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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

"Querido Corto Maltese" de Susana Fortes (1994)


“Querido Corto Maltese” é uma novela da escritora e professora espanhola Susana Fortes, nascida em Pontevedra em 1959.

Sinopse

História de uma jovem que vive a realidade como desejo ou sonho e que conhece um professor maduro, misterioso, o qual identifica desde logo com o lendário Corto Maltese, herói da banda desenhada que povoa as suas fantasias mais íntimas.

Entre Lisboa e Havana

A acção decorre essencialmente em Lisboa (em plena década de 80 do Século XX) e Habana, onde Ana Sottomayor (uma jovem estudante de história muito ingénua, muito sonhadora e com muita imaginação), investigadora sobre o tráfico de escravos, tem uma aventura com "F." que identifica como sendo o herói de banda desenhada Corto Maltese.

Ana é licenciada em historia da América (como Susana Fortes) e vem a Lisboa para investigar no Arquivo Naval de Lisboa documentos relativos à escravatura e ao tráfico de escravos. E nos seus passeios pelo estuário do Tejo imagina a chegado do marinheiro:

“Corto Maltés acudía a esta cita algunas tardes, se ajustaba la gorra, aspiraba una bocanada de humo y desaparecía en la niebla provocándome con una sonrisa enigmática."



A novela foi galardoada com o Prémio “Nuevos Narradores” atribuído pela Escola de Letras de Madrid em conjunto com a Editora Tusquets.

"Quatrocento" (2007)

A personagem Ana Sottomayor é recuperada, por Susana Fortes, no romance histórico "Quattrocento", no qual uma investigadora procura desvendar quem esteve por detrás de um ataque à famíla Medicis.

No seu apartamento de Florença há fotos quer de Lisboa (Castelo de São Jorge) quer de Havana, cenários de "Querido Corto Maltese".

Fontes/Mais informações: wikipedia / Larazon / Pedro Tejada Tello 

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"Lisbonne Dernier Tour" de Aude Samama e Jorge Zentner (2010)


"Lisbonne Dernier Tour", com desenhos da francesa Aude Samama e argumento do argentino Jorge Zentner, traça a biografia de um prestidigitador chamado Tosechi, que após atingir o zénite da fama acaba por resvalar para uma situação decadente.

A concretização gráfica serve-se de um estilo pictórico próximo da pintura, atingindo grande beleza plástica.

Sinopse

É com a vida e a as experiências de pessoas vulgares que se escrevem as histórias. É com a vida e a as experiências de alguém como o mago Tosechi que se escrevem as lendas.


Entre o passado e o presente

Habitamos um mundo em que o mago Tosechi já ocupou o imaginário de um público alargadíssimo. As imagens que nos surgem desse tempo glorioso parece-nos indicar a década de 1920, mas esses saltos no passado servem apenas para contrastar o presente, possivelmente na nossa actualidade, numa Lisboa ribeirinha.

O contraste é palpável pela falta de acompanhamento dos tempos pela parte de Tosechi, a lenta ultrapassagem pelos novos espectáculos, novas velocidades, novos entretenimentos.


Moreno, o seu agente, companheiro, gentleman’s gentleman, é quem lança os fios que ligam a glória ao declínio, o passado na ribalta e a quase desesperada natureza das errâncias na cidade a que vieram dar, e onde ocupam um pequeno hotel de terceira, longe dos hotéis de cinco estrelas de outros tempos.

São os pensamentos de Moreno e as suas acções que encaixam os momentos e as projecções dos acontecimentos. E é através das palavras de Zentner e de belos jogos linguísticos, e metáforas (por vezes, mas poucas, corroboradas pelas imagens), que nos vamos dando conta dessa lenta mas inexorável descida.

Fontes: Geraldes Lino (Divulgando BD) / Pedro Moura (Ler BD)/ wook

Aude Samama é igualmente autora de um CD livro sobre Amália Rodrigues publicado em 2008.



Fonte: página oficial de Aude Samama

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Portugueses na Marvel (artigo de Pedro Cleto)


Em tempos recentes – leia-se nos últimos 2, 3 anos – o facto de alguns desenhadores portugueses estarem a trabalhar – (embora) de forma (ir)regular – para a Marvel tem sido (de forma relativa) recorrentemente mediatizado entre nós, podendo empolar ou dar dessa realidade uma dimensão que na verdade ela (ainda?) não tem.

