segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Os luso-americanos no cinema de Hollywood (II) - cinema mudo


A época do cinema mudo foi a que apresentou uma maior presença de luso-americanos, no entanto nos filmes “Martin Eden” (1914) e “Footfalls” (1921) os personagens de origem luso-americana na literatura passaram a não ter qualquer ligação a Portugal nas adaptações cinematográficas.

“Martin Eden” (1914)

Em “Martin Eden”, com base num dos romances mais autobiográficos de Jack London (publicado em 1909), a senhoria de Martin, enquanto este era um aspirante a escritor na zona de San Francisco, chamava-se Maria Silva, uma viúva trabalhadora com muitos filhos (entre as quais Mary, de 8 anos, e Teresa de 9) a quem Martin oferece uma quinta quando se torna rico.

No livro de Jack London a personagem tinha raízes portuguesas (1), mas passou a ser italiana no filme produzido pela Bosworth Film co. em 1914.

(1) "Ele pagava 2 dólares e meio por semana de renda por um pequeno quarto que pertencia a uma senhoria portuguesa, uma viúva trabalhadora e algo agreste, que ia aumentando a sua ninhada de alguma forma, e afogando a tristeza e fadiga num galão de vinho que adquiria na loja da esquina"


“The Paliser Case” ("Caso Paliser") de 1920

Um dos primeiros filmes mudos, a abordar a comunidade lusa (neste caso de Nova Iorque), foi “The Paliser Case” de 1920, dirigido por William Parke, adaptado do livro policial de Edgar Saltus (publicado em 1919).

O filme conta a história de Cassy Cara (interpretada por Pauline Frederick), que é uma jovem aspirante a cantora de ópera,  filha de Angelo Cara, um violinista de origem portuguesa (2), com uma deficiência física (3), que é acusada de matar o homem por quem se apaixonara, que está noivo de uma jovem da alta sociedade.


(2) No romance de Edgar Saltus, Angelo é descrito como sendo natural de Lisboa, tendo emigrado ainda jovem para a América.

(3) "Nós somos portugueses" diz Cassy, "ou pelo menos o meu pai é. Ele tocava no Metropolitan. Mas pôs-se a 'jeito' e numa noite em que regressava de uma casa privada, onde actuara, foi atacado por duas pessoas que o empurraram.

Cassy e Angelo Cara
Cassy está apaixonada por Keith Lennox, que está noivo de Margaret Austen, uma jovem da alta-sociedade. Margaret rompe com o noivado por julgar, erradamente, que Keith teria uma relação com Cassy. Mas, entretanto, Cassy fica noiva de Monty Paliser, sacrificando a sua felicidade pessoal por causa do seu mesquinho pai.

Cassy descobre que as intenções de Paliser não eram as melhores e que a cerimónia do seu casamento foi falsa, pois o padre era o jardineiro de Paliser disfarçado. Cassy abandona Paliser e relata a sua humilhação a Lennox.


Paliser acaba por ser assassinado à facada e as suspeitas recaem sobre Lennox. Para protege-lo, Cassy confessa que é autora do crime.

No fim descobre-se que o autor do crime foi o pai de Cassy, o violinista português, que acaba por morrer de ataque de coração.



“The Forbidden thing” de 1920

O primeiro filme realizado por Alain Dway para a Associated Productions foi adaptado de um conto de Mary Mears, publicado na revista Metropolitan Magazine em Abril de 1920.

“The Forbidden thing” conta a história de Abel Blake, um puritano da Nova Inglaterra (New England), que está apaixonado por Joan, mas que se deixa seduzir por Glory Prada, uma jovem portuguesa interpretada por Marcia Manon, descobrindo mais tarde que esta lhe era infiel.

Outros personagens de origem portuguesa são José Silva (proprietário de um circo ambulante que se envolve com Glory e que acaba por a matar) e Joe Portega, interpretados pelos actores Jack Roseleigh e Arthur Thalasso.



