 anos, a qual considerou os melhores anos da sua vida.

No período em que esteve no Brasil (1939-1947),  trabalhou durante 2 anos no Casino da Urca, no Rio de Janeiro, formou Companhia com Oscarito, actuou em diversas cidades, mas sobretudo Rio de Janeiro e São Paulo, fez amizade com alguns relevantes intelectuais brasileiros (como Jorge Amado) e casa, a 18 de fevereiro de 1947, no México, com o arménio Edmundo Gregorian.


Na primeira temporada, ainda sob a gerência do empresário José Loureiro, de junho a outubro de 1939, no Teatro República, no Rio de Janeiro, apresentam nove peças de teatro de revista, em espectáculos por sessões, todos os dias às 20h e 22h, com "matiné" aos sábados às 16h e às 15h, aos domingos. Além de se apresentar com sua companhia no Rio de Janeiro, faz incursões teatrais às cidades de São Paulo e Campinas.

Beatriz participa em três grandes campanhas publicitárias numa nova estratégia comercial que envolvia a imprensa, o rádio e o cinema. A primeira delas é uma promoção da Sociedade Rádio Nacional – PRE-8 e do jornal "A Noite" para um concurso popular de caricaturas da actriz, cujos traços devem ressaltar a sua famosa franja.

Após o encerramento do prazo do concurso, uma exposição com os 135 desenhos originais do concurso é inaugurada em 25 de maio nas instalações da Rádio Nacional.


Em 1939 é estreado no Brasil o filme português "Aldeia da roupa branca", de Chianca de Garcia, com Beatriz Costa no papel de protagonista.

A imprensa da época assinalou a presença do realizador português no Rio de Janeiro aquando da estreia no cinema Odeon, sendo referido o sucesso do filme em Inglaterra, Espanha, Suécia e Noruega (sendo o primeiro filme falado em língua portuguesa que atravessa essas fronteiras) . Chianca de Garcia radicou-se no Brasil onde realizou os filmes "Pureza" (1940) e "Vinte horas de sonho" (1941).

De fevereiro a abril de 1940, a actriz faz uma "tournée" ao Rio Grande do Sul apresentando-se nas cidades de Porto Alegre e Pelotas.

Entre outubro de 1940 e fevereiro de 1941, contratada pelo empresário Joaquim Rolla, realiza espectáculos no Grill do Cassino da Urca junto a Grande Otelo e outros artistas nacionais e internacionais.


Em 1941, actua nas casas de diversões do empresário Felix Rocque, em Belém, no Pará. Ainda no mesmo ano, participa em programas de rádios e grava discos na RCA Victor e na Columbia interpretando marchas, sambas e canções típicas portuguesas.

O seu primeiro disco incluía a marcha "Não te cases Beatriz", de Antônio Almeida, Alberto Ribeiro e Arlindo Marques Jr., em dueto com Leo Vilar, com acompanhamento do conjunto de Benedito Lacerda e do grupo vocal Anjos do Inferno e "Beatrizinha", temas que faziam parte da banda sonora do filme "Portuguesinha" de Chianca de Garcia (que foi rodado no Brasil, com Beatriz Costa como protagonista, mas não chegou a ser concluído).

O disco incluía igualmente gravações de canções como "Tiroliro", "A Cachopa Não é Sopa" e "Ai! Joaquim".


Referência à exibição em Portugal de "Portuguesinha" que não chegou a ser concluído

Em 1942, a actriz constitui a Companhia de Revistas Beatriz Costa com Oscarito, em parceria com o empresário português Celestino Moreira, que actuou inicialmente no Teatro República e posteriormente no Teatro João Caetano, onde permaneceu até 1945.

A companhia inclui no seu repertório revistas, operetas e "burletas" (comédias musicais ligeiras). A estratégia empresarial é atingir não só o público brasileiro, mas principalmente os espectadores de nacionalidade portuguesa, distantes de seu país de origem e repletos de sentimento nostálgico pela pátria longínqua (pois as companhias portuguesas estavam impedidas de se deslocar ao Brasil devido à guerra).

