sexta-feira, 15 de abril de 2016

Lisboa como destino e ponto de passagem em “Casablanca” (1942) e na sua sequela "As Time Goes By" (1998)


Durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade de Casablanca, localizada em Marrocos, então governado pelo governo francês de Vichy, era o penúltimo ponto na rota para a América. Os refugiados que ali residiam necessitavam de um visto (Letter of transit) para Portugal, e apenas em Lisboa embarcariam num navio para o Novo Mundo. Um dos locais de encontro (na ficção) era o bar Rick´s.

A posição de neutralidade de Portugal durante a Segunda Guerra Mundial contribuiu para que Lisboa adquirisse uma aura de lugar privilegiado de intriga internacional e de diplomacia mundial. Uma fachada de normalidade formal fixada nas imagens da aceitação dos embaixadores especiais no Palácio da Ajuda em 1940, a chegada crescente de refugiados que procuravam desesperadamente encontrar uma passagem marítima para os Estados Unidos da América e Ibero-América foram factores decisivos para a consolidação desta nova opinião internacional que se construiu de Lisboa.


 Outro elemento importante foi também o estabelecimento de voos regulares entre Port Washington (Long Island) e Lisboa, assegurados por hidroaviões de passageiros (os clippers Boieng-314 da Pan American Airlines) a partir de Junho de 1939. Apesar de utilizados por uma minoria privilegiada de muito ricos, a modernidade, rapidez e sofisticação deste meio transporte ajudou a reforçar a imagem de uma certa modernidade e de cosmopolitismo da cidade.

Ponto nevrálgico de rotas marítimas e aéreas, Lisboa reforçou a sua posição no “mapa-mundo norte americano” a partir do momento em que na grande produção Casablanca (1942) de Michael Curtiz, a cidade constitui o destino onde muitos desejavam chegar desesperadamente.



Lisboa nunca é mais do que uma miragem longínqua, mas é sinónimo de liberdade, ainda que em trânsito para outro continente. Lisa (Ingrid Bergman) e Lazlo (Paul Henreid) partem para Lisboa, Rick (Humphrey Bogart) fica para trás. Podemos ver muitas vezes esta cena, ele nunca tomará aquele avião para Lisboa e no fundo sabemos que foi melhor assim.

Fontes: João Mascarenhas Mateus / Estrolabio / Filmes-segunda-guerra / AterrememPortugal / Captomente (imagens) / Filmes com Lisboa dentro (blog "Le cool Lisboa")

Yvonne é desprezada por Rick
Actores de "Casablanca" salvos por Aristides de Sousa Mendes

Aristides de Sousa Mendes, cônsul de Portugal em Bordéus,  emitiu vistos para muitos milhares de refugiados que fugiam da morte. Entre eles, o actor Marcel Dalio (que viria a interpretar o ‘croupier’ Emil de "Casablanca") e a sua jovem esposa Madeleine Lebeau (que teve o papel de Yvonne, a amante desprezada por Rick).

Chegados de comboio a um dos escassos países europeus sem ruído de bombas, Madeleine Lebeau e Marcel Dalio não ficaram na capital, rumando à Figueira da Foz, uma das estâncias balneares que então acolheram muitos estrangeiros.  E a 8 de agosto de 1940, estavam entre os 317 passageiros que embarcaram no ‘Quanza’, navio da Companhia Nacional de Navegação que costumava ligar Lisboa a Angola e Moçambique, fretado de propósito para a sua primeira viagem à América do Norte.

Fonte/Mais informações: De Lisboa à América (Correio da Manhã)

Marcel Dalio como o croupier Emil
A continuação de "Casablanca" em "As Time Goes By" ("Adeus Casablanca") de Michael Walsh (1998)

Michael Walsh foi desafiado por Maureen Egen, então presidente da Warner boobks,  a escrever um romance que continuasse o enredo de "Casablanca".


Rick e Renaud não chegam a ir para Brazaville, optando por seguir para Lisboa: "acontecesse o que acontecesse seguiriam Victor Laszlo e Ilsa Lund até Lisboa".