“Outside the Law” (1921)

“Outside the Law”, filme mudo de 1921, realizado por Tod Browning para a Universal Pictures, com argumento de Lucien Hubbard e Tod Browning.

Relata a história de um crime que decorre em San Francisco, sendo o filme protagonizado por Lon Chaney (o homem das mil caras) que interpreta dois papeis, um criminoso de origem portuguesa, “Black Mike” Sylva, e Ah Wing, de etnia chinesa.


"Footfalls" (1921)

Em “Footfalls” (William Fox Studios, filme mudo de 1921), tendo por base uma história de Wilbur Daniel Steele (que ganhou o prémio O. Henry Memorial Award em 1920), o protagonista era natural de São Miguel, Açores, na obra literária, com o improvável nome de Boaz Negro.

Boaz é um sapateiro cego da Nova Inglaterra que tem a capacidade de identificar as pessoas pelos seus passos. O seu filho chamava-se Manuel. Mas na adaptação cinematográfica passam a se chamar Hiram Scudder, o pai, e Tommy, o filho.

Tommy é suspeito de matar um empregado bancário, que era hóspede do seu pai, mas é o empregado bancário que acaba por ser identificado pelo protagonista como sendo o autor do crime (pois afinal o morto não era o empregado bancário).


“My son” (1925)

“My son” (First Nacional, filme mudo de 1925), com Alla Nazimova no papel de Ana Silva. Com base numa peça de Martha M. Stanley.

(Mais informações)


“The Yankee Clipper” (1927)

"The Yankee Clipper” (DeMille Pictures, filme mudo de 1927), realizado por Rupert Julian, adaptado de uma história de Denison Clift, relata uma corrida de barco desde a China até Boston, entre um norte-americano, Hal Winslow, e um inglês, Richard, que é o principal vilão da história.


Outro dos vilões é um dos homens da tripulação, conhecido como Portuguese Joe (interpretado por Walter Long), que além de ser um dos responsáveis por um motim, também tem interesse romântico por Jocelyn, que era noiva de Richard, mas que acaba por se enamorar por Winslow.


“Beware of Blondes” (1928)

Em “Beware of Blondes” (Columbia Pictures, filme mudo de 1928), realizado por George B. Seitz, que decorre num barco a vapor que transporta uma esmeralda preciosa para o Hawaii, que vai ser alvo de tentativa de roubo. O actor Harry Semels interpreta o papel de Portugee Joe, um dos personagens suspeitos que vão a bordo.

Fontes/Mais informações: Geoffrey L. Gomes "Cinematic portayals of Portuguese-Americans" / Mamie Caro / The moving Picture world

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Os luso-americanos no cinema de Hollywood (I)


Os luso americanos estiveram frequentemente ausentes do cinema norte-americano. Contudo os raros filmes que falaram dos luso-americanos apresentaram-nos em papeis de protagonista ou em papeis de suporte com alguma relevância e foram interpretados por algumas das grandes estrelas de Hollywood, como Spencer Tracy (em "Captain Courageous" de 1937), Edward G. Robinson (em "Tiger Shark" de 1932), Anthony Quinn (em "The World in his arms" de 1952) e Julia Roberts (em "Mystic Pizza" de 1988).


Uma das razões dessa escassez de papeis resulta da relativamente reduzida presença da comunidade lusa na literatura internacional, havendo de realçar clássicos como “Lobos do Mar” ou “Tortilla Flat”, adaptados de famosos escritores como Rudyard Kypling e John Steinbeck, contudo muitas das obras eram mais obscuras e menos eternas.

Curiosamente, a época do cinema mudo foi a que apresentou uma maior presença de luso-americanos, no entanto nos filmes “Martin Eden” (1914) e “Footfalls” (1921) os personagens de origem luso-americana (nas obras literárias) passaram a não ter qualquer ligação a Portugal.



