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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Na pista dos baleeiros açorianos de "Moby Dick" (1851)

 

"Moby Dick" foi publicado em três fascículos com o título de "Moby Dick" ou "A Baleia" em Londres em 1851, e ainda no mesmo ano em Nova York em edição integral.

O livro foi revolucionário para a época, com descrições imaginativas das aventuras do narrador - Ismael, suas reflexões pessoais, e grandes trechos de não-ficção, sobre variados assuntos, como baleias, métodos de caça, arpões, a cor branca (de Moby Dick), detalhes sobre as embarcações e seu funcionamento, bem como sobre o armazenamento de produtos extraídos das baleias.


A obra acompanha Ismael quando este se alista no baleeiro Pequod e segue-o na saga do capitão Ahab, um louco que atravessa oceanos para vingar a perda da sua perna, arrancada por um mítico cachalote branco.

A determinado momento do livro descobre-se, na tripulação do navio, Daniel, um marinheiro açoriano, da minúscula ilha do Corvo. Para a maioria dos leitores, o motivo da presença de um português na obra permaneceu um mistério durante décadas.


Melville esclarece que "não poucos destes caçadores de baleias são originários dos Açores, onde as naus de Nantucket que se dirigem a mares distantes atracam, frequentemente, para aumentar a tripulação com os corajosos camponeses destas costas rochosas. Não se sabe bem porquê, mas a verdade é que os ilhéus são os melhores caçadores de baleias".

Foi na cidade de Fairhaven, no Estado de Massachusetts, que Herman Melville embarcou numa baleeira no dia 3 de Janeiro de 1841. O escritor viveu 18 meses no Acushnet, o navio do capitão Valentine Pease Jr. e foi essa experiência que alimentou as minuciosas descrições publicadas em 1851.


Na sociedade fechada do arquipélago, os açorianos viam nos cascos dos navios o reflexo de um mundo novo, perdido em abundância e aventura, e embarcavam. Assim que tocavam os porões gordurosos das baleeiras, mudavam de nome: os Rosa passavam a Roger, os Freitas a Frates, os Machado a Marshall.

Pequod, o navio baleeiro de Moby Dick, esteve ao largo dos Açores, mas não fez escala. Dezenas de páginas do romance nasceram no terreno das experiências pessoais do seu autor. Se menciona os baleeiros açorianos, terá Melville conhecido algum ?


O jornalista Alexandre Soares foi no encalço destes nossos antepassados e encontrou Laura Pereira, uma bibliotecária casada com um português, que lhe mostrou uma moldura castanha com uma lista da tripulação do Acushnet. “São os companheiros de Melville”, explica. Esta pode ser a prova definitiva de que o escritor conheceu um baleeiro açoriano.

Laura começa a virar a moldura. Com algum esforço, a mancha de letras ganha alguma definição. Já se distingue a caligrafia do capitão, o barco tinha uma tripulação de 27 homens. Mais alguns segundos e a espiral de letras e linhas organiza-se para destacar quatro nomes: George M. Gurham, Joseph Luís, John Adams, Martin Brown. Jorge, José, João e Martim. Todos açorianos, os quatro da ilha do Faial. Mistério resolvido.

Fontes/Mais informações: Diário de Notícias / moby dick game /  wikipedia / whaling museum


domingo, 15 de fevereiro de 2015

Videoclip de "Indecisão" de Netinho gravado na Ilha Terceira (1999)


O cantor Netinho obteve muito sucesso em meados da década de 90 com o seu disco “Netinho ao vivo” que incluía o seu grande êxito "Milla” que bateu todos os recordes de execução de radio em todo Brasil, e que foi igualmente o seu maior sucesso em Portugal.

Em 1998 lançou o espectáculo “Rádio Brasil”, que revolucionou o mercado dos espectáculos ao vivo no Brasil. O espectáculo apresentava 18 clipes projectados por 2 projectores de cinema sobreopostos numa tela do tamanho do fundo do palco.

Um dos temas incluídos em "Rádio Brasil" foi "Indecisão", que fez parte da banda sonora da novela da Globo "Andando nas Nuvens", e cujo video clip foi gravado em Portugal, na Ilha Terceira, nos Açores, no início de 1999, com o apoio da Universal Portugal.




Video: Youtube (com qualidade de audio deficiente); vide áudio

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

“Portuguese Joe Silvey" de Jean Barman (2004)

"The Remarkable Adventure of Portuguese Joe Silvey" publicada em 2004 é o primeiro trabalho de Jean Barman abordando a problemática da emigração açoriana para a Colúmbia Britânica.

No prefácio desta obra escreve Manuel A. Azevedo: "Existe um provérbio português que diz que Deus está em todo o lado, mas os portugueses chegaram lá primeiro."

Joe Silvey

Joe Silvey (Silva) foi um dos primeiros pioneiros portugueses a chegar ao Canadá muito antes de 1867, o ano da Confederação à qual a Colúmbia Britânica se juntou em 1871.

