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segunda-feira, 15 de junho de 2015

O Vinho da Madeira na literatura mundial


O Vinho é um tema que atrai a atenção de todos, cativando, de forma especial, também poetas e literatos. O Vinho da Madeira é, como muito dos licorosos, um caso singular na História e na Literatura.

As referências literárias e artísticas ao vinho Madeira estão circunscritas aos principais espaços consumidores, em que se destacam os Estados Unidos da América e o Reino Unido. A sua referência tanto surge em textos, em prosa e verso, que descrevem épocas determinadas, ou através do testemunho de viajantes e de guias, que desde o Século XIX, que divulgam as potencialidades turísticas da ilha.


De todas a referência mais frequente e valorativa acontece na obra de Shakespeare, o que demonstra a importância que este vinho assumiu no quotidiano britânico, quer no meio da aristocracia, que na agitada vida dos pubs londrinos.

Na Europa, excepção feita ao Reino Unido, é na Rússia e na França que estas referências surgem com maior frequência, dando conta que o vinho estava presente nos ambientes mais requintados da sociedade.


 Reino Unido

Na peça "Henrique IV" de William Shakespeare, Falstaff é acusado de trocar a sua alma por uma perna de frango e um cálice de vinho da Madeira.

Outro caso dá-se em 1478 e é o da condenação à morte de George de York, Duque de Clarence, irmão de Eduardo IV e Ricardo III, que escolheu alegadamente ser afogado dentro de um tonel de vinho (que a lenda ser da Madeira, da casta Malvasia, contudo na peça "Ricardo III" apenas se refere malvásia, sem qualquer pista da sua proveniência).


Jane Austen (em “Mansfield Park” e “Emma”), Charles Dickens (em “Bleak house”, onde é referido que é agradável beber o vinho Madeira com pão doce e pudim, mas também em “Little Dorrit”, “Our Mutual Friend”, entre outros),  Robert Smith Surtees (em “Handley Cross” bastava uma garrafa de malvásia da Madeira) ou Walter Scott (em “The Antiquary”) são outros bons exemplos de referências literárias.


Rússia

No caso russo, Dostoievsky (1821-1881) ou Leon Tolstoi (1828-1910) são exemplo de referências literárias ao vinho Madeira.

Em “Crime e Castigo” lamenta-se a pouca variedade de vinhos e a falta imperdoável do “Madeira”, enquanto que Tolstoi faz referência a um "Madeira seco" em "Guerra e Paz" e na novela "Os Invasores" fala de um genuíno Madeira no casco, de 1842.



França

Mais abundantes são as incidências da literatura francesa do Século XIX, podendo-se associar o vinho Madeira a escritores famosos como Balzac (em “Les Paysans” e “La Peau de chagrin”), Jules Verne (em “Os filhos do Capitão Grant”), Sade (em “Justine”), Alexandre Dumas (em “20 anos depois”), Guy Maupassant (em “Bel-Ami” e “La parure e outros contos parisienses”), Flaubert (em “Correspondência”) ou Chateaubriand (“Mémoires d’Outre Tombe”).

Segundo Anatole France, em “Le Petit Pierre”, o vinho Madeira acompanha bolos secos e apenas “un doigt de vin de Madere anima les regards, fit sourire les levres”.

Victor Hugo faz referência, em "Os Miseráveis", ao vinho da Madeira, da colheita de "Curral das Freiras", a trezentas e dezassete toesas acima do nível do mar, que era bebido tranquilamente por umas senhoras.

Já para Alfred Musset o Madeira caia bem com uma asa de perdiz. Mas Proudhon queixa-se que este vinho e outros europeus não estão acessíveis a todo o povo.


Estados Unidos da América

A produção de vinho foi estimulada pela necessidade de abastecer os navios nas rotas do Atlântico para o Novo Mundo e para a Índia, e pela presença dos ingleses na ilha, que fizeram com que o vinho fosse conhecido em toda a Europa e América, tornando-se o vinho preferido em banquetes e mesas requintadas das cortes europeias e nas respectivas colónias. Por exemplo, foi com vinho da Madeira que em 4 de Julho de 1776 se brindou à independência dos Estados Unidos da América, provavelmente porque era o vinho de eleição do estadista Thomas Jefferson.

Segundo Nathaniel Parker Willis, em "Dashes at Life", o Vinho Madeira era conhecido como vinho de casamento.

Em "A Narrativa de A. Gordon Pym", Edgar Allain Poe refere o Capitão Joel Rice da escuna Firefly, que partiu de Richmond, Virginia, para a Madeira, no ano de 1825, com uma carga de milho. E fala de uma carga de "three gallons of excellent Cape Madeira wine".

Ricahard Penn Smith em “The Forsake: A tale” menciona "muitas pipas de bom vinho velho da Madeira".

James Fenimore Cooper, em “Afloat and Ashore” refere o “East India Madeira” que era conhecido na ilha como vinho de roda e era conhecido pela designação inglesa devido ao facto de fazer a viagem desde o Fuchal às Índias Ocidentais e o retorno a Londres. A dupla passagem pelos trópicos atribuía-lhe um envelhecimento prematuro que era do agrado dos ingleses. Já em”The Ways of the Hour” (1850) o vinho Madeira, certamente o “seco”, era bebido frio ou com pedra de gelo.

