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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Obras de Júlio Diniz, "Pupilas do Senhor Reitor" e "Fidalgos da Casa Mourisca", adaptadas à TV Brasileira


Em Portugal, o teatro radiofónico surgiu nos anos 1930 na Emissora Nacional, do Estado, mas o primeiro folhetim só surgiu após a Segunda Guerra. Nem por acaso foi "As Pupilas do Senhor Reitor", com base na famosa novela oitocentista de Júlio Dinis.

A radionovela começa também a ter espaço na rádio brasileira na década de 40, quando fazem sucesso várias histórias romanceadas, em capítulos, não só no horário chamado nobre, o nocturno, mas também pela manhã às 9 h, quando era emitida a novela “As pupilas do Senhor Reitor” e, logo depois, “Os Fidalgos da Casa Mourisca”.

As duas radionovelas eram gravadas, devido aos custos para realizar uma radionovela. As agências de publicidade produziam as novelas no Rio de Janeiro ou em São Paulo, gravavam e distribuíam as cópias para outras emissoras do país.


O filme português “As Pupilas do Senhor Reitor" de Perdigão Queiroga (de 1961) foi igualmente divulgado no Brasil, através da adaptação brasileira de Anselmo Duarte e Miguel Pinheiro, tendo nos principais papéis actores brasileiros, como Anselmo Duarte (Daniel) e Marisa Prado (Margarida) e actores portugueses como Isabel de Castro (Clara), Américo Coimbra (Pedro), Silva Araújo (reitor), António Silva (João da esquina), Raul de Carvalho (José das Dornas) e Humberto Madeira (doutor João Semana).


"As Pupilas do Senhor Reitor" (TV Record, 1970)

A convite de Dionísio Azevedo, Lauro César Muniz vai para a TV Record em 1970, para adaptar “As Pupilas do Senhor Reitor”, um romance de aldeia, conforme Júlio Diniz o define. Imbuído da sua experiência de cidade de interior, de Guará, injectou a sua vivência da província, da infância, mas manteve o ambiente e a tradição portuguesa do Minho, mantendo a história no século XIX.

O romance em tom de crónica é muito certinho. O autor da novela criou muitas situações, muitos personagens, para fazer cerca de 280 capítulos! Os cultores de Júlio Diniz não se queixaram.


Com direcção de Dionísio Azevedo e Nilton Travesso, a novela foi exibida entre 23 de março de 1970 e 6 de março de 1971, inicialmente às 19h, em 279 capítulos tendo sido um grande sucesso de audiência (numa época em que a TV Globo já liderava), o que motivou a alteração do seu horário para as 20 h.

A adaptação do texto do escritor português Júlio Dinis, tratava dos conflitos dos moradores locais: um médico (João Semana, interpretado por Sérgio Mambert) que perde o posto para outro mais jovem, recém-formado (Daniel), e o envolvimento das “pupilas” Clara (Georgia Gomide) e Margarida (Márcia Maria), que estão sob o cuidado do reitor Padre Antônio (Donísio Azevedo), com os irmãos Daniel (Agnaldo Rayol) e Pedro das Dornas (Fúlvio Stefanini) .


A novela era toda gravada num estúdio da Record, no Aeroporto de São Paulo, com todo o requinte que a emissora poderia empregar na época. Sem locações (exteriores). Era um estúdio muito grande onde foi reconstituída uma praça, com fachadas das casas. De forma engenhosa, as fachadas eram retiradas e apareciam os interiores das casas. Quase nunca fizeram cenas exteriores.

No terceiro mês de apresentação da telenovela, a atriz Geórgia Gomide deixou "As Pupilas do Senhor Reitor". Sua personagem, "Clara", do núcleo de protagonistas, passou a ser interpretada por Maria Estela. A mudança fez com que a personagem Margarida (interpretada por Márcia Maria) ganhasse maior destaque e assumisse o papel de protagonista.