Em 1945, no intervalo da peça "A Cobra tá Fumando" foi inaugurada no "hall" do Teatro João Caetano uma placa de bronze oferecida a Beatriz Costa e Oscarito pelos cronistas e autores teatrais em homenagem aos 19 meses de triunfos dos dois actores.


Em setembro de 1942, O Globo publica uma entrevista de Bandeira Duarte com Beatriz Costa com a sugestiva manchete: "Beatriz nasceu duas vezes". Na ocasião, a actriz declara: "Eu nasci em Portugal [...] Mas a Beatriz Costa que vocês conhecem nasceu aqui, no Brasil. Foi baptizada num palco brasileiro... O primeiro punhado de sal português e a primeira salva de palmas brasileira são as minhas duas certidões de nascimento, dando-me direito a duas pátrias".

Em 1950 realiza a sua última digressão ao Brasil, com direcção geral de Chianca de Garcia, na Revista "Mão Bôba" no novo Teatro Carlos Gomes, mas a crítica não é tão positiva devido à menor qualidade dos textos.




Considerada uma sedutora de plateias, Beatriz Costa divertiu o público carioca e se afirmou como uma profissional da alegria, como ela mesma se intitulou num dos seus livros autobiográficos.

Do alto de seu 1,53 m de altura, a vedeta dos dois países somou o amor do público português ao do brasileiro e construiu uma trajectória digna de respeito.

Fontes/Mais informações: Aplauso  / Christine Medeiros  (1)(2) / Blog "Histórias do Cinema" / Dicionário do Cinema Português de Jorge Leitão Ramos / Blog "Mulheres Ilustres" Fabulásticas / Miguel Catarino (discos) / Heloísa Helena Paulo (cinema)  / Citi


 

terça-feira, 4 de maio de 2010

"Adelante Portugal" de Carlos Puebla (1976)

Carlos Puebla foi um cantor cubano, autor do célebre "Hasta Siempre, Comandante".

Em 1978, publicou o LP "Adelante Portugal" – uma homenagem aos portugueses e à Revolução de Abril. "Daqui de Cuba, dizemos Adelante Portugal!".


Álbum "Adelante Portugal"

Gravado em Portugal nos Estúdios da Rádio Triunfo, no dia 28 de Fevereiro de 1976, foi editado pela etiqueta Toma Lá Disco. Colaboração de Fernando Tordo, Luiz Villas-Boas e Paulo de Carvalho.

10 temas: "Adelante Portugal" / "La Gran Carrera" / "Oea" / "Autos de Uso" / "Guantanamera" / "Que Pare El Son" / "Nuestra Ayuda" / "De igual a igual" / "Pues que se muden" / "Muito Obrigado"

Fontes: Aventar / wikipedia

Video: Youtube

quinta-feira, 29 de abril de 2010

"O Fado e o Cravo De Abril" de Abilio Manoel


O tema da flor novamente aparece numa canção, desta vez do músico português Abílio Manoel, radicado em São Paulo desde sua infância. Ele dedicou uma canção à Revolução dos Cravos intitulada "O Fado e o Cravo de Abril".

Esta, por sua vez, foi selecionada para participar do Festival Abertura, organizado pela Rede Globo de Televisão em 1975.

Censura

Entretanto, de acordo com o depoimento de Abílio, esta canção foi vetada pela Censura Federal e ele recebeu da Rede Globo uma passagem aérea para Brasília para negociar pessoalmente a liberação da canção junto ao então Ministro da Justiça, Armando Falcão, que não atendeu seu pedido.

Esta prática era corrente, qual seja, delegar a alguns dos autores a responsabilidade de negociar com os censores a liberação de suas canções. Proibida "O Fado e o Cravo de Abril", de Abílio Manoel, a música só seria gravada no LP "América Morena", de 1976, mediante a alteração do título para "O Cravo e o Fado de Abril".

Ao ritmo de fado ...

