quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

50 anos de personagens e actores portugueses em novelas brasileiras (1965-2015)


Os portugueses, como parte importante na composição étnica brasileira, não poderiam estar ausentes do enredo das novelas brasileiras. Desde “Antônio Maria”, de 1968, a representação do imigrante português sempre esteve associada ao trabalho, muitas vezes em padarias e confeitarias, e o bom-humor com algumas doses de rispidez.

Actores portugueses aparecem nas produções brasileiras desde os anos 60 através de participações especiais e até papéis de protagonismo. Da mesma forma, muitos actores brasileiros deram vida a personagens portugueses. E em anos mais recentes actores portugueses como Ricardo Pereira e Paulo Rocha tornam-se presença assídua nas principais novelas da Rede Globo, inclusive interpretando personagens brasileiras.

“A Cor da Sua Pele” (Tupi, 1965)


O primeiro personagem português apresentado numa telenovela no Brasil é Dudu, representado por Leonardo Villar, na novela “A Cor da Sua Pele” de Walter George Durst, com base numa história do argentino Abel Santa Cruz.

Foi a primeira novela a falar sobre o preconceito racial. A história de amor, entre a mulata de olhos verdes Clotilde (Yolanda Braga) e o comerciante português Dudu (Leonardo Villar), trouxe para a pequena tela o primeiro beijo inter-racial da sua história e Yolanda Braga ficou para a história como a primeira protagonista negra de uma telenovela brasileira.

"Antônio Maria" (Tupi, 1968)


É em "Antônio Maria" que, pela primeira vez, um personagem português se destaca. Geraldo Vietri queria fazer uma homenagem aos imigrantes portugueses mas sem propagar o estereótipo anedótico. Foi justamente por isso que resolveu criar o personagem Antônio Maria D’Alencastro Figueiroa. Achava que já era mais do que hora de se homenagear um povo fundamental para o perfil sociológico da nação brasileira. Para isso, subverteu a tradição popular: ao invés de um português alvo de piadas, resolveu construir um português herói, desbravador, galante, que declamava Camões.

Para viver o personagem, o actor Sérgio Cardoso (juntamente com Geraldo Vietri, autor e diretcor) conversou com dezenas de portugueses de todas as categorias: desde o cônsul e o vice-cônsul de Portugal em São Paulo, até donos de bares e armazéns, todos contribuíram para que seu personagem tivesse o vocabulário e o sotaque lisboetas.


Antônio Maria chamava automóvel de "máquina", terno de "fato", as moças de "meninas" e o patrão de "vossa excelência". Mas por causa do seu sotaque, não conseguiu melhor emprego que o de motorista. Várias vezes, na novela, Antônio Maria repetia uma denúncia: "Os portugueses que chegam ao Brasil nunca encontram empregos compatíveis com seu grau de instrução".

Carlos Duval e Guiomar Gonçalves (ambos actores brasileiros) eram seus conterrâneos na novela. Fernando Nobre (Carlos Duval), dono de uma panificadora, oferece-lhe sociedade, mas “Antônio Maria”, inexplicavelmente, prefere continuar como empregado. Por que motivo “Antônio Maria” quer ficar na casa do Dr. Adalberto ? Que vida ele levava em Portugal ?


A cantora portuguesa Gilda Valença, radicada no Brasil, era Amália, a noiva de António Maria, que virá atrapalhar o amor que nasce entre o português e Heloísa (Aracy Balabanian).

A novela agradou à colónia portuguesa e, mesmo tendo baixa audiência no início, ao terceiro mês era líder no horário das 19 horas. Em “Antônio Maria” vivia-se uma evolução, já que não havia carruagens, bosques, ciganos – típicos das novelas anteriores mas sim um cenário urbano real.

 “A Muralha” (Excelsior, 1968)


Baseada na obra homónima de Dinah Silveira de Queiróz,  em “A Muralha” narra-se a história da família de Dom Brás de Olinto e, por extensão, os factos que levaram à Guerra dos Emboabas (luta por terras em Minas Gerais), nomeadamente o choque dos paulistas que conquistaram terras e minas e os forasteiros de diversas procedências, principalmente baianos e portugueses, que queriam se apossar delas.

A muralha significa a serra como obstáculo às incursões dos bandeirantes, nas suas buscas de novas terras e riquezas. A trama gira em redor da família de Dom Brás, especialmente com a chegada de Portugal de uma sobrinha, Cristina (Arlete Montenegro), que se apaixona por um dos seus filhos, Thiago.


Nesse relacionamento foram exploradas as diferenças culturais e de mentalidade entre os personagens, já que o rapaz tinha nascido no Brasil. A novela fora exibida anteriormente em duas versões mais simples, em 1958, na Tupi e em 1963, pela Cultura.

Em 2000, produziu-se um remake pela Globo, em forma de mini-série, com adaptação da dramaturga portuguesa radicada no Brasil, Maria Adelaide do Amaral.

"Irmãos Coragem (Globo, 1970)


Janet Claire revolucionou a novela brasileira com "Irmãos Coragem". No interior de Goiás, na fictícia cidade de Coroado, os moradores sobrevivem da principal actividade económica na região, o garimpo de ouro.

Na cidade, vive a família Coragem: a mãe Sinhana (Zilka Sallaberry) e os seus três filhos, João (Tarcísio Meira), Jerônimo (Cláudio Cavalcanti) e Duda (Cláudio Marzo). No meio da história da família de três irmãos humildes, que lutavam contra as injustiças cometidas pelo coronel da cidade, estavam dois personagens portugueses, ambos representados por actores brasileiros, Gentil Palhares (Arthur Costa Filho) e a sua esposa Manuela (Lourdinha Bittencourt), donos da pensão de Coroado. O companheirismo da esposa é evidente, principalmente no negócio familiar.

A novela foi regravada já no novo milénio pela Globo, sendo os personagens portugueses interpretados pelos actores brasileiros Chico Tenreiro e Zaira Zambelli.