A caracterização dos grupos étnicos, de uma forma negativa ou estereotipada, sempre fez parte da cultura popular, pelo que, sem surpresa, acabou por ser transposta para o entretimento, incluído o cinema.

A caracterização dos luso-americanos é, assim, também, muito diversificada, alternando aspectos positivos com negativos, como é o caso de Manuel, que se torna um exemplo de vida positivo para um menino mimado em “Lobos do Mar” (1937), ou Big Joe Portagee que passa os dias a mendigar por vinho de má qualidade em “Tortilla Flat” (1942), ambos os filmes sob direcção de Victor Fleming.

Mas existem outros filmes, de entre os quais podemos destacar:


"I Cover the Waterfront" ("Ao longo do cais") (1933)

Filme realizado por James Cruze, com Ben Lyon no papel do jovem jornalista Joe Miller e Claudette Colbert como filha de um pescador pouco escruploso (Eli Kirk interpretado por Ernest Torrence).

A acção decorre em San Diego e envolve a entrada ilegal de imigrantes chineses. Eli Kirk é o responsável por este negócio, que é apoiado - ainda que de forma reluctante - por Tony Silva, um pescador de origem portuguesa, que é interpretado pelo actor George Humbert, que também desempenhou o papel de Manuel Lopez no filme "Daughters Courageous" (de 1939).

Mrs. Silva é interpretada pela actriz francesa Rosita Marstini.


O filme é baseado no livro de Max Miller que relata diversas histórias reais que lhe aconteceram enquanto era repórter que cobria os embarques e desembarques num porto californiano.

(Fonte/Mais informações: Pop corn time movies  / Movie classics / Youtube  )


"He Was Her Man" ("O Homem que eu perdi") (1934)

Filme realizado por Lloyd Bacon, com James Cagney no principal papel, Flicker Hayes, um arrombador de cofres recém-saído da prisão, que se quer vingar dos homens que o incriminaram. Quando se esconde em San Francisco, conhece Rose Lawrence, uma antiga prostituta, que está prestes a casar com Nick Gardella (interpretado por Victor Jory), um pescador português que vive numa pequena cidade mais a sul, onde Flicker, que adopta o nome de Jerry Allen, acaba por se esconder.  

Flicker é reconhecido por Pop Sims, mas não se apercebe dessa situação, sendo seguido até a essa pequena cidade, onde Pop arrenda um quarto na casa dos Gardella.


Rose pretende que Flicker/Jerry se vá embora, mas os Gardella convidam-no para o casamento. Rose pretende desistir do casamento, por se ter apaixonado por Flicker/Jerry, mas Nick acredita que podem passar um pano sobre tudo o que aconteceu e que poderão ser felizes (pois Flicker entrega-se às autoridades para salvar Rose). 

A mãe de Nick, creditada como Mrs. Gardella, é interpretada por Sarah Padden.


Fontes/Mais informações: Geoffrey L. Gomes "Cinematic portayals of Portuguese-Americans" / Mamie Caro / Portugees

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Vilões portugueses em "Dead men tell no tales" (1920) e "The World in his arms" (1952)


O romance "Dead men tell no tales" ("Os mortos não falam" em Portugal) foi publicado em 1897 pelo escritor inglês E. W. Hornung (1866-1921) e adaptado ao cinema em 1920, sob direcção de Tom Terriss (estreado em Portugal em 21 de Fevereiro de 1924).

Um dos personagens principais é Joaquim dos Santos (apresentado como "Senõr Joaquin" na adaptação ao cinema) um cavalheiro português com vários anos em África, que afinal é um pirata que utiliza habitualmente a expressão que dá nome à obra "Dead men tell no tales" e que conspira com Rattray para saquear o navio Lady Jermyn que transporta uma grande quantidade de ouro.