Segundo arquivos da Unicamp, é a telenovela de maior audiência da história da Record em todos os tempos. Obteve média geral de 20 pontos na audiência, com capítulos que ultrapassaram os 30 pontos de média.


O cantor Manoel Taveira radicado no Brasil (que editou um disco com algumas músicas da novela) interpretava um monossilábico ajudante de barbeiro que só conseguia fazer frases completas quando cantava.

O cantor Dino Meira, então radicado no Brasil, fazia o papel de cantor do Porto e interpretou o tema “Caminhos da minha vida”, uma espécie de jazz português, na trilha sonora complementar – canções interpretadas pelos actores.

A actriz portuguesa Maria José Vilar canta, nessa trilha sonora complementar, “Dá-me um beijo”, vira composto sob medida para a intérprete de Elvira, a esposa do Marceneiro Rogério.

 
"Os Fidalgos da Casa Mourisca" (Rede Record e TV Rio, 1972)

"Os Fidalgos da Casa Mourisca" foi uma telenovela brasileira exibida pela Rede Record entre 2 de maio e 2 de setembro de 1972, às 19h, em 107 capítulos.

Baseada no romance homónimo de Júlio Diniz, foi adaptada por Dulce Santucci e dirigida por Randal Juliano.

Foi uma tentativa fracassada de reeditar o sucesso de "As Pupilas do Senhor Reitor", do mesmo escritor.


Rodolfo Mayer, no papel de Dom Luís, e Geraldo Del Rey e Ademir Rocha no papel dos filhos de Dom Luís, Jorge e Maurício, eram os Fidalgos do título, destacando-se igualmente as actrizes Maria Estela (no papel de Berta, uma plebeia que se casava com um dos filhos) e Laura Cardoso (que interpretara o papel de Tereza em "Pupilas do Senhor Reitor" como Gabriela).


"As Pupilas do Senhor Reitor" (SBT, 1994)

"Remake" da novela de 1970, da Record, escrita por Lauro César Muniz. Exibida de 6 de dezembro de 1994 a 8 de julho de 1995, em 185 capítulos (originalmente às 19h45), foi escrita por Muniz e adaptada por Ismael Fernandes e Bosco Brasil, novamente sob a direcção de Nilton Travesso.

A novela tinha como protagonistas Juca de Oliveira (Padre Antônio - Senhor Reitor), Débora Bloch (Margarida), Luciana Braga e Eduardo Moscovis Moscovis (Daniel das Dornas), Tuca Andrada (Pedro das Dornas) e Elias Gleizer (Sr. José das Dornas).


O tema de abertura era "Canção do mar", na voz de Dulce Pontes, que a tornou conhecida por todo o  Brasil.

A personagem da atriz Lucinha Lins, Magali do Porto, é uma cantora famosa de Portugal que visita Póvoa do Varzim e dá um show ao ar livre para os habitantes da cidade, e canta o clássico "Ai, Mouraria!"

Apesar do excelente trabalho de arte e direção, a novela não conseguiu cativar tanto o público e a audiência caiu.


(Novela da Record)

Opereta "Os Fidalgos da Casa Mourisca" (1940)

O compositor, instrumentista e regente J. Aimberê (José Aimberê de Almeida) nasceu em Anápolis (atual Analândia) SP em 9/4/1904 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 24/11/1944. Além da opereta "Noite de reis" (1928), foi autor das músicas das operetas "Tutu marambaia" (1939), libreto de Batista Júnior e Belisário Couto, e em 1940, de "Os fidalgos da casa mourisca", libreto de Costa Junior.