"As Pupilas do Senhor Reitor" (Record, 1970)


A Record produziu em 1970 uma novela ambientada inteiramente em uma aldeia do Minho, em Portugal: "As Pupilas do Senhor Reitor". A adaptação do texto do escritor português Júlio Dinis, tratava dos conflitos dos moradores locais: um médico que perde o posto para outro mais jovem, recém-formado, e o envolvimento das “pupilas” Clara e Margarida, que estão sob o cuidado do reitor Padre Antônio, com os irmãos Das Dornas.

Em 1994, o SBT exibiu uma nova adaptação escrita por Lauro César Muniz.

"Meu Pé de Laranja Lima" (Tupi, 1970)


Escrita por Ivani Ribeiro, com base no livro de José Mauro de Vasconcelos, relata a história de Zezé (Haroldo Botta), um menino pobre que tem como amigo um pé de laranja lima. Ao conhecer Manuel Valadares, o Portuga (Cláudio Corrêa e Castro), nasce uma bonita amizade. Foi a primeira adaptação do livro que tinha sido campeão de vendas de livros e que havia recebido uma versão cinematográfica.

Dez anos mais tarde ganhou outra versão, dessa vez na Bandeirantes, onde Dionísio Azevedo interpreta o Portuga. Em 1998, a mesma emissora gravou uma terceira versão escrita por Ana Maria Moretzsohn onde o personagem português foi interpretado por Gianfrancesco Guarnieri.

"Os Deuses Estão Mortos (Record, 1971)


Amália participa na novela “Os Deuses estão mortos”, da TV Record, de Lauro César Muniz e Dionísio Azevedo, interpretando a artista portuguesa Eugênia Câmara, paixão do poeta brasileiro Castro Alves.

Os actores portugueses João Lourenço, no papel de Paulo, e Irene Cruz, no papel de Tereza, também fizeram uma participação especial nesta novela que se passava em Ouro Negro, onde duas famílias disputavam a liderança política da cidade: uma monarquista e a outra, republicana.

"Os Fidalgos da Casa Mourisca" (Rede Record e TV Rio, 1972)


Baseada no romance homónimo de Júlio Diniz, foi adaptada por Dulce Santucci e dirigida por Randal Juliano, mas sem o sucesso de "As Pupilas do Senhor Reitor", do mesmo escritor. Rodolfo Mayer, no papel de Dom Luís, e Geraldo Del Rey e Ademir Rocha no papel dos filhos de Dom Luís, Jorge e Maurício, eram os Fidalgos do título, destacando-se igualmente as actrizes Maria Estela (no papel de Berta, uma plebeia que se casava com um dos filhos) e Laura Cardoso (que interpretara o papel de Tereza em "Pupilas do Senhor Reitor" como Gabriela).

"Semi-deus" (Globo, 1973)


O jornalista Alex Garcia (Francisco Cuoco) volta ao Brasil para realizar uma reportagem sobre o império industrial da família Leonardo, ao mesmo tempo em que o presidente das empresas, Hugo Leonardo (Tarcísio Meira), é vítima de uma conspiração armada por seus inimigos.

Havia cenas de exterior gravadas em Portugal, em locais como a Torre de Belém, Estoril, o Convento de São Jerónimo, o Castelo de São Jorge e Alfama.

"Meu rico português" (Tupi, 1975)


Em 1975, outro personagem lusitano ganhou destaque na telenovela brasileira. Em "Meu rico português", Geraldo Vietri repetiu a fórmula empregada em Antônio Maria e trouxe como personagem principal Severo Salgado Salles (Jonas Mello), recém-chegado de Portugal que faz amizade com a milionária Dona Veridiana Pires Camargo.

O actor Jonas Mello treinava seu sotaque português ouvindo discos com poesias de Fernando Pessoa e frequentando assiduamente a colónia portuguesa na sede da Portuguesa de Desportos, em São Paulo.

Amália Rodrigues fez uma participação especial na novela nos seus últimos capítulos, quando Severo e Walquíria vão ouvir Amália a uma casa de fados, aumentando ainda mais a audiência do folhetim

“Os Apóstolos de Judas” (Tupi, 1976)


Laura Cardoso, que venceu o troféu APCA para melhor actriz do ano, interpretava o papel de Fátima da Conceição, a bondosa vizinha de Jonas Mello (Judas, o protagonista), uma viúva portuguesa que trabalha na feira ao lado dos filhos Nando e Tonho.

Fátima não se dá bem com Domitília, a futura sogra de seus filhos, que namoram as irmãs Simone e Priscila. Domitília é uma viúva cheia de pompa, que se diz parente de Dona Domitila de Castro Canto e Melo, a Marquesa de Santos, a mais famosa amante do imperador D. Pedro I.

"O Casarão" (Globo, 1976)


A novela "O Casarão, exibida em horário nobre da Globo, às 20 horas, foi uma das poucas novelas narradas de modo não-linear, escrita por Lauro César Muniz. Participaram atores portugueses como Tony Correia, que viveu Jacinto de Souza, imigrante que chegou ao Brasil em 1895 em busca de uma vida melhor.

Analfabeto e carvoeiro desde menino, se dirigiu ao interior de São Paulo onde as plantações de café estavam em pleno progresso. Trabalhava na construção da estrada de ferro e também na Fazenda de Água Santa, para ajudar na construção do casarão, onde encontrou os compatriotas na lavoura de café.


"O Casarão" se passava em três momentos diferentes. A novidade desta trama era a apresentação dessas épocas de forma intercalada. Por isso, duas atrizes portuguesas faziam o papel da mesma personagem porém em épocas distintas. Ana Maria Grova e Laura Soveral interpretaram Francisca, com quem Jacinto tem um romance na cidade de Tangará, onde se passa a trama.

"Escrava Isaura" (Globo, 1976)


A actriz Ana Maria Grova, que interpretara a jovem Francisca em "O Casarão", participou, também em 1976, em "Escrava Isaura", da Globo, no papel de Eneida. A novela de época, escrita por Gilberto Braga, foi adaptada do romance de Bernardo Guimarães e esteve entre as novelas mais exportadas do mundo. Foi vendida para mais de cem países.

A atriz portuguesa interpretou uma mulher interesseira que revela a Leôncio o paradeiro de Isaura quando ela estava escondida em Barbacena, interior de Minas Gerais.

