segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

"Mensagem" de Fernando Pessoa por André Luiz Oliveira


Arrebatado pela riqueza da obra de Fernando Pessoa, por quem nutre uma antiga paixão, o músico, escritor, compositor e cineasta baiano André Luiz Oliveira transformou seu amor em sons.

Particularmente impressionado pela mística que envolve o livro Mensagem – única publicação em vida de Pessoa, ele mesmo –, Oliveira compôs músicas para 25 desses poemas e as registrou nos CDs "Mensagem 1", feito há duas décadas, e "Mensagem 2", que saiu, em 2004, em comemoração aos 70 anos da primeira edição do prestigiado volume.

Em 21 de Janeiro de 2008, o baiano relançou ambos os produtos na loja de discos Midialouca (Rio Vermelho), e lançou o DVD "Mensagem 2", que reúne imagens captadas durante as gravações do disco homónimo.

O vídeo digital exibe a interpretação, em estúdio, de cantores que participaram do projeto, todos eles também admiradores do poeta lusitano, como Milton Nascimento, Monica Salmaso, Cida Moreira, Gilberto Gil, Elba Ramalho, Paula Rasec, os portugueses Glória de Lurdes e Mário Lúcio, Edson Cordeiro, Ná Ozzetti, Daniela Mercury, Zeca Baleiro e o próprio André Luiz Oliveira.

Making of, galeria de fotos, poemas e depoimentos dos cantores sobre a obra de Pessoa aparecem nos extras do DVD, assim como análises a respeito do livro Mensagem realizadas por professores universitários ligados à obra do bardo português.

Fonte (texto completo): Blog Poeiras e Cantos

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sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Aliki Kayaloglou canta Fernando Pessoa (2007)

Aliki Kayaloglou é uma cantora grega, que já colaborou com dois dos mais importantes compositores gregos, inicialmente com Mikis Theodorakis e depois com Manos Hadjikdakis.

Empenhada em partilhar o seu gosto pela poesia, Aliki possui uma particular forma de interpretar textos poéticos e de os comunicar com o público, dando recitais, desde 1982, sobre alguns dos seus poetas preferidos como G. Seferis, O. Elytis, Cavafy K., Ritsos G., Anagnostakis M., Gatsos N., Lorca, Horácio Ferrer, Fernando Pessoa e outros.

Em 2007 lançou o disco "Aliki Kayaloglou Sings Fados and Reads Fernando Pessoa's Ode Maritima" no qual cantava o fado e declamava a "Ode Marítima" de Fernando Pessoa.

Fado e Fernando Pessoa (adaptado do blog de um lusodescendente)

Numa bela tarde, deparei-me com um disco em que apenas dois nomes me eram familiares. "Fado" e "Fernando Pessoa". (...)

Escusado será dizer que às vezes ainda caio na armadilha de sentir as minhas raízes. Mesmo com uma ênfase em outro lugar. E se o mundo fosse um? ...

Fontes: Aliki Kayaloglou (site) / Du bleu dans mes nuages

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Obras de Saramago adaptadas para Ópera

O compositor italiano Azio Corghi já escreveu sete obras musicais sobre textos de Saramago, sendo "Dissoluto Absolvido" a terceira colaboração no campo da ópera. Para o compositor italiano a literatura é uma grande fonte de inspiração quando se trata de encontrar temas teatrais.

Blimunda

Saramago recusou autorizar uma adaptação cinematográfica de "Memorial do Convento". O romance foi, no entanto, adaptado a ópera lírica em 3 actos por por Azio Corghi, com o título "Blimunda" (em 1989), estreada no Teatro alla Scala, Milão, em 20 de Maio de 1990, com encenação de Jerôme Savary.

José Saramago apenas consentiu esta adaptação pelo facto sa ópera se inspirar apenas em quatro ou cinco elementos dramáticos da obra. Blimunda foi a figura central do espectáculo; trata-se de uma mulher de estranha beleza e dotada de poderes ocultos, que acompanha Baltasar Sete-Sóis, um ex-soldado maneta e gancho no coto, nas desventuras da Inquisição, na aventura da Passarola de Bartolomeu de Gusmão e nos episódios da construção do Convento de Mafra.

Outras obras musicais

Da peça "In Nomine Dei" foi extraído um libreto, o da ópera "Divara", estreada em Munster (Alemanha), em 31 de Outubro de 1993, com música de Azio Corghi e encenação de Dietrich Hilsdorf.

Igualmente de Azio Corghi é a música da cantata "A Morte de Lázaro" sobre textos de "Memorial do Convento", "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" e "In Nomine Dei", interpretada pela primeira vez em Milão, na igreja de San Marco, em 12 de Abril de 1995.

Da peça teatral "Don Giovanni ou o Dissoluto Absolvido" foi extraído o libreto da ópera de Azio Corghi "Il Dissoluto Assolto", estreada em Lisboa, em 18 de Março de 2006, no Teatro Nacional de São Carlos.

A dupla Corghi e Saramago

O que mais o fascina em Saramago, "um homem que denuncia as injustiças do mundo mas que tem uma grande sede de viver", é o facto de cada obra literária do escritor português conter tudo lá dentro: "romance, poesia, teatro, música!", disse Corghi.

A música de "Dissoluto Absolvido" começou a ser composta antes de o libreto estar completamente pronto, mas foi sendo ajustada em função das longas conversas que os dois autores iam tendo por "email", ditando o texto vários dos procedimentos musicais.

Estilo

Tudo isto é servido por um estilo que passará a constituir forte marca do autor e que se define, basicamente, pela supressão de alguns sinais de pontuação, nomeadamente pontos finais e travessões para introduzir o diálogo entre as personagens, o que vai resultar num ritmo fluido, marcadamente oral e muito próprio, tanto da escrita como da narrativa.

Estas características irão, aliás, contribuir para transformar os seus livros em objecto de interesse para encenadores, músicos e realizadores de cinema

Fontes: CM-Golegã / Público / Monicareactor / Hardmusica in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. V, Lisboa, Europa-América, 1998 / Espaço Português

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segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

"Ode Sinfónica Vasco da Gama" de Bizet (1859)

Foi durante a sua estadia na Villa de Medicis no ano de 1859, como bolseiro, que Georges Bizet (na imagem) iniciou a composição da Ode Sinfónica Vasco da Gama.

Estavam então na moda os nacionalismos, os quais ocupavam um importante papel na produção artística em geral.

Neste contexto de atracção pelas culturas alheias e pelo seu elemento exótico e misterioso, porque desconhecido, numerosas traduções de obras literárias circulavam por toda a Europa.

Não é de espantar que os Lusíadas fosse uma das obras mais traduzidas de todo o século XIX, tendo então chegado ás mão do jovem Bizet.

Encantado com a heróica odisseia dos descobrimentos, com a figura de Vasco da Gama e com a inconfundível arte de Camões, compôs esta Ode Sinfónica para Coro, solistas e narrador, com libreto de Louis Delâtre.

Todos os papeis são masculinos embora o jovem oficial Leonardo e o Vigia sejam interpretados por sopranos. A impressionante voz de adamastor foi originalmente escritra para seis baixos.

Fonte: Mezza Voce

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Vasco da Gama em "A Africana" de Meyerbeer (1865)

"A Africana" é a ultima ópera de Meyerbeer. Estava em fase de produção quando da morte do compositor e, por isso, foi pedido ao renomado musicólogo Fétis para rever toda a partitura para a estreia.

Trata-se de uma grande ópera à boa maneira da época: Triângulos amorosos, uma prisão, povos exóticos, barcos apanhados em tempestades, rituais nativos, árvores venenosas e um auto-sacrificio…

O libreto teve como fonte de inspiração o poema “Le Mancenillier” de Millevoye, que conta a história de uma árvore cuja fragrância é venenosa e de um par de amantes.

Apesar de Eugène Scribe, o libertista, e Meyerbeer, terem começado a trabalhar na ópera em 1837, rapidamente a puseram de lado para se dedicarem a "Le Prophète". Só quando terminaram este trabalho é que voltaram à "Africana", para mais uma vez ser interrompida.

Com tantas interrupções só terminariam o primeiro esboço em 1843 que seria inteiramente revisto. A acção do libreto original passar-se-ia entre África e Espanha, mas na última revisão, efectuada em 1857, a personagem principal passa a ser Vasco da Gama, e os locais da acção passam para Portugal e para as costas de Madagáscar e/ou Índia.

Embora o nome se tenha mantido “A Africana”, as referências a rituais brahmas e aos deuses indianos são uma constante.

A Africana foi estreada na Ópera de Paris a 28 de Abril de 1865. O triunfo foi imediato e rapidamente se espalhou a outras casas de ópera por toda a Europa.

Fonte: Mezza Voce

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

"Don Sebastião, Rei de Portugal" de Donizetti (1843)

A reputação da ópera "Don Sebastião, Rei de Portugal" não é das melhores. Donizetti despendeu mais tempo com esta ópera do que com qualquer outra, e o resultado não terá sido o melhor.

Alguns críticos consideram-na um funeral em cinco actos, e por alguma razão, quando a crítica alude a esta ópera refere sempre o estado de saúde mental de Donizetti que nesta altura estaria já bastante afectado devido à sífilis.

Poucas figuras da História europeia incendiaram a imaginação e a criatividade, como D. Sebastião. A literatura romântica produziu sobre este rei português vários contos extravagantes, e Donizetti compôs em 1843 a ópera Don Sebastião, Rei de Portugal, hoje considerada rara.

Estreou na Ópera de Paris. Foi uma obra monumental prejudicada no entanto por um libreto pouco plausível e mal articulado, porém, musicalmente revela o apuramento de estilo que consagraria internacionalmente o seu autor.

Fonte: André Cunha Leal

Video: (Ópera)

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

"Dionisio" de Händel ou uma ópera que nunca veio a ser

"Dionisio Re di Portogallo" é o título do libreto de Antonio Salvi (escrito em 1707 e posto em música por Giacomo Antonio Perti) que esteve na origem de uma das óperas menos conhecidas de Handel (na imagem): "Sosarme, Re di Media", estreada em Londres em 1732.

A meio da composição da obra, possivelmente por razões políticas, Handel viu-se obrigado a transportar a acção (que evocava os conflitos familiares entre D. Dinis, o seu filho herdeiro, D. Afonso IV, e o seu filho bastardo D. Afonso Sanches) da Coimbra medieval para o Médio Oriente.

Libreto original

Händel começou por escrever um "Fernando, re di Castiglia" (com os mesmos personagens históricos), o qual, a cerca de 2/3 da composição (de que existe manuscrito autógrafo), foi alterado no título e no tempo histórico para Sosarme (passado na Ásia Menor da Antiguidade), título pelo qual a obra é conhecida.