Em Lisboa, o casal de refugiados, Victor e Ilsa, demora-se apenas um dia e uma noite: "O avião aterrou em Lisboa sem incidentes. Victor e Ilsa passaram facilmente pelas formalidades da alfândega. Ocuparam os quartos do Hotel Aviz sem que lhes fizessem perguntas. Nessa noite, dormiram juntos, sem paixão."


Mas é em Lisboa que tomam conhecimento do bombardeamento de Pearl Harbour e da entrada dos E.U.A. na Segunda Guerra Mundial, optando por ir para Londres, e não para a América como planearam, onde Victor irá dirigir a resistência checa.

Ilsa deixa uma mensagem a Rick dando conta do seu destino, e entrega-a ao senhor Medeiros, recepcionista do hotel. Rick recebe a mensagem e parte para Londres, sempre com o capitão Renaud e com Sam, o pianista.

Fontes/Mais informações: Wikipedia / Leonor Pinhão em Revista "Livros" (Semanário Independente) / New York Times / Blog Beco das Barrelas
 
Outras Curiosidades

"Casablanca" foi recriado na TV norte-americana numa curta série de 8 episódios.  No episódio-piloto, "Who holds tomorrow" (1955), e após a Sra. Johanssen (Anita Ekberg) pedir a Sam (Clarence Muse) para tocar uma música, Sam comenta com Rick (Charles McGraw):

"Lembra-te do verão que passámos em Portugal. O mesmo tipo de rapariga."

Fontes: Le blog du west / Extras do DVD "Casablanca"


Na sitcom norte-americana "Frasier" há uma referência ao filme quando Daphne, interpretada pela actriz inglesa Jane Leeves, refere: "Ela está a ir para Lisboa para combater os nazis".


terça-feira, 15 de março de 2016

Colónias portuguesas em "Exile" (1917) e "Burn" (1969)


"Exile" (1917)

Filme realizado por Maurice Tourneur para a Jesse L. Lasky Feature Play Co. (com distribuição da Paramount), protagonizado por Wyndham Standing (no papel de Vincento Perez) e Madame Olga Petrova (como Claudia Perez), sendo o argumento da autoria de Charles E. Whittaker, com base no livro "Exile, An Outpost of Empire" de Dolf Wyllarde (publicado em 1916).

Vincento Perez (interpretado por Wyndham Standing), governador da colónia portuguesa de Exile (na Arábia), é um homem sem escrúpulos e brutal que é odiado pelos nativos. Algo megalómano, Perez tenta controlar o mercado da seda, enviando uma carta ao engenheiro Harvey Richmond a revelar os seus planos.


Harvey ameaça divulgar as intenções de Perez, o que a ser publicado significaria a ruína de Perez, pelo que este decide enviar a sua esposa Claudia para o quarto de Harvey para o seduzir e tentar resgatar a carta.

Claudia entrega a carta ao marido, mas abandona-o. Depois de muito abuso, os nativos revoltam-se  contra o governador que é linchado pela multidão. Claudia é resgatada por Harvey e os dois enfrentam um futuro feliz juntos.

Entre os outros personagens que poderão ter origem portuguesa poderemos destacar Charles Martin como Manuel D'Alfrache.

Fontes: TCM / Wikipedia / America.pink 


"Burn !" ("Queimada !") (1969)

Filme italiano rodado em inglês sob direção de Gillo Pontecorvo com Marlon Brando no papel de Sir William Walker. O guião original referia-se a uma ilha espanhola, mas foi alterado para Portugal porque Espanha passava por um regime militar e o realizador tinha receio do filme ser censurado.

Grande parte dos personagens mantiveram os seus nomes espanhóis, como José Dolores em vez do correcto José das Dores. Assim o filme pode ser apontado como um exemplo de estereotipização étnica e linguística relativamente a Espanha e Portugal.


A acção decorre no século XIX quando um representante inglês é enviado para uma ilha (ficcional) do Caribe, que tem o sugestivo nome de "Queimada" (aludindo a um sangrento episódio do seu passado), que se encontra sob domínio português, para incentivar uma revolta para favorecer os negócios da coroa inglesa. Dez anos depois ele retorna, para depor quem ele colocou no poder, pois o momento económico exige um novo quadro político na região.

