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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Aventura de Amália no teatro brasileiro


Em Setembro de 1944, Amália fez a sua estreia no Brasil no Casino de Copacabana, o local de maior prestígio da América latina, nesses anos de guerra. Mas não se apresenta apenas como cantora: preparam para a sua aparição um espectáculo, "Numa Aldeia Portuguesa", cantando seis fados, dois com orquestra e os outros com o conjunto de guitarras de Fernando de Freitas, que viajara com ela para a acompanhar a rigor, tudo isto numa moldura muito bonita e com dois vestidos riquíssimos, umas casaquinhas com vastas saias em tons de vermelho escuro, um bordado a ouro e o outro a veludo preto, com vastos xailes bordados e até um avental ostentando o escudo nacional.

Foi um enorme sucesso, ia com contrato para quatro semanas e ficou quatro meses. E pediram-lhe que voltasse breve, com um conjunto de seis raparigas bonitas, para fazer uma grande digressão pelo Brasil.

Mal Amália chegou a Lisboa, muito festejada, começou a preparar o regresso ao Brasil, mas como não percebia nada de organizar companhias foi aconselhar-se com Manuel Santos Carvalho. E assim começa a aventura de Amália no teatro brasileiro.

Novos números. Em homenagem a Getúlio Vargas.
 O veterano cómico viu ali uma oportunidade de fazer uma tournée ao Brasil, como se fazia antes, e, apoiado no grande nome de Amália, constituiu uma inteira companhia de revista, com cómicos, desde a sua mulher Ema de Oliveira a Virgínia Soler e ao jovem Humberto Madeira, e até a jovem Celeste Rodrigues, a irmã de Amália, que também já cantava.

Levaram Frederico Valério como director musical e Amadeu do Vale, para abrasileirar os textos das duas obras a apresentar: a revista "Boa Nova" e a opereta "A Rosa Cantadeira".


Quando Amália chegou ao Rio com aquela companhia e sem nenhuma rapariga bonita, Atalaia, o director do Casino de Copacabana ficou espantado, não queria nada daquilo. E então, constituiu-se apressadamente a “Companhia de Revista Amália Rodrigues”, que aportou ao Teatro República, misturada com artistas brasileiros, umas bailarinas, as 20 Boa Nova girls, mais o tenor português Luís Piçarra, fizeram-se cenários e guarda-roupa, tudo novo e muito bonito, e Amadeu do Vale fez uma revista a criticar os costumes brasileiros, que estreou a 20 de Agosto de 1945.

Na TV Excelsior

A crítica detestou, por os portugueses se atreverem a criticar os brasileiros, mas mesmo assim, sobretudo devido a Amália, a revista manteve-se quase dois meses em cena.

Entretanto, para equilibrar as finanças, Amália cantava à segunda-feira, dia de folga dos teatros, no Casino de Copacabana. Cantava o seu reportório e, como Valério e Amadeu do Vale lá estavam, coisas novas, como o "Fado Brasileiro", que ficaria conhecido como o "Fado Xuxu".


E depois da revista, a 17 de Outubro, veio então "A Rosa Cantadeira", com Amália na protagonista, e que foi um sucesso, com o "Fado do Ciúme", a "Marcha da Mouraria", e triunfo supremo, um fado novo que se tornaria num dos êxitos máximos, "Ai, Mouraria", em que a memória da cidade distante se confunde com um amor fugaz, com um bairro e uma rua, ´a Velha Rua da Palma`, e música evocadora de Valério: por força de ter sido escrito em terras distantes.

Foi o único fado de Valério que Amália manteria no seu reportório, até ao fim. Foi com base no seu princípio que Charles Aznavour mais tarde escreveria "Ay, Mourir Pour Toi".

Fontes/Mais informações: "Amália coração independente" (Pavão dos Santos) / Blog "Amália Rodrigues centenário" (1)(2)(3)




Imagens: "Amália Rodrigues centenário" / Jornais brasileiros (Diário de Notícias, Correio da Manhã, Sports) / Teatro em Portugal (Facebook)  / Discogs

sábado, 15 de setembro de 2018

O Brasil e o Fado com "Foi Deus" de Alberto Janes


Estávamos no início dos anos 50 e Amália era já uma artista consagrada, reconhecida internacionalmente como a maior intérprete do Fado, quando Alberto Janes, então um desconhecido, decide um dia deslocar-se a Lisboa com o objectivo de lhe oferecer as suas composições.