Esta canção em ritmo de fado recupera imagens características das canções que estabelecem uma relação entre a primavera e o fim de uma dada situação política, comummente autoritária.

Outra passagem que caracteriza bem o período de liberdade vigiada está no trecho "conversas de esquina", afinal como em toda ditadura, qualquer agrupamento de pessoas nas grandes cidades portuguesas era observada pela polícia política e, no limite, até mesmo coibida.

Fonte: Alexandre Felipe Fiuza (adaptado)

Letra

Os gritos roucos
O mês de abril
E agora a vida que não se viu.

Os lenços brancos
No cais do porto...
Meu coração anda solto.

Uma vontade de voltar,
Rever as flores
Que aqui não há
Seguir cantando o dia novo
E o coração do meu povo.

E o som das guitarras na rua,
Conversas de esquina,
Varinas, cantigas...
O fado e o cravo de abril.

terça-feira, 27 de abril de 2010

"Portugal" de Georges Moustaki (1974)

O cantor francês Georges Moustaki, nascido no Egipto (filho de pais gregos), para além de ser um grande amante da cultura e da música de expressão portuguesa (principalmente da musica brasileira) durante muitos anos transportou para a sua música grandes causas, como a da libertação dos povos sujeitos às opressões de regimes ditatoriais e a "proclamação da boa hora permanente" (tal como canta numa das suas canções mais famosas).

Não estranhou por isso que a Revolução de Abril, conhecida por Revolução dos Cravos, não lhe fosse indiferente, tendo lançado em 1974 um single dedicado à revolução de 25 de Abril de 1974, precisamente com o título de "Portugal (Fado Tropical)". (...)


(...) foi a partir de uma canção de Chico Buarque ("Fado Tropical", canção com declamação de poeta de Carlos do Carmo), que Moustaki transformou num enorme êxito a canção "Portugal", num registo bem ao seu estilo, de arranjos perfecionistas, embora em segundo plano a favor do intimismo que a sua voz nos oferece.

Moustaki permanece ainda, aos 76 anos em perfeita actividade, tendo visitado o nosso país em 2008, onde ofereceu dois concertos ao público português e no qual, mais uma vez, voltou a cantar em português alguns versos da canção "Portugal", tal como antes o fizera em disco. (...)

Fonte: Bairro do Vinil (adaptado)

Uma nova canção

Moustaki faz de "Fado Tropical" uma nova canção. Ele fala da sua própria musa, das suas irmãs de exílio e das suas cicatrizes: evocando claramente o 21 de abril de 1967, quando se deu um golpe de Estado na Grécia.

Fonte: Forum

Letra

Oh muse ma complice
Petite sœur d'exil
Tu as les cicatrices
D'un 21 avril

Mais ne sois pas sévère
Pour ceux qui t'ont déçue
De n'avoir rien pu faire
Ou de n'avoir jamais su

A ceux qui ne croient plus
Voir s'accomplir leur idéal
Dis leur qu'un œillet rouge
A fleuri au Portugal

On crucifie l'Espagne
On torture au Chili
La guerre du Viêt-Nam
Continue dans l'oubli

Aux quatre coins du monde
Des frères ennemis
S'expliquent par les bombes
Par la fureur et le bruit

A ceux qui ne croient plus
Voir s'accomplir leur idéal
Dis leur qu'un œillet rouge
À fleuri au Portugal

Pour tous les camarades
Pourchassés dans les villes
Enfermés dans les stades
Déportés dans les îles

Oh muse ma compagne
Ne vois-tu rien venir
Je vois comme une flamme
Qui éclaire l'avenir

A ceux qui ne croient plus
Voir s'accomplir leur idéal
Dis leur qu'un œillet rouge
À fleuri au Portugal

Débouche une bouteille
Prends ton accordéon
Que de bouche à oreille
S'envole ta chanson

Car enfin le soleil
Réchauffe les pétales
De mille fleurs vermeilles
En avril au Portugal

Et cette fleur nouvelle
Qui fleurit au Portugal
C'est peut-être la fin
D'un empire colonial

Et cette fleur nouvelle
Qui fleurit au Portugal
C'est peut-être la fin
D'un empire coloni

Video: Youtube

segunda-feira, 27 de abril de 2009

"Abril" de Maria del Mar Bonet (1975)

Maria del Mar Bonet cantou "Abril", uma balada da sua autoria, pela primeira vez em Abril de 1975, dedicando-a a José Afonso e esclarecendo quem era o "amigo" de quem falava e qual a "canção" a que se referia.

