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sábado, 15 de março de 2014
Jarbas Junior aborda temáticas portuguesas em “Navio Português” (2004) e “A Espada de Camões” (2012)
O escritor cearense Jarbas Junior publicou em 2004 a epopeia moderna “Navio Português”, que abrange um conjunto de poesias identificadas com os justos e nobres anseios da lusofonia.
"Navio Português" é bem a prova desse mérito, pela grandeza do tema e pela força literária com que se apresenta. Nele as ressonâncias de Camões e de Fernando Pessoa são mais do que simples influências: lembram contactos mediúnicos …, revelações telepáticas – como é sugerido no prefácio que, mais do que uma introdução, é verdadeiro canto de amor a Portugal.
Nem poderia ser diferente: “Navio Português” é, todo ele, uma celebração da terra lusitana, “o país que coube numa nau”, segundo o primoroso achado do poeta. Jarbas Junior traz a lume um rosário de cantos e acalantos em louvor à terra lusitana, onde celebra os seus heróis e poetas, evoca os imperecíveis feitos de Vasco da Gama, Camões, Cabral, e descortina em luminosa metáfora os cenários esplêndidos das paisagens ibéricas.
“A Espada de Camões”
“A Espada de Camões” narra, de uma forma ficcional, a vida e aventuras do maior poeta português. O livro de Jarbas Junior apresenta Camões "de modo incomum, como aventureiro de terras e mares, em ritmo alucinante, com enredo de estilo cinematográfico, envolvente, dinâmico, cativante".
O romance “A Espada de Camões” surge para revelar ao mundo as aventuras e proezas de um herói que foi poeta; oferecendo assim, aos leitores de todas as idades, um modelo de virtudes e conduta moral a ser seguido.
Não se trata de uma biografia e sim de um romance, onde ficção e realidade se misturam a bel prazer do autor, que até consegue salvar de um fim ingrato a bela Dinamene, desaparecida após um naufrágio na costa da África, quando se perderam também diversos manuscritos do grande poeta lusitano.
No livro, a bela chinesa continua viva, mas Camões não sabe. Ela, também, pensa que ele desapareceu no mar, até que chega às suas mãos um exemplar de “Os Lusíadas”, publicado dez anos após o naufrágio. Mas… Tem sempre um mas… Ela está casada com outro, o capitão do galeão espanhol que a salvou e mora em Madrid.
Do porte de um Dante, Virgílio, Cervantes – Camões se vê cercado por uma caterva de nobres invejosos, que impedem seu acesso à corte e tentam roubar seu precioso manuscrito…
Fontes: Casa do Ceará / Thesaurus / Nosrevista / Márcio Catunda / Edmilson Caminha / Google books
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terça-feira, 30 de outubro de 2012
Duas rainhas luso-espanholas em "Inês de Castro" e “Rainha Santa” (anos 40)
Seguindo a “tradição” italiana de reabilitação de figuras históricas, os franquistas adoptaram a rainha Isabel, a católica, bem como outros mulheres famosas na história de Espanha, como modelos femininos a seguir. Entre esses nomes incluíram-se os nomes de Inês de Castro e da Rainha Santa Isabel (Isabel de Aragón), que deram origem a dois filmes com co-produção luso-espanhola.
"Inês de Castro" de Leitão de Barros e García
Viñolas (1944)
Em “Inés de Castro” aparece como consultor Luís Dias Amado,
que iniciara os seus trabalhos em Espanha com “Raza” (de 1942), um filme com
argumento de Franco realizado por José Luís Saenz de Heredia.
Aníbal Contreiras é apenas creditado como argumentista em
“Rainha Santa”, contudo o seu papel foi mais interventivo, sendo-lhe atribuído
o papel de co-produtor do filme. Luís Reis Torgal considera que Contreiras foi
um importante colaborador da Espanha “nacionalista”, pelo que que se pode dizer
que o filme “Rainha Santa” se integrava bem, pela sua temática na linha do
“Bloco ibérico”.
García Viñolas, chefe do Departamento de Cinematografia do
Governo Espanhol, é, por vezes, creditado como co-realizador, e o consultor
literário da versão espanhola foi o poeta Manuel Machado que, assim, se colocou
ao serviço do novo regime.
Ver os "portugueses"
Uma tarde, pouco depois da estreia de “Inês de Castro” em
Madrid, alguém surpreendeu um grupo de estrangeiros no “hall” do Palace Hotel,
a discutir onde deveriam ir passar essa noite. As opiniões dividiam-se e uma
senhora francesa apresentou, a certa altura, uma sugestão, que reuniu todos os
votos: Vamos ver, hoje, os “portugueses”!
“Ver os portugueses”, equivalia, pura e simplesmente, a ver
“Inês de Castro”. Porque já então os portugueses, mercê da própria
distribuição, se haviam, no consenso do público e da crítica, avantajado aos
restantes intérpretes. “Inês de Castro”, grande cartaz em Madrid, eram eles.
O filme “Rainha Santa” foi a primeira produção das Produções
Aníbal Contreiras, que foi também autor do argumento e responsável pela versão
portuguesa. Como era costume nas co-produções com Espanha, o filme contava no
elenco com artistas de vários países.
