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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

"De Degrau em Degrau", um dos maiores sucessos de Jerónimo Bragança e Nóbrega e Sousa


"De Degrau em Degrau", com poema de Jerónimo Bragança e música de Nóbrega e Sousa, foi inicialmente interpretado por Maria de Lourdes Rezende, mas seria Madalena Iglésias a primeira intérprete a gravar o tema no seu primeiro disco, um EP publicado em 1957, que incluía as canções “Talvez”, “Sim ou Não”, “Sou Tua” e “De Degrau em Degrau”.

Maria de Lourdes Resende incluiu "De Degrau em Degrau" no seu EP "Portugal cor de rosa". O tema não foi um clássico instantâneo e inclusive não era a canção principal em ambos os EP. Só em 1965 é que foi gravada a versão de Simone de Oliveira (incluída no seu EP "Sol de Inverno") que se tornou num grande sucesso de Simone de Oliveira e da música portuguesa em geral.



"De Degrau em Degrau" já se tornara um sucesso internacional em 1959, sobretudo em Itália e no Brasil, possivelmente no rescaldo do sucesso de "Vocês Sabem Lá" que foi a canção portuguesa de maior sucesso de 1958.

O cantor italiano Loris Velli, sócio de Raul Solnado no restaurante Sorrento, gravou em 1959 a sua versão de "De Degrau em Degrau", como lado B de "Piove", versão do tema que ganhara o Festival de Sanremo na voz de Domenico Modugno.

Mas maior importância teve, nesse mesmo ano, a adaptação para a língua italiana por Giancarlo Testoni, que foi gravada por Nilla Pizzi, uma das maiores populares cantoras italianas dos anos 50 (que ganhara as edições do Festival de Sanremo de 1951 e 1952) sob o título de “Amore e Odio”.


Foi, no entanto, no Brasil que "De Degrau em Degrau" obteve um maior sucesso, tendo sido inicialmente gravado por Osny Silva em Julho de 1959. E também foi gravado por Cândida Rosa (em 1959), Cauby Peixoto (1960), Sandoval Dias (1960), Gilda Lopes (1963), entre outros.

Sendo igualmente de destacar a versão de Maria José Vilar, fadista portuguesa radicada no Brasil, que deu nome ao seu álbum homónimo, com a participação da Orquestra Caravelle sob direcção de Pereira dos Santos.
 



Em 1960 foi gravada pelos Los Españoles, um grupo vocal e instrumental com origens na Galiza, que, sem perder as suas características hispânicas, possuíam um repertório internacional que lhes permitiu ter algum sucesso, nas décadas de 50 e 60, em diversos países europeus, como França, Holanda, Alemanha e Suécia. No verso do disco é referido que "De Degrau em Degrau", no estilo Bolero-Beguine, é um bolero romântico de Portugal cantado na língua original mas com um ritmo dançável e uma atmosfera latina.

Além de "De Degrau em Degrau", também gravaram versões de "Kanimambo", "Moçambique" e "Fado das Queixas".



"De Degrau em Degrau" também foi adaptada para a língua espanhola, com o título "¿Qué mas te puedo dar?", com letra de C. Murillo, e para a língua francesa, com letra da autoria de Hubert Ithier, com o título de "L'amour qui brûle en moi" que foi gravado pela cantora francesa Marie-Hélène em 1960 (com orquestra dirigida por Hans Werner) e pelo cantor português Rui Mascarenhas (gravada no Canadá com a participação de Jacques Loussier e a sua orquestra).





domingo, 15 de julho de 2018

"Vocês sabem lá ..." e os primórdios da canção moderna portuguesa (1958)



"Vocês Sabem Lá" é uma canção de 1958, com letra de Jerónimo Bragança e música Nóbrega e Sousa, que foi interpretada por Maria de Fátima Bravo aquando da realização do 1.º Festival de Música Portuguesa, no Cinema Império, em Lisboa, no dia 21 de Janeiro de 1958. Nasceu, assim, aquela que alguns consideram ser a primeira canção moderna portuguesa.

Neste Festival, com consagrados compositores como António Melo, Fernando de Carvalho, Frederico Valério, Ferrer Trindade, Belo Marques, Tavares Belo, Alves Coelho Filho e Nóbrega e Sousa, estava estabelecido que não haveria classificação nem prémios. Porém, quando Maria de Fátima Bravo acabou de cantar "Vocês sabem lá", revelou-se um grande êxito e o público levantou-se numa grande ovação.


