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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Os luso-americanos no cinema de Hollywood (I)


Os luso americanos estiveram frequentemente ausentes do cinema norte-americano. Contudo os raros filmes que falaram dos luso-americanos apresentaram-nos em papeis de protagonista ou em papeis de suporte com alguma relevância e foram interpretados por algumas das grandes estrelas de Hollywood, como Spencer Tracy (em "Captain Courageous" de 1937), Edward G. Robinson (em "Tiger Shark" de 1932), Anthony Quinn (em "The World in his arms" de 1952) e Julia Roberts (em "Mystic Pizza" de 1988).


Uma das razões dessa escassez de papeis resulta da relativamente reduzida presença da comunidade lusa na literatura internacional, havendo de realçar clássicos como “Lobos do Mar” ou “Tortilla Flat”, adaptados de famosos escritores como Rudyard Kypling e John Steinbeck, contudo muitas das obras eram mais obscuras e menos eternas.

Curiosamente, a época do cinema mudo foi a que apresentou uma maior presença de luso-americanos, no entanto nos filmes “Martin Eden” (1914) e “Footfalls” (1921) os personagens de origem luso-americana (nas obras literárias) passaram a não ter qualquer ligação a Portugal.



A caracterização dos grupos étnicos, de uma forma negativa ou estereotipada, sempre fez parte da cultura popular, pelo que, sem surpresa, acabou por ser transposta para o entretimento, incluído o cinema.

A caracterização dos luso-americanos é, assim, também, muito diversificada, alternando aspectos positivos com negativos, como é o caso de Manuel, que se torna um exemplo de vida positivo para um menino mimado em “Lobos do Mar” (1937), ou Big Joe Portagee que passa os dias a mendigar por vinho de má qualidade em “Tortilla Flat” (1942), ambos os filmes sob direcção de Victor Fleming.

Fontes/Mais informações: Geoffrey L. Gomes "Cinematic portayals of Portuguese-Americans" / Mamie Caro / Portugees

Além dos filmes já referenciados, podemos igualmente destacar:


"I Cover the Waterfront" ("Ao longo do cais") (1933)
 
Filme realizado por James Cruze, com Ben Lyon no papel do jovem jornalista Joe Miller e Claudette Colbert como filha de um pescador pouco escruploso (Eli Kirk interpretado por Ernest Torrence).

A acção decorre em San Diego e envolve a entrada ilegal de imigrantes chineses. Eli Kirk é o responsável por este negócio, que é apoiado - ainda que de forma reluctante - por Tony Silva, um pescador de origem portuguesa, que é interpretado pelo actor George Humbert, que também desempenhou o papel de Manuel Lopez no filme "Daughters Courageous" (de 1939).

Mrs. Silva é interpretada pela actriz francesa Rosita Marstini.


O filme é baseado no livro de Max Miller que relata diversas histórias reais que lhe aconteceram enquanto era repórter que cobria os embarques e desembarques num porto californiano.

(Fonte/Mais informações: Pop corn time movies  / Movie classics / Youtube  )


"He Was Her Man" ("O Homem que eu perdi") (1934)

Filme realizado por Lloyd Bacon, com James Cagney no principal papel, Flicker Hayes, um arrombador de cofres recém-saído da prisão, que se quer vingar dos homens que o incriminaram. Quando se esconde em San Francisco, conhece Rose Lawrence, uma antiga prostituta, que está prestes a casar com Nick Gardella (interpretado por Victor Jory), um pescador português que vive numa pequena cidade mais a sul, onde Flicker, que adopta o nome de Jerry Allen, acaba por se esconder.  

Flicker é reconhecido por Pop Sims, mas não se apercebe dessa situação, sendo seguido até a essa pequena cidade, onde Pop arrenda um quarto na casa dos Gardella.


Rose pretende que Flicker/Jerry se vá embora, mas os Gardella convidam-no para o casamento. Rose pretende desistir do casamento, por se ter apaixonado por Flicker/Jerry, mas Nick acredita que podem passar um pano sobre tudo o que aconteceu e que poderão ser felizes (pois Flicker entrega-se às autoridades para salvar Rose). 

A mãe de Nick, creditada como Mrs. Gardella, é interpretada por Sarah Padden.


(Fonte/Mais informações: Histórias de CinemaTCM  / Mupi )


"Prison break" ("Feras humanas") (1938)

Filme de série B realizado por Arthur Lubin para a Universal Pictures, com argumento de Norton S. Parker e Dorothy Reid, adaptado do conto "The Walls of San Quentin" de Norton S. Parker.