De Portugal entravam: António Vilar no papel do Rei D.
Dinis; Virgílio Teixeira no papel de D. Afonso Sanches; Barreto Poeira no papel
de escudeiro do rei e ainda Julieta Castelo como Aia da rainha. No lado dos
espanhóis surgia a bela Maruchi Fresno; Luis Peña; Fernando Rey; José Nieto no
papel de Vasco Peres e a actriz Mery Martin. Ao todo eram mais de 20 actores,
entre milhares de figurantes. O filme mostrou ser uma autentica super-produção
para a época.
O filme ganharia no país vizinho, o prémio de melhor
realizador, atribuído pelo Círculo de Escritores Cinematográficos, e ainda o
terceiro prémio de melhor filme atribuído pelo Sindicato Nacional del
Espectáculo.
Após o término deste filme, e devido ao seu sucesso
comercial em Espanha, António Vilar radica-se nesse país onde passa a ser
contratado para protagonizar vários filmes espanhóis. Dava-se assim início a
uma grande carreira internacional. Aliás, o mesmo seria feito por vários outros
artistas. Virgílio Teixeira; Teresa Casal; Isabel de Castro; Carlos Otero e
Maria Dulce.
O mercado espanhol, muito mais amplo que o nosso dava assim
uma projecção que eles nunca obteriam no nosso país.
Fontes/Mais informações: Blogue pessoal de Paulo Borges /
Filmes portugueses / José Maria Folgar de la Calle ("Sobre Inés de Castro
e Reina Santa, películas Hispanoportuguesas de los anos 40")
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quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Leonor da Fonseca Pimentel, "A Portuguesa de Nápoles"
Leonor da Fonseca Pimentel (Roma, 13 de Janeiro de 1752 - Nápoles, 20 de Agosto de 1799), conhecida como Eleonora de Fonseca Pimentel, "A Portuguesa de Nápoles". Ficou na história por ter defendido ideais liberais que conduziram à Revolução e à instauração da malograda República Napolitana (1799).
Ela foi poetisa, escritora, pedagoga, bióloga e uma das primeiras jornalistas europeias. Amiga íntima de intelectuais e revolucionários, desempenhou um papel de relevo na revolução jacobina de Nápoles de 1797, inspirada pelo ideário social e político da Revolução Francesa.
Leonor fundou o jornal oficial da república então instalada - "O Monitore Napolitano" - considerado o primeiro jornal político napolitano - que teve profunda influência na moderação das decisões do governo revolucionário
Leonor da Fonseca Pimentel, que se considerava "filha de Portugal", cultivou a língua pátria e manteve correspondência com intelectuais portugueses.
Em 1777, chegou a escrever uma peça de teatro de homenagem ao Marquês de Pombal: "Il Trionfo della Virtù". Em Nápoles, o seu nome foi dado a uma Escola do Magistério Primário em homenagem à forma denodada como defendeu o primado da educação.
A portuguesa de Nápoles, como ficou conhecida, figura no Pantéon di Martiri dela Libertà, tornando-se, portanto, uma referência do pensamento político italiano. Embora multifacetada, distribuindo os seus esforços pelo jornalismo, a luta política, a biologia, a poesia e a pedagogia, Leonor ficou na História por ter defendido os ideais liberais que conduziram à Revolução jacobina de Nápoles e à instauração da malograda República Napolitana (1797-1799).
Em 1799, Leonor foi acusada de crime contra o Estado e enforcada na Praça do Mercado de Nápoles.
Desde 1997 que a cidade de Nápoles homenageia a vida cultural multifacetada de Eleonora, daí resultando estudos, teses, colóquios e exposições dedicados à sua vida e obra.
Livros sobre Eleonora de Fonseca Pimentel
• Benedetto Croce, "Eleonora de Fonseca
Pimentel" (1887)
• Bice Gurgo, "Eleonora Fonseca Pimentel" (1935)
• Maria Antonietta Macciocchi, "Cara Eleonora" (1993)
• Elena Urgnani, "La Vicenda Letteraria e Politica di Eleonora de Fonseca Pimentel, Nápoles" (1998)
• Enzo Striano, "Il resto di niente. Storia di Eleonora de Fonseca Pimentel e della rivoluzione napoletana del 1799" (1986)
• Bice Gurgo, "Eleonora Fonseca Pimentel" (1935)
• Maria Antonietta Macciocchi, "Cara Eleonora" (1993)
• Elena Urgnani, "La Vicenda Letteraria e Politica di Eleonora de Fonseca Pimentel, Nápoles" (1998)
• Enzo Striano, "Il resto di niente. Storia di Eleonora de Fonseca Pimentel e della rivoluzione napoletana del 1799" (1986)
"Il Resto di Niente" de Enzo Striano (1986)
"Il Resto di Niente" ("A Portuguesa de Nápoles" na versão portuguesa) foi escrito pelo italiano Enzo Striano em 1982. O autor enviou o manuscrito para vários editores, mas alguns devolvem o livro sem sequer o ler, por não terem interesse no assunto e no tamanho da obra. O autor decide, então, em 1986, não esperar mais e o livro acaba por sair pela editora de livros escolares Loffredo, que já tinha publicado algumas antologias inovadoras com sucesso.