A história do picoense Joe Silvey iniciou-se durante a corrida ao ouro de 1858 na Colúmbia Britânica. Estes foram os anos em que a população não nativa cresceu do dia para a noite. As 1000 almas que habitavam a Colúmbia Britânica viram de um momento para o outro o seu lugar "inundado" por sonhadores à procura de riqueza. Em pouco tempo a população somava 20.000 pessoas.

Todavia, o picoense Joe Silvey não encontrou fortuna no ouro mas encontrou uma esposa nativa da localidade que mais tarde ficaria conhecida por Vancouver.


Matrimónio e fixação em Stanley Park

Silva casou com Khaltinaht, neta do lendário chefe índio Kiapilano. Após o matrimónio, o casal partiu de canoa rumo a Point Roberts onde José Silva abriu um bar (saloon) e se dedicou à pesca. Viveu em Brockton Point, a actual Stanley Park, localidade onde acabaria por encontrar outros companheiros de língua entre eles o baleeiro Peter Smith, Joe Gonsalves, o primeiro polícia de Vancouver, Tomkins Brew.

Todos eles, com excepção de Gonsalves, que permaneceu solteiro - casaram com mulheres aborígenes.

Jean Barman publicou igualmente "Stanley Park’s Secret", uma obra mais abrangente que recorda também as famílias esquecidas do Rancho kanaka, Brockton Point e Whoi Whoi.

Curiosidades sobre Joe Silvey

Silvey, que nasceu na pequena Ilha do Pico, na cidade de Calheta de Nesquim, empregou-se num navio americano aos 12 anos de idade e, eventualmente abandonou a tripulação e se estabeleceu nesta província – e 158 anos após o início da sua aventura na costa do Canadá, há mais do que 1.000 dos seus descendentes espalhados por esta província.

Joe adquiriu uma propriedade em Stanley Park, estabeleceu um negócio de pescaria, construiu o seu primeiro barco e iniciou a indústria de pesca com redes – usando a sua experiência lusitana.

Documentário

Alguns sorriram admirados… outros choraram. Foi uma experiência emocionante para todos,” assim descreveu o produtor Bill Moniz em entrevista à Voz Lusitana, referindo-se à reacção dos descendentes de Joe Silvey, quando viram o documentário “Portuguese Joe” no mês de maio de 2008.

Uma vêz cada ano os descendentes de Joe Silvey se reunem no pequeno cemitério em Reid Island, o único pedaço de terra da ilha que ainda é de propriedade do saudoso português, com o propósito de honrar a sua memória. Bill Moniz capturou em filme a emoção do momento.

Fontes / Mais informações: Straight.com / Fernando Cândido / Imdb / Lusos na diáspora / Cunnusreborn / Eduardo B. Pinto / Voz lusitana

terça-feira, 9 de novembro de 2010

John Enos, um Português no Faroeste

João Ignácio d’Oliveira nasceu a 28 de Fevereiro de 1838 na freguesia de Santo Antão, na ponta Leste da ilha de São Jorge, nos Açores.

João Ignácio terá emigrado como marinheiro de um navio de caça à baleia, como acontecia com tantos outros. Nos anos 60 já se encontra no rio Columbia, no extremo Noroeste americano, a trabalhar num barco a vapor, com o nome de John Enos – nome que resulta da evolução Ignacius-Ignácio-Inácio-Enos, explicam os etimólogos.

É nessa altura que começa a comprar gado, e em 1870 já está em Yakima, a oeste do rio, no seu primeiro rancho. Pouco depois atravessa a água e estabelece-se em Cannaway Creek, no então Lincoln County (...) imediatamente antes de se juntar ao Snake e rumar ao Pacífico – o chamado "Big Bend" (Terra da Grande Volta), uma planície "ondulante, desértica e semi-árida", como explica William S. Lewis em "The Story of Early Days in The Big Bend Country", de 1926.

E é a partir daí, nas terras livres da exploração open-range (terrenos do estado, de utilização gratuita), que construirá o seu império.


Mito do Portegee Joe

(…) O seu rancho, dizia-se, estava assombrado. Enos, como enumerou Kenneth Kallenberger em Saga Of Portegee Joe, gerava todos os mitos: envenenara três índios, enterrando-os no rancho junto com dois cowboys, enforcara um chinês, matara um jovem ladrão de cavalos, tinha cinco golpes na pistola, roubava cavalos e trazia-os para o rancho de noite, fugira da justiça no Leste da América, chicoteava os seus funcionários...

Muitas mães repreendiam as crianças com a ameaça: "Se não de comportares, Portegee Joe vai apanhar-te!" Mas, nos relatos dos que o conheceram, compilados mais tarde pelos jornais e pelos historiadores, Enos era precisamente o contrário: um homem afável e bondoso, embora irascível em determinados momentos.


Visionário

John Enos era um visionário para a época, e essa é outra das características mais extraordinárias da sua história. No seu rancho de Cannaway Creek, criou um inovador sistema de rega, plantou um pomar que proporcionava maçãs aos funcionários, construiu uma casa em cima de uma fonte para usar a sua refrigeração, escavou uma adega atrás de uma colina e semeou árvores altas alinhadas, para proteger tudo contra o vento.