O Caudilho ainda estava vivo (Franco morreu em Novembro de 1975) mas velho e doente; o regime parecia perto de colapsar.

A queda do regime português em Abril de 1974 foi saudada pelos liberais espanhóis que viram nela um prenúncio do que sucederia em Espanha... Mas em Março de 1975 a liberdade ainda não tinha chegado e muitos lembravam com apreensão os horrores da Guerra Civil...

Neste belo poema, Maria del Mar Bonet chama "Abril" ao mês desse nome, à liberdade e, presumivelmente, à revolução que muitos desejavam desde que fosse pacífica, como em Portugal (mas que Espanha acabou por não ter).

O tema foi incluído no disco ao vivo "A l' Olympia" de 1975.

Fonte: net

Video

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Franz-Josef Degenhardt lança "Portugal / Chile" (1974)

Franz-Josef Degenhardt é um poeta, escritor e cantor de "protesto" de nacionalidade alemã, tendo gravado o tema "Grândola, Vila Morena" no seu álbum "Mit aufrechtem Gang" de 1975.

Franz-Josef Degenhardt publicara igualmente, em 1974, o single "Portugal / Chile" em clara referência ao 25 de Abril e ao golpe do Chile que ocorrera em 1973.

Video: "Grândola vila Morena" (em alemão)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

"Grândola, Vila Morena" através do Mundo


"Grândola, Vila Morena", da autoria de Zeca Afonso, ficou associada ao 25 de Abril, bem como ao início da Democracia em Portugal, pelo facto de ter sido utilizada pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) como segunda senha da Revolução dos Cravos.

Tornou-se assim num hino á liberdade e à democracia, o que terá contribuído para que a canção fosse regravada por grupos e intérpretes de todo o mundo:

1) Cantada no Chile (pelo grupo Aparcoa, em 1965),

2) Traduzida para o alemão (por Franz Josef Degenhardt),

3) Interpretada em estilo jazz (por Charlie Haden & Carla Bley) ou a golpe de teclas (por Pascal Cormelade no álbum "Live in Lisbon and Barcelona 99")

4) Em versões mais calmas (pela brasileira Nara Leão) e outras mais estridentes (Juventude Maldita / Colera)

5) A solo (Roberto Leal no seu álbum "Lisboa antiga" gravado em 1974) ou em grupo.

6) Desde o hard-core brasileiro (*) até ao rock do País Basco (versão de Betagarri).

(*) Em 1987 foi regravada pelo grupo de rock brasileiro 365, no seu LP Mix da Música São Paulo, constando na 7ª faixa com o nome de "Vila Morena"

Fontes: wikipedia / Rate your music / Blogoteca (audio)

Foto: Guedelhudos (ié ié)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

"Grândola, Vila Morena" na voz de Nara Leão

A cantora brasileira Nara Leão gravou em 1974 os temas "Grândola, Vila Morena" e "Maio Maduro de Maio", ambos da autoria de Zeca Afonso, os quais foram incluídos no EP "A Senha do Novo Portugal" da editora Philips.

Os temas foram recuperados na colectânea "Raridades 2" editada em 2002 e que, como o próprio nome indica, visava a redescoberta de temas desconhecidos da cantora brasileira.

Audio: 1, 2

"Grândola, Vila Morena" e a censura brasileira

A canção "Grândola, Vila Morena", de Zeca Afonso, foi gravada por Nara Leão em 1974, passando inicialmente despercebida à censura brasileira.