A canção foi gravada em Portugal por cantores portugueses de renome como Maria de Fátima Bravo, Simone de Oliveira, Tony de Matos, Maria José Valério, Trio Odemira, José Cid, Carlos Quintas, Rita Guerra, entre outros.

E foi igualmente gravada em Portugal por artistas estrangeiros, nomeadamente o cantor italiano Loris Velli, em 1959, e o conjunto espanhol Los Delta em 1961.




Existem também versões no Brasil, Espanha, Itália e Estados Unidos.

No Brasil foi interpretada pela jovem cantora gaúcha Cândida Rosa em 1961, cuja carreira ficou mais restrita ao Rio Grande do Sul  (foi escolhida a "Rainha do Rádio gaúcho em 1956 e "Melhor cantora do Rádio gaúcho" em 1958) que já gravara em 1959 outras canções portuguesas (o fox-canção "Foi Deus", de Alberto Janes, e o fox-slow "De degrau em degrau", de Nóbrega e Sousa e Jerónimo Bragança).

"Vocês sabem lá" foi igualmente incluída no álbum "Aguarela Portuguesa", de 1995, da cantora brasileira Joanna dedicado à reinterpretação de clássicos da música portuguesa, o qual também incluía uma versão de "Vira Virou" da dupla brasileira Kleiton e Kledir, que foi originalmente interpretada por Eugénia de Mello e Castro.


A versão italiana, "Torna a me", com adaptação de Locatelli e Zipi (Bruno Rosetanni), foi gravada em 1959 pelo actor Sílvio Noto em colaboração com o duo Blengio.

Existem igualmente versões por Nilla Pizzi (que gravou "Amore e Odio" versão de "Degrau em Degrau" dos mesmos autores de "Vocês Sabem Lá") e Bruno Rosettani (que era casado com uma das irmãs Blengio).



A cantora italiana Nella Colombo gravou em 1960 a versão em castelhano "Que sabe la gente!" com letra de Mapel em registo slow-rock.


 

A versão em inglês, "I long to be loved", com letra de Carl Sigman, foi lançada como lado B do single "It´s a Lonesome Town" da cantora norte-americana Jeannie Thomas. Ambos os temas tiveram direito a crítica nas prestigiadas revistas norte-americanas Billboard (de 08-02-1960) e Cashbox (de 30-01-1960).

Crítica na revista Billboard
Crítica na revista Cashbox
Existe igualmente uma versão em inglês com letra de Eric Boswell com o título de "The Touch of your hand".

Fontes/Mais informações: "Nóbrega e Sousa: uma vida cheia de música" / Guedelhudos (1)(2) / "Nóbrega e Sousa - Música no Coração" de Nuno Gonçalo da Paula / Blog sobre Nóbrega e Sousa / Os Reis do Vinil / Dicionário Cravo Albin da MPB (Cândida Rosa) (1) (2) / Câmara Municipal de Lisboa

domingo, 15 de abril de 2018

O sucesso internacional de Madalena Iglésias (1959-1972)


Madalena Iglésias nasceu a 24 de outubro de 1939 na freguesia de Santa Catarina, em Lisboa, filha de mãe espanhola (oriunda de Pontevedra na Galiza) e pai português. No ano de 1954 estreia-se em simultâneo na televisão e na Emissora Nacional.

O seu primeiro contrato internacional foi assinado em 1959, tendo actuado em Espanha  no Cabalgata de Fin de Semana, um conhecido programa de Bobby Deglan na Rádio Voz de Madrid. Foram dez espectáculos, tendo participado igualmente em três espectáculos na televisão espanhola (RTVE). E em 1960 foi contratada pela Rádio Barcelona onde actuou ao lado de Jacqueline François e de Tony Dallara.


Vai pela primeira vez a França em 1960 e actua na televisão francesa no programa do cantor Charles Trenet e no programa "Paris Club" apresentado pelo cantor Luís Mariano. Actua igualmente no Marcadet Place e festeja os 21 anos em Paris. E teve direito a fotografia e três colunas no conhecido jornal francês Le Figaro. Voltaria mais tarde à Rádio Televisão Francesa para o programa "Paris de Nuit".

