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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Lisboa como centro privilegiado de espionagem



A fama de Lisboa como centro privilegiado de espionagem durante a segunda guerra mundial alimentou muitas mentes de escritores.

Um deles foi Graham Greene. Durante este período, encontrava-se de serviço em Lisboa, responsável por detectar casos de espionagem ou de agentes duplos na intricada teia que existia nessa altura.

Depois da guerra, utilizou essa experiência para escrever um romance de grande sucesso. Simplesmente, para o tornar mais apelativo, alterou o cenário de Lisboa para Havana. “O Nosso Agente em Havana” (1958) passa-se na ilha de Fidel Castro, mas tem um inconfundível cheiro a Portugal.

O protagonista Wormold foi inspirado em Paul Fidrmuc (conhecido por "Ostro") e Juan Pujol Garcia, ou "Garbo" (como ficou famoso), ambos espiões a actuarem em Lisboa no período de 1943-44.

Greene começou a escrever o livro em 1946 (o que inicialmente seria um argumento para um filme), localizando a acção na Estónia em 1938. Mas já na década de 50, optou por situar o livro em Havana, em plena guerra fria.


Foi mais ou menos a mesma situação que se passou com Ian Fleming. Depois de uma ida ao Casino Estoril, em que o britânico se cruzou com dois espiões alemães, surgiu a ideia de uma personagem ligada ao mundo da espionagem. Juntou-se o Casino à receita e nascia “Casino Royale” a primeira aventura do mítico James Bond, nome de código 007, licença para matar.

O título refere-se a um casino situado em França, na cidade fictícia de Royale les eaux. Mas na adaptação ao cinema localizaram o casino na antiga república jugoslava da Macedónia.

Fontes: Filipe d’Avillez, Revista “Os Meus Livros” (adaptado) / Paul Buck ("Lisbon - a Cultural and Literary Companion") / wikipedia / Sophie Edgerton

Curiosidade

 Existe uma referência a "Avril au Portugal" (que foi publicado no período pós-guerra) no livro "Diamonds are Forever" de Ian Fleming.


 Fonte: CommanderBond.net

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

As aventuras de OSS 117 em Portugal


Jean Bruce, pseudónimo de Jean Brochet, nascido em 1921, foi um popular escritor francês de romances de espionagem. Em 1949 criou uma personagem que haveria de se tornar célebre, um agente de nome Hubert Bonisseur de la Bath, mais conhecido por OSS 117.

Escreveu 75 romances com este protagonista e morreu a 27 de Março de 1963, em Paris, num acidente de automóvel.

Após a sua morte, a personagem não desapareceu. A sua mulher, Josette Bruce, agarrou no agente e escreveu mais 143 romances com OSS 117 como figura principal, entre 1966 e 1985.


Entre 1971 e 1972, Josette publica 3 livros com ligação a Portugal: "OSS 117 aime les Portugaises” (de 1971), “Balade en Angola” (de 1972) e “Maldonne à Lisbonne” (também de 1972).

Em 1987, os filhos de Jean Bruce, François Bruce e Martine Bruce retomam em mão o negócio familiar e acrescentam mais 24 títulos à personagem. 252 romances com base numa figura é coisa de que poucas se podem gabar.


"OSS 117 aime les Portugaises” (em português: "O amor dos portugueses")

O encontro entre agentes duplos não é uma tarefa fácil.

OSS 117 utiliza toda a sua experiência na sua chegada a Lisboa.

Aparentemente era uma missão muito tranquila, mas uma equipa de assassinos tenta eliminá-lo.

E uma jovem ingénua tenta drogá-lo antes de saltar para a sua cama.

As noites são frias em dezembro, mas das meninas não se pode dizer o mesmo.


"Maldonne à Lisbonne" (em inglês "Misdeal In Lisbon") 

Com poucos dias de intervalo são assinados dois agentes "permanentes" da CIA em Lisboa.

O agente OSS 117 terá que envidar todos os esforços para parar com este massacre e encontrar as causas e autores destes crimes.