O romance obtém o consenso da crítica e é muito lido, mas esse sucesso circunscreve-se essencialmente a Nápoles. Passados 10 anos é publicado por uma grande editora e torna-se muito conhecido em toda a Itália, tendo vendido mais de 400 mil exemplares. Havendo inclusive quem tenha afirmado que se tratava do melhor romance histórico italiano desde "O Leopardo" de Lampedusa.
"Il Resto de Niente" de Antonietta de Lillo (2004) e a escolha de Maria de Medeiros (extracto de entrevista a Antonietta de Lillo)
Neste filme de 2004, Leonor da Fonseca Pimentel, a mulher que ficou na História por defender os ideais liberais, tem o rosto da actriz portuguesa Maria de Medeiros. Vêmo-la no centro da revolução jacobina de Nápoles, até à sua morte por enforcamento, em 1799.
"Pensei imediatamente nela [Maria de Madeiros, por ser portuguesa e por ser uma mulher pequena mas com muita força. Ela interpreta o papel de uma forma extraordinária. Não sou eu que digo, todos os críticos o disseram. Para ela, foi extraordinário conhecer esta personagem, de que não conhecia a existência."
"A primeira vez que a encontrei estava à espera da primeira filha. Quando filmámos, a Júlia tinha seis anos. Quando acabámos de filmar, a Maria estava à espera da segunda filha, a que chamou Leonor. É uma personagem que não se esquece. (...)"
Arte
Giuseppe Boschetto pintou o quadro a óleo "Eleonora Pimentel Fonseca condotta_al patibolo" (1869).
Música
Eugenio Bennato homenageou Eleanora no tema "Donna Eleonora" incluído no disco "Taranta Power" (1998)
Video Youtube
Em Portugal
Filme "A Portuguesa de Nápoles" (1931) de Henrique Costa
Livro "Leonor da Fonseca Pimentel - A Portuguesa de Nápoles (1752-1799)", de Teresa Santos e Sara Marques Pereira ( coord.)
Fontes/Mais informações: Blog Pimenta Negra / RTP / DN / JN / Mashpedia / Portal de Literatura / Iniziativa Laica / Anti-war songs /wikipedia / Livros do horizonte
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segunda-feira, 30 de julho de 2012
Grácia Nasi, uma história de vida
Grácia Nasi, baptizada com o nome cristão de Beatriz de Luna, nasceu em 1510 no seio de uma família de cristãos-novos (marranos) originários de Castela, vinda para Portugal após a expulsão dos judeus de Espanha, em 1492. Entre os convertidos encontrava-se a família de Grácia assim como a do seu futuro marido Francisco Mendes, aliás Semah Benveniste, natural de Sória em Castela.
Seu irmão Agostinho Miguel era médico na corte e leccionava medicina na Universidade de Lisboa. Em 1528, ao 18 anos, Beatriz casou-se com Francisco Mendes, que, junto com seu irmão Diogo Mendes, liderava um império de comércio de pedras preciosas e especiarias, cuja casa bancária tinha sucursais na França e Flandres. Do casamento nasceu uma única filha, de nome de baptismo Ana, a quem chamavam Reina.
Em 1535, Francisco Mendes morre, ficando Grácia e o cunhado, que dirigia a filial em Antuérpia, como gestores de uma imensa fortuna. A Inquisição foi estabelecida em Portugal em 1536 e Beatriz, percebendo o perigo que corria no país, abandona o país, com destino a Antuérpia, acompanhada da filha, da irmã e de seus sobrinhos Bernado e João Micas (futuro Joseph Nasi), então com 13 anos.
Em 1547 encontra-se em Veneza, porto de abrigo de gente das mais variadas partes do mundo e um expoente de cultura na Europa. Até 1547, o clima é de tolerância para com a comunidade judaica aí residente mas quando, a partir de 1550, o Senado da Sereníssima, renova o decreto de expulsão dos judeus confirmando que não era possível ali permanecer em segurança. A certeza quanto ao perigo que corriam chega em 1553 quando na Praça de S. Marcos são queimados exemplares do Talmude e outros livros judaicos.
Num momento em que cresciam as perseguições na Europa cristã um outro mundo de esperança se abria na Turquia. Em 1552 embarca para Constantinopla numa viagem que duraria seis meses. A primeira paragem seria Ragusa, um importante porto do Adriático, e Salónica.
(selo lançado em Israel)
Os dezoito anos em que vive em Istambul, no seu Palácio de Belvedere, junto às margens do Bósforo, são anos tranquilos em que finalmente pode confessar abertamente o judaísmo.
Grácia Nasi morre em 1569. É lembrada por muitos como “Uma das mais nobres mulheres e honrada como uma princesa”, símbolo do “coração do seu povo”, “Glória de Israel” e por aqueles que sempre auxiliou simplesmente como “A Senhora”.