Mas o seu maior sucesso foi na Venezuela, onde actuou sucessivamente entre 1961 e 1972. A primeira actuação que ali realizou em 1961, valeu-lhe um êxito estrondoso e um contrato excelente: 48 actuações. Na Rádio de Caracas actuou em 15 espectáculos incluídos no “show” de Vitor Saume. Outros quinze na “boite” Pasaponga. Dez no “Coney Island” (espectáculos de 1h30 min cada) e mais quatro no Centro Português e no Centro Amigos da Madeira. E ao regressar a Portugal, depois de uma ausência de vários meses, Madalena Iglésias trazia consigo um alto galardão: o “Bolivar de Ouro”.



Em 1962 representou Portugal no Festival de Benidorm, a convite da nossa Emissora Nacional , e voltou à Venezuela, onde não ficou só pelos “shows” de Vitor Saume (actuações de 15 minutos no "El Show de las Doce") e Aldemaro Romero (actuações de 1 hora). Não actuou apenas nas “boîtes” Miranda e Pasapoga. Não ouviu apenas os aplausos do Centro Português. Em digressão pelo Interior, Madalena Iglésias levou o seu nome e a canção nacional a Maracay, Barquisimeto, La Guaira e Valência. E obtém diversos prémios, entre os quais: “18 Caciques de Ouro”, em 1962, e  “Guaicaipuro de Ouro" e 2º "Bolivar de Ouro" em 1963.


Conquistada definitivamente a Venezuela, Madalena iria nos anos seguintes ao Brasil, Colômbia e Panamá. No Rio de Janeiro, em S. Paulo, Belo Horizonte, Recife, Belém do Pará, nos “shows” de Cassio Moniz,  Ronald Golias, Noite de Gala, Elizeth Cardoso, Hebe Camargo (na TV Tupi, onde se cruzou com o cantor português Tristão da Silva), Luís Jatobá, César de Alencar (TV Rio) e Noite Social (na TV Marajoará do Pará). E ainda no programa "Portugal em sua casa" da Rádio Metropolitana e programa "Caravela da Saudade" de Alberto Maria Andrade no canal 2 da TV Cultura.

Obtém o prémio de melhor artista do ano em Belém do Pará (Troféu Carajá e Troféu Imperador, ambos da TV Marajoará) e a “Rosa de Ouro” conquistada no Rio de Janeiro, indo receber em 1963 o prémio atribuído pela TV Continental (Canal 9).



Na Colômbia actua na Rádio TV Caracol, no Grill "La Bamba" e "Boite" "Ás de Copas".

E no Panamá actua no Club Portobelo, num contrato inicial de 7 dias que se prolongará por 3 semanas, e é convidada do Canal 2 e do Canal 4 (no show de Blanquita Amaro). .

Festival de Aranda do Douro

Em 1964 participa no Festival de Aranda del Duero, alcançando o 1º lugar com o tema "Sonha" da autoria de Carlos Canelhas. Este festival era uma extensão do  Festival de Benidorm.

Os promotores deste festival lembraram-se de fazer um concurso luso-castelhano, com canções em ambos os idiomas tendo como justificação o facto de Aranda se situar no Alto Douro espanhol (na Província de Burgos) e o rio atravessar ambos os países.

Visita Angola e Moçambique no ano de 1964, actuando em Moçambique com o Conjunto de Renato SiIva.


E numa co-produção entre RTP e BBC são gravados em Lisboa 13 programas de variedades "Noite de Estrelas" com participação do maestro Edmund Ross.


O ano de 1966 foi um dos mais importantes da carreira da Madalena Iglésias. Vence o Festival RTP da Canção com "Ele e Ela", novamente da autoria de Carlos Canelhas, que alcançou o 13º lugar no Festival da Eurovisão que se realizou no Luxemburgo.

A versão em espanhol, "El y Ella", é editada em Espanha, França e Holanda e é igualmente regravada pela jovem cantora espanhola Marichela.


E nesse mesmo ano é convidada para participar no III Festival de la Canción de Mallorca, em Palma de Maiorca. Neste festival participaram muitos artistas de prestigio internacional como Alberto Cortez, Marty Cossens, Nicola di Bari, Tony Dallara e Massiel, entre outros, num total de 26 canções.


Neste certame Madalena Iglésias representou Espanha com o tema "Vuelo 502" da autoria de Morell e Ceratto, acompanhada por Los 4 de la Torre, que conquistou o prémio Instituto de Cultura Hispânica para a melhor canção hispano-americana e foi editado num EP pela editora Belter.

Los De La Torre eram um grupo de Barcelona que chegou a ser formado por quatro irmãos de apelido De La Torre (inicialmente eram conhecidos como Los 4 de la Torre). O seu maior sucesso foi "Vuelo 502" que ficou em segundo lugar do Festival de Maiorca, mas teve tanto êxito que quase "eclipsou" o tema vencedor do certame.

