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terça-feira, 15 de março de 2016

Colónias portuguesas em "Exile" (1917) e "Burn" (1969)


"Exile" (1917)

Filme realizado por Maurice Tourneur para a Jesse L. Lasky Feature Play Co. (com distribuição da Paramount), protagonizado por Wyndham Standing (no papel de Vincento Perez) e Madame Olga Petrova (como Claudia Perez), sendo o argumento da autoria de Charles E. Whittaker, com base no livro "Exile, An Outpost of Empire" de Dolf Wyllarde (publicado em 1916).

Vincento Perez (interpretado por Wyndham Standing), governador da colónia portuguesa de Exile (na Arábia), é um homem sem escrúpulos e brutal que é odiado pelos nativos. Algo megalómano, Perez tenta controlar o mercado da seda, enviando uma carta ao engenheiro Harvey Richmond a revelar os seus planos.


Harvey ameaça divulgar as intenções de Perez, o que a ser publicado significaria a ruína de Perez, pelo que este decide enviar a sua esposa Claudia para o quarto de Harvey para o seduzir e tentar resgatar a carta.

Claudia entrega a carta ao marido, mas abandona-o. Depois de muito abuso, os nativos revoltam-se  contra o governador que é linchado pela multidão. Claudia é resgatada por Harvey e os dois enfrentam um futuro feliz juntos.

Entre os outros personagens que poderão ter origem portuguesa poderemos destacar Charles Martin como Manuel D'Alfrache.

Fontes: TCM / Wikipedia / America.pink 


"Burn !" ("Queimada !") (1969)

Filme italiano rodado em inglês sob direção de Gillo Pontecorvo com Marlon Brando no papel de Sir William Walker. O guião original referia-se a uma ilha espanhola, mas foi alterado para Portugal porque Espanha passava por um regime militar e o realizador tinha receio do filme ser censurado.

Grande parte dos personagens mantiveram os seus nomes espanhóis, como José Dolores em vez do correcto José das Dores. Assim o filme pode ser apontado como um exemplo de estereotipização étnica e linguística relativamente a Espanha e Portugal.


A acção decorre no século XIX quando um representante inglês é enviado para uma ilha (ficcional) do Caribe, que tem o sugestivo nome de "Queimada" (aludindo a um sangrento episódio do seu passado), que se encontra sob domínio português, para incentivar uma revolta para favorecer os negócios da coroa inglesa. Dez anos depois ele retorna, para depor quem ele colocou no poder, pois o momento económico exige um novo quadro político na região.

Fontes: Wikipedia / Youtube / Blog "Memória sindical"

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Vilões portugueses em "Dead men tell no tales" (1920), "Bright Lights" (1930) e "The World in his arms" (1952)


O romance "Dead men tell no tales" ("Os mortos não falam" em Portugal) foi publicado em 1897 pelo escritor inglês E. W. Hornung (1866-1921) e adaptado ao cinema em 1920, sob direcção de Tom Terriss (estreado em Portugal em 21 de Fevereiro de 1924).

Um dos personagens principais é Joaquim dos Santos (apresentado como "Senõr Joaquin" na adaptação ao cinema) um cavalheiro português com vários anos em África, que afinal é um pirata que utiliza habitualmente a expressão que dá nome à obra "Dead men tell no tales" e que conspira com Rattray para saquear o navio Lady Jermyn que transporta uma grande quantidade de ouro.


Rattray está apaixonado por Eve Denison, a enteada do português, pelo que concorda em socorrer o pirata e a sua tripulação. Contudo Cole, um jovem, que também está enamorado de Eve, consegue se salvar e vai procurar encontrar a jovem.

"Miss Denison era a única senhora e o seu padrasto, com quem viajava, era o homem mais distinto a bordo. Era um português que deveria ter uns 60 anos, de seu nome Senhor Joaquin Santos. Inicialmente fiquei admirado que não tivesse qualquer título, pois tão nobre era a sua forma de estar."


No filme mudo, produzido pela Vitagraph, Joaquim dos Santos é interpretado pelo actor alemão Gustav von Seyffertitz que aparece creditado como George von Seyffertitz.

É igualmente de realçar a actuação do actor Walter James, como José, que foi bastante elogiada, e a participação de um actor português (ou luso-descendente) de nome Manuel Santos.