Ao chegar a casa de Amália, Janes conta-lhe que era farmacêutico e que tinha uma farmácia em Reguengos de Monsaraz, de onde era natural, mas a sua paixão era a música e o seu sonho era ser artista. Quem rodeava Amália nesse dia teve uma opinião negativa acerca de Alberto Janes … que era um desconhecido, que a música dele não dava para Amália cantar, etc…


Amália ouviu-o atentamente e reconheceu-lhe um talento invulgar, decidindo naquele mesmo instante comprar uma das suas músicas, o célebre "Foi Deus", que viria a ser gravado em Londres nas históricas sessões de Abbey Road, transformando-se num êxito imediato em 1953. Seguiram-se outros tantos trechos, o célebre "Vou dar de beber à dor", o "É ou não é", o "Il mare é amico mio", o "Caldeirada", temas que - tal como Amália vaticinara - seriam sucessos em qualquer parte do mundo.

Escrito propositadamente para Amália Rodrigues, "Foi Deus" rapidamente se tornou indissociável da personalidade musical desta intérprete. Nos seus versos, o compositor exprimiu com felicidade a sua profunda admiração pela Diva do Fado ao atribuir o talento de Amália a uma criação divina, comparável com os milagres da natureza.


Regravada e cantada por tantos fadistas ao longo destes mais do que sessenta anos, obteve igualmente um grande sucesso no Brasil.

As primeiras versões no Brasil foram de cantores portugueses aí radicados como Olivinha Carvalho e Alberto Ribeiro, ambos em 1955, e Ester de Abreu em 1956, que gravaram "Foi Deus" no seu estilo original de fado.

A primeira versão, em estilo mais livre, foi da autoria da cantora gaúcha Cândida Rosa que gravou em 1959 o fox-canção (ou fado-canção) "Foi Deus" (tendo como lado b a sua versão de "De Degrau em Degrau").
 

 

No entanto é no começo dos anos 60 que "Foi Deus" se torna (ainda) mais conhecida no Brasil ao ser gravada por Ângela Maria, que era a cantora mais popular da época no Brasil, num estilo beguine ou fado com arranjo abolerado.

À gravação de Ângela Maria em 1962 seguiram-se recriações por muitos outros artistas brasileiros como Iraquitan, em 1963, Francisco Egydio em 1964, Agnaldo Timóteo, em 1968, Nelson Gonçalves (terceiro maior vendedor de discos da história do Brasil, no seu álbum "Só Nós Dois" de 1970), Rosinha Valença, em 1975, Fagner, em 1991, Agnaldo Rayol, em 1998, Emílio Santiago, em 1998, Roberta Miranda (no seu álbum "Tudo Isto É Fado" de 1991), ou Cauby Peixoto (a solo e em dueto com Ãngela Maria em 1977 e com Selma Reis em 2013).


Um dos maiores sucessos de 1963 no Brasil foi a versão de "Foi Deus" pela cantora portuguesa, radicada no Brasil, Gilda Valença, irmã de Ester de Abreu.

O tema foi incluído no álbum "Marcha Rancho - Um Toque Brasileiro Nos Grandes Sucessos de Portugal", no qual sucessos da música portuguesa foram gravados com arranjos de marcha rancho e acompanhamento da Lira do Mestre Lula e Grupo de Coristas.


"Foi Deus" foi igualmente gravado pela cantora espanhola Maria Dolores Pradera, em 1968, no seu disco “Maria Dolores Pradera canta a Portugal”,  com acompanhamento à guitarra de Fernando de Freitas e à viola de Amândio Manuel, num disco que incluía também versões de “Lisboa não sejas francesa”, “Mãe preta” e “Primavera” .

Fontes/Mais informações: Aldeia da lusofonia / "Subsídio para o estudo da obra de Alberto Janes" (Tese de Jorge Manuel Neves Carrega) / Museu do Fado / Portal do Fado / Fado Cravo



 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Vitória de Portugal (ex-aequo) no European Song Contest no "Benny Hill show" (1969)


Antes da vitória de Salvador Sobral no Eurofestival de 2017, Portugal já tinha ganho o Festival Europeu da Canção na ficção num sketch do Benny Hill, com o tema "Primavera" de Amonia Rodriguiz (nome que será uma referência a Amália Rodrigues) que venceu em ex-aequo com as canções dos outros 7 países candidatos.