"Todos os seus projectos eram bem pensados e executados", diz o escritor B. J. Lyons no artigo "Thrills and Spills of a Cowboy Rancher". Os invernos desastrosos de 1880, 1881, 1889 e 1890 não o impediram de progredir. O grande terramoto de 1872 foi quase um 'fait-divers'. Confrontado com a crise da economia, Enos chegou a ir a Chicago de comboio, com gado vivo na bagagem, para escoar o produto.

Quando lhe faltou o dinheiro, pediu emprestado sem problemas. Improvisou sempre – e, a cada contrariedade, reergueu-se invariavelmente. Em 1888 já tinha terras (22 mil hectares) e gado (mais de mil cabeças) no valor de vinte mil dólares. Tornou-se no segundo homem mais rico do condado de Lincoln.

Foi essa mesma visão estratégica que lhe permitiu, com o aproximar do novo século, antecipar-se ao desfecho inevitável da História: o fim da época gloriosa da criação de gado, substituída gradualmente pela agricultura. "Portuguese Joe" enceta aquilo que viria a constituir uma mudança radical na sua actividade: a passagem de cowboy a industrial hoteleiro e, mais tarde, a banqueiro.

Fontes/Mais informações: Joel Neto (Grande Reportagem) / Silvia Caneco (i) / Ipsilon (Público)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

John "Portugee” Phillips, Herói de fronteira do Wyoming

John Phillips – também conhecido por Portuguese Phillips ou ainda, de acordo com a oralidade da época, Portugee Phillips – nasceu no lugar de Terras, Lajes do Pico, a 28 de Abril de 1832, com o nome de Manuel Filipe Cardoso. (…)

No livro "The John ‘Portugee’ Phillips Legends", o investigador norte-americano Robert A. Murray dá uma ideia da dimensão a que chegou a sua "canonização pagã": "À medida em que o processo de ficcionalização continuou, Phillips transcendeu o carácter de pioneiro determinado e atingiu a mesma categoria mítica, impossível, a que os escritores guindaram Daniel Boone, David Crockett, Kit Carson ou muitas outras figuras da fronteira."

Batalha de Fetterman (21.12.1866)

John Phillips, um simples guia ao serviço do exército sedeado no recém-estabelecido Fort Phil Kearny, no então Território do Dakota (hoje no Nebraska), realizou um único grande feito na vida, mas foi o suficiente para a sua lenda durar até aos dias de hoje.

Ainda hoje não se sabe com total precisão o que é realidade e o que é mito. Mas, de noite, sob um forte nevão e perante temperaturas abaixo de zero, Phillips terá cavalgado na companhia de Daniel Dixon cerca de 190 milhas (300 quilómetros) ao longo do Trilho de Bozeman até Horseshoe Station, aí chegando na manhã de Natal.

Expediu um telegrama para Fort Laramie, em Horse Creek (Wyoming), a pedir ajuda, e, como se não bastasse, descansou algumas horas e dirigiu-se ele próprio para o forte, ao longo de mais 40 milhas (65 quilómetros), para certificar-se que era enviado socorro para o Fort Phil Kearny. Com isso, salvou a vida de mais de 90 pessoas. O seu cavalo, hoje mítico, chamava-se Dandy.



Imagem: "Phillips Ride" de Phoebe Blair

Século XX

Nos anos 60 do século XX, a empresa de cereais Kellog’s deu-lhe um espaço de destaque numa caixa de corn flakes, a meio de uma série dedicada aos doze maiores pioneiros do faroeste americano (Men Of The Wild West), entre os quais Daniel Boone, Kit Carson, Buffalo Bill Cody ou Pat Garrett.

Este momento representou o apogeu da fama do pioneiro açoriano. Pouco antes havia-se registado o lançamento do livro "Portugee Phillips and the Fighting Sioux", além de vários artigos em revistas de cunho popular. Contudo a fama de John Phillips não foi sempre tão generalizada.

Ao contrário do que imaginavam alguns escritores, o picoense morreu em relativo anonimato, para só décadas depois ser canonizado como herói da fronteira. Hoje em dia, em muitas cidades dos Estados Unidos, há monumentos, memoriais e exposições dedicadas a John Phillips.

Fontes/Mais informações: Joel Neto (Grande Reportagem) / Phil Kearny / Donald Warrin / Portuguese times

terça-feira, 2 de novembro de 2010

"Os Portugueses no Faroeste: Terra a Perder de Vista" de Donald Warrin e Geoffrey L. Gomes (2001)

No fim do século XIX havia 22.474 cidadãos lusos na zona Nordeste dos Estados Unidos, dos quais mais de 90 por cento residentes no Massachusetts e no Rhode Island. "Land As Far As the Eye Can See", de Donald Warrin e Geoffrey L. Gomes, chega a Estados nunca antes considerados, entre os quais o Nevada, o Oregon, o Wyoming, o Arizona, o Idaho ou o New Mexico.