Fontes: Wikipedia / Youtube / Blog "Memória sindical"

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Os luso-americanos no cinema de Hollywood (II) - cinema mudo


A época do cinema mudo foi a que apresentou uma maior presença de luso-americanos, no entanto nos filmes “Martin Eden” (1914) e “Footfalls” (1921) os personagens de origem luso-americana na literatura passaram a não ter qualquer ligação a Portugal nas adaptações cinematográficas.

“Martin Eden” (1914)

Em “Martin Eden”, com base num dos romances mais autobiográficos de Jack London (publicado em 1909), a senhoria de Martin, enquanto este era um aspirante a escritor na zona de San Francisco, chamava-se Maria Silva, uma viúva trabalhadora com muitos filhos (entre as quais Mary, de 8 anos, e Teresa de 9) a quem Martin oferece uma quinta quando se torna rico.

No livro de Jack London a personagem tinha raízes portuguesas (1), mas passou a ser italiana no filme produzido pela Bosworth Film co. em 1914.

(1) "Ele pagava 2 dólares e meio por semana de renda por um pequeno quarto que pertencia a uma senhoria portuguesa, uma viúva trabalhadora e algo agreste, que ia aumentando a sua ninhada de alguma forma, e afogando a tristeza e fadiga num galão de vinho que adquiria na loja da esquina"


“The Paliser Case” ("Caso Paliser") de 1920

Um dos primeiros filmes mudos, a abordar a comunidade lusa (neste caso de Nova Iorque), foi “The Paliser Case” de 1920, dirigido por William Parke, adaptado do livro policial de Edgar Saltus (publicado em 1919).

O filme conta a história de Cassy Cara (interpretada por Pauline Frederick), que é uma jovem aspirante a cantora de ópera,  filha de Angelo Cara, um violinista de origem portuguesa (2), com uma deficiência física (3), que é acusada de matar o homem por quem se apaixonara, que está noivo de uma jovem da alta sociedade.


(2) No romance de Edgar Saltus, Angelo é descrito como sendo natural de Lisboa, tendo emigrado ainda jovem para a América.

(3) "Nós somos portugueses" diz Cassy, "ou pelo menos o meu pai é. Ele tocava no Metropolitan. Mas pôs-se a 'jeito' e numa noite em que regressava de uma casa privada, onde actuara, foi atacado por duas pessoas que o empurraram.

Cassy e Angelo Cara
Cassy está apaixonada por Keith Lennox, que está noivo de Margaret Austen, uma jovem da alta-sociedade. Margaret rompe com o noivado por julgar, erradamente, que Keith teria uma relação com Cassy. Mas, entretanto, Cassy fica noiva de Monty Paliser, sacrificando a sua felicidade pessoal por causa do seu mesquinho pai.

Cassy descobre que as intenções de Paliser não eram as melhores e que a cerimónia do seu casamento foi falsa, pois o padre era o jardineiro de Paliser disfarçado. Cassy abandona Paliser e relata a sua humilhação a Lennox.


Paliser acaba por ser assassinado à facada e as suspeitas recaem sobre Lennox. Para protege-lo, Cassy confessa que é autora do crime.

No fim descobre-se que o autor do crime foi o pai de Cassy, o violinista português, que acaba por morrer de ataque de coração.



“The Forbidden thing” de 1920

O primeiro filme realizado por Alain Dway para a Associated Productions foi adaptado de um conto de Mary Mears, publicado na revista Metropolitan Magazine em Abril de 1920.

“The Forbidden thing” conta a história de Abel Blake, um puritano da Nova Inglaterra (New England), que está apaixonado por Joan, mas que se deixa seduzir por Glory Prada, uma jovem portuguesa interpretada por Marcia Manon, descobrindo mais tarde que esta lhe era infiel.

Outros personagens de origem portuguesa são José Silva (proprietário de um circo ambulante que se envolve com Glory e que acaba por a matar) e Joe Portega, interpretados pelos actores Jack Roseleigh e Arthur Thalasso.