Fontes/Mais informações: Wikipédia (Pupilas 1970. Os Fidalgos da Casa Mourisca, Pupilas 1994) / Tudo isso e TV / E10blog / Biografia de Lauro César Muniz / Revistacal / Recreio Brasil / Novelas do Brasil (Os Fidalgos da Casa Mourisca) / Teledramaturgia / Astros em Revista  / ufrgs (rádio cearense) / Opereta

Rádio novela "Fidalgos da Casa Mourisca" em cartaz na Tupi (1943)
Póvoa do Varzim (Erro da revista)





Trio de fofoqueiras em destaque na produção da SBT

A SBT utilizou as cenas ousadas de Francisquinha para alavancar as audiências 



quinta-feira, 15 de março de 2012

Gerrit Komrij: de Trás-os-montes até Vila Pouca

Gerrit Komrij, escritor e poeta holandês, estava farto da vida literária e das suas obrigações e decidiu emigrar para um país longínquo. Isso foi em 1984 e o país mais longínquo que podia imaginar nessa altura foi Portugal.

Com o seu companheiro, foram à procura de isolamento numa aldeia afastada de Trás-os-montes (Alvites). Foram cinco anos dramáticos (entre 1984 e 1988) e não tardou que entrassem em conflito com os poderes locais. Estes cinco anos resultaram no romance "Atrás dos Montes".

Agora vivem na Beira (Vila Pouca da Beira, Oliveira do Hospiyal), também num sítio isolado, mas um pouco mais perto da "civilização", isto é, mais perto de uma livraria, presença essencial a Gerrit Komrij, que colecciona livros desde os seus 15 anos. Diz que são mais humanos do que os seres humanos. E aqui começou devagar a sentir-se em casa, aprendeu a língua, teve, como diz, o privilégio de conhecer uma literatura.


"Atrás dos Montes" (1990)

“Atrás dos Montes” (“Over de Bergen”) é a história de um jovem em busca das suas raízes.

Pedro Sousa e Silva, farto da vida de “jet set” de Lisboa, chega à terra dos seus sonhos, na província mais distante e mais isolada do país, para se instalar no imponente solar abandonado que os seus antepassados habitaram outrora. (...)

A sua existência parece predestinada a uma vida serena de prazeres simples. Mas não tarda que por detrás da fachada exótica se descubra uma sociedade baseada na desconfiança e no terror. À volta da velha casa estala uma guerra sem tréguas. O isolamento transforma-se numa prisão. Confrontado com uma comunidade onde nada mudou após a queda do regime totalitário, Pedro é obrigado a ceder.


Até mais logo ... (uma estória interessante)

Em "Atrás dos Montes", Gerrit fala da exuberância da paisagem, da hospitalidade nacional, da qualidade de vida e de um episódio delicioso que revela porque se cansam tanto os portugueses com a verdade.

Komrij tinha acabado de se instalar na sua quinta, em Alvites, e resolveu descer à aldeia para conhecer os habitantes. A simpatia local esmagou-o, mas regressou a casa em pânico, dizendo ao seu companheiro: "Todos se despediram dizendo 'até mais logo', deve ser tradição da terra. No final da tarde aparecem-nos aí".

Prepararam então o jardim para receber a aldeia. Esperaram, esperaram, mas ninguém apareceu. Komrij levou algum tempo a descodificar este desligamento entre o que se diz e o que se faz - mas percebeu a simplicidade: é só uma forma educada de adiar um problema.


"Um almoço de negócios em Sintra" (1996), colectânea de crónicas sobre Portugal

Todas as semanas escreve uma crónica sobre a sua aldeia portuguesa para um jornal holandês - onde satiriza sobre tudo e todos.

"Um Almoço de Negócios em Sintra" é um retrato em corpo inteiro de Portugal e dos portugueses. Um retrato solícito e inteligente, que anda tão perto do enternecimento como da provocação. Os nossos defeitos, de tão próprios, acabam por parecer virtudes. E as nossas patentes qualidades têm, afinal, a mais peculiar das marcas.

"Um Almoço de Negócios em Sintra" é, assim, para os portugueses, um livro frontal, aqui e além incómodo, mas sempre revelador.


"Vila Pouca, Contos Portugueses" (2009)

De 1984 a 1988, Komrij viveu em Alvites, Trás-os-Montes, uma vivência que inspirou o seu primeiro romance Over de bergen (Atrás dos Montes, 1990). Desde 1988 vive em Vila Pouca da Beira, que retratou em "Vila Pouca, Portugese verhalen".