Mas, para início de conversa, por assim escrever, vamos esclarecer de que se fala quando falamos de Portugueses na Marvel. Ou melhor, vamos um pouco mais atrás, à pré-História dessa relação.

Joe Madureira


Até há pouco tempo, era necessário recorrer ao luso-americano Joe Madureira – filho de pais portugueses – para conseguir uma assinatura lusa (ou perto disso…) na Marvel, apesar dos sobrenomes familiares de alguns dos autores, que geralmente se descobria serem brasileiros, espanhóis, latinos ou mesmo filipinos …


Madureira, responsável pelo título Uncanny X-Men entre 1994 e 1997, dedicou-se depois a Battle Chasers (Wildstorm), uma criação pessoal que se arrastou no tempo e ficou incompleta.


Trocando a BD pelos jogos, Madureira teve algumas passagens pontuais pelos quadradinhos já no final da década de 2000, tendo recentemente anunciado o regresso à editora norte-americana, num projecto para já mantido em segredo.

Miguel Montenegro


Depois dele, surgiu Miguel Montenegro que, entre vários trabalhos para outras editoras norte-americanas, em 2004 se tornou o primeiro português a desenhar uma capa para a Marvel, mais concretamente para a edição 51 da revista Espantosos X-Men, da Devir nacional.


"Spider-Man Fairy Tales" e "Marvel Fairy Tales"


Seguiu-se nova travessia do deserto (dos super-heróis com problemas) até que, em 2007, Ricardo Tércio desenhava o primeiro número de "Spider-Man Fairy Tales", participando igualmente na mini-série "Marvel Fairy Tales", no ano seguinte.

Ambos os projectos revisitavam fábulas infantis, agora protagonizadas pelos super-heróis da Marvel, sendo que, nesta última, três dos quatro números eram assinados por autores nacionais: o já citado Ricardo Tércio e ainda João Lemos e Nuno Plati Alves.

Curiosamente, esta oportunidade surgiu – quase por acaso, daqueles que se pensa que só existem nos quadradinhos - durante uma passagem de Lemos por Angoulême, onde encontrou casualmente Joe Quesada a quem entregou o seu portefólio, o que lhe valeu receber mais tarde o convite para o projecto.


Depois disso, estes três nomes, a que se juntou, em 2010, Filipe Andrade (no seguimento de uma análise de portefólios por C.B. Cebulski), têm surgido com alguma regularidade nas fichas técnicas de diversos títulos Marvel (...)

Projectos marginais vs. Projectos mais "mainstream"


E se é verdade que os primeiros projectos eram muito específicos e até marginais na produção normal da Marvel, a verdade é que aos poucos Ricardo Tércio, João Lemos, Nuno Plati e Filipe Andrade, foram subindo e trabalhando com alguns dos principais super-heróis: Capitão América, Wolverine, Spider-Man, Iron Man, …

Tem sido um percurso progressivo, em crescendo, iniciado com histórias curtas – algumas estreadas em formato digital – passando depois a projectos de outro fôlego como as one-shots X-23, Marvel Girl e a que Plati desenha actualmente com Spider-Man ou a mini-série Onslaught Unleashed, de Andrade e Tércio, ainda em curso. A par disso, há que acrescentar ainda um argumento escrito por João Lemos para Wolverine e a capa que Plati desenhou para Amazing Spider-Man Family.

Projectos ainda discretos, é verdade, mas cada vez menos.

Cedência do factor artístico ?

E se a sua entrada no universo Marvel de alguma forma implica (pelo menos) uma cedência do factor artístico (durante muitos anos defendido pelos autores portugueses que tentaram publicar fora de portas) à vertente mais comercial dos heróis Marvel, a verdade é que Lemos, Plati, Tércio e Andrade não abdicaram de um traço pessoal e personalizado que, se é cedo para afirmar como uma mais-valia, é, no entanto, já, um factor distintivo. (...)

Fonte: Blog de Pedro Cleto(adaptado) (nossos Intertítulos)

Mais informações: Joe Madureira / Miguel Montenegro / Filipe Andrade / João Lemos / Nuno Plati Alves / Ricardo Tércio

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Jayme Cortez (1926-1987), mestre da banda desenhada luso-brasileira

Jayme Cortez nasceu em Lisboa, a 8 de Setembro de 1926, tendo-se estreado na revista portuguesa “Mosquito” onde publicou, entre outras, as bandas desenhadas “Os 2 amigos na cidade dos monstros marinhos” e “Os Espíritos assassinos” que se inspiravam nos seus amigos do Bairro Alto.