A acção decorre na Califórnia, sendo o filme protagonizado pelo actor Barton MacLane, que desempenha o papel de Joaquin Shannon, um pescador de atum, de origem portuguesa e islandesa, que é injustamente acusado de matar o irmão da sua namorada (a família da namorada não aprovava o seu relacionamento com um "Portuga").

Maria, a irmã de Joaquin, era interpretada pela actriz Constance Moore.

 
(Fontes/Mais informações: WikipediaImdb / Geoffrey L. Gomes "Cinematic portayals of Portuguese-Americans" / Youtube )

"Daughters Courageous" ("Filhas corajosas") (1939)


Segundo dos quatro filmes protagonizados pelas três irmâs Lane (Lola, Rosemary e Priscilla), sendo a quarta irmã interpretada por Gale Page. Os principais actores masculinos são John Garfield, no papel de Gabriel Lopez, o filho de um pescador português, e Claude Rains.

Realizado por Michael Curtiz, com argumento dos gémeos Julius J. Epstein e Philip G. Epstein (que viriam a colaborar em "Casablanca"),  adaptado da peça "Fly Away Home" de Dorothy Bennett e Irving White, "Daughters courageous" não é uma sequela, pois trata-se de uma família distinta dos outros filmes ("Quatro irmãs", "Quatro noivas" e "Quatro mães").


Nan Masters, uma mãe "solteira", vive com as suas quatro filhas casadoiras e planeia casar-se com Sam, um empresário. Mas é surpreendida pelo regresso de Jim, o seu primeiro marido, que abandonara a sua família durante vinte anos. O errante e irresponsável Jim é recebido friamente pela sua família, mas a sua personalidade cativa as quatro filhas.

Uma das irmãs, Buff, está enamorada por Gabriel, um pescador de origem portuguesa algo cínico e irresponsável (como o pai das jovens), mas tem a oposição da sua mãe, Nan, que sabe da conturbada história do jovem e teme que a filha sofra o mesmo que ela. Gabriel acaba por perceber que o seu feitio não se ajustará a uma vida familiar convencional, pois tem o mesmo espírito errante de Jim, pelo que decidem viajar juntos pelo mundo, deixando assim o caminho livre para Nan se casar com Sam e impedindo Buff de repetir o erro de sua mãe.

Gabriel é admoestado pelo pai
Manuel Lopez, pai de Gabriel, é interpretado por George Humbert (que interpretou outro pescador português em "I cover the waterfront" de 1933).

Fontes/Mais informações: Wikipedia / Memorial da Fama / American Film Institut  / Excerto / Trailer

domingo, 15 de novembro de 2015

Comunidade piscatória de San Diego em “Tuna Clipper” (1949) e “Chubasco” (1968)


“Tuna Clipper”, filme realizado por William Beaudine, aborda a relação de Alec McLennan, um jovem de ascendência escocesa, interpretado por Roddy McDowall (que se destacara como actor infanto-juvenil nos filmes “Como era Verde o meu Vale” e “Lassie come home”) com uma família luso-americana, os Pereira, que se dedica à pesca de atum na área de San Diego, na Califórnia.

Entre os personagens de origem portuguesa é de realçar Bianca Pereira (Elena Verdugo), que namora com Alec, e os seus irmãos Frankie (Dickie Moore) e Silvestre (Rick Vallin), bem como o Capitão Manuel Pereira (Peter Mamakos) e o Pai Pereira (Michael Vallon).

O filme foi analisado por François Truffaut, quando era crítico de cinema, que elogiou o filme pela sua modéstia e honestidade ("A scenario whose charm lies in its modesty and honesty").


Sinopse de "Tuna Clipper"

Alec (Roddy McDowall), um jovem de descendência escocesa, tem a esperança de ser advogado, mas a necessidade de pagar uma dívida de jogo do seu amigo de infância, Frankie Pereira, leva-o a juntar-se à tripulação da família Pereira que se dedica à pesca do atum.

O pai de Alec não aprova a nova ocupação do filho e põe o jovem fora de casa, forçando-o a se hospedar na casa dos Pereira.


Silvestre, o irmão de Frankie, faz-lhe “a vida negra” enquanto Alec trabalha no barco. Mas, mais tarde, tornam-se amigos quando Alec salva a sua vida.

