quarta-feira, 30 de julho de 2008

“Uma Noite em Lisboa” de Erich Maria Remarque (1962)


Erique Maria Remarque é o pseudónimo literário do escritor alemão Erich Paul Remark nascido em Osnabrück, no dia 22 de Junho de 1898.

Com 18 anos partiu para as trincheiras durante a Primeira Guerra Mundial, onde foi ferido várias vezes.

Em 1929, Remarque publicou o seu trabalho mais famoso "A oeste nada de novo", tendo escrito mais alguns livros de conteúdo semelhante, numa linguagem simples e emotiva, que descrevia a guerra e o pós-guerra. Em 1963 publicou "Uma Noite em Lisboa", o seu último livro, que relatava a história dos refugiados que utilizavam Portugal como ponto de fuga ao nazismo.


Sinopse (livro)

No tempo de uma noite, toda a dimensão duma tragédia sem nome: a tragédia de todos aqueles a quem o terror nazi pretendeu exilar da vida ! “Uma Noite em Lisboa”. Uma história de ódio e de amor, de doença e de morte.

“O navio preparava-se para a partida, qual arca em tempo de dilúvio. E era de facto uma arca de Noé. Qualquer navio que naquele ano de 1942 abandonasse a Europa assemelhava-se a uma arca de salvação. A América era o monte Arafat e o dilúvio ia crescendo sempre. (...)

A costa de Portugal ficara sendo o último refúgio para os emigrantes que acima da pátria e da própria vida colocavam os seus ideais de liberdade, justiça e tolerância. Quem a partir daí não conseguisse alcançar a terra bendita da América estava perdido”


Opinião sobre o Livro (Blog "Ler y criticar")

Com uma narrativa cheia de diálogos e sem um único momento de ritmo baixo, Remarque mostra-nos um homem que regressa a casa, Alemanha, para encontrar a sua mulher. De origem judaica, este homem de vários nomes, dependendo do passaporte, oferece-nos uma história de sobrevivência, medo e incapacidade para perceber como poderá o mundo ter-se tornado no que o rodeia. Este homem, uma personagem excelente, transmite-nos o seu medo e confusão, confusão essa que o faz enfrentar, talvez de forma inconsciente, todos os perigos, apenas para ter a sua mulher a seu lado.

Na noite de Lisboa, já sem esperança, este homem descreve uma vida inteira de luta, alimentada por um sonho, mas destruído pelo mais inesperado inimigo. Uma vida é tudo o que temos, mas, e quando essa noção já não existe? Quando a nossa passagem neste mundo é tão cheia de dor e medo, que valor tem a nossa vida para nós mesmos?


Adaptação à televisão (1971)

"Die Nacht Von Lissabon" foi adaptado para telefilme pelo canal alemão ZDF, com realização de Zbynek Brynych e interpretação de Martin Benrath (no papel de Josef Schwarz), Erika Pluhar (Helen) e Horst Frank (Georg Jürgens).

O actor e realizador português Arthur Duarte, então radicado na República Federal da Alemanha, tem uma pequena participação.


Fontes: Livros Europa-América / wikipedia / Lerycriticar / kinopoisk

Video: Youtube (trailer)





segunda-feira, 28 de julho de 2008

O Estoril e a II Guerra Mundial (II)



O Portugal da II Guerra vivia em paz, mas sob os efeitos da ditadura salazarista. Era o “paraíso triste”, como lhe chamou Antoine de Saint-Exupery, o autor de “O Principezinho”, que passou pelo Hotel Palácio, antes de se instalar numa moradia ao pé do Casino. O Estoril era um mundo à parte do resto do País.

A ‘Riviera’ planeada por Fausto Figueiredo, em 1935, [à semelhança de Biarritz], oferecia a paisagem, a praia, vida nocturna, restaurantes de luxo e pastelarias de qualidade como a Garrett e a Deck que ainda existem.