Trabalho de detective

"Foi um trabalho de detective. Já se escreveu muito sobre a imigração portuguesa da Califórnia e da Nova Inglaterra, mas nunca se tinha escrito nada sobre os portugueses que se fixaram no Velho Oeste, muito provavelmente por terem sido poucos.

Nas pequenas comunidades onde viveram, as pessoas conhecem essas histórias, mas não são do domínio comum". É por isso que há chineses e italianos nos "westerns" mas nós nunca estamos lá, apesar de termos chegado "a ser representativos" na construção do caminho-de-ferro transcontinental.

Espírito aventureiro

"Os portugueses tinham um espírito aventureiro que outros imigrantes nunca demonstraram: estiveram em sítios onde a maioria tinha medo de ir, e estiveram lá muito precocemente e não muito acompanhados.

Acho que adquiriram essa coragem a bordo dos baleeiros: quando chegavam à América já tinham estado no Pacífico Sul, já tinham encontrado pessoas de raças completamente diferentes e, por isso, na Califórnia eram dos menos relutantes a seguir em frente, em direcção ao interior.

Não tinham medo dos nativos americanos, nem dos perigos da fronteira, mesmo quando estavam sozinhos nesse ambiente inóspito. Encontrei comunidades do Velho Oeste onde nunca houve mais do que quatro ou cinco portugueses e mesmo assim pude escrever sobre eles, porque fizeram um nome."


Ruralidade

"Um dos aspectos mais singulares da imigração portuguesa é a sua tendência para ser muito rural e portanto muito isolacionista, sobretudo na região californiana de San Joaquin Valley.

As pessoas viviam em ranchos que eram como pequenas ilhas e tendiam a não socializar ou a socializar com outros portugueses, sobretudo com os que vinham da mesma ilha.

Há uma explicação para isso, que tem a ver com o individualismo destes imigrantes: eles sabiam que só se sairiam bem como agricultores ou criadores de gado, porque a cidade exigia deles uma educação que não tinham.

Sobreviveram porque economicamente eram independentes - tinham as suas terras, os seus negócios - e porque eram extraordinariamente poupados".

Outras actividades

Além de agricultores e criadores de gado, os portugueses do Oeste também foram barbeiros (sobretudo nas cidades mineiras do Nevada), cocheiros, condutores de diligências, operários ferroviários e dramaturgos (Tom de Freitas foi o primeiro cidadão do Idaho a publicar uma peça de teatro).

Tiveram carrinhas de distribuição de leite (como Joseph Oliver, que entre 1876 e 1913 distribuiu pessoalmente a sua produção, 365 dias por ano), hotéis e "saloons".


"Portuguese Joe" na ficção literária

Há um pescador nascido na ilha do Corvo no mítico "Moby Dick", de Herman Melville, mas o "Portuguese Joe" (cozinheiro do sr. Keane) de "Nos Mares do Sul" (Robert Louis Stevenson, 1850-1894), um dos clássicos do Romantismo escocês e anglo-saxónico, é o protótipo dos marinheiros migrantes portugueses do século XIX.

Como uma série de açorianos daquele tempo, também ele parece ter deixado as ilhas a bordo dos grandes navios pesqueiros, à procura de uma vida melhor. Como quase todos aqueles, também ele se chamava “Joe” – abundavam entre as classes sociais mais modestas nomes como José, João, Joaquim ou Jorge.

Fontes/Mais informações: Joel Neto (Grande Reportagem) / Inês Nadais (Ipsilon/Público, pág. 26) / Jornada online / Mundo Português

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Os Portugueses e a Formação da América

Portugal construiu desde cedo uma das mais altas taxas de migração da Europa, e os primeiros portugueses a chegarem à América parecem ter sido judeus fugidos à Inquisição – em "Os Portugueses e a Formação da América" (2001), Manuel Mira defende a tese do pioneirismo dos melungos, uma aparente mistura de etnias que se terá formado em Portugal e começou a chegar à América ainda no século XV, instalando-se nos Estados à volta dos Montes Apalaches.

Mas só mais tarde, com a indústria da caça à baleia, se estabeleceram padrões de emigração. No século XIX a maioria dos imigrantes, quase todos agricultores ou pescadores, não vinha do Continente mas dos arquipélagos da Madeira, de Cabo Verde e (sobretudo) dos Açores, que ficavam no limite das rotas efectuadas pelos navios baleeiros, fundeados à procura de provisões e novos tripulantes – muitos navios apenas chegavam a meio do Atlântico, tornando o fenómeno ainda mais evidente nas ilhas ocidentais dos Açores: Corvo, Flores, Faial, Pico e São Jorge.

Noventa e nove por cento da imigração portuguesa na América vinha das ilhas, dizem alguns compêndios – e, se isso é um exagero, o facto é que a Califórnia é muitas vezes chamada “a décima ilha dos Açores”.

Influência portuguesa nos EUA

A obra, com 424 paginas, 119 ilustrações e mais de 700 nomes e suas origens, mostra a presença e a influência portuguesa nos E.U.A. nas mais variadas áreas como o folclore, a gastronomia ou mesmo a Língua, levando o leitor a mergulhar por vezes num baú de inéditos e de histórias só agora vindas a lume.