O pai Pereira fica desconfiado, quando repara que Alec está sempre sem dinheiro. Bianca, que namora com Alec, também fica desconfiada e partilha esse seu sentimento com Manuel, um outro pescador, o qual acaba por descobrir que Ransome, um vendedor de seguros de mau carácter, anda a extorquir dinheiro de Alec para pagamento da dívida de jogo de Frankie.

Ao descobrirem que Ransome cobrava o pagamento da dívida a Alec e, em simultâneo, recebia de Frankie, exigem a restituição do dinheiro de Alec, o qual é perdoado pela sua família quando descobrem o motivo da sua saída de casa.

Fontes: wikipedia / TCM / Notes on cinematograph 


"Chubasco"

“Chubasco” (“Pelos Mares do Mundo” no Brasil) é um filme realizado por Allen H. Miner em 1968 cuja acção decorre na comunidade piscatória de San Diego. Foi rodado em Point Loma e nos subúrbios, em barcos locais como o “Bernardette”.

Além de Sebastian Marinho e da sua filha Angela (conhecida como Bunny), a comunidade portuguesa é igualmente representada por actores como Simon Oakland (como Laurindo) e Joe De Santis (Benito), que interpretam dois pescadores portugueses.

 
Sinopse de "Chubasco"

Chubasco (Christopher Jones) é um jovem com um passado turbulento que é obrigado a se juntar a uma frota de pesca de atum para não ser preso. Chubasco apaixona-se por Angela (Susan Strasberg), uma jovem de ascendência portuguesa, mas tem, no entanto, uma relação de conflito com Sebastian  (Richard Egan), o pai de Angela que desaprova essa relação.

O jovem tenta endireitar a sua vida, mas há sempre alguém a querer impedi-lo.

Fontes: wikipedia / cinetropic  / "Portuguese community of San Diego" / Youtube

Angela, Sebastian e Chubasco


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Na pista dos baleeiros açorianos de "Moby Dick" (1851)

 

"Moby Dick" foi publicado em três fascículos com o título de "Moby Dick" ou "A Baleia" em Londres em 1851, e ainda no mesmo ano em Nova York em edição integral.

O livro foi revolucionário para a época, com descrições imaginativas das aventuras do narrador - Ismael, suas reflexões pessoais, e grandes trechos de não-ficção, sobre variados assuntos, como baleias, métodos de caça, arpões, a cor branca (de Moby Dick), detalhes sobre as embarcações e seu funcionamento, bem como sobre o armazenamento de produtos extraídos das baleias.


A obra acompanha Ismael quando este se alista no baleeiro Pequod e segue-o na saga do capitão Ahab, um louco que atravessa oceanos para vingar a perda da sua perna, arrancada por um mítico cachalote branco.

A determinado momento do livro descobre-se, na tripulação do navio, Daniel, um marinheiro açoriano, da minúscula ilha do Corvo. Para a maioria dos leitores, o motivo da presença de um português na obra permaneceu um mistério durante décadas.


Melville esclarece que "não poucos destes caçadores de baleias são originários dos Açores, onde as naus de Nantucket que se dirigem a mares distantes atracam, frequentemente, para aumentar a tripulação com os corajosos camponeses destas costas rochosas. Não se sabe bem porquê, mas a verdade é que os ilhéus são os melhores caçadores de baleias".

Foi na cidade de Fairhaven, no Estado de Massachusetts, que Herman Melville embarcou numa baleeira no dia 3 de Janeiro de 1841. O escritor viveu 18 meses no Acushnet, o navio do capitão Valentine Pease Jr. e foi essa experiência que alimentou as minuciosas descrições publicadas em 1851.


Na sociedade fechada do arquipélago, os açorianos viam nos cascos dos navios o reflexo de um mundo novo, perdido em abundância e aventura, e embarcavam. Assim que tocavam os porões gordurosos das baleeiras, mudavam de nome: os Rosa passavam a Roger, os Freitas a Frates, os Machado a Marshall.

Pequod, o navio baleeiro de Moby Dick, esteve ao largo dos Açores, mas não fez escala. Dezenas de páginas do romance nasceram no terreno das experiências pessoais do seu autor. Se menciona os baleeiros açorianos, terá Melville conhecido algum ?


O jornalista Alexandre Soares foi no encalço destes nossos antepassados e encontrou Laura Pereira, uma bibliotecária casada com um português, que lhe mostrou uma moldura castanha com uma lista da tripulação do Acushnet. “São os companheiros de Melville”, explica. Esta pode ser a prova definitiva de que o escritor conheceu um baleeiro açoriano.