Em 1947, partiu para o Brasil, onde, a par de bandas desenhadas (histórias em quadrinhos = HQs) como "O retrato do mal" ou "Zodíaco", foi jornalista, ilustrador, cartoonista, professor e autor de livros sobre ilustração e histórias aos quadradinhos.

Foi um dos nomes importantes da Banda Desenhada de terror brasileira, ao lado de outros estrangeiros radicados no Brasil (Nico Rosso, Eugênio Colonnese, Rodolfo Zala).

Escreveu os livros "A técnica do Desenho", "Mestres da Ilustração" e "Manual Prático do Ilustrador". O álbum "Saga do Terror", que reunia vários de seus trabalhos em banda desenhada, foi lançado postumamente pela editora Martins Fontes


Emigração para o Brasil

Em março de 1947 desembarca no porto de Santos e fixa residência em São Paulo e no ano seguinte casa-se com a brasileira Maria Edna.

Teve uma curta experiência como caricaturista (chargista) no jornal "O Dia" e, logo de seguida, iniciou a sua carreira como desenhador de banda desenhada fazendo "tiras" para o "Diário da Noite" ("Caça aos tubarões" e "O Guarany").

Posteriormente colaborou com a Editora La Selva e Outubro, onde foi responsavel pelas capas e director de arte.

Foi professor da Escola Panamericana de Arte e trabalhou na área publicitária como director de criação da McCann Erickson entre 1964 e 1976 e depois passou a director de merchandising e animação da Maurício de Sousa Produções.

Estúdios Maurício de Sousa


Foi director de Arte dos Estúdios Maurício de Sousa, tendo sido editor da revista Bidu.

Segundo consta na biografia oficial de Maurício, Jayme Cortez foi o responsável por ter colocado o autor no caminho certo. Maurício teria tentado fazer uma revista de terror e recebido de Cortez uma bela crítica: “O Maurício me levou uma m*r#a de história de terror, mas eu insisti pra ele que fizesse seus quadrinhos cômicos.”

Colaboração com José Mojica Marins


Conheceu José Mojica Marins, conhecido realizador de cinema brasileiro, em 1968, colaborando com ilustrações para o filme "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" e desenhando o poster de "Finis Hominis" (1971), igualmente de Mojica.

Participou, em 1978 e 1979, como actor, nos filmes de Mojica: "Delírios de um Anormal", "Perversão" e "Mundo: Mercado do Sexo". Os cartazes eram da autoria de Jayme Cortez.

Primeira Exposição Internacional


Jaime Cortez foi um dos organizadores (conjuntamente com Álvaro de Moya, Miguel Penteado e Syllas Roberg) da “Primeira Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos”, que teve lugar em São Paulo, em 1951, o primeiro evento do género realizado em todo o mundo.

Homenagens


Homenageado em Lucca, Itália, em 1986, com o prémio Caran D'Ache, no "XX Festival Internacional de Banda Desenhada e Ilustração", pelos seus 50 anos de actividade.

Após a sua morte, foi homenageado na cerimónia de prémios Angelo Agostini, tendo o seu nome sido atribuído ao troféu entregue anualmente no Brasil aos "incentivadores da HQ nacional".

Blog oficial


O blog Jayme Cortez, organizado por Fabio Moraes e Jayme Cortez Filho, tem por objectivo tornar acessível ao maior número de pessoas a obra do Mestre Cortez, apresentando muitas artes e fotos desconhecidas do grande público.

Fontes/Mais informações: Blog de Pedro Cleto / JN / blog Jayme Cortez / wikipedia / Carcasse / Kuentro / Mundo HQ / Planeta Mongo / Canibuk

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Curta-metragem de Carlos Oliveira vence concurso promovido pelos Incubus (2007)

Carlos "Kaamuz" Oliveira foi o vencedor do concurso I Dig Incubus. A sua curta de animação foi utilizada no teledisco do single dos Incubus, "Dig", incluído no álbum "Light Grenades".