 
Sinopse do livro

Em Julho de 1853, o Lady Jermyn, um dos grandes veleiros que asseguravam as ligações entre a Inglaterra e o continente australiano inicia a sua viagem de regresso à metrópole. A bordo seguem, entre outros, um jovem aventureiro inglês de nome Cole e Joaquim Santos, um cavalheiro português com muitos anos de África, que viaja acompanhado da sua jovem e bela enteada.

Um súbito incêndio a bordo vem interromper a placidez da viagem e precipitar a morte de todos os passageiros, à excepção de Cole. Sobre ele recairá a missão de desvendar o mistério do naufrágio do Lady Jermyn.

Que segredo explica a aparente cumplicidade entre o capitão do navio, o português e a sua enteada? E qual será o papel de Rattray, jovem e distinto proprietário rural, descendente de uma família de contrabandistas?

 
Curiosidades

O escritor E. W. Hornung (Ernest William Hornung) era cunhado de Sir Conan Doyle. autor dos livros de Sherlock Holmes, tenho conhecido a esposa, Constance ("Connie") Aimée Monica Doyle (1868–1924), quando visitou Portugal (a irmã Annette era representante do governo britânico em Portugal).

O próximo filme da série "Piratas das Caraíbas" terá como subtítulo "Dead men tell no tales" e um dos vilões, interpretado pelo actor espanhol Javier Bardem, chamar-se-á Capitão Salazar mas, em princípio, não terá qualquer ligação a Portugal e à obra de Hornung.

Fontes/Mais informações: Silent Hollywood / FixcubeEuropa-AméricaLivro


"Bright Lights" (ou "Adventures in Africa”) (1930)

Filme realizado por Michael Curtiz (que também dirigiu "Daughters Courageous" e "Casablanca") para a First National Pictures.

Quando Louanne, estrela de um musical da Broadway, anuncia o seu noivado com Emerson Fairchild, um grupo de jornalistas vem para entrevistá-la na última noite de apresentação do seu espectáculo.


Ela recorda a sua infância numa fazenda em Inglaterra e em como se tornou uma dançarina de hula em África, onde Wally Dean se tornou seu amigo e protector, salvando-a dos ataques de Miguel Parada, um contrabandista Português (interpretado pelo actor Noah Beery) que se interessou por ela e que quase a viola.

Miguel , que por acaso estava na audiência, reconhece Louanne e vai até aos bastidores para resolver assuntos pendentes. Wally finge que tem uma arma, mas acaba por ser o seu amigo Connie Lamont a matar Miguel quando disputam uma arma que este possuía.

Fontes/Mais informações: AFI / Wikipedia / Pre-code

 
"The World in His Arms" (1952)

"The World in His Arms" ("O mundo em seus braços" no Brasil) é um filme de aventuras realizado por Raoul Walsh para a Universal Pictures, tendo por base o romance homónimo da autoria de Rex Beach publicado em 1946.

O filme é protagonizado por Gregory Peck, no papel de Jonathan Clark, tendo como oponente um marujo de origem portuguesa, "Portugee Joe", interpretando pelo actor mexicano Anthony Quinn, que fala português em algumas cenas. Outro dos personagens de origem portuguesa é José (interpretado por Syl Lamont).


Sinopse

A acção decorre em 1850 na cidade americana de São Francisco, quando a rica e bonita condessa russa Marina Selanova quer fugir de um casamento arranjado com o príncipe Semyon. Ela contrata os serviços de "Portugee Joe", um pouco escrupuloso comerciante de peles de focas, para levá-la de navio para Sitka no Alasca, onde o governador é seu tio Ivan Vorashilov, na esperança de que ele a proteja.

Assim como todos os donos de navio da cidade, "Portugee Joe" ficou sem tripulação quando começou a Corrida do Ouro da Califórnia. A única disponível é a de seu rival capitão Jonathan Clark, que contava com a lealdade total de seus homens. "Portugee Joe" tenta raptar os tripulantes de Clark, mas esse descobre e resgata seus homens, levando-os para o melhor hotel da cidade.


Percebendo que o português não conseguiria cumprir o contrato e que o capitão Clark odeia os russos que o perseguem por lhe atrapalhar a caça às focas no Ártico, a condessa se disfarça como uma das dançarinas que participam da festa dada por Clark e consegue convencê-lo a levá-la para o Alasca e ambos se apaixonam. Mas o português e o Príncipe Semyon, a bordo de uma moderna canhoneira a vapor, não desistirão e irão causar muitos problemas para o casal.