Actores a fazer playback no programa "Escala em Hi FI"

Ainda em 1966 actua no Festival da Canção do Mediterrâneo, em representação da Espanha, com o tema "Septiembre", tendo-se classificado em 2º lugar.

Em 1967 efectua vários espectáculos no Canadá, com produção de Johnny Lombardi (nomeadamente com a participação do grande cantor italiano Domenico Modugno), e Estados Unidos da América (em cidades como San Diego, San Francisco, Nova Iorque, Newark ou Boston. Em Danbuty actua com António Calvário).

São editados vários temas, orquestrados por Adolfo Ventas, em 1968, através da editora Belter, para promoção internacional da cantora.


Em 1968 foi a cantora portuguesa presente na primeira edição das Olimpíadas da Canção da Grécia.

Eram 32 participantes oriundos de 17 países. Madalena Iglésias concorreu com o tema "Tu vais voltar", com letra de Francisco Nicholson e música de Jorge Costa Pinto, que se classificou em 4º lugar, obtendo igualmente uma Medalha de Prata.


Madalena Iglésias foi igualmente a representante portuguesa no III Festival Internacional da Canção Popular do Rio de Janeiro de 1968, com o tema "Poema da Vida" com letra de António José e música de Joaquim Luiz Gomes, tendo-lhe sido atribuído uma Menção de Simpatia.

Em 1969 retorna ao Brasil, actuando na TV Tupi  (São Paulo), TV Brasília, TV Record (São Paulo), TV Excelsior (Rio de Janeiro), TV Globo (Rio de Janeiro) e TV Belo Horizonte).

Em 1970 participa no Festival Internacional de Split na então Jugoslávia, tendo interpretado  duas canções, um original, "Mar Solidão", com poema de Vasco de Lima Couto e música de Jorge Costa Pinto, e uma versão de uma canção jugoslava.

Editou LPs no Brasil, México e Venezuela

Em 1971 é convidada a participar no I Festival Mundial de Onda Nueva, em Caracas, Venezuela, com o tema "Para falar de esperança", com letra de Francisco Nicholson e música de  Jorge Costa Pinto (música).

E participa igualmente no Festival de la Canción del Atlantico, pela terceira vez em representação de Espanha. Este festival teve lugar em Puerto de la Santa Cruz em Tenerife num evento em que Madalena representou o país vizinho a convite de Augusto Algueró (pai) defendendo o tema "No puedo renunciar" com letra de Cholo Baltasar.

Actuação na Radio Caracas TV (Foto de Carias Sisco/Arq.MLde Carvalho)

Casou-se em 1972, abandonou a carreira artística e foi viver para a Venezuela onde chegou a ter um programa na televisão na Radio Caracas Television (RCTV).

Grávida de oito meses, ainda fez um programa no Canal 4 da televisão venezuelana mas deixou de actuar até os seus filhos terem cinco anos de idade. Depois, voltou a actuar esporadicamente na televisão venezuelana, mas já seria tarde para retomar a carreira.


A sua biógrafa, Maria de Lourdes de Carvalho afirmou recentemente, em declarações à agência Lusa, que a intérprete de "Ele e Ela" protagonizou "umas das mais interessantes carreiras da música portuguesa, que se afirmou não só cá, como internacionalmente, apesar das suas actuações além-fronteiras serem pouco conhecidas dos portugueses".

A pretexto do eventual apoio por parte do Estado Novo, Madalena Iglésias referiu: "Nunca tive ajuda de nenhum meio do Governo. Trabalhei na televisão porque não havia outro sítio. Não fiz nenhum espectáculo em que o SNI (Serviço Nacional de Informação) me tivesse apoiado. A carreira no exterior devo-a aos espanhóis, e lamento muito que isso choque o nosso patriotismo".

Outras curiosidades: Tinha um agente para a América Latina (Sr. José Rodriguez da Hispaven). Agentes em Espanha: Agência de Emílio Santamaria e Agência Internacional Francisco Bermudez. A sua editora, desde 1966, era a editora catalã Belter (uma das duas editoras que apostava na gravação de artistas portugueses, a outra era a madrilena Marfer).