A señora, a dama, Ha-geveret – em hebraico – marcou de uma maneira indelével a cultura judaica. Sua lembrança foi perpetuada através das inúmeras sinagogas que têm o seu nome, entre elas, uma em Esmirna, El Kal de la Señora, sinagoga que foi muito frequentada até 1970
Grácia Nasi é considerada a heroína por excelência do judaísmo, em geral, e do judaísmo sefaradita, em particular. Salvou centenas de marranos da morte e das perseguições. Tentou agir contra o anti-semitismo, impondo um boicote económico. Tentou construir uma pátria judaica na Palestina, tendo Tiberíades como base.
Fontes/Mais informações: Universidade de Coimbra / Comunidade Judaica de Belmonte / Óculos do mundo / Revista Lux / riototal / morasha / wikipedia / criptojews / redejudiariasportugal / Esther Mucznik
Museu on-line
Versão on-line de "A Senhora" de Catherine Clément
Livros e mais livros
A primeira biografia de Grácia Nasi foi escrita por uma mulher, Alice Fernand-Halphen, em 1929, na Revue de Paris sob o título: "Une Grande Dame Juive de la Renaissance - Gracia Mendes-Nasi".
Antes, já alguns autores se haviam referido a ela no século XVII e no século XIX, nomeadamente, Meyer Keyserling na sua "História dos Judeus em Portugal", "Geschichte Der Juden in Portugal", publicada em 1867. Mas é sobretudo no século XX que se desenvolvem obras romanescas e estudos históricos dedicados à sua vida e personagem dos quais o grande marco é o livro de Sir Cecil Roth, "Dona Gracia Nasi" publicado em 1948.
"A Senhora" de Catherine Clément (1992)
Foi Alain Oulman (colaborador e herdeiro da editora de livros francesa Calmann-Levy) quem convenceu Catherine Clément a escrever "A Senhora" (1981-1989) . Era uma história que ele conhecia bem, por ser sobrinho de uma mulher que acreditou ser uma reencarnação de Beatriz de Luna.
Quando Alain Oulman lhe pediu que escrevesse a história de Gracia Nasi, ela começou por recusar: «eu sou judia, mas pertenço a outro mundo judeu. O meu avô nasceu em Baku, a minha avó algures na Checoslováquia, encontraram-se em Odessa, morreram em Auschwitz. Foram denunciados por um padre católico, e foi esse ponto que eu senti que tinha em comum com esta história».
Algumas das fontes de Catherine Clément
Catherine Clément refere que o livro de referência sobre a vida de Beatriz Luna é o de Sir Cecil Roth, "Dona Grácia Nasi" (1948), o primeiro volume de uma obra consagrada à casa dos Nasi. E sugere igualmente, entre outros livros, a leitura do romance "Le Duc de Naxos" de Georges Nizan (1989).
As informações sobre as últimas comunidades marranas provém do filme "Les Derniers Marranes" de Frédéric Brenner e Stan Neumann, difundido em 1990 no canal Sept.
"O Fantasma de Hannah Mendes" ("The Ghost of Hannah Mendes") (1998)
Doña Gracia Mendes (ou Hannah Mendes) tem sido alvo de inúmeros livros, tanto novelas como estudos históricos. A perspectiva da escritora israelo-norte-americana Naomi Ragen é particularmente original: a busca de um manuscrito perdido em pleno século XX.
A acção decorre em 1996, em Nova Iorque. Este é o lugar onde vive Catherine da Costa, viúva de Carl da Costa, um filho do Rabino Obadia da Costa. Quando Catherine sabe que tem pouco tempo de vida, engendra um plano para que as suas netas, Francesca e Suzanne, que nunca tinham ligado muito à sua ascendência judaica, se interessem pela procura, na Europa, das páginas perdidas de um manuscrito antigo, do século XVI, relatando a história de Hannah Mendes, a sua fuga à Inquisição, bem como a sua falsa, porque compulsiva, conversão ao Cristianismo.
"O Judeu de Malta" e "O Mercador de Veneza"
Christopher Marlowe ter-se-à inspirado numa história sobre Joseph Nasi para escrever uma peça sobre um mau negociante judeu que através de artimanhas tinha conseguido enganar os príncipes europeus. Confundiu Chipre com Malta e intitulou a peça de "O Judeu de Malta". Mais tarde William Shakespeare teve conhecimento do Judeu de Malta e transformou Joseph Nasi, duque de Naxos, em Shylock, "O Mercador de Veneza".
Em Portugal
A vice-presidente da comunidade israelita em Portugal, Esther Mucznik, é a autora do livro "Grácia Nasi - a Judia portuguesa do século XVI que desafiou o seu próprio destino" (2010).
Esther Mucznik admite que inicialmente hesitou em escrever sobre Grácia Nasi, visto que já há muitos livros sobre a história desta mulher. A autora explica que escreveu uma biografia baseada nos factos existentes, embora acabe por passar a sua visão de judia portuguesa sobre o assunto.