Fontes/Mais informações: Wikipedia / Lamanodelextranjero /  Revendo filmes marcantes / Geoffrey L. Gomes "Cinematic portayals of Portuguese-Americans"

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Na pista dos baleeiros açorianos de "Moby Dick" (1851)

 

"Moby Dick" foi publicado em três fascículos com o título de "Moby Dick" ou "A Baleia" em Londres em 1851, e ainda no mesmo ano em Nova York em edição integral.

O livro foi revolucionário para a época, com descrições imaginativas das aventuras do narrador - Ismael, suas reflexões pessoais, e grandes trechos de não-ficção, sobre variados assuntos, como baleias, métodos de caça, arpões, a cor branca (de Moby Dick), detalhes sobre as embarcações e seu funcionamento, bem como sobre o armazenamento de produtos extraídos das baleias.


A obra acompanha Ismael quando este se alista no baleeiro Pequod e segue-o na saga do capitão Ahab, um louco que atravessa oceanos para vingar a perda da sua perna, arrancada por um mítico cachalote branco.

A determinado momento do livro descobre-se, na tripulação do navio, Daniel, um marinheiro açoriano, da minúscula ilha do Corvo. Para a maioria dos leitores, o motivo da presença de um português na obra permaneceu um mistério durante décadas.


Melville esclarece que "não poucos destes caçadores de baleias são originários dos Açores, onde as naus de Nantucket que se dirigem a mares distantes atracam, frequentemente, para aumentar a tripulação com os corajosos camponeses destas costas rochosas. Não se sabe bem porquê, mas a verdade é que os ilhéus são os melhores caçadores de baleias".

Foi na cidade de Fairhaven, no Estado de Massachusetts, que Herman Melville embarcou numa baleeira no dia 3 de Janeiro de 1841. O escritor viveu 18 meses no Acushnet, o navio do capitão Valentine Pease Jr. e foi essa experiência que alimentou as minuciosas descrições publicadas em 1851.


Na sociedade fechada do arquipélago, os açorianos viam nos cascos dos navios o reflexo de um mundo novo, perdido em abundância e aventura, e embarcavam. Assim que tocavam os porões gordurosos das baleeiras, mudavam de nome: os Rosa passavam a Roger, os Freitas a Frates, os Machado a Marshall.

Pequod, o navio baleeiro de Moby Dick, esteve ao largo dos Açores, mas não fez escala. Dezenas de páginas do romance nasceram no terreno das experiências pessoais do seu autor. Se menciona os baleeiros açorianos, terá Melville conhecido algum ?


O jornalista Alexandre Soares foi no encalço destes nossos antepassados e encontrou Laura Pereira, uma bibliotecária casada com um português, que lhe mostrou uma moldura castanha com uma lista da tripulação do Acushnet. “São os companheiros de Melville”, explica. Esta pode ser a prova definitiva de que o escritor conheceu um baleeiro açoriano.

Laura começa a virar a moldura. Com algum esforço, a mancha de letras ganha alguma definição. Já se distingue a caligrafia do capitão, o barco tinha uma tripulação de 27 homens. Mais alguns segundos e a espiral de letras e linhas organiza-se para destacar quatro nomes: George M. Gurham, Joseph Luís, John Adams, Martin Brown. Jorge, José, João e Martim. Todos açorianos, os quatro da ilha do Faial. Mistério resolvido.

Fontes/Mais informações: Diário de Notícias / moby dick game /  wikipedia / whaling museum


terça-feira, 15 de setembro de 2015

Exploradores portugueses em "As minas de Salomão" (1885) de H. Rider Haggard


"As minas de Salomão" foram o resultado de uma aposta que Haggard fez com o seu irmão. A aposta consistia em escrever uma história que superasse o êxito de "A Ilha do tesouro", de Robert Louis Stevenson.

A narrativa, basicamente, refere-se a aristocratas ingleses que buscam um parente perdido, auxiliados pelo caçador Allan Quatermain e um nativo chamado Umbopa. Estes partem em busca das míticas minas de ouro do rei Salomão, cujo trajecto é fornecido por um antigo mapa, feito no século XVI por um português chamado D. José Silveira.

A história, recheada de extraordinárias aventuras, tribos misteriosas, perigos inesperados e fabulosas paisagens, foi publicada em 1885 e converteu-se num autentico best-seller, tendo sido adaptada para português por Eça de Queirós, e publicada entre 1889 e 1890.