"Duas Vidas" (Globo, 1976)


Laura Soveral também fez uma participação em 1976 em "Duas Vidas", de Janete Clair, com a personagem Leonor, dona da gravadora Danúbio, que perdeu o filho em um acidente e passa o tempo a lembrar-se dele. A novela da Globo, que se passava no Rio de Janeiro, tinha como tema a tragédia urbana.

"Locomotivas" (Globo, 1977)


Tony Correia participou em diversas novelas no fim da década de 70, com destaque também para o seu  trabalho em "Locomotivas", de 1977, na Globo, onde interpretou Machadinho, um jovem ingénuo que, vindo de Portugal, hospeda-se na casa de Victor (Isaac Bardavid), dono de um bar. Com seus dotes culinários, Machadinho transformou o pequeno bar num restaurante.

O personagem, que abrasileira o sotaque, viveu também alguns casos de amor. Inicia-se uma nova fase da representação do homem português: jovem galanteador, sensível, bonito, inteligente, sem o uso de artifícios como bigode ou boina das novelas anteriores. Essa contemporaneidade também se deve à própria temática da novela, dedicada à juventude. E também era a primeira vez que algumas cenas eram gravadas em Portugal, com a participação de artistas locais como a fadista Márcia Condessa.

"Aritana" (Tupi, 1978)


Em 1978, Tony Correia trabalhou também em "Aritana", de Ivani Ribeiro, como Nicolau Seabra, o Lalau, gerente do hotel das termas, que era de propriedade de seu pai, o Comendador Seabra, português interpretado pelo actor brasileiro Serafim Gonzalez. A novela narrava a luta do índio Aritana por suas terras.

 "Maria, Maria" (Globo, 1978)

A novela de Manoel Carlos também incluía um personagem português, José Moitinho, que era um simpático comerciante da região de diamantes no interior da Bahia, interpretado pelo actor brasileiro Carlos Brasileiro que se especializou no papel de personagens portuguesas (pois já fora Fernando Nobre em "Antônio Maria e voltou a interpretar um português em "Pacto de Sangue").

"Meu Pé de Laranja Lima" (Bandeirantes, 1980)


A década de 80 foi marcada por um pequeno acréscimo no número de personagens portugueses nas telenovelas mas, em grande parte, vividos por actores brasileiros. Entre 1980 e 1981, a Bandeirantes apresentou um remake de "Meu Pé de Laranja Lima", onde Manuel Valadares, o Portuga, é vivido por Dionísio Azevedo.

"Baila Comigo" (Globo, 1981)


Apesar de "Locomotivas" ter apresentado algumas imagens filmadas em Portugal foi em 1981 que, pela primeira vez, uma novela teve as cenas de abertura gravadas em Lisboa.

"Baila Comigo", de Manoel Carlos, contava a saga de dois gêmeos, Quinzinho e João Victor (ambos vividos por Tony Ramos), que foram criados separados. Um mora em Lisboa com o pai, Joaquim Gama (Raul Cortez) e a irmã Débora (Beth Goulart), e o outro com a mãe, Helena (Lilian Lemmertz), no Brasil. Depois de 27 anos, o encontro deles se concretiza.


João Victor nasceu no Brasil mas foi criado em Portugal e por isso considera-se 'meio-português'. As diferenças culturais estão presentes nos diálogos que envolvem o personagem. Em uma cena, em conversa com Mira (Lídia Brondi) sobre a forma de tratamento entre eles, ele diz “Em Portugal somos mais formais, mais distantes... apesar do grande afecto do povo português”. Ela riposta: “Mas você só é português na frente dos outros. Quando a gente está sozinho você é brasileiro”.

"Os Imigrantes" (Bandeirantes, 1981)


Também em 1981, a Bandeirantes produziu uma novela especialmente voltada à história dos estrangeiros que ajudaram a construir o Brasil, intitulada "Os Imigrantes", tendo como protagonistas três homens de diferentes nacionalidades, mas todos com o mesmo nome: Antônio. Um português, um italiano e um espanhol.

Antônio Pereira é o lusitano, vivido na primeira fase pelo actor português David Arcanjo e mais tarde por Othon Bastos, que depois de aproveitar a vida com muitos amores e aventuras, abre uma transportadora e fica rico.

"Os Imigrantes, Terceira Geração" (Bandeirantes, 1982)

"Os Imigrantes, Terceira Geração", uma continuação da novela "Os Imigrantes", foi transmitida em 1982. David Arcanjo volta a participar, interpretando o papel de Quinzinho, um dos descendentes de Antônio Pereira. Nesta fase, todos os herdeiros do imigrante português (Teca, Quinzinho, Angelina e Tonico) se encontravam em dificuldades.

"Jogo da Vida" (Globo, 1981)


Em "Jogo da Vida", de Silvio de Abreu, Gianfrancesco Guarnieri interpreta o personagem Manoel Vieira de Souza, Seu Vieira, dono da padaria Flores do Tejo.

Nasceu em Portugal, mas adora o Brasil, onde conseguiu vencer na vida. É alegre e muito querido no bairro. Apaixona-se pela protagonista da novela, Jordana (Glória Menezes).

"Guerra dos Sexos" (Globo, 1983)


Silvio de Abreu desenvolve a história de "Guerra dos Sexos" através da disputa pela cadeia de lojas Charlô's entre os primos Otávio (Paulo Autran) e Charlô (Fernanda Montenegro). Depois de muitas sabotagens, Otávio (de seu nome completo Otávio Alcântara Rodrigues e Silva) consegue vencer a prima (de nome completo Charlotte de Alcântara Pereira Barreto). Neste momento, ele desaparece misteriosamente e entra em cena o português Dominguinhos, também interpretado por Paulo Autran, que se diz apaixonado por Charlô.

Charlô rejeita Dominguinhos e ele volta para Portugal. Entretanto, aparece novamente no fim da novela com sua esposa portuguesa Altamiranda (também interpretada por Fernanda Montenegro) reclamando parte da herança. No último capítulo estão os quatro em cena, sobressaindo o português de bigodes negros e a sua esposa vestida com roupas típicas folclóricas.