O sketch terá sido inspirado pela vitória ex-aequo de 4 canções no Festival da Eurovisão de 1969 (Espanha, França, Holanda, Reino Unido).


"Primavera" foi composto por Benny Hill e interpretado por Eira Heath conjuntamente com Benny Hill e Miguel Lopez Cortezo.

A música e melodia foram utilizadas em diversas canções do Benny Hill Show e esta canção foi interpretada, com letra em inglês, em 1984, por Louise English e Erica Lynley.


Video: Youtube (minuto 39)

domingo, 15 de junho de 2014

Sucesso de "A Gaiola Dourada" de Ruben Alves (2013)

 
"A Gaiola Dourada” (título original em francês: “La cage dorée”) é um filme francês de comédia, escrito e realizado pelo luso-francês Ruben Alves, que retrata a comunidade de emigrantes portugueses radicados em França.

O filme estreou em França a 24 de abril de 2013, tendo estado 22 semanas em exibição e alcançado mais de um milhão e duzentos mil espectadores.


Acompanhamos Maria (Rita Blanco) e José Ribeiro (Joaquim de Almeida), um casal luso a viver há 30 anos num dos melhores bairros de Paris. Ela é porteira do prédio (a ‘gaiola dourada’), ele trabalha nas obras.

Ambos são fulcrais para os patrões, embora esse reconhecimento só surja quando o casal recebe uma avultada herança com a condição de se mudarem para Portugal e fica num dilema, entre cumprir o sonho ou manter a rotina. A coscuvilhice lusa leva a que todos saibam da herança secreta e, às escondidas, os patrões franceses vão tentar convencer o casal a ficar.


As características mais portuguesas são o âmago do filme tanto no lado mais cómico, como no lado mais sério. Destaque ainda para a estridente e divertida Maria Vieira e a surpreendente actriz luso-francesa Bárbara Cabrita, que faz de filha de Maria e José, num papel intenso.

O filme tem uma pequena participação do futebolista Pauleta (que representou o Paris Saint German), que aparece subitamente para a festa final. 


Porquê o título - a "Gaiola Dourada" ?

Um dia, Ruben Alves viu uma reportagem sobre uma porteira portuguesa que trabalhava em Paris. A câmara seguia a senhora durante todo o dia de forma a documentar o seu quotidiano.

A última pergunta da reportagem foi: “A senhora está aqui há 40 anos e a reforma está quase a chegar... vai voltar para Portugal?”. A senhora olha para a câmera e diz: “Claro que quero voltar para o meu país.” Depois pensa em silêncio e acrescenta: “Mas ao mesmo tempo, sinto-me tão bem na minha ‘Gaiola Dourada'".


Um produto de amor

A "Gaiola Dourada" é um produto de amor (aliás o título na Alemanha foi "Portugal mon amour"). O filme de Ruben Alves foi feito em França, com financiamento francês mas conta uma história profundamente portuguesa. Uma homenagem sentida em cada cena filmada pelo actor/realizador/guionista luso-francês.

E se o filme faz-nos rir também nos comove quando chegamos à consumação do sonho, no nosso Douro, tão bonito como só ele sabe ser. As filmagens tiveram como cenário a Quinta dos Malvedos da Família Symington, em Alijó, nas encostas do Douro.



Julga-se que há mais de 800 mil portugueses em França. A maior parte partiu nos anos 60, 70 e 80 e ocupou cargos pouco qualificados. O filme pega no estereótipo do casal português em que ela é porteira e ele trabalha na construção civil para mostrar de uma forma muito divertida mas com dilemas e traumas reais quem são estes portugueses em França.

Os temas que o filme aborda são profundos: quem são e o que sentem estes portugueses, a forma como são tratados pelos franceses, o amor incondicional por Portugal, o peso de 30 anos a viver em França entre os estereótipos, o dilema entre voltar à pátria e continuar a viver na rotina francesa, a relação difícil dos filhos com a sua ‘Portugalidade’


Fado

Um dos momentos mais emocionantes do filme é, sem dúvida, a interpretação do fado "Prece" de Amália por Catarina Wallenstein, que inclui o verso:"Das mãos de Deus tudo aceito, mas que morra em Portugal".