Libretto de "Melodias Estranhas" (2001)

A ópera "Melodias Estranhas" é uma co-produção bilingue luso-flamenga, com música de António Chagas Rosa e libreto do holandês Gerrit Komrij, para as duas Capitais Europeias da Cultura de 2001 (Roterdão e Porto).

A ópera é centrada nas personagens de Erasmo de Roterdão e Damião de Góis que, há 500 anos atrás, construíram uma amizade a partir da recusa mútua pelo fanatismo religioso.


"Nós por eles" (RTP 2)

“Está no meu carácter ver o lado ridículo das pessoas e escrever sátiras sobre eles, mas, claro, estou consciente do facto que estou a viver num país onde sou um hóspede e os portugueses são muitíssimo generosos em me acolher, portanto não posso ser demasiado crítico.”

“(…) numa outra língua, a dois mil quilómetros de distância, escrevo de uma maneira muito simpática sobre o que acontece nesta pequena aldeia por baixo da superfície.”

“Quando eu ficar absolutamente maluco, então, não sei onde me vão pôr (…) Mas enquanto tenho o destino em minhas próprias mãos vou ficar aqui. Sim, acho que vou morrer aqui. O cemitério é mesmo ao lado, portanto a viagem será curta.“

Fontes: Programa “Nós por eles” (RTP 2) / wikipedia / ritualmente / ilcml / dornes / Expresso

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Tomaz Alcaide, cantor de ópera de renome internacional

Tomaz Alcaide, alentejano de Estremoz nascido no início do século, teve o arrebatamento de se lançar numa carreira internacional, ainda jovem, numa ascensão meteórica que o levou aos principais teatros de ópera da Europa.(...)

Em 1925, com 24 anos, resolve ir para Itália para se aperfeiçoar no canto (com pouquíssimo dinheiro, sem uma carta de recomendação e nenhum bilhete de apresentação).

Em Milão tem a sorte de encontrar um professor, o maestro Fernando Ferrara, de quem ficará grande amigo para sempre. Numa semana começa as aulas de voz, pouco tempo depois arranja um agente teatral, passados oito meses estreia-se no Teatro Carcano de Milão, participando em seis actuações da ópera «Mignon», de Ambroise Thomas, e recebendo críticas extremamente favorável na imprensa milanesa.

Durante os anos que se seguem, através do seu agente, Alcaide foi arranjando contratos para cantar em teatros de ópera em Itália, na Suíça, na Alemanha, nos Estados Unidos.

E nesta tarimba foi aperfeiçoando alguns dos papéis fundamentais no seu repertório: Duque de Mântua («Rigolleto»/Verdi), Rodolfo(«La Bohéme»/Donizetti), Conde de Almaviva («Barbeiro de Sevilha»/Rossini), Cavaleiro Des Grieux («Manon»/Massenet), Doutor Fausto («Fausto»/Gounot), Werther («Werther»/Bizet).

Os anos 30 foram a década de ouro da carreira de Tomaz Alcaide. Cinco anos depois de chegar a Itália, assina um contrato para uma temporada do Teatro Real de Ópera de Roma e meses mais tarde é disputado pelo Scalla de Milão, que o quer ter no elenco da ópera. É o sonho que se materializa, definitivamente [em Março de 1930], na consagração do artista. (...)

Entretanto, o tenor famoso é constantemente requisitado. Já nem tem tempo para todos os contratos que lhe oferecem. Viaja muito. Participa nos grandes festivais (Salzburgo, por exemplo), canta nas Óperas de Viena, de Zurique, de Paris. Pertence à elite dos cantores e cruza-se com os maiores do seu tempo.

Em Bérgamo (Itália), em três óperas com os maiores cantores mundiais nos respectivos papéis, consideram-no o melhor intérprete de Fausto do mundo. Passa uma temporada na Finlândia, outra em Bruxelas e mais outra em Monte-Carlo.