Laura começa a virar a moldura. Com algum esforço, a mancha de letras ganha alguma definição. Já se distingue a caligrafia do capitão, o barco tinha uma tripulação de 27 homens. Mais alguns segundos e a espiral de letras e linhas organiza-se para destacar quatro nomes: George M. Gurham, Joseph Luís, John Adams, Martin Brown. Jorge, José, João e Martim. Todos açorianos, os quatro da ilha do Faial. Mistério resolvido.

Fontes/Mais informações: Diário de Notícias / moby dick game /  wikipedia / whaling museum


sábado, 15 de novembro de 2014

Jerry Lewis "...em Londres" (1968) e em Lisboa (1969)


Muitos já vieram filmar a Lisboa mas poucos o fizeram bem. Jerry Lewis tem dois filmes parcialmente rodados em Portugal: "Hook, Line And Sinker” (“Jerry, Pescador de Águas Turvas”) e “Don’t Raise the Bridge, Lower the River” (“Jerry em Londres”).

Parte da rodagem do filme “Hook, Line and sinker”,realizado por George Marshall, decorreu em Lisboa, Loures e Sesimbra.

O repórter do DN explicava, na edição de 12 de Junho de 1968, que a equipa da Jerry Lewis Productions tinha iniciado as filmagens de algumas cenas da película em Loures.

O actor tinha descido da suite dez minutos depois das sete da manhã. "Alto, talvez mais do que aparenta nos filmes, com um ar repousado e algo superior, Jerry foi 'assaltado', imediatamente, pelos grooms do [Hotel] Ritz, aos quais distribuiu, maquinalmente, sem dizer uma só palavra, uma série de autógrafos." A empatia entre o actor americano e o jornalista português não podia ser menor.

"Tentámos então conhecer o argumento de 'Hook, Line and Sinker' e das razões da escolha do nosso país para a filmagem de algumas sequências. Mas Jerry, pelos vistos, não é grande conversador", lamentava o autor do texto.


Da publicidade do filme e do filme

"A vida louca de Jerry ! Pesca em alto mar em Acapulco ! Cha-cha-cha em Montego Bay ! A vida em festa em Portugal"

“Desistiu da pesca e concentrou-se na dança ? Nada disso ! Ouvi falar num enorme cardume de atum no sul de Portugal. O Portugal pitoresco, à beira mar plantado. Um país lindo, com um povo trabalhador e maravilhoso, que trabalha principalmente com o peixe. Uma exportação enorme de peixe. E se julgam que aqui há gato esperem até ouvir o resto da história. É uma delícia.”


Sinopse

Peter Ingersoll (Jerry Lewis) é uma pessoa bem sucedida: tem uma casa, uma esposa, dois filhos, um cachorro e um óptimo trabalho. O seu melhor amigo e pessoa de confiança é o seu médico Scott Carter (Peter Lawford). Após Peter efectuar um exame médico, Scott comunica-lhe, inesperadamente, que a sua vida está com os dias contados.

Peter fica chocado e sem saber o que fazer, mas acaba por seguir o conselho da sua esposa Nancy (Anne Francis) que lhe sugere que aproveite esse tempo que lhe resta para viajar e principalmente pescar, que era o que há tempos Peter queria fazer. Em pouco tempo, Peter, sem se aperceber, fica com uma dívida de 100 mil dólares, pois utilizou o cartão de seguro de vida da empresa onde trabalhava.

Enquanto Peter está em Portugal, Scott entra em contato com ele para lhe informar que o resultado do exame estava errado e que adfinal ele não iria morrer tão cedo. A reação de Peter acaba, no entanto, por ser mais inesperada do que a que teve quando ele recebeu o falso resultado, pois não sabe como poderá pagar uma dívida de 100 mil dólares.


Opinião de Eurico de Barros (DN 2013)

Há uma péssima comédia de 1969 chamada "Jerry, Pescador de Águas Turvas", em que a personagem principal, interpretada por Jerry Lewis, pensa sofrer de uma doença terminal, e vem a Lisboa pensar na vida. Não só a cidade é filmada de forma absolutamente indiferente, como os lisboetas aparecem a falar espanhol, o que à altura fez com que a fita fosse sonoramente vaiada cá.