"Balade en Angola" ("Balada de Angola" em português) 

Várias granadas, assim como um bornal de munição, estavam penduradas em seu cinto. Segurava um fuzil, de assalto Kalashnikov AK 47 de carregador curvo. Chamava-se Amérigo Kassinga. Seus homens apelidaram-no: O Tigre.

 Fontes: Doublesection / Spyguysandgals / Lauro António apresenta / Livrenpoche (1) (2) (3) / Thrillermagazine

"Maldonne à Lisbonne" de Pierre Genéve 

 Um outro autor, Pierre Genéve (pseudónimo do escritor monegasco Marc Schweitzer), publicou em 1965, na editora Les Presses Noires, o seu livro "Maldonne à Lisbonne", homónimo ao publicado por Josette Bruce em 1972.

sábado, 15 de dezembro de 2012

“Fim de Semana com a morte” de Julio Coll (Notícia da Emissora Nacional) (1966)


“Fim de Semana com a morte” ("Comando de asesinos" em Espanha ou "High season for spies" nos E.U.A.) assinala a estreia como produtor de António Vilar, o nosso actor mais internacional. É uma co-produção com a Espanha e a Alemanha, em que intervém técnicos e artistas dos três países, sob a direcção do realizador espanhol Julio Coll.

Baseia-se o filme numa obra do autor português Luís Albuquerque, por sinal conhecido pelo pseudónimo Dick Haskins. Além de António Vilar e dos portugueses Artur Semedo, Américo Coimbra e Carlos Teixeira, do elenco desta réplica luso-hispano-alemã aos filmes género James Bond fazem parte os alemães Peter Van Eyck e Kurt Jurgens, a italiana Leticia Roman e os espanhóis Ricardo Rubinstein, Mikaela e Ricardo Valle.  


“Fim de semana com a morte”, que foi quase inteiramente rodado em Portugal, é [era], segundo as intenções do actor-produtor António Vilar, o primeiro passo para um mercado comum cinematográfico com a Espanha, visando um mundo cinematográfico de mais de 300 milhões de espectadores. (…)

A película foi estrada com êxito na Alemanha, já o ano passado, em 42 salas simultaneamente, tendo sido exibida nas 30 principais alemãs e em quase 300 cinemas de província.

Foi igualmente vendido para os Estados Unidos, para exibição numa cadeia de salas de cinema naquele país, o que também acontece pela primeira vez com filmes nacionais.  

Fonte: Museu RTP (adaptado)

Nota: O filme não terá tido um sucesso tão estrondoso, pois António Vilar teve dificuldades no acesso a financiamento nos filmes seguintes 



Opinião do site MI6 community


"High Season for Spies" (1966) is an exception in the season, having been made in Portugal. It's perhaps the film most clearly inspired by the Swinging Sixties Bond movies.

But the sets expose the limited budgets available. Its take on what BBC Television Centre might look like if it were in a small street in Lisbon is an undoubted highlight.

Mais informações: Goethe institut 

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

"O Regresso do Carocha" em "Ein Käfer gibt Vollgas" (1972)


A série de filmes do Super Carocha (Superbug em inglês) era uma "mistura" entre os filmes de 007 (o protagonista chama-se Jimmy Bondi) e do carocha Herbie (aqui o carocha chama-se Du-Du).

Após o sucesso do filme inicial, foi realizada uma sequela localizada em Portugal. Posteriormente foi lançado um terceiro filme (de uma série de 5 filmes) que recuperava parte das gravações do segundo filme (localizado em Portugal).


Com o título de "O Regresso do Carocha" ("Ein Kafer Gibt Vollgas"), o filme foi realizado por Rudolf Zehetgruber, contando com a participação como actor do realizador português Arthur Duarte, que foi igualmente responsável pela produção durante as filmagens em Portugal (nomeadamente no Algarve), e dos actores Joachim Fuchstberger (Plato), Robert Mark (Jimmy Bondi), Heidi Hansen (Tamara) e Katharina Orginski.

Acácio de Almeida foi um dos responsáveis pela direcção de fotografia.

Sinopse:

Plato (Joachim Fuchsberger) encontra-se em Portugal com o Marquês de la Scott (Karl-Otto Alberty) para tentar localizar as chapas de impressão de dinheiro falso, contando com a inesperada colaboração de Jimmy Bondi (Rudolf Zehetgruber) e do seu super carro Dudu.