Rattray está apaixonado por Eve Denison, a enteada do português, pelo que concorda em socorrer o pirata e a sua tripulação. Contudo Cole, um jovem, que também está enamorado de Eve, consegue se salvar e vai procurar encontrar a jovem.

"Miss Denison era a única senhora e o seu padrasto, com quem viajava, era o homem mais distinto a bordo. Era um português que deveria ter uns 60 anos, de seu nome Senhor Joaquin Santos. Inicialmente fiquei admirado que não tivesse qualquer título, pois tão nobre era a sua forma de estar."


No filme mudo, produzido pela Vitagraph, Joaquim dos Santos é interpretado pelo actor alemão Gustav von Seyffertitz que aparece creditado como George von Seyffertitz.

É igualmente de realçar a actuação do actor Walter James, como José, que foi bastante elogiada, e a participação de um actor português (ou luso-descendente) de nome Manuel Santos.

 
Sinopse do livro

Em Julho de 1853, o Lady Jermyn, um dos grandes veleiros que asseguravam as ligações entre a Inglaterra e o continente australiano inicia a sua viagem de regresso à metrópole. A bordo seguem, entre outros, um jovem aventureiro inglês de nome Cole e Joaquim Santos, um cavalheiro português com muitos anos de África, que viaja acompanhado da sua jovem e bela enteada.

Um súbito incêndio a bordo vem interromper a placidez da viagem e precipitar a morte de todos os passageiros, à excepção de Cole. Sobre ele recairá a missão de desvendar o mistério do naufrágio do Lady Jermyn.

Que segredo explica a aparente cumplicidade entre o capitão do navio, o português e a sua enteada? E qual será o papel de Rattray, jovem e distinto proprietário rural, descendente de uma família de contrabandistas?


Curiosidades

O escritor E. W. Hornung (Ernest William Hornung) era cunhado de Sir Conan Doyle. autor dos livros de Sherlock Holmes, tenho conhecido a esposa, Constance ("Connie") Aimée Monica Doyle (1868–1924), quando visitou Portugal (a irmã Annette era representante do governo britânico em Portugal).

O próximo filme da série "Piratas das Caraíbas" terá como subtítulo "Dead men tell no tales" e um vilões, interpretado pelo actor espanhol Javier Bardem, chamar-se-á Capitão Salazar mas, em princípio, não terá qualquer ligação a Portugal e à obra de Hornung.

Fontes/Mais informações: Silent Hollywood / FixcubeEuropa-AméricaLivro

 
"The World in His Arms" (1952)

"The World in His Arms" ("O mundo em seus braços" no Brasil) é um filme de aventuras realizado por Raoul Walsh para a Universal Pictures, tendo por base o romance homónimo da autoria de Rex Beach publicado em 1946.

O filme é protagonizado por Gregory Peck, no papel de Jonathan Clark, tendo como oponente um marujo de origem portuguesa, "Portugee Joe", interpretando pelo actor mexicano Anthony Quinn, que fala português em algumas cenas. Outro dos personagens de origem portuguesa é José (interpretado por Syl Lamont).


Sinopse

A acção decorre em 1850 na cidade americana de São Francisco, quando a rica e bonita condessa russa Marina Selanova quer fugir de um casamento arranjado com o príncipe Semyon. Ela contrata os serviços de "Portugee Joe", um pouco escrupuloso comerciante de peles de focas, para levá-la de navio para Sitka no Alasca, onde o governador é seu tio Ivan Vorashilov, na esperança de que ele a proteja.

Assim como todos os donos de navio da cidade, "Portugee Joe" ficou sem tripulação quando começou a Corrida do Ouro da Califórnia. A única disponível é a de seu rival capitão Jonathan Clark, que contava com a lealdade total de seus homens. "Portugee Joe" tenta raptar os tripulantes de Clark, mas esse descobre e resgata seus homens, levando-os para o melhor hotel da cidade.