Era importante para Ruben Alves ter fado no filme, pois, além ser fã da música, o filme era sobre Portugal: "O que eu gosto nela é que ela não é cantora de fado, mas tem um lirismo na voz que eu acho interessante para o meio cinematográfico. E ela é actriz, era importante ter alguém que cantasse e interpretasse.

Gravámos mesmo com guitarristas e numa casa de fado, não como num estúdio. Cada minuto foi em directo, como numa casa de fado, tudo fechado, um calor horrível. Depois de quatro minutos eu disse 'corta', virei-me e estava a minha equipa toda a chorar. E eram franceses! Pensei que era bom sinal, se aqui estão a chorar, imagina os imigrantes, que vão perceber melhor."


O português em França

O português de França é bem visto a nível profissional, integrado, conhecido por ser corajoso e disponível, mas não há representação forte nos media ou no audiovisual. Quem são? Como vivem a emigração?

O realizador Ruben Alves quis pôr a nu estas questões e humanizar os portugueses, para mostrar que há mais nas pessoas para além da porteira e do homem das obras.

O filme não é autobiográfico mas é inspirado nos pais do realizador, que têm o mesmo perfil dos protagonistas. Nas sensações, na maneira de pensar e ver a vida.

Ruben Alves tentou dar uma alma portuguesa a este filme francês. Talvez seja o filme francês mais português de sempre.


Sucesso de crítica e bilheteira

O filme "A Gaiola Dourada" foi o 14º título de produção europeia com mais espectadores em 2013 no conjunto das salas de cinema dos países da União Europeia. Em França, o filme foi exibido ao público pela primeira vez, a 24 de abril de 2013, tendo tido uma grande afluência logo na primeira semana, com perto de mil espectadores por sala, o que representaria em média, 40 mil espectadores por dia.

Foi elogiado pela crítica francesa que considerou como "humano, sensível, irónico e sem pretensão" e um crítico francês considerou que poderia transformar-se "na comédia do ano".

Na antestreia, no Gaumont Marignan, em Paris, surgiram várias porteiras portuguesa, emigrantes em França, para ver o filme tendo uma delas sido entrevistada pelo jornal francês Le Figaro, expressando a sua felicidade pois era a primeira vez que alguém as retratava.


Apesar de ser sobre uma família portuguesa tem uma parte muito universal com que todos se podem identificar. Foi por isso que o filme foi tão bem recebido não só pela comunidade portuguesa, mas pela francesa e até árabe.

O filme teve críticas muito boas mesmo de jornais intelectuais como o Le Monde ou o Telegrama. Tocou ao grande público, dos trabalhadores à classe mais alta. Mas o sucesso veio muito do boca a boca. É um filme pequeno, com um elenco de gente pouco conhecida em França. Tornou-se num fenómeno através da comunidade portuguesa. Houve reportagens sobre as idas de família inteiras às salas, algo que não se via em França à muito tempo. E no final batiam palmas, cantavam e até dançavam!

O sucesso de bilheteira em França motivou igualmente o cartunista KK a fazer um cartoon com a comparação entre o Iron Man e Iron Woman (que era a Maria) ilustrando com o título "Box-office: "La Cage Dorée" tient tête à "Iron Man 3".


Prémios e nomeações


Séléction Officielle Compétition Festival de l'Alpe d'Huez de 2013 (Prémio do Público, Prémio de Interpretação Feminina)

Prémios do Cinema Europeu - nomeado na categoria Prémio do Público

Nomeado para os César na categoria de melhor primeira obra

Fontes/Mais informações:wikipedia / destak / facebook / diário digital / cinemaschallenge / Lauro António apresenta / Próximo nível / C7nema.netImdb / TSF

  


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Sucessos de Olavi Virta na década de 50


Olavi Virta, conhecido como o rei do Tango Finlandês, gravou mais de 600 canções entre 1939 e 1966.  Os seus principais sucessos  foram as canções "Punatukkaiselle tytölleni", "Ennen kuolemaa" ("Avant de mourir"), "Täysikuu", "Hopeinen Kuu" ("Guarda Che Luna") e os tangos "Satumaa" e "La Cumparsita", que foi disco de ouro.

O seu repertório incluía canções populares finlandesas, tangos, boleros e temas de jazz. Ganhou três discos de ouro e participou em vinte filmes.