Fontes: IMDb / cinefacts / kreis archiv

Trailer: movie pilot  



 








quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Intriga em Lisboa com “077 Missão em Lisboa” (1965)



“Misión Lisboa” foi um dos muitos filmes realizados na década de 60 na sequência do sucesso dos filmes de James Bond 007.

Com realização de Federico Aicardi e Tulio Demicheli, o filme foi uma co-produção entre Espanha, Itália e França, contando com um elenco internacional: Brett Halsey, Marilu Tolo, Fernando Rey e Jeanne Valerie.



Sinopse

Um grupo de malfeitores internacional ameça destruir um pequeno país em 30 segundos, sendo contactado George Farrell (Brett Halsey), o agente 077 do título português, para tentar localizar, conjuntamente com a sua colega Terry Brown (Marilu Tolo), um cientista desaparecido.




sexta-feira, 25 de julho de 2008

Ian Fleming no Estoril

Durante os instáveis anos da guerra, Ian Fleming foi uma das individualidades que marcou passagem pelo Estoril, tendo dado entrada no Hotel Palácio a 20 de Maio de 1941, como comprova o boletim de alojamento da PVDE conservada no Arquivo Histórico Municipal de Cascais. Muito se tem comentado sobre a possível inspiração do escritor no ambiente que se vivia no Estoril da época, povoado por misteriosas figuras que circulavam anónimas, em clima conspirativo. Frequentador do Casino Estoril, aí também tomado contacto com o famoso espião jugoslavo Dusko Popov, que, quem sabe, poderá ter servido de ponto de partida para a construção do seu agente duplo 007.

Fonte: Agenda Cultural de Cascais

"Casino Royale" ou "Casino Estoril" ?


(...) o primeiro livro Casino Royale poder[á] ter sido escrito com base numa inspiração que surgiu a Ian Fleming quando em Fevereiro de 1941, passou por Portugal, acompanhando o almirante Godfrey, e visitou o Casino do Estoril. Apesar do ambiente local soturno e sombrio, logo ali se cruzaram duas visões de uma mesma cena: Godfrey contaria que jogaram com um grupo de homens de negócios portugueses e ganharam, Fleming diria que tinham jogado «chemin-de-fer» com o chefe dos serviços secretos alemães em Portugal e que, humilhantemente, teria perdido cinquenta libras. A mesma realidade, mas em Fleming o surgir da ficção, a sua alma criadora a transmigrar-se para Bond, reencarnando-se, como se numa lógica rosacruz, na sua criatura.

Fonte: José António Barreiros em Expresso

Colaboração: 007pt

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O Estoril e a II Guerra Mundial (I)


 

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Estoril asilou reis e príncipes destronados, deu refúgio a judeus perseguidos, acolheu artistas – e aqui tiveram lugar algumas das melhores histórias de espionagem entre os alemães e os aliados.

As notícias da Segunda Guerra Mundial já eram conhecidas no Estoril antes mesmo de saírem nos jornais. Cada batalha entre aliados e alemães era seguida atentamente nesta localidade dos arredores de Lisboa. E cada avanço das tropas era comemorado com champanhe. (...)

As festas com champanhe no Hotel do Parque significavam uma vitória dos alemães – mas se as taças cilintavam no Hotel Palácio era certa que a vitória sorria a ingleses e americanos, recordou António Pinto, recepcionista do Hotel do Parque, numa entrevista ao jornalista norte-americano Howard Whitman, publicada em 1974. (...)


Com a invasão da capital francesa pelas tropas alemães, em 1940, os refugiados demandaram o Sul da Europa em busca da paz e de uma oportunidade para partirem para os Estados Unidos.

Entre 1939 e 1946, passaram pelo Estoril e Cascais mais de 20 mil estrangeiros. A maior parte eram cidadãos anónimos, judeus, como atestam as mais de 50 mil fichas de entrada que ainda hoje constam do arquivo histórico de Cascais. Muitos carregavam nomes e títulos noiliárquicos. Havia ainda um terceiro grupo: os que vinham em busca de informações úteis – os espiões.