Fontes/Mais informações: Fotobiografia (Maria Lourdes de Carvalho) / Revista Flama (em Blog Largo dos Correios) / wikipedia / facebook  / Blog dos Festivais da Canção (Aranda do Douro)(Maiorca)(Mediterrâneo)(Grécia) (Rio Janeiro)(Split)(Onda Nueva) / Macua / DN / RTP / "Vuelo 502" (actores fazendo playback no programa Escala en Hi Fi) / Revista Juvenil Serenata / Sobre o Festival de Aranda do Douro








terça-feira, 15 de agosto de 2017

100 anos de filmes rodados na Madeira (1) - Décadas de 20, 30 e 50


"Un Giorno a Madera" (1924)

Em 1924 foi rodado na Ilha da Madeira o filme de ficção "Um dia na Madeira" ("Un Giorno a Madera") do realizador italiano Mário Gargiulo, com Livio Pavanelli e Tina Xeo nos principais papéis.

Este filme mudo era uma adaptação do livro "Un Giorno a Madeira, una pagina Dell’Igiene Dell’ Amore" lançado por Paolo Mantegazza em 1876. Traduzido ainda em vida do autor nas principais línguas europeias, este curioso livro consagrou a Madeira no imaginário italiano e europeu de fins de Oitocentos, como a isola dei fiori e dell’amore.


Sinopse

"Emma, personagem dotada de uma espiritualidade e de uma nobreza de carácter dignas das maiores heroínas românticas, procura na Madeira o último reduto de esperança para a cura da doença, ao passo que o seu apaixonado William se vê condenado a expiar na determinação da sua índole britânica a dor da perda da amada, pondo também ele à prova o seu carácter, principal protagonista afinal deste romance".


A produção estrangeira na Madeira intensificou-se a partir da década de 30, com filmes de ficção como: "Porque Mentes, Menina Kate?" (com realização de Georg Jacoby, 1935); "Die Finanzen des Großherzogs" ("As Finanças do Grão-duque" (Gustaf Gründgens, 1934) remake do filme homónimo de Murnau; "O prisioneiro de Corbal" (filme de Karl Grüne de 1935-36); "Les Mutinés de L’ Elseneur" (filme de Pierre Chenal de 1936 com base na obra de Jack London); e "Love Affair" ("Ele e Ela" de Leo McCarey, de 1939).


No campo do documentário é de destacar: "Madeira: A Garden in the Sea" (1931); "Cruising the Mediterranean" (André de la Varre, 1933); "Madeira: Jardim do Oceano" (Dawley, 1933); "From London to Madeira" (de Karl Gr, 1935); "Escala na Madeira" (René Ginet, 1935); e "Madeira: Isle of Romance" (1938).

"Warum lügt Fräulein Käthe?” (1935)


Entre 12 e 20 de novembro de 1934 esteve na Madeira uma equipa cinematográfica alemã da Majestic-Film GmbH, liderada pelo produtor Helmut Eweler e pelo realizador Geog Jacoby,  onde filmaram parte de um filme que estreou nas salas alemãs a 29 de janeiro de 1935, chamado “Porque Mentes, Menina Kate?” no original “Warum lügt Fräulein Käthe?”.

Na ilha da Madeira filmaram, a 15 de novembro, uma série de danças folclóricas madeirenses no “Reid’s Palace Hotel”, “executados pelo grupo de senhoras e cavalheiros, da nossa sociedade elegante”, como dizia o “Diário de Noticias do Funchal” de 16 de novembro de 1934, tendo nos outros dias filmado algumas ruas da cidade do Funchal e cenas do quotidiano madeirense.

"Marriage of Corbal" (1936)

A 10 de dezembro de 1935 chegara ao Funchal a Capitol Film Corporation, uma empresa inglesa, juntamente com mais de 20 pessoas, entre técnicos e actores para a rodagem do filme “The Marriage of Corbal” (ou "The Marriage of Corbal"), realizado por Karl Grune, com argumento de S. Fullman, com base na obra de Rafael Sabatini, ambientado no período da Revolução Francesa.

Parcialmente rodado no Vale da Ribeira Brava, as filmagens terminaram a 26 de dezembro, tendo também empregado cerca de 200 figurantes madeirenses. Com este filme também foi realizado um documentário “From London to Madeira”, onde se retratava as peripécias da viagem da equipa até à Madeira e os bastidores da filmagem na ilha.

"Love Affair" (1939)


"Love Affair", um dos mais importantes filmes românticos do final dos anos 30, foi parcialmente rodado na Madeira, onde vivia a avó do protagonista, o que terá sido motivado pela fama do porto do Funchal na altura dos grandes cruzeiros transatlânticos, com filmagens no Funchal e numa casa de Santa Luzia.