Num documento do III Exército Brasileiro é demonstrada a indignação das autoridades quando confrontadas com o facto de que "esta música vem sendo tocada com insistência, diariamente na Rádio Continental de Porto Alegre, no horário das 12.00 às 13.00 horas”.

Em resposta, o Director da Censura, Romero Lago, afirma que a canção estava autorizada desde 20 de Maio de 1974 para poder ser gravada pelo cantor luso-brasileiro Roberto Leal.

Curiosamente, "Grândola ...", uma das senhas da Revolução dos Cravos não foi alvo de censura por parte das ditaduras do Brasil, Espanha e Portugal.


"Narólogos"

Preciso da ajuda de um 'narólogo' para esclarecer um mistério. Comprei aqui em Lisboa um compacto simples da Nara cantando o 'hino' da revolução portuguesa de 75: 'Grândola, Vila Morena', do Zeca Afonso. Nunca tinha ouvido falar desta gravação...

Procurei nas discografias do CliqueMusic e Itaú Cultural e nada. Browseei a internet e nada.

Quem me pode me ajudar com alguma informação? Alguém que tenha a biografia do Sérgio Cabral pode 'checar' se há alguma referência? Terá o disco saído no Brasil? Acho que não...

Fonte: Alan Romero (net)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

“Verdade Aparente” (“Invisible Circus”) com Cameron Diaz (2001)


“Verdade Aparente” (“Invisible Circus”) é um filme de Adams Brooks, com interpretação de Cameron Diaz (Faith), Jordana Brewster (Phoebe) e Cristopher Ecclestone (Wolf).

O filme foi rodado em Amsterdão, Paris, São Francisco e Portugal (Cabo Espichel, Sesimbra e Sintra).

Baseado num romance de Jennifer Egan, o filme conta a história de Phoebe, uma jovem de 18 anos que, em 1975, se sente bastante infeliz. Oito anos antes, o seu pai morrera de leucemia e a sua irmã mais velha, Faith, tornara-se radical politicamente e partira para a Europa com o seu namorado Wolf, e após deambular por Amsterdão, Paris e Berlim (onde se juntou ao grupo terrorista “Exército Vermelho”), acaba por se suicidar, um ano depois, em Portugal.

Phoebe tem visões da irmã, fica próxima da loucura e aparentemente poderá estar à beira do suícidio tal como a irmã, mas é a viagem às rochas de Portugal que fará a diferença.

Fonte: IMDb



Cinema 2000

Cameron Diaz vai atirar-se do Cabo Espichel, o que será um suicídio em circusntâncias misteriosas para a sua personagem de "The Invisible Circus", o filme que trará a intérprete de “Doidos por Mary” e de “O Casamento do Meu Melhor Amigo” a Portugal.

O filme não é uma comédia e diz-se que Cameron até pediu um "cachet" mais baixo para poder tentar esta mudança de registo. Interpreta a personagem de Faith, uma mulher que vibrou nos anos 60 e se envolveu no radicalismo político. É o ponto da situação desta geração dos idealismos que "The Invisible Circus" vai fazer, através de uma outra personagem, Phoebe (Jordana Brewester), que tenta deslindar, dez anos depois, o que aconteceu à irmã.

A produção vai estar em Lisboa de 23 de Junho a 9 de Julho, numa série de locais: o Cabo Espichel (para a queda de Cameron) ou o Casal Biester, em Sintra, já usado este ano para cenas do último filme de Roman Polanski.

Referência ao 25 de Abril (imagens disponibilizadas por C4pt0m3nt3)


 


quarta-feira, 23 de abril de 2008

Lluís Llach canta "Abril 74"


Enquanto Espanha ainda era dominada por Franco, os que podiam vinham a Portugal respirar.

Lluís Llach, importantíssimo cantor catalão, nascido em Girona em 1948, foi um deles.

Em Lisboa, compôs "Abril 74", incluído em "Viatge a Itaca" um dos álbuns mais vendidos em Espanha em 1975 (150.000 examplares).