(...) Pela recepção do Parque terá passado o jugoslavo Dusko Popov, que se instalou quatro vezes no Palácio, em 1940 e 1941. (...) Popov foi um agente duplo e dos ‘mais duradouros e rentáveis’, na descrição do advogado José António Barreiros, autor do livro “A Lusitânia dos espiões”. (...)

As relações de Popov com o sexo oposto terão inspirado Ian Fleming, o criador do célebre 007, que também esteve no Estoril nessa época e colheu na vida nocturna do Casino inspiração para escrever “Ao serviço de Sua Majestade”.

Fonte: Revista “Conhecer”, nº 2

sábado, 17 de novembro de 2007

James Bond em Portugal (1969)


O filme “Ao Serviço de Sua Majestadade” da série James Bond (007) foi parcialmente rodado em Portugal. “On His Majesty’s Secret Service” (OHMSS) foi o primeiro filme após o abandono de Sean Connery, sendo o agente inglês interpretado pelo australiano George Lazenby.

Apesar de não ter sido dos filmes mais bem sucedidos, aquando da sua estreia, o fim tem vindo a ser reavaliado, sendo considerado actualmente um dos melhores da série.

O filme não seguiu o esquema tradicional da série, nomeadamente porque o herói acaba por se casar com Tracy (protagonizada por Diane Rigg, mais conhecida pela sua interpretação de Miss Emma Peel na série “Os Vingadores).

A acção (do Livro) não decorre em Portugal, mas sim na Suíça, contudo diversas cenas foram rodadas em Portugal:



* Sequência inicial – aquando da tentativa de suicídio de Tracy:

Praia do Guincho

* Pega de touros:

Herdade do Vinho, Zambujal (ou Azambuja)

Duplo: Nuno Salvação Barreto (forcado)



* Cena final na estrada:

Parque Nacional da Arrábida National, Setúbal
Serra da Arrábida, Setúbal

* Outras cenas:

Palácio de Benfica
Casino do Estoril, Estoril, Cascais, Lisboa
Costa do Estoril, Lisboa
Joalharia Ferreira Marques, Rossio, Lisboa
Ponte 25 de Abril, Lisboa
Palácio Hotel, Rua do Parque, Estoril
(hotel onde fica hospedado James Bond)
Rua do Parque, Estoril, Lisboa
Sesimbra



O elenco ficou hospedado no Hotel Palácio Estoril, decorria o ano de 1968 (...) O exterior do Hotel, o Lobby e a piscina, vista dos quartos, são parte integrante de muitas das cenas do filme que foi estreado em 1969. A piscina tinha sido recentemente construída.

No filme é possível ver a entrada do Hotel - fachada exterior e lobby – que se mantém sem alterações significativas e a piscina, enquadrada no jardim, que foi recentemente remodelada, embora mantenha o mesmo desenho.


Participou no filme o então jovem funcionário do Hotel, José Diogo, com 18 anos de idade, que ainda hoje é um dos Chefes de Portaria do Palácio. É possível vê-lo em imagens de “Ao Serviço de Sua Majestade!” entregando a chave do quarto (...).

Quando George Lazenby surge no seu Aston Martin e estaciona à porta do Hotel Palácio é José Afonso que lhe abre a porta do carro. “Foi um filme normal”, relativiza, tendo já perdido a conta às entrevistas que deu sobre esta sua aparição no grande ecrã — mesmo sendo este um dos filmes menos famosos da saga do espião britânico. “Abri a porta, fechei a porta. Não recebi cachet, não me pagaram nada, mas eu também não fazia caso disso. O hotel pagava-me, eu estava ao serviço do hotel”.




Fontes/Mais informações: Hotel Palácio (adaptado) / Observador  / Boletim Municipal de Cascais / Agentlemansjotter 
Video: Reportagem do Canal Cascais  / On the tracks of 007 
Outras imagens: C4pt0m3nt3 / Forum Setúbal / Waymarking
 
José Diogo e José Afonso, dois dos figurantes do Hotel Palácio