A acção situava-se em Portugal: D. Fernando (Rei de Castela) e Elvida (filha de D.Dinis, Rei de Portugal) eram as personagens principais, que viam o seu casamento adiado pela verdadeira guerra civil gerada pela revolta do Infante Afonso (futuro Rei D. Afonso IV).

Fontes: Opera em Portugal / wikipedia1 / cult blogs

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sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

"Inês de Castro" na ópera e música clássica

A história de Inês de Castro inspirou mais de 20 operas, sendo as mais famosas “Ines de Castro” (1798) de Niccolò Antonio Zingarelli e “Ines de Castro” (1835) de Giuseppe Persiani (1799-1869) com base no libretto de Salvatore Cammarano, que foi bastante conhecida no seu tempo.

Século XVIII

A primeira ópera dedicada a Inês de Castro foi escrita por Gaetano Andreozzi (1755-1826), tendo sido estreada em 1793, na lindíssima e envolvente Florença.

No ano seguinte, 1794, estrearia em Nápoles a “Inês de Castro” de Giuseppe Francesco Bianchi (1752-1810), numa época em que aquela cidade era um dos grandes centros operáticos.

Século XIX

Em 1806 foi estreada outra ópera intitulada “Inês de Castro” em Nápoles, em 1806 da autoria de Giuseppe Farinelli (1769-1836) que pouco terá a ver com o celebrizado castrado Farinelli.

A ópera "Inês de Castro" de Giuseppe Persiani foi estreada em Nápoles, no seu Teatro S. Carlo, em 28 de Janeiro de 1835, tendo desde logo alcançado enorme sucesso perante o público e a crítica, facto que lhe permitiu estar em cena durante cerca de 16 anos, em mais de 60 produções diferentes.

Em Lisboa, o Teatro de S. Carlos assistiria em 1841 à estreia de uma outra ópera "Inês de Castro", escrita por Pier Antonio Coppola (1793-1877), marcando a importância então conseguida por aquele Teatro a nível europeu.

Século XX

A tragédia de Inês de Castro inspirou também um compositor de música culta contemporânea, James MacMillan, nascido em 1959. A ópera "Inês de Castro" concebida por aquele autor foi estreada em 23 de Agosto de 1996, na edição desse ano do notabilizado Festival de Edimburgo, pela Scotish Opera Orchestra, com encenação de Jonathan Moore.

O seu libreto foi escrito pelo novelista britânico John Clifford, a partir da quase incontornável “A Castro”, de António Ferreira, facto que terá também justificado a sua apresentação em Portugal a 7 e 9 de Julho integrados no Porto 2001 – Capital da Cultura.

Mais recentemente, um jovem compositor suíço Andrea Lorenzo Scartazzini (nascido em 1971) foi o autor de “Wut”, uma opera em língua alemã estreada no Teatro Erfurt (Alemanha) em 9 de Setembro de 2006.

Fontes: José Alberto Vasco (Tinta Fresca) / wikipedia
/ Ismael Mendes


Outras obras ("Inés de Castro")

- Ópera - Scena ed aria de Carl Maria Friedrich Ernst von Weber"
- Ópera de Julien Duchesne (1864)
- Ópera do compositor uruguaio Tomás Giribaldi (1905)
- Ópera com musica de Gaetano Andreozzi, libretto di Cosimo Giotti (1793)
- Ópera com musica de Giuseppe Cervellini, Ignazio Gerace, Sebastiano Nasolini, Francesco Bianchi e libretto de Luigi De Sanctis (1795)
- Ópera com musica de Niccolò Zingarelli e libretto de Antonio Gasperini (1798)
- Ópera com musica de Vittorio Trento (1803)
- Ópera com musica de Pietro Carlo Guglielmi, libretto de Filippo Tarducci (1805)
- Ópera com musica de Stefano Pavesi, libretto di Antonio Gasperini (1806)
- Ópera com musica de Felice Blangini (ca. 1810)
- Ópera com musica de Giuseppe Persiani, libretto de Salvadore Cammarano e Giovanni Emanuele Bidera (1835)
- Ópera com musica de Thomas Pasatieri e libretto di Bernard Stambler (1976) (E.U.A.)
- Ópera com musica de Vicente Lleó

Videos: Persiani / Zingarelli

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

"La Reine Morte", série de TV (2009)

La Reine morte”, de Henry de Montherlant é a obra que serve de inspiração ao filme que retrata o tema mais apaixonante da história portuguesa: o romance trágico de D. Pedro com Inês de Castro.

No filme, os principais protagonistas são franceses e falado em língua francesa. No entanto na película há actores portugueses de renome.

Entre os actores mais conceituados destaque para Michel Aumont, no papel de rei, Goëlle Bonna, no papel de Inês de Castro, Thomas Jouanet, no papel de Pedro, Astrid Bergès-Frisbey, no papel de Infante e Aladin Reibel, no papel de Egas Coelho.

A película conta também com um leque de actores português, como André Gago, António Montez, Gonçalo Dinis e António Fonseca.

Locais de filmagem

Coimbra
Guimarães (Paço dos Duques de Bragança)
Montemor-o-Velho
Tomar (Convento de Tomar)

Fontes: Ansião news / Guimarães Digital / Jornal "O Templário"

Video

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

"A Rainha Morta" de Henri de Montherlant (1944)

A atracção pela história de Pedro e Inês manteve-se na primeira metade do Século XX, prolongando a visão romântica do século anterior, sendo de realçar o sucesso de uma grande tragédia francesa, “La Reine Morte” de Henri de Montherlant que sete anos após a sua apresentação já possuía 144 edições e continuava com um sucesso triunfal.

O personagem em destaque é Afonso IV, sob o nome de Ferrante, que tratado sob um ponto de vista freudiano.

Nesta tragédia em três actos, Henri de Montherlant mistura conflitos políticos com familiares. No argumento um rei doente – Ferrante - decide matar a mulher que casou secretamente com o filho. Nem ele compreende as razões que o levam a decidir a morte de Inês. No final, o rei morre à frente do cadáver da rainha morta.

Inês tem apenas um sentimento no coração: o amor. Ela nasceu para amar e não sabe fazer outra coisa.

Fontes: Maria Leonor Machado de Sousa (in "Du personnage au mythe") / Blog "Inês e Pedro na Literatura Estrangeira"

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

"Ines de Castro" de María Pilar Queralt del Hierro

María Pilar Queralt del Hierro transporta-nos, como por magia, neste romance histórico, para o longínquo ano de 1622.

Encontramo-nos a assistir a uma conversa entre homens, dos quais se destacam os escritores espanhois Lope de Vega e Luis Vélez de Guevara, quando surge a figura de um fidalgo português que se mostra interessado em contar uma história a Luis Vélez de Guevara. Trata-se da história de Inês de Castro.

Quem seria o misterioso fidalgo português?

A explicação surge pela boca de Luis Vélez de Guevara: a alma penada de D. Afonso IV, condenado, depois da morte, pelo crime que cometeu - "matar uma donzela fraca e sem força" - procura a redenção. Para a conseguir, deve fazer com que a história de Inês de Castro se conheça.

Depois de ouvirem a história dos amores de Pedro e Inês, Luis Vélez de Guevara escreveu a tragédia "Reinar después de morir", enquanto Lope de Vega escreveu "Inés de Castro".

Fonte: Blog "Inês e Pedro na Literatura Estrangeira" (adaptado)

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Inês de Castro na literatura mundial (II)

O famoso escritor francês Victor Hugo escreveu em 1820 "Inez de Castro", melodrama em três actos com dois intermédios, apenas publicado em 1863 aquando da edição das suas obras inéditas.

Existem, no entanto, muitos outros exemplos:

Alemanha

- "Inez de Castro", tragédia, de F. H. Thelo;
- "Inez de Castro", tragédia, de Grottfried von Böhm;
- "Inez de Castro", drama, de Joseph Lauff.

Argentina

- “Corona de amor y muerte”, peça de teatro, Alejandro Casona (1955)
- "Una Tragedia Amorosa En El Portugal Medieval", conto, de César Fuentes Rodríguez (2000)

Brasil

- "A rainha arcaica", série de 14 sonetos, de Ivan Junqueira (1979)

Espanha

- “Doña Inés de Castro, Reina de Portugal” de Juan Mejia de la Cerda (1612)
- "Reynar despues de morir" de Luis Velez de Guevara (1652)
- "Inés de Castro", Novela, de María Pilar Queralt del Hierro (2003)

E.U.A.

- "A Queen After Death", Romance, de William Harman Black (1933) [chegou a diferenciar as touradas espanholas e portuguesas, apresentando estas como menos sanguinárias]
- Fragmentos de "Cantos" de Ezra Pound (séc. XX)

França

- "La reine du Portugal", tragédia, de Fermin Didot;
- “Agnes de Castro” de M.lle de Brillac (1688)
- "Inez de Castro", tragédia, de Antoine Houdar de Lamotte (1723)
- "Inez de Castro", novela, da Condessa de Genlis;
- "La reine morte", drama, de Henri de Montherlant (1942)
- “La reine crucifiée”, romance, de Gilbert Sinoué (2005)

Holanda

- "Inez de Castro", tragédia, de Rhynius Feith.

Itália

- "Ines de Castro", tragédia, de Davide Bertolotti;
- "Ines di Castro", drama, de Luigi Baudozzi;

Reino Unido

- "Inez, the bride of Portugal", tragédia, de Neil Ross;
- "Agnez de Castro", tragédia, de Catherine Cockburn;
- "Ines de Castro", drama, de Mary Russel Milford;
- "Agnes de Castro", tragédia, de Lady Sound;
- "Agnes de Castro", tragédia, de Aphra Behn (1688)

Fontes: Vicente Cândido / Maria Leonor Machado de Sousa / Blog "Inês e Pedro na Literatura Estrangeira"

Mais informações: Maria Leonor Machado de Sousa / Fundação Pedro e Inês

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Inês de Castro na literatura mundial (I)

A vida de Inês de Castro foi imortalizada em diversas peças de teatro, poemas e outras formas de literatura, quer em Portugal (“Lusíadas” de Luís de Camões, “A Castro” de António Ferreira, "D. Pedro" de António Patrício, ...) quer no estrangeiro.

A repercussão em Espanha é fácil de entender, pelo facto de Inês de Castro ser oriunda da Galiza, tendo-se verificado um interesse por parte da poesia popular que se traduziu na publicação de inúmeras obras.

Século XVI

A coroação após a morte e o beija-mão foram transpostos, pela primeira vez, para a literatura erudita em 1577, na tragédia de Jerónimo Bermudez “Nise lastimosa y Nise laureada” (baseada na peça de António Ferreira).

Século XVII

Em 1612, Juan Mejia de la Cerda publica “Doña Inés de Castro, Reina de Portugal” (“Tragédia famosa de Dona Inês de Castro”) no qual é incluído um novo personagem, Rodrigo, amante de Inês, que ao ser rejeitado por Inês convence o rei a ordenar a morte de Inês.

