sábado, 29 de fevereiro de 2020

Os "fabulosos" irmãos D'Andrade (2) - Francisco D'Andrade

 

Francisco Augusto D'Andrade (1856-1921) foi um barítono português que cantou papéis principais em óperas em toda a Europa, incluindo cinco anos como o principal barítono no Real Italian Opera em Londres e treze anos no Berlin Hofoper.

Os seus 35 anos de vida artística constituíram uma série ininterrupta de êxitos em toda a Europa. No seu vasto repertório figuravam mais de 50 óperas das mais famosas. Cantava em seis línguas. A sua interpretação no “Don Giovanni” de Mozart fez escola na Alemanha e foi unanimemente considerada paradigmática, tendo mesmo sido pintado no desempenho dessa personagem por Max Slevogt em 1902, 1903 e 1912 (em quadro patente na Alte Nationalgalerie em Berlim).


No blog “Operapertutti” é relatado a seguinte estória: "Há muitos anos, ao visitar em Salzburgo a casa de Mozart, deparei com um quadro retratando um cantor português, Francisco de Andrade. Com curiosidade, perguntei ao guia a razão pela qual um cantor português figurava ali, e a resposta foi simples: «Foi considerado, na sua época, o melhor "D.João" a nível mundial»".

Tal como o irmão, Francisco começou como actor amador. Atraído pela carreira musical partiu em 1881, com o irmão, para Itália para se dedicarem inteiramente à arte lírica, tendo tido como orientadores o tenor Corrado Miraglia , e após a morte de Miraglia, no final desse ano, o barítono Sebastiano Ronconi .



Estreou-se em 1882 em Sanremo, cantando “Amonastro” da “Aida” de Verdi, no Teatro Principe Amedeo em Sanremo. Nos anos seguintes, cantou em casas de ópera de Portugal, Espanha e Itália, incluindo o Teatro Costanzi, em Roma, onde interpretou o Conde de Luna, no “Il Trovatore” de Verdi, e Severo, na primeira apresentação de “Poliuto” de Donizetti.

Os irmãos foram contratados em 1884 pela casa de ópera de Aix-les-Bains, e posteriormente por casas de ópera em Itália, mas uma grave epidemia de cólera em Itália levou os dois irmãos a regressar a Lisboa.


Após esse período, Francisco D'Andrade e o irmão foram contratados para o Théâtre Privé d'Opéra em Moscovo, na Rússia, para a temporada 1885-1886. Francisco D'Andrade iniciou, então, em 1888, uma colaboração de cinco anos com o Real italiano Opera em Londres. Durante esse tempo, ele cantou uma ampla gama de papéis principais de barítono, incluindo os papéis principais em "Rigoletto" e "Don Giovanni".

Continuou a actuar pela Europa como cantor e recitalista convidado, mas fixou residência na Alemanha, onde, em 1894, recebeu a Grande Medalha de Ouro de Artes e Ciências de William II de Württemberg .


Francisco tinha uma casa em Bad Harzburg , que se tornou um centro não oficial da cultura Portuguesa na Alemanha e cantou regularmente com a Ópera de Frankfurt entre 1891 e 1910, bem como em outras grandes casas de ópera alemãs. E em 1906 tornou-se um membro oficial da Berlim Hofoper, onde já actuava desde 1889. E em 1901 cantou no Festival de Salzburgo na Áustria.

Francisco D'Andrade voltou para Lisboa durante a I Guerra Mundial, mas regressou para a Alemanha, e para a Berlim Hofoper, após a guerra terminar em 1918, tendo falecido em Berlim, em 1921, com 65 anos.

Fontes/Mais informações: wikipedia  / "O grande livro dos Portugueses" (Circulo de Leitores) / Blog da rua 9 / Ilustração Portuguesa / Revista Brasil-Portugal / Arqnet / youtube (audio) / forgotten operasingers / ipernity / operapertutti   


Sobre António D'Andrade

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Os "fabulosos" irmãos D'Andrade (1) - António D'Andrade


António D'Andrade (1854-1942) foi um famoso tenor português que actuou muitas vezes com o seu irmão mais novo, o barítono Francisco D'Andrade.

