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domingo, 15 de abril de 2018

O sucesso internacional de Madalena Iglésias (1959-1972)


Madalena Iglésias nasceu a 24 de outubro de 1939 na freguesia de Santa Catarina, em Lisboa, filha de mãe espanhola (oriunda de Pontevedra na Galiza) e pai português. No ano de 1954 estreia-se em simultâneo na televisão e na Emissora Nacional.

O seu primeiro contrato internacional foi assinado em 1959, tendo actuado em Espanha  no Cabalgata de Fin de Semana, um conhecido programa de Bobby Deglan na Rádio Voz de Madrid. Foram dez espectáculos, tendo participado igualmente em três espectáculos na televisão espanhola (RTVE). E em 1960 foi contratada pela Rádio Barcelona onde actuou ao lado de Jacqueline François e de Tony Dallara.


Vai pela primeira vez a França em 1960 e actua na televisão francesa no programa do cantor Charles Trenet e no programa "Paris Club" apresentado pelo cantor Luís Mariano. Actua igualmente no Marcadet Place e festeja os 21 anos em Paris. E teve direito a fotografia e três colunas no conhecido jornal francês Le Figaro. Voltaria mais tarde à Rádio Televisão Francesa para o programa "Paris de Nuit".

Mas o seu maior sucesso foi na Venezuela, onde actuou sucessivamente entre 1961 e 1972. A primeira actuação que ali realizou em 1961, valeu-lhe um êxito estrondoso e um contrato excelente: 48 actuações. Na Rádio de Caracas actuou em 15 espectáculos incluídos no “show” de Vitor Saume. Outros quinze na “boite” Pasaponga. Dez no “Coney Island” (espectáculos de 1h30 min cada) e mais quatro no Centro Português e no Centro Amigos da Madeira. E ao regressar a Portugal, depois de uma ausência de vários meses, Madalena Iglésias trazia consigo um alto galardão: o “Bolivar de Ouro”.



Em 1962 representou Portugal no Festival de Benidorm, a convite da nossa Emissora Nacional , e voltou à Venezuela, onde não ficou só pelos “shows” de Vitor Saume (actuações de 15 minutos no "El Show de las Doce") e Aldemaro Romero (actuações de 1 hora). Não actuou apenas nas “boîtes” Miranda e Pasapoga. Não ouviu apenas os aplausos do Centro Português. Em digressão pelo Interior, Madalena Iglésias levou o seu nome e a canção nacional a Maracay, Barquisimeto, La Guaira e Valência. E obtém diversos prémios, entre os quais: “18 Caciques de Ouro”, em 1962, e  “Guaicaipuro de Ouro" e 2º "Bolivar de Ouro" em 1963.


Conquistada definitivamente a Venezuela, Madalena iria nos anos seguintes ao Brasil, Colômbia e Panamá. No Rio de Janeiro, em S. Paulo, Belo Horizonte, Recife, Belém do Pará, nos “shows” de Cassio Moniz,  Ronald Golias, Noite de Gala, Elizeth Cardoso, Hebe Camargo (na TV Tupi, onde se cruzou com o cantor português Tristão da Silva), Luís Jatobá, César de Alencar (TV Rio) e Noite Social (na TV Marajoará do Pará). E ainda no programa "Portugal em sua casa" da Rádio Metropolitana e programa "Caravela da Saudade" de Alberto Maria Andrade no canal 2 da TV Cultura.

Obtém o prémio de melhor artista do ano em Belém do Pará (Troféu Carajá e Troféu Imperador, ambos da TV Marajoará) e a “Rosa de Ouro” conquistada no Rio de Janeiro, indo receber em 1963 o prémio atribuído pela TV Continental (Canal 9).



Na Colômbia actua na Rádio TV Caracol, no Grill "La Bamba" e "Boite" "Ás de Copas".

E no Panamá actua no Club Portobelo, num contrato inicial de 7 dias que se prolongará por 3 semanas, e é convidada do Canal 2 e do Canal 4 (no show de Blanquita Amaro). .