Percebendo que o português não conseguiria cumprir o contrato e que o capitão Clark odeia os russos que o perseguem por lhe atrapalhar a caça às focas no Ártico, a condessa se disfarça como uma das dançarinas que participam da festa dada por Clark e consegue convencê-lo a levá-la para o Alasca e ambos se apaixonam. Mas o português e o Príncipe Semyon, a bordo de uma moderna canhoneira a vapor, não desistirão e irão causar muitos problemas para o casal.

Fontes/Mais informações: Wikipedia / Lamanodelextranjero /  Revendo filmes marcantes / Geoffrey L. Gomes "Cinematic portayals of Portuguese-Americans"

domingo, 15 de novembro de 2015

Comunidade piscatória de San Diego em “Tuna Clipper” (1949) e “Chubasco” (1968)


“Tuna Clipper”, filme realizado por William Beaudine, aborda a relação de Alec McLennan, um jovem de ascendência escocesa, interpretado por Roddy McDowall (que se destacara como actor infanto-juvenil nos filmes “Como era Verde o meu Vale” e “Lassie come home”) com uma família luso-americana, os Pereira, que se dedica à pesca de atum na área de San Diego, na Califórnia.

Entre os personagens de origem portuguesa é de realçar Bianca Pereira (Elena Verdugo), que namora com Alec, e os seus irmãos Frankie (Dickie Moore) e Silvestre (Rick Vallin), bem como o Capitão Manuel Pereira (Peter Mamakos) e o Pai Pereira (Michael Vallon).

O filme foi analisado por François Truffaut, quando era crítico de cinema, que elogiou o filme pela sua modéstia e honestidade ("A scenario whose charm lies in its modesty and honesty").


Sinopse de "Tuna Clipper"

Alec (Roddy McDowall), um jovem de descendência escocesa, tem a esperança de ser advogado, mas a necessidade de pagar uma dívida de jogo do seu amigo de infância, Frankie Pereira, leva-o a juntar-se à tripulação da família Pereira que se dedica à pesca do atum.

O pai de Alec não aprova a nova ocupação do filho e põe o jovem fora de casa, forçando-o a se hospedar na casa dos Pereira.


Silvestre, o irmão de Frankie, faz-lhe “a vida negra” enquanto Alec trabalha no barco. Mas, mais tarde, tornam-se amigos quando Alec salva a sua vida.

O pai Pereira fica desconfiado, quando repara que Alec está sempre sem dinheiro. Bianca, que namora com Alec, também fica desconfiada e partilha esse seu sentimento com Manuel, um outro pescador, o qual acaba por descobrir que Ransome, um vendedor de seguros de mau carácter, anda a extorquir dinheiro de Alec para pagamento da dívida de jogo de Frankie.

Ao descobrirem que Ransome cobrava o pagamento da dívida a Alec e, em simultâneo, recebia de Frankie, exigem a restituição do dinheiro de Alec, o qual é perdoado pela sua família quando descobrem o motivo da sua saída de casa.

Fontes: wikipedia / TCM / Notes on cinematograph 


"Chubasco"

“Chubasco” (“Pelos Mares do Mundo” no Brasil) é um filme realizado por Allen H. Miner em 1968 cuja acção decorre na comunidade piscatória de San Diego. Foi rodado em Point Loma e nos subúrbios, em barcos locais como o “Bernardette”.

Além de Sebastian Marinho e da sua filha Angela (conhecida como Bunny), a comunidade portuguesa é igualmente representada por actores como Simon Oakland (como Laurindo) e Joe De Santis (Benito), que interpretam dois pescadores portugueses.

 
Sinopse de "Chubasco"

Chubasco (Christopher Jones) é um jovem com um passado turbulento que é obrigado a se juntar a uma frota de pesca de atum para não ser preso. Chubasco apaixona-se por Angela (Susan Strasberg), uma jovem de ascendência portuguesa, mas tem, no entanto, uma relação de conflito com Sebastian  (Richard Egan), o pai de Angela que desaprova essa relação.