"Livre para voar" (Globo, 1984)


Em "Livre para voar", a governanta portuguesa Carolina, interpretada por Laura Cardoso, acompanha a protagonista Bebel (Carla Camurati), também descendente lusa. Educada na Europa, para onde foi aos 10 anos com a mãe, Bebel era a grande herdeira de uma fábrica de cristais que regressava ao Brasil depois da morte do pai, J.J. (Jorge Dória), para assumir seu lugar na empresa.

Ao regressar  ao país, foi alertada para tomar cuidado com as pessoas da fábrica. Para testar a integridade dos funcionários e conhecê-los melhor, decide-se passar pela humilde Cristina, moça que serve café na fábrica. Fica muito amiga de Julinha (Thaís de Campos) e, através dela, entrosa-se com os outros moradores da região. Conta com o carinho de sua governanta Carolina (Laura Cardoso), que insiste em chamá-la de Maria Isabel.

"Antônio Maria" (Manchete, 1985)


Em 1985, a Manchete fez uma remake de "Antônio Maria", contudo a novela não teve o mesmo sucesso que a primeira versão. A história é a mesma realizada em 1968 mas o actor que interpreta o protagonista Antônio dessa vez é português, Sinde Felipe. Nessa versão, a diferença é que logo no início o português é apresentado em Portugal, milionário, de onde sai para fugir de Amália (Eugénia Melo e Castro), uma mulher apaixonada e possessiva.

No Brasil, consegue emprego como motorista de Dr. Adalberto, comerciante dono de uma cadeia de supermercados em São Paulo. Outro imigrante português, Fernando Nobre, dono de uma panificadora, oferece-lhe sociedade, mas Antônio Maria, inexplicavelmente, prefere continuar como empregado.

"Cambalacho" (Globo, 1986)


Até ao final dos anos 80, outras telenovelas da Globo exibiram personagens portugueses interpretados por brasileiros, porém com papéis normalmente de pouca importância. Em "Cambalacho", de Silvio de Abreu, Fabio Sabag faz o papel de Olívio, um mordomo que também se passa por um padeiro português e diz ser, na verdade, um conde chamado Ovídio.

Antônio Carlos Pires teve uma participação especial como Antunes, um português que abandonou a família e volta dez anos depois.

"Direito de Amar" (Globo, 1987)


Em "Direito de Amar", Elias Gleizer interpreta o papel de Manuel Barbosa, dono da confeitaria onde se encontram todos os intelectuais e artistas da época, mas que preferia estar do outro lado do balcão.

Manel, como é conhecido, é simpático, engraçado e seu comércio vai bem porque, além de ser um excelente negócio, tem por trás os cuidados da esposa, Catarina (Yolanda Cardoso).

Manel é aparentemente dominado pela mulher, mantendo um óptimo relacionamento com o filho Nelo (Rômulo Arantes), mas vive uma relação difícil com a filha Paula (Cissa Guimarães).

"O Outro" (Globo, 1987)

Em "O Outro", Germano Filho tem uma participação especial como um dono de padaria que dá informação a um dos protagonistas da novela.

"Vida Nova" (Globo, 1988)


Lauro Corona interpreta o papel de Manoel Victor, um aventureiro que vendeu tudo o que tinha e foi para o Brasil. Divide o quarto com Michel, um velho libanês com quem traça planos de enriquecer, rapidamente, sem muito esforço. Apesar de ter estudado em Coimbra e ser muito inteligente, se torna aprendiz de padeiro e se apaixona por uma judia.

Lauro Corona faleceu durante as gravações e seu personagem partiu em viagem.

"Vale Tudo" (Globo, 1988)


Em "Vale Tudo", a personagem Aldeíde Candeias (Lília Cabral) casa-se com Laudelino (Ivan de Albuquerque), um português rico. Juntos vão passar uma temporada a Portugal, mas ele morre uma semana depois de chegarem e ela volta para o Brasil trazendo como herança várias fazendas.

Apesar da pequena participação de Laudelino, o português provoca diversos diálogos sobre Portugal e sua cultura. Aldeíde, depois de viajar, também sempre menciona as diferenças culturais e de idioma entre os dois países, bem como a imigração.

Muitos dos personagens comentam a intenção de morar em Portugal, que se apresenta como um lugar de oportunidades nessa época em que o Brasil passa por diversas crises, entre elas a moral.

"Pacto de Sangue" (Globo, 1989)

Em "Pacto de Sangue", Carlos Duval aparece como um vendedor português, era um figurante com fala. A novela se passava em 1870 e tinha como temática a luta abolicionista.

"Gente Fina" (Globo, 1990)

À esquerda Laerte Morrone
Na década de 1990, todas as emissoras produziam dramaturgia na briga pela audiência. Nesse momento também os actores de origem portuguesa aparecem cada vez com mais frequência, mas as primeiras novelas dos anos 90 ainda mostram brasileiros no papel de lusitanos.

"Gente Fina" foi uma dessas novelas,  apresentando Paulo Goulart como Joaquim e Laerte Morrone como Agenor, sócios do protagonista da novela numa oficina mecânica. Joaquim era pai de dois filhos, com os nomes de Gil Vicente e Pêro Vaz. Estava sempre em conflito com Agenor porque ambos disputavam as atenções da mesma mulher.

"Rainha da Sucata" (Globo, 1990)


Em "Rainha da Sucata", Lima Duarte e Nicette Bruno interpretavam o casal Onofre e Neiva Pereira, pais da protagonista da novela, Maria do Carmo (Regina Duarte). Ele, que teve participação especial no início da história, era negociante de ferro-velho, simpático e esperto. Ela, dona de casa, abria um restaurante depois da morte do marido.

"O Dono do Mundo" (Globo, 1991)

Em "O Dono do Mundo" Antonio Calloni é William, filho de um milionário que mora ao mesmo tempo no Brasil e em Portugal.

A novela contava a história de um cirurgião plástico, casado, que sente atração por outra mulher e, no casamento dela aposta com os amigos que passará a noite de núpcias com a noiva, em vez do marido. O noivo se suicida e a mulher passa a perseguir o médico.

"Pedra sobre Pedra" (Globo, 1992)


Em 1992, começam a aparecer, ainda de forma tímida, alguns actores portugueses, como os escalados para "Pedra sobre Pedra", de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares. A trama se passa em Resplendor, no sertão da Bahia, e era repleta de casos de amor e família rivais.