Com a partida para a América do carismático maestro Arturo Toscanini, o Scalla de Milão entra num período de crise. Alcaide julga não ser considerado como merece na nova distribuição de papéis de mais uma temporada. Num impulso de desgaste parte para Bordéus. Instala-se num palacete e permanece quase um ano no Grand Théatre. Mais tarde, terá um desabafo considerando esta atitude o primeiro passo em falso na sua carreira: «Nunca deveria ter abandonado o meu lugar de primeiro tenor do Scala».

Durante os anos em que esteve afastado de Itália, o país mudou. Quando tenta regressar, no final do anos 30, é impossibilitado de poder cantar em Itália por ser estrangeiro. A solução que lhe propõem é que mude de nacionalidade. Impensável. Nasceu português, morrerá português. Durante um período de oito meses instala-se em Bruxelas com um contrato do Teatro de la Monnaie. Alcaide vive ainda uma época farta em convites e participações para inúmeras óperas.

Em 1939, encontra-se em Portugal para terminar o episódio do processo em tribunal e resolve permanecer durante um período breve em Cascais, para fazer umas férias. Em vésperas de partir, subitamente, o destino troca-lhe de novo as voltas: Hitler tinha acabado de invadir a Polónia. A Europa estava à beira da guerra. Tomaz Alcaide tinha 38 anos. E assim, abruptamente, terminara a sua carreira de grande cantor.

Fontes: Ana Soromenho (adaptado) / Facebook

Tomás de Alcaide foi reconhecido pela insuspeita His Master’s Voice (HMV) como o maior tenor ligeiro do mundo.

Mais informaçoes: "Tomaz Alcaide 1901-1967" de Mario Moreau / Opera per tutti

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Obras de Saramago adaptadas para Ópera


O compositor italiano Azio Corghi já escreveu sete obras musicais sobre textos de Saramago, sendo "Dissoluto Absolvido" a terceira colaboração no campo da ópera. Para o compositor italiano a literatura é uma grande fonte de inspiração quando se trata de encontrar temas teatrais.


Blimunda

Saramago recusou autorizar uma adaptação cinematográfica de "Memorial do Convento". O romance foi, no entanto, adaptado a ópera lírica em 3 actos por por Azio Corghi, com o título "Blimunda" (em 1989), estreada no Teatro alla Scala, Milão, em 20 de Maio de 1990, com encenação de Jerôme Savary.

José Saramago apenas consentiu esta adaptação pelo facto da ópera se inspirar apenas em quatro ou cinco elementos dramáticos da obra. Blimunda foi a figura central do espectáculo; trata-se de uma mulher de estranha beleza e dotada de poderes ocultos, que acompanha Baltasar Sete-Sóis, um ex-soldado maneta e gancho no coto, nas desventuras da Inquisição, na aventura da Passarola de Bartolomeu de Gusmão e nos episódios da construção do Convento de Mafra.


Outras obras musicais

Da peça "In Nomine Dei" foi extraído um libreto, o da ópera "Divara", estreada em Munster (Alemanha), em 31 de Outubro de 1993, com música de Azio Corghi e encenação de Dietrich Hilsdorf.

Igualmente de Azio Corghi é a música da cantata "A Morte de Lázaro" sobre textos de "Memorial do Convento", "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" e "In Nomine Dei", interpretada pela primeira vez em Milão, na igreja de San Marco, em 12 de Abril de 1995.

Da peça teatral "Don Giovanni ou o Dissoluto Absolvido" foi extraído o libreto da ópera de Azio Corghi "Il Dissoluto Assolto", estreada em Lisboa, em 18 de Março de 2006, no Teatro Nacional de São Carlos.


A dupla Corghi e Saramago

O que mais o fascina em Saramago, "um homem que denuncia as injustiças do mundo mas que tem uma grande sede de viver", é o facto de cada obra literária do escritor português conter tudo lá dentro: "romance, poesia, teatro, música!", disse Corghi.

