Domingo, 15 de Janeiro de 2012

Sucesso de Carminho e Pablo Alborán com o tema "Perdóname" (2011)

Assim que as suas vozes se encontraram, Carminho, de 27 anos, e Pablo Alborán, de 22, perceberam de imediato que o seu dueto tinha tudo para dar certo. Ainda assim, dificilmente a fadista e o cantor espanhol imaginariam que "Perdóname" entraria de imediato para a liderança do top de singles do iTunes em Espanha e chegaria ao mesmo lugar em Portugal em poucos dias.

O tema faz parte de "En Acústico", CD do artista malaguenho editado no país vizinho a 14 de novembro e de imediato transformado num êxito estrondoso.

Como surgiu a ideia de trabalharem juntos ?

Conheci o disco da Carminho através da nossa editora, a EMI, e fiquei apaixonado pela voz, música e interpretação. Depois, desde pequeno que sou um amante de fado e, como estava a tratar do meu disco, surgiu a bela oportunidade de trabalhar com a Carminho.

Com muito respeito, ensinei-lhe a canção, perguntei-lhe se gostava e fizemos uma adaptação em português. Foi muito fácil. Encontrámo-nos em Madrid e em meia hora fizemos a canção. Foi tudo muito espontâneo e natural.

(...) Era um risco, pois era a primeira vez que uma artista portuguesa entrava na rádio comercial em Espanha, e não se sabia se funcionava ou não. Mas era-me igual, pois eu queria trabalhar com Carminho. E quando estivemos em estúdio foi muito emocionante, tanto para nós como para quem nos rodeava, até houve quem chorasse.

Mas jamais pensei que seria assim e fico muito feliz e agradecido, pois conseguimos que a camada jovem espanhola sinta a música de outra maneira. Muitas pessoas perguntam-me o que é o fado e alegra-me que se emocionem com a Carminho.


Paixão pelo fado

Em pequeno, ouvi um concerto da Dulce Pontes e aquela paixão com que os fadistas cantam é a mesma com que se canta o flamenco. E isso deixou-me encantado. No fado sente-se o mesmo que no flamenco, uma pessoa emociona-se e sente a alma rasgar-se. A nostalgia e a melancolia atraem-me e no fado sente-se isso. (...)

Video

O vídeo foi gravado em Lisboa em Setembro de 2011, nomeadamente no Terreiro do Paço.






Video: Youtube

Fonte: Revista Caras (Andreia Cardinalli / João Lima)

Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011

Álbum lusófono de Anna Maria Jopek (2011)

A cantora Anna Maria Jopek está actualmente a promover três discos novos dedicados a três diferentes inspirações: o folclore polaco em "Polanna", a fusão das tradições musicais da Polónia e Japão em "Haiku" e a música lusa (lusófona) em "Sobremesa".

Os três álbuns estão disponíveis numa única publicação intitulada "Lustra" onde a música é acompanhada por uma centena de fotos representativas dos últimos três anos. Segundo o site oficial da cantora, "Sobremesa" é uma espécie de "sobremesa", após a sofisticação do prato principal (os dois restantes álbuns).


O álbum apresenta diversas histórias de Lisboa, a cidade onde Anna Maria Jopek encontrou a sua segunda casa. É uma colecção de algumas das suas canções preferidas no seio do mundo do Português e da cultura lusófona.

"Sobremesa" foi gravado em Lisboa com uma banda multicultural criada para esta ocasião e conta com a presença e as músicas de cantores e compositores de língua portuguesa como Sara Tavares, Camané, Paulo de Carvalho, Ivan Lins, Tito Paris, Beto Betuk e Yami.

Há ainda três composições inéditas (nomeadamente o dueto com Tito Paris) criadas especialmente para este projeto luso-polaco. Anna Maria Jopek (que já foi protagonista de uma campanha publicitária do Millennium BCP na Polónia) interpreta em Português (com sotaque de portugal e do Brasil), na língua crioula e em Kimbundu.

Ela canta algumas canções em língua portuguesa, com aquele delicioso sotaque que as polacas têm quando falam a língua de Camões e que já arrebatou muitos corações lusitanos, brasileiros, angolanos...

A banda que acompanha a cantora na "Sobremesa Toure" é composta por Yani, Nelson Canoa (do programa da SIC "Ídolos"), Marito Marques, Joao Balão, Marek Napiórkowski e Henryk Miśkiewicz.