O jovem tenta endireitar a sua vida, mas há sempre alguém a querer impedi-lo.

Fontes: wikipedia / cinetropic  / "Portuguese community of San Diego" / Youtube

Angela, Sebastian e Chubasco


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Na pista dos baleeiros açorianos de "Moby Dick" (1851)

 

"Moby Dick" foi publicado em três fascículos com o título de "Moby Dick" ou "A Baleia" em Londres em 1851, e ainda no mesmo ano em Nova York em edição integral.

O livro foi revolucionário para a época, com descrições imaginativas das aventuras do narrador - Ismael, suas reflexões pessoais, e grandes trechos de não-ficção, sobre variados assuntos, como baleias, métodos de caça, arpões, a cor branca (de Moby Dick), detalhes sobre as embarcações e seu funcionamento, bem como sobre o armazenamento de produtos extraídos das baleias.


A obra acompanha Ismael quando este se alista no baleeiro Pequod e segue-o na saga do capitão Ahab, um louco que atravessa oceanos para vingar a perda da sua perna, arrancada por um mítico cachalote branco.

A determinado momento do livro descobre-se, na tripulação do navio, Daniel, um marinheiro açoriano, da minúscula ilha do Corvo. Para a maioria dos leitores, o motivo da presença de um português na obra permaneceu um mistério durante décadas.


Melville esclarece que "não poucos destes caçadores de baleias são originários dos Açores, onde as naus de Nantucket que se dirigem a mares distantes atracam, frequentemente, para aumentar a tripulação com os corajosos camponeses destas costas rochosas. Não se sabe bem porquê, mas a verdade é que os ilhéus são os melhores caçadores de baleias".

Foi na cidade de Fairhaven, no Estado de Massachusetts, que Herman Melville embarcou numa baleeira no dia 3 de Janeiro de 1841. O escritor viveu 18 meses no Acushnet, o navio do capitão Valentine Pease Jr. e foi essa experiência que alimentou as minuciosas descrições publicadas em 1851.


Na sociedade fechada do arquipélago, os açorianos viam nos cascos dos navios o reflexo de um mundo novo, perdido em abundância e aventura, e embarcavam. Assim que tocavam os porões gordurosos das baleeiras, mudavam de nome: os Rosa passavam a Roger, os Freitas a Frates, os Machado a Marshall.

Pequod, o navio baleeiro de Moby Dick, esteve ao largo dos Açores, mas não fez escala. Dezenas de páginas do romance nasceram no terreno das experiências pessoais do seu autor. Se menciona os baleeiros açorianos, terá Melville conhecido algum ?


O jornalista Alexandre Soares foi no encalço destes nossos antepassados e encontrou Laura Pereira, uma bibliotecária casada com um português, que lhe mostrou uma moldura castanha com uma lista da tripulação do Acushnet. “São os companheiros de Melville”, explica. Esta pode ser a prova definitiva de que o escritor conheceu um baleeiro açoriano.

Laura começa a virar a moldura. Com algum esforço, a mancha de letras ganha alguma definição. Já se distingue a caligrafia do capitão, o barco tinha uma tripulação de 27 homens. Mais alguns segundos e a espiral de letras e linhas organiza-se para destacar quatro nomes: George M. Gurham, Joseph Luís, John Adams, Martin Brown. Jorge, José, João e Martim. Todos açorianos, os quatro da ilha do Faial. Mistério resolvido.

Fontes/Mais informações: Diário de Notícias / moby dick game /  wikipedia / whaling museum


terça-feira, 15 de setembro de 2015

Exploradores portugueses em "As minas de Salomão" (1885) de H. Rider Haggard


"As minas de Salomão" foram o resultado de uma aposta que Haggard fez com o seu irmão. A aposta consistia em escrever uma história que superasse o êxito de "A Ilha do tesouro", de Robert Louis Stevenson.

