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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Vilões portugueses em "Dead men tell no tales" (1920), "Bright Lights" (1930) e "The World in his arms" (1952)


O romance "Dead men tell no tales" ("Os mortos não falam" em Portugal) foi publicado em 1897 pelo escritor inglês E. W. Hornung (1866-1921) e adaptado ao cinema em 1920, sob direcção de Tom Terriss (estreado em Portugal em 21 de Fevereiro de 1924).

Um dos personagens principais é Joaquim dos Santos (apresentado como "Senõr Joaquin" na adaptação ao cinema) um cavalheiro português com vários anos em África, que afinal é um pirata que utiliza habitualmente a expressão que dá nome à obra "Dead men tell no tales" e que conspira com Rattray para saquear o navio Lady Jermyn que transporta uma grande quantidade de ouro.


Rattray está apaixonado por Eve Denison, a enteada do português, pelo que concorda em socorrer o pirata e a sua tripulação. Contudo Cole, um jovem, que também está enamorado de Eve, consegue se salvar e vai procurar encontrar a jovem.

"Miss Denison era a única senhora e o seu padrasto, com quem viajava, era o homem mais distinto a bordo. Era um português que deveria ter uns 60 anos, de seu nome Senhor Joaquin Santos. Inicialmente fiquei admirado que não tivesse qualquer título, pois tão nobre era a sua forma de estar."


No filme mudo, produzido pela Vitagraph, Joaquim dos Santos é interpretado pelo actor alemão Gustav von Seyffertitz que aparece creditado como George von Seyffertitz.

É igualmente de realçar a actuação do actor Walter James, como José, que foi bastante elogiada, e a participação de um actor português (ou luso-descendente) de nome Manuel Santos.

 
Sinopse do livro

Em Julho de 1853, o Lady Jermyn, um dos grandes veleiros que asseguravam as ligações entre a Inglaterra e o continente australiano inicia a sua viagem de regresso à metrópole. A bordo seguem, entre outros, um jovem aventureiro inglês de nome Cole e Joaquim Santos, um cavalheiro português com muitos anos de África, que viaja acompanhado da sua jovem e bela enteada.

Um súbito incêndio a bordo vem interromper a placidez da viagem e precipitar a morte de todos os passageiros, à excepção de Cole. Sobre ele recairá a missão de desvendar o mistério do naufrágio do Lady Jermyn.

Que segredo explica a aparente cumplicidade entre o capitão do navio, o português e a sua enteada? E qual será o papel de Rattray, jovem e distinto proprietário rural, descendente de uma família de contrabandistas?

 
Curiosidades

O escritor E. W. Hornung (Ernest William Hornung) era cunhado de Sir Conan Doyle. autor dos livros de Sherlock Holmes, tenho conhecido a esposa, Constance ("Connie") Aimée Monica Doyle (1868–1924), quando visitou Portugal (a irmã Annette era representante do governo britânico em Portugal).

O próximo filme da série "Piratas das Caraíbas" terá como subtítulo "Dead men tell no tales" e um dos vilões, interpretado pelo actor espanhol Javier Bardem, chamar-se-á Capitão Salazar mas, em princípio, não terá qualquer ligação a Portugal e à obra de Hornung.

Fontes/Mais informações: Silent Hollywood / FixcubeEuropa-AméricaLivro


"Bright Lights" (ou "Adventures in Africa”) (1930)

Filme realizado por Michael Curtiz (que também dirigiu "Daughters Courageous" e "Casablanca") para a First National Pictures.

Quando Louanne, estrela de um musical da Broadway, anuncia o seu noivado com Emerson Fairchild, um grupo de jornalistas vem para entrevistá-la na última noite de apresentação do seu espectáculo.


Ela recorda a sua infância numa fazenda em Inglaterra e em como se tornou uma dançarina de hula em África, onde Wally Dean se tornou seu amigo e protector, salvando-a dos ataques de Miguel Parada, um contrabandista Português (interpretado pelo actor Noah Beery) que se interessou por ela e que quase a viola.

Miguel , que por acaso estava na audiência, reconhece Louanne e vai até aos bastidores para resolver assuntos pendentes. Wally finge que tem uma arma, mas acaba por ser o seu amigo Connie Lamont a matar Miguel quando disputam uma arma que este possuía.

Fontes/Mais informações: AFI / Wikipedia / Pre-code

 
"The World in His Arms" (1952)

"The World in His Arms" ("O mundo em seus braços" no Brasil) é um filme de aventuras realizado por Raoul Walsh para a Universal Pictures, tendo por base o romance homónimo da autoria de Rex Beach publicado em 1946.

O filme é protagonizado por Gregory Peck, no papel de Jonathan Clark, tendo como oponente um marujo de origem portuguesa, "Portugee Joe", interpretando pelo actor mexicano Anthony Quinn, que fala português em algumas cenas. Outro dos personagens de origem portuguesa é José (interpretado por Syl Lamont).


