Mostrar mensagens com a etiqueta Itália. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Itália. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Amália Rodrigues - a loucura Italiana (1970s)

Depois do sucesso alcançado nos países por onde passou, Amália ruma pela primeira vez a Itália. Estavamos em 1970 e dava-se assim início à La folie per la Rodrigues. 

O sucesso em Itália fora estrondoso. Franco Fontana, o seu empresário italiano, afirma ter sido a única artista estrangeira a conseguir a proeza de dar espectáculos por todo o país. Todas as pequenas terras de norte a sul de Itália tiveram assim a oportunidade de a ouvir cantar e aplaudir o seu talento. 

A sua popularidade alcançou uma dimensão sem precedentes levando Pallavicini e Mescoli a escrever para a sua voz o tema "Il Cuore Rosso Di Maria", que tantas vezes era solicitado pelo público em espectáculos. 

Em 1973 durante três noites aprendeu doze cantigas de folclore italiano, em dialecto siciliano, napolitano, romano e veneto. Assim saiu o disco "A Una Terra Che Amo". Um disco quase improvisado que demonstra perfeitamente a capacidade invulgar de adaptação que Amália possuía.

Ninguém acreditava que fosse possível, nem os guitarristas nem a própria Amália, mas o certo é que o disco fez-se e foi um sucesso enorme por toda a Itália. Gerou-se assim a loucura italiana pela signora Rodrigues, que encantava quando no palco pedia desculpa pela pronúncia, benzia-se e depois presenteava a plateia com os temas do folclore italiano. 

O texto que se segue fez parte de um jornal italiano do dia 13 de Janeiro de 1970. 

Roma, 1970 

"Um canto dulcíssimo, entrecortado por ímpetos de paixão, sublinhado por uma vigorosa base rítmica. O pensamento é transportado para o episódio de Ulisses agrilhoado, quando ouve o canto enfeitiçador das sereias, entre Cila e Caribdes. E o público que ontem à noite fazia transbordar o Sistina, estava também como que enfeitiçado na cadeira, arrebatado pela voz de Amália Rodrigues. Foi um triunfo. Nunca se viu o Sistina tão apinhado, nunca se registaram aplausos tão intensos, nunca se ouviu pedir bis com tanta insistência. O primeiro espectáculo italiano da Rainha do Fado não podia ter sido um sucesso maior. 

(Marcelo Frantoni, Incanta Amália Rodrigues, in "Il Tempo")

Fonte: Catarina Rocha(em "Portal do Fado")

domingo, 15 de março de 2020

Os "fabulosos" irmãos D'Andrade (2) - Francisco D'Andrade

 

Francisco Augusto D'Andrade (1856-1921) foi um barítono português que cantou papéis principais em óperas em toda a Europa, incluindo cinco anos como o principal barítono no Real Italian Opera em Londres e treze anos no Berlin Hofoper.

Os seus 35 anos de vida artística constituíram uma série ininterrupta de êxitos em toda a Europa. No seu vasto repertório figuravam mais de 50 óperas das mais famosas. Cantava em seis línguas. A sua interpretação no “Don Giovanni” de Mozart fez escola na Alemanha e foi unanimemente considerada paradigmática, tendo mesmo sido pintado no desempenho dessa personagem por Max Slevogt em 1902, 1903 e 1912 (em quadro patente na Alte Nationalgalerie em Berlim).


No blog “Operapertutti” é relatado a seguinte estória: "Há muitos anos, ao visitar em Salzburgo a casa de Mozart, deparei com um quadro retratando um cantor português, Francisco de Andrade. Com curiosidade, perguntei ao guia a razão pela qual um cantor português figurava ali, e a resposta foi simples: «Foi considerado, na sua época, o melhor "D.João" a nível mundial»".