Acolheu os cineastas Max Ophuls e Jean Renoir, o sociólogo romeno Mircea Eliade, que começou a escrever no Estoril o seu “Tratado da História das Religiões”, o Nobel da Literatura de 1941, o conde belga Maurice Maeterlinck, o economista John Keynes. E nas encostas do Monte Estoril instalaram-se a grã-duquesa Carlota do Luxemburgo (1940) e os arquiduques da Áustria-Hungria Otto e José de Habsburgo (1940).


Mesmo depois da guerra continuaram a chegar exilados. Os condes de Barcelona instalaram-se na Vila Giralda, em 1946. A casa, que ainda hoje existe, foi palco de encontros vários de monárquicos anti-franquistas, que se reuniam com o pai do actual rei de Espanha, Juan Carlos.

No mesmo ano, Humberto II trocava a Itália do pós-guerra pela baía de Cascais. Carol II da Roménia, que abdicou do trono em 1920, chegou em 1947 com a sua terceira mulher, Magda Lupescu. Morreu no Estoril, em 1953.

-- As tropas alemãs abateram um avião no qual viajava o actor Leslie Howard, porque uma falsa informação proveniente de Portugal referia que o primeiro ministro britânico Winston Churchill ia a bordo.

---Tentativa de rapto de Eduardo de Windsor (Eduardo VIII), que abdicou do torno para casar com Wallis Simpson.

Revista “Conhecer”, nº 2


Fausto Figueiredo (1880-1950) foi responsável pela criação da Costa do Estoril como destino de férias de excelência. Quando a crise e a I Guerra Mundial obrigavam à contenção, criou uma sociedade que deu origem ao casino, a um dos mais antigos campos de golfe de Portugal e ao Hotel Palácio, no Estoril.

Aqui vão hospedar-se espiões, artistas de cinema e refugiados de guerra. Aproveitavam a neutralidade do País e a linha de comboio electrificada, que tinha uma paragem junto à praia. Mais do que um projecto pessoal, Figueiredo acreditava que podia transformar esta zona da marginal num destino turístico internacional. A história deu-lhe razão.

Fonte: RTP (Grandes Portugueses)

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Ian Fleming no Estoril

Durante os instáveis anos da guerra, Ian Fleming foi uma das individualidades que marcou passagem pelo Estoril, tendo dado entrada no Hotel Palácio a 20 de Maio de 1941, como comprova o boletim de alojamento da PVDE conservada no Arquivo Histórico Municipal de Cascais. Muito se tem comentado sobre a possível inspiração do escritor no ambiente que se vivia no Estoril da época, povoado por misteriosas figuras que circulavam anónimas, em clima conspirativo. Frequentador do Casino Estoril, aí também tomado contacto com o famoso espião jugoslavo Dusko Popov, que, quem sabe, poderá ter servido de ponto de partida para a construção do seu agente duplo 007.

Fonte: Agenda Cultural de Cascais

"Casino Royale" ou "Casino Estoril" ?


(...) o primeiro livro Casino Royale poder[á] ter sido escrito com base numa inspiração que surgiu a Ian Fleming quando em Fevereiro de 1941, passou por Portugal, acompanhando o almirante Godfrey, e visitou o Casino do Estoril. Apesar do ambiente local soturno e sombrio, logo ali se cruzaram duas visões de uma mesma cena: Godfrey contaria que jogaram com um grupo de homens de negócios portugueses e ganharam, Fleming diria que tinham jogado «chemin-de-fer» com o chefe dos serviços secretos alemães em Portugal e que, humilhantemente, teria perdido cinquenta libras. A mesma realidade, mas em Fleming o surgir da ficção, a sua alma criadora a transmigrar-se para Bond, reencarnando-se, como se numa lógica rosacruz, na sua criatura.

Fonte: José António Barreiros em Expresso

Colaboração: 007pt

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O Estoril e a II Guerra Mundial (I)


 

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Estoril asilou reis e príncipes destronados, deu refúgio a judeus perseguidos, acolheu artistas – e aqui tiveram lugar algumas das melhores histórias de espionagem entre os alemães e os aliados.