Sinopse

A acção decorre em 1850 na cidade americana de São Francisco, quando a rica e bonita condessa russa Marina Selanova quer fugir de um casamento arranjado com o príncipe Semyon. Ela contrata os serviços de "Portugee Joe", um pouco escrupuloso comerciante de peles de focas, para levá-la de navio para Sitka no Alasca, onde o governador é seu tio Ivan Vorashilov, na esperança de que ele a proteja.

Assim como todos os donos de navio da cidade, "Portugee Joe" ficou sem tripulação quando começou a Corrida do Ouro da Califórnia. A única disponível é a de seu rival capitão Jonathan Clark, que contava com a lealdade total de seus homens. "Portugee Joe" tenta raptar os tripulantes de Clark, mas esse descobre e resgata seus homens, levando-os para o melhor hotel da cidade.


Percebendo que o português não conseguiria cumprir o contrato e que o capitão Clark odeia os russos que o perseguem por lhe atrapalhar a caça às focas no Ártico, a condessa se disfarça como uma das dançarinas que participam da festa dada por Clark e consegue convencê-lo a levá-la para o Alasca e ambos se apaixonam. Mas o português e o Príncipe Semyon, a bordo de uma moderna canhoneira a vapor, não desistirão e irão causar muitos problemas para o casal.

Fontes/Mais informações: Wikipedia / Lamanodelextranjero /  Revendo filmes marcantes / Geoffrey L. Gomes "Cinematic portayals of Portuguese-Americans"

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Na pista dos baleeiros açorianos de "Moby Dick" (1851)

 

"Moby Dick" foi publicado em três fascículos com o título de "Moby Dick" ou "A Baleia" em Londres em 1851, e ainda no mesmo ano em Nova York em edição integral.

O livro foi revolucionário para a época, com descrições imaginativas das aventuras do narrador - Ismael, suas reflexões pessoais, e grandes trechos de não-ficção, sobre variados assuntos, como baleias, métodos de caça, arpões, a cor branca (de Moby Dick), detalhes sobre as embarcações e seu funcionamento, bem como sobre o armazenamento de produtos extraídos das baleias.


A obra acompanha Ismael quando este se alista no baleeiro Pequod e segue-o na saga do capitão Ahab, um louco que atravessa oceanos para vingar a perda da sua perna, arrancada por um mítico cachalote branco.

A determinado momento do livro descobre-se, na tripulação do navio, Daniel, um marinheiro açoriano, da minúscula ilha do Corvo. Para a maioria dos leitores, o motivo da presença de um português na obra permaneceu um mistério durante décadas.


Melville esclarece que "não poucos destes caçadores de baleias são originários dos Açores, onde as naus de Nantucket que se dirigem a mares distantes atracam, frequentemente, para aumentar a tripulação com os corajosos camponeses destas costas rochosas. Não se sabe bem porquê, mas a verdade é que os ilhéus são os melhores caçadores de baleias".

Foi na cidade de Fairhaven, no Estado de Massachusetts, que Herman Melville embarcou numa baleeira no dia 3 de Janeiro de 1841. O escritor viveu 18 meses no Acushnet, o navio do capitão Valentine Pease Jr. e foi essa experiência que alimentou as minuciosas descrições publicadas em 1851.


Na sociedade fechada do arquipélago, os açorianos viam nos cascos dos navios o reflexo de um mundo novo, perdido em abundância e aventura, e embarcavam. Assim que tocavam os porões gordurosos das baleeiras, mudavam de nome: os Rosa passavam a Roger, os Freitas a Frates, os Machado a Marshall.

Pequod, o navio baleeiro de Moby Dick, esteve ao largo dos Açores, mas não fez escala. Dezenas de páginas do romance nasceram no terreno das experiências pessoais do seu autor. Se menciona os baleeiros açorianos, terá Melville conhecido algum ?


O jornalista Alexandre Soares foi no encalço destes nossos antepassados e encontrou Laura Pereira, uma bibliotecária casada com um português, que lhe mostrou uma moldura castanha com uma lista da tripulação do Acushnet. “São os companheiros de Melville”, explica. Esta pode ser a prova definitiva de que o escritor conheceu um baleeiro açoriano.

Laura começa a virar a moldura. Com algum esforço, a mancha de letras ganha alguma definição. Já se distingue a caligrafia do capitão, o barco tinha uma tripulação de 27 homens. Mais alguns segundos e a espiral de letras e linhas organiza-se para destacar quatro nomes: George M. Gurham, Joseph Luís, John Adams, Martin Brown. Jorge, José, João e Martim. Todos açorianos, os quatro da ilha do Faial. Mistério resolvido.