Um núcleo da novela refere-se aos ciganos que chegam à cidade e instalam-se nas terras de Cândido Alegria, que havia usurpado a propriedade das terras ao português Benvindo (interpretado pelo actor brasileiro Buza Ferraz).


Com a morte do português, seus sobrinhos-netos Inês e Ernesto Soares de Melo (interpretados pelos actores portugueses Suzana Borges e Carlos Daniel) viajam ao Brasil para reclamar as terras que, segundo eles, foram deixadas como herança.

A actriz brasileira Nivea Maria interpretou Ximena Vilares, primeira-dama de resplendor, que faz uso do sotaque português. Foi a primeira novela Globo a ser financiada pela RTP, que (antecipando a inauguração da SIC) participou com 20% da produção, e teve cenas gravadas em Lisboa.

 "As Pupilas do Senhor Reitor" (SBT, 1994)


Remake da novela que Lauro César Muniz escreveu para a TV Record entre 1970 e 1971, com base no livro homónimo de Júlio Diniz, contudo sem o sucesso da novela da Record.

O destaque ficou por conta das três beatas fofoqueiras interpretadas por Ana Lúcia Torre, Cláudia Mello e Míriam Mehler.

"A Idade da Loba" (Bandeirantes, 1995)


Co-produção entre a TV Plus e a RTP. Pela primeira vez uma novela brasileira foi exibida em Portugal antes de se estrear no Brasil.

A actriz portuguesa Helena Laureano teve uma participação especial, interpretando a fotógrafa Tereza, que viaja ao Brasil em trabalho e se envolve com Arruda (Taumaturgo Ferreira).

"O Campeão" (Bandeirantes, 1996)

Anabela Teixeira participou como Filomena e Margarida Carpinteiro como Generosa. A novela teve como tema central o desejo de reencontro de pessoas que se tinham separado.

"Perdidos de Amor" (Bandeirantes, 1996)


"Perdidos de Amor" traz no seu elenco dois actores portugueses, Diogo Infante, como Fernando, e Cristina Carvalhal, como Ceuzinha. Ele interpretou um cafajeste e ela, uma mulher conservadora.

"Meu Pé de Laranja Lima" (Bandeirantes, 1996)


O actor brasileiro Gianfrancesco Guarnieri é quem interpreta o português Manuel Valadares na terceira versão de "Meu Pé de Laranja Lima", novamente na Bandeirantes.

"Salsa e Merengue"  (Globo, 1996)


Após uma ausência de vários anos de actores e personagens portugueses nas novelas da Globo, Paulo Pires (como Vasco) e Marques D'Arede (como Rodolfo, pai de Vasco) tem uma participação especial em "Salsa e Merengue", transmitida em Portugal pela SIC (que é participada pela Globo, com quem celebra um acordo de exclusividade) e não pela RTP.

Vasco e Rodolfo vão ao Brasil para amparar Bárbara (Rosamaria Murtinho) após a morte do marido Guilherme (Walmor Chagas). Vasco associa-se a uma vilã (Cristina Oliveira) e juntos passam a fazer roubos e dificultar a vida de muitos personagens.

"Xica da Silva" (Manchete, 1996)


Em 1996, "Xica da Silva", da Manchete (transmitida em Portugal pela TVI), também teve no elenco vários actores portugueses. A novela se passa em 1751 e narra a história de Xica da Silva (Taís Araújo), escrava, que desperta a paixão de um comprador de diamantes que tenta transformá-la em fidalga.

Fazem parte do elenco Antônio Torres, Lídia Franco, Anabela Teixeira e Rosa Castro André, que constituem a família Pereira. Gonçalo Diniz também tem um pequeno papel como o capitão Macário (que curiosamente é o nome do pai do actor português).

Gonçalo Diniz a esquerda na foto
O último episódio teve cenas filmadas em Lisboa, onde João Fernandes casa com Violante (abandonando-a logo de seguida) para salvar Xica. O actor português Camacho Costa é o padre que celebra o casamento.

"Anjo Mau" (Globo, 1997)


Na segunda versão de "Anjo Mau", da autoria da argumentista portuguesa Maria Adelaide do Amaral, o brasileiro Sérgio Viotti interpretou o personagem Américo Abreu, imigrante português dono de uma mercearia de alto nível em São Paulo.

Seguro com o dinheiro, deplora as futilidades da filha Marilu (Mila Moreira) e não confia no genro, Ciro (Raul Gazola), por ele ser um jogador. É muito apegado à neta, Lígia (Lavínia Vlasak). Tem enorme bom senso e visão para os negócios.

Casa-se com Goreti (Lília Cabral) e vão a Portugal, onde diversas cenas foram gravadas.

"Força de um desejo" (Globo, 1998)


No ano seguinte, a emissora apresentou Força de um desejo, ambientada na segunda metade do século XIX que trata de questões como a Abolição dos Escravos e a Guerra do Paraguai.

José de Abreu fez uma participação especial no papel de Pereira, um português comerciante interesseiro e trambiqueiro que vive no Brasil mas tem muita vontade de voltar a Portugal.

"Tiro e Queda" (Record, 1999)


Em 1999, a novela da Record, "Tiro e Queda", teve o brasileiro Giuseppe Oristânio como intérprete do português José Manuel Cordeiro, o Neco, e Georgia Gomide como sua sogra, Dona Conceição.

A história do autor Luís Carlos Fusco começava com um banquete promovido por um milionário, Raul Amarante, na sua mansão. Dez pessoas estavam presentes: Amarante, a esposa, sete convidados e Neco, o garçom português.

Diagnosticado com uma doença incurável, o milionário decidiu anunciar seu testamento no qual todos os presentes têm interesse, menos o garçom. Depois disso, vários assassinatos foram cometidos. Neco era dono de uma padaria, onde os personagens do núcleo de classe média se encontravam.

"A Padroeira" (Globo, 2001)


A acção de "A Padroeira" de Walcyr Carrasco decorre no Brasil colonial e relata a história da chegada de Dom Pedro de Almeida Portugal, o Conde de Assumar (interpretado pelo actor português Antônio Marques), que assume a capitania com o objectivo de descobrir novas minas de ouro e aumentar o imposto sobre o metal.