Tal como o irmão, Francisco começou como actor amador. Atraído pela carreira musical partiu em 1881, com o irmão, para Itália para se dedicarem inteiramente à arte lírica, tendo tido como orientadores o tenor Corrado Miraglia , e após a morte de Miraglia, no final desse ano, o barítono Sebastiano Ronconi .



Estreou-se em 1882 em Sanremo, cantando “Amonastro” da “Aida” de Verdi, no Teatro Principe Amedeo em Sanremo. Nos anos seguintes, cantou em casas de ópera de Portugal, Espanha e Itália, incluindo o Teatro Costanzi, em Roma, onde interpretou o Conde de Luna, no “Il Trovatore” de Verdi, e Severo, na primeira apresentação de “Poliuto” de Donizetti.

Os irmãos foram contratados em 1884 pela casa de ópera de Aix-les-Bains, e posteriormente por casas de ópera em Itália, mas uma grave epidemia de cólera em Itália levou os dois irmãos a regressar a Lisboa.


Após esse período, Francisco D'Andrade e o irmão foram contratados para o Théâtre Privé d'Opéra em Moscovo, na Rússia, para a temporada 1885-1886. Francisco D'Andrade iniciou, então, em 1888, uma colaboração de cinco anos com o Real italiano Opera em Londres. Durante esse tempo, ele cantou uma ampla gama de papéis principais de barítono, incluindo os papéis principais em "Rigoletto" e "Don Giovanni".

Continuou a actuar pela Europa como cantor e recitalista convidado, mas fixou residência na Alemanha, onde, em 1894, recebeu a Grande Medalha de Ouro de Artes e Ciências de William II de Württemberg .


Francisco tinha uma casa em Bad Harzburg , que se tornou um centro não oficial da cultura Portuguesa na Alemanha e cantou regularmente com a Ópera de Frankfurt entre 1891 e 1910, bem como em outras grandes casas de ópera alemãs. E em 1906 tornou-se um membro oficial da Berlim Hofoper, onde já actuava desde 1889. E em 1901 cantou no Festival de Salzburgo na Áustria.

Francisco D'Andrade voltou para Lisboa durante a I Guerra Mundial, mas regressou para a Alemanha, e para a Berlim Hofoper, após a guerra terminar em 1918, tendo falecido em Berlim, em 1921, com 65 anos.

Fontes/Mais informações: wikipedia  / "O grande livro dos Portugueses" (Circulo de Leitores) / Blog da rua 9 / Ilustração Portuguesa / Revista Brasil-Portugal / Arqnet / youtube (audio) / forgotten operasingers / ipernity / operapertutti   


Sobre António D'Andrade

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Os "fabulosos" irmãos D'Andrade (1) - António D'Andrade


António D'Andrade (1854-1942) foi um famoso tenor português que actuou muitas vezes com o seu irmão mais novo, o barítono Francisco D'Andrade.

Começou como actor teatral amador. Dotado de agradável voz de tenor, tornou-se discípulo de Joaquim Casimiro. Em 1881 os irmãos foram para a Itália para estudarem com o tenor Corrado Miraglia e, posteriormente, após a morte de Miraglia, com o barítono Sebastiano Ronconi.

Estreou-se em Itália, em Varese, em 1882, no papel de Fernando, em “La Favorita” de Donizetti. Em 1882 o compositor Ponchielli, então no auge da sua fama, escolheu-o para protagonista de “Promessi Sposi”, contracenando com a esposa do autor da Ópera, a cantora Brambila Ponchielli.


Nos anos seguintes cantou em vários teatros italianos, incluindo o Teatro Dal Verme (Milan), Teatro Regio (Turim), Teatro Rossini (Veneza) e o Teatro Metastasio (Prato). No Teatro dal Verme em 1884, interpretou o papel de Roberto na primeira versão de “Le Villi” de Puccini e Sandro em “Marcellina” de Alberto Favara Mistretta.