José Silveira e Dom José Silveira

Ninguém sabe onde ficam essas minas, que escondem valiosas "arcas" de diamantes. Nem ninguém sabe de quem as tenha descoberto ou, até, de quem delas tenha saído com vida.

Muitos se aventuraram para lá desse deserto e Quartelmar (Quatermain no original) sabe várias histórias. Como a do português, José Silveira, que para lá foi e de lá voltou feito cadáver. Como a do antepassado do português José Silveira, com "Dom", o fidalgo que fez o mapa dessa zona além das montanhas.

E o Silveira sem "Dom" disse, no delírio da morte: "Lá estão elas, Santo Deus lá estão elas!... E dizer que não pude lá chegar! Parecem tão perto! Logo ali, uns passos mais... E agora acabou-se, estou perdido, ninguém mais pode lá ir!" E deu a Quartelmar o segredo das minas.


Silvestre/Silvestra/Silveira

No livro original, as minas são descobertas por um Português quinhentista, José Silvestre (por vezes mal-escrito no original "Silvestra" ou "Sylvestra"). Eça traduz o nome do explorador para José Silveira.

Quatermain obtém o mapa com o caminho para as Minas através de um descendente de José Silveira de Lourenço Marques que lhe morre nos braços depois de, aparentemente, ter novamente sido um precursor dos Ingleses no caminho para as Minas.

Sylvestra foi interpretado no cinema por Arthur Goullet no filme inglês de 1937 (o personagem é creditado como Sylvestra Getto).

Porquê a referência a um explorador português ?

Haggard recorreu à tradição lusitana na África Austral e seus conhecimentos sobre o reino de Monomotapa.

Também foi influenciado pelo modelo narrativo típico de narrativas fantásticas oitocentistas, onde os aventureiros seguem uma rota baseada em um explorador desaparecido que os antecedeu (a exemplo de Júlio Verne em "Viagem ao centro da Terra" de 1864).

Fontes:  Biblioativa.ler / wikipedia / Bibliologista

segunda-feira, 30 de abril de 2012

"The Last Sinhala Lions" e "Fires of Sinhala" de Colin de Silva


Colin de Silva (1920-2000) foi um escritor natural do Sri Lanka que emigrou para os Estados Unidos da América nos anos 60, tendo publicado uma série de romances históricos, nos quais se destaca "The Winds of Sinhala" de 1982, que recriava os tempos de Dutugemunu (que reinou até ao ano 137 Antes de Cristo), sua mãe, a rainha Viharamahadevi, seu grande antagonista, o rei Cholan, Elara e uma série de personagens subordinados.

"The Winds of Sinhala" foi o primeiro romance de uma tetralogia que inclui "The Fires of Sinhala", "The Founts of Sinhala" e "The Last Sinhala Lions".

Fernão de Albergaria, filho de Lopo Soares de Albergaria (3º Governador da Índia), é um dos protagonistas de dois dos seus romances históricos: "Fires of Sinhala" e "The Last Sinhala Lions".

"Fires of Sinhala" (1986)

A história remonta ao início do Século XVI quando os monarcas europeus lutavam pelo controle do lucrativo comércio de especiarias com o Oriente.

Foi almirante de Portugal, o aristocrático Lopo Soares de Albergaria, que em 1521 transporta consigo mosquete e canhões para subjugar o Ceilão.

O seu filho Fernão entra em conflito com o Príncipe Lanka Tikiri pelo amor da bela mestiça Julietta, o que adiciona um drama pessoal à luta política pela riqueza e poder.

Enquanto isso, a família do Príncipe Tikiri procura derrubar o supremo rei de Lanka. A formidável moura Aisha Raschid quebra o purdah para negociar com cada força ascendente, a Igreja militante ameaça as pacíficas tradições budistas de Lanka e Julietta é habilmente manipulada; será que ela vai casar com um homem que não ama verdadeiramente ?


"The Last Sinhala Lions" (1989)

Quando Fernão de Albergaria, o jovem governador português de Colombo (Sinhala, antigo Ceilão), constrói fortes em toda a costa litoral da ilha, o príncipe Tikiri - seu rival no amor e da guerra - treinou milhares de cavaleiros para um contra-ataque sobre os anéis de armas de fogo e aço.

Como a guerra se estendeu por todo o país, budistas, hindus e católicos, singaleses nacionalistas e europeus imperialistas europeus lutam pelo domínio da ilha.