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domingo, 15 de julho de 2012
Memórias de António José da Silva, O Judeu em "Masmorras da Inquisição" de Isolina Bresolin Vianna (1997)
Embora classificado como romance, "Masmorras da Inquisição – Memórias de António José da Silva, o Judeu", apoia-se sobre factos e documentos históricos, entre eles os autos do processo de António José. Nada foi inventado ou falsificado. O que ali está é a triste e dura verdade configurada naqueles depoimentos, todos verdadeiros na sua essência.
É verdade que um gesto de amor livrou-o da morte infamante pelo garrote e da tortura da fogueira inquisitorial, como é verdade que ele sempre foi muito amado, querido e admirado, mas, infelizmente, também muito invejado, uma das causas prováveis da sua injusta morte. António José da Silva, o Judeu, foi uma das mais ilustres vítimas da Inquisição, sacrificado pela “culpa de não ter culpa”.
Tradição literária
A Ficção histórica não antagoniza os factos históricos, ao contrário, desperta o interesse, mobiliza as atenções e abre caminhos para novas pesquisas e descobertas. A peça teatral “António José, ou o Poeta e a Inquisição” de Domingos José Gonçalves de Magalhães (1983) abriu o caminho para o romance histórico “O Judeu” de Camilo Castello Branco (1866), que estimulou a publicação de uma parte da documentação inquisitorial do comediógrafo brasileiro (Revista do IHGB, Tomo LIX, 1896) que, por sua vez, levou Teófilo Braga, o primeiro Presidente da República Portuguesa, ao opúsculo "O Mártir da Inquisição Portuguesa" (1910).
António Baião avançou com novas pesquisas em “Episódios Dramáticos da Inquisição Portuguesa (2º volume, 1924) que, finalmente, desembocaram no trabalho seminal de J. Lúcio Azevedo, em “Novas Epanáforas” (1932).
A listagem, evidentemente incompleta, não poderia deixar de registar a narrativa dramática de Bernardo Santareno, "O Judeu" (1968), a monumental pesquisa académica de José de Oliveira Barata, "António José da Silva, Criação e Realidade" (1983) e o filme "O Judeu" de Jom Tob Azulay (1988-1996).
Ao longo da história da cultura percebe-se, nítida, uma interpelação e interlocução entre narração e conhecimento, entre facto e ficção, entre criação e realidade que, longe de se excluírem, acrescentam-se num processo vital, de grande riqueza.
Estas memórias ficcionais, “Masmorras da Inquisição“, da historiadora Isolina Bresolin Vianna, são o mais novo elo de um fertilíssimo encadeamento que está longe de ser concluído.
Fonte: Judaica Portugal / Alberto Dines
Mais informações sobre a vida de António José da Silva: Morasha
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sábado, 30 de junho de 2012
A vida de António José da Silva em “O Judeu” (1986-1995)
O filme é baseado na história real de António José da Silva, poeta e o mais célebre autor de teatro de Portugal do século 18, que ficou conhecido como “O Judeu”, nascido no Brasil, de origem judaica.
Para Jom Tob Azulay, o realizador, são várias as razões que motivaram o interesse de levar a cabo este projecto: o dramatismo da história, por exemplo, é uma delas, acrescido do facto de proporcionar um bom tratamento cinematográfico; o ser um tema luso-brasileiro e, simultaneamente, uma homenagem a um artista fundamental na evolução da Literatura e da Cultura dos dois países.
Sinopse
Torturado aos 20 anos pela Inquisição por crime de judaísmo, António José da Silva (1704-1736), nascido no Brasil e chamado de 'o judeu', redescobre o sentido da vida graças ao teatro de marionetes. Casa com Leonor de Carvalho, cristã-nova como ele, e frequenta os salões aristocráticos dos Estrangeirados (Iluministas) que o apoiam.
Uma denúncia de heresia contra sua prima Brites Eugênia e o espírito irreverente das comédias desse Molière português do século XVIII, o conduzem mais uma vez aos cárceres do Santo Ofício junto com a mãe, Lourença Coutinho e a mulher.
Secretário do Rei, D. João V, o brasileiro Alexandre de Gusmão, tenta libertá-lo, enquanto seu inquisidor, o jovem dominicano D. Marcos, sofre dúvidas de consciência sobre a legitimidade do processo inquisitorial. Mesmo assim, Lourença e Leonor são torturadas.
Mas, no jogo de pressões, que opõe o Rei ao Inquisidor Geral, D. Nuno de Athayde e Mello, um outro destino é reservado ao poeta: o martírio pelo fogo, que fez dele um dos mitos da história de Portugal e do Brasil.
Retrato de António José da Silva e da sua época
O objectivo fundamental é o de apresentar um retrato de António José da Silva e da sua época (o Século das Luzes, sob o reinado de D. João V): realçar, por um lado, o carácter luso-brasileiro da formação do poeta, advogado e dramaturgo nascido no Brasil e filho de pais brasileiros, e cuja obra conheceu ampla popularidade durante os séculos XVIII e XIX nos dois países, e, por outro lado, recriar um painel da época, em que sobressaem não só a trajectória pessoal do poeta e da sua família (cristãos novos perseguidos pelo Santo Ofício), como também um autêntico mosaico de personagens típicas da nobreza, clero e povo.