A narrativa, basicamente, refere-se a aristocratas ingleses que buscam um parente perdido, auxiliados pelo caçador Allan Quatermain e um nativo chamado Umbopa. Estes partem em busca das míticas minas de ouro do rei Salomão, cujo trajecto é fornecido por um antigo mapa, feito no século XVI por um português chamado D. José Silveira.

A história, recheada de extraordinárias aventuras, tribos misteriosas, perigos inesperados e fabulosas paisagens, foi publicada em 1885 e converteu-se num autentico best-seller, tendo sido adaptada para português por Eça de Queirós, e publicada entre 1889 e 1890.


José Silveira e Dom José Silveira

Ninguém sabe onde ficam essas minas, que escondem valiosas "arcas" de diamantes. Nem ninguém sabe de quem as tenha descoberto ou, até, de quem delas tenha saído com vida.

Muitos se aventuraram para lá desse deserto e Quartelmar (Quatermain no original) sabe várias histórias. Como a do português, José Silveira, que para lá foi e de lá voltou feito cadáver. Como a do antepassado do português José Silveira, com "Dom", o fidalgo que fez o mapa dessa zona além das montanhas.

E o Silveira sem "Dom" disse, no delírio da morte: "Lá estão elas, Santo Deus lá estão elas!... E dizer que não pude lá chegar! Parecem tão perto! Logo ali, uns passos mais... E agora acabou-se, estou perdido, ninguém mais pode lá ir!" E deu a Quartelmar o segredo das minas.


Silvestre/Silvestra/Silveira

No livro original, as minas são descobertas por um Português quinhentista, José Silvestre (por vezes mal-escrito no original "Silvestra" ou "Sylvestra"). Eça traduz o nome do explorador para José Silveira.

Quatermain obtém o mapa com o caminho para as Minas através de um descendente de José Silveira de Lourenço Marques que lhe morre nos braços depois de, aparentemente, ter novamente sido um precursor dos Ingleses no caminho para as Minas.

Sylvestra foi interpretado no cinema por Arthur Goullet no filme inglês de 1937 (o personagem é creditado como Sylvestra Getto).

Porquê a referência a um explorador português ?

Haggard recorreu à tradição lusitana na África Austral e seus conhecimentos sobre o reino de Monomotapa.

Também foi influenciado pelo modelo narrativo típico de narrativas fantásticas oitocentistas, onde os aventureiros seguem uma rota baseada em um explorador desaparecido que os antecedeu (a exemplo de Júlio Verne em "Viagem ao centro da Terra" de 1864).

Fontes:  Biblioativa.ler / wikipedia / Bibliologista

sábado, 15 de agosto de 2015

“Dawn” de H. Rider Haggard (1884) e outras histórias madeirenses


Muitos autores estrangeiros situaram os seus romances na Ilha da Madeira. Alguns dos escritores nunca visitaram a Madeira. Na opinião de Donald Silva, a ilha surge nas criações literárias de diversos escritores porque desde cedo os estrangeiros desenvolveram uma certa visão romântica da Madeira. Este romantismo cresceu no Séc. XIX, com os diários de viagem e outros documentos, e a Madeira, claro, tornou-se muito conhecida no Século XX. 

Provavelmente o escritor inglês H. Rider Haggard, que visitou a Madeira em 1881, no regresso da África do Sul para Inglaterra (após a derrota dos ingleses em Majuba Hill), terá sido o primeiro escritor estrangeiro a localizar a acção de um romance na Madeira.


Em "Dawn", um melodrama Vitoriano do escritor britânico em três volumes, que foi o seu primeiro romance, o jovem Arthur Heigham é o herói que se apaixona por Angela Caresfoot. O dominador pai da jovem é contra a relação e Arthur concorda em se se afastar de Angela durante um ano.