Actores brasileiros interpretam os demais personagens de origem portuguesa como Valentim Coimbra, vivido por Luigi Baricelli, filho de um nobre acusado de trair a Coroa. Luís Melo interpreta Molina, português de nascença que morou também na Espanha. Veste um hábito e faz-se passar por padre.


Andréa Avancini faz o papel de Delfina, portuguesa que foi para o Brasil fingindo-se viúva. Na verdade, está fugindo do marido e à procura do primo Manoel Cintra (Otávio Augusto), que pensa ser um rico advogado. Fica furiosa ao descobrir que ele é pobre

Com a entrada de Roberto Talma na direcção da novela, em substituição de Walter Avancini, pai da actriz Andréa Avancini, por motivo de doença, vários personagens saíram da novela, outros entraram e a história original foi para o espaço. Mas Andréa teve sorte. Sua personagem Delfina perdeu o sotaque português, mas ganhou destaque – virou filha de Dorotéia, papel de Susana Vieira, personagem criado já na gestão de Talma para modificar a novela. "Delfina se tornou mais sensual e não perdeu o humor.

"O Clone" (Globo, 2001)


Em "O Clone", a actriz portuguesa Maria João Bastos fez uma participação especial como Amália, uma moderna jornalista que procura no Brasil o seu furo jornalístico: a clonagem desenvolvida pelo cientista Albieri.

"Esperança" (Globo, 2002)


"Esperança" também contou com actores lusitanos. A novela de Walcyr Carrasco e Benedito Ruy Barbosa, exibida pela Globo, narrou a transformação do Brasil depois da Grande Depressão de 1929, a queda do ciclo de café, e a transformação causada pelos imigrantes que chegaram ao país: italianos, judeus, espanhóis e portugueses.

Nuno Lopes deu vida a José Manoel, português que chegou ao Brasil quando criança e que considerava-se brasileiro. Sua família morava no Rio de Janeiro, onde o pai era um comerciante bem-sucedido, mas ele estudou em São Paulo.


O pai de Nuno era Antônio, interpretado pelo actor português Luís de Lima, radicado no Brasil e que faleceu durante a rodagem da novela. Já sua mãe, Antônia, era vivida pela actriz brasileira Beatriz Segall.

"Sabor da Paixão" (Globo, 2002)


"Sabor da Paixão" foi filmada em Portugal, nas cidades do Porto, Vila Nova de Gaia e Lisboa. A trama da novela era actual e contava a história de Diana (Letícia Spiller) que lutava para recuperar as terras herdadas pela família em Portugal. Seu pai, o português Miguel Maria Coelho, foi interpretado por Lima Duarte. Bonacheirão e muito bondoso, teve um enfarte e morreu no início da história.

Mais uma vez Luigi Baricelli fez papel de um português, Alexandre Paixão, que, apesar de ter nascido em Portugal, se considerava brasileiro. Seu amigo, companheiro de festas e sócio de uma enoteca, Pedro Arouca, foi interpretado pelo actor português Duarte Guimarães.


Maria João Bastos fez sua segunda novela brasileira como Rita Coimbra, portuguesa que encontra Diana em Portugal e torna-se sua melhor amiga. Com o abandono do marido, mudou-se para o Brasil. Alegre cozinheira, faz uma grande mudança no bar Flor do Douro e na família de Diana.

A portuguesa Elisa Lisboa interpretou Fátima, governanta portuguesa da quinta da mãe de Alexandre nas cenas rodadas em Portugal.

"Celebridade" (Globo, 2003)

A novela "Celebridade" teve a participação especial de Tony Correia como um convidado da discoteca Espaço Fama.

"Escrava Isaura" (Record, 2004)


Em 2004, a Record fez um remake de "Escrava Isaura", que incluía no elenco a actriz portuguesa Paula Lobo Antunes, que interpretava o papel de Aurora Amaral, filha de mãe brasileira e pai português que nasceu em Lisboa. Ao chegar no Brasil apaixona-se pelo primo Henrique.

"Como uma onda" (Globo, 2004)


"Como uma onda", de Walter Negrão, foi a primeira novela da Globo protagonizada por um actor português, o jovem Ricardo Pereira cujo personagem, Daniel Cascaes, era uma espécie de "Antônio Maria" moderno, muito por influência do argumentista Walter Negrão e do então actor Dennis Carvalho (director da novela) que tinham colaborado  na novela da Tupi de 1968.

Filmada em Guimarães, Braga e Porto, a trama conta a história de um triângulo amoroso entre Daniel, vivido pelo actor português Ricardo Pereira, e as irmãs Nina e Lenita que conhecem o açoriano em uma viagem a Portugal. Namora Almerinda, moça romântica interpretada pela actriz portuguesa Joana Solnado, contra a vontade do seu pai, Almirante Figueiroa, o actor português Antônio Reis, um homem austero e patriota.

"Senhora do Destino" (Globo, 2004)


Nuno Melo interpreta Constantino, um taxista que se apresentava como sendo "O último português a imigrar para o Brasil". Chegou ao Rio em busca de uma herança que um tio lhe havia deixado, mas, ingénuo, sem conhecer os tortuosos caminhos da justiça, acabou sendo "passado para trás".

Envergonhado por ter sido vítima dessa situação humilhante, não teve coragem de comunicar aos parentes em Portugal que tudo dera errado no Brasil, e que havia ficado mais pobre. Resolveu permanecer no país, trabalhar muito e só voltar para Portugal depois que “se desse bem”. Virou motorista de táxi. Apaixona-se por Rita de Cássia (Adriana Lessa), com quem se envolve.

"Prova de Amor" (Record, 2005)

No ano seguinte, Ricardo Pereira volta às telas, mas dessa vez pela Record, em "Prova de Amor", da autoria de Tiago Santiago. O actor português viveu os irmãos gêmeos Marco Aurélio e Marco Antônio. Marco Aurélio era um médico psiquiatra que se apaixona por uma colega de trabalho. O marido dela flagra os dois se beijando e acaba por planear o assassinato do médico. Marco Antônio, escritor, deixou Lisboa para vingar a morte do irmão. Em ambos papéis, os personagens falavam com sotaque brasileiro, mas deixando transparecer a origem lusitana.