Começou como actor teatral amador. Dotado de agradável voz de tenor, tornou-se discípulo de Joaquim Casimiro. Em 1881 os irmãos foram para a Itália para estudarem com o tenor Corrado Miraglia e, posteriormente, após a morte de Miraglia, com o barítono Sebastiano Ronconi.

Estreou-se em Itália, em Varese, em 1882, no papel de Fernando, em “La Favorita” de Donizetti. Em 1882 o compositor Ponchielli, então no auge da sua fama, escolheu-o para protagonista de “Promessi Sposi”, contracenando com a esposa do autor da Ópera, a cantora Brambila Ponchielli.


Nos anos seguintes cantou em vários teatros italianos, incluindo o Teatro Dal Verme (Milan), Teatro Regio (Turim), Teatro Rossini (Veneza) e o Teatro Metastasio (Prato). No Teatro dal Verme em 1884, interpretou o papel de Roberto na primeira versão de “Le Villi” de Puccini e Sandro em “Marcellina” de Alberto Favara Mistretta.

Os dois irmãos foram contratados em 1884 pela casa de ópera de Aix-les-Bains , tendo António interpretado com grande sucesso os papéis de Manrico em “Il Trovatore”, Gennaro em “Lucrezia Borgia”, e os papéis principais em “Faust” e “Marchetti” de Ruy Blas.

Os empresários do Teatro Comunale, em Trieste, e do Teatro Regio, de Turim, ofereceram-lhe contratos lucrativos para a temporada de 1885, mas uma grave epidemia de cólera em Itália levou os dois irmãos a regressar a Lisboa.


Posteriormente, António D'Andrade e o irmão foram contratados para o Théâtre Privé d'Opéra em Moscovo para a temporada 1885-1886. Durante esse período, actuou também em São Petersburgo e Varsóvia. Mais tarde, em 1886, D’Andrade actuou com o Real italiano Opera em Londres, no papel de Radamés, em “Aida”, Don José em “Carmen“ e o papel principal em “Lohengrin”.

Teve a sua época áurea entre 1882 e 1992, tendo continuado a cantar como artista convidado em várias cidades europeias, bem como no Teatro São Carlos, de Lisboa, onde participou, em 1888, conjuntamente com o seu irmão na estreia mundial da ópera de “Donna Bianca” do autor português Alfredo Keil. António interpretou Aben-Afan e Francisco ficou com o papel de Adaour.

Em 1900, António D'Andrade interrompe a sua carreira por motivo de surdez.

Fontes/Mais informações: wikipedia / toponímia de Lisboa / "O grande livro dos Portugueses" (Circulo de Leitores) / Ipernity
 
No papel de "Poliuto" de Donizetti

Sobre Francisco D'Andrade 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Luísa Todi (1753-1833), uma cantora para a eternidade


Luísa Rosa de Aguiar, conhecida como Luísa Todi, e também por La Todi, foi a meio-soprano portuguesa mais célebre de todos os tempos. Luísa, ainda com muito pouca idade, acompanhou seu pai, um professor de música, na vinda para Lisboa, juntamente com suas irmãs. Cedo entrou no mundo musical.

Foi, porém, o seu casamento, em 1769, apenas com 16 anos, com o italiano Francesco Todi, rabequista da Real Câmara e do Teatro do Bairro Alta que, conhecendo bem os seus recursos vocais e talento dramático, a entusiasmou para o teatro lírico, trazendo-lhe depois a internacionalização e a consagração.


Estreou-se em 1771 na corte portuguesa de D. Maria I e cantou no Porto entre 1772 e 1777, quando partiu para Londres para actuar no King's Theatre, sem particular aplauso por parte dos ingleses.

Em 1778 está em Paris e Versalhes, participando nos famosos "Concerts Spirituels" em Paris, onde foi considerada a melhor cantora estrangeira que actuou em França.

Em 1780 é aclamada em Turim, no Teatro Régio, tendo assinado um contrato como prima-dona, e em 1780 era já considerada pela crítica como uma das melhores vozes de sempre.


Brilhou na Áustria, na Alemanha e na Rússia. Veio a Portugal em 1783 para cantar na corte portuguesa. Regressou a Paris aos "Concerts Spirituels" tendo ficado célebre o "duelo" com outra cantora famosa de nome Gertrudes Mara. A crítica e o público dividiu-se.