O que estava em jogo era o poder sobre uma província rica em comércio e tesouro - mas também envolvia Aisha Raschid, uma mulher em busca de vingança, e a rainha Anuna, que procurou destruir seus inimigos e apreender a própria jóia de Colombo ...

Fontes: trademe / Lakbmanews / Paperbackswamp / Enciclopédia do Sri Lanka

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

"Ode Sinfónica Vasco da Gama" de Bizet (1859)

 
Foi durante a sua estadia na Villa de Medicis no ano de 1859, como bolseiro, que Georges Bizet (na imagem) iniciou a composição da Ode Sinfónica Vasco da Gama. Estavam então na moda os nacionalismos, os quais ocupavam um importante papel na produção artística em geral.

Neste contexto de atracção pelas culturas alheias e pelo seu elemento exótico e misterioso, porque desconhecido, numerosas traduções de obras literárias circulavam por toda a Europa.

Não é de espantar que os Lusíadas fosse uma das obras mais traduzidas de todo o século XIX, tendo então chegado ás mão do jovem Bizet.

Encantado com a heróica odisseia dos descobrimentos, com a figura de Vasco da Gama e com a inconfundível arte de Camões, compôs esta Ode Sinfónica para Coro, solistas e narrador, com libreto de Louis Delâtre.

Todos os papeis são masculinos embora o jovem oficial Leonardo e o Vigia sejam interpretados por sopranos. A impressionante voz de adamastor foi originalmente escritra para seis baixos.

Fonte: Mezza Voce

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Vasco da Gama em "A Africana" de Meyerbeer (1865)

"A Africana" é a ultima ópera de Meyerbeer. Estava em fase de produção quando da morte do compositor e, por isso, foi pedido ao renomado musicólogo Fétis para rever toda a partitura para a estreia.

Trata-se de uma grande ópera à boa maneira da época: Triângulos amorosos, uma prisão, povos exóticos, barcos apanhados em tempestades, rituais nativos, árvores venenosas e um auto-sacrificio…

O libreto teve como fonte de inspiração o poema “Le Mancenillier” de Millevoye, que conta a história de uma árvore cuja fragrância é venenosa e de um par de amantes.

Apesar de Eugène Scribe, o libertista, e Meyerbeer, terem começado a trabalhar na ópera em 1837, rapidamente a puseram de lado para se dedicarem a "Le Prophète". Só quando terminaram este trabalho é que voltaram à "Africana", para mais uma vez ser interrompida.

Com tantas interrupções só terminariam o primeiro esboço em 1843 que seria inteiramente revisto. A acção do libreto original passar-se-ia entre África e Espanha, mas na última revisão, efectuada em 1857, a personagem principal passa a ser Vasco da Gama, e os locais da acção passam para Portugal e para as costas de Madagáscar e/ou Índia.

Embora o nome se tenha mantido “A Africana”, as referências a rituais brahmas e aos deuses indianos são uma constante.

A Africana foi estreada na Ópera de Paris a 28 de Abril de 1865. O triunfo foi imediato e rapidamente se espalhou a outras casas de ópera por toda a Europa.

Fonte: Mezza Voce

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Os portugueses em “A Lenda de Suriyothai“ (Tailândia) (2001)

Teve de acontecer um tsunami na Ásia para que os portugueses regressassem ao Sri Lanka e à Indonésia. Em Galle, apenas ficou de pé o que resta do forte português, e tiveram de ser os habitantes com apelidos como Silva, Sousa e Pereira a relembrar-nos que o nome da cidade vem do facto de os barcos portugueses terem ali chegado ao nascer do Sol, quando os galos cantavam.

Dificilmente se encontrará uma cena mais empolgante para o cinema épico, porém o gigantesco espólio da expansão portuguesa ainda não foi descoberto pelos grandes estúdios. Parece-me que esta devia ser uma prioridade cultural, até porque fomos os primeiros europeus e, durante mais de meio século, os únicos europeus em quase todos os lugares distantes.

Assim, foi uma surpresa gratificante o visionamento do épico A Lenda de Suriyothai, o maior êxito de sempre do cinema tailandês. Francis Ford Coppola deu uma ajudinha na montagem, agilizando a narrativa, mas o realizador, Chatri Cholerm Yukol, fez um trabalho digno e investigou devidamente a história. Para quem se dê ao trabalho de escutar os seus comentários, constatará que a “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto é uma das suas principais fontes, sobretudo nas cenas das batalhas. E mais agradável ainda é ver como a imagem que os tailandeses têm dos portugueses é tão positiva.