Fontes/Mais informações: Diário de Notícias / moby dick game /  wikipedia / whaling museum


terça-feira, 15 de setembro de 2015

Exploradores portugueses em "As minas de Salomão" (1885) de H. Rider Haggard


"As minas de Salomão" foram o resultado de uma aposta que Haggard fez com o seu irmão. A aposta consistia em escrever uma história que superasse o êxito de "A Ilha do tesouro", de Robert Louis Stevenson.

A narrativa, basicamente, refere-se a aristocratas ingleses que buscam um parente perdido, auxiliados pelo caçador Allan Quatermain e um nativo chamado Umbopa. Estes partem em busca das míticas minas de ouro do rei Salomão, cujo trajecto é fornecido por um antigo mapa, feito no século XVI por um português chamado D. José Silveira.

A história, recheada de extraordinárias aventuras, tribos misteriosas, perigos inesperados e fabulosas paisagens, foi publicada em 1885 e converteu-se num autentico best-seller, tendo sido adaptada para português por Eça de Queirós, e publicada entre 1889 e 1890.


José Silveira e Dom José Silveira

Ninguém sabe onde ficam essas minas, que escondem valiosas "arcas" de diamantes. Nem ninguém sabe de quem as tenha descoberto ou, até, de quem delas tenha saído com vida.

Muitos se aventuraram para lá desse deserto e Quartelmar (Quatermain no original) sabe várias histórias. Como a do português, José Silveira, que para lá foi e de lá voltou feito cadáver. Como a do antepassado do português José Silveira, com "Dom", o fidalgo que fez o mapa dessa zona além das montanhas.

E o Silveira sem "Dom" disse, no delírio da morte: "Lá estão elas, Santo Deus lá estão elas!... E dizer que não pude lá chegar! Parecem tão perto! Logo ali, uns passos mais... E agora acabou-se, estou perdido, ninguém mais pode lá ir!" E deu a Quartelmar o segredo das minas.


Silvestre/Silvestra/Silveira

No livro original, as minas são descobertas por um Português quinhentista, José Silvestre (por vezes mal-escrito no original "Silvestra" ou "Sylvestra"). Eça traduz o nome do explorador para José Silveira.

Quatermain obtém o mapa com o caminho para as Minas através de um descendente de José Silveira de Lourenço Marques que lhe morre nos braços depois de, aparentemente, ter novamente sido um precursor dos Ingleses no caminho para as Minas.

Sylvestra foi interpretado no cinema por Arthur Goullet no filme inglês de 1937 (o personagem é creditado como Sylvestra Getto).

Porquê a referência a um explorador português ?

Haggard recorreu à tradição lusitana na África Austral e seus conhecimentos sobre o reino de Monomotapa.

Também foi influenciado pelo modelo narrativo típico de narrativas fantásticas oitocentistas, onde os aventureiros seguem uma rota baseada em um explorador desaparecido que os antecedeu (a exemplo de Júlio Verne em "Viagem ao centro da Terra" de 1864).

Fontes:  Biblioativa.ler / wikipedia / Bibliologista

sábado, 15 de agosto de 2015

“Dawn” de H. Rider Haggard (1884) e outras histórias madeirenses


Muitos autores estrangeiros situaram os seus romances na Ilha da Madeira. Alguns dos escritores nunca visitaram a Madeira. Na opinião de Donald Silva, a ilha surge nas criações literárias de diversos escritores porque desde cedo os estrangeiros desenvolveram uma certa visão romântica da Madeira. Este romantismo cresceu no Séc. XIX, com os diários de viagem e outros documentos, e a Madeira, claro, tornou-se muito conhecida no Século XX. 

Provavelmente o escritor inglês H. Rider Haggard, que visitou a Madeira em 1881, no regresso da África do Sul para Inglaterra (após a derrota dos ingleses em Majuba Hill), terá sido o primeiro escritor estrangeiro a localizar a acção de um romance na Madeira.


Em "Dawn", um melodrama Vitoriano do escritor britânico em três volumes, que foi o seu primeiro romance, o jovem Arthur Heigham é o herói que se apaixona por Angela Caresfoot. O dominador pai da jovem é contra a relação e Arthur concorda em se se afastar de Angela durante um ano.

Arthur vai para a Ilha da Madeira. Durante a viagem de barco conhece uma mulher mais velha, Mildred Carr, que vive na Madeira e que acaba por se apaixonar por ele. A Quinta Vígia é descrita em “Dawn” como Quinta Carr onde o Arthur e Mildred Carr fazem amor.

Arthur conhece também os Bellamy que estão na Madeira por questões de saúde de Lord Bellamy. Arthur acompanha Lady Bellamy a um desfile para ouvir a banda tocar. Lady Florence e Mrs. Velley são outras personagens britânicas que residem na Ilha da Madeira e Mildred recebe o governador da Madeira.

Quando retorna para Inglaterra encontra Angela casada com o seu pérfido primo George.

Após regressar à Madeira fica a saber que Angela foi obrigada a casar com o primo. George acaba por morrer e Arthur volta para casar com Angela, deixando Mildred destroçada.