Co-produção
A produção do filme foi inicialmente assumida pelo produtor português António Vaz da Silva que não chega a concluí-la pela morte do protagonista, Felipe Pinheiro, e por problemas financeiros subsequentes. Só passados vários anos é que outro produtor português, António da Cunha Telles, aceita conclui-lo, recorrendo a um duplo para o papel do protagonista.
Locais de rodagem
Os primeiros dias de rodagem efectuaram-se na Sé Patriarcal de Lisboa e no Museu do Azulejo (“transformado” no gabinete do inquisidor-geral), sendo as etapas seguintes Mafra (Convento de Mafra), Óbidos, Alcobaça e Nazaré.
Elenco luso-brasileiro
O elenco luso-brasileiro é muito vasto. Entre os actores brasileiros, cerca de meia dúzia, contam-se: Filipe Pinheiro (António José da Silva), Cristina Aché (Leonor), Dina Sfat (Lourença), José Lewgoy, Edwin Luisi (Alexandre de Gusmão) , Fernanda Abreu (Brites) e Ruth Escobar (rainha D. Maria).
Dos portugueses, quase meia centena de participantes, citamos, apenas, alguns: José Neto (D. Marcos, inquisidor), Rogério Paulo (Promotor do Santo Ofício), Rui de Carvalho (padre Pantoja), Antonino Solmer (André), Mário Viegas (D. João V), Nicolau Breyner (D. Câmara, inquisidor), Laura Soveral (Maria Coutinho), e Varela Silva (João Mendes).
Prémios
Locais de rodagem
Os primeiros dias de rodagem efectuaram-se na Sé Patriarcal de Lisboa e no Museu do Azulejo (“transformado” no gabinete do inquisidor-geral), sendo as etapas seguintes Mafra (Convento de Mafra), Óbidos, Alcobaça e Nazaré.
Elenco luso-brasileiro
O elenco luso-brasileiro é muito vasto. Entre os actores brasileiros, cerca de meia dúzia, contam-se: Filipe Pinheiro (António José da Silva), Cristina Aché (Leonor), Dina Sfat (Lourença), José Lewgoy, Edwin Luisi (Alexandre de Gusmão) , Fernanda Abreu (Brites) e Ruth Escobar (rainha D. Maria).
Dos portugueses, quase meia centena de participantes, citamos, apenas, alguns: José Neto (D. Marcos, inquisidor), Rogério Paulo (Promotor do Santo Ofício), Rui de Carvalho (padre Pantoja), Antonino Solmer (André), Mário Viegas (D. João V), Nicolau Breyner (D. Câmara, inquisidor), Laura Soveral (Maria Coutinho), e Varela Silva (João Mendes).
Prémios
Melhor Filme; Melhor Actor Secundário (Coadjuvante) para José Lewgoy; Melhor Direcção de Arte para Adrian Cooper e Melhor Som no Festival de Brasília
Melhor Actor Secudário (Coadjuvante) para José Lewgoy no Festival de Cartagena
Primeiro Prémio no HBO Brasil
Fontes/Mais informações: Berta Neves (TV Guia) / coisinhas e algo mais / wikipedia / cinemateca brasileira / marfilmes / instituto Camões / Phoenix movies / eseferad / friends of marranos / posteritati / Catedra Alberto Benveniste
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sexta-feira, 15 de junho de 2012
"Os Sermões - a história de Antônio Vieira" de Júlio Bressane (1989)
Júlio Bressane, um cineasta brasileiro mais apreciado pela crítica do que pelo público, estreou em 1989 o seu 20º filme, "Os Sermões - a história de Antônio Vieira".
Só que desta vez, após sua apresentação em Brasília (onde obteve dois importantes prémios, o de melhor realizador e o de melhor actor), seu filme atingirá um público fantástico: de 3 a 5 milhões de espectadores.
Obviamente não no cinema - onde estes números só são atingidos por filmes mais comerciais (como os Trapalhões e Xuxa), mas na televisão (na rede de emissoras da TV-E - TV Educativa).
Tratando-se de um filme de Bressane, naturalmente que não é uma narrativa convencional. Rodado durante apenas 13 dias entre Rio e Salvador, Bressane filmou "Os Sermões" do padre António Vieira (1608-1697) escritos nos seus três últimos anos de vida.
A inventividade de Bressane vai ao ponto de raciocinar que se Vieira "botou a língua portuguesa em sintonia com o mundo", ele colocará o filme sobre Vieira em sintonia com o cinema brasileiro e mundial. Assim, 18 trechos de obras-primas como "Citizen Kane" e "Joana D'Arc" são trazidos para o universo do padre, e os lábios em close de Orson Welles (1915-1985) murmuram "Vieira" e não mais "rosebud" na cena de abertura de "Citizen Kane" (1940).
O "estalo de Vieira" é representado por uma cena de "o homem da cabeça de borracha", de Georges Meliés (1861-1938) e Vieira criança é representado pelo filho de Othon Bastos.