A música de "Dissoluto Absolvido" começou a ser composta antes de o libreto estar completamente pronto, mas foi sendo ajustada em função das longas conversas que os dois autores iam tendo por "email", ditando o texto vários dos procedimentos musicais.


Estilo

Tudo isto é servido por um estilo que passará a constituir forte marca do autor e que se define, basicamente, pela supressão de alguns sinais de pontuação, nomeadamente pontos finais e travessões para introduzir o diálogo entre as personagens, o que vai resultar num ritmo fluido, marcadamente oral e muito próprio, tanto da escrita como da narrativa.

Estas características irão, aliás, contribuir para transformar os seus livros em objecto de interesse para encenadores, músicos e realizadores de cinema

Fontes: CM-Golegã / Público / Monicareactor / Hardmusica in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. V, Lisboa, Europa-América, 1998 / Espaço Português

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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

"Ode Sinfónica Vasco da Gama" de Bizet (1859)

 
Foi durante a sua estadia na Villa de Medicis no ano de 1859, como bolseiro, que Georges Bizet (na imagem) iniciou a composição da Ode Sinfónica Vasco da Gama. Estavam então na moda os nacionalismos, os quais ocupavam um importante papel na produção artística em geral.

Neste contexto de atracção pelas culturas alheias e pelo seu elemento exótico e misterioso, porque desconhecido, numerosas traduções de obras literárias circulavam por toda a Europa.

Não é de espantar que os Lusíadas fosse uma das obras mais traduzidas de todo o século XIX, tendo então chegado ás mão do jovem Bizet.

Encantado com a heróica odisseia dos descobrimentos, com a figura de Vasco da Gama e com a inconfundível arte de Camões, compôs esta Ode Sinfónica para Coro, solistas e narrador, com libreto de Louis Delâtre.

Todos os papeis são masculinos embora o jovem oficial Leonardo e o Vigia sejam interpretados por sopranos. A impressionante voz de adamastor foi originalmente escritra para seis baixos.

Fonte: Mezza Voce

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Vasco da Gama em "A Africana" de Meyerbeer (1865)

"A Africana" é a ultima ópera de Meyerbeer. Estava em fase de produção quando da morte do compositor e, por isso, foi pedido ao renomado musicólogo Fétis para rever toda a partitura para a estreia.

Trata-se de uma grande ópera à boa maneira da época: Triângulos amorosos, uma prisão, povos exóticos, barcos apanhados em tempestades, rituais nativos, árvores venenosas e um auto-sacrificio…

O libreto teve como fonte de inspiração o poema “Le Mancenillier” de Millevoye, que conta a história de uma árvore cuja fragrância é venenosa e de um par de amantes.

Apesar de Eugène Scribe, o libertista, e Meyerbeer, terem começado a trabalhar na ópera em 1837, rapidamente a puseram de lado para se dedicarem a "Le Prophète". Só quando terminaram este trabalho é que voltaram à "Africana", para mais uma vez ser interrompida.

Com tantas interrupções só terminariam o primeiro esboço em 1843 que seria inteiramente revisto. A acção do libreto original passar-se-ia entre África e Espanha, mas na última revisão, efectuada em 1857, a personagem principal passa a ser Vasco da Gama, e os locais da acção passam para Portugal e para as costas de Madagáscar e/ou Índia.

Embora o nome se tenha mantido “A Africana”, as referências a rituais brahmas e aos deuses indianos são uma constante.

A Africana foi estreada na Ópera de Paris a 28 de Abril de 1865. O triunfo foi imediato e rapidamente se espalhou a outras casas de ópera por toda a Europa.

Fonte: Mezza Voce

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

"Don Sebastião, Rei de Portugal" de Donizetti (1843)

A reputação da ópera "Don Sebastião, Rei de Portugal" não é das melhores. Donizetti despendeu mais tempo com esta ópera do que com qualquer outra, e o resultado não terá sido o melhor.