"Portugali Huhtikuu" (1953)

Em 1953 gravou, em ritmo tango, com a colaboração da orquestra de George de Godzinsky, "Portugali Huhtikuu", versão de "Coimbra", com texto em finlandês de Saukki, que foi igualmente regravada por artistas como Henry Theel (com a Melody-Orkesteri) ou as Polar Sisters.

"Portugali Huhtikuu" foi lançado em 1977 por  José Kuusisto com letra de Sauvo Puhtila.

E, mais recentemente, foi regravado em 1986, como "Portugali Huhtikuu - Coimbra", pelo cantor Kari Tapio com a letra original de Saukki e novo arranjo de Kaj Westerlund.


"Lissabonin yössä" (Lisboa Antigua) (1956)

"Lisboa Antiga" foi gravada por cantores finlandeses como Olavi Virta, Juha Eirto e Sacy Sand, com letra em finlandês da autoria de Aarne Lohimies, um dos pseudónimos de Reino Helismaa. 





"Kaunis Pesijätär" (1956)

Saukki, que adaptou "Coimbra" para a língua finlandesa, foi igualmente o autor da versão de "Les Lavandiéres du Portugal" (do compositor francês André Popp), gravada, em 1956, quer por Olavi Virta, quer por artistas como Metro-Tytot, Tuula-Anneli Rantanen ou Sing Song Sisters, sob o título "Kaunis Pesijätär".


“Portugalin Tuulispää” (1957)

Em 1957, Olavi Virta interpreta em ritmo Béguin, “Portugalin Tuulispää”, com a colaboração da Orquestra de Ossi Runne, uma versão do sucesso norte-americano "Petticoats of Portugal" (da autoria de Michael Durso, Mel Mitchell e Murl Kahn) com letra em finlandês da autoria de Pauli Ström e arranjo de Nils Kyndel.



"Pieni Talo Portugalissa" ("Uma Casa Portuguesa") (1958)

Olavi Virta lançou, em 1958, um novo tema com ligação a Portugal, "Pieni Talo Portugalissa", versão de "Uma Casa Portuguesa", canção igualmente celebrizada por Amália Rodrigues, com letra em finlandês de Pekka Saarta.



Portugal para os finlandeses (Depoimento de Luísa Pinto no blog Erasmuslândia)

Algumas pessoas mais idosas quando sabem que sou Portuguesa, falam logo da música "Portugali Huhtikuu", Portugal de Abril.

Música Portuguesa ["Coimbra" ou "Abril em Portugal"] traduzida e interpretada por um cantor Finlandês [Olavi Virta].

Pelos visto foi muito ouvida nos bailes e traz também boas recordações! =)

Videos: "Portugali Huhtikuu" / "Portugali Huhtikuu - Coimbra"de Kari Tapio (de 1986) / "Lissabonin yössä" / “Portugalin Tuulispää” / "Pieni Talo Portugalissa"

Fontes: wikipedia (1) (2) / youtube / partituras

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

As múltiplas versões de “Canção do Mar"


"Canção do Mar", com letra de Frederico de Brito e música de Ferrer Trindade, foi inicialmente cantada por Maria Odete Coutinho, no âmbito de um espectáculo dos Companheiros da Alegria.

A canção foi igualmente interpretada por Carlos Fernando, integrante dos conjuntos musicais da chamada linha de Cascais, que um dia a levou ao Talismã, o programa da manhã no Rádio Clube Português, apresentado por Armando Marques Ferreira, António Miguel, Mary e o sr. Messias.


Seria, no entanto, o Conjunto de Mário Simões a gravar em 1953, nos Estúdios da Emissora Nacional, em Lisboa, o primeiro de uma longa série de discos de 78 rotações por minuto que incluía no lado A o original de “Canção do Mar”, que tinha sido oferecida ao conjunto. 


Nessa época (1954), o realizador francês Henry Vernueil decide rodar em Lisboa parte do seu filme “Les Amants du Tage” (“Os Amantes do Tejo” na versão portuguesa ou "Tagus Lovers" para os anglófonos), protagonizado por Daniel Gelin e Trevor Howard e convidou Amália para um pequeno papel.