Um desses exemplos relatados no livro revela a existência de, pelo menos, 38 palavras inglesas derivadas da Língua Portuguesa como é o caso dos vocábulos firm (firma), typhoon (tufão) ou tank (tanque).

Também na área da gastronomia, o autor foi desencantar algumas das comidas mais populares do sudoeste dos EUA e que fazem parte dos hábitos alimentares dos portugueses, descobrindo que uma cadeia de restaurantes na Carolina do Norte serve nabiças com presunto e salada de feijão frade, dois pratos tipicamente lusitanos.

Fontes/Mais informações: Joel Neto / Portugallie.blog / Amazon

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Alma açoreana em "Passionada" de Dan Ireland (2003)


"Passionada" é uma comédia romântica, realizada por Dan Ireland, cujo título resulta das palavras "Passion" e "Apaixonada".

A história envolve 3 gerações de mulheres de origem açoreana na comunidade pesqueira de New Bedford, Massachusetts (nos Estados Unidos da América).

A personagem principal é Celia Amonte (interpretada pela actriz Sofia Milos, de ascendência grega e italiana), uma luso-norte-americana, que está há anos de luto pela morte acidental do marido pescador.

Apesar de ser bela e jovem, ela resignou-se a trabalhar numa tecelagem, a cuidar da sogra idosa, Angelica, e da sua filha adolescente, a rebelde Vicky (Emmy Rossum).

Celia canta fado num restaurante aos fins-de-semana, encontrando na música o consolo para o sofrimento pela morte do marido.

A filha tenta encontrar-lhe um novo amor. Um "encontro às escuras" com um jogador de poker falido, Charles Beck (Jason Isaacs), é o começo de um novo romance.


Os principais aspectos que condimentam a história de "Passionada" são o fado, a culinária e o modo de vida da comunidade açoriana em particular e da cultura portuguesa.

Durante o filme, Sofia Milos faz play-black da voz da fadista Mísia, que participa na banda sonora com temas do seu CD "Paixões Diagonais".

A melancolia do fado e os recantos da velha cidade baleeira da costa Leste dos Estados Unidos são também aspectos retratados em "Passionada".

Fontes/Mais informações: Rosa Carvalho (adaptado) / Página Oficial de Sofia Milos / Diário Insular



Extracto de artigo do Portuguese Times

Outro bom indicativo [do crescente sucesso do Fado nos E.U.A.] foi o filme "Passionada" (2002), comédia romântica sobre uma viúva portuguesa que canta o fado num restaurante de New Bedford.

Video: Youtube

Imagens legendadas: C4pt0m3nt3

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Alfred Lewis (1902-1977), fundador do romance luso-americano

Romancista, contista, poeta e dramaturgo, Alfred Lewis, nascido Alfredo Luís, em 1902, na ilha das Flores, emigrou para os Estados Unidos aos 19 anos de idade, em 1922, nos últimos anos da segunda onda de emigração portuguesa para aquele país.

Lewis era filho de baleeiro, imigrante pertencente à primeira onda ligada à indústria baleeira americana, cujos grandes barcos faziam escala nos Açores para reabastecimento e recolha de tripulantes.

Se, como profissional, Lewis granjeou um certo êxito (formou-se em Direito e exerceu o cargo de Juiz Municipal), não foi menos o seu triunfo nas letras. Com efeito, Lewis tornou-se o primeiro e único imigrante português a conquistar a atenção do público vasto de língua inglesa.

Ele é autor de contos publicados numa revista literária de prestígio nacional, Prairie Schooner, tendo estes relatos dramáticos, que descrevem uma sociedade multi-racial, composta de mexicanos, portugueses, arménios e anglo-americanos, merecido referência numa antologia de grande renome, The Best American Short Stories, dois anos seguidos, em 1949 e 1950.

O seu maior sucesso editorial foi "Home is an Island" (1951), romance autobiográfico cujo protagonista jovem está prestes a emigrar para a América, descrevendo a vida numa pequena aldeia nos Açores, no princípio do século XX.

Após a sua morte, foi publicado "Sixty Acres and a Barn", romance de formação que conta a história de Luís Sarmento, imigrante açoriano que encontra na América um espaço de tolerância, prosperidade e realização amorosa.

Fontes: RTP (comunidades), Irene Maria F. Blayer (adaptado) / O jornal / Filipa Reis

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

"Senhora dos Açores" de Romana Pietri (2002)

Romana Petri nasceu em Roma, onde vive. Considerada uma das vozes mais representativas da actual escrita italiana, inicia a sua carreira literária em 1990 com "Il gambero blu e altri racconti" (prémio Rapallo e prémio Mondello opera prima).

Entre as suas obras mais aclamadas destacam-se "Alle Case Venie" («Uma guerra na Umbria – Case Venie», prémio Rapallo-Carige, finalista prémio Strega 1998), "La donna delle Azzorre" («A senhora dos Açores», prémio Grinzane Cavour 2002); e "I padri dgli altri" («Os pais dos outros», prémio Chiara e prémio Città di Bari).