Arthur vai para a Ilha da Madeira. Durante a viagem de barco conhece uma mulher mais velha, Mildred Carr, que vive na Madeira e que acaba por se apaixonar por ele. A Quinta Vígia é descrita em “Dawn” como Quinta Carr onde o Arthur e Mildred Carr fazem amor.

Arthur conhece também os Bellamy que estão na Madeira por questões de saúde de Lord Bellamy. Arthur acompanha Lady Bellamy a um desfile para ouvir a banda tocar. Lady Florence e Mrs. Velley são outras personagens britânicas que residem na Ilha da Madeira e Mildred recebe o governador da Madeira.

Quando retorna para Inglaterra encontra Angela casada com o seu pérfido primo George.

Após regressar à Madeira fica a saber que Angela foi obrigada a casar com o primo. George acaba por morrer e Arthur volta para casar com Angela, deixando Mildred destroçada.


Sax Rohmer

“Moon of Madness” (1927) do escritor inglês Sax Rohmer (pseudónimo de Arthur S. Wade), criador do Dr. Fu-Manchu, que chegou a viver na Madeira, é outro dos exemplos mas antigos. O livro conta a história de um agente secreto irlandês que, juntamente com uma agente norte-americana, persegue um espião por toda a Europa, culminando num confronto fatal na Ilha da Madeira.

Em "Black Magic" o Dr. Sarafan era um respeitável residente da Ilha da Madeira.

Noutro dos seus livros, "The Affairs of Sherlock Holmes", um dos personagens, Ma Lorenzo, é meio português.


Ann Bridge e outras escritoras britânicas que viveram na Madeira

Várias escritoras britânicas viveram na Madeira, como as irmãs Margaret Emily Shore (1819-1839), Arabella Shore (1822-1900) e Louisa Catherine Shore (1824-1895), Jane Wallas Penfold (1821-1884), Isabella de França (1795-1880), a prolífica Evelyn Everett-Green (1856-1932) e Ann Bridge (1889-1974).

“The Malady in Madeira” (1970) de Ann Bridge (pseudónimo de Mary Ann Dolling O'Malley) é um dos mais arrepiantes livros situados na Madeira, relatando a realização por parte da Russia de testes de gás nervoso em ovelhas selvagens. Mrs. Hathway vai para a Madeira por questões de saúde e é acompanhada por Julia Probyn. Aí encontram Aglaia a esposa de Colin Munro, que estava a recuperar de um acidente de carro em que perdeu o seu bébé. Colin acaba por descobrir que os russos estão a testar na Madeira o mesmo gás que testaram no Médio Oriente e que terá provocado a morte do marido de Julia.

O livro faz parte da série "Julia Probyn mystery series" que inclui igualmente "The Portuguese Escape" de 1958.


Dorothy Dunnett

A escritora escocesa Dorothy Dunnett (1923-2001), autora da série de aventuras "The house of Niccoló" (banqueiro e mercador do século XV), descreve no 4º livro da série, "Scales of God" (de 1991), uma breve visita de Niccoló à Madeira.

A acção decorre em Veneza, Espanha, Madeira e África, durante uma viagem em busca do Ouro africano e da rota do Preste João.


Denise Robins

Em “Dark Corridor” (de 1974), da escritora inglesa Denise Robins (1897-1995), conhecida como "Queen of Romance", a jovem Corisande Gilroy está noiva de Martin, que considera o homem mais maravilhoso do mundo. Mas quando Corrie o procura no hotel da Madeira, onde iriam passar férias, ele não se encontra lá. O quarto está vazio, a mala está apenas parcialmente feita e nem sinal de Martin apesar dos esforços da polícia local. Será que ele desapareceu no corredor escuro que lhe apareceu em sonho.

Fontes: Marina Oliver (Literary thrills in Madeira em Revista "Brit in Madeira" de Outubro de 2013, pág. 18) /  Vista da serra / Laureano Macedo (Quem foram as escritoras madeirenses do passado) / Prefer reading (Ann Bridge)