Sax Rohmer

“Moon of Madness” (1927) do escritor inglês Sax Rohmer (pseudónimo de Arthur S. Wade), criador do Dr. Fu-Manchu, que chegou a viver na Madeira, é outro dos exemplos mas antigos. O livro conta a história de um agente secreto irlandês que, juntamente com uma agente norte-americana, persegue um espião por toda a Europa, culminando num confronto fatal na Ilha da Madeira.

Em "Black Magic" o Dr. Sarafan era um respeitável residente da Ilha da Madeira.

Noutro dos seus livros, "The Affairs of Sherlock Holmes", um dos personagens, Ma Lorenzo, é meio português.


Ann Bridge e outras escritoras britânicas que viveram na Madeira

Várias escritoras britânicas viveram na Madeira, como as irmãs Margaret Emily Shore (1819-1839), Arabella Shore (1822-1900) e Louisa Catherine Shore (1824-1895), Jane Wallas Penfold (1821-1884), Isabella de França (1795-1880), a prolífica Evelyn Everett-Green (1856-1932) e Ann Bridge (1889-1974).

“The Malady in Madeira” (1970) de Ann Bridge (pseudónimo de Mary Ann Dolling O'Malley) é um dos mais arrepiantes livros situados na Madeira, relatando a realização por parte da Russia de testes de gás nervoso em ovelhas selvagens. Mrs. Hathway vai para a Madeira por questões de saúde e é acompanhada por Julia Probyn. Aí encontram Aglaia a esposa de Colin Munro, que estava a recuperar de um acidente de carro em que perdeu o seu bébé. Colin acaba por descobrir que os russos estão a testar na Madeira o mesmo gás que testaram no Médio Oriente e que terá provocado a morte do marido de Julia.

O livro faz parte da série "Julia Probyn mystery series" que inclui igualmente "The Portuguese Escape" de 1958.


Dorothy Dunnett

A escritora escocesa Dorothy Dunnett (1923-2001), autora da série de aventuras "The house of Niccoló" (banqueiro e mercador do século XV), descreve no 4º livro da série, "Scales of God" (de 1991), uma breve visita de Niccoló à Madeira.

A acção decorre em Veneza, Espanha, Madeira e África, durante uma viagem em busca do Ouro africano e da rota do Preste João.


Denise Robins

Em “Dark Corridor” (de 1974), da escritora inglesa Denise Robins (1897-1995), conhecida como "Queen of Romance", a jovem Corisande Gilroy está noiva de Martin, que considera o homem mais maravilhoso do mundo. Mas quando Corrie o procura no hotel da Madeira, onde iriam passar férias, ele não se encontra lá. O quarto está vazio, a mala está apenas parcialmente feita e nem sinal de Martin apesar dos esforços da polícia local. Será que ele desapareceu no corredor escuro que lhe apareceu em sonho.

Fontes: Marina Oliver (Literary thrills in Madeira em Revista "Brit in Madeira" de Outubro de 2013, pág. 18) /  Vista da serra / Laureano Macedo (Quem foram as escritoras madeirenses do passado) / Prefer reading (Ann Bridge)

segunda-feira, 15 de junho de 2015

O Vinho da Madeira na literatura mundial


O Vinho é um tema que atrai a atenção de todos, cativando, de forma especial, também poetas e literatos. O Vinho da Madeira é, como muito dos licorosos, um caso singular na História e na Literatura.

As referências literárias e artísticas ao vinho Madeira estão circunscritas aos principais espaços consumidores, em que se destacam os Estados Unidos da América e o Reino Unido. A sua referência tanto surge em textos, em prosa e verso, que descrevem épocas determinadas, ou através do testemunho de viajantes e de guias, que desde o Século XIX, que divulgam as potencialidades turísticas da ilha.


De todas a referência mais frequente e valorativa acontece na obra de Shakespeare, o que demonstra a importância que este vinho assumiu no quotidiano britânico, quer no meio da aristocracia, que na agitada vida dos pubs londrinos.

Na Europa, excepção feita ao Reino Unido, é na Rússia e na França que estas referências surgem com maior frequência, dando conta que o vinho estava presente nos ambientes mais requintados da sociedade.


 Reino Unido

Na peça "Henrique IV" de William Shakespeare, Falstaff é acusado de trocar a sua alma por uma perna de frango e um cálice de vinho da Madeira.

Outro caso dá-se em 1478 e é o da condenação à morte de George de York, Duque de Clarence, irmão de Eduardo IV e Ricardo III, que escolheu alegadamente ser afogado dentro de um tonel de vinho (que a lenda ser da Madeira, da casta Malvasia, contudo na peça "Ricardo III" apenas se refere malvásia, sem qualquer pista da sua proveniência).