Alinhamento

1. Rua dos Remédios (do álbum "Catavento" de Beto Betuk)
2. Tylko tak Moglo Byc (com Tito Paris)
3. Mãe Negra (com Paulo de Carvalho)
4. Lizbona Moja Milosc (com Sara Tavares)
5. Kananga do amor
6. Noce Nad Rzeka
7. Ye yo (com Yami)
8. Cabo da Roca
9. Naanahanae
10. Smuga Smutku (com Ivan Lins)
11. Sodade
12. Spojrz, Przeminelo
13. Lizbona, Rio I Hawana

Letras (Cabo da Roca)

Czy tu się kończy świat?
Czy drugą stronę ma?
To wie jedynie wiatr.
Jesteś na Cabo da Roca

Possível tradução (com base no tradutor do google)

Será que existe o fim do mundo ?
Será que existe o outro lado?
Apenas sabe que há vento.
Quanto estás no Cabo da Roca

Fontes: eurovisionontop / grandprixeurovision.blogspot / danjazzpoucodetudo / Tugas na Polónia

Videos pessoais: "Mãe Negra" (com Paulo de C.) / Lizbona Moja Milosc (com Sara Tavares) / Cabo da Roca

Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011

"Dialogues" Carlos Paredes - Charlie Haden (1990)

Encontro de culturas ou uma mostra do que resulta de um encontro entre o mestre da guitarra portuguesa e do baixo norte-americano num resultado misto de fado e jazz.

Carlos Paredes exerce o seu míster na guitarra portuguesa, Charlie Haden no baixo. Os dois foram gravados nos dias 28 e 29 de Janeiro de 1990 no Studio Acousti, em Paris. A produção é de Jean-Philippe Allard e a capa de Jean-Marie Lambert.

Num pequeno texto inserto no disco, Charlie Haden compara Carlos Paredes a Ornette Coleman no que à atitude perante a música diz respeito.

De Haden, apenas o hino "Song for Che". O resto, em temas como "Dança dos camponeses", "Marionetas", "Balada de Coimbra", “Divertimento" ou o incontornável "Verdes anos", saiu da pena e do transe de Paredes.

Haden remete-se a um papel discreto. A improvisação, segundo Paredes, não segue os parâmetros do jazz. É caminho escuro, mas também cravejado de estrelas e cometas. Diante da guitarra ergue-se um espelho. Onde se reflecte o mundo, mas só à sua imagem.

"Song For Che"

"Song For Che" foi dedicado por Charlie Haden, em 1971, no Festival de Jazz de Cascais aos movimentos de libertação da Guiné e Cabo Verde, Angola e Moçambique.

Fontes: Guedelhudos / Nabulabula

Video: Carlos Paredes e Charlie Haden

Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011

A redescoberta de Carlos Paredes


Em 2004, Ben Chasny (Six Organs of Admittance) teve a sorte de, entre concertos, descobrir a obra de Carlos Paredes: "Acho que devia ser conhecido no mundo inteiro. Toda a gente que fala de Fahey devia começar a falar de Paredes também".

A descoberta foi tão marcante que Chasny dedicou a Paredes a faixa "Lisboa" e o disco "School of the Flower" (2005).

"Adorava mudar-me para aí e já pensei nisso muitas vezes. As palavras não chegam para dizer o que eu gosto em Lisboa. É uma questão de humor e sabor. São os amigos que fiz aí. É a luz. São muitas coisas."


Chasny aproveitou igualmente para avisar os responsáveis da editora com quem trabalha, a Drag City, de que as versões em LP de alguns dos álbuns de Paredes estavam há muito fora de circulação e que a sua recuperação era, mais que uma obrigação, um evidente privilégio. (...)

Fred Somsen, português que faz parte da equipa da Drag City em Londres, diz-nos que "Paredes é ainda relativamente pouco conhecido internacionalmente, talvez o seja por via das comunidades emigrantes, talvez também pela versão que o Kronos Quartet fez de 'Verdes Anos'”. Ainda assim, nada que não seja contornável: “Acreditamos que uma edição destas pode conseguir chegar a outros públicos.


Kronos Quartet

O quarteto de cordas fundado, em 1973, pelo violinista David Harrington em Seattle, Washington, ficou a conhecer Carlos Paredes através de um disco editado na sua companhia, a Elektra Nonesuch, no princípio dos anos 90.