Convidada, parte com o marido e filhos para a corte de Catarina II da Rússia, em São Petersburgo (1784 a 1788), que a presenteou com jóias fabulosas. Em agradecimento o casal Todi escreveu para a imperatriz a opera "Pollinia".

Pintura a óleo por Vigée-Le Braun (1785)

Curiosamente, porém, contava o Conde Walaweski, no seu "Romance de uma Imperatriz" que Catarina tinha uma audição defeituosa e nem sequer apreciava especialmente a música, embora não o confessasse geralmente.

Quanto às relações entre a Imperatriz e a Cantora, diz o mesmo autor que a primeira contava que por vezes encontrava Madame Todi em passeio. "Ela beija-me as mãos e eu beijo-a na face; os nossos cães farejam-se, ela toma o seu debaixo do braço, eu chamo os meus e seguimos os nossos caminhos".

Apesar desta aparente indiferença, o certo é que a Czarina não dava a qualquer pessoa a importância de a "Beijar na face". E, além disso, acrescentava que "quando canta, ouço-a, aplaudo-a e sentimo-nos bem a conversar as duas".

Berlim aplaudiu-a quando ia a caminho da Rússia e no regresso, Luísa Todi foi convidada por Frederico Guilherme II da Prússia, que lhe deu aposentos no palácio real, carruagem e os seus próprios cozinheiros, sem falar do principesco contrato, tendo ali permanecido de 1787 a 1789.

Participa  novamente nos "Concerts Spirituels", em 1789, sendo apelidada por alguns críticos como a melhor cantora do seu tempo. Regressando à Prússia poucas semanas antes do início da Revolução Francesa.


Em 1790 inicia uma digressão triunfante pela Alemanha. Diversas cidades alemãs a aplaudiram como Mainz, Hanôver e Bona, onde Beethoven a terá ouvido. Cantou ainda em Veneza, Génova, Pádua, Bérgamo e Turim. O período que esteve em Itália, na época de  1790/1791, ficou conhecido como "O ano da Todi". De 1792 a 1796 encantou os madrilenos novamente. Em 1799 terminou a sua carreira internacional em Nápoles.

Luísa Todi tinha a capacidade invulgar de cantar com a maior perfeição e expressão em francês, inglês, italiano e alemão. No livro de Anton Reicha, "Tratado da Melodia" Luísa Todi foi considerada "A cantora de todas as centúrias" melhor dizendo "Uma cantora para a eternidade".

Fontes:  Ruas de Lisboa / wikipedia / Cantores de Ópera Portugueses, 1º volume”, Mário Moreau / Blog Luísa Todi / "Alto: the voice of bel canto" /  Grandes Portugueses

domingo, 15 de dezembro de 2019

"Los Diamantes de la Corona" em versão zarzuela de Francisco Asenjo Barbieri (1854)


"Los Diamantes de la Corona" é uma zarzuela em três actos de Francisco Asenjo Barbieri (1823-1894) estreada em Madrid em 1854. Baseia-se no libreto de Francisco Camprodón que, por sua vez, se inspirou no libreto de Eugène Scribe e Jules-Henri Vernoy de Saint-Georges para a ópera cómica homónima de Daniel-François Esprit Auber.

Trata-se de uma zarzuela cujo enredo se passa no século XVIII em Portugal e que trata das peripécias de uma senhora — Catalina — que é líder de um grupo de bandidos, mas que é, afinal, a futura rainha de Portugal.


A acção tem lugar em Portugal, no final do século XVIII. A rainha ainda é menor, pelo que o poder é exercido por um Conselho de Regência. Perto de Coimbra, um grupo de bandidos e falsificadores assalta o marquês de Sandoval, que se enamora da bela Catalina, cabecilha dos assaltantes.

Igualmente apaixonada e em troca do seu silêncio, Catalina permite a libertação do marquês, que vai desposar Diana, filha do conde de Campomayor, ministro da Justiça do Conselho de Regência.