As notícias da Segunda Guerra Mundial já eram conhecidas no Estoril antes mesmo de saírem nos jornais. Cada batalha entre aliados e alemães era seguida atentamente nesta localidade dos arredores de Lisboa. E cada avanço das tropas era comemorado com champanhe. (...)

As festas com champanhe no Hotel do Parque significavam uma vitória dos alemães – mas se as taças cilintavam no Hotel Palácio era certa que a vitória sorria a ingleses e americanos, recordou António Pinto, recepcionista do Hotel do Parque, numa entrevista ao jornalista norte-americano Howard Whitman, publicada em 1974. (...)


Com a invasão da capital francesa pelas tropas alemães, em 1940, os refugiados demandaram o Sul da Europa em busca da paz e de uma oportunidade para partirem para os Estados Unidos.

Entre 1939 e 1946, passaram pelo Estoril e Cascais mais de 20 mil estrangeiros. A maior parte eram cidadãos anónimos, judeus, como atestam as mais de 50 mil fichas de entrada que ainda hoje constam do arquivo histórico de Cascais. Muitos carregavam nomes e títulos noiliárquicos. Havia ainda um terceiro grupo: os que vinham em busca de informações úteis – os espiões.


(...) Pela recepção do Parque terá passado o jugoslavo Dusko Popov, que se instalou quatro vezes no Palácio, em 1940 e 1941. (...) Popov foi um agente duplo e dos ‘mais duradouros e rentáveis’, na descrição do advogado José António Barreiros, autor do livro “A Lusitânia dos espiões”. (...)

As relações de Popov com o sexo oposto terão inspirado Ian Fleming, o criador do célebre 007, que também esteve no Estoril nessa época e colheu na vida nocturna do Casino inspiração para escrever “Ao serviço de Sua Majestade”.

Fonte: Revista “Conhecer”, nº 2

quarta-feira, 23 de julho de 2008

"The Conspirators" (Filme, 1944) (E.U.A.)


No final do clássico do cinema "Casablanca (1942), o líder da resistência Viktor Lazlo (intrepretado por Paul Henreid) e a sua esposa (Ingrid Bergman) descolam de avião para Lisboa.

Em "The Conspirators" (1944), Paul Henreid retoma o papel de um líder da resistência que foge da Holanda para Portugal, procurando captar a magia (e o sucesso) do filme anterior. O filme foi no entanto alvo de críticas negativas, inclusivé por Frederic Prokosch, autor do romance no qual o filme foi baseado.

Com realização de Jean Negulesco, o filme conta igualmente com interpretações de Heddy Lamarr e da dupla Sydney Greenstreet e Peter Lorre (ambos intérpretes em "Casablanca").


Sinopse:

Vincent Van Der Lyn (Paul Henreid) é um holandês, membro da resistência, que se vê forçando a viajar para Lisboa para escapar ao nazismo. Aí encontra um pequeno grupo de conspiradores, liderados por Ricardo Quintanilla (Sydney Greenstreet), que se apercebe que um dos seus colegas é um espião nazi, pelo que recorre aos préstimos de Van Der Lyn para o ajudar a identificar o traidor.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Mary Astor, melhor actriz secundária em 1941-1942



Mary Astor, de seu verdadeiro nome Lucille Vasconcellos Langhanke, nasceu em 3 de Maio de 1906 em Quincy,Illinois, sendo descendente de alemães e portugueses (por parte da mãe Helena Vasconcellos).

Estreou nos cinemas aos 14 anos, em participação não-creditada em "O Espantalho", abrangendo a sua carreira mais de cem filmes (desde 1920 até 1964).


O seu papel mais famoso foi o de Brigid O'Shaughnessy em "Reliquia Macabra" ("The Maltese Falcon") (1941) contracenando com Humphrey Bogart.

Nesse mesmo ano ganhou o Oscar ® para melhor actriz secundária pelo seu desempenho de Sandra Kovak no filme "A Grande Mentira" ("The Great Lie") protagonizado por Bette Davis e George Brent.