Demorou algum tempo até arranjarem alguém para fazer os arranjos, no caso, Osvaldo Golijov, a única pessoa que conheciam capaz de transpor a música de Paredes para quarteto de cordas e fazê-la parecer-se, de facto, com música de quarteto de cordas.

O álbum "Kronos Caravan" (2000) incluia músicas de 10 compositores de diferentes países, sendo de realçar as versões de dois temas de Carlos Paredes: "Canção Verdes Anos" e "Romance nº 1". O disco alcançou o nº 4 no Top de Álbuns de Música Clássica da Revista Billboard, permanecendo no top durante 15 semanas.

Revista Uncut (2011)


A revista britânica deu 4, num máximo de 5 estrelas, aos dois álbuns de Carlos Paredes, "Guitarra Portuguesa" e "Momento Perpétuo", editados internacionalmente pela Drag City.

A "Uncut" colocara, anteriormente, o álbum "Guitarra Portuguesa", de Carlos Paredes (Drag City), no 7º lugar da sua playlist, que, na altura, era encabeçada pelos Wilco ("The Whole Love").

"Tired of John Fahey clones? Try this reissue from 1971 of next level Portuguese guitar wizardry."


Outras Curiosidades

A música de Carlos Paredes foi utilizada em diversos filmes, nomeadamente, em 1962, na curta metragem “P.X.O.” de Pierre Kast e Jacques Doniol-Valcroze.

Em 1989, pode-se ouvir o tema “Dança” na banda sonora ambiente da digressão de Paul McCartney. O disco fora oferecido a Paul pelo "guedelhudo" Luís Pinheiro de Almeida.

Fontes: Independanças / BodySpace / Guedelhudos / Jornal Público / Nabulabula / Ponto Alternativo

Videos: "Verdes anos" (Kronus Quartet) / "Lisboa" (Six Organs of Admittance)

Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011

Fernando Abrantes was a Robot (1991)


Fernando Abrantes estudou engenharia de som na Alemanha. Em 1991, recebeu um convite surpreendente. Fazer parte da formação dos Kraftwerk, o mítico grupo alemão criador de conceitos pop que continuam a fascinar gerações.

O teclista Karl Bartos havia abandonado o projecto, que se preparava para empreender a sua terceira grande digressão pelo Reino Unido, e para completar o quarteto foi escolhido Abrantes.

Uma das novidades dos cerca de 15 concertos onde o português interveio foi a introdução de novos robôs no conceito visual. Foram criados quatro com as feições de cada um dos membros, providos de membros móveis e controlados pelos músicos, remotamente. Depois da saída de Abrantes, os Kraftwerk estabilizaram a sua formação com Ralf Hutter, Florian Schneider, Fritz Hilpert e Henning Schmitz.


Como é que se deu a entrada de Fernando Abrantes nos Kraftwerk

"A minha mãe é alemã, estudei engenharia de som sete anos em Düsseldorf e foi aí que conheci Fritz Hilpert, hoje um dos principais membros dos Kraftwerk. Ele é também engenheiro de som, é responsável por "disparar" o computador central e toca percussões electrónicas no grupo. Éramos amigos e colaborámos em alguns projectos.

Em 1991, já eu estava em Portugal, recebi um telefonema dele a perguntar-me se queria fazer um "casting" para substituir Karl Bartos, o teclista principal. Já tinha aqui a minha vida, tinha nascido a minha primeira filha, mas lá fui ter com eles. Pagaram-me um bilhete de avião, gostaram de mim e ficou decidido que iria integrar a formação do grupo na digressão por Inglaterra nesse mesmo ano."


Robôs-réplicas

"Era engraçado ver a minha cabeça-de-robô na imprensa... [risos]. Fazia parte da concepção do espectáculo. Era impressionante como aquilo funcionava porque os robôs eram tratados com extremo cuidado. Foram feitos por uma empresa italiana que conseguiu, via "MIDI", que todas as articulações pudessem ser comandadas por computador. (...)"

Fonte: Vítor Belanciano (Público / Ipslon) (adaptado)

Fernando Abrantes actuou com os Kraftwek na digressão inglesa de "The Mix" (1991), tendo posteriormente sido substituído por Henning Schmitz, contudo o robô de Abrantes continuou a aparecer na tournée.