Herman Melville (em “White Jacket” de 1850) é outro dos exemplos.

Fontes/Mais informações: Alberto Vieira em "O Vinho Madeira. Valorização e importância económica e social através dos testemunhos da literatura e arte" / Revista Essential Madeira Islands / wikipedia / Looorock  

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Referência a Vinho Madeira em “Privateering” de Mark Knopfler (2012) e “Have a Madeira My Dear” de Flanders & Swann (1956)


Corsários, mulheres bonitas e vinho Madeira. Estes são os ingredientes de uma nova música de Mark Knopfler, vocalista conhecido dos Dire Straits. A música dá pelo nome de “Privateering”, a qual, curiosamente, dá o nome ao álbum, lançado em Setembro de 2012.

A referência ao vinho Madeira repete-se várias vezes ao longo da música, cuja letra refere a vida aventureira dos corsários ao serviço da coroa britânica. Um corso, ou corsário, era um pirata que através da carta de corso de um governo, era autorizado a pilhar navios de outra nação. Com os corsos, os países podiam enfraquecer os seus inimigos sem suportar os custos relacionados com a manutenção e construção naval.

O corso (Privateer) surge-nos como um herói aventureiro com uma vida boémia e de luxúria da qual fazia parte o famoso e irresistível Vinho Madeira.


Mas esta não terá sido a única vez que o Vinho Madeira inspirou letras de músicas que se tornaram célebres um pouco por todo o mundo. O famoso duo cómico inglês Flanders and Swann começou a interpretar em 1956 as suas canções em duas revistas, “At the top of a hat” e “At the top of another hat”. “Have a Madeira My Dear” foi celebrizado na primeira dessas revistas e a letra fala de um velho que seduz uma jovem com a ajuda do Vinho Madeira.

A peça estreou-se em 1960 no West End, em Londres e foi um sucesso que percorreu vários continentes até à Austrália e América. Nos Estados Unidos foi um sucesso estrondoso da Brodway.  O refrão Madeira My Dear “ficou no ouvido” um pouco por todo o mundo, particularmente de muitos ingleses e americanos, até aos nossos dias.


"Madeira my Dear" foi igualmente interpretada por muitos outros artistas como Tony Randall ou os holandeses Ted de Braak e Johnny Jordaan.

Fontes: IVBAM / wikipedia / Funtrivia 

Letra de "Privateering"

(...)
To lay with pretty women
to drink Madeira wine
to hear the roller’s thunder
on a shore that isn’t mine
Privateering, we will go
Privateering, Yoh! oh! ho!
Privateering, we will go
Yeah! oh! oh! ho!

Video: Youtube 

Letra de "Have a Madeira My Dear"

She was young, she was pure, she was new, she was nice
She was fair, she was sweet seventeen.
He was old, he was vile, and no stranger to vice
He was base, he was bad, he was mean.
He had slyly inveigled her up to his flat
To view his collection of stamps,
And he said as he hastened to put out the cat,
The wine, his cigar and the lamps:

Have some madeira, m'dear.
You really have nothing to fear.
I'm not trying to tempt you, that wouldn't be right,
You shouldn't drink spirits at this time of night.
Have some madeira, m'dear.
It's really much nicer than beer.
I don't care for sherry, one cannot drink stout,
And port is a wine I can well do without...
It's simply a case of chacun a son gout
Have some madeira, m'dear


Videos: Flanders & Swann / Tony Randall (no Carol Burnett Show) / Ted de Braak (NL)



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Restaurante "Aldea" do Chef George Mendes

Natural de Danbury, Connecti cut, o luso-americano George Mendes estudou no Culinary Institute of America e estagiou em restaurantes em Nova Iorque, Paris e Washington. Em 2003, mais um estágio, agora em restaurantes espanhóis de três estrelas Michelin: Berasategui e El Bulli. No regresso a Nova Iorque, o luso-americano é contratado como chefe de cozinha do Tocque-ville.

Em pouco tempo, os seus pratos, reinventados a partir da cozinha tradicional portuguesa, ficaram famosos e o seu restaurante "Aldea", inaugurado em 2006, em Manhattan, virou lugar da moda.

Em menos de um ano, tornou o seu restaurante uma referência e viu o seu elogiado arroz de pato (rice with duck and apricots) aparecer com outro nome nas revistas da especialidade.


Aldea

A New York Magazine apontou o Aldea - que abriu portas um ano antes em Manhattan- como um dos 50 restaurantes a não perder na cidade. Entre outras coisas, pela qualidade do seu arroz de pato.

Após o seu restaurante ter ganho a primeira estrela Michelin, o luso-americano é um dos chefes seleccionados para a terceira edição do reality show "To Chef Masters". Antes da participação televisiva, é nomeado - sem contudo vencer - para o prémio de melhor novo chefe do ano pela revista Time Out.


Arroz de pato

Um crítico gastronómico da New York Magazine, com certa arte para a metáfora, provou o arroz de pato de George Mendes e ficou deveras encantado. E manifestou assim esse contentamento: "É uma ode fumegante, crocante, cheia de texturas", de sabor "à moda antiga e caseiro". Eis a especialidade do restaurante Aldea, no centro de Manhattan, que aparece na referida revista como sendo uma "criação do género paella".