Impresso em Lisboa em 1652, mas escrito antes de 1644, "Reynar despues de morir" de Luis Velez de Guevara inclui um novo personagem, a Infanta Branca de Navarra, que vem a Portugal para se casar com D. Pedro, denunciando, junto do rei, a relação entre Pedro e Inês.

Contributo das obras espanholas para o mito

Nas obras de Juan Mejia de la Cerda e Luis Velez de Guevara, regista-se o contributo da Espanha para a formação da história, com dois elementos tipicamente associados ao carácter dos espanhóis, o gosto pelo espectáculo (a coroação) e o ciúme violento (Rodrigo e Branca).

Esses novos elementos foram sendo sempre preservados na literatura inesiana. Em 1930, a inglesa Anette Mekian publicou uma obra algo próxima ao texto de Luis Velez de Guevara e foi esta tradição que influenciou as duas maiores tragédias do século XX, “La Reine Morte” (1942) de Henri de Montherland e “Corona de amor y muerte” (1955) do autor argentino Alejandro Casona.

Fontes: Maria Leonor Machado de Sousa (in "Du personnage au mythe") / Blog "Inês e Pedro na Literatura Estrangeira"

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

"Les amants d’Alfama" de Sérgio Kokis (2003)

O livro "Les amants d’Alfama" do escritor quebequense de origem brasileira Sérgio Kokis, publicado em 2003, foi inspirado em "Une nuit à Lisbonne" de Camille Saint-Saëns que o autor considera ser o melhor "romance" escrito sobre a capital de Portugal.

O escritor nasceu em 1944 no Rio de Janeiro, tendo-se exilado, ainda na década de 60 em França, onde se licenciou em Psicologia, e, mais tarde, no Canadá onde trabalhou durante muito tempo, no domínio da Psicologia.

Todos os livros de Sérgio Kokis foram redigidos em Língua Francesa, a sua língua de uso, apesar de ser o Português a sua língua materna, que, de resto, domina com mestria.

Sinopse

É o dia de "Todos-os-Santos", em Lisboa. Joaquim Varga descobre que a sua amante, Matilda Lenz, optou por voltar à sua Bélgica natal. Pensando em suicídio, o professor de matemática faz uma pausa num restaurante, onde um homem de idade conta histórias sobre amores perdidos (...)

Depoimento de Sérgio Kokis

"Todas as aventuras são uma busca contínua de si mesmo, da sua consciência. Foi isto que eu quis mostrar nesta aventura de uma noite em Lisboa. Nos encontros que o Joaquim vai tendo com as várias pessoas que vai encontrando, conta a sua história. E ouve as histórias dos outros. E ao ouvir as histórias dos outros aprende mais sobre si e sobre o sentimento de perda e o desgosto que o faz sofrer. A nossa lucidez está na nossa própria cabeça. (...) "

O amor por Portugal

É muito diferente o Portugal de Sérgio Kokis de o “seu Brasil”. Portugal, descobriu-o há cerca de cinco anos e, desde então, tem lá ido todos os anos, pois apaixonou-se pelo país, pela sua história, pela cultura, comida e povo e pela sua possante literatura, destacando, sobretudo, Miguel Torga e Vergílio Ferreira.

Fontes: Teia portuguesa / Amazon

Mais informações: entrevista

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

"Une nuit à Lisbonne" de Camille Saint-Saëns (1881)

Camille Saint-Saëns (1835-1921) foi um famoso compositor e músico francês, tendo publicado em 1881 "Une nuit a Lisbonne" uma barcarola dedicada ao Rei D. Luís de Portugal.

Exotismo de Lisboa ?

No romantismo da Europa ocidental a procura do exótico poderia não afastar-se muito da terra de origem. As muitas incursões no repertório espanhol, especialmente andaluz, por parte de vários compositores do norte da Europa são disso um exemplo.

Assim, não se deverá enquadrar a barcarola "Une Nuit à Lisbonne", composta por Saint-Saëns apenas um ano depois de "Suite Algérienne", de uma forma diferente do restante repertório de viagem do autor.

O pitoresco está novamente presente nesta pequena peça que apresenta um único motivo temático, explorado pela instrumentação rica de uma orquestra já mais reduzida.

Novamente as imagens visuais parecem impor-se sobre o som, aludindo, até pelo próprio subtítulo, ao balançar constante do rio colado à cidade.

(...) em "Une Nuit à Lisbonne" o descritivo quase pictórico parece apontar para uma mera nostalgia de vivência, ainda evidentemente romântica mas muito menos exacerbada

Gôndolas no Tejo ?

Uma barcarolla é uma música de carácter folclórico cantada pelos gondoleiros de Veneza ou uma peça musical escrita em tal estilo.

No estuário do Tejo não há obviamente gôndolas. Também não há tradição de se cantar nos barcos portugueses. Nem há barcarolas na história da Marinha Portuguesa ...

Talvez Camille Saint-Saëns tenha apenas sonhado ...

Fontes: Tiago Cutileiro / Briefe an Konrad

Ligações: Partitura, audio

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

"Lisbonne" de Alain Barriére (1961) e Robert Desnos (1931)

Robert Desnos (1900-1945) foi um poeta surrealista francês falecido durante a 2ª guerra mundial no campo de concentração de Theresienstadt (Checoslováquia).

Apaixonado por Youki (a belga Lúcie Badoud), com quem vivia desde 1930, representou-a como uma sereia em alguns dos seus poemas, nomeadamente no longo poema "Siramour" (contração de Sereia e Amor), publicado em 1931, que contém várias referências à cidade de Lisboa.

Em 1962, o cantor francês Alain Barriére lançou o seu segundo EP, com 4 novas canções, sendo "Lisbonne" construída a partir do texto de Robert Desnos com música do próprio cantor.

O tema foi igualmente incluído no disco ao vivo "Concert Musicorama, volume 2".

Porquê Lisboa ?

A priori, este belo poema (como muitos outros!) Não significa muito ... Mas já se sabe que na obra de Desnos, a sereia é a sua namorada Yuki.

Mas porquê Lisboa ? Certamente por ser um porto (apropriado para as sereias) localizado numa região do sul. Mas será que Youki viveu em Lisboa no passado ? Ou será apenas para rimar com "bella donne" ...

Outras versões

O texto de Robert Desnos foi também musicado por Serge Renard e interpretado por Colombe Frezin no seu disco de homenagem a Robert Desnos (publicado em Março de 2003).

E existe igualmente uma terceira versão interpretada por Michel Arbatz no disco "Vous avez le bonjour de Robert Desnos"(1995).

Letra

Nous irons à Lisbonne
Âme lourde et cœur gai
Cueillir la belladone
Au jardin que j'avais

Lisbonne est jolie
La fumée des vapeurs
Sous la brise mollie
Prend des formes de fleurs

Jadis, une sirène
A Lisbonne vivait
Semez, semez la graine
Au jardin que j'avais

(...)



Texto original (Poema)

Semez, semez la graine
Aux jardins que j'avais.
Je parle ici de la sirène idéale et vivante,
De la maitresse de l'écume et des moissons de la nuit
Où les constellations profondes comme des puits grincent de toutes
leurs poulies et renversent à plein seaux sur la terre et le sommeil
un tonnerre de marguerites et de pervenches.
Nous irons à Lisbonne, ame lourde et coeur gai
Cueillir la belladone aux jardins que j'avais.
Je parle ici de la sirène idéale et vivante,
Pas la figure de proue mais la figure de chair,
La vivante et l'insatiable,
Vous que nul ne pardonne,
Ame lourde et coeur gai,
Sirène de Lisbonne,
Lionne rousse aux aguets,
Je parle ici de la sirène idéale et vivante.
Jadis une sirène
A Lisbonne vivait.
Semez, semez la graine
Aux jardins que j’avais.
(...)

Fontes: página oficial de Alain Barriére / wikipédia / wikilivres

Audio

quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Video de "Au commencement" de Etienne Daho (1996)

O cantor francês Étienne Daho publicou em 1996 o álbum "Eden", sendo o primeiro single "Au commencement" cujo clip foi filmado em Portugal sob direcção de Philippe Gautier.





Video

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Video de "Dirty Sticky Floors" de Dave Gahan gravado na Praia da Rocha (2003)

As cenas exteriores do video do primeiro single a solo de Dave Gahan (vocalista dos Depeche Mode), "Dirty Sticky Floors", foram filmadas no Algarve, na Praia Da Rocha.





Video

Os Depeche Mode rodaram parte do video de "Enjoy the Silence" no Algarve

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

"Penina", a canção portuguesa dos Beatles (1969)


"Penina" é uma canção que Paul McCartney escreveu no Algarve, em Portugal, no final de 1968, quando esteve de férias no Ano Novo com Linda McCartney no sul do país.

Carlos Mendes ou Jotta Herre

Ao contrário do que se julga e do que está publicado em muitos livros e editado em alguns discos, a canção foi escrita para o grupo português Jotta Herre e não para Carlos Mendes, vocalista dos Sheiks, considerados os "Beatles portugueses".

Os Jotta Herre editaram a canção num EP Philips 431923PE, com mais três canções originais da banda. Carlos Mendes também editou a canção, sendo esta a que aparece no célebre álbum "The Songs Lennon And McCartney Gave Away - By The Original Artists" (EMI NUT18, 1979).

Infelizmente, nenhuma das edições portuguesas de "Penina" inclui a data da respectiva edição, não se sabendo com certeza absoluta quem editou primeiro, se os Jotta Herre, se Carlos Mendes. São ambas de 1969, mas este é ainda um ponto em investigação. Uma coisa é certa, porém: Paul McCartney escreveu a canção para os Jotta Herre e não para Carlos Mendes.

Depoimento de Paul McCartney

O próprio Paul McCartney conta parcialmente a história de "Penina" no fanzine do antigo clube de fãs de McCartney, "Club Sandwich":

"Fui a Portugal de férias e uma noite, quando regressava ao hotel, já alegrote, resolvi tomar mais uns copos ao bar. Estava um grupo a tocar e eu acabei por ir parar à bateria. O hotel chamava-se Penina e improvisei ali uma canção sobre esse nome. Alguém me perguntou se podia ficar com ela e eu dei-lha. Nunca pensei em gravá-la eu próprio".

"The Songs Lennon And McCartney Gave Away"

Na contracapa do álbum "The Songs Lennon And McCartney Gave Away", escreve Tony Barrow, então assessor de imprensa dos Beatles, sobre "Penina" e Carlos Mendes: "a mais obscura canção do álbum é uma gravação de 1969 de Carlos Mendes, "Penina", que, acredito, tenha sido dada a Carlos por Paul quando esteve de férias em Portugal".

Isto não é porém exacto como o próprio Paul McCartney escreveu no "Club Sandwich".