No epílogo desta zarzuela, Catalina acaba por tornar-se rainha de Portugal, casar com o marquês, perdoar a Rebolledo, seu número dois no grupo, e tornar possível o amor de Diana e Sebastián.

A música de "Los Diamantes de la Corona" é a versão espanhola da ópera homónima de François-Esprit Auber, o que não a impede de ser considerada "uma das produções mais interessantes de Barbieri, devido à capacidade para se adaptar a todas as circunstâncias da acção e da psicologia dos personagens, bem como pela unidade que obtém com uma música hispânica".

Fontes: wikipedia / TNSC / Fanáticos da Ópera

 

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Uma futura Rainha Aventureira em "Os Diamantes da Coroa" (1841)



"Les diamants de la Couronne" é uma ópera cómica em três actos, com libreto de Eugène Scribe e música de Daniel-François-Esprit Auber. A peça decorre em 1777 em Portugal, sendo os dois primeiros actos em Coimbra e o terceiro acto em Lisboa.

No enredo a futura rainha de Portugal, D. Maria, resolve substituir os diamantes pertencentes à Coroa Portuguesa por cópias fiéis feitas de cristais lapidados, com o objectivo de saldar a dívida de Portugal. Entre os personagens é de realçar o Conde de Campo Mayor, o regente, a sua filha Diana, D. Sebastião de Aveiro, jovem oficial, Reboleddo, o falsário, e Catalina, sua suposta neta (que será a futura rainha D. Maria).
 

Em 1777, durante os últimos tempos de reinado de José I e da menoridade de Maria Francisca, sua filha e futura rainha, Portugal enfrentava uma severa crise financeira e agrícola, sua população sofria com a fome e com o frio. A situação se agravava dia a dia e a miséria do povo inquietava Maria Francisca.

Como solução para o problema, a futura rainha de Portugal resolveu substituir os diamantes pertencentes à Coroa Portuguesa por cópias fiéis feitas de cristais lapidados, com a ajuda de um falsário, conhecido como Rebolledo, que ela havia conhecido nas prisões da Inquisição.


Maria Francisca acompanhou cuidadosamente o trabalho de Rebolledo e quando as cópias das joias ficaram prontas ela as colocou no lugar das verdadeiras, as quais tinham grande valor, o suficiente para recuperar as finanças do país.

A futura rainha de Portugal disfarçou-se, então, de chefe de um bando de contrabandista, passando-se por uma mulher da região da Boémia, de nome Catharina, estratégia para poder negociar as pedras da Coroa sem macular a casa real com contravenções.


Assim como havia sido planeado, a venda das pedras preciosas trouxe grandes somas aos caixas do Estado, possibilitando que Portugal conseguisse superar a difícil situação na qual se encontrava. O que não se esperava é que a futura Rainha seria desmascarada.

Este é o enredo da ópera-cómica "Les diamants de la Couronne", de Eugène Scribe, com música de Daniel-François-Esprit Auber, submetido ao parecer censório do Conservatório Dramático Brasileiro, pelo director da Compagnie Lyrique Française, em 1846. A intenção era apresentar a peça no Teatro de São Francisco, um dos pequenos teatros do Rio de Janeiro. Mas, a peça não agradou em nada ao grupo de censores.


O primeiro pedido de licença para a apresentação de "Les diamants de la Couronne" num teatro do Rio de Janeiro foi feito ao Conservatório Dramático pela Compagnie Dramatique Française, em 1844. Já supondo que a história narrada na peça pudesse causar problemas para a sua aprovação, o director do teatro francês substituiu o local onde os eventos ocorriam, colocando a Suécia no lugar de Portugal. A artimanha não funcionou, a peça foi censurada.

Depois da proibição inicial, outro pedido de avaliação foi feito em 27 de setembro de 1846, quando a Compagnie Lyrique Française, sediada no Rio de Janeiro, submete novamente (sem sucesso) a peça à censura do Conservatório, agora sem modificar em nada o libreto de Scribe, pedido que causa maior frenesi nos censores.