Sobre esse aspecto, Ralf disse: "é muito mais fácil trocar um membro do que um robô!"

Outras Fontes: DJ Hunter-Nila /Parabolicadoblum

Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011

Luís Jardim, músico sem fronteiras

Luís Jardim nasceu na freguesia de Santa Maria Maior, na Rochinha, Ilha da Madeira. Começou com 9 ou 10 anos, com uma banda, que na altura foi muito conhecida na Madeira nos anos 60, chamada Demónios Negros.

Saiu da Madeira com 16 anos com destino a Inglaterra, à procura de novas oportunidades, visto que na Madeira era muito difícil. Durante a viagem de barco para Inglaterra, conheceu um trio que actuava no barco, com o qual começou a colaborar.

A cantora chamava-se Linda Allan, e foi a sua primeira esposa, tendo ficado conhecida como Linda Jardim, a intérprete feminina do tema "Video Killed the Radio Stars" dos The Buggles.


Quando chegou a Londres rapidamente entrou no mundo da música. Pensavam que Luís Jardim era brasileiro, pois havia muito músicos brasileiros a trabalhar fora do Brasil, e não havia tradição de músicos portugueses.

Trouxe balanço/groove para a música inglesa, que nessa altura era algo frio, o que o levou a ser convidado por muitos artistas. Colaborou em mais de 5.000 discos nos primeiros anos.

Formou em 1971 os Rouge, um grupo que tocava música mais soul/funky e que editou pela CBS, tendo durado até 1975. Segundo Luís Jardim o grupo teve sucesso em países como os E.U.A., Canadá, Austrália e Japão.


Fez parte da banda de artistas como Tom Jones e Tina Turner. "Toquei durante 3 anos com Tinha Turner e no fim ninguém me conhecia".

Em 1977 tornou-se músico de estúdio. O seu percurso pode ser seguido pelas "capas" dos discos onde participou, mesmo que o nome venha escrito errado (às vezes Louie Jardim, Louis Jardim, ...).

A primeira remistura que fez foi para a versão de dança de "Relax" dos Frankie Goes To Hollywood. Mais tarde formou uma equipa de produção que se dedicava essencialmente a remisturas, e fez discos de house e hip-hop escondido por trás do nome Matt Vinyl.


Acompanhou artistas como os Madness (nos álbuns "Keep Moving"), Asia (nos álbuns "Arena" e "Aura"), Claire Martin ("Take My Heart"), Katie Melua e Axelle Read.

Luís Jardim integrou igualmente o agrupamento Jazz, Charlie Watts and his Tentet, liderado pelo famoso baterista dos Rolling Stones.


Participação em mais de 10.000 discos

O decano Luís Jardim é percussionista e trabalha como músico de estúdio desde 1973. A lista de álbuns em que participou é infindável e notável, contando com nomes de todas as áreas musicais, dos Rolling Stones, Eric Clapton ou Elvis Costello, a James Brown, Björk ou Art of Noise

Os seus dotes no domínio das percussões e do baixo começaram a propagar-se por uma imensidão de álbuns de artistas mais ou menos famosos, atingindo um pico de reconhecimento quando surgiu nas gravações de “Steel Wheels” e “Voodoo Lounge”, dos Rolling Stones.



Jardim também pode ser escutado, por exemplo, em registos dos Pink Floyd ("The Final Cut"), ABC, Art of Noise, Björk, Boy George, Ray Charles, Eric Clapton, Elvis Costello, Bryan Ferry, Frankie Goes to Hollywood (capa de "Welcome to the Pleasuredome"), Goldie, Madness, Seal, Soul II Soul, Tears For Fears e Wham!.

Luís Jardim referiu ao programa "Bairro Alto", da RTP2, que obteve, em 1986, um prémio Grammy como melhor instrumentista pela participação no tema “Slave to the Rhythm” de Grace Jones (produção de Trevor Horn).


Depoimento de Rui Veloso

Eu já conhecia o Luís há anos, porque, uma vez, em Londres, fui recebido por ele de uma maneira que me deixou espantado. Quero dizer, sempre era o Luís Jardim, o homem que toca com todos aqueles gajos importantes. E ele, com uma paciência infinita, andou a mostrar-me uma imensidão de estúdios diferentes. (…)

Mas quando conheci o Luís já tinha cá em casa milhentos discos com o nome dele, escrito de várias maneiras - Louis Jardim, Luis Jardin. Discos do James Brown, dos Rolling Stones, vários dos Soul II Soul.