“Outside the Law” (1921)

“Outside the Law”, filme mudo de 1921, realizado por Tod Browning para a Universal Pictures, com argumento de Lucien Hubbard e Tod Browning.

Relata a história de um crime que decorre em San Francisco, sendo o filme protagonizado por Lon Chaney (o homem das mil caras) que interpreta dois papeis, um criminoso de origem portuguesa, “Black Mike” Sylva, e Ah Wing, de etnia chinesa.


"Footfalls" (1921)

Em “Footfalls” (William Fox Studios, filme mudo de 1921), tendo por base uma história de Wilbur Daniel Steele (que ganhou o prémio O. Henry Memorial Award em 1920), o protagonista era natural de São Miguel, Açores, na obra literária, com o improvável nome de Boaz Negro.

Boaz é um sapateiro cego da Nova Inglaterra que tem a capacidade de identificar as pessoas pelos seus passos. O seu filho chamava-se Manuel. Mas na adaptação cinematográfica passam a se chamar Hiram Scudder, o pai, e Tommy, o filho.

Tommy é suspeito de matar um empregado bancário, que era hóspede do seu pai, mas é o empregado bancário que acaba por ser identificado pelo protagonista como sendo o autor do crime (pois afinal o morto não era o empregado bancário).


“My son” (1925)

“My son” (First Nacional, filme mudo de 1925), com Alla Nazimova no papel de Ana Silva. Com base numa peça de Martha M. Stanley.

(Mais informações)


“The Yankee Clipper” (1927)

"The Yankee Clipper” (DeMille Pictures, filme mudo de 1927), realizado por Rupert Julian, adaptado de uma história de Denison Clift, relata uma corrida de barco desde a China até Boston, entre um norte-americano, Hal Winslow, e um inglês, Richard, que é o principal vilão da história.


Outro dos vilões é um dos homens da tripulação, conhecido como Portuguese Joe (interpretado por Walter Long), que além de ser um dos responsáveis por um motim, também tem interesse romântico por Jocelyn, que era noiva de Richard, mas que acaba por se enamorar por Winslow.


“Beware of Blondes” (1928)

Em “Beware of Blondes” (Columbia Pictures, filme mudo de 1928), realizado por George B. Seitz, que decorre num barco a vapor que transporta uma esmeralda preciosa para o Hawaii, que vai ser alvo de tentativa de roubo. O actor Harry Semels interpreta o papel de Portugee Joe, um dos personagens suspeitos que vão a bordo.

Fontes/Mais informações: Geoffrey L. Gomes "Cinematic portayals of Portuguese-Americans" / Mamie Caro / The moving Picture world

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Os luso-americanos no cinema de Hollywood (I)


Os luso americanos estiveram frequentemente ausentes do cinema norte-americano. Contudo os raros filmes que falaram dos luso-americanos apresentaram-nos em papeis de protagonista ou em papeis de suporte com alguma relevância e foram interpretados por algumas das grandes estrelas de Hollywood, como Spencer Tracy (em "Captain Courageous" de 1937), Edward G. Robinson (em "Tiger Shark" de 1932), Anthony Quinn (em "The World in his arms" de 1952) e Julia Roberts (em "Mystic Pizza" de 1988).


Uma das razões dessa escassez de papeis resulta da relativamente reduzida presença da comunidade lusa na literatura internacional, havendo de realçar clássicos como “Lobos do Mar” ou “Tortilla Flat”, adaptados de famosos escritores como Rudyard Kypling e John Steinbeck, contudo muitas das obras eram mais obscuras e menos eternas.

Curiosamente, a época do cinema mudo foi a que apresentou uma maior presença de luso-americanos, no entanto nos filmes “Martin Eden” (1914) e “Footfalls” (1921) os personagens de origem luso-americana (nas obras literárias) passaram a não ter qualquer ligação a Portugal.



A caracterização dos grupos étnicos, de uma forma negativa ou estereotipada, sempre fez parte da cultura popular, pelo que, sem surpresa, acabou por ser transposta para o entretimento, incluído o cinema.