"Pé na Jaca" (Globo, 2006)

Em 2006, Ricardo Pereira voltou a Globo onde fez uma participação especial em Pé na Jaca, com o personagem Thierry, francês que morou alguns anos em Portugal e que, em Paris, se apaixona pela modelo Maria (Fernanda Lima).

"Belíssima" (Globo, 2006)

Os últimos episódios de "Belíssima" vão revelar uma surpresa. Quem era o marido português que Safira (Cláudia Raia) teve. A filha Maria João (Bianca Comparato) ficará a saber que o seu pai se chama Nuno, e que foi interpretado por Tony Correia, que tal como a personagem é um actor nascido em Canas de Senhorim e que chegou a ser galã da televisão brasileira.

"Paixões Proibidas" (Bandeirantes, 2006)


Ainda em 2006, a Bandeirantes investiu em uma co-produção com a RTP na novela "Paixões Proibidas", baseada na obra de Camilo Castelo Branco, que retratava a sociedade brasileira nos anos anteriores a 1808, quando a família real portuguesa veio para o Brasil.

Três histórias de amor eram contadas por meio de aventuras e desventuras. Nove actores portugueses fizeram parte do elenco principal. Virgílio Castelo fez o papel de Padre Dinis, que tem três identidades e ajuda jovens amantes e injustiçados e luta contra o amor por Antônia Valente; São José Correia interpreta Elisa de Mandeville, que tem um romance com Alberto de Miranda (Felipe Camargo) em Portugal e que a troca por outra mulher quando retorna ao Brasil; Nuno Pardal é Estevão que junto com Pedro Lamares (no papel de Mateus) são estudantes de Coimbra; Natália Luiza, que vive a personagem Maria.


Quatro actores lusitanos estiveram no elenco adicional: Hélio Pestana, José Eduardo, Rita Frazão e Julie Sargeant.

As primeiras cenas se passam em Coimbra e o final da novela também foi gravado em Portugal. As filmagens aconteceram ainda em Lisboa e Montemor-o-velho.

"Vidas Opostas" (Record, 2006)



A Record também aposta na participação lusitana, sendo "Vidas Opostas" a primeira novela da emissora gravada no exterior, sendo as primeiras cenas gravadas no Cabo da Roca, em Portugal, onde o protagonista Miguel escala com a ajuda de um guia interpretado pelo actor português Alexandre da Silva.

A mãe de Miguel é Isís (Lucinha Lins) dona de uma construtora que está em Cascais onde almoça com os empresários representados pelos actores portugueses Ricardo Carriço (Fernando Cunhal), André Gago (Ciprião de Almeida) e Marques D'Arede (Teodoro Azevedo).

"Dance, dance, dance" (Bandeirantes, 2007)


Em 2007, o actor e cantor português Angélico Vieira participou da novela "Dance, dance, dance", na Bandeirantes, como Bruno Medeiros.

"Duas Caras (Globo, 2007)


O actor brasileiro Sérgio Viotti interpretou em "Duas Caras" o papel de Manoel de Andrade Couto, um português de opiniões fortes. Depois da morte da mulher, precisa sair da casa onde mora devido à construção de uma estrada. Acaba por matar-se.

"Três Irmãs" (Globo, 2008)



Hugo Carvana fez uma participação especial em "Três Irmãs", como Dr. Anastácio Andrade, velho advogado português da família de Duda (Daniela Récco).

Imponente e, principalmente, firme e zangado. Muito amigo do falecido pai de Duda, também é assassinado pelos vilões.

"Negócio da China" (Globo, 2008)


As primeiras cenas da novela da Rede Globo foram gravadas em Lisboa. Belarmino (Joaquim Monchique) imigrou com a mulher Carminda (Carla Andrino) para o Rio de Janeiro onde abrem a Panificação Nossa Senhora Desatadora de Nós e, mais tarde, recebe em sua casa a irmã Aurora (Maria Vieira), e o sobrinho João (Ricardo Pereira), que deixaram Portugal para morar no Rio de Janeiro.


Aurora levou em sua bagagem uma "pen-drive" com informações sobre o dinheiro da máfia chinesa, que era o mote principal da novela. As primeiras cenas foram gravadas em Portugal, com participação especial dos actores portugueses Ricardo Carriço (no papel de Fernando Cunhal), André Gago (Ciprião de Almeida) e Marques D'Arede (Teodoro Azevedo).

Trabalhador e esforçado, João começou a trabalhar na padaria do tio e estava determinado a conquistar a brasileira Lívia, que conheceu ainda em Lisboa.

"Revelação" (SBT, 2008)


Em "Revelação", Diogo Morgado faz o papel de António e Joana Solnado é Maria João. A novela contava a história de Victoria (Tainá Muller) e Lucas (Sérgio Abreu), dois jovens que se conheceram enquanto estudavam em Lisboa, local onde a trama tem suas primeiras cenas gravadas.

António era um jovem português bonito e inteligente, antigo namorado da protagonista, antes dela conhecer Lucas. Ele fica inconformado com o fim do romance porque semanas depois ela já começou a namorar o outro rapaz. Já Maria João foi a melhor amiga de Victória em Portugal, está sempre perto e a apoia nos momentos difíceis da trama.

 "Viver a Vida" (Globo, 2009)


A Globo fez o primeiro acordo de merchandising internacional com Lisboa na novela "Viver a Vida". Os personagens passeiam pela cidade com a intenção de incentivar o turismo brasileiro para o país.

O actor português Albano Jerônimo faz uma participação especial como João, o anfitrião do casal Filipe (Rodrigo Hilbert) e Renata (Bárbara Paz) que visitam Portugal.

"Passione" (Globo, 2010)


Miguel Monteiro foi o único actor português no elenco da novela "Passione". O actor português fez um casting em Portugal e gravou em Itália ao lado de Fernanda Montenegro e Tony Ramos, entre outros.

O personagem Gonçalves é um português que conduz, faz assessoria e acompanha Dona Bete (Fernanda Montenegro) numa visita à Toscânia, onde vai à procura do filho, Totó (Tony Ramos).