Festival de Aranda do Douro

Em 1964 participa no Festival de Aranda del Duero, alcançando o 1º lugar com o tema "Sonha" da autoria de Carlos Canelhas. Este festival era uma extensão do  Festival de Benidorm.

Os promotores deste festival lembraram-se de fazer um concurso luso-castelhano, com canções em ambos os idiomas tendo como justificação o facto de Aranda se situar no Alto Douro espanhol (na Província de Burgos) e o rio atravessar ambos os países.

Visita Angola e Moçambique no ano de 1964, actuando em Moçambique com o Conjunto de Renato SiIva.


E numa co-produção entre RTP e BBC são gravados em Lisboa 13 programas de variedades "Noite de Estrelas" com participação do maestro Edmund Ross.


O ano de 1966 foi um dos mais importantes da carreira da Madalena Iglésias. Vence o Festival RTP da Canção com "Ele e Ela", novamente da autoria de Carlos Canelhas, que alcançou o 13º lugar no Festival da Eurovisão que se realizou no Luxemburgo.

A versão em espanhol, "El y Ella", é editada em Espanha, França e Holanda e é igualmente regravada pela jovem cantora espanhola Marichela.


E nesse mesmo ano é convidada para participar no III Festival de la Canción de Mallorca, em Palma de Maiorca. Neste festival participaram muitos artistas de prestigio internacional como Alberto Cortez, Marty Cossens, Nicola di Bari, Tony Dallara e Massiel, entre outros, num total de 26 canções.


Neste certame Madalena Iglésias representou Espanha com o tema "Vuelo 502" da autoria de Morell e Ceratto, acompanhada por Los 4 de la Torre, que conquistou o prémio Instituto de Cultura Hispânica para a melhor canção hispano-americana e foi editado num EP pela editora Belter.

Los De La Torre eram um grupo de Barcelona que chegou a ser formado por quatro irmãos de apelido De La Torre (inicialmente eram conhecidos como Los 4 de la Torre). O seu maior sucesso foi "Vuelo 502" que ficou em segundo lugar do Festival de Maiorca, mas teve tanto êxito que quase "eclipsou" o tema vencedor do certame.

Actores a fazer playback no programa "Escala em Hi FI"

Ainda em 1966 actua no Festival da Canção do Mediterrâneo, em representação da Espanha, com o tema "Septiembre", tendo-se classificado em 2º lugar.

Em 1967 efectua vários espectáculos no Canadá, com produção de Johnny Lombardi (nomeadamente com a participação do grande cantor italiano Domenico Modugno), e Estados Unidos da América (em cidades como San Diego, San Francisco, Nova Iorque, Newark ou Boston. Em Danbuty actua com António Calvário).

São editados vários temas, orquestrados por Adolfo Ventas, em 1968, através da editora Belter, para promoção internacional da cantora.


Em 1968 foi a cantora portuguesa presente na primeira edição das Olimpíadas da Canção da Grécia.

Eram 32 participantes oriundos de 17 países. Madalena Iglésias concorreu com o tema "Tu vais voltar", com letra de Francisco Nicholson e música de Jorge Costa Pinto, que se classificou em 4º lugar, obtendo igualmente uma Medalha de Prata.


Madalena Iglésias foi igualmente a representante portuguesa no III Festival Internacional da Canção Popular do Rio de Janeiro de 1968, com o tema "Poema da Vida" com letra de António José e música de Joaquim Luiz Gomes, tendo-lhe sido atribuído uma Menção de Simpatia.

Em 1969 retorna ao Brasil, actuando na TV Tupi  (São Paulo), TV Brasília, TV Record (São Paulo), TV Excelsior (Rio de Janeiro), TV Globo (Rio de Janeiro) e TV Belo Horizonte).

Em 1970 participa no Festival Internacional de Split na então Jugoslávia, tendo interpretado  duas canções, um original, "Mar Solidão", com poema de Vasco de Lima Couto e música de Jorge Costa Pinto, e uma versão de uma canção jugoslava.