Jotta Herre

A canção foi dada aos Jotta Herre e não a Carlos Mendes. Os Jotta Herre eram um grupo da cidade do Porto, no norte de Portugal, que tocava no Hotel Penina, no Algarve, perto de Portimão. Por mais incrível que pareça o Hotel, de luxo, e um dos mais famosos de Portugal, ainda hoje não tem nas suas paredes uma qualquer placa a assinalar o gesto de Paul McCartney. Seria bom para o seu turismo.

Os Jotta Herre ("jotta" de Jaime, que se desligou do grupo, e "herre" de Rui) eram formados por Aníbal Cunha, hoje empresário exportador no sector cerâmico, Rui Pereira, falecido em 1972, Carlos Pinto, hoje presidente da Sony Music em Portugal, e Giuseppe Flaminio, hoje representante da Universal Music na cidade do Porto.

Depoimento de um Jotta Herre

Conta Giuseppe: "naquela noite, juntámo-nos todos à volta de Paul e de Linda, bebemos um copo e então ele propôs: vamos tocar. Passava da uma hora da manhã e o Paul deu um show inesquecível. Tocou sucessivamente piano, baixo, guitarra e bateria. Tocou bateria como eu nunca tinha visto um músico tocar".

"Cada vez entrava mais gente na sala. Paul voltou à bateria e pediu "one minute". Começou a cantarolar e desafiou a malta para tentar acompanhar a sequência harmónica que estava a sair. Eram 4 horas da madrugada e, logo ali, compôs e cantou a música e a letra da canção que nos ofereceu. No fim, pôs-lhe um título, o nome do hotel". (...)

Gravação dos The Beatles

Embora Paul McCartney tenha afirmado que não gravaria "Penina" ela aparece gravada pelos Beatles no CD pirata "Unheard Melodies, The Songs The Beatles Gave Away", juntamente com as versões dos Jotta Herre e de Carlos Mendes.

Fontes: LPA: "Beatles em Portugal", Beatles Brasil, Guedelhudos (adaptado, incluindo subtítulos)


A gravação original de "Penina" pelos Jotta Herre foi incluída, em 1969, numa compilação da Philips brasileira intitulada "Hit Hit Hurrah!".

Recentemente foi publicada no Brasil a compilação "Beatles '69", coordenada pelo jornalista Marcelo Fróes, no qual está incluída uma nova versão de "Penina" interpretada pelo brasileiro Aggeu Marques.

Audio

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Letra de "Yesterday" dos The Beatles foi escrita em Portugal

A letra de "Yesterday", uma das mais emblemáticas canções de Paul McCartney e dos Beatles, foi escrita em Portugal, dentro de um carro, no trajecto de cinco horas, por estradas más, na altura, entre Lisboa e Faro.

Foi o próprio McCartney que o confessou no livro "Yesterday And Today", editado em 1995 nos 30 anos da canção.

Composto a dormir

Com mais de 2.500 versões diferentes, um recorde do "Guinness", e mais de sete milhões de passagens na rádio norte-americana, outro recorde sem precedentes, "Yesterday", que tem apenas dois minutos de duração, foi composto (melodia) a dormir.

Num dia de 1963, no início da carreira dos Beatles, Paul McCartney, 21 anos, acordou de manhã com a melodia na cabeça e sentou-se imediatamente ao piano a tocá-la, dando-lhe o título provisório, mas pouco romântico, de "Scrambled Eggs (Oh My Baby How I Love Your Legs)".

"Quando trauteava a canção com que tinha sonhado, a mãe de Jane entrou na sala e perguntou se alguém queria ovos mexidos ("scrambled eggs").

"A melodia saiu-me tão bem que julguei que estava a copiar alguém, a fazer algum plágio inadvertido. Andei meses a ver se alguém conhecia a canção", conta Paul McCartney. (...)

Em férias em Portugal

O título da canção foi definitivamente fixado em Portugal, a 27 de Maio de 1965, quando Paul McCartney veio duas semanas de férias, com Jane Asher, para casa de Bruce Welch, dos Shadows, em Albufeira (Algarve).

Nesse dia, Paul McCartney voou de Londres para Lisboa (Faro, no Algarve, não tinha ainda aeroporto) e no carro alugado com motorista, a caminho de Albufeira, escreveu a letra de "Yesterday" ao passar pelo rio Mira.

"Sempre detestei perder tempo e a viagem era muito longa", justifica assim Paul McCartney a inspiração para a letra.

Estrelas pop inglesas

Nos anos 60, Albufeira era ainda uma pacata aldeia piscatória onde estrelas pop como Cliff Richard, Frank Ifield e Bruce Welch (The Shadows), entre outros, tinham casas. Acima de tudo podiam deleitar-se sem ser reconhecidos. Foram aliás os britânicos - e sobretudo os músicos pop - que deram a conhecer Albufeira ao Mundo.

Em casa de Bruce Welch

Ao chegar a Albufeira, a casa de Bruce Welch, guitarra-ritmo dos Shadows, onde permaneceria de férias, McCartney pediu de urgência uma guitarra.

"Já estava a fazer as malas para me ir embora de Portugal quando Paul me perguntou se eu não tinha uma guitarra", conta Bruce Welch.

Bruce emprestou-lhe uma Martin 0018, de 1959, e McCartney dedilhou, com a guitarra virada ao contrário por ser canhoto, e cantou pela primeira vez "Yesterday", com a letra escrita no carro e que se conhece hoje. (...)

Fontes: LPA: "Beatles em Portugal", Beatles Brasil, Guedelhudos (adaptado, incluindo subtítulos)

segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Capa de "Country Life" dos Roxy Music fotografada em Portugal (1974)


Bryan Ferry, líder dos Roxy Music, veio passar férias a Portugal, com o estilista Anthony Price e o fotografo Eric Boman - numa pausa das gravações do álbum "Country Life" - para que pudesse ter a tranquilidade necessária para escrever as letras do disco.

No Algarve conheceram num bar duas jovens de nacionalidade alemã (Constanze Karoli e Eveline Grunwald). Bryan Ferry sugeriu a Eric Boman que as fotografasse junto de um jardim local. As jovens posaram em roupa interior, julgando que se tratava de uma brincadeira de verão, não desconfiando de que estavam a fotografar uma das mais famosas capas do rock de sempre.

Muitas lojas proibiram o disco [nomeadamente no mercado norte-americano], tendo sido publicada uma edição alternativa que apenas incluia a vegetação.



Fontes: wikipedia / superseventies / best album covers / wasted talent

sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

U2 em Portugal (2004)

Sessões fotográficas em Portugal

A Praia Grande, perto de Sintra, e a zona da Expo foram locais visitados pela comitiva de cerca de vinte pessoas que inclui os quatro irlandeses - Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen - e dois seguranças. O restaurante Bica do Sapato e a discoteca Lux foram também locais por onde a comitiva passou.

O objectivo da curta estadia é realizar sessões fotográficas que irão servir de suporte a toda a operação de promoção do próximo álbum dos U2, a editar no Verão e, eventualmente, à capa do mesmo. A escolha de Lisboa foi uma opção do holandês Anton Corbijn e foi preparada há algum tempo.

Anton Corbijn & U2

(...) está também a ser preparado um livro de fotografias de Anton Corbijn sobre os U2, que provavelmente incluirá algumas das fotografias que agora está a trabalhar em Lisboa.

A colaboração entre fotógrafo e U2 é longa. Conhecidas para sempre ficaram as fotografias ao grupo no deserto do Nevada na altura do álbum "The Joshua Tree" (1987).

Capa, Video alternativo e Calendário

Os U2 estiveram antes em Lisboa e arredores (Sintra e Barreiro) a fotografar o calendário 2005 e na bagagem levaram ainda a capa do álbum, "How To Dismantle An Atomic Bomb" e um vídeo gravado em Lisboa. O lisbon vídeo ilustra a remix de Jacknife Lee para o tema Vertigo, que foi a música escolhida para lançar a “Bomba”.

Ligação: Video / Piscina da Praia Grande

Muito se tem questionado sobre o local onde foi tirada a fotografia que faz capa do cd dos U2. Pois bem, vendo com atenção o video do remix "Vertigo" filmado em Lisboa, pode-se reparar num bar abandonado chamado Concha Bar, onde as paredes em vidro (portas ou janelas talvez) são parecidas com as que servem de cenário à capa.

Fontes: Público (Victor Belanciano) / U2only / u2.pt

quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

Video de "Cathedral Song" rodado em Portugal (1989)

O video clip do tema "Cathedral Song", 3.º single da cantora britânica Tanita Tikaram, foi filmado em Portugal, nomeadamente em Almada (Cristo-Rei), Lisboa (Rosa dos ventos) e na Praia Grande (Piscina).



O tema, na versão da brasileira Zélia Duncan, foi uma das músicas mais tocadas no Brasil na década de 1990, tendo sido regravado por Leandro (da dupla sertaneja Leandro e Leonardo), Banda Catedral e Renato Russo.

Fontes: wikipedia / forum música / Núvem das almas

Video

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

"What's in a Word" dos The Christians (1992)

O video do tema "What's in a Word" dos The Christians foi filmado em Lisboa, incluindo imagens dos arredores da Faculdade das Belas Artes.






Video

sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

David Ricardo, economista (1772—1823)

Nascido em Londres, David Ricardo foi o terceiro de dezassete filhos de uma família holandesa de classe média, descendentes de judeus (sefarditas) que fugiram das perseguições em Portugal.

Seu pai emigrou dos Países Baixos para a Inglaterra pouco antes de David nascer, onde prosperou negociando na Bolsa de valores. David viveria alguns anos na Holanda com outros elementos da família, tendo ali completado parte da sua instrução primária.

Em 1815, David Ricardo já era considerado o mais importante economista de toda a Grã-Bretanha, graças ao seu conhecimento prático sobre o funcionamento do sistema capitalista, vindo da sua carreira como perito em finanças.

Mas sua grande obra-prima, sem dúvida, foi “Princípios de Economia Política e Tributação”, publicado em 1817. Esse livro consagrou Ricardo como o grande nome da Economia Política Clássica, junto com Adam Smith, dominando a cena económica não apenas da Inglaterra, mas de todo o mundo ocidental por muitas décadas, até o surgimento do marxismo e do marginalismo (os quais foram muito influenciados pela obra de Ricardo).

Teoria das vantagens comparativas

A sua teoria das vantagens comparativas constitui a base essencial da teoria do comércio internacional. Demonstrou que duas nações podem beneficiar do comércio livre, mesmo que uma nação seja menos eficiente na produção de todos os tipos de bens do que o seu parceiro comercial.

Segundo o autor, uma nação é rica em razão da abundância de mercadorias que contribuam para a comodidade e o bem-estar de seus habitantes. Ao apresentar esta teoria, usou o comércio entre Portugal e Inglaterra como exemplo demonstrativo.