A caracterização dos luso-americanos é, assim, também, muito diversificada, alternando aspectos positivos com negativos, como é o caso de Manuel, que se torna um exemplo de vida positivo para um menino mimado em “Lobos do Mar” (1937), ou Big Joe Portagee que passa os dias a mendigar por vinho de má qualidade em “Tortilla Flat” (1942), ambos os filmes sob direcção de Victor Fleming.

Fontes/Mais informações: Geoffrey L. Gomes "Cinematic portayals of Portuguese-Americans" / Mamie Caro / Portugees

Além dos filmes já referenciados, podemos igualmente destacar:


"I Cover the Waterfront" ("Ao longo do cais") (1933)
 
Filme realizado por James Cruze, com Ben Lyon no papel do jovem jornalista Joe Miller e Claudette Colbert como filha de um pescador pouco escruploso (Eli Kirk interpretado por Ernest Torrence).

A acção decorre em San Diego e envolve a entrada ilegal de imigrantes chineses. Eli Kirk é o responsável por este negócio, que é apoiado - ainda que de forma reluctante - por Tony Silva, um pescador de origem portuguesa, que é interpretado pelo actor George Humbert, que também desempenhou o papel de Manuel Lopez no filme "Daughters Courageous" (de 1939).

Mrs. Silva é interpretada pela actriz francesa Rosita Marstini.


O filme é baseado no livro de Max Miller que relata diversas histórias reais que lhe aconteceram enquanto era repórter que cobria os embarques e desembarques num porto californiano.

(Fonte/Mais informações: Pop corn time movies  / Movie classics / Youtube  )


"He Was Her Man" ("O Homem que eu perdi") (1934)

Filme realizado por Lloyd Bacon, com James Cagney no principal papel, Flicker Hayes, um arrombador de cofres recém-saído da prisão, que se quer vingar dos homens que o incriminaram. Quando se esconde em San Francisco, conhece Rose Lawrence, uma antiga prostituta, que está prestes a casar com Nick Gardella (interpretado por Victor Jory), um pescador português que vive numa pequena cidade mais a sul, onde Flicker, que adopta o nome de Jerry Allen, acaba por se esconder.  

Flicker é reconhecido por Pop Sims, mas não se apercebe dessa situação, sendo seguido até a essa pequena cidade, onde Pop arrenda um quarto na casa dos Gardella.


Rose pretende que Flicker/Jerry se vá embora, mas os Gardella convidam-no para o casamento. Rose pretende desistir do casamento, por se ter apaixonado por Flicker/Jerry, mas Nick acredita que podem passar um pano sobre tudo o que aconteceu e que poderão ser felizes (pois Flicker entrega-se às autoridades para salvar Rose). 

A mãe de Nick, creditada como Mrs. Gardella, é interpretada por Sarah Padden.


(Fonte/Mais informações: Histórias de CinemaTCM  / Mupi )


"Prison break" ("Feras humanas") (1938)

Filme de série B realizado por Arthur Lubin para a Universal Pictures, com argumento de Norton S. Parker e Dorothy Reid, adaptado do conto "The Walls of San Quentin" de Norton S. Parker.

A acção decorre na Califórnia, sendo o filme protagonizado pelo actor Barton MacLane, que desempenha o papel de Joaquin Shannon, um pescador de atum, de origem portuguesa e islandesa, que é injustamente acusado de matar o irmão da sua namorada (a família da namorada não aprovava o seu relacionamento com um "Portuga").

Maria, a irmã de Joaquin, era interpretada pela actriz Constance Moore.

 
(Fontes/Mais informações: WikipediaImdb / Geoffrey L. Gomes "Cinematic portayals of Portuguese-Americans" / Youtube )

"Daughters Courageous" ("Filhas corajosas") (1939)


Segundo dos quatro filmes protagonizados pelas três irmâs Lane (Lola, Rosemary e Priscilla), sendo a quarta irmã interpretada por Gale Page. Os principais actores masculinos são John Garfield, no papel de Gabriel Lopez, o filho de um pescador português, e Claude Rains.