Editou LPs no Brasil, México e Venezuela

Em 1971 é convidada a participar no I Festival Mundial de Onda Nueva, em Caracas, Venezuela, com o tema "Para falar de esperança", com letra de Francisco Nicholson e música de  Jorge Costa Pinto (música).

E participa igualmente no Festival de la Canción del Atlantico, pela terceira vez em representação de Espanha. Este festival teve lugar em Puerto de la Santa Cruz em Tenerife num evento em que Madalena representou o país vizinho a convite de Augusto Algueró (pai) defendendo o tema "No puedo renunciar" com letra de Cholo Baltasar.

Actuação na Radio Caracas TV (Foto de Carias Sisco/Arq.MLde Carvalho)

Casou-se em 1972, abandonou a carreira artística e foi viver para a Venezuela onde chegou a ter um programa na televisão na Radio Caracas Television (RCTV).

Grávida de oito meses, ainda fez um programa no Canal 4 da televisão venezuelana mas deixou de actuar até os seus filhos terem cinco anos de idade. Depois, voltou a actuar esporadicamente na televisão venezuelana, mas já seria tarde para retomar a carreira.


A sua biógrafa, Maria de Lourdes de Carvalho afirmou recentemente, em declarações à agência Lusa, que a intérprete de "Ele e Ela" protagonizou "umas das mais interessantes carreiras da música portuguesa, que se afirmou não só cá, como internacionalmente, apesar das suas actuações além-fronteiras serem pouco conhecidas dos portugueses".

A pretexto do eventual apoio por parte do Estado Novo, Madalena Iglésias referiu: "Nunca tive ajuda de nenhum meio do Governo. Trabalhei na televisão porque não havia outro sítio. Não fiz nenhum espectáculo em que o SNI (Serviço Nacional de Informação) me tivesse apoiado. A carreira no exterior devo-a aos espanhóis, e lamento muito que isso choque o nosso patriotismo".

Outras curiosidades: Tinha um agente para a América Latina (Sr. José Rodriguez da Hispaven). Agentes em Espanha: Agência de Emílio Santamaria e Agência Internacional Francisco Bermudez. A sua editora, desde 1966, era a editora catalã Belter (uma das duas editoras que apostava na gravação de artistas portugueses, a outra era a madrilena Marfer).

Fontes/Mais informações: Fotobiografia (Maria Lourdes de Carvalho) / Revista Flama (em Blog Largo dos Correios) / wikipedia / facebook  / Blog dos Festivais da Canção (Aranda do Douro)(Maiorca)(Mediterrâneo)(Grécia) (Rio Janeiro)(Split)(Onda Nueva) / Macua / DN / RTP / "Vuelo 502" (actores fazendo playback no programa Escala en Hi Fi) / Revista Juvenil Serenata / Sobre o Festival de Aranda do Douro








quinta-feira, 15 de março de 2018

Portugal no Festival da OTI (1972-2000)


No dia 25 de novembro de 1972 realizava-se, em Madrid, a 1.ª edição do Festival OTI, Grande Prémio da Canção Iberoamericana promovido pela "Organização da Televisão Ibero-Americana" (OTI). Um festival inspirado na Eurovisão que reunia países que falam castelhano e português.

De entre os artistas que representaram Portugal contam-se diversos representantes de Portugal na Eurovisão como Simone de Oliveira, Tonicha, Paulo de Carvalho, José Cid, Adelaide Ferreira, Dora, Dulce Pontes e Anabela. Lena d’Água foi a última representante portuguesa no ano 2000.


Portugal concorreu ao Festival de la OTI desde a primeira edição, tendo alcançado o 6º lugar com Tonicha que interpretou a canção "Glória, Glória Aleluia", da autoria de José Cid.