Jane Austen (em “Mansfield Park” e “Emma”), Charles Dickens (em “Bleak house”, onde é referido que é agradável beber o vinho Madeira com pão doce e pudim, mas também em “Little Dorrit”, “Our Mutual Friend”, entre outros),  Robert Smith Surtees (em “Handley Cross” bastava uma garrafa de malvásia da Madeira) ou Walter Scott (em “The Antiquary”) são outros bons exemplos de referências literárias.


Rússia

No caso russo, Dostoievsky (1821-1881) ou Leon Tolstoi (1828-1910) são exemplo de referências literárias ao vinho Madeira.

Em “Crime e Castigo” lamenta-se a pouca variedade de vinhos e a falta imperdoável do “Madeira”, enquanto que Tolstoi faz referência a um "Madeira seco" em "Guerra e Paz" e na novela "Os Invasores" fala de um genuíno Madeira no casco, de 1842.



França

Mais abundantes são as incidências da literatura francesa do Século XIX, podendo-se associar o vinho Madeira a escritores famosos como Balzac (em “Les Paysans” e “La Peau de chagrin”), Jules Verne (em “Os filhos do Capitão Grant”), Sade (em “Justine”), Alexandre Dumas (em “20 anos depois”), Guy Maupassant (em “Bel-Ami” e “La parure e outros contos parisienses”), Flaubert (em “Correspondência”) ou Chateaubriand (“Mémoires d’Outre Tombe”).

Segundo Anatole France, em “Le Petit Pierre”, o vinho Madeira acompanha bolos secos e apenas “un doigt de vin de Madere anima les regards, fit sourire les levres”.

Victor Hugo faz referência, em "Os Miseráveis", ao vinho da Madeira, da colheita de "Curral das Freiras", a trezentas e dezassete toesas acima do nível do mar, que era bebido tranquilamente por umas senhoras.

Já para Alfred Musset o Madeira caia bem com uma asa de perdiz. Mas Proudhon queixa-se que este vinho e outros europeus não estão acessíveis a todo o povo.


Estados Unidos da América

A produção de vinho foi estimulada pela necessidade de abastecer os navios nas rotas do Atlântico para o Novo Mundo e para a Índia, e pela presença dos ingleses na ilha, que fizeram com que o vinho fosse conhecido em toda a Europa e América, tornando-se o vinho preferido em banquetes e mesas requintadas das cortes europeias e nas respectivas colónias. Por exemplo, foi com vinho da Madeira que em 4 de Julho de 1776 se brindou à independência dos Estados Unidos da América, provavelmente porque era o vinho de eleição do estadista Thomas Jefferson.

Segundo Nathaniel Parker Willis, em "Dashes at Life", o Vinho Madeira era conhecido como vinho de casamento.

Em "A Narrativa de A. Gordon Pym", Edgar Allain Poe refere o Capitão Joel Rice da escuna Firefly, que partiu de Richmond, Virginia, para a Madeira, no ano de 1825, com uma carga de milho. E fala de uma carga de "three gallons of excellent Cape Madeira wine".

Ricahard Penn Smith em “The Forsake: A tale” menciona "muitas pipas de bom vinho velho da Madeira".

James Fenimore Cooper, em “Afloat and Ashore” refere o “East India Madeira” que era conhecido na ilha como vinho de roda e era conhecido pela designação inglesa devido ao facto de fazer a viagem desde o Fuchal às Índias Ocidentais e o retorno a Londres. A dupla passagem pelos trópicos atribuía-lhe um envelhecimento prematuro que era do agrado dos ingleses. Já em”The Ways of the Hour” (1850) o vinho Madeira, certamente o “seco”, era bebido frio ou com pedra de gelo.

Herman Melville (em “White Jacket” de 1850) é outro dos exemplos.

Fontes/Mais informações: Alberto Vieira em "O Vinho Madeira. Valorização e importância económica e social através dos testemunhos da literatura e arte" / Revista Essential Madeira Islands / wikipedia / Looorock  

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Leonor da Fonseca Pimentel, "A Portuguesa de Nápoles"



Leonor da Fonseca Pimentel (Roma, 13 de Janeiro de 1752 - Nápoles, 20 de Agosto de 1799), conhecida como Eleonora de Fonseca Pimentel, "A Portuguesa de Nápoles". Ficou na história por ter defendido ideais liberais que conduziram à Revolução e à instauração da malograda República Napolitana (1799).

Ela foi poetisa, escritora, pedagoga, bióloga e uma das primeiras jornalistas europeias. Amiga íntima de intelectuais e revolucionários, desempenhou um papel de relevo na revolução jacobina de Nápoles de 1797, inspirada pelo ideário social e político da Revolução Francesa.

Leonor fundou o jornal oficial da república então instalada - "O Monitore Napolitano" - considerado o primeiro jornal político napolitano - que teve profunda influência na moderação das decisões do governo revolucionário

Leonor da Fonseca Pimentel, que se considerava "filha de Portugal", cultivou a língua pátria e manteve correspondência com intelectuais portugueses.