A receita para o sucesso

"O que fiz foi pegar nas receitas de cozinha portuguesa que aprendi com minha mãe e experimentar até poder assinar o que é o meu estilo". Ou seja, George Mendes recupera pratos como o arroz de pato, guisados ou assados, receitas antigas da culinária portuguesa, e fez depois uma "interpretação" pessoal.

A viagem por sabores diferentes, revela numa recente entrevista, tem início em Portugal. Mas não se esgota nesta geografia. "Começo com um ingrediente que tem história em Portugal, depois gosto de viajar. Tenho grande apreço pela cozinha japonesa, do Vietname, das antigas colónias portuguesas, como Macau e Goa"

Fontes: DN – Francisco Mangas / Sapo / Aldea /

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Bem-Vindo ao "Oporto"


Oporto" é uma cadeia de restaurantes, de origem australiana, especializada (tal como o "Nando's" que foi fundado no mesmo ano na África do Sul) em comida rápida de influência portuguesa, com destaque para o frango com piri-piri.



Como tudo começou ?

O primeiro restaurante "Oporto" foi fundado em 1986 por Antonio Cerqueira, um imigrante Português, em North Bondi, Nova Gales do Sul (Austrália).

As suas "receitas secretas" eram inspiradas claramente na tradicional cozinha portuguesa.

O restaurante chamava-se inicialmente "Portuguese Style Bondi Charcoal Chicken", tendo posteriormente sido "rebaptizado" como "Oporto" em referência ao nome da cidade do Porto.


Mais de 300 lojas em todo o mundo

A primeira franquia foi inaugurada em 1995, tendo sido premiado, em Janeiro de 2005, pela Business Review Weekly, como a rede de franchising de mais rápido crescimento na Austrália.

Em 2007 já havia 74 lugares em Nova Gales do Sul, 10 em Queensland, 5 em Vitória, 3 em ACT (centro), 2 no Sul da Austrália e 6 na Nova Zelândia. Em 2008 existiam mais de 300 lojas "Oporto" em todo o mundo.


Alguns destes restaurantes são conhecidos por "Oporto Express" e oferecem uma menor diversidade de produtos.

Uma das especialidades é o Oprego burger.

Fontes: Oporto / wikipedia / Smh

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Nando's: de Joanesburgo para o mundo


Nando's é uma cadeia de "fast food" sul-africana - mas que se apresenta como portuguesa.


A Nando's foi fundada em 1986, na cidade de Joanesburgo, por Fernando Duarte (a origem do Nando's), natural do Porto, que chegou à África do Sul com quatro anos, e Robbie Brazzin.

Os 2 promotores decidiram comprar e transformar um restaurante local de "take-way" que vendia o famoso frango assado temperado com o não menos famoso molho piripiri (a que o Nando's chama peri-peri), entre muitas outras coisas.


Como tudo começou ?

O primeiro restaurante Nando nasceu em Setembro de 1987, num pequeno subúrbio de Joanesburgo chamado Rosettenville. Esta localidade era, à época, o coração da comunidade portuguesa naquela cidade sul-africana, sendo que a maioria tinha acabado de chegar de Moçambique e tinha saudades dos pratos de comida portuguesa.

Ao longo dos anos, o prato mais vendido foi sempre o mesmo: nenhuma outra receita conseguiu bater o meio-frango com piri-piri. "Era um dos pratos favoritos dos portugueses em Moçambique. Foi a junção do frango com o picante, produto tipicamente africano, que criou o prato mais vendido do Nando´s", conta Fernando Duarte.


Aparentemente, o frango assado com o molho piripiri, as cervejas Sagres, as águas do Luso e os pastéis de nata aliados à decoração "kitsh" agradaram a todos os estratos da população.

Em pouco tempo o Nando's tinha seis unidades na África do Sul. E até o então presidente Nelson Mandela dizia preferir uma refeição Nando's a um banquete de Estado.

Nando's através do mundo

A cadeia Nando´s tem mais de 700 estabelecimentos, próprios e franchisados, espalhados por 33 países. Um feito que faz da marca a segunda maior cadeia de restaurantes de frango do mundo, a seguir à Kentucky Fried Chicken.

Em Inglaterra, a cadeia conta com 170 lojas e é a partir deste país que a marca quer crescer para França, Espanha e Portugal. Nas nações árabes, como Paquistão, Oman e Qatar, o êxito é ainda mais visível. Chegam a ser servidas 30 mil refeições diárias e o número de vendas até nem diminui na época do Ramadão.


Símbolos portugueses

O Nando's tem como símbolos o galo de Barcelos e o escudo da bandeira portuguesa e os restaurantes apresentam-se decorados com esses símbolos e outros objectos do estereotipado "português rústico" (incluindo coloridas ementas com erros ortográficos).

"O facto de o galo se levantar e cantar faz-nos identificar com os valores da marca do Nando's", diz o empresário. Já o escudo é "um símbolo que promete dar a qualidade e o sabor que todos os clientes esperam e é também uma forma de ligar a marca a Portugal", assegura.

Fernando Duarte é dos poucos portugueses a integrar a administração de uma empresa que se quer apresentar como a quinta-essência da portugalidade.