Fonte: wikipedia (adaptado)

quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Harold Pinter, lusodescendente ?

O dramaturgo britânico Harold Pinter venceu o Prémio Nobel da Literatura [em 2005], tornando-se o 13.º judeu a ganhar o Nobel nesta categoria, sucedendo à escritora judia austríaca Elfriede Jelinek, vencedora do prémio em 2004.

Será Harold Pinter descendente de judeus portugueses? Esta questão não tem uma resposta fácil. Pinter acreditava que o seu nome de família resultava da anglicização de “Pinto” (ou “Pinta”), um sobrenome generalizado entre as famílias de judeus portugueses da Diáspora.

Na verdade, era bastante comum aos judeus portugueses emigrados alterar o nome de família como forma de melhor se integrarem nos países de acolhimentos – em França, os descendentes do pedagogo Jacob Rodrigues Pereira, por exemplo, chamam-se hoje “Pereire”, enquanto o ramo americano da mesma família optou por “Perera” (ver National Foundation for Jewish Culture: On Being Sephardic: The Children of the Diaspora, by Victor Perera).

Por outro lado, sabe-se que os judeus portugueses são responsáveis pelo restabelecimento da comunidade judaica em Inglaterra, depois do rabino Menasseh ben Israel (Manuel Dias Soeiro) ter negociado com Oliver Cromwell, no século XVII, a revogação do decreto de expulsão de 1290.

Foram os judeus portugueses os primeiros a chegar a Londres. Sabe-se também que existiam vários “Pintos” entes estes pioneiros – o rabino português Joseph Jesurun Pinto (1565-1648), por exemplo, viveu em Londres grande parte da sua vida.

A eventual descendência portuguesa de Harold Pinter virá por parte do pai, Jack Haim Pinter, uma vez que a família da mãe, Frances Moskowitz, tem raízes nas comunidades judaicas da Polónia e Ucrânia.

Mesmo assim, sem mais elementos factuais – a não ser a palavra do próprio Harold Pinter – é difícil traçar com certezas a sua mais do que provável ancestralidade judaica portuguesa. A pista final é dada pelo facto do pai de Harold Pinter ser sefardita e da esmagadora maioria dos judeus sefarditas britânicos descenderem de judeus portugueses.

Fonte: Rua da Judiaria (adaptado)

segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

John dos Passos (1896-1970), um clássico da literatura norte-americana

Quem não ouviu já falar de John dos Passos, descendente de um emigrante português, um dos melhores escritores do século XX? Era essa, pelo menos, a opinião de Sartre: "É o maior escritor do nosso tempo."

A Penguin publicou-lhe as principais obras com uma chamada de atenção: "Dos Passos não é o nome de uma equipa espanhola de futebol, mas o nome de um grande escritor."

E a opinião de outros, como Faulkner, das mãos de quem recebe a medalha de ouro das artes e das letras, afirmando que "ninguém a merecia mais", Fitzgerald ou Hemingway, seu grande companheiro e amigo.

Principais Obras

Escreveu obras como "Manhattan Transfer" (1925), opondo ao naturalismo americano uma multivisão sinfónica inspirada nas experiências de montagem cinematográfica de Eisenstein e de Griffith, e a trilogia "USA" - "The 42nd Parallel" (1930), "1919" (1932) e "The Big Money" (1936) – numa escrita tumultuosa que tudo deve à imagem do nosso mundo feito de vidas isoladas, à música e à pintura de ritmos e formas quebradas ?

Publicou igualmente um livro sobre a epopeia dos Descobrimentos: "Portugal - Três Séculos de Expansão e Descobrimentos" (1969).



Ligações à Ilha da Madeira

O seu avô paterno, Manuel Joaquim Dos Passos, deixou a sua ilha da Madeira rumo aos Estados Unidos da América em 1830.

O escritor visitou a ilha do seu avô por três vezes. Era o ano de 1905, esteve com o pai, o Dr. John Randolph Dos Passos, brilhante advogado, na visita aos seus parentes madeirenses.

Em 1921, John Dos Passos, a caminho da Europa na companhia do escritor E. E. Cummings, esteve no Funchal.

A terceira e última vez fez-se acompanhar da sua mulher Elizabeth e da sua filha Lucy, então com 11 anos. Era o ano de 1960. A família Dos Passos foi recebida na Ponta do Sol pelas autoridades locais e por muitos dos seus parentes. Foi dia de festa na vila.

Video: Centro Cultural John dos Passos (Madeira)

Fontes: casoual / Presença / Ilhadamadeira.weblog

sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

Alfred Lewis (1902-1977), fundador do romance luso-americano

Romancista, contista, poeta e dramaturgo, Alfred Lewis, nascido Alfredo Luís, em 1902, na ilha das Flores, emigrou para os Estados Unidos aos 19 anos de idade, em 1922, nos últimos anos da segunda onda de emigração portuguesa para aquele país.

Lewis era filho de baleeiro, imigrante pertencente à primeira onda ligada à indústria baleeira americana, cujos grandes barcos faziam escala nos Açores para reabastecimento e recolha de tripulantes.

Se, como profissional, Lewis granjeou um certo êxito (formou-se em Direito e exerceu o cargo de Juiz Municipal), não foi menos o seu triunfo nas letras. Com efeito, Lewis tornou-se o primeiro e único imigrante português a conquistar a atenção do público vasto de língua inglesa.

Ele é autor de contos publicados numa revista literária de prestígio nacional, Prairie Schooner, tendo estes relatos dramáticos, que descrevem uma sociedade multi-racial, composta de mexicanos, portugueses, arménios e anglo-americanos, merecido referência numa antologia de grande renome, The Best American Short Stories, dois anos seguidos, em 1949 e 1950.

O seu maior sucesso editorial foi "Home is an Island" (1951), romance autobiográfico cujo protagonista jovem está prestes a emigrar para a América, descrevendo a vida numa pequena aldeia nos Açores, no princípio do século XX.

Após a sua morte, foi publicado "Sixty Acres and a Barn", romance de formação que conta a história de Luís Sarmento, imigrante açoriano que encontra na América um espaço de tolerância, prosperidade e realização amorosa.

Fontes: RTP (comunidades), Irene Maria F. Blayer (adaptado) / O jornal / Filipa Reis

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

"Senhora dos Açores" de Romana Pietri (2002)

Romana Petri nasceu em Roma, onde vive. Considerada uma das vozes mais representativas da actual escrita italiana, inicia a sua carreira literária em 1990 com "Il gambero blu e altri racconti" (prémio Rapallo e prémio Mondello opera prima).

Entre as suas obras mais aclamadas destacam-se "Alle Case Venie" («Uma guerra na Umbria – Case Venie», prémio Rapallo-Carige, finalista prémio Strega 1998), "La donna delle Azzorre" («A senhora dos Açores», prémio Grinzane Cavour 2002); e "I padri dgli altri" («Os pais dos outros», prémio Chiara e prémio Città di Bari).

"Sinopse"

Uma viagem de descoberta de um mundo outro, os Açores vistos pelos olhos de uma estrangeira, um périplo poético, um caminho de aprendizagem... A personagem principal, uma italiana, um guia misterioso - João Freitas - minúsculos pedaços de terra por entre um imenso oceano.

Como tudo começou

"Quando comecei a ler livros do Antonio Tabucchi, que sempre escreveu muito sobre Portugal. Ao falar com ele comecei a conhecer muito bem Portugal."

"A primeira vez que cá vim foi em 1990 [a Lisbao], depois fui aos Açores… e voltei muitas vezes. E comecei a ler também os livros traduzidos em Itália" [entretanto comprou uma casa em Lisboa, onde tenta passar todo o tempo possível. E descreve-se como uma italiana “muito aportuguesada”].


Açores

Em 1996, Romana Petri, regressou aos Açores - onde já havia estado duas vezes - com o objectivo de encontrar aquele rasgo de inspiração que lhe permitisse terminar o livro "Dagoberto Babilonio, Un Destino".

Quis, entretanto, o destino que se apaixonasse pelas gentes e costumes da ilha do Pico, abandonasse o seu trabalho e começasse de imediato a pensar noutras estórias.

Em "A Senhora dos Açores" cruzamo-nos com vários personagens (reais), sendo que João de Freitas assume um papel peculiar, talvez porque é a ele que a escritora dedica este livro.

Cenários portugueses

“A Senhora dos Açores” passa-se no Pico e tem outro romance com a ilha das Flores como cenário, “Um baleeiro dos montes” [editado pela Salamandra em Portugal].

Em “Uma Guerra na Úmbria” há uma passagem em que Alcina ouve de um companheiro de armas a letra do fado “Perseguição”.

Mais recentemente, "Regresso à ilha", apenas lançado em Portugal, retoma os lugares e gentes de "A senhora dos Açores":

Fontes: Cavalo de Ferro / Correio da Manhã (Sofia Rato) / Mundo a tinta da china

segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

"Accadde a Lisbona" (série de TV, 1974)

"Accadde a Lisbona" é o título de uma mini-série de televisão (de 3 episódios) transmitida pela RAI a partir de 15 Setembro de 1974.

Sob a direcção de Daniele D'Anza e com argumento de Luigi Lunari, "Accadde a Lisbona" é uma ficção inspirada num facto verdadeiro: o escândalo do Banco de Portugal que se verificara no ano de 1925, tendo como protagonista Alves do Reis, aqui interpretado pelo actor Paolo Stoppa.

A série contava igualmente com a participação dos actores Maria Fiore, Vittorio Sanipoli, Walter Maestosi e Paolo Ferrari no papel do cúmplice Jose Bandeira.

Fontes: wikipedia / IMDb

quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

"Lisbon Story" de Paul L. Stein (1946)

David Farrar e Patricia Burke, que contracenaram em "The Trojan Brothers", voltam a actuar em conjunto no thriller musical britânico "The Lisbon Story" ("Accadde a Lisbona" em italiano).

A acção do filme decorre durante a 2ª Guerra Mundial e aborda os esforços de uma cantora francesa (Patricia Burke) e de um espião inglês (David Farrar), contudo a principal atracção do filme foi a participação do famoso cantor de ópera austríaco Richard Tauber.

Sinopse

Uma cantora de cabaret e um espião britânico viajam para a alemanha nazi para salvar um cientista.

Fontes: wikipedia / All Movie / IMDb

segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

"Férias em Lisboa" de Hans Deppe (1956)

Após rodar o filme "A esposa do embaixador", Hans Deppe volta a filmar em Portugal o filme "Férias em Lisboa" (no original "Der Fremdenfuhrer von Lissabon"; em inglês "Lisbon tour guide"), as aventuras de António, um guia turístico português.

O filme foi protagonizado pelo actor e cantor Suíço Vico Torriani, que interpreta o papel de António. A actriz Inge Egger é Claudia, uma detective de nacionalidade alemã, enquanto que Mara Lane é Mercedes, uma colega Argentina.