Em 1777, chegou a escrever uma peça de teatro de homenagem ao Marquês de Pombal: "Il Trionfo della Virtù". Em Nápoles, o seu nome foi dado a uma Escola do Magistério Primário em homenagem à forma denodada como defendeu o primado da educação.

A portuguesa de Nápoles, como ficou conhecida, figura no Pantéon di Martiri dela Libertà, tornando-se, portanto, uma referência do pensamento político italiano. Embora multifacetada, distribuindo os seus esforços pelo jornalismo, a luta política, a biologia, a poesia e a pedagogia, Leonor ficou na História por ter defendido os ideais liberais que conduziram à Revolução jacobina de Nápoles e à instauração da malograda República Napolitana (1797-1799).

Em 1799, Leonor foi acusada de crime contra o Estado e enforcada na Praça do Mercado de Nápoles.

Desde 1997 que a cidade de Nápoles homenageia a vida cultural multifacetada de Eleonora, daí resultando estudos, teses, colóquios e exposições dedicados à sua vida e obra.
Livros sobre Eleonora de Fonseca Pimentel
• Benedetto Croce, "Eleonora de Fonseca Pimentel" (1887)
• Bice Gurgo, "Eleonora Fonseca Pimentel" (1935)
• Maria Antonietta Macciocchi, "Cara Eleonora" (1993)
• Elena Urgnani, "La Vicenda Letteraria e Politica di Eleonora de Fonseca Pimentel, Nápoles" (1998)
• Enzo Striano, "Il resto di niente. Storia di Eleonora de Fonseca Pimentel e della rivoluzione napoletana del 1799" (1986)

"Il Resto di Niente" de Enzo Striano (1986)
 "Il Resto di Niente" ("A Portuguesa de Nápoles" na versão portuguesa) foi escrito pelo italiano Enzo Striano em 1982. O autor enviou o manuscrito para vários editores, mas alguns devolvem o livro sem sequer o ler, por não terem interesse no assunto e no tamanho da obra. 

O autor decide, então, em 1986, não esperar mais e o livro acaba por sair pela editora de livros escolares Loffredo, que já tinha publicado algumas antologias inovadoras com sucesso.

O romance obtém o consenso da crítica e é muito lido, mas esse sucesso circunscreve-se essencialmente a Nápoles. Passados 10 anos é publicado por uma grande editora e torna-se muito conhecido em toda a Itália, tendo vendido mais de 400 mil exemplares. Havendo inclusive quem tenha afirmado que se tratava do melhor romance histórico italiano desde "O Leopardo" de Lampedusa.


"Il Resto de Niente" de Antonietta de Lillo (2004) e a escolha de Maria de Medeiros (extracto de entrevista a Antonietta de Lillo)

Neste filme de 2004, Leonor da Fonseca Pimentel, a mulher que ficou na História por defender os ideais liberais, tem o rosto da actriz portuguesa Maria de Medeiros. Vêmo-la no centro da revolução jacobina de Nápoles, até à sua morte por enforcamento, em 1799.
"Pensei imediatamente nela [Maria de Madeiros, por ser portuguesa e por ser uma mulher pequena mas com muita força. Ela interpreta o papel de uma forma extraordinária. Não sou eu que digo, todos os críticos o disseram. Para ela, foi extraordinário conhecer esta personagem, de que não conhecia a existência."
"A primeira vez que a encontrei estava à espera da primeira filha. Quando filmámos, a Júlia tinha seis anos. Quando acabámos de filmar, a Maria estava à espera da segunda filha, a que chamou Leonor. É uma personagem que não se esquece. (...)"
Arte
Giuseppe Boschetto pintou o quadro a óleo "Eleonora Pimentel Fonseca condotta_al patibolo" (1869).
Música
Eugenio Bennato homenageou Eleanora no tema "Donna Eleonora" incluído no disco "Taranta Power" (1998)
Video Youtube
Em Portugal
Filme "A Portuguesa de Nápoles" (1931) de Henrique Costa
Livro "Leonor da Fonseca Pimentel - A Portuguesa de Nápoles (1752-1799)", de Teresa Santos e Sara Marques Pereira ( coord.)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Grácia Nasi, uma história de vida


Grácia Nasi, baptizada com o nome cristão de Beatriz de Luna, nasceu em 1510 no seio de uma família de cristãos-novos (marranos) originários de Castela, vinda para Portugal após a expulsão dos judeus de Espanha, em 1492. Entre os convertidos encontrava-se a família de Grácia assim como a do seu futuro marido Francisco Mendes, aliás Semah Benveniste, natural de Sória em Castela.

Seu irmão Agostinho Miguel era médico na corte e leccionava medicina na Universidade de Lisboa. Em 1528, ao 18 anos, Beatriz casou-se com Francisco Mendes, que, junto com seu irmão Diogo Mendes, liderava um império de comércio de pedras preciosas e especiarias, cuja casa bancária tinha sucursais na França e Flandres. Do casamento nasceu uma única filha, de nome de baptismo Ana, a quem chamavam Reina.