Venceu o National Board of Review para melhor actriz de 1941 pelo seu desempenho nesses dois filmes.

Prémios Oscar de 1942

Outros filmes de destaque na sua carreira: "Beau Brummel" (1924), "Two Arabian Knights" (único filme que ganhou o Oscar para melhor filme de comédia em 1929), "Holiday" (1930), "Don Juan" (1934), "Across the Pacific" (novamente de John Houston e com Humphrey Bogart, 1942), "Meet me in St. Louis" (1944) e "Little Women" (1949).

Após 1949 uma doença cardíaca, e problemas com alcoolismo, limitaram a sua actividade cinematográfica, tendo-se dedicado ao teatro e à televisão, bem como a escrever novelas e duas autobiografias que foram enormes sucessos de venda.

Possui uma estrela na Calçada da Fama, localizada em 6701 Hollywood Boulevard.


Revista Cinéfilo  (1932): "Essa coisa da Mary Astor se chamar Helena de Vasconcelos parece-me um grandíssimo canard".




sexta-feira, 18 de julho de 2008

Hal Pereira, Director Artístico

Você nunca ouviu falar no Hal, este simpático senhor de óculos ? Pois saiba que ele me acompanhou várias vezes durante a minha infância - especialmente durante a Sessão da Tarde. Ele foi director artístico de vários filmes importantes. Ao ler os créditos iniciais, estava sempre escrito: Art Director.... Hal Pereira.

Sempre tive curiosidade em saber mais sobre essa figura de sobrenome português.
Hoje, sei que ele trabalhou em 253 filmes, de 1944 a 1968.

Fonte: softgreyindigoeyes (Brasil)

Com Hitchcock e James Stewart durante a rodagem de "Vertigo"

Portuguese Times

Hal Pereira nasceu em Chicado em 1905, onde Hal se tornou conhecido como cenógrafo dos teatros da Paramount. Em 1942, a Paramount chamou Hal para Hollywood e incumbiu-o de supervisionar os cinemas da empresa e em 1950 foi nomeado chefe do departamento de direcção de arte, passando a orientar todo o trabalho de cenografia.

Nos 18 anos em que chefiou a direcção de arte da Paramount trabalhou em 250 filmes, entre os quais os clássicos "A Janela Indiscreta" (Alfred Hitchcock, 1954), "Férias em Roma" (William Wyler, 1953), "Os Dez Mandamentos" (Cecil B. DeMille, 1956), "Boneca de Luxo" ("Breakfast at Tiffany's" de Blake Edwards, 1961), "Shane" (George Stevens, 1953) e "Sabrina" (Billy Wilder, 1954).

A receber o Oscar por "The Rose Tattoo" (1955)
Hall Pereira foi nomeado 23 vezes para o Oscar, deve ser recordista de nomeações, mas recebeu apenas uma estatueta, em 1955, por "The Rose Tattoo", filme baseado na peça homónima de Tennessee Williams e que valeu o Oscar de melhor actriz à italiana Anna Magnani.

Era irmão de William Pereira, famoso arquitecto cujo traço futurista marcou a América dos 50-60 e que apareceu na capa da revista Time:


Fontes: Eurico Mendes, Portuguese Times / Video (Cerimónia de entrega dos Oscars)

Premiére (blog) / Deuxiéme

Não poderei precisar o primeiro filme onde o nome de Hal Pereira se destacou. Das primeiras vezes, confesso, nem olhava para a função. O que chamava mais à atenção era o facto de o apelido ser Pereira, e de o nome próprio ser Hal. Pessoalmente, Hal só conhecia dois: o Ashby e o 9000. Talvez por isso, Hal Pereira tenha sido sempre um nome bem visível. Agora, com o passar dos anos, isto foi-se tornando repetitivo.
(...)
Era preciso pesquisar e averiguar o porquê de tantos filmes com a direcção artística de Hal Pereira. Será que era pura coincidência, e acabava sempre apenas por escolher uma obra em que ele tivesse participado? Não era bem esse o caso. Tendo-se estreado em 1944, com "And the Angels Sing" (George Marshall), e de ter terminado a carreira em 1968, ano em que participou em "The Odd Couple" (Gene Saks), entre 1953 e 1967, Hal Pereira dominou por completo o mundo da direcção artística, falhando a nomeação para um Oscar apenas em 1965. Em quinze anos, Hal Pereira foi nomeado para vinte e três Oscares, tendo ganho apenas por "The Rose Tatoo" (Daniel Mann, 1955).