Curiosidade

Linda Jardim foi igualmente a intérprete do tema "Energy in Northampton" dos Northampton Development Corporation, mas não teve grande sucesso.



Fontes: "Bairro Alto" (RTP2) / Jardim.co.uk / Guedelhudos / wikipedia / Guia da Madeira / Blitz (Ricardo Camacho / Rita Guerreiro)

Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

Ghida de Palma entre Paris e Londres ...


Guida de Palma é uma cantora setubalense que tem vivido boa parte da sua vida em França e em Inglaterra e trabalhado ora, como engenheira de som, ora como cantora, ora como produtora, ao lado de músicos como Magma, Kyoto Jazz Massive, Da Lata e nos seus actuais projectos, a banda Jazzinho (sedeada em Londres) e Piri Piri Funk Machine (com base de actuação em Lisboa).

Em Paris, onde residiu muitos anos, foi formada pelo professor de canto Anton Valery. Depois frequentou o CIM (escola de jazz de Paris) sob a direcção de Christiane Legrand (a irmã de Michel Legrand).


Em 1991 participou no disco da British Electric Foundation (projecto paralelo dos Heaven 17), "Music Of Quality And Distinction Volume II", com o tema "Feel Makin' Love". Para os elementos dos Heaven 17 era considerada uma artista a ter em conta para 1992.

Editou em 1992, pela Polygram internacional, o máxi "Dançar Cantar", com produção de Martin Ware (dos Heaven 17), mas não teve grande sucesso.

Colaborou igualmente com os Dodge City Productions, no tema As Long "As We're Around" e com os A Certain Pleasure no tema "Be There".


Em Londres, diplomou-se em engenharia de som e produção musical da SAE (Ton Meister / School of Audio Engineering de Londres) e ensinou canto no Morley College of Music e no Richmond College of Music.

Paralelamente ao ensino, também cantou profissionalmente, tendo participado em muitas gravações e espectáculos de artistas internacionais (George Clinton, Pet Shop Boys, France Gall, etc.).


Jazzinho (depoimento do brasileiro Aleksander Aguilar)

O som do grupo é apurado e de arranjos sofisticados, feito por quem sabe e produzido por quem conhece. As influências são Nina Simone, Azymuth, Chaka Khan, Gilberto Gil e também Ed Motta, a cargo da produção do mais recente trabalho da multinacional banda residente em Londres. Produzir Jazzinho foi como tirar umas férias da minha própria arte.., declarou o músico tão perfeccionista como produtor quanto como compositor.

"Atlas" (de 2006), segundo álbum da banda, tem um título que serve como uma luva para o jazz com percussões afro-brasileiras, vocais soul com melodias bosseadas e integradas por bandolin, piano, sax, violino, flauta, trombone e trompete. É mesmo um "jazzinho", intenso e dançável, comandado pela voz da portuguesa com sotaque brasileiro, Guida de Palma.

As letras que versam em inglês, português e até um pouco de francês também refletem a vertente internacional do grupo, mas não deixam de ser cheias de brasilidade. Tratamento instrumental refinado para ouvidos que querem ser embalados por um som que ao mesmo tempo faz o corpo dançar e os pensamentos viajarem ... bem longe do tráfego. Bata a porta do carro e dance no congestionamento.

Videos: A certain pleasure / "Simétrie" (em dueto com Ed Motta) / "Sim ou Não" (Jazzinho)

Fontes: Crónicas da Terra / Voz Ilimitada / Jazzinho / Discogs / Guidadepalma.com

Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011

Editora portuguesa Clean Feed destaca-se no universo do ‘jazz’

A editora portuguesa Clean Feed é reconhecida internacionalmente pelas principais publicações da especialidade (Downbeat, AllAboutJazz) e pelos melhores críticos mundiais (Associação de Jornalistas de Jazz dos EUA) como uma das melhores editoras de Jazz do mundo.

A Clean Feed nasceu em 2001 pelas mãos de uma equipa com experiência na indústria discográfica, entre os quais Pedro Costa, ex-coordenador das secções de jazz das lojas Valentim de Carvalho e da secção de música da FNAC. Em dez anos de existência editaram cerca de 225 discos de ‘jazz’ e “música de improviso”, dos quais cerca de 50 são da autoria de artistas portugueses, um número que um dos fundadores da editora, Pedro Costa, considera ser “muito bom”.