Curiosidade

Durante a rodagem, surgia no local o presidente da Câmara de Loures, a quem Stabile (secretário de Jerry Lewis) ofereceu "um isqueiro com o nome e uma caricatura de Jerry Lewis". E ali mesmo, "através de um cachet de 50 escudos e um maço de cigarros, uma carroça, puxada por um cavalo, entrou como figurante no filme". Outros tempos, outras fitas.

Fontes "Hook, Line and Sinker": Diário de Notícias (1968 e 2009) / wikipedia / youtube / captomente / filmow



"Jerry em Londres" 

Em “Jerry em Londres”, George Lester (Jerry Lewis) é um americano que vive em Londres (e não chega a vir a Portugal). A sua maior paixão é planear esquemas de enriquecimento rápido. Mas isso acaba por o prejudicar, uma vez que a esposa, Pamela (Jacqueline Pierce), ameaça pedir o divórcio. O vigarista Willy Homer (Terry Thomas), no entanto, pretende ajudar George a ganhar dinheiro de forma fácil vendendo planos para um grupo de árabes.

O esquema passa por Lisboa. Os planos estavam nos dentes e George sugere que Willy localize um dentista português desonesto. O Dr. Stink sugere o Dr. Joseph Pinto (John Bluthal), um dentista mulherengo, que acaba por os enganar.


Fontes "Hook, Line and Sinker": Diário de Notícias (1968 e 2009) / wikipedia / youtube / filmow

Fontes "Don't Raise ...": DVDTV / wikipedia 2 / Youtube

 
 
 

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

“Portuguese Joe Silvey" de Jean Barman (2004)

"The Remarkable Adventure of Portuguese Joe Silvey" publicada em 2004 é o primeiro trabalho de Jean Barman abordando a problemática da emigração açoriana para a Colúmbia Britânica.

No prefácio desta obra escreve Manuel A. Azevedo: "Existe um provérbio português que diz que Deus está em todo o lado, mas os portugueses chegaram lá primeiro."

Joe Silvey

Joe Silvey (Silva) foi um dos primeiros pioneiros portugueses a chegar ao Canadá muito antes de 1867, o ano da Confederação à qual a Colúmbia Britânica se juntou em 1871.

A história do picoense Joe Silvey iniciou-se durante a corrida ao ouro de 1858 na Colúmbia Britânica. Estes foram os anos em que a população não nativa cresceu do dia para a noite. As 1000 almas que habitavam a Colúmbia Britânica viram de um momento para o outro o seu lugar "inundado" por sonhadores à procura de riqueza. Em pouco tempo a população somava 20.000 pessoas.

Todavia, o picoense Joe Silvey não encontrou fortuna no ouro mas encontrou uma esposa nativa da localidade que mais tarde ficaria conhecida por Vancouver.


Matrimónio e fixação em Stanley Park

Silva casou com Khaltinaht, neta do lendário chefe índio Kiapilano. Após o matrimónio, o casal partiu de canoa rumo a Point Roberts onde José Silva abriu um bar (saloon) e se dedicou à pesca. Viveu em Brockton Point, a actual Stanley Park, localidade onde acabaria por encontrar outros companheiros de língua entre eles o baleeiro Peter Smith, Joe Gonsalves, o primeiro polícia de Vancouver, Tomkins Brew.

Todos eles, com excepção de Gonsalves, que permaneceu solteiro - casaram com mulheres aborígenes.

Jean Barman publicou igualmente "Stanley Park’s Secret", uma obra mais abrangente que recorda também as famílias esquecidas do Rancho kanaka, Brockton Point e Whoi Whoi.

Curiosidades sobre Joe Silvey

Silvey, que nasceu na pequena Ilha do Pico, na cidade de Calheta de Nesquim, empregou-se num navio americano aos 12 anos de idade e, eventualmente abandonou a tripulação e se estabeleceu nesta província – e 158 anos após o início da sua aventura na costa do Canadá, há mais do que 1.000 dos seus descendentes espalhados por esta província.

Joe adquiriu uma propriedade em Stanley Park, estabeleceu um negócio de pescaria, construiu o seu primeiro barco e iniciou a indústria de pesca com redes – usando a sua experiência lusitana.

Documentário

Alguns sorriram admirados… outros choraram. Foi uma experiência emocionante para todos,” assim descreveu o produtor Bill Moniz em entrevista à Voz Lusitana, referindo-se à reacção dos descendentes de Joe Silvey, quando viram o documentário “Portuguese Joe” no mês de maio de 2008.