Eram mercenários, mercadores, médicos jesuítas, que até trouxeram a varíola, mas estão em todo o lado. Fazem parte das pinturas, das paisagens, dos mapas. Embora poucos, são mais do que os chineses, e aparecem sempre junto aos canhões e espingardas, que estão por todo o lado, nestas guerras entre a Tailândia e a Birmânia. Veja-se com particular interesse os pequenos canhões adaptados ao dorso dos elefantes, os antepassados dos tanques modernos. Não há ali qualquer laivo de interferência ou colonização portuguesa, nem sequer religiosa, apenas nos fica uma enorme saudade por uma época em que o Mundo era jovem e apenas os nossos antepassados eram testemunhas de outros povos. E esta grandeza, só nossa, ninguém nos pode tirar, por muito dela que nos tenhamos esquecido.

De resto, a história reporta-se à heróica rainha Suriyothai, que deu a vida para salvar o marido. (…)

Fonte: Luísa Alves / Docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Universidade Nova de Lisboa (Revista Premiere nº 64, Fevereiro de 2005)

Mais informações

Em 1548, quem reinava no Sião era o rei Maha Chakapat. Seis meses apenas tinham decorrido sobre a sua regência, quando os birmaneses invadiram o seu território. O rei Chakapat, como era sua obrigação, conduziu o exército real ao encontro dos invasores, montado no seu elefante de guerra. Às mulheres não era permitido combater. No entanto, a rainha Suriyothai, imbuída pelo amor ao seu marido, disfarçou-se de homem e igualmente partiu no seu próprio elefante. Durante a batalha, o elefante do rei Chakapat tombou devido às imensas feridas, e o monarca esteve em sério risco de ser morto. No entanto, a corajosa Suriyothai interpôs-se entre o marido e as tropas birmanesas, sendo morta e desta forma, salvando a vida do seu marido. (…)

Uma nota que nos enobrece nesta película (ou talvez não) será a análise incidental à presença portuguesa no Sião, com vários mercenários nossos conterrâneos a combater do lado dos tailandeses e a serem pagos a peso de ouro. O detalhe histórico é extremamente cuidado, e isso nota-se nas suas armaduras e restante armamento, embora nunca seja explorado no sentido de os vermos a falar a nossa língua-mãe, e até ter uma personagem interventiva.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Os portugueses em "Shogun" de James Clavell (1975)


Nascido em Sidney, Austrália, em 1924, James Clavell notabilizou-se pelos seus romances que envolvem a história do oriente, em especial o Japão.

Em "Shogun" temos um retrato do Japão feudal e o processo da construção do estado-nação com as diferenças comportamentais no século XVII entre japoneses e europeus.

Entre os europeus destacam-se diversos navegadores e jesuítas portugueses e espanhóis, nomeadamente o piloto Vasco Rodrigues, Frei Alvito e Frei Domingo.


O frei Alvito terá sido inspirado no jesuíta João Rodrigues, o intérprete, e, eventualmente, em Dom Luís Cerqueira, conhecido como o Bispo do Alvito.

"Shogun" foi adaptado, com grande sucesso, para uma série de TV em 1980, sendo o personagem Vasco Rodrigues interpretado pelo actor inglês John Rhys-Davies, o qual foi nomeado para o Emmy de melhor actor secundário.

Rhys-Davies voltou a interpretar o mesmo personagem numa curta-metragem portuguesa intitulada "The Gold Cross" (2000).

Fontes: Eduardo Cruz / C4pt0m3nt3 / IMdb 

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

"Rodrigues, O Intérprete" de Michael Cooper (1994)


Michael Cooper, jesuíta inglês, escreveu a biografia deste português de quem diz 'Poucos homens tiveram vida mais aventurosa.'

É o argumento perfeito para um filme onde o intrépito Rodrigues seria, certamente, a personagem de sonho a disputar pelos actores da nossa praça.

Sinopse

João Rodrigues, padre jesuíta que viveu entre os séculos XVI e XVII, chegou ao Japão com apenas 16 anos e depressa adquiriu um profundo conhecimento da língua japonesa, que o iria tornar conhecido como O Intérprete. Deste modo, ganhou os favores de Hideyoshi, o shogun reinente no japão nos finais do século XVI, e conseguir interceder em favor da causa portuguesa.