"Sinopse"

Uma viagem de descoberta de um mundo outro, os Açores vistos pelos olhos de uma estrangeira, um périplo poético, um caminho de aprendizagem... A personagem principal, uma italiana, um guia misterioso - João Freitas - minúsculos pedaços de terra por entre um imenso oceano.

Como tudo começou

"Quando comecei a ler livros do Antonio Tabucchi, que sempre escreveu muito sobre Portugal. Ao falar com ele comecei a conhecer muito bem Portugal."

"A primeira vez que cá vim foi em 1990 [a Lisbao], depois fui aos Açores… e voltei muitas vezes. E comecei a ler também os livros traduzidos em Itália" [entretanto comprou uma casa em Lisboa, onde tenta passar todo o tempo possível. E descreve-se como uma italiana “muito aportuguesada”].


Açores

Em 1996, Romana Petri, regressou aos Açores - onde já havia estado duas vezes - com o objectivo de encontrar aquele rasgo de inspiração que lhe permitisse terminar o livro "Dagoberto Babilonio, Un Destino".

Quis, entretanto, o destino que se apaixonasse pelas gentes e costumes da ilha do Pico, abandonasse o seu trabalho e começasse de imediato a pensar noutras estórias.

Em "A Senhora dos Açores" cruzamo-nos com vários personagens (reais), sendo que João de Freitas assume um papel peculiar, talvez porque é a ele que a escritora dedica este livro.

Cenários portugueses

“A Senhora dos Açores” passa-se no Pico e tem outro romance com a ilha das Flores como cenário, “Um baleeiro dos montes” [editado pela Salamandra em Portugal].

Em “Uma Guerra na Úmbria” há uma passagem em que Alcina ouve de um companheiro de armas a letra do fado “Perseguição”.

Mais recentemente, "Regresso à ilha", apenas lançado em Portugal, retoma os lugares e gentes de "A senhora dos Açores":

Fontes: Cavalo de Ferro / Correio da Manhã (Sofia Rato) / Mundo a tinta da china

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Tyler Bowe, um actor luso-americano em "Murphy Brown" e "The West Wing"


Victor Nuno Botelho nasceu em Ponta Delgada, tendo emigrado aos dez anos para Fall River nos Estados Unidos da América.

Quando Victor teve de escolher um nome para a carreira lembrou-se de um miúdo que conhecera de nome Tyler, enquanto que Bowe vem do apelido Botelho.

Formou, com um grupo de amigos, aquele que viria a ser o seu primeiro conjunto musical, The Moderns. Seguiram-se mais dois. "Foram quatro anos a cantar e a tocar em toda a Nova Inglaterra", lembra.


Interpretou durante 6 anos (1989-1995) o papel de Dave na série Murphy Brown [aparecendo, no entanto, apenas creditado num episódio].

Era aquele rapaz "loiro" sempre bem vestido, de fatiota a condizer, a quem Candice Bergen descarregava a sua fúria semana após semana.


Até à data, trabalhou como actor em cerca de 30 películas e séries televisivas.

Numa dessas séries, Tyler pôde até falar português. Foi em "The West Wing" ("Os Homens do Presidente"), com Martin Sheen e Rob Lowe à frente do elenco. O enredo girava à volta dos bastidores da Casa Branca, e a dada altura fazia falta alguém que falasse o idioma de Camões.

"Nunca até ali tinha tido a oportunidade de interpretar o papel de uma personagem que falasse a minha língua", diz o actor com orgulho.

 

Tyler fez o papel de cozinheiro, o senhor Gomes, e praticou a saudosa língua portuguesa graças à visita fictícia do presidente da Indonésia à poderosa Casa Branca.

Ora o que a Warner Brothers não sabia era que na Indonésia se fala tudo menos português. "E não foi possível convencê-los do contrário, pelo que interpretei o papel que me colocaram nas mãos", lembra com um sorriso divertido.

Fontes: DN / IMDb / captomente

Tyler fazia o papel de Gomez um ajudante de cozinha que falava Batak e Português, mas não falava inglês. Minardi, o intérprete do Departamento de Estado, teria que falar em Português para Gomez para que este traduzisse para Batak (que é um dos idiomas da Indonésia).

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Justin Louis, actor luso-canadiano

Justin Louis, de seu nome Luís Ferreira, nasceu em Caminho d'Além, freguesia da Terra Chã, Ilha Terceira, no dia 20 de Fevereiro de 1966, tendo emigrado para o Canadá em 1971, quando contava apenas quatro anos de idade.

Protagonizou, em 1991 e 1992, a série canadiana "Urban Angel", onde interpretou o papel de Victor Torres, e no ano seguinte filmou em Itália a série "Vendetta II".

Desiludido com a falta de trabalho no Canadá, decidiu partir para L.A., participando em séries como "Public Morals" (1996),"The fighting Fitzgeralds" (2001), "Hidden hills" (2002-2003), "1-800-Missing" (2004-2006), "Durham County" (2007) e, mais recentemente, "Stargate Universe" (2009).