Uma vêz cada ano os descendentes de Joe Silvey se reunem no pequeno cemitério em Reid Island, o único pedaço de terra da ilha que ainda é de propriedade do saudoso português, com o propósito de honrar a sua memória. Bill Moniz capturou em filme a emoção do momento.

Fontes / Mais informações: Straight.com / Fernando Cândido / Imdb / Lusos na diáspora / Cunnusreborn / Eduardo B. Pinto / Voz lusitana

terça-feira, 2 de novembro de 2010

"Os Portugueses no Faroeste: Terra a Perder de Vista" de Donald Warrin e Geoffrey L. Gomes (2001)

No fim do século XIX havia 22.474 cidadãos lusos na zona Nordeste dos Estados Unidos, dos quais mais de 90 por cento residentes no Massachusetts e no Rhode Island. "Land As Far As the Eye Can See", de Donald Warrin e Geoffrey L. Gomes, chega a Estados nunca antes considerados, entre os quais o Nevada, o Oregon, o Wyoming, o Arizona, o Idaho ou o New Mexico.

Trabalho de detective

"Foi um trabalho de detective. Já se escreveu muito sobre a imigração portuguesa da Califórnia e da Nova Inglaterra, mas nunca se tinha escrito nada sobre os portugueses que se fixaram no Velho Oeste, muito provavelmente por terem sido poucos.

Nas pequenas comunidades onde viveram, as pessoas conhecem essas histórias, mas não são do domínio comum". É por isso que há chineses e italianos nos "westerns" mas nós nunca estamos lá, apesar de termos chegado "a ser representativos" na construção do caminho-de-ferro transcontinental.

Espírito aventureiro

"Os portugueses tinham um espírito aventureiro que outros imigrantes nunca demonstraram: estiveram em sítios onde a maioria tinha medo de ir, e estiveram lá muito precocemente e não muito acompanhados.

Acho que adquiriram essa coragem a bordo dos baleeiros: quando chegavam à América já tinham estado no Pacífico Sul, já tinham encontrado pessoas de raças completamente diferentes e, por isso, na Califórnia eram dos menos relutantes a seguir em frente, em direcção ao interior.

Não tinham medo dos nativos americanos, nem dos perigos da fronteira, mesmo quando estavam sozinhos nesse ambiente inóspito. Encontrei comunidades do Velho Oeste onde nunca houve mais do que quatro ou cinco portugueses e mesmo assim pude escrever sobre eles, porque fizeram um nome."


Ruralidade

"Um dos aspectos mais singulares da imigração portuguesa é a sua tendência para ser muito rural e portanto muito isolacionista, sobretudo na região californiana de San Joaquin Valley.

As pessoas viviam em ranchos que eram como pequenas ilhas e tendiam a não socializar ou a socializar com outros portugueses, sobretudo com os que vinham da mesma ilha.

Há uma explicação para isso, que tem a ver com o individualismo destes imigrantes: eles sabiam que só se sairiam bem como agricultores ou criadores de gado, porque a cidade exigia deles uma educação que não tinham.

Sobreviveram porque economicamente eram independentes - tinham as suas terras, os seus negócios - e porque eram extraordinariamente poupados".

Outras actividades

Além de agricultores e criadores de gado, os portugueses do Oeste também foram barbeiros (sobretudo nas cidades mineiras do Nevada), cocheiros, condutores de diligências, operários ferroviários e dramaturgos (Tom de Freitas foi o primeiro cidadão do Idaho a publicar uma peça de teatro).

Tiveram carrinhas de distribuição de leite (como Joseph Oliver, que entre 1876 e 1913 distribuiu pessoalmente a sua produção, 365 dias por ano), hotéis e "saloons".


"Portuguese Joe" na ficção literária

Há um pescador nascido na ilha do Corvo no mítico "Moby Dick", de Herman Melville, mas o "Portuguese Joe" (cozinheiro do sr. Keane) de "Nos Mares do Sul" (Robert Louis Stevenson, 1850-1894), um dos clássicos do Romantismo escocês e anglo-saxónico, é o protótipo dos marinheiros migrantes portugueses do século XIX.

Como uma série de açorianos daquele tempo, também ele parece ter deixado as ilhas a bordo dos grandes navios pesqueiros, à procura de uma vida melhor. Como quase todos aqueles, também ele se chamava “Joe” – abundavam entre as classes sociais mais modestas nomes como José, João, Joaquim ou Jorge.

Fontes/Mais informações: Joel Neto (Grande Reportagem) / Inês Nadais (Ipsilon/Público, pág. 26) / Jornada online / Mundo Português