Video: Ao vivo no Camp Nou / Em dueto com José Carreras

Letra:

Companys, / Companheiros,
si sabeu on dorm la lluna blanca, / se sabeis onde dorme a nuvem branca
digueu-li que la vull / Dizei-lhe que a quero
però no puc anar a estimar-la, / Mas não posso ir amá-la
que encara hi ha combat. / Porque aqui ainda há combate.

Companys, / Companheiros,
si coneixeu el cau de la sirena, / se conheceis o canto da sereia,
allà enmig de la mar, / Lá, no meio do mar
jo l'aniria a veure, / Eu iria vê-la
però encara hi ha combat. / Mas aqui ainda há combate.

I si un trist atzar m'atura i caic a terra, / E se um triste azar me barra e caio por terra
porteu tots els meus cants / Levai todos os meus cantos
i un ram de flors vermelles / E um ramo de flores vermelhas
a qui tant he estimat, / A quem tanto amei,
si guanyem el combat. / Se ganharmos o combate.

Companys, / Companheiros,
si enyoreu les primaveres lliures, / se desejais as primaveras livres
amb vosaltres vull anar, / Quero ir convosco
que per poder-les viure / Que para poder vivê-las
jo me n'he fet soldat. / Me fiz soldado.

I si un trist atzar m'atura i caic a terra, / E se um triste azar me barra e caio por terra
porteu tots els meus cants / Levai todos os meus cantos
i un ram de flors vermelles / E um ramo de flores vermelhas
a qui tant he estimat, / A quem tanto amei,
quan guanyem el combat. / Quando ganharmos o combate.

Fonte: A Cantiga foi uma arma (adaptado)

"Tanto Mar" de Chico Buarque

"Tanto mar" comemora a vitória do Estado democrático, em festa. E não só o reencontro com a liberdade. É a alegria, a esperança cantada. Esta música - que festejava a Revolução dos Cravos, em Portugal - foi proibida. Tem uma 1ª versão de 1975 e uma segunda em 1978. A letra da canção tinha um destinatário especial ("Sei que estás em festa, pá"), o português José Nuno Martins (que na altura era um dos melhores amigos de Chico Buarque.


Quando o disco foi editado, em 1975, vivia-se em Portugal a euforia da Revolução de Abril. Como sempre solidário, Chico quis homenagear esse tempo de liberdade e compôs uma das suas melhores e mais emblemáticas canções.

A canção foi incluída (e naturalmente cantada) no concerto que deu origem ao álbum "Chico Buarque & Maria Bethânia ao vivo", mas a censura brasileira da altura proibiu a sua divulgação e apenas foi autorizada a sua inclusão no album como tema instrumental.

É claro que em Portugal a versão original cantada foi a que apareceu editada, tornando-se rapidamente um dos maiores êxitos da época. Dois anos depois, já com a revolução dos cravos em “banho-maria”, Chico alterou (compreensivelmente) a letra e a nova versão, intitulada “Tanto Mar II” viu a luz do dia no album “Chico Buarque”, editado em 1978.

Estranhamente, porém, mesmo com o avançar dos anos e a modificação das mentalidades esse “erro” nunca foi corrigido: as sucessivas edições do album em cd continuaram a trazer sempre a versão instrumental.

Fontes: RRB / Pressrelease

Video: versão original


Mais recentemente, Fafá de Belém registou no seu álbum “Tanto Mar” (2004) ambas as versões e Maria de Medeiros gravou a 1ª das versões.



Letra "Tanto Mar":

Sei que estás em festa, pá
fico contente
e enquanto estou ausente
guarda um cravo para mim.
Eu queria estar na festa, pá
com a tua gente
e colher pessoalmente
uma flor do teu jardim.
Sei que há léguas a nos separar
tanto mar, tanto mar
sei também que é preciso, pá
navegar, navegar.
Lá faz primavera, pá
cá estou doente
manda urgentemente
algum cheirinho de alecrim.