Sinopse
Narrativa que mistura o figurativo e o histórico sobre a vida do padre jesuíta António Vieira, que nasceu em Lisboa em 1608 e foi assassinado na Capitania Hereditária de Salvador, em 1697. O cineasta brasileiro faz aqui uma “transcriação visual” do texto de Vieira.
Curiosidades
Prémios de Melhor Realização (Júlio Bressane) e Melhor Actor (Othon Bastos) no XXII Festival de Brasília do Cinema Brasileiro(1989)
O enredo é sobre os famosos sermões do Padre António Vieira, os quais não são apresentados directamente através de uma linguagem convencional, típica dos filmes biográficos, mas num estudo experimental editado com diversas cenas de clássicos do cinema universal dos anos 20 e 30.
O filme foi idealizado durante doze anos, realizado em treze dias e estreou na televisão antes de entrar no circuito comercial.
Depoimento de Othon Bastos sobre a participação do seu filho Pedro como o jovem Vieira
"No dia [da rodagem] o Pedro chegou lá e fez numa boa. O Julinho [Júlio Bressane] ficou abismado, ficou apaixonado e na dublagem também. (...)
O António Abujamra [actor, que não sabia que Pedro era filho de Othon] que estava sentado vendo e perguntou para o Julinho se o Pedro tinha feito de primeira." [Estupefacto, Abujamra disse] 'O outro ator [Othon Bastos] levou horas fazendo aquilo, e esse menino chegou e fez de primeira? '. 'Fez de primeira'. 'Mas esse menino é filho de quem ?'. 'Do Othon Bastos'.
E o Abujamra falou: 'Eu tenho que aturar o pai, agora eu vou ter que aturar o filho também' (risos)"
Fontes/Mais informações: Aramis Milarch / Meu cinema brasileiro / o cinema de Othon Bastos / Literatura no cinema / Ton pelage / Fotos de Renato Menezes
quinta-feira, 31 de maio de 2012
"O Voo da Passarola" de Azhar Ali Abidi (2006)
Nos primeiros anos do século XVIII, Bartolomeu Lourenço de Gusmão - um sacerdote nascido no Brasil, que era então território português - viajou para Lisboa e dedicou-se à concepção de um navio voador a que ele chamou de Passarola.
Partindo deste facto histórico, o romancista paquistanês, mas naturalizado australiano, Azhar Abidi mistura detalhe histórico com a
especulação e o sonho, construindo um romance envolvente e original
sobre o confronto entre fé e desejo, razão e desilusão, autoridade e liberdade, que foi nomeado para o prémio de Literatura de Melbourne de 2006.
"O Voo da Passarola" (no seu original "Passrola Rising") é baseado
na história real de Bartolomeu Lourenço de Gusmão, mas apesar de ambos
os personagens principais (Bartolomeu e o seu irmão Alexandre) serem
verdadeiros, as aventuras descritas no livro são fictícias.
Bartolomeu e Alexandre utilizam a
Passarola para escapar da perseguição da Inquisição, viajando pela Europa,
onde encontram alguns dos personagens mais coloridos do Iluminismo
europeu, incluindo Voltaire, Rousseau, Lineu e o irascível Rei Estanislau da Polónia, até culminarem numa expedição militar à Índia, para defender as possessões francesas de Pondicherrey, e posteriormente numa perigosa missão científica ao Pólo Norte.
Como tudo começou ?
Azhar Abidi já queria escrever um romance sobre um navio voador muito antes de conhecer a história de Bartolomeu
Lourenço. O autor tinha um esboço do romance, mas
precisava de uma personagem e de uma voz. Mas quando tomou conhecimento de Bartolomeu, teve a sensação de ter encontrado esse personagem.
E através do irmão, Alexandre, criou
a voz de que necessitava. O registo histórico serviu de base ao romance, mas a história vai mais "longe". No final do livro Bartolomeu vai estudar a gravidade do Ártico
gelado.
A passarola de Bartolomeu de Gusmão faz parte do imaginário
nacional. O primeiro homem a voar teria sido português. O seu dirigível seria
aquela barca elevada por ar quente, uma espécie de cesto onde cabiam homens e
instrumentos.
No entanto, quem perceba um mínimo de física reconhece, imediatamente, que aquela construção não se poderia elevar nos ares.
No entanto, quem perceba um mínimo de física reconhece, imediatamente, que aquela construção não se poderia elevar nos ares.
Bartolomeu de Gusmão
Bartolomeu Lourenço de Gusmão nasceu em Dezembro de 1685 em
Santos, no Brasil, que era então território português. Estudou em Belém, na
Baía, ingressou na Companhia de Jesus e deslocou-se definitivamente para a
capital em 1708. Ainda no Brasil, destacou-se como inventor.
Em 1709 teria já a ideia de construir uma máquina voadora, pelo que dirigiu ao
rei D. João V uma petição em que requeria para si uma patente sobre os
proveitos de um «instrumento que inventou para andar pelo ar». Nesse documento,
enumera as vantagens do desenvolvimento futuro do seu invento, tanto para as
comunicações como para a guerra e o comércio. Sabe-se que o rei despachou
favoravelmente a petição. (...)