Em 1535, Francisco Mendes morre, ficando Grácia e o cunhado, que dirigia a filial em Antuérpia, como gestores de uma imensa fortuna. A Inquisição foi estabelecida em Portugal em 1536 e Beatriz, percebendo o perigo que corria no país, abandona o país, com destino a Antuérpia,  acompanhada da filha, da irmã e de seus sobrinhos Bernado e João Micas (futuro Joseph Nasi), então com 13 anos.

Em 1547 encontra-se em Veneza, porto de abrigo de gente das mais variadas partes do mundo e um expoente de cultura na Europa. Até 1547, o clima é de tolerância para com a comunidade judaica aí residente mas quando, a partir de 1550, o Senado da Sereníssima, renova o decreto de expulsão dos judeus confirmando que não era possível ali permanecer em segurança. A certeza quanto ao perigo que corriam chega em 1553 quando na Praça de S. Marcos são queimados exemplares do Talmude e outros livros judaicos.


Enquanto se fecham as portas de Veneza abriam-se as de Ferrara onde permanece entre 1550 e 1552 onde a corte de Hércules II, Duque d’Este, acolhia a nação hebraica lusitana e espanhola sem olhar à nacionalidade ou religião. Ferrara, seria assim, a última paragem de Dona Grácia na Europa cristã antes de se refugiar definitivamente no mundo muçulmano.

Num momento em que cresciam as perseguições na Europa cristã um outro mundo de esperança se abria na Turquia. Em 1552 embarca para Constantinopla numa viagem que duraria seis meses. A primeira paragem seria Ragusa, um importante porto do Adriático, e Salónica.


                                                             (selo lançado em Israel)

Os dezoito anos em que vive em Istambul, no seu Palácio de Belvedere, junto às margens do Bósforo, são anos tranquilos em que finalmente pode confessar abertamente o judaísmo.

Grácia Nasi morre em 1569. É lembrada por muitos como “Uma das mais nobres mulheres e honrada como uma princesa”, símbolo do “coração do seu povo”, “Glória de Israel” e por aqueles que sempre auxiliou simplesmente como “A Senhora”.


A señora, a dama, Ha-geveret – em hebraico – marcou de uma maneira indelével a cultura judaica. Sua lembrança foi perpetuada através das inúmeras sinagogas que têm o seu nome, entre elas, uma em Esmirna, El Kal de la Señora, sinagoga que foi muito frequentada até 1970

Grácia Nasi é considerada a heroína por excelência do judaísmo, em geral, e do judaísmo sefaradita, em particular. Salvou centenas de marranos da morte e das perseguições. Tentou agir contra o anti-semitismo, impondo um boicote económico. Tentou construir uma pátria judaica na Palestina, tendo Tiberíades como base.

Fontes/Mais informações: Universidade de CoimbraComunidade Judaica de BelmonteÓculos do mundoRevista Luxriototal  /  morashawikipedia / criptojews / redejudiariasportugal / Esther Mucznik

Museu on-line

Versão on-line de "A Senhora" de Catherine Clément


Livros e mais livros

A primeira biografia de Grácia Nasi foi escrita por uma mulher, Alice Fernand-Halphen, em 1929, na Revue de Paris sob o título: "Une Grande Dame Juive de la Renaissance - Gracia Mendes-Nasi".

Antes, já alguns autores se haviam referido a ela no século XVII e no século XIX, nomeadamente, Meyer Keyserling na sua "História dos Judeus em Portugal", "Geschichte Der Juden in Portugal", publicada em 1867. Mas é sobretudo no século XX que se desenvolvem obras romanescas e estudos históricos dedicados à sua vida e personagem dos quais o grande marco é o livro de Sir Cecil Roth, "Dona Gracia Nasi" publicado em 1948.

"A Senhora" de Catherine Clément (1992)

Foi Alain Oulman (colaborador e herdeiro da editora de livros francesa Calmann-Levy) quem convenceu Catherine Clément a escrever "A Senhora" (1981-1989) . Era uma história que ele conhecia bem, por ser sobrinho de uma mulher que acreditou ser uma reencarnação de Beatriz de Luna.

Quando Alain Oulman lhe pediu que escrevesse a história de Gracia Nasi, ela começou por recusar: «eu sou judia, mas pertenço a outro mundo judeu. O meu avô nasceu em Baku, a minha avó algures na Checoslováquia, encontraram-se em Odessa, morreram em Auschwitz. Foram denunciados por um padre católico, e foi esse ponto que eu senti que tinha em comum com esta história».