O guitarrista, Mike Einzinger, em declarações ao Access Hollywood, mostrou-se agradado com a escolha: "É tudo animação. Nós não estamos nele, o que é fabuloso. Ele [Carlos Oliveira] apenas fez o trabalho fantástico de tirar o artwork do nosso álbum e animá-lo numa estória."



Fonte: Rascunho.net

Videos: Versão fã / Video oficial

terça-feira, 13 de julho de 2010

Fernando Pessoa e os Piratas do Tietê

A arte poética de Álvaro de Campos serviu de mote inicial a uma banda desenhada, da autoria do brasileiro Laerte, que ele intitulou "Piratas do Tietê - O Poeta - Com a participação de Fernando (em) Pessoa".

É bem conhecida a intensa admiração dos brasileiros pela poesia de Fernando Pessoa. Todavia, que um autor-artista de "Histórias em Quadrinhos", mais conhecido pela sua tendência humorística, tenha dedicado uma peça de figuração narrativa ao nosso poeta, isso é que talvez seja algo surpreendente, mesmo que ele tenha desenhado uma peça de humor delirante, autêntica lição de como utilizar inteligentemente o "nonsense".

Pirataria é Cultura

Todas as falas do personagem Fernando Pessoa são frases tiradas de poemas de Fernando Pessoa.

Por exemplo, na 1ª vinheta da 1ª prancha:

"(...) Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada" - Álvaro de Campos - "Tabacaria";

3ª vinheta, 1ª prancha: "(...) Eu nem sequer sou poeta: vejo./ Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:/ O valor está ali nos meus versos (...)" Alberto Caeiro - "A espantosa realidade das coisas"; (...)

Eis um bom exercício para todos os admiradores do poeta: localizarem os poemas e respectivos heterónimos, na análise de cada legenda de cada balão, ao longo das vinhetas que compõem as 12 pranchas desta invulgar peça de BD baseada em excertos (extraordinários) de poemas.

Fontes/Mais informações: Geraldes Lins (adaptado)


O Poeta (em "O Regresso dos Piratas do Tietê")

Laerte coloca Fernando Pessoa declamando suas poesias às margens do Tietê, nossa versão poluída do Tejo.

Os Piratas não suportam essa "boiolice" e tentam acabar com o poeta de todas as maneiras possíveis, mas ele sempre acaba escapando de algum jeito mirabolante. Destaque para todas as falas de Fernando Pessoa, que foram tiradas de seus poemas e casam perfeitamente com a trama.

"O Poeta” é a prova que a poesia pode ter mais força do que as armas dos piratas.

Fontes: Por um punhado de imagens / Universo HQ

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Mourinho vira Big Mou em história de Banda Desenhada (2010)

Dos relvados do mundo para a Banda Desenhada ! José Mourinho transforma-se em "Big Mou" na nova colecção da Disney das aventuras do Pato Donald que vai ser lançada em Itália.

O treinador do Inter de Milão é apresentado como "o maior especialista de futebol do sistema solar e além".

"Big Mou" será uma identidade super-crítica e "sabe-tudo" que vive no jogo virtual de futebol Ultimate Mundial que o Pato Donald vai jogar na "Paperstation".

Intitulada "Pato Donald, Paperoga e o Grande Mou" a história tem ainda figuras Quaquà Paperinho (misto de Kaká e Ronaldinho), Paperooney (Wayne Rooney), Giulio Cesar Ottaviano Augusto (Júlio César), Zoltan Abracadamovich (adaptação de Zlatan Ibrahimovich que tem a particularidade de ser um jogador que a meio do jogo muda de camisola e passa a alinhar pela outra equipa) e ainda Diego Armando KaiserFranz Zinedine Paperazzi , super-craque que abarca os talentos de Maradona, Beckenbauer, Zidane e Materazzi.

Fontes: Mediaset / Relvado

terça-feira, 6 de julho de 2010

Novo anúncio da Nike com Cristiano Ronaldo e Homer Simpson (2010)

Cristiano Ronaldo, Didier Drogba, Wayne Rooney e Ronaldinho são alguns dos futebolistas internacionais que protagonizam o novo anúncio da Nike, que foi desenvolvido sob o lema "Escreve o teu futuro".

O vídeo realça a importância que um lance futebolístico pode ter na vida de cada um dos jogadores que o protagoniza, e leva Wayne Rooney, por exemplo, a viver numa roulotte depois de falhar um lance.