Os dois irmãos foram contratados em 1884 pela casa de ópera de Aix-les-Bains , tendo António interpretado com grande sucesso os papéis de Manrico em “Il Trovatore”, Gennaro em “Lucrezia Borgia”, e os papéis principais em “Faust” e “Marchetti” de Ruy Blas.

Os empresários do Teatro Comunale, em Trieste, e do Teatro Regio, de Turim, ofereceram-lhe contratos lucrativos para a temporada de 1885, mas uma grave epidemia de cólera em Itália levou os dois irmãos a regressar a Lisboa.


Posteriormente, António D'Andrade e o irmão foram contratados para o Théâtre Privé d'Opéra em Moscovo para a temporada 1885-1886. Durante esse período, actuou também em São Petersburgo e Varsóvia. Mais tarde, em 1886, D’Andrade actuou com o Real italiano Opera em Londres, no papel de Radamés, em “Aida”, Don José em “Carmen“ e o papel principal em “Lohengrin”.

Teve a sua época áurea entre 1882 e 1992, tendo continuado a cantar como artista convidado em várias cidades europeias, bem como no Teatro São Carlos, de Lisboa, onde participou, em 1888, conjuntamente com o seu irmão na estreia mundial da ópera de “Donna Bianca” do autor português Alfredo Keil. António interpretou Aben-Afan e Francisco ficou com o papel de Adaour.

Em 1900, António D'Andrade interrompe a sua carreira por motivo de surdez.

Fontes/Mais informações: wikipedia / toponímia de Lisboa / "O grande livro dos Portugueses" (Circulo de Leitores) / Ipernity
 
No papel de "Poliuto" de Donizetti

Sobre Francisco D'Andrade 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Luísa Todi (1753-1833), uma cantora para a eternidade


Luísa Rosa de Aguiar, conhecida como Luísa Todi, e também por La Todi, foi a meio-soprano portuguesa mais célebre de todos os tempos. Luísa, ainda com muito pouca idade, acompanhou seu pai, um professor de música, na vinda para Lisboa, juntamente com suas irmãs. Cedo entrou no mundo musical.

Foi, porém, o seu casamento, em 1769, apenas com 16 anos, com o italiano Francesco Todi, rabequista da Real Câmara e do Teatro do Bairro Alta que, conhecendo bem os seus recursos vocais e talento dramático, a entusiasmou para o teatro lírico, trazendo-lhe depois a internacionalização e a consagração.


Estreou-se em 1771 na corte portuguesa de D. Maria I e cantou no Porto entre 1772 e 1777, quando partiu para Londres para actuar no King's Theatre, sem particular aplauso por parte dos ingleses.

Em 1778 está em Paris e Versalhes, participando nos famosos "Concerts Spirituels" em Paris, onde foi considerada a melhor cantora estrangeira que actuou em França.

Em 1780 é aclamada em Turim, no Teatro Régio, tendo assinado um contrato como prima-dona, e em 1780 era já considerada pela crítica como uma das melhores vozes de sempre.


Brilhou na Áustria, na Alemanha e na Rússia. Veio a Portugal em 1783 para cantar na corte portuguesa. Regressou a Paris aos "Concerts Spirituels" tendo ficado célebre o "duelo" com outra cantora famosa de nome Gertrudes Mara. A crítica e o público dividiu-se.

Convidada, parte com o marido e filhos para a corte de Catarina II da Rússia, em São Petersburgo (1784 a 1788), que a presenteou com jóias fabulosas. Em agradecimento o casal Todi escreveu para a imperatriz a opera "Pollinia".

Pintura a óleo por Vigée-Le Braun (1785)

Curiosamente, porém, contava o Conde Walaweski, no seu "Romance de uma Imperatriz" que Catarina tinha uma audição defeituosa e nem sequer apreciava especialmente a música, embora não o confessasse geralmente.