Portugasm em Barcelos

A cadeia do galo de Barcelos promoveu na Austrália a campanha Portugasm, ou seja, o estado sublime alcançado por comer frango assado português com piri-piri.

O Instituto de Rejuvenescimento e Descontração Portugasm (PERI = Portugasm Enlightenment and Rejuvenation Institute), gerido por Grand Master Fernando, localiza-se (ficcionalmente) em Feitos no concelho de Barcelos.

Se for inoportuna a viagem entre a Austrália e o Instituto, o Portugasm pode ser alcançado por um jantar de frango Peri-Peri num restaurante Nando's.



Campanha sul-africana


Fontes: Mundo Português / Expresso / Guedelhudos / Nandos / RollerBarcelos / Portugasm

terça-feira, 12 de julho de 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Eça e Portugal na visão do brasileiro Dário Castro Alves


Dário Castro Alves (1927-2010), antigo embaixador do Brasil, escreveu "Era Lisboa e Chovia" (1985), "Era Tormes e Amanhecia" (1992) (dicionário gastronómico baseado na obra de Eça de Queiroz), "Era Porto e Entardecia" (1994) (dicionário de enologia da obra do mesmo autor), e ainda "Luso-Brasilidades nos 500 anos".

Dário Moreira de Castro Alves, reuniu no livro "O Vinho do Porto na Obra de Eça de Queiroz”, tudo o que o escritor diz sobre o vinho fino do Douro.


Como surgiu a ideia de abordar a obra de Eça ?

Notava eu que muitos e muitos brasileiros que passavam por Lisboa, onde eu servia como Embaixador, sabendo que eu tinha interesses em Eça de Queiroz me vinham perguntar onde se deram tais e tais cenas, presentes nos grandes romances de Eça – "Os Maias", "O Primo Basílio", "A tragédia da Rua das Flores", "A Capital" e outros.

Perguntavam tudo, minuciosamente. Dinah [sua esposa, a famosa escritora Dinah Silveira de Queiroz] então me assinalou que seria um tema interessante, considerando que Eça era uma personalidade viva na sensibilidade brasileira.

Eça era Lisboa, e ninguém a decantou mais fortemente como escritor do que ele. Além do mais havia o lado propriamente brasileiro. O Brasil estava atrás de toda a vida lisboeta. Raspando-se um pouco as velhas paredes de Lisboa, se dá no Brasil. Isso é um facto.


"Era Lisboa e chovia"

O primeiro foi "Era Lisboa e chovia", um roteiro cultural, histórico, literário e sentimental construído a partir da obra de Eça de Queiroz. Modéstia à parte, trata-se de um livro não superado quanto ao tema.

A longínqua explicação para o título vem de Alfredo Valadão, eciano fanático, que adorava explicar o sentido profundo, profundíssimo, de porque Eça escolhera falar de Lisboa.

E naquele trecho de A capital, em que o grande autor registra a fase altamente irônica de que "era Lisboa e chovia", queria dizer o seguinte: Fradique vinha de Paris, granfinérrima cidade das luzes, e chegava à suja estação de Santa Apolônia, em Lisboa, em lúgubre madrugada.

Surge então a frase que ficou famosa, em que dizia "além de ser Lisboa, ainda chovia". Era, pois, o fim...


"Era Porto e entardecia" e "Era Tormes e amanhecia"

Em "Era Porto e entardecia" são listadas todas as bebidas mencionadas por Eça, do absinto à zurrapa.

E por fim "Era Tormes e amanhecia" é um completo dicionário gastronômico cultural, com o nascimento literário de Eça de Queiroz na região do D´Ouro.


"Luso-Brasilidades nos 500 anos"

Com uma perspectiva universalista, Castro Alves levou por diante uma importante valorização do espaço lusófono, partindo de uma dimensão histórica para reconhecer nesse legado uma dimensão actual: "Brasil - Portugal. 1500-2000" e, no mesmo ano, "Depois das Caravelas. As Relações entre Portugal e o Brasil. 1808-2000" constituem exemplo do estudo em que baseava uma convicção empenhada.


Depoimento de Jorge Amado

Dario sabe Eça de cor e salteado e ninguém sabe mais em Lisboa do que esse ex-embaixador que fez da diplomacia uma escola de convivência, de verdadeiro intercâmbio cultural: letras e artes, vinhos e comidas. O que deveriam fazer todos os embaixadores e em geral não fazem.

Fontes: Blog de Dário Alves / Triplov / Da praia da Granja / Culturas e afectos Lusófonos / Embaixada de Portugal no Brasil

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Os Portugueses e a Formação da América

Portugal construiu desde cedo uma das mais altas taxas de migração da Europa, e os primeiros portugueses a chegarem à América parecem ter sido judeus fugidos à Inquisição – em "Os Portugueses e a Formação da América" (2001), Manuel Mira defende a tese do pioneirismo dos melungos, uma aparente mistura de etnias que se terá formado em Portugal e começou a chegar à América ainda no século XV, instalando-se nos Estados à volta dos Montes Apalaches.

Mas só mais tarde, com a indústria da caça à baleia, se estabeleceram padrões de emigração. No século XIX a maioria dos imigrantes, quase todos agricultores ou pescadores, não vinha do Continente mas dos arquipélagos da Madeira, de Cabo Verde e (sobretudo) dos Açores, que ficavam no limite das rotas efectuadas pelos navios baleeiros, fundeados à procura de provisões e novos tripulantes – muitos navios apenas chegavam a meio do Atlântico, tornando o fenómeno ainda mais evidente nas ilhas ocidentais dos Açores: Corvo, Flores, Faial, Pico e São Jorge.