Sinopse

O pintor francês Michel Marnet (Charles Boyer) conhece a cantora americana Terry McKay (Irene Dunne) a bordo de um navio que cruza o Oceano Atlântico.

Michel e Ambos estão comprometidos, mas, no entanto, apaixonam-se. Durante uma paragem na Ilha da Madeira (Porto Santo), visitam a avó de Michel, Janou (Maria Ouspenskaya), que "aprova" Terry. O casal marca um encontro no Empire State Building para daí a 6 meses, mas nem tudo corre como desejado.



O título do filme na Áustria refere-se explicitamente a essa paragem no nosso arquipélago: "Ein Spitzentuch von Madeira".


Na década de 50 é de destacar: "Madeira Story", da responsabilidade de uma equipa inglesa, com o apoio de artistas e autoridades madeirenses, estreou-se em Londres; "Moby Dick" (filme de John Huston de 1956), "Sylviane de mes nuits" (Marcel Blistène, 1957), uma série de documentários de Jacques Cousteau e "Windjammer: The Voyage of the Christian Radich" (de Bill Colleran e Louis De Rochemont III, 1958).

"Moby Dick" (1956)


"Moby Dick" é um filme britânico realizado pelo norte-americano John Huston em 1956. O filme começou a ser filmado no País de Gales mas partes do filme foram rodadas no mar em frente ao Caniçal com acção real de caça à baleia, feita por baleeiros da Ilha da Madeira. O filme baseava-se na obra homónima de Herman Melville que curiosamente tinha mais ligação aos Açores do que à Madeira.

Nos créditos iniciais do filme é feito o agradecimento aos "Baleeiros da Madeira pela grande ajuda que deram" ("Whalermen of Madeira for the great help they gave").


Jacques Yves Cousteau

Entre 15 e 20 de agosto de 1956 esteve na Madeira uma missão cientifica francesa, a bordo do navio “Calypso” e chefiada pelo famoso explorador submarino Jacques-Yves Cousteau (1910-1997), tendo nesta estadia aproveitado para fazer cinco filmes, dois dos quais da pesca do peixe espada preta (Aphanopus carbo).

"Sylviane de mês nuits" (1957)

A 7 de novembro de 1956 começam as filmagens na Madeira do filme francês, produzido pela Isis Films, “Sylviane de mes nuits”, escrito e realizado por Marcel Blisténe e protagonizado por Giselle Pascal e Franck Villard, tendo as filmagens terminado a 18 de novembro.


“Windjammer: The Voyage of the Christian Radich” (1958)

Chega à Madeira a 27 de dezembro de 1956 o cineasta norte-americano Louis Rouchemont, com uma equipa de operadores cinematográficos para filmar diversos panoramas da Madeira para um documentário, em “Cinemiracle”, que esteva a realizar usando o navio-escola norueguês “Christian Radich”, a que se dará o titulo de “Windjammer: The Voyage of the Christian Radich”, estreado a 25 de abril de 1958.


Ciclo de cinema "100 Anos de filmes rodados na Madeira"


"100 Anos de filmes rodados na Madeira" é uma mostra de 8 das melhores obras cinematográficas de ficção filmadas no arquipélago de entre as mais de 50 películas realizadas desde 1912. Para além do valor óbvio dos filmes apresentados, alguns deles de grandes mestres do cinema mundial como Leo MacCarey, Raul Ruiz, Barbet Schroeder ou John Huston, esta mostra pretende anunciar a importância da Madeira como “location” para produção audiovisual.

Não só pela beleza das suas paisagens (ver por exemplo o plano fantástico da Serra d’Água em “O prisioneiro de Corbal” ou a perseguição automóvel nas estradas antigas do Seixal em “Os Batoteiros”) mas também pela facilidade de encontrar lugares tão diferentes numa ilha tão pequena, reduzindo assim os custos de produção.

Cena de "O prisioneiro de Corbal"
Fontes/Mais informações: Ana Paula Almeida (Aprender a Madeira e Tese) / Museu Vicentes / Ciclo de cinema / Folha de Sala (1) /  Ando a ler isto, Dejalu4ds e Fnac ("Un Giorno a Madeira")

Videos: "Warum lügt Fräulein Käthe?" / "Prisoner of Corbal" / "Love Affair" / "Moby Dick" (1)(2) / "Winjammer ..."