A figura histórica

João Rodrigues, missionário jesuíta, viveu no Japão entre 1577 e 1610 e serviu Oda Nobunaga e Toyotomi Hideyoshi como intérprete, ganhando assim o epíteto de «Tçuzu», como aliás é conhecido entre os historiadores e conhecedores da sua obra.

Para além de intérprete, foi um dos autores e coordenador do Vocábulo da Lingoa de Japam, primeiro dicionário de japonês-português editado em 1603, da Arte da Língua de Japam (1608), Arte Breve da Língua de Japam (1620), A História da Igreja de Japam (1634). É sem dúvida uma figura referencial nos primórdios das relações luso-nipónicas nos séculos XVI e XVII.

Prémio Literário "Rodrigues, o Intérprete"

O Prémio Literário «Rodrigues, o Intérprete» foi instituído em 1990, com base num fundo doado pelo antigo intérprete da Embaixada de Portugal em Tóquio, Jorge Midorikawa. Através desse galardão premeiam-se anualmente obras editadas no Japão, em japonês, sobre temas relacionados com Portugal ou autores portugueses e traduções de obras portuguesas.

Fonte: webboom, Os meus livros

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

"Lobos do Mar" ("Captains Courageous") (Filme E.U.A., 1937)


Realizado por Victor Fleming (1937). Com Spencer Tracy, Lionel Barrymore, Freddie Bartholomew, Melvyn Douglas, John Carradine, Mickey Rooney.

Spencer Tracy é Manuel Fidello, um pescador português, que salva de morrer afogado um rapazito, filho de um milionário, que acaba por descobrir as delícias da vida simples.


Foi na pele do pescador português que Tracy conquistou a primeira das suas duas estatuetas. Produzido com o luxo das grandes fitas da MGM é a adaptação de uma história de Rudyard Kipling (prémio Nobel da Literatura) sobre um menino rico e mimado, salvo por um pescador português depois do desastre maritímo vivido a bordo de um paquete de luxo onde seguia em cruzeiro.

É junto a velhos lobos do mar que Freddie Bartholomew (na altura considerado como um dos meninos prodígios do cinema americano) acaba por perceber que a vida é dura e não se resume aos seus caprichos de criança mimada.

Fonte: TV Filmes, nº 9, Abril 1997

Manuel canta em "português" e fala com orgulho da "herança" de honradez que lhe foi transmitida pelo seu pai:


O filme foi adaptado, por duas vezes, para TV, sendo o papel de Manuel interpretado por Ricardo Montalban, em 1977, e Colin Cunningham, em 1996 (mas, nesta última série, o personagem principal era o Capitão Matthew Troop, interpretado por Robert Urich).

1977


1996



Rudyard Kipling

Rudyard Kipling, Prémio Nobel da Literatura em 1907, nasceu, em 1866, em Bombaim, India, mas estudou, desde os 6 anos, em Inglaterra. Aos 26 anos, casa com Caroline Balestier, filha de um advogado norte-americano e instala-se em Vermont (E.U.A.), onde vive durante quatro anos, aí escrevendo "Livro da Selva " e "Lobos do Mar".

 
Mais informações: DVDBeaver / Citizen Grave  (Quando Spencer Tracy foi Manuel)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Yanez, o fiel companheiro de "Sandokan, o Tigre da Malásia" (Itália)

O escritor italiano Emilio Salgari (1863-1911) tornou-se mundialmente conhecido pelas aventuras de Sandokan.



Yanez de Gomera (ou Ianes) é um português que funciona, desde o primeiro episódio da saga, como um complemento de Sandokan, sendo apresentado como um personagem astuto, inteligente, irónico e sempre optimista, características que o tornam uma espécie de co-protagonista, surgindo como protagonista em alguns dos livros como "A reconquista de Mompracem" e "A Vingança de Yanez" (publicado, postumamente, em 1913).

"Português, de origem nobre, atravessou meio mundo antes de alcançar Mompracem e de se tornar no melhor amigo de Sandokan. Aventureiro temido, com um passado misterioso, leal, generoso, está sempre pronto para a aventura e sempre com o sorriso nos lábios" (em blog "Santa-Nostalgia")


Na famosa série de TV, o português é interpretado pelo actor francês Philippe Leroy.