Adaptação para TV (1999)

Entendidas as possibilidades oferecidas pelo censor, o director da companhia francesa submete outra vez a peça à análise, em dezembro de 1846. Mas, agora, os acontecimentos narrados na peça se passam na Dinamarca, em 1387, no final do reinado de Waldemar III e de sua filha Margarida, distanciando a possibilidade de ligação histórica da família real brasileira de um acto de contravenção, mesmo que esse acto fosse objecto de uma peça teatral e não em de texto historiográfico. Para os censores, isso bastou para isentar a peça da acusação de imoralidade. Para garantir que a ilusão do teatro não subverta a História de Portugal, o empresário responsável pelo espectáculo ainda se compromete a modificar o vestuário, colocando todos os artistas com trajes da Idade Média, sem nenhuma referência à cultura e aos costumes portugueses.

Fonte: Denise Scandarolli  (em "Café História") (adaptado)

Foi igualmente adaptado para Zarzuela:

Adaptação para Zarzuela

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Tristão da Cunha em "Jessonda" de Louis Spohr (1823)


"Jessonda" é uma grande ópera (Gross Opera) de Louis Spohr com libreto em alemão de Eduard Gehe. A acção decorre na India, sendo de realçar dois personagens portugueses, o Coronel Pedro Lopez e o General Tristan d'Acunha.

Nesta ópera, a heroína Jessonda, viúva do rajá, deve ser queimada até a morte em sua pira funerária. Antes do casamento, ela se apaixonara por um general português.

Um jovem brâmane, Nadori, é enviado do templo hindu para levar Jessonda ao seu destino final, contudo ele acaba por se apaixonar por Amazili, irmã de Jessonda.

As forças portuguesas acampadas fora da cidade são lideradas por Tristan d'Acunha, que jurou que os costumes indianos serão preservados.

Nadori prometeu salvar Jessonda e Tristan agora descobre que ela é seu amor perdido há muito tempo. A violação indiana da trégua permite que Tristan aja e Jessonda é resgatada a qualquer momento, antes que Dandau, o chefe brâmane, possa realizar o sacrifício pretendido.


Fonte: wikipedia ("Jessonda")

domingo, 15 de setembro de 2019

Desencontros amorosos em "L'Hôtellerie portugaise" ("A Hospedaria Portuguesa") (1798)



"L'Hôtellerie portugaise" é uma ópera cómica em um acto de Luigi Cherubin, representada pela primeira vez em Paris, no teatro Feydeau, em Julho de 1798. Com libreto de Giulio Confalonieri adaptado da peça de Etienne Aignan .

A ópera foi um insucesso contudo foi novamente encenada a partir da década de 40 do século XX.
A acção decorre em 1640 numa Hospedaria localizada numa cidade portuguesa, na fronteira entre Espanha e Portugal.

Gabriella tenta alcançar seu amado Don Carlos em Lisboa, com a ajuda da empregada Inês, sendo perseguidas pelo tutor de Gabriella, Don Roselbo, que é apaixonado pela jovem. Os quatro personagens acabam por se encontrar na Hospedaria do título.


Um mal-entendido convence o proprietário da pousada, Rodrigo, que Gabriella é a esposa de um vigário espanhol expulso de Lisboa após um motim: pensando que ele está tentando escapar e que Don Carlos quer capturá-la, ele decide protegê-la e tudo faz para que os dois amantes não se encontrem.

Gabriella acaba nas mãos de Roselbo, mas a situação é resolvida quando a identidade dos personagens é esclarecida, e Don Carlos consegue mostrar um documento que termina a protecção de Don Roselbo de Gabriella e os dois jovens podem se reunir alegremente.

Fonte: wikipedia ("Hôtellerie ...")

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Temas, situações e personagens ligados à história de Portugal ou à sociedade portuguesa em "A Hospedaria Portuguesa" e outras obras


O livro de Antero Palma-Carlos, “Os Médicos, a Ópera e a História”, contém referências desenvolvidas e evocações seleccionadas de óperas, portuguesas ou não, relacionadas com temários, situações e personagens ligados à história de Portugal ou à sociedade portuguesa: "Vasco da Gama - L'Africaine" de Meyerber, "Jessonda" de Spohr, "Il Guarany" de António Carlos Gomes, "D. Sebastien Roi du Portugal" de Donizetti, “L'Hotellerie Portugaise” de Cherubini, “Blimunda” de Corghi ou “Les Diamands de la Couronne” de Auber.