Audio: Vico Torriani interpretando o tema "Verlieb' Dich in Lissabon (Frühling in Portugal)" da autoria de H. Bradtke e E. Halletz.

Fontes: ImDB / Instituto Camões /

sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Hans Deppe roda "A mulher do embaixador" nos Estúdios da Tobis (1955)

Hans Deppe (1897-1969) foi um actor e realizador alemão, tendo rodado em Portugal dois filmes durante a década de de 50 ambos em colaboração com a Tobis portuguesa.

O primeiro dos filmes, um thriller de espionagem, intitulou-se "A mulher do Embaixador" ("Die Frau des Botchafters", sendo protagonizado por Antje Weisgerbe (no papel de Sybille Costa, a mulher do embaixador), Paul Hubschmid, Ingrid Andree e Hans Stüwe (embaixador Christian Lundvall).

Sinopse

Sybille Costa vive em Amesterdão. Um dia, envolve-se sentimentalmente com Christian Lundvall, embaixador de um país do norte da Europa, que acabara de ser transferido para Lisboa.

Sybille confessa ao embaixador que já trabalhara numa embaixada e que fora despedida por se ter envolvido com um espião. Lundvall fica impressionado pela honestidade de Sybille e, apesar de tudo, pede a sua mão em casamento.

Fontes: filmportal / Instituto Camões / ImDB

quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

Video de "Gesegnet seist du" de Ben (2002)






O Video realizado do 3º single do cantor alemão Ben foi realizado por Esther Gronenborn (Shorts Productions - Alemanha), sendo a direcção de produção de Filipa Mendes.

Video

segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

Video de "Mein Automobil" de Max Mutzke (2007)




O cantor alemão Max Mutzke, descoberto no concurso SSDSGPS ("Stefan sucht den Super-Grand-Prix-Star") publicou em 2007 o single "Mein Automobil" cujo video foi rodado em Lisboa com as três finalistas do programa "Germany’s Next Topmodel" (Hana, Anni, Barbara).

Video

sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

"O Regresso do Carocha" ("Ein Käfer gibt Vollgas", 1972)


A série de filmes do Super Carocha (Superbug em inglês) era uma "mistura" entre os filmes de 007 (o protagonista chama-se Jimmy Bondi) e do carocha Herbie (aqui o o carocha chama-se Du-Du).

Após o sucesso do filme inicial, foi realizada uma sequela localizada em Portugal. Posteriormente foi lançado um terceiro filme (de uma série de 5 filmes) que recuperava parte das gravações do segundo filme (localizado em Portugal).

Com o título de "O Regresso do Carocha" ("Ein Kafer Gibt Vollgas"), o filme foi realizado por Rudolf Zehetgruber, contando com a participação como actor do realizador português Arthur Duarte, que foi igualmente responsável pela produção durante as filmagens em Portugal (nomeadamente no Algarve), e dos actores Joachim Fuchstberger (Plato), Robert Mark (Jimmy Bondi), Heidi Hansen (Tamara) e Katharina Orginski.

Acácio de Almeida foi um dos responsáveis pela direcção de fotografia.

Sinopse:

Plato (Joachim Fuchsberger) encontra-se em Portugal com o Marquês de la Scott (Karl-Otto Alberty) para tentar localizar as chapas de impressão de dinheiro falso, contando com a inesperada colaboração de Jimmy Bondi (Rudolf Zehetgruber) e do seu super carro Dudu.

Fontes: IMDb / cinefacts

quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

"Una chica para dos" de León Klimovsky (1966)

O famoso Duo Dinãmico (Ramón Arcusa e Manuel de la Calva) protagonizou em 1966 o filme "Una chica para dos", no qual os dois cantores/actores disputavam o amor de Maria, uma jovem estrangeira (interpretada por Irán Eory).

Sinopse

María [que no início do filme vive em Portugal] decide partir para Espanha para prosseguir com os seus estudos. Em Espanha vai visitar Ronda, o local de onde é natural a sua mãe. À sua espera no aeroporto está Manolo, amigo intímo de Ramón (filho de uma família conhecida dos seus pais), que se faz passar pelo amigo ...

Locais de rodagem

O filme foi rodado em Madrid e Ronda (Málaga), mas as sequências iniciais foram gravadas em Lisboa, Cascais e Estoril.


Fontes: TVE / mundocine

Video

segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

Costela portuguesa de Freida Pinto

Freida Pinto, a estrela do filme "Quem quer ser Billionário ?", é a nova ‘coqueluche’ de Hollywood. O que poucos sabem é que a actriz é descendente de portugueses de Goa que terão emigrado para a vizinha Karnataka entre os séculos XVI e XVIII.

O pai, Frederick Pinto, é um administrador da sucursal do Banco de Baroda, em Mumbai, e a mãe, Sylvia Pinto, é reitora da St. John’s Universal High School, na mesma cidade.

A família de Freida, que engloba ainda uma irmã mais velha, Sharon, é católica mangaloreana – uma das mais antigas comunidades cristãs na Índia, fortemente identitária e que recebeu grande influência dos portugueses de Goa.

Nascida na ex-Bombaim em Outubro de 1984, a jovem actriz e modelo estreou-se no cinema com ‘Quem quer ser Bilionário?’, filme dirigido por Danny Boyle e que conta com 10 nomeações aos Óscares.

Freida depressa conquistou o coração dos cinéfilos e da crítica, tendo sido muito elogiada pelo seu bom gosto e pela elegância no vestir na estreia do filme em Nova Iorque.

Não obstante, a nível da sua vida pessoal, a fulgurante ascensão de Freida teve já um preço: a ruptura com o namorado de há quatro anos, Rohan Antão. Ambos estudaram juntos na Universidade de São Xavier, em Mumbai, onde se conheceram.

Fonte: Correio da manhã

sexta-feira, 7 de Agosto de 2009

Patricia goes "Bullywood"

É oficial! Foi lançado em Junho o primeiro filme Bollywood com uma actriz lusa :)

Como já fora anunciado, a alfacinha Patrícia Bull foi recrutada para desempenhar um papel cujas premissas eram ter ascendência africana e falar Português. Como imagino que saber dar um pezinho de dança também fosse requisito, a nossa Patrícia Bull tinha tudo para ficar com o papel.

Confesso que estava à espera de um filme mais low-budget, mas desenganem-se os que julgavam o mesmo.

"Kaminey" - assim se chama a película - tem dois dos mais populares actores da nova geração dos filmes hindi nos principais papéis, o bonitinho Shahid Kapur (que conhecemos de "Jab We Met" ou de "Kismat Konnection") e a mega-fabulosa Priyanka Chopra.

O cenário está relacionado com o tráfico de droga e de diamantes africanos [daí que eles precisassem de actores angolanos que falassem inglês] e Shahid Kapur tem um duplo papel.

Patrícia Bull desempenha o papel da mulher de um traficante e, nas cenas em que aparece, faz pouco mais do que dançar.

No filme participam igualmente os actores angolanos Eric Santos e Carlos Paca.

Video: trailer (ver minuto 1'23)

Fontes: grand masala / palco do Andrew / africa today

Bollywood em Portugal ?

O jornal India Times divulgou em Janeiro de 2007 que a indústria de cinema indiano, a famosa Bollywood, poderia rodar filmes em Lisboa e em "outros locais exóticos" e assim levar mais turistas indianos a Portugal, contudo tal intenção não terá sido, até à presente data, concretizada.

quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

Tyler Bowe, actor em "Murphy Brown"

Victor Nuno Botelho nasceu em Ponta Delgada, tendo emigrado aos dez anos para Fall River nos Estados Unidos da América.

Quando Victor teve de escolher um nome para a carreira lembrou-se de um miúdo que conhecera de nome Tyler, enquanto que Bowe vem do apelido Botelho.

Formou, com um grupo de amigos, aquele que viria a ser o seu primeiro conjunto musical, The Moderns. Seguiram-se mais dois. "Foram quatro anos a cantar e a tocar em toda a Nova Inglaterra", lembra.

Interpretou durante mais de dez anos o papel de Dave na série Murphy Brown [aparecendo, no entanto, apenas creditado num episódio]. Era aquele rapaz loiro sempre bem vestido, de fatiota a condizer, a quem Candice Bergen descarregava a sua fúria semana após semana.

Até à data, trabalhou como actor em cerca de 30 películas e séries televisivas.

Numa dessas séries, Tyler pôde até falar português. Foi em "The West Wing" ("Os Homens do Presidente"), com Martin Sheen e Rob Lowe à frente do elenco. O enredo girava à volta dos bastidores da Casa Branca, e a dada altura fazia falta alguém que falasse o idioma de Camões.

"Nunca até ali tinha tido a oportunidade de interpretar o papel de uma personagem que falasse a minha língua", diz o actor com orgulho.

Tyler fez o papel de cozinheiro, o senhor Gomes, e praticou a saudosa língua portuguesa graças à visita fictícia do presidente da Indonésia à poderosa Casa Branca.

Ora o que a Warner Brothers não sabia era que na Indonésia se fala tudo menos português. "E não foi possível convencê-los do contrário, pelo que interpretei o papel que me colocaram nas mãos", lembra com um sorriso divertido.

Mais informações

Fontes: DN / IMDb

segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Justin Louis, actor luso-canadiano

Justin Louis, de seu nome Luís Ferreira, nasceu em Caminho d'Além, freguesia da Terra Chã, Ilha Terceira, no dia 20 de Fevereiro de 1966, tendo emigrado para o Canadá em 1971, quando contava apenas quatro anos de idade.

Protagonizou, em 1991 e 1992, a série canadiana "Urban Angel", onde interpretou o papel de Victor Torres, e no ano seguinte filmou em Itália a série "Vendetta II".

Desiludido com a falta de trabalho no Canadá, decidiu partir para L.A., participando em séries como "Public Morals" (1996),"The fighting Fitzgeralds" (2001), "Hidden hills" (2002-2003), "1-800-Missing" (2004-2006), "Durham County" (2007) e, mais recentemente, "Stargate Universe" (2009).

Participou igualmente em diversos filmes - como por exemplo "Naked Lunch" (1991), Savage Messiah (2002), "Dawn of the Dead" (2004) e "The Lazarus Child" (2004)- e em episódios de séries conceituadas como "ER" (2000), "24" (2003), "CSI" (2005) e "CSI Miami" (2006).

Obteve os prémios de interpretação "Acting Award", pelo filme "Fallen arches" (em 1998), e "Gemini", pela série "Durnham County" (em 2008).

"Hidden hills"


Ligações a Portugal

Apenas com oito anos de idade, e durante as suas férias, já trabalhava nas mercearias portuguesas, em Toronto, e nos campos na colheita dos tomates, ao lado de seu pai.