Pelo meio, Hal Pereira trabalhou com os melhores: Alfred Hitchcock, Billy Wilder, William Wyler, John Ford, Cecil B. DeMille, Martin Ritt, George Stevens, Howard Hawks, Robert Mullingan, Don Siegel, Michael Curtiz, Fritz Lang, Sydney Pollack, Stanley Donen e Anthony Mann. Um clássico atrás do outro, qual Walt Disney. Quem tiver Dvds em casa, o mais provável é ter lá um com o dedo de Hal Pereira.

Fonte: Alvy Singer


terça-feira, 15 de julho de 2008

Steve Perry, vocalista de rock luso-americano


Steve Ray Perry nasceu em 1949, em Hanford, California, filho único de Raimundo Pereira e Mary C. Quaresma Pereira, filhos de açorianos naturais da ilha do Pico. Cresceu falando português e dessa meninice recorda uma viagem aos Açores.

O pai, que americanizou o nome para Raymond Perry, também era cantor e partiu à procura do sucesso quando Steve contava sete anos e ainda hoje considera a separação dos pais uma "tragédia pessoal do rock".


Mary voltou a casar tinha o filho 12 anos e mudou-se para Lemoore, onde Steve formou a primeira banda dando-lhe nome inspirado no apelido português da família, Peartree, a árvore das peras em inglês. Aos 16 transferiu-se para Los Angeles correndo atrás do sonho de tornar-se cantor.


Uma fita demo dos Alien Project, banda local onde tocou, chegou, em 1977, às mãos de Herbie Herbet, que procurava vocalista para o Journey e Steve Perry tornou-se a voz da banda, gravou 14 álbuns e vendeu 45 milhões de discos até ao dia em que decidiu fazer carreira a solo.


Os Journey nunca mais fizeram nada sem Steve Perry e ele também não foi longe sem a banda. Ainda assim, o primeiro dos três álbuns a solo, "Street Talk", foi disco platina em 1984 e no ano seguinte brilhou no projecto "We Are the World".

Fonte: Eurico Mendes, Portuguese Times

Video: "We are the World"

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Joe Perry, guitarrista luso-americano

Joe Perry nasceu em 10 de Setembro de 1950 em Lawrence, Massachusetts, sendo descendente de madeirenses pela parte do pai Anthony Pereira.

Joe descobriu cedo a sua inclinação para a música e aos 6 anos de idade já tocava uma guitarra portuguesa de um tio paterno. Numa entrevista à "Guitar One", publicada em Agosto de 1997, Joe Perry refere-se a esse tio quando responde à pergunta "lembra-se porque escolheu tocar guitarra?", dizendo: "Eu acho que a primeira vez que vi alguém com um instrumento parecido com uma guitarra, foi um tio meu, que é português. Eu devia ter 5 ou 6 anos.

Esse tio nasceu em Portugal e costumava tocar música folclórica portuguesa numa espécie de guitarra muito parecida com um ukelele (cavaquinho). Achava interessante a forma como ele tocava, e os sons que emanavam da guitarra. Era assim uma coisa funky e kitsch ao mesmo tempo. De vez em quando o meu tio dava-me autorização para tocar na guitarra, e a partir daí desenvolvi um fascínio pelo instrumento. Acabei, mais tarde, por pedir aos meus pais que me comprassem uma guitarra acústica da marca Silvertone.