Amália canta dois fados no filme: a versão politicamente correcta de “Mãe Preta”, do brasileiro Caco Velho, com o título de “Barco Negro”, e “Canção do Mar”, mas com outra letra e o título de “Solidão”, pois o realizador francês “embirrou” com a letra de Frederico de Brito e encomendou outra letra ao poeta e catedrático David Mourão-Ferreira.



Mas “Solidão” não fez grande sucesso na altura, pois foi, logo em 1956, recuperada a letra original de Frederico de Brito, para “Canção do Mar”, a qual foi gravada no Brasil inicialmente por Agostinho dos Santos e, no ano seguinte, por Almir Ribeiro.


Ainda em 1956, “Canção do Mar” é adaptada à língua francesa, pelo letrista Jacques Plante, sob o título de “Trop de Joie”, sendo gravada, em ritmo fado-fox, por Yvette Giraud, que já fora a responsável pelo lançamento em frança de “Coimbra”, ou “Avril au Portugal” na sua versão em francês, o maior sucesso da música portuguesa.


Foram igualmente editadas em inglês, ainda na década de 50, duas versões distintas. “Song of the Sea”, com letra de Jimmy Lally, que foi interpretada por artistas como Winifred Atwell; com a participação da orquestra de Frank Chacksfield, e Caterina Valente. E “Goodbye my love”, com letra de Lew Monroe e Craig Stevens, cantada por Maria Pavlou.


Outras versões lançadas na década de 50 foram as adaptações em espanhol, “Cancion del Mar”, com letra de Gustavo Dasca, em finlandês, com o título “Liian onnellinen”, com letra de Itä, em ritmo Beguine, popularizado por Maynie Sirén Laulaa, e em alemão, com letra da autoria de Willy Hoffmann, com o nome de “Traum Elegie”.

E ainda a versão em italiano, "Canzone del Mare", com letra de Misselvia, gravada em ritmo baião pela Orchestra Angelini.



Em Portugal, Anamar incluiu uma versão da “Canção do Mar” no seu álbum “Almanave”, de 1987, mas foi sobretudo Dulce Pontes que relançou a composição de Ferrer Trindade incluindo-a no álbum “Lágrimas”, editado em 1993.


A adaptação de Dulce Pontes tornou-se a mais conhecida versão de “Canção do Mar”, sendo incluída nas bandas sonoras de filmes e séries norte-americanas, como "A Raiz do Medo" (título inglês - "Primal Fear"), no qual Richard Gere contracena com Edward Norton, "Atlantis: O Continente Perdido" (título inglês - "Atlantis: The Lost Empire"), da Disney, e no genérico da série “Southland”.

Curiosamente, “Canção do Mar” foi incluída na banda sonora de duas telenovelas brasileiras: a versão de Amália (“Solidão”), acompanhada pelo saxofonista americano Don Byas, na banda sonora de “Semideus” (1973), da TV Globo; e a versão de Dulce Pontes na abertura da telenovela “As Pupilas do Senhor Reitor” (1994-1995), da SBT.


A cantora brasileira Roberta Miranda regravou igualmente o tema em 1995, na sequência do sucesso de Dulce Pontes, tal como muitos outros artistas internacionais que cantaram as suas próprias versões, com letras distintas das adaptações dos anos 50, como a italiana Milva (com a versão em alemão, ”Das Já Zum Leben”, 1999), a francesa Héléne Segara (“Elle tu l'aimes”, 2000), o porto-riquenho Chayanne (“Oye, Mar”, 2000), a hispano-argentina Chenoa (“Oye, Mar”, 2002), ou as turcas Aysegül Aldinc (“Güle Güle”, 2002), Seden Gürel (“Ben Kadinim”, 2002), ambas com o subtítulo“Solidão” e a inglesa Sarah Brightman (“Harem”, 2003).





O cantor espanhol Júlio Iglésias gravou o tema em português no seu disco “Ao meu Brasil”, destinado ao mercado brasileiro, com uma letra adaptada: “Canção do Mar (Meu Brasil, Meu Portugal”).

E o cantor polaco Marek Torzewski editou em 2002 no seu álbum “Nic Nie Dane Jest Na Zawsze” uma versão intitulada "Wiem, Ze Nic ...".

Fontes: Portuguese Times (Eurico Mendes) / João Carlos Calixto (sobre Mário Simões) / Truca (sobre Maria Odete Coutinho) / Wikipedia