Fala correctamente português pelo facto de sempre ter mantido uma boa e constante relação com a sua Mãe e restante família, e também devido ao facto de que sempre que encontra alguém que fale Português reacender no seu coração a chama ardente de sentir-se Português.

Adora fazer compras no "Kensington Market" e encontrar por ali alguém que fale Português e também produtos de Portugal.

Voltou a afirmar que se sente muito feliz por estar de regresso ao seio da Comunidade Portuguesa, e muito especialmente por ser Português, porque ser Português é ser-se apaixonado pela vida...!.

Em entrevista ao jornal Portuguese Times, Luís Ferreira confessou, recentemente, que "adorava representar o papel de um português ou participar num filme em Portugal".

Esperando servir de exemplo a outros jovens de origem portuguesa, o actor pondera agora a possibilidade de assumir o seu nome de origem em detrimento do nome artístico Justin Louis.

Fontes: Jornal diário / Avelino Teixeira / Imdb

sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Laura Soveral, actriz


Laura Soveral é uma famosa actriz portuguesa com inúmeros trabalhos em teatro e televisão, sendo igualmente reconhecida pela sua actividade cinematográfica, com destaque para o filme "Uma Abelha na Chuva" de Fernando Lopes (1972).

Foi casada com o filho de Marcelo Caetano, tendo vivido em meados da década de 70 no Brasil.

Em 1976 actuou na novela "O Casarão" (exibida também em Portugal), contracenando com Tony Correia, e em "Duas Vidas", ambas da Rede Globo de Televisão.

Fonte: wikipedia

quarta-feira, 29 de Julho de 2009

Tony Correia, actor

Tony Correia [natural de Canas do Senhorim] emigrou para o Brasil, onde chegou em 1976. Foi de barco e o objectivo era visitar os tios que viviam no Rio de Janeiro. O espírito aventureiro ‘obrigou-o’ a outras visitas, uma delas determinante: os estúdios da Globo.

A emissora precisava de um português para o papel do emigrante Jacinto (para a novela "Casarão") e o produtor Moacyr Deriquem, ao encontrá-lo numa esplanada em frente à sede da Globo, convidou-o ao aperceber-se do sotaque de Tony quando este pediu uma Coca-Cola.

Muito antes da chegada de Ricardo Pereira, Nuno Lopes e Maria João Bastos às novelas brasileiras, já Tony Correia quebrava corações do lado de lá do Atlântico. Na década de 70, graças às participações em ‘O Casarão’ (onde encarnou o português Jacinto enquanto jovem e meia-idade) e ‘Locomotivas’(na pele do ingénuo Machadinho), tornou-se num galã com direito a capa de revista.

[licenciado em Engenharia] Tony Correia escolheu, no entanto, a segurança de um emprego na France Telecom, na área da publicidade, tendo recentemente retomado a carreira de actor.

Bellissima

"Os últimos episódios de ‘Belíssima’, em exibição na SIC, vão revelar uma surpresa. Quem era o marido português que ‘Safira’ (Cláudia Raia) teve. A filha, ‘Maria João’ (Bianca Comparato), ficará a saber que o seu pai se chama ‘Nuno’, um actor nascido em Canas de Senhorim e que chegou a ser o galã da televisão brasileira.

Fontes: Correio da Manhã / Canas e Senhorim / Currículo / Blog pessoal

segunda-feira, 27 de Julho de 2009

"Vira Vira" dos Mamonas Assassinas

"Vira-Vira" é uma canção da banda de rock brasileira Mamonas Assassinas, lançada originalmente no seu álbum homónimo de estréia.

A canção, feita como uma paródia das músicas do cantor português Roberto Leal, fala sobre um português que foi convidado para uma orgia (também conhecida como suruba). Por não saber do que se tratava, ele enviou sua esposa para ir em seu lugar. A mesma volta uma semana depois, cheia de dores, e é vítima da zombaria do português. No final da canção, ele acaba sentindo indiretamente o que a esposa passou, com o último verso: "Ai, como dói!".

A canção, uma das primeiras do disco a ser lançada, tornou-se hino dos Mamonas.

Mamonas Assassinas - reacção

Mais engraçado do que piada de português pode ser ouvir Roberto Leal, aos 56 anos de idade, cantarolar a paródia de "Arrebita" feita pelo grupo Mamonas Assassinas.

"Fiquei sabendo desta paródia quando me procuraram para saber sobre um suposto processo por plágio. Era tudo mentira. É pura gozação, sem maldade. Se fosse falta de respeito eu processaria."

O cantor ficou agradado com a versão quando viu o filho mais novo cantar os versos escritos por Dinho e Júlio Rasec, dos Mamonas. “Eu percebi que, de uma forma ou de outra, meu filho estava conhecendo minha música (Vira) e que tudo era uma brincadeira de moleque e decidi não processá-los”, diz Leal.

“Dois meses depois”, o cantor recorda: “encontrei o Dinho em um programa de TV e ele foi extremamente gentil, disse que o disco dos Mamonas não existiria se não fosse a minha influência.”

Costela portuguesa

Julio Rasec (teclados) – o sobrenome artístico era, na verdade, seu segundo nome, César, escrito ao contrário – ficou conhecido pela performance de Maria, na música "Vira-Vira".

Os irmãos Reoli, Samuel (baixo) e Sérgio (bateria), usavam uma corruptela do verdadeiro nome da família, Reis de Oliveira, como nome artístico.

Letra (extracto)

Fui convidado pra uma tal de suruba,
Não pude ir, Maria foi no meu lugar
Depois de uma semana ela voltou pra casa,
Toda arregaçada não podia nem sentar.

Quando vi aquilo fiquei assustado,
Maria chorando começou a me explicar.
Daí então eu fiquei aliviado,
E dei graças a Deus porque ela foi no meu lugar

Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém
Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Neste raio de suruba, já me passaram a mão na bunda,
E ainda não comi ninguém!

sexta-feira, 24 de Julho de 2009

Roberto Leal, cantor

Roberto Leal é o nome artístico do cantor português António Joaquim Fernandes natural de Trás-os-Montes.

Imigrou para o Brasil em 1962, com os pais e 10 irmãos. Em 1971 inicia sua carreira, com a canção "Arrebita" (original do conjunto António Mafra), e neste mesmo ano tem a sua primeira aparição em Televisão no Programa do Chacrinha.

Em 1972 ganha o prémio de Rei da Juventude Brasileira, do Velho Guerreiro (Chacrinha) e o importante Troféu Globo de Ouro, da TV Globo, entre inúmeros outros.

Protagonizou o filme "O Milagre", que conta sua própria história, com recordes de bilheteira (14 semanas em cartaz no Cine Paissandu).

Como tudo começou

Quando comecei a minha carreira no Brasil, levava na bagagem a infância, as coisas que ouvia na minha aldeia de Val da Porca em Trás-os-Montes. Levei comigo uma música muito engraçada do grupo António Mafra chamada "Arrebita" e o brasileiro achou aquilo fantástico.

Mas até eu colocar a música cá fora, as coisas foram muito difíceis. Foi uma luta gravar e tocar. Foi preciso um homem de muita coragem chamado Chacrinha, para eu ter a minha grande oportunidade. A partir daí nunca mais parei.

Video: programa de Ronnie Von

Versões

Ao longo da sua carreira, Roberto Leal gravou diversas versões de temas portugueses, nomeadamente no início da sua carreira:

"Arrebita" (de António Mafra) (em 1971)
"Lisboa antiga" e "Grandola, Vila Morena" (em 1974)
"Clarinha" (de António Mafra), "O Bailinho da Madeira" e "Canção do Mar" (em 1975)
"Só nós dois" (em 1976)

Homenageou Amália, em 1975, com o tema "Canção para Amália".


Crítica musical

“A Popularidade de Roberto Leal” chega nas lojas hoje, na verdade não é um cd novo e sim um album com as musicas mais populares de Roberto.. eu chorei de rir.. mas é um cd prá la de divertido e alto astral.. mesmo não gostando do estilo “jaspion de portugual” adorei o cd.. as musicas tem mensagens positivas.. um ritmo animado.. eu acho que até quem não goste do estilo deve pegar pra dar uma ouvida. Afinal não é qualquer um que vende 17 milhões de cópias sem precisar rebolar a bundinha e descer até o chão, passar horas repetindo os refrões como nos axés ou ate mesmo batendo o cabelo como Colapso Calypso. (...)

Fâs

Fãs famosos não faltam para o cantor. Entre eles estão o padre Marcelo Rossi, que gravou um "Vira de Jesus", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e até o técnico brasileiro Luiz Felipe Scolari.

Fontes: página oficial / wikipedia / Ovo colorido / Mundo Universitário

quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Secos e Molhados, grupo musical brasileiro


Secos & Molhados foi uma banda brasileira, criada pelo cantor e compositor português João Ricardo em 1971 e que tornou célebre o cantor Ney Matogrosso.

Canções do folclore português, como "O Vira" (uma sátira da música folclore portuguesa), misturadas com a poesia de Cassiano Ricardo, João Apolinário, Vinícius de Moraes e Fernando Pessoa, entre outros, fizeram do grupo um dos maiores fenómenos musicais do Brasil do início da década de 70.

Apogeu

No dia 23 de Maio de 1973, o grupo entra no estúdio "Prova" para gravar o seu primeiro disco, que vendeu mais de 300 mil cópias em apenas dois meses, atingindo em pouco tempo um milhão de cópias vendidas.

Os Secos & Molhados tornaram-se um dos maiores fenómenos da música popular brasileira, batendo todos os recordes de vendas de discos e público.

Após o fim do grupo Secos & Molhados, e de sucessos como "Rosa de Hiroxima" e "O Vira", os três membros seguiram carreiras a solo, com destaque para o sucesso de Ney Matogrosso.

João Ricardo

João Ricardo nasceu em Arcozelo em 21 de Novembro de 1949. É filho do poeta e jornalista João Apolinário Teixeira Pinto falecido em 22 de Outubro de 1988.

Tinha quatorze anos quando começou a se envolver com música brasileira. Com a mudança para o Brasil em 1964, para onde o seu pai se exilara, depara-se com a efeverscência musical do país e com o começo da Jovem Guarda, tendo composto entre os 17 e os 18 anos algumas das canções que se viriam a tornar clássicos dos Secos & Molhados.

Após o fim dos Secos & Molhados, João Ricardo lançou em 1975 um disco homónimo, mais conhecido por Pink Record.

João Ricardo adquiriu os direitos de autor do nome Secos & Molhados, tendo reactivado o grupo em 1978, mas sem o sucesso de outrora.

Poemas de João Apolinário musicados pelo grupo

João Apolinário: poeta, jornalista, antifascista, exilou-se no Brasil onde permaneceu vários anos. Nasceu em 1924 e morreu em 1988, na lindíssima vila de Marvão onde existe uma placa a assinalar que ali viveu e morreu.