O grupo "Aerosmith", que se tornou mundialmente conhecido com êxitos como "Dream On", "Walk This Way" e "Janie's Got A Gun", entre outros, só em meados da década de 70 pôde contar com o talento de Joe Perry, que até então era mais um músico de origem lusitana que tentava singrar em Boston.

Desde que se iniciaram em 1970, os "Aerosmith" já venderam mais de 100 milhões de discos e Joe Perry entrou para o "Rock & Roll Hall of Fame" em 2001.

Conquistaram quatro estatuetas "Grammy" e foram nomeados para um Óscar pela trilha sonora do filme "Armageddon". Joe Perry foi nomeado, em 2006, a um Grammy como guitarrista, tendo perdido para o legendário Les Paul.

Fontes: rockthis way.com, Henrique Mano (Portuguese times) (adaptado)

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Nuno Bettencourt, o rocker dos Açores


Nuno Bettencourt nasceu na ilha Terceira, em 1966, sendo um dos dez rebentos do casal Ezequiel Mendes e Aureolina Cunha Gil Bettencourt.

Nuno gosta de lembrar que o bisavô Mendes Enes fundou a primeira banda da ilha Graciosa; a avó, Palmira Mendes Enes, fundou a primeira orquestra de jazz dos Açores na ilha Terceira e que o pai deu aulas de música na Base das Lajes e teve depois uma loja de música em Hudson, para onde a família imigrou em 1969.

Todos os manos Bettencourt se dedicam à música e a primeira banda de Nuno foi com os irmãos, ainda no liceu, mas conheceu Gary Cherone, que tinha uma banda chamada Dream, que se tornou Extreme quando Nuno aderiu e vendeu 300.000 cópias do primeiro disco (1988).
As primeiras actuações dos Extreme além fronteiras foram no Festival Maré de Agosto, Santa Maria, em 1986 e no ano seguinte. E uma das últimas aparições juntos antes de se separarem foi também nos Açores, em S. Miguel, para o casamento do Nuno, em 27 de Agosto de 1994, na igreja matriz de Vila Franca do Campo, com a cantora australiana Suze De Marchi, que conheceu durante uma digressão europeia com o canadiano Bryan Adams, que por sinal passou parte da adolescência em Lisboa, onde o pai era funcionário da embaixada canadiana.

No início de 2000, Nuno formou uma banda denominada Mourning Windows, mas que no final do ano se tornou Population 1 e em Janeiro de 2006 passou a ser DreamGod, de que fazem parte Donovan Bettencourt, sobrinho do Nuno e Kevin Figueiredo, baterista luso-canadiano que já vem dos tempos da Mourning Windows.

Em 1991, Nuno era considerado o novo Eddie Van Halen e foi proclamado o melhor guitarrista no Boston Music Awards, batendo Joe Perry (também lusodescendente), do Aerosmith, banda surgida em Boston, em 1969 e que era uma espécie de Rolling Stones da Nova Inglaterra.

Fontes: Eurico Mendes, Portuguese Times; ié-ié


Os Extreme regressaram em 2008, prevendo-se para Agosto o lançamento do seu novo álbum "Saudades de Rock".



Video: "More than words"

segunda-feira, 7 de julho de 2008

"Ode to Billy Joe" de Bobbie Gentry (1967)


Bobbie Gentry é neta de portugueses e chama-se na realidade Roberta Lee Street.

Nasceu em 1944 no Chickasaw County, Mississippi e foi criada, com dificuldades económicas, numa pequena fazenda dos avós. Mas aos 13 anos foi com a mãe para Palm Springs e mostrou garra: formou-se em Filosofia na UCLA e em canto e dança no Conservatório de Los Angeles e pagou os estudos cantando em 'nightclubs'.

Quando precisou de nome artístico lembrou-se do filme "Ruby Gentry", com Charleston Heston e passou a chamar-se Bobbie Gentry.

Bobbie foi uma das compositoras/cantoras americanas mais admiradas dos anos 60 pelos colegas de profissão e críticos musicais, mas infelizmente apenas lembrada pelo publico em geral como uma cantora "one-hit wonder".