Realizado por Michael Curtiz, com argumento dos gémeos Julius J. Epstein e Philip G. Epstein (que viriam a colaborar em "Casablanca"),  adaptado da peça "Fly Away Home" de Dorothy Bennett e Irving White, "Daughters courageous" não é uma sequela, pois trata-se de uma família distinta dos outros filmes ("Quatro irmãs", "Quatro noivas" e "Quatro mães").


Nan Masters, uma mãe "solteira", vive com as suas quatro filhas casadoiras e planeia casar-se com Sam, um empresário. Mas é surpreendida pelo regresso de Jim, o seu primeiro marido, que abandonara a sua família durante vinte anos. O errante e irresponsável Jim é recebido friamente pela sua família, mas a sua personalidade cativa as quatro filhas.

Uma das irmãs, Buff, está enamorada por Gabriel, um pescador de origem portuguesa algo cínico e irresponsável (como o pai das jovens), mas tem a oposição da sua mãe, Nan, que sabe da conturbada história do jovem e teme que a filha sofra o mesmo que ela. Gabriel acaba por perceber que o seu feitio não se ajustará a uma vida familiar convencional, pois tem o mesmo espírito errante de Jim, pelo que decidem viajar juntos pelo mundo, deixando assim o caminho livre para Nan se casar com Sam e impedindo Buff de repetir o erro de sua mãe.

Gabriel é admoestado pelo pai
Manuel Lopez, pai de Gabriel, é interpretado por George Humbert (que interpretou outro pescador português em "I cover the waterfront" de 1933).

Fontes/Mais informações: Wikipedia / Memorial da Fama / American Film Institut  / Excerto / Trailer

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Vilões portugueses em "Dead men tell no tales" (1920), "Bright Lights" (1930) e "The World in his arms" (1952)


O romance "Dead men tell no tales" ("Os mortos não falam" em Portugal) foi publicado em 1897 pelo escritor inglês E. W. Hornung (1866-1921) e adaptado ao cinema em 1920, sob direcção de Tom Terriss (estreado em Portugal em 21 de Fevereiro de 1924).

Um dos personagens principais é Joaquim dos Santos (apresentado como "Senõr Joaquin" na adaptação ao cinema) um cavalheiro português com vários anos em África, que afinal é um pirata que utiliza habitualmente a expressão que dá nome à obra "Dead men tell no tales" e que conspira com Rattray para saquear o navio Lady Jermyn que transporta uma grande quantidade de ouro.


Rattray está apaixonado por Eve Denison, a enteada do português, pelo que concorda em socorrer o pirata e a sua tripulação. Contudo Cole, um jovem, que também está enamorado de Eve, consegue se salvar e vai procurar encontrar a jovem.

"Miss Denison era a única senhora e o seu padrasto, com quem viajava, era o homem mais distinto a bordo. Era um português que deveria ter uns 60 anos, de seu nome Senhor Joaquin Santos. Inicialmente fiquei admirado que não tivesse qualquer título, pois tão nobre era a sua forma de estar."


No filme mudo, produzido pela Vitagraph, Joaquim dos Santos é interpretado pelo actor alemão Gustav von Seyffertitz que aparece creditado como George von Seyffertitz.

É igualmente de realçar a actuação do actor Walter James, como José, que foi bastante elogiada, e a participação de um actor português (ou luso-descendente) de nome Manuel Santos.

 
Sinopse do livro

Em Julho de 1853, o Lady Jermyn, um dos grandes veleiros que asseguravam as ligações entre a Inglaterra e o continente australiano inicia a sua viagem de regresso à metrópole. A bordo seguem, entre outros, um jovem aventureiro inglês de nome Cole e Joaquim Santos, um cavalheiro português com muitos anos de África, que viaja acompanhado da sua jovem e bela enteada.

Um súbito incêndio a bordo vem interromper a placidez da viagem e precipitar a morte de todos os passageiros, à excepção de Cole. Sobre ele recairá a missão de desvendar o mistério do naufrágio do Lady Jermyn.