Participou igualmente em diversos filmes - como por exemplo "Naked Lunch" (1991), Savage Messiah (2002), "Dawn of the Dead" (2004) e "The Lazarus Child" (2004)- e em episódios de séries conceituadas como "ER" (2000), "24" (2003), "CSI" (2005) e "CSI Miami" (2006).

Obteve os prémios de interpretação "Acting Award", pelo filme "Fallen arches" (em 1998), e "Gemini", pela série "Durnham County" (em 2008).

"Hidden hills"


Ligações a Portugal

Apenas com oito anos de idade, e durante as suas férias, já trabalhava nas mercearias portuguesas, em Toronto, e nos campos na colheita dos tomates, ao lado de seu pai.

Fala correctamente português pelo facto de sempre ter mantido uma boa e constante relação com a sua Mãe e restante família, e também devido ao facto de que sempre que encontra alguém que fale Português reacender no seu coração a chama ardente de sentir-se Português.

Adora fazer compras no "Kensington Market" e encontrar por ali alguém que fale Português e também produtos de Portugal.

Voltou a afirmar que se sente muito feliz por estar de regresso ao seio da Comunidade Portuguesa, e muito especialmente por ser Português, porque ser Português é ser-se apaixonado pela vida...!.

Em entrevista ao jornal Portuguese Times, Luís Ferreira confessou, recentemente, que "adorava representar o papel de um português ou participar num filme em Portugal".

Esperando servir de exemplo a outros jovens de origem portuguesa, o actor pondera agora a possibilidade de assumir o seu nome de origem em detrimento do nome artístico Justin Louis.

Fontes: Jornal diário / Avelino Teixeira / Imdb

quarta-feira, 15 de julho de 2009

John Philip de Sousa, compositor e maestro (1854-1932)

Entre os cidadãos americanos de origem lusa, nenhum terá, decerto, granjeado tanta popularidade como John Philip de Sousa, que chegou, com inteira justiça, a ser considerado o músico mais famoso do seu tempo.

Nascido em Washington, a 6 de Novembro de 1854, John Philip de Sousa era filho do português António Sousa e de uma austríaca, Marie Elisabeth Trinkaus.

António era natural de Sevilha, onde os seus pais, João António de Sousa e Josefina Branco (que algumas fontes referem serem originários dos Açores), se terão refugiado (por motivos políticos?) durante a Guerra Peninsular.

Sem dúvida influenciado pelo pai, músico virtuoso e muito apreciado, desde cedo, aos seis anos, o pequeno John se dedicou ao estudo da música, com especial incidência no violino (a sua primeira paixão) e na actividade de composição.

Cultivando a marcha com grande mestria (chegaria a compor mais de 100!), confere-lhe uma nova vitalidade rítmica e melódica. Assim, composições como “Semper Fidelis”, que virá a ser adoptada como hino do US Marine Corps, “Hands Across the Sea” e “The Liberty Bell” tornar-se-ão mundialmente famosas e valer-lhe-ão o título de “Rei das Marchas”. E é justamente uma marcha sua, a “Washington Post”, que em 1890 é adoptada como padrão para a dança Two Step, que, na altura, faz furor nos dois lados do Atlântico.

Mas não era só nas marchas que o seu génio musical se manifestava. A opereta foi outra das suas preferências, tendo quatro das que compôs (“El Capitan”, “The Charlatan”, “The Bride Elect” e “Chris and the Wonderful Lamp”) sido produzidas na Broadway, com a primeira, “El Capitan”, a ver a sua estreia em 1895.

John Philip de Sousa é igualmente reconhecido por ter idealizado e dado nome ao Sousafone.


Outra faceta da sua polivalência artística manifestou-se na escrita, com sete livros publicados, entre os quais uma autobiografia, um manual sobre a condução de orquestras e algumas obras de ficção, como “Pipetown Sandy”, relato das aventuras de um rapaz em Washington no período da Guerra Civil (provavelmente recuperando algumas memórias da própria infância), e a novela “The Fifth String” um conto faustiano de um jovem que vende a própria alma para poder comprar um violino e captar a atenção da sua amada.

Escreveu também poesia (foi autor das letras da maior parte das suas canções) e vários artigos de jornal sobre os temas que apaixonadamente defendia.

Em 1896 o seu fervor patriótico era vertido na sua marcha mais famosa, “Stars and Stripes Forever”, que em 1897 seria adoptada pelo Congresso Americano como a marcha nacional dos Estados Unidos. Ainda hoje o nome de John Philip de Sousa é, automaticamente, associado àquela composição.

A influência musical de John Philip de Sousa faz-se sentir muitos anos passados sobre a sua morte, sendo as suas marchas frequentemente tocadas em concertos, eventos desportivos e em cerimónias militares ou civis (na verdade, algumas delas já ganharam um carácter marcadamente “civilista”).