"Ode to Billie Joe" vendeu, em 1967, três milhões de discos, atingindo o primeiro lugar do top de singles e de álbuns nos E.U.A, e valendo-lhe três prémios Grammy.

Em 1969 alcançou o 1º lugar no Reino Unido com "I'll never fall in love again" de Burt Bacharach e Hal David.

Gravou oito álbuns, teve programas na televisão, fez cinema, mas um dia borrifou-se nas cantigas, ao que se diz devido à vida romântica.

Fontes: Bitlogger / Eurico Mendes, Portuguese Times

Videos: "Ode to Billy Joe", "I'll never fall in love again"

sexta-feira, 4 de julho de 2008

"Folklore" de Nelly Furtado (2003)


"Era Verão e estava nos Açores a passar férias na pequena aldeia onde os meus pais nasceram", recorda Nelly. "Estava a observar uma paisagem muito rural, num caminho íngreme que subia por uma colina acima. Foi então que vi um velhote a descer a colina, com um ancinho ao ombro. Vinha com umas galochas, calças de trabalho e uma t-shirt da Coca-Cola. Vi-o e pensei: ‘Isto é o meu álbum!'".


Foi assim que surgiu, o título do segundo álbum de originais da luso-descendente Nelly Furtado: "Folklore".

Férias nos Açores

"Folklore", o seu segundo disco de originais, encontra-se cimentado nas suas origens portuguesas, na vivência dos emigrantes no Canadá, e foi também inspirado por umas férias que Nelly Furtado passou nos Açores: "estava em casa da minha avó, que fica numa colina. A casa tem um terraço onde ela tinha a roupa secar e também muitas fotografias, que estavam em cima de uma mesa. Parecia que toda a casa estava cá fora, no terraço. De repente, começou a chuviscar. Do terraço vê-se o mar, lá em baixo... É uma paisagem lindíssima. E, subitamente, enquanto observava este cenário, passou alguém de carro, com o rádio num volume altíssimo, a ouvir techno!" esta seria mais uma situação passível de ser descrita como "Folklore". Neste disco, tudo se reveste de opostos: feliz/triste, folk/hip-hop, irracional/lógico...

A palavra "Folklore"

Nelly lembra que “Folklore” é uma palavra «mágica e mística», que se prende com a «crença na origem das coisas. Trata-se da história das pessoas, basicamente. Toda a gente, em todo o lado, tem o seu folclore. Pode ser leve, pode ser denso. E não tem de vir do passado. As coscuvilhices sobre as celebridades são folclore moderno», argumenta a cantora, que no teledisco do primeiro single para “Folklore”, ‘Powerless (Say What You Want)', surge entre mulheres trajadas de minhota e madeirense.

Video: "Powerless"

Fontes: Universal, Onde Estás


quarta-feira, 2 de julho de 2008

"Força" de Nelly Furtado escolhido como tema oficial do "Euro 2004"


"Força" de Nelly Furtado foi escolhido pela UEFA como tema oficial do "Euro 2004".

Composto por Nelly Furtado, Gerald Eaton e Brian West, o tema foi o terceiro single do álbum "Folklore" editado em Novembro de 2003, tendo sido interpretado, no dia 4 de Julho de 2004, no Estádio da Luz em Lisboa para finalizar o Campeonato.

O tema, cantado em inglês e português, foi inspirado pela paixão que os portugueses sentem pelo futebol.

"Com uma força, com uma força
Com uma força que ninguem pode parar
Com uma força, com uma força
Com uma fome que ninguem pode matar"



Nelly Furtado confessou que sempre que canta “Força”, a canção oficial do Euro 2004, sente orgulho por ser descendente de portugueses.

'Cada vez que canto "Força" fico logo com um toquezinho de orgulho e alegria. Para mim, esta canção não significa apenas futebol, mas algo mais', disse a cantora luso-canadiana à comunicação social.