Alguns críticos consideram-na um funeral em cinco actos, e por alguma razão, quando a crítica alude a esta ópera refere sempre o estado de saúde mental de Donizetti que nesta altura estaria já bastante afectado devido à sífilis.

Poucas figuras da História europeia incendiaram a imaginação e a criatividade, como D. Sebastião. A literatura romântica produziu sobre este rei português vários contos extravagantes, e Donizetti compôs em 1843 a ópera Don Sebastião, Rei de Portugal, hoje considerada rara.

Estreou na Ópera de Paris. Foi uma obra monumental prejudicada no entanto por um libreto pouco plausível e mal articulado, porém, musicalmente revela o apuramento de estilo que consagraria internacionalmente o seu autor.

Fonte: André Cunha Leal

Video: (Ópera)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

"Dionisio" de Händel ou uma ópera que nunca veio a ser

"Dionisio Re di Portogallo" é o título do libreto de Antonio Salvi (escrito em 1707 e posto em música por Giacomo Antonio Perti) que esteve na origem de uma das óperas menos conhecidas de Handel (na imagem): "Sosarme, Re di Media", estreada em Londres em 1732.

A meio da composição da obra, possivelmente por razões políticas, Handel viu-se obrigado a transportar a acção (que evocava os conflitos familiares entre D. Dinis, o seu filho herdeiro, D. Afonso IV, e o seu filho bastardo D. Afonso Sanches) da Coimbra medieval para o Médio Oriente.

Libreto original

Händel começou por escrever um "Fernando, re di Castiglia" (com os mesmos personagens históricos), o qual, a cerca de 2/3 da composição (de que existe manuscrito autógrafo), foi alterado no título e no tempo histórico para Sosarme (passado na Ásia Menor da Antiguidade), título pelo qual a obra é conhecida.

A acção situava-se em Portugal: D. Fernando (Rei de Castela) e Elvida (filha de D.Dinis, Rei de Portugal) eram as personagens principais, que viam o seu casamento adiado pela verdadeira guerra civil gerada pela revolta do Infante Afonso (futuro Rei D. Afonso IV).

Fontes: Opera em Portugal / wikipedia1 / cult blogs

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

"Inês de Castro" na ópera e música clássica


A história de Inês de Castro inspirou mais de 20 operas, sendo as mais famosas “Ines de Castro” (1798) de Niccolò Antonio Zingarelli e “Ines de Castro” (1835) de Giuseppe Persiani (1799-1869) com base no libretto de Salvatore Cammarano, que foi bastante conhecida no seu tempo.


Século XVIII

A primeira ópera dedicada a Inês de Castro foi escrita por Gaetano Andreozzi (1755-1826), tendo sido estreada em 1793, na lindíssima e envolvente Florença.

No ano seguinte, 1794, estrearia em Nápoles a “Inês de Castro” de Giuseppe Francesco Bianchi (1752-1810), numa época em que aquela cidade era um dos grandes centros operáticos.

Apresentação de "Ines de Castro" de Persiani

Século XIX

Em 1806 foi estreada outra ópera intitulada “Inês de Castro” em Nápoles, em 1806 da autoria de Giuseppe Farinelli (1769-1836) que pouco terá a ver com o celebrizado castrado Farinelli.

A ópera "Inês de Castro" de Giuseppe Persiani foi estreada em Nápoles, no seu Teatro S. Carlo, em 28 de Janeiro de 1835, tendo desde logo alcançado enorme sucesso perante o público e a crítica, facto que lhe permitiu estar em cena durante cerca de 16 anos, em mais de 60 produções diferentes.

Em Lisboa, o Teatro de S. Carlos assistiria em 1841 à estreia de uma outra ópera "Inês de Castro", escrita por Pier Antonio Coppola (1793-1877), marcando a importância então conseguida por aquele Teatro a nível europeu.