Mas acrescenta mais uma larga dezena de títulos de obras de compositores portugueses e estrangeiros também apresentadas no Teatro de São Carlos e no Coliseu dos Recreios, de temário português, independentemente da nacionalidade do compositor. E essas, curiosamente, tanto englobam óperas como cantatas e composições diversas de música e cena, cobrindo os séculos de História e a variedade imensa de compositores e escritores, desde os citados mas também por exemplo escritores e compositores como Ruy Coelho (compositor e maestro português), Azio Corghi, Marcos Portugal (que nasceu em Portugal e faleceu no Brasil), João Arroio (autor de "Amor de Perdição", natural do Porto), Daniel Auber, Barahona Fragoso (de Cuba no Alentejo) e tantos mais!...

Fonte: Duarte Ivo Cruz  (adaptado)


"L'Hôtellerie portugaise" ("A Hospedaria Portuguesa") (1798)




"Jessonda" (1823)


"Les Diamants de La Couronne" ("Os Diamantes da Coroa") (1841)


"Dom Sebastião" (1843)


"L'africaine" ("A Africana") (1865)


"Il Guarany" (1870)



"Il Guarany" (em português, "O Guarani") é uma das óperas do compositor brasileiro Antônio Carlos Gomes. É uma ópera ballo em quatro actos,  com libreto em italiano de Antônio Scalvini, com  base no famoso romance homónimo de José de Alencar.

Estreou no Teatro Scala de Milão, em Itália, em 19 de março de 1870, com grandioso sucesso. A ópera "Il Guarany" tem como maior destaque a sua abertura.


Entre os personagens de origem portuguesa é de  realçar Don Álvaro, (aventureiro português), D. Antônio de Mariz, (velho fidalgo português) e Cecília (filha de Don Antônio).

"Blimunda" (1989)
 

Fontes: wikipedia ("Hôtellerie ..." / "Jessonda" / "Les diamants ..." / "Il Guarany")

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Maria Callas em Lisboa na peça "Lisbon Traviata"


Maria Callas, então a mais famosa cantora de Ópera do mundo, estreou-se em Lisboa, em Março de 1958, a cantar "La Traviata", de Verdi. Decorria a temporada de ópera do São Carlos. Ao seu lado estava um tenor ainda desconhecido, Alfredo Kraus. A gravação de uma das récitas de São Carlos tornou-se célebre e é uma referência fundamental.

Terrence McNally, dramaturgo premiado com nem mais nem menos do que quatro Tonys, escreveu em 1985 "The Lisbon Traviata", em que explora a obsessão por Callas e por esta gravação. A peça acabou por ter algum sucesso em Nova Iorque e em Londres.


A acção decorre no presente (de então) e a peça foi considerada ousadíssima, viviam-se os primeiros e conturbados tempos da SIDA, Rock Hudson, o primeiro nome mundialmente conhecido a sofrer da doença, morreu nesse ano. Todas as quatro personagens da peça são gays, duas delas, Stephen e Mike, numa relação de anos que agoniza nos seus últimos dias, quando já surge no horizonte uma terceira pessoa para Mike, um rapazinho mais novo de seu nome Paul (fixem este nome), que, diz-nos o autor, está a meio da casa dos vinte.

O pretexto para a peça é o facto de ter acabado de surgir no mercado uma nova Traviata com a Callas (fui verificar, o disco foi lançado em 1980), uma gravação pirata da sua célebre Violetta de 27 de Março de 1958 em Lisboa, no Teatro de S. Carlos.


O primeiro acto decorre em casa de Mendy, a seguir a um jantar em que tem Stephen como convidado. Stephen calha a mencionar a "Traviata de Lisboa", que acabou de comprar, e a partir daí Mendy fica posseso, num frenesi insuportável, quer à viva força ir buscar o disco, morre se não o ouvir quanto antes.

Stephen recusa firmemente, Mike está na casa de ambos e recebe nessa noite o seu novo namorado. Que nasceu em Portugal, filho de portugueses, que poderá (ou não, e é isso que Mendy tenta desesperadamente tirar a limpo) ter sido levado pelo avô a ver a "Traviata de Lisboa", no Teatro San Marco — leram bem. E que se chama Paul Della Rovere — também leram bem.