Noventa e nove por cento da imigração portuguesa na América vinha das ilhas, dizem alguns compêndios – e, se isso é um exagero, o facto é que a Califórnia é muitas vezes chamada “a décima ilha dos Açores”.

Influência portuguesa nos EUA

A obra, com 424 paginas, 119 ilustrações e mais de 700 nomes e suas origens, mostra a presença e a influência portuguesa nos E.U.A. nas mais variadas áreas como o folclore, a gastronomia ou mesmo a Língua, levando o leitor a mergulhar por vezes num baú de inéditos e de histórias só agora vindas a lume.

Um desses exemplos relatados no livro revela a existência de, pelo menos, 38 palavras inglesas derivadas da Língua Portuguesa como é o caso dos vocábulos firm (firma), typhoon (tufão) ou tank (tanque).

Também na área da gastronomia, o autor foi desencantar algumas das comidas mais populares do sudoeste dos EUA e que fazem parte dos hábitos alimentares dos portugueses, descobrindo que uma cadeia de restaurantes na Carolina do Norte serve nabiças com presunto e salada de feijão frade, dois pratos tipicamente lusitanos.

Fontes/Mais informações: Joel Neto / Portugallie.blog / Amazon

terça-feira, 23 de março de 2010

"A Soma de Tudo” de Lourenço Mutarelli (2002)

"A Soma de Tudo" é a primeira parte último volume da trilogia que o brasileiro Lourenço Mutarelli consagra ao detective Diomedes, o qual prossegue em Lisboa a sua busca do grande Enigmo, um velho mágico cuja sombra se atravessa com frequência no seu destino.

Desta vez, o detective acidental vem a Lisboa em busca de um industrial brasileiro desaparecido e da sua amante portuguesa, mas acaba por se comportar como mais um vulgar turista, dividido entre as conversas com a estátua de Pessoa, na Brasileira, e os pastéis da Fábrica de pastéis de Belém, ficando o desenvolvimento de uma história que envolve sacrifícios rituais no Oceanário e uma seita maçónico/esotérica, adiado para o próximo álbum.

Festival da Amadora

Quando comecei a escrever o roteiro deste que seria o último volume da trilogia, fui convidado para lançar "O Dobro de Cinco" no Festival de Amadora, Portugal. Passei uma semana entre Amadora e Lisboa e posso garantir que foram os dias mais encantadores e mágicos que vivi.

Amadora recebeu-me com tanto respeito e carinho que nunca poderei esquecer. Ampliaram vários desenhos meus pelas paredes, onde minha obra estava exposta, na sala "Mutarelli", um imenso Diomedes me aguardava.


Fascínio por Lisboa

Lisboa é fascinante. Lisboa é impregnada por duas palavras-chaves: Magia e Saudade.

Como nesta trilogia a busca de Diomedes é basicamente a resposta para a questão se há ou não magia, achei mais do que oportuno incorporar essa viagem à trilogia.

Dessa forma, a história começou a se ramificar, a apontar novas possibilidades, e eu resolvi seguir essas possibilidades. Resolvi seguir essas idéias, em vez de sacrificá-las e, assim, a história desdobrou-se. Por isso, decidi dividir este último livro, A Soma de Tudo, em dois volumes.

Opinião de João Miguel Lameiras

(...) se esquecermos o português telenovelesco falado pelos lisboetas desta história temos uma bela homenagem a Lisboa, que se lê com agrado, cheia de piscadelas de olho, como a presença de dois elementos da Pior Banda do Mundo, de José Carlos Fernandes, no aeroporto, ao lado de Tintin e do Professor Tournesol, ou a própria capa, que remete directamente para "O Fado" de Malhoa.

Fontes: Diário As Beiras; João Miguel Lameiras (em bedeteca) / Universo HQ

Mais informações

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Sabor luso em "Sabor da Paixão" (2002)

O português Miguel Maria Coelho (o actor brasileiro Lima Duarte) é o proprietário do Flor do Douro e administra o bar como se fosse sua segunda família. Após a morte de Miguel Coelho, é a sua filha Diana a assumir o seu lugar à frente da família Coelho.

Para tal, encara novos negócios e desafios. Mas a sua única saída para os problemas financeiros da família é receber umas terras da herança deixada a seu pai por um parente distante em Portugal.

Corre atrás da herança e uma vida inteiramente diferente da que até então levava. Numa noite de festa na Lapa, antes de partir, Diana conhece Alexandre Paixão, um "bon vivant", sócio de um vinhedo em Portugal.


O destino de Alexandre e Diana acaba por se cruzar novamente em Portugal. Diana descobre que as terras herdadas produzem o melhor vinho da região e que foram ocupadas indevidamente por outra pessoa: Zenilda Paixão.

Como o processo para reaver as terras é lento e demorado, Diana precisa ganhar dinheiro para voltar ao Brasil e decide trabalhar na colheita das uvas. Mas o que Diana não sabe é que Zenilda luta por seus interesses ao saber que ela tenta reaver as terras ocupadas indevidamente pela família Paixão. E que Alexandre, seu príncipe encantado, é filho de Zenilda Paixão.