Anualmente, a Clean Feed vende uma média de 15 mil discos, dos quais a maior parte é exportada. “O nosso maior mercado é os Estados Unidos da América (EUA)”, indica.

Contudo, a distribuição dos discos lançados pela editora chega também a outros países, como o Japão, Canadá, Alemanha, França, Rússia, Reino Unido, Espanha, Israel, China, Suíça e Noruega. As vendas são feitas em loja, através dos distribuidores locais. O mercado digital é ainda outra das apostas.


Desde 2006, a Clean Feed realiza um festival de ‘jazz’ em Nova Iorque, nos EUA. O investimento neste tipo de iniciativas ronda os seis mil euros e o retorno “compensa”. “Permite fazer promoção e divulgar a editora, para além de, uma vez por ano, estarmos próximos dos nossos artistas”, afirma.

O que faz, então, despertar o interesse pelo ‘jazz’ produzido em Portugal, independentemente da nacionalidade dos seus intérpretes? “Tudo reside na música e nos discos que editamos. Temos o cuidado com as capas, grafismo utilizado, qualidade das gravações, informação incluída no álbum e até a própria embalagem”.

Fontes: Expressões Lusitanas / música.sapo / Clean Feed

Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011

Joaquim Paulo edita livros "Jazz Covers" (2008) e "Funk & Soul Covers" (2010) pela Taschen


A editora alemã Taschen lançou, em 2008, "Jazz Covers", um livro do coleccionador português Joaquim Paulo, que reproduz ao longo de 496 páginas cerca de 700 capas de vinis de jazz dos anos 1940 a 1990 da sua discoteca pessoal.

O livro, de capa mole e com um formato aproximado de um LP, reproduz as capas dos perto de 700 discos acompanhados de ficha técnica, comentários e entrevistas que contextualizam historicamente cada vinil.


"Jazz Covers" é "um documento da história do jazz e revelador de como a componente gráfica teve uma ligação muito importante com a música", disse Joaquim Paulo à agência Lusa.

Os discos foram escolhidos a partir da colecção pessoal de 25.000 títulos de Joaquim Paulo, profissional ligado à rádio em Portugal há mais de vinte anos e, mais recentemente, fundador da editora "Mad About Records".


Considerando esta obra "um projecto de vida", Joaquim Paulo trabalhou neste livro ao longo de dois anos, seleccionando os discos e compilando testemunhos de personalidades-chave para contar a história do jazz. São os casos de Rudy Van Gelder, o engenheiro de som que gravou álbuns para a Blue Note ou para a Prestige, o produtor de jazz Creed Taylor e o designer Bob Ciano.

Joaquim Paulo propôs o projecto à Taschen, porque queria uma editora "que tivesse um grande cuidado gráfico" e foi o próprio fundador da editora alemã, Benedict Taschen, que viabilizou a edição.


Apesar de o jazz remeter invariavelmente para os Estados Unidos, a escolha de Joaquim Paulo é geograficamente ampla, com a inclusão de discos da Argentina, Brasil, Polónia, Roménia ou Reino Unido.

Da galeria de eleitos fazem parte Miles Davis, Chet Baker, Thelonious Monk, John Coltrane, Ornette Coleman, Count Basie, Art Blakey, Bill Evans, Ella Fitzgerald e Chick Corea, mas também Stan Getz, Claus Ogerman, Teuo Nakamura, Vince Guaraldi, Moacir Santos e Maurice Vander.


Muitos dos discos foram seleccionados também por revelarem uma "cumplicidade entre os designers e os músicos. Há uma sintonia entre o que a capa mostra e a música", sobretudo dos anos 1950 e 1960, comentou Joaquim Paulo.

A escolha, que exclui artistas portugueses, vai apenas até aos anos 1990, por causa do declínio das edições de música em vinil e da rápida ascensão do digital, com o CD.

Joaquim Paulo recebeu o prestigiado Prix du Livre de Jazz 2008, atribuído pela Academia Francesa de Jazz.


Ligação lusa

"Jazz Covers" foi uma ideia que partiu do próprio Joaquim Paulo. "Uma vez li no 'Expresso', isto há três anos [em 2005], que o director financeiro da Taschen na altura era um português, Pedro Lisboa, que hoje é o vice-presidente da editora.