"Glória, Glória Alelulia" não foi um dos maiores sucessos de Tonicha, mas foi regravada no ano seguinte pelo cantor inglês Vince Hill sob o título "Glory Hallelujah". E em Portugal foi gravada por Simone e José Cid. 



Participante em 22 edições, Portugal conquistou 4 posições no pódio do concurso: Uma vez em 2.º lugar e três vezes em 3.º lugar.


A melhor posição de Portugal foi a conquista de um 2.º lugar em 1984, na Cidade do México,  com o tema “Vem no meu sonho” interpretado por Adelaide Ferreira que viria a ganhar no ano seguinte o Festival da Canção e representar Portugal na Eurovisão.


Os terceiros lugares foram conquistados por José Cid, com o tema "Na cabana junto a praia" em 1979, Anabela em 1993 com "Onde estás?" e Beto com o tema "Quem espera desespera" em 1998.

Apesar de nunca termos obtido o 1º lugar, coube a Portugal a organização do festival de 1987, sendo o espectáculo realizado no Teatro São Luís, em Lisboa, com a apresentação de Ana Zannati e Eládio Clímaco, sendo a nossa representante Teresa Mayuco.


Fontes/Mais informações: ESC Portugal / Esc Portugal - 40 anos do Festival / Youtube / wikipedia (1) (2) / discogs / Museu RTP



 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Raúl Ruiz realiza "Mistérios de Lisboa" com base no livro homónimo de Camilo Castelo Branco (2010)


“Mistérios de Lisboa” tem realizador chileno mas em tudo o resto é bem português. Tudo começou com o célebre romance de Camilo Castelo Branco, publicado em fascículos em meados do século XIX.

A narrativa longa e folhetinesca de “Mistérios de Lisboa”, actualmente reunida num volume de cerca de 600 páginas, está na base do mais recente filme do chileno Raúl Ruiz produzido por Paulo Branco e que está a recolher os mais rasgados elogios que um filme português alguma vez recebeu na imprensa internacional.



A história envolve paixões arrebatadas, duelos mortais, identidades misteriosas e negócios tenebrosos, com a acção distribuída por Portugal, França, Itália e Brasil. O elenco é de luxo e conta nas personagens principais com Adriano Luz, Maria João Bastos, Ricardo Pereira, Albano Jerónimo e Afonso Pimentel, à frente de um conjunto de actores que integra estrelas internacionais como Léa Seydoux ou Melvil Poupaud.

O sucesso internacional tem sido verdadeiramente esmagador com uma recepção elogiosa em publicações como o “New York Times”, “Les Inrockuptibles”, “Cahiers du Cinéma”, “Le Figaro”, “Libération”, “Paris Match” ou “Le Monde”.


Prémios

Prémio de melhor realizador (Concha de Prata) no Festival de San Sebastián 2010 (Espanha)

Prémio da Crítica na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo 2010 (Brasil)

Prémio Louis-Delluc de melhor filme de 2010 (França)

Satellite Award para Melhor Filme Estrangeiro de 2011

International Press Academy Melhor Filme de Língua Estrangeira de 2011 – Toronto Film Critics’ Circle

32nd London Critics’ Prémio Panorama – Panorama of European Cinema – Athens

Melhor Filme do Ano – 2010 – no CANAL +; LES INROCKUPTIBLES e CAHIERS DU CINEMA

No Top 10 de 2011 para o Village Voice, The New York Times, Film Comment, Indiewire, Slant


Raul Ruiz e Portugal

Ao longo da sua impressionante carreira, o realizador chileno, radicado em França desde 1973 (após o golpe de Estado de Augusto Pinochet no Chile) criou uma grande cumplicidade com o produtor Paulo Branco, que teve início logo a partir dos anos 80, trabalhando com ele, primeiro em Portugal e depois também em França.

Foram oito, as longas‐metragens de Raúl Ruíz filmadas em Portugal, e catorze, os filmes produzidos ou co‐produzidos por Paulo Branco. Desses filmes, três passaram pela competição na Selecção Oficial do Festival de Cannes. Ruiz filmara já várias vezes com Paulo Branco, nomeadamente "A ilha do Tesouro" e "Os destinos de Manuel", ambos de 1985.