Quanto às relações entre a Imperatriz e a Cantora, diz o mesmo autor que a primeira contava que por vezes encontrava Madame Todi em passeio. "Ela beija-me as mãos e eu beijo-a na face; os nossos cães farejam-se, ela toma o seu debaixo do braço, eu chamo os meus e seguimos os nossos caminhos".

Apesar desta aparente indiferença, o certo é que a Czarina não dava a qualquer pessoa a importância de a "Beijar na face". E, além disso, acrescentava que "quando canta, ouço-a, aplaudo-a e sentimo-nos bem a conversar as duas".

Berlim aplaudiu-a quando ia a caminho da Rússia e no regresso, Luísa Todi foi convidada por Frederico Guilherme II da Prússia, que lhe deu aposentos no palácio real, carruagem e os seus próprios cozinheiros, sem falar do principesco contrato, tendo ali permanecido de 1787 a 1789.

Participa  novamente nos "Concerts Spirituels", em 1789, sendo apelidada por alguns críticos como a melhor cantora do seu tempo. Regressando à Prússia poucas semanas antes do início da Revolução Francesa.


Em 1790 inicia uma digressão triunfante pela Alemanha. Diversas cidades alemãs a aplaudiram como Mainz, Hanôver e Bona, onde Beethoven a terá ouvido. Cantou ainda em Veneza, Génova, Pádua, Bérgamo e Turim. O período que esteve em Itália, na época de  1790/1791, ficou conhecido como "O ano da Todi". De 1792 a 1796 encantou os madrilenos novamente. Em 1799 terminou a sua carreira internacional em Nápoles.

Luísa Todi tinha a capacidade invulgar de cantar com a maior perfeição e expressão em francês, inglês, italiano e alemão. No livro de Anton Reicha, "Tratado da Melodia" Luísa Todi foi considerada "A cantora de todas as centúrias" melhor dizendo "Uma cantora para a eternidade".

Fontes:  Ruas de Lisboa / wikipedia / Cantores de Ópera Portugueses, 1º volume”, Mário Moreau / Blog Luísa Todi / "Alto: the voice of bel canto" /  Grandes Portugueses

domingo, 15 de setembro de 2019

Desencontros amorosos em "L'Hôtellerie portugaise" ("A Hospedaria Portuguesa") (1798)



"L'Hôtellerie portugaise" é uma ópera cómica em um acto de Luigi Cherubin, representada pela primeira vez em Paris, no teatro Feydeau, em Julho de 1798. Com libreto de Giulio Confalonieri adaptado da peça de Etienne Aignan .

A ópera foi um insucesso contudo foi novamente encenada a partir da década de 40 do século XX.
A acção decorre em 1640 numa Hospedaria localizada numa cidade portuguesa, na fronteira entre Espanha e Portugal.

Gabriella tenta alcançar seu amado Don Carlos em Lisboa, com a ajuda da empregada Inês, sendo perseguidas pelo tutor de Gabriella, Don Roselbo, que é apaixonado pela jovem. Os quatro personagens acabam por se encontrar na Hospedaria do título.


Um mal-entendido convence o proprietário da pousada, Rodrigo, que Gabriella é a esposa de um vigário espanhol expulso de Lisboa após um motim: pensando que ele está tentando escapar e que Don Carlos quer capturá-la, ele decide protegê-la e tudo faz para que os dois amantes não se encontrem.

Gabriella acaba nas mãos de Roselbo, mas a situação é resolvida quando a identidade dos personagens é esclarecida, e Don Carlos consegue mostrar um documento que termina a protecção de Don Roselbo de Gabriella e os dois jovens podem se reunir alegremente.

Fonte: wikipedia ("Hôtellerie ...")

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

"De Degrau em Degrau", um dos maiores sucessos de Jerónimo Bragança e Nóbrega e Sousa


"De Degrau em Degrau", com poema de Jerónimo Bragança e música de Nóbrega e Sousa, foi inicialmente interpretado por Maria de Lourdes Rezende, mas seria Madalena Iglésias a primeira intérprete a gravar o tema no seu primeiro disco, um EP publicado em 1957, que incluía as canções “Talvez”, “Sim ou Não”, “Sou Tua” e “De Degrau em Degrau”.