Cenários lusos

As cenas de Zenilda na Quinta da Paixão foram gravadas em Portugal onde uma verdadeira quinta (Quinta da Pacheca) foi utilizada como cenário. Lá também foram feitas as imagens de colheita da uva, na região do Porto e do Vale do Douro.

Actores portugueses

Sabor da Paixão contou com a participação dos atores portugueses Duarte Guimarães, Elisa Lisboa e Maria João Bastos.



Fontes: Revista Focus / "Azul-Novela e Arte" / Página Oficial "Sabor da Paixão"

Video: "Sabor da Paixão" (genérico)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

"Menina da Ria" de Caetano Veloso (2009)

O cantor brasileiro Caetano Veloso cumpriu a promessa e dedicou uma música à cidade de Aveiro, pela qual ficou apaixonado quando passou por Portugal. "Menina da ria" é um dos doze temas do novo álbum "Zii e Zie" e surge trinta anos depois do músico ter gravado "Menino do rio", no álbum "Cinema Transcendental".

Caetano Veloso recordou que "Menina do ria" resulta de uma promessa feita ao público que esteve num concerto seu em Aveiro em 2008.

A ria "é uma característica da cidade. É muito bonita. Todo o mundo fala 'a ria'. Eu comentei na hora do show, só de violão: eu vou fazer uma música chamada 'Menina da ria'. Eles riram muito, aplaudiram, fiquei com esse compromisso, cheguei no Brasil e fiz", explicou Caetano Veloso.

A letra faz referência aos barcos da ria, aos ovos-moles, aos prédios art-nouveau.

Fonte: Visão
Letra

Uma moça de lá do outro lado da poça
Numa aparição transatlântica
Me encheu de elegante alegria
(Ai Portugal, ovos moles, Aveiro)
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria

E uma preta (parece que eu estou na Bahia)
Tão linda quanto ela e dizia
No seu português lusitano:
"Pode o Caetano tirar uma foto?"
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria

Arte Nova, um prédio art-nouveau numa margem
Em frente à marina-miragem
Os barcos na Ria, e depois
Uma taça
Sobre o púbis glabro, um estudo
Nenhum descalabro se tudo
É sexo sem sexo em nós dois
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria


Ligação: Video (ao vivo)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Personagens e amigos portugueses na obra de Jorge Amado


Uma das minhas diversões durante o trabalho duro e difícil do romance é colocar nomes de amigos nos personagens: a um frade cachopeiro e mandrião baptizei com o nome de Nuno Lima de Carvalho [jornalista português], todo o contrário: burro-de-carga no trabalho, não respeita domingo nem feriado, ex-seminarista casto permanece pudico e só reza missa no altar de Santa Clarinda, esposa e mártir.

Natário da Fonseca, jagunço e capitão da Guarda Nacional, herdou o prenome de um pasteleiro, notabilidade de Viana do Castelo, siô Manuel Natário, o dos pães-de-ló.


Manuel Natário

Manuel Natário, o dono da pastelaria, diz-nos que "até gostou" de ser jagunço no livro: "Ele fez aquilo com muito gosto". E porque a amizade entre os dois não permitia melindres. Nem amuos. Mas o verdadeiro retrato do amigo minhoto, deixou-o Amado na dedicatória que lhe fez em Tocaia Grande: "Manuel Natário, capitão de doces e salgados, comandante do pão-de-ló, mestre do bem-comer".

"[Jorge Amado] viu na Senhora d'Agonia a sua Iemanjá. E Viana fez de Jorge Amado e sua mulher seus cidadãos honorários. Mas a peregrinação também se fez ao Santuário de Manuelzinho Natário. Zélia e Jorge Amado não se rogaram. Ficaram mesmo fregueses. Fez mais.

Passou à posteridade chamando-o para a personagem mais importante de seu último romance, "Tocaia Grande", na figura destemida de Capitão Natário. E não se ficou por aqui. Com os paladares avivados, quis que o Presidente Sarney e D. Marly no Palácio da Alvorada, provassem deste pão-de-ló de Viana. E foram muitos pãos-de-ló que emigraram até Brasília pela mão de Lima de Carvalho e Jorge Amado"


Nuno Lima de Carvalho

Nuno Lima de Carvalho conta à Antena1 que conheceu o escritor em 1980 e acompanhou-o nas suas viagens por Portugal. Este galerista português inspirou a personagem de um frade que namorava com uma freira às escondidas. Apareço como um frade cachopeiro, Frei Nuno de Santa Maria, que ia celebrar missa todos os dias a um Convento, onde tinha lá uma freirinha que se entretinha depois com ele atrás da torre da igreja.

Conheceu Jorge Amado na casa de José Franco, artista popular de Mafra.


José Franco

Segundo Zélia Gattai na sua autobiografia, Jorge Amado conheceu José Franco, quando visitou a aldeia típica na companhia de Beatriz Costa e Francisco Lyon de Castro nos fins dos anos 60, tornando-se grandes amigos a partir daí. Jorge Amado visitava José Franco, a quem chamava queridinho, sempre que se deslocava a Portugal e a sua casa em Salvador é decorada com peças do artista português.