Que segredo explica a aparente cumplicidade entre o capitão do navio, o português e a sua enteada? E qual será o papel de Rattray, jovem e distinto proprietário rural, descendente de uma família de contrabandistas?

 
Curiosidades

O escritor E. W. Hornung (Ernest William Hornung) era cunhado de Sir Conan Doyle. autor dos livros de Sherlock Holmes, tenho conhecido a esposa, Constance ("Connie") Aimée Monica Doyle (1868–1924), quando visitou Portugal (a irmã Annette era representante do governo britânico em Portugal).

O próximo filme da série "Piratas das Caraíbas" terá como subtítulo "Dead men tell no tales" e um dos vilões, interpretado pelo actor espanhol Javier Bardem, chamar-se-á Capitão Salazar mas, em princípio, não terá qualquer ligação a Portugal e à obra de Hornung.

Fontes/Mais informações: Silent Hollywood / FixcubeEuropa-AméricaLivro


"Bright Lights" (ou "Adventures in Africa”) (1930)

Filme realizado por Michael Curtiz (que também dirigiu "Daughters Courageous" e "Casablanca") para a First National Pictures.

Quando Louanne, estrela de um musical da Broadway, anuncia o seu noivado com Emerson Fairchild, um grupo de jornalistas vem para entrevistá-la na última noite de apresentação do seu espectáculo.


Ela recorda a sua infância numa fazenda em Inglaterra e em como se tornou uma dançarina de hula em África, onde Wally Dean se tornou seu amigo e protector, salvando-a dos ataques de Miguel Parada, um contrabandista Português (interpretado pelo actor Noah Beery) que se interessou por ela e que quase a viola.

Miguel , que por acaso estava na audiência, reconhece Louanne e vai até aos bastidores para resolver assuntos pendentes. Wally finge que tem uma arma, mas acaba por ser o seu amigo Connie Lamont a matar Miguel quando disputam uma arma que este possuía.

Fontes/Mais informações: AFI / Wikipedia / Pre-code

 
"The World in His Arms" (1952)

"The World in His Arms" ("O mundo em seus braços" no Brasil) é um filme de aventuras realizado por Raoul Walsh para a Universal Pictures, tendo por base o romance homónimo da autoria de Rex Beach publicado em 1946.

O filme é protagonizado por Gregory Peck, no papel de Jonathan Clark, tendo como oponente um marujo de origem portuguesa, "Portugee Joe", interpretando pelo actor mexicano Anthony Quinn, que fala português em algumas cenas. Outro dos personagens de origem portuguesa é José (interpretado por Syl Lamont).


Sinopse

A acção decorre em 1850 na cidade americana de São Francisco, quando a rica e bonita condessa russa Marina Selanova quer fugir de um casamento arranjado com o príncipe Semyon. Ela contrata os serviços de "Portugee Joe", um pouco escrupuloso comerciante de peles de focas, para levá-la de navio para Sitka no Alasca, onde o governador é seu tio Ivan Vorashilov, na esperança de que ele a proteja.

Assim como todos os donos de navio da cidade, "Portugee Joe" ficou sem tripulação quando começou a Corrida do Ouro da Califórnia. A única disponível é a de seu rival capitão Jonathan Clark, que contava com a lealdade total de seus homens. "Portugee Joe" tenta raptar os tripulantes de Clark, mas esse descobre e resgata seus homens, levando-os para o melhor hotel da cidade.


Percebendo que o português não conseguiria cumprir o contrato e que o capitão Clark odeia os russos que o perseguem por lhe atrapalhar a caça às focas no Ártico, a condessa se disfarça como uma das dançarinas que participam da festa dada por Clark e consegue convencê-lo a levá-la para o Alasca e ambos se apaixonam. Mas o português e o Príncipe Semyon, a bordo de uma moderna canhoneira a vapor, não desistirão e irão causar muitos problemas para o casal.

Fontes/Mais informações: Wikipedia / Lamanodelextranjero /  Revendo filmes marcantes / Geoffrey L. Gomes "Cinematic portayals of Portuguese-Americans"