Fonte: Marinha (adaptado)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Joe Raposo, músico (1937-1989),

Joe Raposo nasceu em Fall River, em 1937 e faleceu ainda novo, em Nova Iorque, em 1989.

Foi director musical dos famosos programas "Sesame Street" ("Rua Sésamo"), Muppets ("Marretas") e outras produções de Jim Henson e escreveu canções de sucesso como "Bein’Green", "Sing" e "Something Come and Play", cantadas por Frank Sinatra, The Carpenters, Barbra Streisand, Ray Charles e outros.

Joe Raposo chamava-se na realidade Joseph Guilherme Raposo e era filho de José Raposo, professor de música e regente da Banda de Santo Cristo, natural dos Arrifes, S. Miguel.

Em 2004 foi publicado o livro "A Boy and his Music" da autoria de Odete Amarelo e Gilda Arruda, com ilustrações de Josette Fernandes, que é a biografia de Joe Raposo contada às crianças em português e inglês.

Fontes: Portuguese Times (Eurico Mendes), Muppet.wikia, Muppet central

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Blake e Mortimer descobrem nos Açores a civilização perdida da Atlântida

"O Enigma da Atlantida" ("L'Énigme de l'Atlantide") começou a sair na revista Tintin na Bélgica em Outubro de 1955 e teve a sua versão em álbum em 1957.

Trata-se de uma "space opera" que ao mesmo tempo o não é, visto Jacobs, maniaco da perfeição como era, ter avolumado enormes quantidades de documentação, estudos e investigações (feitas por ele em boa parte!) e mesmo tendo feito uma visita à ilha de São Miguel para se documentar "in loco", como era da sua preferência.

Sobre essa visita, abro uma questão: Jacobs terá dito a Vasco Granja, numa célebre entrevista que este lhe fez, que efectuou esta viagem. Ora há muitos livros que estudam a sua biografia e a sua intensa obra, e nenhum deles faz a menor menção a essa visita do autor aos Açores, ao contrário de outras viagens que efectuou, bem documentadas nessas obras...

Fica assim, julgo eu, esta viagem como que numa aura de neblina, bem ao gosto do artista em questão.

Sinopse

O professor Philip Mortimer foi passar algumas semanas de férias na encantadora Ilha de São Miguel, nos Açores, local considerado como um dos cumes imersos da Atlântida, o misterioso continente desaparecido...

Ao explorar uma gruta, o professor Mortimer encontra um metal desconhecido com surpreendentes propriedades radioactivas e luminescentes.

Lembra-se imediatamente do orialco, o misterioso metal que, na narrativa de Platão, os atlantes consideravam tão precioso como o ouro (...)

Inicia-se uma descida às entranhas da Terra, onde Black e Mortimer vão viver uma extraordinária aventura.

Encontram os habitantes do continente perdido da Atlântida e arriscam a vida para salvaguardar a paz no império atlante antes de regressarem ao nosso mundo.

Fontes: Risco-contínuo, bede.blogdrive, janelaweb, bdsempre

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

"Saudade" de Katherine Vaz (1994)


"Saudade" é o primeiro romance, publicado aos 30 anos, por esta escritora de ascendência portuguesa, natural da Califórnia, a quem agrada o epíteto de "prima americana" das nossas letras.

O livro é centrado na história de uma família dos Açores, contada ao longo de duas gerações. Clara, a personagem principal, surda-muda, emigra para a América, após a morte da mãe. Aí recuperará a voz, mas a sua vida conhecerá momentos de grande violência, física e psicológica.

Uma narrativa "fantástica", entre o assombro e o fascínio, num jogo de múltiplas realidades, onde se enquadram tradições e lendas portuguesas.

Sobre "Saudade", Vamberto Freitas escreveu que se trata de "uma narrativa que provavelmente irá tornar-se paradigmática entre esta geração de escritores lusófonos residentes ou naturais de países fora da nossa tradição linguística e estética":

Para Vamberto, "Saudade" é "um romance profundamente americano mas que já está a ser ensinado nalgumas das nossas universidades como talvez sendo um dos primeiros exemplos duma nova ou outra literatura portuguesa sem fronteiras e sem complexos europeus, um romance da Diáspora portuguesa (e mundial) da segunda metade deste século”. [século XX]

Fontes: webboom, adiaspora

Outros livros

Na obra de Katherine Vaz é igualmente de destacar o romance "Mariana" (1997), baseado na história de Mariana Alcoforado, e dois livros de contos "Fado and other Portuguese Stories" (1997)e "Lady of the Artichokes and Other Portuguese-American Stories" (2008).

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

"Saudades de Rock" dos Extreme (2008)


Em entrevista ao Cotonete, Nuno Bettencourt referiu que «sendo português, "saudades" sempre foi uma palavra especial para mim».

Bettencourt confessou, ainda que «quando regressámos a estúdio percebi que tinha saudades disto (...) e nos últimos dez anos os fãs sempre disseram que sentiam saudades nossas (...) então apresentei o título, mas achei que os rapazes não iriam gostar por ser uma língua diferente, mas eles gostaram».