Maria de Lourdes Resende incluiu "De Degrau em Degrau" no seu EP "Portugal cor de rosa". O tema não foi um clássico instantâneo e inclusive não era a canção principal em ambos os EP. Só em 1965 é que foi gravada a versão de Simone de Oliveira (incluída no seu EP "Sol de Inverno") que se tornou num grande sucesso de Simone de Oliveira e da música portuguesa em geral.



"De Degrau em Degrau" já se tornara um sucesso internacional em 1959, sobretudo em Itália e no Brasil, possivelmente no rescaldo do sucesso de "Vocês Sabem Lá" que foi a canção portuguesa de maior sucesso de 1958.

O cantor italiano Loris Velli, sócio de Raul Solnado no restaurante Sorrento, gravou em 1959 a sua versão de "De Degrau em Degrau", como lado B de "Piove", versão do tema que ganhara o Festival de Sanremo na voz de Domenico Modugno.

Mas maior importância teve, nesse mesmo ano, a adaptação para a língua italiana por Giancarlo Testoni, que foi gravada por Nilla Pizzi, uma das maiores populares cantoras italianas dos anos 50 (que ganhara as edições do Festival de Sanremo de 1951 e 1952) sob o título de “Amore e Odio”.


Foi, no entanto, no Brasil que "De Degrau em Degrau" obteve um maior sucesso, tendo sido inicialmente gravado por Osny Silva em Julho de 1959. E também foi gravado por Cândida Rosa (em 1959), Cauby Peixoto (1960), Sandoval Dias (1960), Gilda Lopes (1963), entre outros.

Sendo igualmente de destacar a versão de Maria José Vilar, fadista portuguesa radicada no Brasil, que deu nome ao seu álbum homónimo, com a participação da Orquestra Caravelle sob direcção de Pereira dos Santos.
 



Em 1960 foi gravada pelos Los Españoles, um grupo vocal e instrumental com origens na Galiza, que, sem perder as suas características hispânicas, possuíam um repertório internacional que lhes permitiu ter algum sucesso, nas décadas de 50 e 60, em diversos países europeus, como França, Holanda, Alemanha e Suécia. No verso do disco é referido que "De Degrau em Degrau", no estilo Bolero-Beguine, é um bolero romântico de Portugal cantado na língua original mas com um ritmo dançável e uma atmosfera latina.

Além de "De Degrau em Degrau", também gravaram versões de "Kanimambo", "Moçambique" e "Fado das Queixas".



"De Degrau em Degrau" também foi adaptada para a língua espanhola, com o título "¿Qué mas te puedo dar?", com letra de C. Murillo, e para a língua francesa, com letra da autoria de Hubert Ithier, com o título de "L'amour qui brûle en moi" que foi gravado pela cantora francesa Marie-Hélène em 1960 (com orquestra dirigida por Hans Werner) e pelo cantor português Rui Mascarenhas (gravada no Canadá com a participação de Jacques Loussier e a sua orquestra).





domingo, 15 de julho de 2018

"Vocês sabem lá ..." e os primórdios da canção moderna portuguesa (1958)



"Vocês Sabem Lá" é uma canção de 1958, com letra de Jerónimo Bragança e música Nóbrega e Sousa, que foi interpretada por Maria de Fátima Bravo aquando da realização do 1.º Festival de Música Portuguesa, no Cinema Império, em Lisboa, no dia 21 de Janeiro de 1958. Nasceu, assim, aquela que alguns consideram ser a primeira canção moderna portuguesa.