"Insensato Coração" (Globo, 2011)


É importante destacar um fenómeno que demonstra a total ambientação dos actores portugueses na dramaturgia do país-irmão: a interpretação de personagens brasileiros. É o caso de Ricardo Pereira, que depois de intensa preparação para ganhar o sotaque carioca, interpretou o brasileiro Henrique Taborda, ambicioso executivo de banco em "Insensato Coração (2011)". Ele saiu da novela no capítulo 99 para iniciar as gravações de "Aquele Beijo", que foi ao ar no mesmo ano, na qual também interpreta Vicente, um brasileiro de origem portuguesa.

"Aquele Beijo" (Globo, 2011)


Em "Aquele Beijo", Ricardo Pereira interpreta um luso-brasileiro, Vicente, advogado que se dedica aos estudos e passa em primeiro lugar no concurso para Procuradoria do Estado. Mas tal dedicação fez com que ele perdesse um grande amor. É filho de Amália, interpretada pela actriz portuguesa Marina Mota (nomeada para os prémio de Revelação nos Prémios da Revista Contigo), dona do restaurante português Sonho D'Aveiro, ambientado na Vila Caiada.

Moram com ela a prima Brites (actriz portuguesa Maria Vieira) e o filho dela, Sebastião (interpretado pelo actor brasileiro Raoni Carneiro). No fim da novela descobre-se que Vicente e Sebastião são meio-irmãos.



"Fina Estampa" (Globo, 2011)


" Fina Estampa" tem como personagem principal Griselda Pereira, interpretada por Lília Cabral, portuguesa criada no Brasil que começou a fazer pequenos consertos para os vizinhos depois que o marido Pereirinha (filho de portugueses) desapareceu no mar. Deixou a mulher com três filhos, ficou sumido durante quinze anos e no decorrer da história aparece com um quarto filho.

Também faz parte da novela o actor lusitano Paulo Rocha, no papel de Guaracy Martins, rapaz que veio para o Brasil depois de herdar de um tio o bar Tupinambar. É filho de um português e uma índia, o que desperta curiosidade das pessoas. É apaixonado por Griselda com quem fica no final da história da Globo.

"Guerra dos Sexos" (Globo, 2012)


No ano de 2012, o remake de "Guerra dos Sexos" teve a participação do actor português Paulo Rocha, no papel do brasileiro Fábio Marino (que na primeira versão da novela fora interpretado pelo actor brasileiro Herson Capri).

Tony Ramos é Dominguinhos, anteriormente interpretado por Paulo Autran, que era familiar e sósia do personagem Otávio (também interpretado por Tony Ramos), sendo Altamiranda representada por Irene Ravache (a Charlô desta nova versão).

Paulo Rocha com a actriz brasileira Guilhermina Guinle

"Máscaras" e "Vidas em Jogo" (Record, 2012)

Na Record, a actriz lusa Mafalda Rodiles fez participações especiais nas novelas "Máscaras" e "Vidas em Jogo".

"Balacobaco" (Record, 2012)


O actor português Gonçalo Diniz faz um papel secundário, em "Balacobaco", como João Paulo Antunes, sócio de um brasileiro em uma empresa de importação e exportação.

"Jóia Rara" (Globo, 2013)


Ricardo Pereira interpreta o papel de Fabrício, um militante comunista português que vive há anos no Brasil. É amigo de Mundo (Domingos Montagner) e Toni (Thiago Lacerda).

Apaixonou-se por Lola (Leticia Spiller), mas os dois zangam-se quando ele descobriu que ela tinha ajudado Manfred a prender os comunistas. Depois de muitas discussões, os dois ficam juntos e tiveram um filho.
 
"Boogie Oogie" (Globo, 2014)


Maria João Bastos dá vida à personagem Diana, que é a namorada de Paulo (Caco Ciocler), e chega ao Brasil com o sonho de iniciar uma nova fase do romance com o jornalista.

A actriz foi convidada pelo autor luso-moçambicano Rui Vilhena (que viveu nos anos 70 no Brasil), que com "Boogie Oogie" se estreou na Globo como autor principal de uma novela e com quem Maria João Bastos já trabalhou em Portugal em duas novelas e uma série de televisão.

"Império" (Globo, 2014)


Paulo Rocha foi Orville Neto, um falsificador de quadros. Após pagar pelos seus erros e se livrar (graças a um acidente) das garras de Carmem, Orville pode seguir seu caminho ajudando Salvador com a mente tranquila. Dedica-se à pintura por lazer e se dedica a cuidar da carreira e das finanças de seu grande amigo e protegido.

"Regra do Jogo" (Globo, 2015)


Ricardo Pereira interpreta o personagem Faustini, que era delegado da Darco e trabalhava com Dante (Marco Pigossi). O delegado perde a vida ao descobrir que Guerra (Maksin Oliveira) é um bandido infiltrado na polícia e acaba sendo morto por ele.

"Totalmente demais" (Globo, 2015)

 
Paulo Rocha é Dino, um mau-carácter, dono de uma oficina e bar de beira de estrada, preguiçoso e popular entre os camionistas. Casou-se com Gilda (Leona Cavalli), com quem teve dois filhos.

Ajudou a esposa a criar Eliza, a filha mais velha de Gilda de um anterior casamento, com quem tem uma péssima relação porque vive olhando para a garota com segundas intenções.

Quando Eliza chega à final do concurso Garota Totalmente Demais ele planeia pegar no prémio e depois denunciar Eliza por tentativa de assassinato. Mas o plano dá errado e Dino acaba preso depois de tentar novamente atacar Eliza.

Fontes principais: “De Antônio Maria a Balacobaco: panorama da presença portuguesa na telenovela brasileira” de Elaine Javorski (Encontro Nacional da História de Mídia) / "A influência das relações comerciais e culturais entre Brasil e Portugal na inserção de personagens portugueses nas telenovelas" de Elaine Javorski e Isabel Ferin Cunha (Universidade de Coimbra)

Outras Fontes: Ualmédia / Mundo das novelas / Astros em revista / Bandeirantes start / Teledramaturgia / wikipedia / Mundo das novelas / Todo dia um texto novo  / Imgrum / Novelas e mundo / Flash vidas (Miguel Monteiro) / Memória Globo / Movenotícias / Gshow / Correio da Manhã (Tony Correia)