Em Portugal, o cineasta rodou também "Combat d'un amour em songe", de 2000, "Fado majeur et mineur" (1995), "Point de fuite" (1984), "La ville dês pirates" (1983), "Les trois couronnes du matelot" (1983) e "Le Territoire" (1982).


A última aventura portuguesa de Raúl Ruiz, "Os Mistérios de Lisboa", resultou da oferta dos três volumes do romance de Camilo Castelo Branco ao cineasta, pelo produtor Paulo Branco. "Há anos que insistia com Paulo Branco para fazer um filme em português", disse o realizador em Lisboa aquando da apresentação da obra.



"Linhas de Wellington" de Valeria Sarmento (2011)

“Tive a sorte de trabalhar com ele ao longo de 35 anos, de ser seu amigo”, acrescenta. Paulo Branco  que estava a trabalhar em “vários projectos” com Ruiz quando a morte do realizador ocorreu a meio da rodagem de “As Linhas de Torres Vedras”, que viria a ser concluído por Valeria Sarmento, companheira do realizador chileno.


Raúl Ruiz cultivava uma “ligação muito grande” a Portugal e este novo filme era um regresso ao século XIX português, depois de "Mistérios de Lisboa".

Entre os dois filmes, avançam as invasões francesas para primeiro plano. Adriano Luz, Albano Jerónimo e Léa Seydoux são alguns dos actores que transitam entre as duas histórias, aos quais se juntam John Malkovich e Mathieu Amalric.

Fontes: wikipedia / página oficial / boas notícias / cinema.sapo / visão.sapo / público / alfama films 


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O sucesso de “Petticoats of Portugal” (“Rapariga do Portugal”)


Com o sucesso internacional de canções portuguesas como “Coimbra” (“Avril au Portugal”) e “Lisboa Antiga” (“Adieu Lisbonne”), Portugal esteve na moda durante os anos 50 tendo inspirado sucessos internacionais como “Lavandiéres au Portugal” e “Petticoats of Portugal”.

“Petticoats of Portugal” (“Rapariga do Portugal”) é uma canção popular norte-americana com música e letra de Michael Durso, Mel Mitchell and Murl Kahn.

Dick Jacobs and His Orchestra alcançou o 16º lugar no Top dos Estados Unidos em Outubro de 1956. Na crítica da Billboard, publicada na altura, e que é igualmente um reflexo do sucesso do tema, pois seis diferentes versões competiam por um lugar no top, era referido que: "Com "Petticoats", Jacobs apresenta uma faceta que irá vender por si próprio à primeira audição (“has a side which will sell itself on first listen”). O tema é contangiante e melodioso e a combinação da orquestra com o coro transmite-lhe uma curiosa produção".

Billy Vaughn and His Orchestra atingiu o nº 83 do Top Norte Americano em Dezembro de 1956.

Por outro lado, a versão de Caesar Giovannini alcançou a 19ª posição em Chicago e o nº 29 na Revista Cashbox, mas não entrou nas tabelas da revista da Billboard.


A estranha fixação da "música de elevador" por Portugal

Os anos 50 foram uma época de ouro para a chamada "música de elevador".

Curiosamente muitas dessas músicas debruçavam-se sobre países como Portugal. Mesmo que não tivessem letra, bastava estar atento aos seus títulos: "Portuguese Washerwoman”, “April In Portugal”…

Por que será ?


O fado como potencial moda latina

"Petticoats of Portugal” foi regravado por inúmeros artistas, incluindo Valentina Félix, uma cantora portuguesa radicada nos E.U.A.

Sam Chase referiu na revista Billboard que, após o sucesso da Bossa Nova, o Fado poderia ser uma das novas “Modas Latinas” (conjuntamente com estilos novos como o Bongoson, a Guarania e o Bambuco).