Século XX

A tragédia de Inês de Castro inspirou também um compositor de música culta contemporânea, James MacMillan, nascido em 1959. A ópera "Inês de Castro" concebida por aquele autor foi estreada em 23 de Agosto de 1996, na edição desse ano do notabilizado Festival de Edimburgo, pela Scotish Opera Orchestra, com encenação de Jonathan Moore.


O seu libreto foi escrito pelo novelista britânico John Clifford, a partir da quase incontornável “A Castro”, de António Ferreira, facto que terá também justificado a sua apresentação em Portugal a 7 e 9 de Julho integrados no Porto 2001 – Capital da Cultura.


Mais recentemente, um jovem compositor suíço Andrea Lorenzo Scartazzini (nascido em 1971) foi o autor de “Wut”, uma opera em língua alemã estreada no Teatro Erfurt (Alemanha) em 9 de Setembro de 2006.

Fontes: José Alberto Vasco (Tinta Fresca) / wikipedia / Ismael Mendes



Outras obras ("Inés de Castro")

- Ópera - Scena ed aria de Carl Maria Friedrich Ernst von Weber"
- Ópera de Julien Duchesne (1864)
- Ópera do compositor uruguaio Tomás Giribaldi (1905)
- Ópera com musica de Gaetano Andreozzi, libretto di Cosimo Giotti (1793)
- Ópera com musica de Giuseppe Cervellini, Ignazio Gerace, Sebastiano Nasolini, Francesco Bianchi e libretto de Luigi De Sanctis (1795)
- Ópera com musica de Niccolò Zingarelli e libretto de Antonio Gasperini (1798)
- Ópera com musica de Vittorio Trento (1803)
- Ópera com musica de Pietro Carlo Guglielmi, libretto de Filippo Tarducci (1805)
- Ópera com musica de Stefano Pavesi, libretto di Antonio Gasperini (1806)
- Ópera com musica de Felice Blangini (ca. 1810)
- Ópera com musica de Giuseppe Persiani, libretto de Salvadore Cammarano e Giovanni Emanuele Bidera (1835)
- Ópera com musica de Thomas Pasatieri e libretto di Bernard Stambler (1976) (E.U.A.)
- Ópera com musica de Vicente Lleó

Videos: Persiani / Zingarelli

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"Une nuit à Lisbonne" de Camille Saint-Saëns (1881)

Camille Saint-Saëns (1835-1921) foi um famoso compositor e músico francês, tendo publicado em 1881 "Une nuit a Lisbonne" uma barcarola dedicada ao Rei D. Luís de Portugal.

Exotismo de Lisboa ?

No romantismo da Europa ocidental a procura do exótico poderia não afastar-se muito da terra de origem. As muitas incursões no repertório espanhol, especialmente andaluz, por parte de vários compositores do norte da Europa são disso um exemplo.

Assim, não se deverá enquadrar a barcarola "Une Nuit à Lisbonne", composta por Saint-Saëns apenas um ano depois de "Suite Algérienne", de uma forma diferente do restante repertório de viagem do autor.

O pitoresco está novamente presente nesta pequena peça que apresenta um único motivo temático, explorado pela instrumentação rica de uma orquestra já mais reduzida.

Novamente as imagens visuais parecem impor-se sobre o som, aludindo, até pelo próprio subtítulo, ao balançar constante do rio colado à cidade.

(...) em "Une Nuit à Lisbonne" o descritivo quase pictórico parece apontar para uma mera nostalgia de vivência, ainda evidentemente romântica mas muito menos exacerbada

Gôndolas no Tejo ?

Uma barcarolla é uma música de carácter folclórico cantada pelos gondoleiros de Veneza ou uma peça musical escrita em tal estilo.

No estuário do Tejo não há obviamente gôndolas. Também não há tradição de se cantar nos barcos portugueses. Nem há barcarolas na história da Marinha Portuguesa ...

Talvez Camille Saint-Saëns tenha apenas sonhado ...

Fontes: Tiago Cutileiro / Briefe an Konrad

Ligações: Partitura, audio