Já Cristiano Ronaldo, ao concretizar um lance bem sucedido, garante um futuro mais risonho - à semelhança da realidade - e consegue um estádio de futebol com o seu nome, um filme que coloca Gael Garcia Bernal no papel do avançado e ainda uma participação especial na série ‘The Simpsons'.

O craque português é ainda contemplado com uma estátua... e uma extensa legião de fãs.

Video: Youtube

Fonte: Sapo



quinta-feira, 25 de março de 2010

“Relíquia” de Eça de Queirós em BD (2007)

Lançada em 2007 no Brasil, "A Relíquia" (Conrad Editora) é um bom exemplo de uma adaptação bem conseguida de um romance para quadradinhos [BD] (…) [da autoria] de Marcatti, aliás Francisco A. Marcatti Jr., autor underground brasileiro, nascido em São Paulo, a 16 de Junho de 1962.

(…) Marcatti fez o que deve ser feito numa adaptação: interiorizou o espírito do romance de Eça e o seu peculiar sentido de humor, na sua crítica exacerbada à Igreja Católica, aos seus fiéis fanáticos e às suas crenças e credulidades, tarnspondo-os depois para a (sua) nova linguagem.

A opção de manter "a estrutura da história original" ajudou à consistência do livro, bem como a utilização, nos textos, de "uma mistura de coloquialidade e erudição para facilitar a leitura sem perder o tom clássico da obra", sem que isso o tornasse demasiado denso ou pesado.

Fonte/Mais informações: Pedro Cleto (adaptado)


quinta-feira, 18 de março de 2010

"Lisbonne, voyage imaginaire" de Nicolas De Crécy e Raphael Meltz (2002)

Em "Lisbonne, voyage imaginaire", o traço de Nicolas De Crécy ilustra uma composição de textos (Camões, Voltaire, Alberto Caeiro ou Almada Negreiros) feita por Raphael Meltz.

Protocolo entre o Festival da Amadora e a AFAA

As belíssimas ilustrações de De Crecy foram feitas ao abrigo de um protocolo entre o Festival da Amadora e a AFAA (Association Francaise d'action artistique) que deu ao desenhador a oportunidade de passar um mês em Portugal, recolhendo material para um livro a escrever por Nuno Artur Silva, com edição simultânea prevista para Portugal e França.

A verdade é que, por razões nunca bem explicadas (as versões das diferentes partes estão longe de ser coincidentes...) esse livro, tal como foi inicialmente pensado, nunca chegou a sair, tendo sido convidado o escritor francês Raphael Meltz para escrever as palavras que acompanham as belíssimas imagens de De Crécy.

Viagem Imaginária

Em oposição às pequenas histórias das gentes de Lisboa escritas por Nuno Artur Silva, Meltz optou por uma viagem imaginária, feita a partir dos testemunhos indirectos da inúmera literatura de viagem dedicada à capital portuguesa, onde as (inevitáveis) evocações de Fernando Pessoa dão a caução literária a um texto mais próximo da reportagem da National Geographic do que da ficção de Nuno Artur Silva.

Prova do talento do artista, que evita ao máximo o efeito bilhete postal, as notáveis imagens de um Lisboa despida de gente que De Crecy criou, adaptam-se perfeitamente ao ensaio/reportagem de Meltz.

Fontes: Diário As Beiras; João Miguel Lameiras (em Bedeteca) / Pedro Cleto

terça-feira, 16 de março de 2010

"Lisbonne Carnets" de Dupuy e Berberian (2001)

"Lisboa: Cadernos" é um caderno de viagens semelhantes aos que a dupla Dupuy e Berberian já tinha dedicado às cidades de Barcelona e Nova Iorque, em que captam em traços rápidos e elegantes a vida das cidades por onde passam.

Tendo já superado, de forma brilhante (veja-se a historia de Mr. Jean, "Viagem a Lisboa") a questão da incontornável herança pessoana, Dupuy e Berberian limitam-se aqui a retratar com a sensibilidade que os caracteriza os espaços e as gentes dessa Lisboa que descobriram mais em pormenor aquando da sua passagem pelo Salão Lisboa em 2000.