Letra "Tanto Mar II":

Foi bonita a festa, pá
fiquei contente
'inda guardo renitente
um velho cravo para mim.
Já murcharam tua festa, pá
mas, certamente
esqueceram uma semente
nalgum canto de jardim.
Sei que há leguas a nos separar
tanto mar, tanto mar
sei também como é preciso, pá
navegar, navegar.
Canta a Primavera, pá
cá estou carente
manda novamente

Siné ilustra "25 de Abril"


Siné (pseudónimo de Maurice Sinet) é um desenhador francês nascido em Paris em 31 de Dezembro de 1928.

Em Abril de 1974, Siné apanha um avião em Paris e chega a Lisboa na véspera do 1º de Maio, mal sabendo o que se passa. Freneticamente, põe-se a desenhar, no seu estilo bem próprio, aquilo que mais o interpela, sendo o responsável pelas ilustrações do documentário "Cravos de Abril" de Ricardo Costa.


Fonte: wikipedia

"Nunca Portugal Foi Tão Falado No Estrangeiro"


No mundo da comunicação, foi o momento de glória para Portugal. Fazer o pleno das manchetes de todos os grandes jornais, ser capa simultânea da "Time" e da "Newsweek", abrir os noticiários da rádio e da televisão, é privilégio raro para um país com 10 milhões de habitantes, e só acontece por uma razão muito boa ou muito má.

Na capa da "Time" e da "Newsweek", a imagem é a mesma: o rosto duro, marcial, imponente, impenetrável e sobretudo muito teatral de António de Spínola. Estava descoberto o herói autoritário que organizara o golpe de estado e conduziria a transição moderada de Portugal para a democracia e das colónias para uma comunidade federal. Pelo menos, era assim que pensava quem via a revolução portuguesa à distância.

Fonte: Joaquim Vieira, “Momentos de Glória” (Nunca Portugal Foi Tão Falado No Estrangeiro)(Expresso, 24-04-1993)

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quinta-feira, 6 de março de 2008

“Nazaré” – peça radiofónica de Katharina Franck (2007)

“Nazaré - não a terra, mas a mulher”, uma peça radiofónica encomendada pela Bayern 2 Rádio, é transformada pela sua autora Katharina Franck juntamente com o músico Nuno Rebelo numa performance ao vivo aclamada, um tributo a Portugal de grande intensidade narrativa.” (Christian Deutschmann. Frankfurter Allgemeine Zeitung, 27 de Abril 2007).

Este espectáculo será apresentado em Portugal durante o mês de Abril de 2008 (em Lisboa, Viseu, Fundão).


"Fui convidada para escrever sobre a importância da Rádio. Lembrei-me do 25 de Abril 1974. Eu tinha 10 anos e vivia em Lisboa. Com uma visão muito pessoal desse momento histórico, quero afirmar que as nossas vidas pessoais, os nossos anseios e paixões, podem fazer parte da História.

Ficcionei parte da vida da Nazaré, que, à época, era a nossa empregada doméstica. Uma mulher portuguesa forte, independente e culta.

Não é uma reflexão politicamente correcta acerca da revolução, Não sou nem jornalista nem especialista em assuntos de política. Tenho questões pessoais com Portugal e com os portugueses. Escrevi um relato apaixonado sobre este país e o seu povo, ainda que se possa pensar o contrário no início do texto.

A descrição da sociedade portuguesa da época é baseada nos relatos dos meus pais e num livro de Kurt Meyer Clason – então director do Goethe Institut. Vi documentários sobre o Portugal pré e pós-revolucionário nos inestimáveis DVDs publicados pelo Expresso. Citações de Sophia de Mello Breyner Andresen, António Lobo Antunes e Herberto Hélder marcam clivagens na vida de Nazaré.

Quis para o texto uma música especial. Nuno Rebelo não só é um amigo desde esses anos de adolescência, é também um dos poucos músicos experimentais de cujo trabalho gosto verdadeiramente. O seu som é quente e cheio, cheio de significado também, sempre lúdico e profundamente artístico, sem se tornar pretensiosamente intelectual. Mal fala alemão, mas compreendeu imediatamente o significado e o meu estilo de narrativa, intuitivamente

Fonte: Página Oficial