Algumas das fontes de Catherine Clément

Catherine Clément refere que o livro de referência sobre a vida de Beatriz Luna é o de Sir Cecil Roth, "Dona Grácia Nasi" (1948), o primeiro volume de uma obra consagrada à casa dos Nasi. E sugere igualmente, entre outros livros, a leitura  do romance "Le Duc de Naxos" de Georges Nizan (1989).

As informações sobre as últimas comunidades marranas provém do filme "Les Derniers Marranes" de Frédéric Brenner e Stan Neumann, difundido em 1990 no canal Sept.


"O Fantasma de Hannah Mendes" ("The Ghost of Hannah Mendes") (1998)

Doña Gracia Mendes (ou Hannah Mendes) tem sido alvo de inúmeros livros, tanto novelas como estudos históricos. A perspectiva da escritora israelo-norte-americana Naomi Ragen é particularmente original: a  busca de um manuscrito perdido em pleno século XX.

A acção decorre em 1996, em Nova Iorque. Este é o lugar onde vive Catherine da Costa, viúva de Carl da Costa, um filho do Rabino Obadia da Costa. Quando Catherine sabe que tem pouco tempo de vida, engendra um plano para que as suas netas, Francesca e Suzanne, que nunca tinham ligado muito à sua ascendência judaica, se interessem pela procura, na Europa, das páginas perdidas de um manuscrito antigo, do século XVI, relatando a história de Hannah Mendes, a sua fuga à Inquisição, bem como a sua falsa, porque compulsiva, conversão ao Cristianismo.

 
"O Judeu de Malta" e "O Mercador de Veneza"

Christopher Marlowe ter-se-à inspirado numa história sobre Joseph Nasi para escrever uma peça sobre um mau negociante judeu que através de artimanhas tinha conseguido enganar os príncipes europeus. Confundiu Chipre com Malta e intitulou a peça de "O Judeu de Malta". Mais tarde William Shakespeare teve conhecimento do Judeu de Malta e transformou Joseph Nasi, duque de Naxos, em Shylock, "O Mercador de Veneza".


Em Portugal

A vice-presidente da comunidade israelita em Portugal, Esther Mucznik, é a autora do livro "Grácia Nasi - a Judia portuguesa do século XVI que desafiou o seu próprio destino" (2010).

Esther Mucznik admite que inicialmente hesitou em escrever sobre Grácia Nasi, visto que já há muitos livros sobre a história desta mulher. A autora explica que escreveu uma biografia baseada nos factos existentes, embora acabe por passar a sua visão de judia portuguesa sobre o assunto.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Formação da nação brasileira em "Iracema" (1865) e "O Guarani" (1857) de José de Alencar


"Iracema", um dos mais belos romances da literatura romântica brasileira, foi publicado em 1865 pelo escritor José de Alencar.

O romance conta, de forma quase poética, o amor de um branco, Martim Soares Moreno, pela índia Iracema, a virgem dos lábios de mel.

A relação do casal serviria de alegoria para a formação da nação brasileira. A índia Iracema (anagrama de América) representaria a natureza virgem e a inocência enquanto o colonizador Martim (referência explicita ao deus grego da guerra, Marte) representa a cultura europeia.

Da junção dos dois surgirá a nação brasileira representada alegoricamente, então, pelo filho do casal, Moacir ("filho do sofrimento").


Lenda ou romance, Alencar aborda em Iracema (segundo alguns críticos) a história da fundação do Ceará e o ódio entre duas nações inimigas (Tabajaras e Pitiguaras), recorrendo a circunstâncias históricas e utilizando personagens reais como Martim Soares Moreno e o índio Poti (Antônio Felipe Camarão).

O filme

Em 1979 foi lançado o filme "Iracema, a virgem dos lábios de mel" com realização do brasileiro Carlos Coimbra, que era uma forma de aproveitar a beleza da atriz Helena Ramos, um símbolo sexual dos anos 70 e das "pornochachadas".


O protagonista masculino (Martim Soares Moreno) era o actor português Tony Correia que participara (entre outros trabalhos) na novela "O Casarão" e no filme "O Guarani" de Fauze Mansur.

Carlos Coimbra obteve um grande sucesso de bilheteira com "Iracema", o que incentivou a criação da produtora "Adepi do Brasil", em parceria com Tony Correia. A dupla lançou, em 1982, o filme "Os Campeões", com Armando Bógus e Monique Lafond no elenco, que no entanto não repetiu o sucesso do filme anterior.

"O Guarani" de José de Alencar



O primeiro grande sucesso de José Alencar foi "O Guarani" (que significa o indígena brasileiro), que conta a história de amor entre o índio Peri e Ceci, filha do colonizador português D. Antônio de Mariz.

"Na primeira metade do século XVII, D. Antônio de Mariz, fidalgo português, leva adiante no Brasil uma colonização dentro do mais rigoroso espírito de obediência à sua pátria."

Fontes: Nação Mestiça Meia Palavra / Filmes raros / Dramaturgia Brasileira / Enciclopédia do Cinema Brasileiro