Álvaro Salema

Em "Navegação de Cabotagem" (apontamentos para um livro de memórias que jamais escreverei", Jorge Amado faz referência a muitos amigos portugueses, como Álvaro Salema que descreve como «O homem mais modesto, o mais tímido, o mais corajoso, o mais leal, o mais digno, Álvaro Salema. Em silêncio se retirou de cena, pouco antes do final da tragicomédia, personificava a decência, já não tinha lugar no palco.»

Álvaro Salema publicou em 1982 o livro "Jorge Amado: o homem e a obra presença em Portugal". Nesta obra é abordado o que representou a obra de Jorge Amado em Portugal, antes e depois de ser considerado um escritor "maldito", excomungado, proibido, e a influência que ela exerceu sobre várias gerações. E é acrescentado também o que é o portuguesismo de Jorge Amado no sentido da sua ligação a Portugal, do que ele já conhece do país e da sua gente.


Arroz doce

A receita de arroz doce utilizada por Zélia Gattai foi-lhe dada por Elisa Salema, esposa do escritor português Álvaro Salema. Segundo o livro organizado por Paloma Jorge Amado, come-se arroz-doce nas obras “Cacau“, “Jubiabá“, “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e “O Sumiço da Santa“.


Lisboa - Luanda - Bahia

Em Navegação de Cabotagem, quando evoca a sua ida a Angola a convite de Agostinho Neto, em 1979, diz que ao percorrer as ruas de Luanda ou de Lisboa não se sente no estrangeiro – «Luanda, uma das faces da Bahia, a outra é Lisboa». 

Jorge Amado tinha com Portugal uma relação especial. Amigos, muitos – Ferreira de Castro, Álvaro Salema, o Chico, (Francisco Lyon de Castro, o editor que mais obras suas publicou, dono de Publicações Europa-América) Beatriz Costa, Fernando Namora, Mário Soares, Ramalho Eanes, Mimi, a dona do modesto restaurante do Parque Mayer, que Jorge preferia a estabelecimentos de luxo. 


Sangue Português misturado com o brasileiro

E, se nos romances amadianos quase não há referências a Portugal, a situações aí passadas e a personagens portuguesas, a justificação pode ser encontrada na dedicação quase exclusiva do escritor ao universo baiano da região cacaueira e de Salvador, onde, como ele mesmo explica, na época em que se passam as suas histórias, os portugueses não existiam como imigrantes, embora houvesse sangue português misturado com o brasileiro:

"Em Ilhéus o sangue português estava no sangue sergipano, aqui na Bahia no sangue dos mulatos, da gente da Bahia, do povo. Ao lado disso, havia os árabes [...], imigrantes que tinham chegado mais tarde. A Bahia foi a capital do Brasil, uma cidade portuguesa. Os portugueses iam para lá até uma certa época, depois isso deixou de acontecer, os portugueses chegavam às centenas de milhares para o Rio e São Paulo. Mas não para a Bahia. [...] Há na Bahia mil e poucos portugueses, todos ricos – ricos, quer dizer, não «trabalhadores», são pessoas com comodidades(AMADO, 1992, p. 161-162).


Referência a "O Crime do Padre Amaro" em "Gabriela, Cravo e Canela" (1958)

A personagem Malvina luta para escapar do futuro que lhe é reservado. Um futuro que inclui casamento e filhos e não uma faculdade e trabalho, como gostaria. Malvina quer ser livre. A jovem conquista um grau de autonomia incomum ao seu ambiente através da leitura. Compreendemos aqui a leitura como um ato de transgressão das normas, já que ela lê livros considerados proibidos para mulheres.

Entre as obras lidas por Malvina e tidas como “impróprias” pelos frequentadores da Papelaria Modelo, ponto de encontro dos intelectuais de Ilhéus, está "O Crime do Padre Amaro", de Eça de Queirós.

A leitura, apesar de emancipadora, é vista como “degradante”, pela sociedade patriarcalista da cidade onde transcorre o romance. O acto de ler é, para Malvina, libertador e, ao mesmo tempo, transgressor. (...)


Uma passagem do livro sintetiza nossa ideia da emancipação feminina de Malvina através da leitura. Quando a personagem e suas colegas entram na Papelaria Modelo, Malvina escolhe folhear os títulos de Aluísio de Azevedo e Eça de Queirós, enquanto as demais buscam os livros da Biblioteca das Moças.

Uma colega diz a Malvina que na sua casa tem "O Crime do Padre Amaro" e que, ao tentar lê-lo, seu irmão “disse que não era leitura pra moça”. Malvina fica revoltada e revida: “Por que ele pode ler e você não?”. Malvina compra o romance e desencadeia duas reacções, uma instantânea e outra posterior. A primeira são os comentários dos frequentadores da loja. “Essas moças de hoje... até livro imoral elas compram”, diz um homem. A segunda reacção veio do pai de Malvina, o coronel Melk. O pai vai até a loja e pede ao livreiro João Fulgêncio que não venda mais livros para Malvina que não sejam “de colégio” porque “os outros não servem para nada, só servem para desencaminhar”. Como punição pela audácia, Malvina recebe uma sessão de espancamento com rebenque do coronel."