Fonte: Diário As Beiras; João Miguel Lameiras (em Bedeteca)

"Bons Baisers de Lisbonne" (2002)

Por ocasião do Festival de Angoulême 2002, a editora Cornelius ofereceu aos seus clientes uma série de mini-postais ("Bons baisers de Lisbonne") da autoria de Dupuy e Berberian.

quinta-feira, 11 de março de 2010

“Salade Portugaise” com Lady S em Lisboa (2009)

Foi em "Salade Portugaise", lançado recentemente, que Shania Rivkas, uma jovem estoniana, que trabalha como intérprete no Parlamento Europeu, e às ordens da CIA, sob o nome de código Lady S., chegou a Lisboa para seguir uma pista que a podia levar a reencontrar o pai, que julgava morto, ao mesmo tempo que contribuía para desmantelar um atentado terrorista da Al Qaeda.

Escrito por Jean Van Hamme e desenhado por Philippe Aymond, tem na capa a protagonista em trajos menores, tendo por fundo uma boa perspectiva da cidade e do castelo de S. Jorge, e no interior uma atribulada refeição à sombra da ponte 25 de Abril, uma animada perseguição pelas ruas lisboetas com um eléctrico envolvido e um aparatoso acidente automóvel nos arredores de Sesimbra.

Fonte:Pedro Cleto (adaptado)

Shania e Ralph Ellington, agente da CIA, terão de partir para Lisboa afim de localizarem um indivíduo que afirma ter-se evadido de Zigursk, após a queda da URSS em 1991, e se apresenta como sendo um dos sábios que lá trabalhavam, e chama-se Abel Rivkas, tendo a sua evasão sido concretizada num cargueiro português.

E já no avião da TAP-Air Portugal que sobrevoa Lisboa - estupendo picado sobre uma Praça do Comércio (eu, apesar de republicano, prefiro chamar-lhe Terreiro do Paço) bem visível -, Ralph esclarece, para que Shania não crie falsas esperanças:

"Pelo contrário, ele pode ser um impostor, uma toupeira enviada pelo FSB (serviço de informações russo que substituiu o KGB, esclarecimento dado em rodapé), para descobrir os nossos segredos.

A partir daqui (prancha 13, página 17), a trama desenrola-se em Lisboa, por locais bem conhecidos, uns, outros nem tanto (eu, lisboeta, confesso que embora os reconheça, não me lembro onde ficam alguns deles), em acção num ritmo extremamente bem desenvolvido, com forte dinamismo, até à prancha 37 (página 41).

Finalmente, Shania e seu pai Abel Rivkas estão juntos, mas são perseguidos pelos espiões russos por outras paragens nos arredores de Lisboa - Azoia, por exemplo, como se lê numa placa - até a acção atingir um clímax de violência extremamente bem desenhado, que desagua numa cena de convivência onde participam dois veteranos dos seviços de informação portugueses (SIS?), de nomes Amalia (sem acento agudo no a) e Manoël (com trema, sinal que deixou de existir na língua portuguesa de Portugal após o acordo ortográfico de 1945...).

Fonte: Geraldo Lins (adaptado)

terça-feira, 9 de março de 2010

Lendas portuguesas inspiram "Lo Sposo della Vampira" (2006)

Num registo de terror, habitual nos fumetti (BD italiana) populares da Editora Sergio Bonelli, temos Dampyr, um caçador de vampiros, que, em "Lo Sposo della Vampira" (2006), esteve em Trás-os-Montes, “na localidade de Riba Preta” inspirada em diversas aldeias reais visitadas pelo argumentista Mauro Boselli.

Desenhada por Alessandro Bocci, aborda a lenda do Castelo de Monforte da Estrela, supostamente assombrado por uma vampira, e no final o protagonista é salvo in extremis por um pastor luso, Vitorino Rocha.

Sinopse

A história de Dampyr ambientada em Portugal trata das obsessões pessoais de um director de cinema que, por trás de seu trabalho de direcção, esconde a existência secreta de uma vampira, uma sua antiga antepassada.

Durante a realização do filme no castelo de Trás-os-Montes o director consegue arrastar toda a trupe a um clima de terror até revelar sua verdadeira intenção: devolver à vida a estirpe vampiresca da sua família e tornar-se ele mesmo um vampiro graças à intervenção da antepassada (que, nesse meio tempo, recuperou suas forças graças ao sangue dos membros da equipa). Plano genial! Pena que Harlan e Kurjak fazem parte da equipa, acabam com a vampira e arruínam os planos do director e a sua futura carreira!