Andei à procura dele em vários escritórios da Taschen - encontrei-o em Colónia. Enviei a proposta já escrita e esquematizada, com um trabalho prévio feito. Ele respondeu de imediato, coisa que me surpreendeu muito."

Fontes/Mais informações: Lusa / Ipsilon / Público / DN / Fragmentos-Lte / Blitz / Taschen


"Funk & Soul Covers"

Depois do excelente Jazz Covers, Joaquim Paulo já tem nova aventura pronta na Taschen – Funk & Soul Covers. O livro foi publicado em duas edições trilingues (português, espanhol e italiano, uma, e inglês, francês e alemão, a outra) e vem acompanhado de um disco de sete polegadas em vinil.

No livro há entrevistas com Larry Mizell, Gabe Roth e David Ritz («tipo porreiro», segundo o próprio Joaquim Paulo) e listas de Danny Krivit, Steinski, Egon, etc.

Das mais de 500 capas de discos que podem ver-se neste livro, todas pertencem à colecção pessoal de Joaquim Paulo, que tem cerca de 25 mil exemplares. "Foi um vício que me foi incutido pelo meu primo, que comprava imensos discos e eu desde miúdo só via aquele espírito de comprador compulsivo.



Cresci com uma referência destas, ele era também um grande fã de funk e jazz, por isso as primeiras coisas que ouvi em casa passaram muito por este tipo de música", contou.

Segundo o autor, o período da revolução musical vivida nas décadas de 60 e 70 do século XX foi acompanhado pelo grafismo das capas dos discos: "Agora ao falar com algumas pessoas ligadas a editoras de funk e soul da altura, e também com produtores, todos me dizem que havia ali uma comunhão de interesses, a indústria discográfica dava uma liberdade que permitia aos designers gráficos e aos fotógrafos fazer coisas que hoje são impensáveis."

Fontes: DN / 33-45 / Taschen

Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011

"Portuguese Soul" de Jimmy Smith (1973)


Jimmy Smith, considerado o rei do órgão Hammond, nasceu em Dezembro de 1928 e começou a tocar em 1951, tendo dado os primeiros passos no café Bohemia, em Nova Iorque. Uma sessão no clube Birdland e uma actuação no Newport Jazz Festival de 1957 foram a rampa de lançamento para a carreira do organista.

A partir daí, Smith tocou intensivamente nos anos 60 e 70 e gravou com músicos como Kenny Burrell, Lee Morgan, Lou Donaldson, Tina Brooks, Jackie McLean, Ike Quebec e Stanley Turrentine. Editou nada menos do que mais de 30 albums para a Blue Note e 20 para a Verve...

O músico norte-americano foi eleito por várias vezes melhor organista de jazz pela revista "Downbeat", a primeira das quais em 1964.


Jimmy Smith "Portuguese Soul"

Jimmy Smith passou pelos palcos do Cascais Jazz e em virtude dessa actuação editou em 1973 um disco a que deu o título de "Portuguese Soul".

Lançado pela Verve, este registo foi gravado em Nova Iorque, com uma Big band dirigida por Thad Jones.


As faixas deste trabalho são:

A1. And I Love You So"
A2. Blap"
B1. "Opening:Prologue"
B2. "1st Movement:Portuguese Soul"
B3. "2nd Movement:Ritual"
B4. "3rd Movement:Farewell To Lisbon Town"


Como tudo começou

Tudo começou às 4 da manhã de domingo, do dia 13 de Novembro de 1972, após a realização do último concerto de uma digressão europeia de três meses, em Cascais, uma pequena vila nos arredores de Lisboa.

Já tínhamos arrumado os equipamentos, mas a música não parava de se mover na minha cabeça, indo em tantas direções que eu sabia que não iria dar origem a apenas a uma ou duas canções, mas sim a uma 'suite' completa.

Apenas 2 "extractos" (lyric lines) são inspirados directamente pela digressão portuguesa: "Travelling around in Lisbon Town, beautiful sights you'll see", que faz parte do Prólogo, e "We'll come back again someday, and see things lovelier", no momento final de "Farewell To Lisbon Town".

(adaptação abreviada do texto inscrito no verso do disco "Portuguese Soul")

Fontes: Jazz no país do improviso / Van Groove express / Guedelhudos

Video: "First movement"