Neste Festival, com consagrados compositores como António Melo, Fernando de Carvalho, Frederico Valério, Ferrer Trindade, Belo Marques, Tavares Belo, Alves Coelho Filho e Nóbrega e Sousa, estava estabelecido que não haveria classificação nem prémios. Porém, quando Maria de Fátima Bravo acabou de cantar "Vocês sabem lá", revelou-se um grande êxito e o público levantou-se numa grande ovação.


A canção foi gravada em Portugal por cantores portugueses de renome como Maria de Fátima Bravo, Simone de Oliveira, Tony de Matos, Maria José Valério, Trio Odemira, José Cid, Carlos Quintas, Rita Guerra, entre outros.

E foi igualmente gravada em Portugal por artistas estrangeiros, nomeadamente o cantor italiano Loris Velli, em 1959, e o conjunto espanhol Los Delta em 1961.




Existem também versões no Brasil, Espanha, Itália e Estados Unidos.

No Brasil foi interpretada pela jovem cantora gaúcha Cândida Rosa em 1961, cuja carreira ficou mais restrita ao Rio Grande do Sul  (foi escolhida a "Rainha do Rádio gaúcho em 1956 e "Melhor cantora do Rádio gaúcho" em 1958) que já gravara em 1959 outras canções portuguesas (o fox-canção "Foi Deus", de Alberto Janes, e o fox-slow "De degrau em degrau", de Nóbrega e Sousa e Jerónimo Bragança).

"Vocês sabem lá" foi igualmente incluída no álbum "Aguarela Portuguesa", de 1995, da cantora brasileira Joanna dedicado à reinterpretação de clássicos da música portuguesa, o qual também incluía uma versão de "Vira Virou" da dupla brasileira Kleiton e Kledir, que foi originalmente interpretada por Eugénia de Mello e Castro.


A versão italiana, "Torna a me", com adaptação de Locatelli e Zipi (Bruno Rosetanni), foi gravada em 1959 pelo actor Sílvio Noto em colaboração com o duo Blengio.

Existem igualmente versões por Nilla Pizzi (que gravou "Amore e Odio" versão de "Degrau em Degrau" dos mesmos autores de "Vocês Sabem Lá") e Bruno Rosettani (que era casado com uma das irmãs Blengio).



A cantora italiana Nella Colombo gravou em 1960 a versão em castelhano "Que sabe la gente!" com letra de Mapel em registo slow-rock.


 

A versão em inglês, "I long to be loved", com letra de Carl Sigman, foi lançada como lado B do single "It´s a Lonesome Town" da cantora norte-americana Jeannie Thomas. Ambos os temas tiveram direito a crítica nas prestigiadas revistas norte-americanas Billboard (de 08-02-1960) e Cashbox (de 30-01-1960).

Crítica na revista Billboard
Crítica na revista Cashbox
Existe igualmente uma versão em inglês com letra de Eric Boswell com o título de "The Touch of your hand".

Fontes/Mais informações: "Nóbrega e Sousa: uma vida cheia de música" / Guedelhudos (1)(2) / "Nóbrega e Sousa - Música no Coração" de Nuno Gonçalo da Paula / Blog sobre Nóbrega e Sousa / Os Reis do Vinil / Dicionário Cravo Albin da MPB (Cândida Rosa) (1) (2) / Câmara Municipal de Lisboa

terça-feira, 15 de agosto de 2017

100 anos de filmes rodados na Madeira (1) - Décadas de 20, 30 e 50


"Un Giorno a Madera" (1924)

Em 1924 foi rodado na Ilha da Madeira o filme de ficção "Um dia na Madeira" ("Un Giorno a Madera") do realizador italiano Mário Gargiulo, com Livio Pavanelli e Tina Xeo nos principais papéis.

Este filme mudo era uma adaptação do livro "Un Giorno a Madeira, una pagina Dell’Igiene Dell’ Amore" lançado por Paolo Mantegazza em 1876. Traduzido ainda em vida do autor nas principais línguas europeias, este curioso livro consagrou a Madeira no imaginário italiano e europeu de fins de Oitocentos, como a isola dei fiori e dell’amore.