Grande rigor dos cenários

Eu vi muitas imagens da região (sim, inclusive os cães dos montes), mas infelizmente nunca estive em Portugal. Se alguém me convidar…

Para a documentação eu usei fotografias tiradas da Internet de lugares que existem (como para a localidade de Riba Preta). No caso do castelo [de Monforte da Estrela], uni várias imagens e dei uma versão pessoal das coisas e paisagens.

Fonte: texwillerblog (incluindo entrevista a Alessandro Bocci)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Hellboy luta contra o mal em Tavira

Quem pensa que o Algarve só é lembrado por estrangeiros em tempo de férias está enganado. O autor norte-americano Mike Mignola decidiu transportar a mais recente aventura de banda desenhada ‘Hellboy’ para a cidade algarvia.

"In the Chapel of Moloch" é o nome da nova obra de Mignola, que, para além de assinar o argumento, também desenha, algo que não acontece desde 2005.

Na primeira página do livro está explícita a localização do herói: “Tavira. Southern Portugal (Sul de Portugal). 1992”.

A acção inicial passa-se numa capela em Tavira, onde Hellboy é chamado para tratar de um pintor que aparenta estar possuído por um demónio. "Quando cheguei cá estava um farrapo. Não come, mal fala e quando fala quase não faz sentido", explica o companheiro do pintor a Hellboy.

Sinopse

A capela de Moloch - Um pintor contemporâneo aluga uma propriedade em Tavira, no sul de Portugal, para preparar sua nova exposição. Para montar o ateliê, o artista opta por uma capela anexa ao terreno - e, logo depois, desaparece. É Hellboy quem recebe a missão de encontrá-lo.

Opinião de F. Cleto e Pina

(…)se podemos considerar de certa forma normal que heróis europeus nos visitem, será mais surpreendente saber que Hellboy, o demónio saído dos infernos que combate nazis, fantasmas e monstros, esteve em território nacional em 1992, como conta “In The Chapel of Moloch" (2008), que tem início nas ruas estreitas de Tavira e utilizou como inspiração a capela de S. Sebastião.


Fontes: Observatório do Algarve / F. Cleto e Pina / Limited edition

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Carlos Lopes na série "The Simpsons" (2001)

Homer Simpson está deitado no sofá à frente da televisão, a ver um programa sobre os grandes feitos na história dos Jogos Olímpicos. No terceiro e último exemplo de heroísmo, surge o nome de Carlos Lopes, com mais um ano do que devia.

- E em 1984, o português Carlos Lopes tornou-se o mais velho corredor da maratona de sempre, com 38 anos

- 38? Essa é a minha idade! Maaarge! Depois de pensar muito, decidi correr a maratona de Springfield.

A partir daqui, o 40º episódio do 12º ano da série, lançado em Fevereiro de 2001, desenvolve-se com Homer a tentar emagrecer para ser igual ao herói português. Carlos Lopes, de seu nome. Campeão olímpico em 1984.


Depoimento de Carlos Lopes

"Essa dos Simpson apanhou-me desprevenido. Não fazia ideia! Mas fique claro que a minha barriga ainda é menor que a do Homer", graceja o atleta.

"É mais uma forma de me valorizar. Entrar nos Simpsons é uma honra. E essa questão da idade também serve para dar uma lição a quem se afunda perto dos quarenta, a quem se deixe apanhar pelo pessimismo e depressão pela proximidade desse idade. (...)

Olhe, ganhei a maratona e o recorde desse dia (2h09m21) só caiu em 2008, nos Jogos Olímpicos de Pequim." Pois, com 38 anos, como dizem no tal episódio dos Simpson. "Não, não. Tinha 37 e meio. Mas como é para os Simpson até desculpo..." (...)

Volta ao mundo

O ouro deu a volta ao mundo. Pela idade de Carlos Lopes, pela categoria da vitória, pela simplicidade do seu comportamento. Até foi visita de Ronald Reagan, na Casa Branca, e do rei Juan Carlos, no Palácio Real em Madrid. Pessoas importantes, mas nenhuma delas é um Homer Simpson.

Fonte: jornal i

Imagens disponibilizadas no youtube por C4pt0m3nt3 ("vinho, ronaldo e vasco da gama")