quarta-feira, 15 de agosto de 2018

O sucesso de "De Degrau em Degrau" de Jerónimo Bragança e Nóbrega e Sousa


"De Degrau em Degrau", com poema de Jerónimo Bragança e música de Nóbrega e Sousa, foi inicialmente interpretado por Maria de Lourdes Rezende, mas seria Madalena Iglésias a primeira intérprete a gravar o tema no seu primeiro disco, um EP publicado em 1957, que incluía as canções “Talvez”, “Sim ou Não”, “Sou Tua” e “De Degrau em Degrau”.

Maria de Lourdes Resende incluiu "De Degrau em Degrau" no seu EP "Portugal cor de rosa". O tema não foi um clássico instantâneo e inclusive não era a canção principal em ambos os EP. Só em 1965 é que foi gravada a versão de Simone de Oliveira (incluída no seu EP "Sol de Inverno") que se tornou num grande sucesso de Simone de Oliveira e da música portuguesa em geral.



"De Degrau em Degrau" já se tornara um sucesso internacional em 1959, sobretudo em Itália e no Brasil, possivelmente no rescaldo do sucesso de "Vocês Sabem Lá" que foi a canção portuguesa de maior sucesso de 1958.

O cantor italiano Loris Velli, sócio de Raul Solnado no restaurante Sorrento, gravou em 1959 a sua versão de "De Degrau em Degrau", como lado B de "Piove", versão do tema que ganhara o Festival de Sanremo na voz de Domenico Modugno.

Mas maior importância teve, nesse mesmo ano, a adaptação para a língua italiana por Giancarlo Testoni, que foi gravada por Nilla Pizzi, uma das maiores populares cantoras italianas dos anos 50 (que ganhara as edições do Festival de Sanremo de 1951 e 1952) sob o título de “Amore e Odio”.


Foi, no entanto, no Brasil que "De Degrau em Degrau" obteve um maior sucesso, tendo sido inicialmente gravado por Osny Silva em Julho de 1959. E também foi gravado por Cândida Rosa (em 1959), Cauby Peixoto (1960), Sandoval Dias (1960), Gilda Lopes (1963), entre outros.

Sendo igualmente de destacar a versão de Maria José Vilar, fadista portuguesa radicada no Brasil, que deu nome ao seu álbum homónimo, com a participação da Orquestra Caravelle sob direcção de Pereira dos Santos.
 



Em 1960 foi gravada pelos Los Españoles, um grupo vocal e instrumental com origens na Galiza, que, sem perder as suas características hispânicas, possuíam um repertório internacional que lhes permitiu ter algum sucesso, nas décadas de 50 e 60, em diversos países europeus, como França, Holanda, Alemanha e Suécia. No verso do disco é referido que "De Degrau em Degrau", no estilo Bolero-Beguine, é um bolero romântico de Portugal cantado na língua original mas com um ritmo dançável e uma atmosfera latina.

Além de "De Degrau em Degrau", também gravaram versões de "Kanimambo", "Moçambique" e "Fado das Queixas".



"De Degrau em Degrau" também foi adaptada para a língua espanhola, com o título "¿Qué mas te puedo dar?", com letra de C. Murillo, e para a língua francesa, com letra da autoria de Hubert Ithier, com o título de "L'amour qui brûle en moi" que foi gravado pela cantora francesa Marie-Hélène em 1960 (com orquestra dirigida por Hans Werner) e pelo cantor português Rui Mascarenhas (gravada no Canadá com a participação de Jacques Loussier e a sua orquestra).





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