Sinopse

"Emma, personagem dotada de uma espiritualidade e de uma nobreza de carácter dignas das maiores heroínas românticas, procura na Madeira o último reduto de esperança para a cura da doença, ao passo que o seu apaixonado William se vê condenado a expiar na determinação da sua índole britânica a dor da perda da amada, pondo também ele à prova o seu carácter, principal protagonista afinal deste romance".


A produção estrangeira na Madeira intensificou-se a partir da década de 30, com filmes de ficção como: "Porque Mentes, Menina Kate?" (com realização de Georg Jacoby, 1935); "Die Finanzen des Großherzogs" ("As Finanças do Grão-duque" (Gustaf Gründgens, 1934) remake do filme homónimo de Murnau; "O prisioneiro de Corbal" (filme de Karl Grüne de 1935-36); "Les Mutinés de L’ Elseneur" (filme de Pierre Chenal de 1936 com base na obra de Jack London); e "Love Affair" ("Ele e Ela" de Leo McCarey, de 1939).


No campo do documentário é de destacar: "Madeira: A Garden in the Sea" (1931); "Cruising the Mediterranean" (André de la Varre, 1933); "Madeira: Jardim do Oceano" (Dawley, 1933); "From London to Madeira" (de Karl Gr, 1935); "Escala na Madeira" (René Ginet, 1935); e "Madeira: Isle of Romance" (1938).

"Warum lügt Fräulein Käthe?” (1935)


Entre 12 e 20 de novembro de 1934 esteve na Madeira uma equipa cinematográfica alemã da Majestic-Film GmbH, liderada pelo produtor Helmut Eweler e pelo realizador Geog Jacoby,  onde filmaram parte de um filme que estreou nas salas alemãs a 29 de janeiro de 1935, chamado “Porque Mentes, Menina Kate?” no original “Warum lügt Fräulein Käthe?”.

Na ilha da Madeira filmaram, a 15 de novembro, uma série de danças folclóricas madeirenses no “Reid’s Palace Hotel”, “executados pelo grupo de senhoras e cavalheiros, da nossa sociedade elegante”, como dizia o “Diário de Noticias do Funchal” de 16 de novembro de 1934, tendo nos outros dias filmado algumas ruas da cidade do Funchal e cenas do quotidiano madeirense.

"Marriage of Corbal" (1936)

A 10 de dezembro de 1935 chegara ao Funchal a Capitol Film Corporation, uma empresa inglesa, juntamente com mais de 20 pessoas, entre técnicos e actores para a rodagem do filme “The Marriage of Corbal” (ou "The Marriage of Corbal"), realizado por Karl Grune, com argumento de S. Fullman, com base na obra de Rafael Sabatini, ambientado no período da Revolução Francesa.

Parcialmente rodado no Vale da Ribeira Brava, as filmagens terminaram a 26 de dezembro, tendo também empregado cerca de 200 figurantes madeirenses. Com este filme também foi realizado um documentário “From London to Madeira”, onde se retratava as peripécias da viagem da equipa até à Madeira e os bastidores da filmagem na ilha.

"Love Affair" (1939)


"Love Affair", um dos mais importantes filmes românticos do final dos anos 30, foi parcialmente rodado na Madeira, onde vivia a avó do protagonista, o que terá sido motivado pela fama do porto do Funchal na altura dos grandes cruzeiros transatlânticos, com filmagens no Funchal e numa casa de Santa Luzia.



Sinopse

O pintor francês Michel Marnet (Charles Boyer) conhece a cantora americana Terry McKay (Irene Dunne) a bordo de um navio que cruza o Oceano Atlântico.

Michel e Ambos estão comprometidos, mas, no entanto, apaixonam-se. Durante uma paragem na Ilha da Madeira (Porto Santo), visitam a avó de Michel, Janou (Maria Ouspenskaya), que "aprova" Terry. O casal marca um encontro no Empire State Building para daí a 6 meses, mas nem tudo corre como desejado.