Fontes/Mais informações: "A Gota de Rantanplan" / wikipedia / Hemeroteca digital   Noticias magazine / Flama / Século ilustrado (em "iconografia" / valkirio
 
"O Século Ilustrado" (1958)

Revista Flama (1958)
Quando os erros estão no original ...

sábado, 15 de junho de 2019

Portugal e as portuguesas em Tirso de Molina (1583-1640)


Tirso de Molina (pseudónimo de Frei Gabriel Teller) foi o autor espanhol que mais vezes, e com maior ternura, se referiu a Portugal.

E Tirso de Molina é o poeta estrangeiro em cujas obras, com maior entusiasmo, constância e gentileza se cantam as portuguesas! Era tal a sua devoção por elas que - prova de extrema admiração - escolheu, de entre todas as suas heroínas, uma portuguesa, a encantadora Seraphina de "El Vergonzoso en palácio", para colocar em seus lábios o elogio da arte do teatro, segundo os novos cânones libérrimos com que Lope de Vega a emancipara da clássica rigidez greco-romana.


A lusofilia de Tirso de Molina é evidente em D. Beatriz Silva. É na boca do rei D. João II de Castela que o dramaturgo põe a célebre frase: “Beatriz, mulher tão bela, só a merece Deus”.

Essa predilecção por temas lusitanos é igualmente evidente em “Las Quinas de Portugal”em que o tema é a personalidade histórica de D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, e a formação da nacionalidade portuguesa.


No total de 86 comédias que o catálogo do seu teatro, publicado em 1907 por Cotarelo y Morí, lhe atribui, interessam a Portugal nada menos de onze. Dessas onze, sete passam-se em terras portuguesas, a saber : "El Vergonzoso en palácio" ("O envergonhado no paço"), "Siempre ayuda la verdade", "Averiguelo Vargas", "Las Quinas de Portugal" ("Quinas de Portugal"), dois actos de "El Amor médico" ("Médica por Amor"), um acto de "Dona Beatriz da Silva" e várias cenas de "La Gallega Marí-Hernandez".

"Escarmiento para el cuerdo" é a dramatização do conhecido episódio do naufrágio de Sepúlveda. "Antona Garcia" alude à batalha de Toro, essa pequena Aljubarrota espanhola. E nas duas restantes, que são "El Burlador de Sevilla y Convidado de piedra" e a segunda parte de "La Santa Juana", há importantes referências a Portugal.


O interesse por Portugal não resultou da sua viagem a Portugal em 1619 pois “El Vergonzo en Palácio” é uma comédia toda portuguesa, no argumento, personagens e lugar de acção. E em 1613 já era evidente a apologia a D. Afonso de Albuquerque em “Santa Juana”.

Tirso de Molina faz decorrer a sua comédia "Averiguelo Vargas" em Portugal, durante a menoridade de D. Afonso V, ou seja durante a regência de D. Pedro, o morto infeliz de Alfarrobeira. Entram na peça, além do rei e do regente, os infantes D. Diniz e D. Duarte, a infanta D. Filipa, D. Afonso de Abrantes, prior do Crato, Ramiro, Sancha, etc.


Na comédia "El Amor médico", cuja acção decorre em grande parte na douta Coimbra, Tello, o gracioso, previne seu amo D. Gaspar sobre o recato com as mulheres portuguesas que não saem de casa até se casarem, nem aos domingos à missa.

Outra das comédias com temática portuguesa é "Siempre ayuda la verdade". Passa-se em Lisboa, no reinado de D. Pedro I, e é das mais frisantes demonstrações do conceito que o autor formava do ciúme português e da fidelidade e constância das portuguesas no amor, a respeito do qual uma das suas personagens, Alberto Vator, irmão do rei da Polónia, confessa que fora um erro ter, em coisas de amor, um competidor português.

Fontes/Mais informações: "Portugal e as Portuguesas Tirso de Molina" de Manuel de Sousa Pinto (1) / "Lusofilia de Tirso de Molina" de José Maria Viqueira Barreiro (1) (2) / Linkgua