"A Primavera nos Dentes" - (Morse de Sangue);
"Urgente...Mais Flores" ou "A Luta Necessária" – (Morse de Sangue);
"Sei (Eu sei)" - (Poeta Descalço);
"Doce Doçura" - (Poeta Descalço);
"Os metálicos Senhores Satânicos" - (Poeta Descalço);
"Minha namorada" - (Poeta Descalço);
"Angústia" - (Poeta Descalço);
"Vôo" - (Primavera de Estrelas);
"Flores Astrais" - (Primavera de Estrelas);
"Amor" - (Poeta Descalço).

Fontes: wikipedia, uol, guedelhudos (ié-ié), gin tonic

segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Marco Mazolla, produtor musical brasileiro

Marco Aurélio da Silva "Mazzola" (Rio de Janeiro, 25 de abril de 1950) é um dos mais importantes produtores musicais do Brasil, tendo sido o responsável pelo lançamento de artistas como Raul Seixas, Belchior, Marina Lima, Adriana Calcanhotto, Chico César, Zeca Baleiro, entre outros. Trabalhou ainda com nomes como Elis Regina, Gilberto Gil ou Rita Lee.

Principais destaques

Foi, em 1978, um dos promotores da primeira Noite Brasileira do Festival de Montreux, na Suiça, onde levou Gilberto Gil, A Cor do Som e Ivinho. Nesse mesmo ano, produz "Realce" de Gilberto Gil com clássicos como "Realce" e "Não Chores Mais" de Bob Marley.

Colaborou com Paul Simon nas gravações de "The Rhythm of the Saints" de 1990.

Co-produziu, com Phil Ramone, a faixa "The World on a String", de Frank Sinatra, em duo com Liza Minelli. Produziu também duas faixas do CD "Brazil" do Manhattan Transfer (Grammy de melhor disco de 1989).

Colaborou com Quincy Jones no LP gravado ao vivo por Miles Davis em Montreux, em 1994.

Depois de ser director artístico da Warner, da CBS e da Sony funda em 1995 a sua própria etiqueta, MZA, onde revela novos valores como Chico César, Zeca Baleiro ou Rita Ribeiro.

Trabalha com a Banda Eva e no primeiro álbum a solo de Ivete Sangalo ("Canibal" de 1999).

Em 2005, foi homenageado, durante a Noite Brasileira do Festival de Montreux, por seus 30 anos de produção musical. Nesse mesmo ano, lançou o CD duplo "MPBZ 30 Anos, 30 Sucessos" contendo gravações originais que produziu ao longo da sua actividade de produtor musical.

Em 2007 é lançada a autobiografia "Ouvindo Estrelas" onde conta histórias de bastidores e sua relação com artistas com quem trabalhou, bem como dos seus antecendentes familiares que tem uma forte ligação a Albergaria-a-Velha (terra da sua família paterna).

"Ouvindo Estrelas" (autobiografia)

Meu pai, Carlos da Silva Ferreira, teve um começo de vida bastante curioso. Seus pais eram portugueses, que trabalhavam no Brasil — o pai, como mordomo, e a mãe, como arrumadeira.

Quando meu pai nasceu, começou a atrapalhar a rotina exaustiva de tarefas que seus pais precisavam cumprir — ainda mais por que meu avô não tinha o menor jeito nem paciência com criança.

Assim, com seis ou oito meses, decidiram levá-lo para Portugal, para ser criado pelos meus bisavós paternos, na "aldeia" de Albergaria-a-Velha, perto de Aveiro.

Somente quando ele tinha 13 ou 14 anos, seus pais voltaram a viver em Portugal. (...) Esse meu avô era um homem rude, algo brutal até, e mal-humorado. (...)

Em Portugal, a vida era muito difícil, não havia trabalho para ninguém e foi por isso que meu pai [já casado e pai de dois filhos - Marco nasceria já no Brasil] resolveu vir para o Brasil [no decurso da 2ª Guerra Mundial].

Como tinha vários parentes no Rio de Janeiro, pediu que um dos tios lhe mandasse uma Carta de Chamada, um documento que representava o compromisso de alguém que convidava uma pessoa para vir para o Brasil, garantindo-lhe residência fixa e trabalho.

Extractos do livro

Fontes: wikipédia; Autobiografia

Ligação: Blog de Albergaria

sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Adelino Moreira, compositor de música ligeira (1918-2002)


Nascido em Covêlo, no concelho de Gondomar, em 28 de Março de 1918, Adelino Moreira de Castro chegou ao Brasil com apenas um ano de idade. O pai, comendador Serafim Sofia, era joalheiro e, em busca de vida melhor, instalou-se com toda a família na praça Mauá, no Rio de Janeiro. Não demorou a prosperar e a mudar-se para Córregos, onde, segundo Adelino, “era dono de quase toda a cidade”.

Em 1943, o comendador patrocinava o programa Seleções Portuguesas, na Rádio Clube do Brasil. Dirigido pelo maestro Carlos Campos, professor de guitarra de Adelino, o programa logo passou a contar com a presença constante do futuro compositor, que interpretava fados e umas “coisinhas” de sua autoria.

Após gravar diversos 78 rotações, Adelino retorna a Portugal em 1948 tendo actuado no Teatro Sá de Miranda e gravado pela Pharlophon portuguesa vários discos de música brasileira.

Após regressar ao Brasil, tinha uma certeza: não queria ser cantor. Mas se dedicaria com afinco à composição.

Em 1952, Adelino conheceu Nelson Gonçalves. Impressionado com o estilo do cantor, o compositor lhe entregou "Última Seresta" para ser gravada. Essa música inaugurava uma parceria que se estenderia por muitos anos e que faria de Nelson o principal intérprete de Adelino.

Nos anos seguintes, o cantor lançaria os primeiros dois grandes êxitos do compositor: os sambas-canções "Meu Vício é Você", de 1955, e "A Volta do Boêmio", de 1956. Na década de 60, Adelino e Nelson passaram também a compor juntos, surgindo, assim, vários sucessos, como o bolero "Fica Comigo Esta Noite" e os sambas-canções "Escultura" e "Êxtase".

Ainda nos anos 60, vários outros cantores gravaram músicas de Adelino, entre eles, Ângela Maria, Carlos Galhardo, Núbia Lafayette e Orlando Silva.

“Eu compunha para todo mundo. Todos os cantores de sucesso gravavam coisas minhas. Eu fazia música de acordo com a necessidade. Se precisava fazer 36 músicas por ano, eu fazia”, lembra o compositor.

Em 1966, alguns desentendimentos separaram Adelino de Nelson Gonçalves. A briga duraria até 1971, quando voltaram a trabalhar juntos. E, em meados da década de 70, além de continuar a compor, tornou-se empresário do cantor.

Fonte: página oficial

quarta-feira, 15 de Julho de 2009

John Philip de Sousa, compositor e maestro (1854-1932)

Entre os cidadãos americanos de origem lusa, nenhum terá, decerto, granjeado tanta popularidade como John Philip de Sousa, que chegou, com inteira justiça, a ser considerado o músico mais famoso do seu tempo.

Nascido em Washington, a 6 de Novembro de 1854, John Philip de Sousa era filho do português António Sousa e de uma austríaca, Marie Elisabeth Trinkaus.

António era natural de Sevilha, onde os seus pais, João António de Sousa e Josefina Branco (que algumas fontes referem serem originários dos Açores), se terão refugiado (por motivos políticos?) durante a Guerra Peninsular.

Sem dúvida influenciado pelo pai, músico virtuoso e muito apreciado, desde cedo, aos seis anos, o pequeno John se dedicou ao estudo da música, com especial incidência no violino (a sua primeira paixão) e na actividade de composição.

Cultivando a marcha com grande mestria (chegaria a compor mais de 100!), confere-lhe uma nova vitalidade rítmica e melódica. Assim, composições como “Semper Fidelis”, que virá a ser adoptada como hino do US Marine Corps, “Hands Across the Sea” e “The Liberty Bell” tornar-se-ão mundialmente famosas e valer-lhe-ão o título de “Rei das Marchas”. E é justamente uma marcha sua, a “Washington Post”, que em 1890 é adoptada como padrão para a dança Two Step, que, na altura, faz furor nos dois lados do Atlântico.

Mas não era só nas marchas que o seu génio musical se manifestava. A opereta foi outra das suas preferências, tendo quatro das que compôs (“El Capitan”, “The Charlatan”, “The Bride Elect” e “Chris and the Wonderful Lamp”) sido produzidas na Broadway, com a primeira, “El Capitan”, a ver a sua estreia em 1895.

John Philip de Sousa é igualmente reconhecido por ter idealizado e dado nome ao Sousafone.


Outra faceta da sua polivalência artística manifestou-se na escrita, com sete livros publicados, entre os quais uma autobiografia, um manual sobre a condução de orquestras e algumas obras de ficção, como “Pipetown Sandy”, relato das aventuras de um rapaz em Washington no período da Guerra Civil (provavelmente recuperando algumas memórias da própria infância), e a novela “The Fifth String” um conto faustiano de um jovem que vende a própria alma para poder comprar um violino e captar a atenção da sua amada.

Escreveu também poesia (foi autor das letras da maior parte das suas canções) e vários artigos de jornal sobre os temas que apaixonadamente defendia.

Em 1896 o seu fervor patriótico era vertido na sua marcha mais famosa, “Stars and Stripes Forever”, que em 1897 seria adoptada pelo Congresso Americano como a marcha nacional dos Estados Unidos. Ainda hoje o nome de John Philip de Sousa é, automaticamente, associado àquela composição.

A influência musical de John Philip de Sousa faz-se sentir muitos anos passados sobre a sua morte, sendo as suas marchas frequentemente tocadas em concertos, eventos desportivos e em cerimónias militares ou civis (na verdade, algumas delas já ganharam um carácter marcadamente “civilista”).

Fonte: Marinha (adaptado)

segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Joe Raposo, músico (1937-1989),

Joe Raposo nasceu em Fall River, em 1937 e faleceu ainda novo, em Nova Iorque, em 1989.

Foi director musical dos famosos programas "Sesame Street" ("Rua Sésamo"), Muppets ("Marretas") e outras produções de Jim Henson e escreveu canções de sucesso como "Bein’Green", "Sing" e "Something Come and Play", cantadas por Frank Sinatra, The Carpenters, Barbra Streisand, Ray Charles e outros.

Joe Raposo chamava-se na realidade Joseph Guilherme Raposo e era filho de José Raposo, professor de música e regente da Banda de Santo Cristo, natural dos Arrifes, S. Miguel.

Em 2004 foi publicado o livro "A Boy and his Music" da autoria de Odete Amarelo e Gilda Arruda, com ilustrações de Josette Fernandes, que é a biografia de Joe Raposo contada às crianças em português e inglês.

Fontes: Portuguese Times (Eurico Mendes), Muppet.wikia, Muppet central