O título do filme na Áustria refere-se explicitamente a essa paragem no nosso arquipélago: "Ein Spitzentuch von Madeira".


Na década de 50 é de destacar: "Madeira Story", da responsabilidade de uma equipa inglesa, com o apoio de artistas e autoridades madeirenses, estreou-se em Londres; "Moby Dick" (filme de John Huston de 1956), "Sylviane de mes nuits" (Marcel Blistène, 1957), uma série de documentários de Jacques Cousteau e "Windjammer: The Voyage of the Christian Radich" (de Bill Colleran e Louis De Rochemont III, 1958).

"Moby Dick" (1956)


"Moby Dick" é um filme britânico realizado pelo norte-americano John Huston em 1956. O filme começou a ser filmado no País de Gales mas partes do filme foram rodadas no mar em frente ao Caniçal com acção real de caça à baleia, feita por baleeiros da Ilha da Madeira. O filme baseava-se na obra homónima de Herman Melville que curiosamente tinha mais ligação aos Açores do que à Madeira.

Nos créditos iniciais do filme é feito o agradecimento aos "Baleeiros da Madeira pela grande ajuda que deram" ("Whalermen of Madeira for the great help they gave").


Jacques Yves Cousteau

Entre 15 e 20 de agosto de 1956 esteve na Madeira uma missão cientifica francesa, a bordo do navio “Calypso” e chefiada pelo famoso explorador submarino Jacques-Yves Cousteau (1910-1997), tendo nesta estadia aproveitado para fazer cinco filmes, dois dos quais da pesca do peixe espada preta (Aphanopus carbo).

"Sylviane de mês nuits" (1957)

A 7 de novembro de 1956 começam as filmagens na Madeira do filme francês, produzido pela Isis Films, “Sylviane de mes nuits”, escrito e realizado por Marcel Blisténe e protagonizado por Giselle Pascal e Franck Villard, tendo as filmagens terminado a 18 de novembro.


“Windjammer: The Voyage of the Christian Radich” (1958)

Chega à Madeira a 27 de dezembro de 1956 o cineasta norte-americano Louis Rouchemont, com uma equipa de operadores cinematográficos para filmar diversos panoramas da Madeira para um documentário, em “Cinemiracle”, que esteva a realizar usando o navio-escola norueguês “Christian Radich”, a que se dará o titulo de “Windjammer: The Voyage of the Christian Radich”, estreado a 25 de abril de 1958.


Ciclo de cinema "100 Anos de filmes rodados na Madeira"


"100 Anos de filmes rodados na Madeira" é uma mostra de 8 das melhores obras cinematográficas de ficção filmadas no arquipélago de entre as mais de 50 películas realizadas desde 1912. Para além do valor óbvio dos filmes apresentados, alguns deles de grandes mestres do cinema mundial como Leo MacCarey, Raul Ruiz, Barbet Schroeder ou John Huston, esta mostra pretende anunciar a importância da Madeira como “location” para produção audiovisual.

Não só pela beleza das suas paisagens (ver por exemplo o plano fantástico da Serra d’Água em “O prisioneiro de Corbal” ou a perseguição automóvel nas estradas antigas do Seixal em “Os Batoteiros”) mas também pela facilidade de encontrar lugares tão diferentes numa ilha tão pequena, reduzindo assim os custos de produção.

Cena de "O prisioneiro de Corbal"
Fontes/Mais informações: Ana Paula Almeida (Aprender a Madeira e Tese) / Museu Vicentes / Ciclo de cinema / Folha de Sala (1) /  Ando a ler isto, Dejalu4ds e Fnac ("Un Giorno a Madeira")

Videos: "Warum lügt Fräulein Käthe?" / "Prisoner of Corbal" / "Love Affair" / "Moby Dick" (1)(2) / "Winjammer ..."