Segundo o jornalista, o Fado tinha alcançado um sucesso considerável na América Latina, sobretudo no Brasil. A qualquer momento poderia surgir uma combinação do Fado com um ritmo brasileiro, que pudesse originar uma nova moda.

Em São Paulo, a Adega Lisboa Antiga estava constantemente cheia de admiradores dos principais representantes do Fado no Novo Mundo, como Teresinha Alves (da Editora Continental) e Manuel Taveira (da RCA Victor).


O jornalista referiu igualmente que a editora Mointor tinha um importante papel no surgimento do fado com artistas como Valentina Felix e Fernanda Maria, realçando que o álbum “Petticoats of Portugal” de Valentina Felix representava uma novidade. Pela primeira vez uma cantora era acompanhada por um grupo instrumental (e não pelos tradicionais dois guitarristas), o Conjunto Cantares de Portugal. E havia o recurso à língua inglesa em duas canções: “Petticoats of Portugal” e “April in Portugal”, que podiam contribuir para a difusão deste estilo de música portuguesa.


Outras versões

“Petticoats of Portugal” foi regravado por artistas como Terry Lester, Ray Martin, Perez Prado, Tex Beneke, Florian Zabach (orquestra com coro), Lawrence Welk ou Warren Covington and The Commanders (em versão instrumental foxtrot).

O cantor brasileiro Cauby Peixoto lançou, em 1957, no seu segundo álbum, uma versão em português, em ritmo tango, com letra de Ghiaroni, intitulada “Garotas de Portugal”.

E Pierre Kolmann, pseudónimo do músico brasileiro Britinho, também gravou, em 1957, "Anáguas de Portugal", em versão instrumental.


Ray Franky interpretou “De Rokjes van Portugal”, em 1957, com letra em holandês de Lei Camps e Jos Dams.


Guy Belanger foi o responsável pela adaptação para francês, com o título de “Le Jupon du Portugal”, publicada por músicos como Tune Up Boys.

E Marc Fontenoy foi o autor da letra, com o mesmo nome, “Le Jupon du Portugal”, gravada por Johnny Grey (incluindo no EP "Cindy" que foi nº 1 na Bélgica em 1957).


“Muchachita de Portugal” com letra em espanhol de Alvey, pseudónimo de Alberto L. Martinez, foi gravada por artistas como os argentinos Los 4 bemoles.

James Last lançou, em 1973, uma versão instrumental com o título “In Portugal”.

E Lars Lönndahl e Monica Velve gravaram “Det bläser upp i Portugal”, com letra em sueco da autoria de Kairo.



A versão em Finlandês, “Portugalin Tuulispää”, da autoria de Pauli Ström, foi interpretada, em ritmo Béguin, por Olavi Virta.


E Börge Müller foi o autor da letra em dinamarquês, "Påenbænk i Lissabon", cuja versão foi gravada por Erik Michaelsen.


E a famosa actriz Jayne Mansfield também interpretou "Petticoats of Portugal" no seu álbum "An evening with Jayne".



Letra "Petticoats of Portugal"

When breezes blow petticoats of Portugal.
There’s quite a show on the streets of Portugal;
Each passer by winks his eye, whistles and smiles,
The ooh’s and ah’s, loud hurrahs, echo for miles;
The shapely gams, ‘neath petticoats of Portugal.
Start traffic jams,
But the cop on the square doesn’t care!
There’s not a guy alive who doesn’t thrive
On watching skirts go free!
Especially the petticoats of Portugal


Letra "Le Jupon au Portugal"

C'est si joli
Un jupon du Portugal
Jupon fleuri
Capiteux et virginal

(...)

C'est si grisant
Un jupon du Portugal
Qu'en le voyant
Tourner joyeusement
Dans un bal
Un grand amour peut naître en vous
Qui vous remplit de désirs fous
C'est idéal
Un p'tit jupon du Portugal

Fontes: wikipediaTheOzHiztoryblog  / Billboard

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