"Os Velhos Marinheiros ou os Capitães de Longo Curso" (1961)

"Vindo ao mundo na cidade da Bahia em 1868 e órfão aos cinco anos, Vasco Moscoso de Aragão foi criado pelo avô materno, o rico comerciante de origem lusa José Moscoso, que o retira da escola com a idade de apenas dez anos e o mete na casa comercial. Todavia, o pupilo não nascera para o comércio (...)

O actor português Joaquim de Almeida interpretou o "Velho Marinheiro" no filme "O Duelo", dirigido em 2015 pelo realizador brasileiro Marcos Jorge.


"Teresa Baptista Cansada de Guerra" (1972)

Uma das personagens, Joana das Folhas, Joana França, era uma negra idosa, viúva de um português [Manuel França] sítio herdado do compadre Antonio Minhoto.


"Farda, Fardão, Camisola de Dormir" (1979)

Jorge Amado escolheu uma militante comunista portuguesa para ser uma das protagonistas femininas de "Farda, Fardão, Camisola de Dormir", um de seus romances menos conhecidos e dos poucos cuja história não se passa na Bahia.

Maria Manuela é uma militante, comunista, esposa do Conselheiro da Embaixada de Portugal (em Paris) e amante do poeta romântico e boémio Antônio Bruno que morre na capital francesa, abrindo-se uma vaga na Academia Brasileira de Letras, facto que vai desencadear uma verdadeira guerra nos meios intelectuais do Rio de Janeiro;

Misturando personagens fictícios a figuras históricas, Jorge Amado reconstitui de retornar à terra natal. É hora, pois, de Serginho dar as costas à sua Cataguases, cortada pelo rio Pomba, em cujas águas o autor parece ter se inspirado para construir uma prosa de fluxo forte intercalado por rápidos e iluminadores flashbacks. Em Portugal, o passar dos anos será demarcado com extrema subtileza pelo afloramento de uma plêiade de idiomatismos lusos na prosa interiorana de Serginho, revelando a mão segura e inventiva de um dos mais bem-sucedidos autores brasileiros contemporâneos.


"Tocaia Grande" (1984)

Jorge Amado esteve ligado por laços afectivos a Viana do Castelo, tendo granjeado muitos amigos – sendo de destacar Manuel Natário, dono da pastelaria "Natário" em Viana do Castelo, e Nuno Lima de Carvalho, Director da Galeria de Arte do Casino Estoril (mas natural de uma freguesia do concelho de Viana do Castelo), imortalizados em “Tocaia Grande” como “Capitão Natário da Fonseca” e “Frei Nuno”, respectivamente.

Sinopse: "Esta é a história da fundação de uma cidade no sul da Bahia numa época em que as plantações de cacau eram adubadas com sangue. A disputa pela terra e pelo domínio político entre os coronéis Boaventura Amaral e Elias Daltro.

Tudo começa quando Natário da Fonseca quer deixar de ser um simples jagunço para virar coronel. Natário se destaca comandando o “grupo” de Boaventura. Com esse destaque, ele ganha a patente de Capitão e, com isso, algumas terras. Natário começa a plantar cacau e incentiva a fundação de uma nova cidade cujo nome será Tocaia Grande, palco de conflitos com os coronéis de Itabuna que querem continuar dominando a região e não admitem a ascenção de Natário."


"O Sumiço da Santa" (1988)

Por causa de "O Sumiço da Santa" voltam nomes de amigos e o gosto de Jorge Amado por integrá-los na ficção, personagens dos seus romances. Neste livro podemos "ler" Luiz Forjaz Trigueiros, António Alçada Baptista, José Carlos Vasconcelos, Fernando Assis Pacheco. É uma forma de homenagear os seus amigos.

"Para receber a imagem preciosa, o director escolhera Edimilson Vaz, jovem e talentoso etnólogo, auxiliar de confiança. Ele próprio não pudera ir, naquele preciso momento presidia concorrida entrevista colectiva com a imprensa falada e escrita (...) presentes jornalistas da Bahia, os correspondentes de importantes órgãos do Sul do país e, para culminar, o enviado de uma cadeia de jornais portugueses, um certo Fernando Assis Pacheco.  


"Navegação de Cabotagem" (1992)

Onde mais e melhor se percebe a importância que Portugal tinha para o escritor e o homem Jorge Amado é no seu livro de memórias, posto que Navegação de Cabotagem está repleto de pequenos fragmentos sobre o país e os seus habitantes.

No conjunto de apontamentos fragmentários e não ordenados cronologicamente que formam essa obra, são mencionados acontecimentos importantes ou comezinhos da história pessoal e profissional do criador de Gabriela, bem como as suas relações afectivas, intelectuais, ideológicas e literárias com os portugueses e Portugal.

Fontes/Mais informações: Jorge Amado, “Navegação de Cabotagem, Apontamentos para um livro de Memórias que jamais escreverei"/  Diário do Minho / RTP / Público / DN / Colóquio 100 anos de Jorge Amado / Arroz doce / Jorge Trabulo Marques / Entrevista a Nuno Lima de Carvalho / A viagem dos Argonautas / Mosqueteiras Literáris (sobre "O Crime do Padre Amaro") Alma Lusa (sobre "O Duelo") / Muxicongo / Estrada dos Livros e Livros e Raquetes (sobre "Farda, Fardão ...")