Há quem afirme que o abandono das experiências foi motivado
pela tremenda chacota que os ignorantes e invejosos fizeram do seu invento. (...) Essas
fantasias, propagadas pela chacota popular, desprestigiam o inventor português.
A honra de voar pela primeira vez num balão haveria de caber a dois franceses,
Pilâtre de Rozier e o marquês de Arlandes, que se elevaram nos ares em 1783, 74
anos depois das experiências de Gusmão. Mas a honra de construir pela primeira
vez um balão capaz de subir por meio de ar quente cabe - segundo o que se sabe
ao certo - ao inventor português.
terça-feira, 15 de maio de 2012
A presença de Portugal no Ceilão na obra de Gaston Perera
Gaston Perera começou por se dedicar à escrita de romances históricos como "The Rebel of Kandy" (1999), "Historical Tales" (2000) e "Sons of the Rebel" (2005), todos localizados durante a presença de Portugal no antigo Ceilão (actual Sri Lanka), tendo-lhe sido atribuído o prémio "State Literary Award for English Fiction" em 2000.
Posteriormente escreveu diversos livros sobre a história militar do Ceilão, tendo publicado "Kandy Fights the Portuguese - A Military History of Kandyan Resistance" (2007) e "The Portuguese Missionary in 16th and 17th Century Ceylon" (2009).
"The Rebel of Kandy" (1999)
Os primeiros livos de Gaston Perera desenrolam-se em Kandy nos séculos XVI e XVII. O
protagonista do seu primeiro livro “The Rebel of Kandy” é Konnapu Bandara que, ameaçado pelo seu próprio povo, se junta aos Portugueses de Kotte, sendo baptizado com o nome cristão de Dom João da Áustria.
Mais tarde os portugueses pedem para que regresse a Kandy
para servir de espião e para casar com a Rainha, Dona Catarina (Kusumasana Devi). Mas acaba por aí se fixar e subir ao trono como Wimaladharmasuriya
I (sendo um dos refundadores do actual Sri Lanka).
"Kandy Fights the Portuguese" (2007)
Esta obra relata a resistência dos Kandyans (nativos de Cândia) às tentativas de subjugação dos portugueses durante o período de 1594-1638. A obra está dividida em 3 partes. Começa com uma descrição do terreno em que ocorreram os conflitos e descreve os homens que participaram nas lutas, as armas utilizadas e as práticas militares de cada lado.
A segunda parte é uma história da guerra que ocorreu neste período e analisa as campanhas e as grandes batalhas onde os Kandyans aniquilaram os portugueses. A terceira parte consiste num relato de uma batalha nas planícies para pôr em relevo a diferença entre a guerra nas montanhas e nas planícies.
"The Portuguese Missionary in 16th and 17th Century Ceylon: The Spiritual Conquest" (2009)
É o primeiro relato completo sobre a presença dos missionários portugueses no antigo Ceilão, tendo por base a obra de Frei Fernão de Queiróz (contemporâneo dos acontecimentos) e de autores mais recentes como Frei S. G. Perera e Frei V. Perniola.
O livro está dividido em seis partes, entre as quais, se destaca: discussão sobre a ideologia dos missionários; análise dos aspectos organizacionais da missão, tais como a preparação do missionário, seu relacionamento com o Estado e sua remuneração; qualidades do missionário; a estratégia adoptada pelos missionários; e as tácticas adoptadas para implementar a estratégia.
Ceilão Português
O chamado Ceilão Português, que se situa no actual Sri
Lanka, foi território de Portugal durante 153 anos. Foi o único caso em que os
portugueses tentaram uma conquista territorial efectiva no Índico, ao estilo do
Império Espanhol nas Américas, não se limitando às fortalezas e feitorias
costeiras.
Primeiramente os Portugueses assinaram um tratado com
o reino de Cota. O Ceilão Português foi estabelecido pela ocupação de Kotte e a
conquista de reinos Cingaleses circundantes. Em 1565 a capital do Ceilão
Português foi transferida de Kotte para Colombo.
Kandy
Houve vários reinos em Ceilão, mas Candy (Cândia ou Kandy) ficou sempre fora da órbita portuguesa. Portugal conseguiu controlar toda a costa mas nunca conseguiu conquistar o interior da ilha que é onde ficava o reino de Kandy que foi o nosso mais poderoso opositor.
A ilha foi uma espécie de Vietname para o exército português onde se desbaratou homens e dinheiro na tentativa de conquistar o seu interior.
Tissa
Abeysekera
C.
Gaston Pereira, Tissa Abeysekera e C.R. de Silva são alguns dos mais importantes estudiosos da presença portuguesa no antigo Ceilão. Tissa Abeysekera publicou em 2005 o livro "Jaffna under the Portuguese" (na foto o Forte de Jaffna).
Fontes/Mais informações: lakbimanews / Amoras e Amores / wikipedia / Amazon / mahavansa.blogspot.pt / Colonial Voyage / The Island / João Nobre Oliveira / Royal Asiatic Society
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