quinta-feira, 24 de julho de 2008

O Estoril e a II Guerra Mundial (I)


Durante a Segunda Guerra Mundial, o Estoril asilou reis e princípes destronados, deu refúgio a judeus perseguidos, acolheu artistas – e aqui tiveram lugar algumas das melhores histórias de espionagem entre os alemães e os aliados.

As notícias da Segunda Guerra Mundial já eram conhecidas no Estoril antes mesmo de saírem nos jornais. Cada batalha entre aliados e alemães era seguida atentamente nesta localidade dos arredores de Lisboa. E cada avanço das tropas era comemorado com champanhe. (...)

As festas com champanhe no Hotel do Parque significavam uma vitória dos alemães – mas se as taças cilintavam no Hotel Palácio era certa que a vitória sorria a ingleses e americanos, recordou António Pinto, recepcionista do Hotel do Parque, numa entrevista ao jornalista norte-americano Howard Whitman, publicada em 1974. (...)

Com a invasão da capital francesa pelas tropas alemães, em 1940, os refugiados demandaram o Sul da Europa em busca da paz e de uma oportunidade para partirem para os Estados Unidos.

Entre 1939 e 1946, passaram pelo Estoril e Cascais mais de 20 mil estrangeiros. A maior parte eram cidadãos anónimos, judeus, como atestam as mais de 50 mil fichas de entrada que ainda hoje constam do arquivo histórico de Cascais. Muitos carregavam nomes e títulos noiliárquicos. Havia ainda um terceiro grupo: os que vinham em busca de informações úteis – os espiões.

(...) Pela recepção do Parque terá passado o jugoslavo Dusko Popov, que se instalou quatro vezes no Palácio, em 1940 e 1941. (...) Popov foi um agente duplo e dos ‘mais duradouros e rentáveis’, na descrição do advogado José António Barreiros, autor do livro “A Lusitânia dos espiões”. (...)

As relações de Popov com o sexo oposto terão inspirado Ian Fleming, o criador do célebre 007, que também esteve no Estoril nessa época e colheu na vida nocturna do Casino inspiração para escrever “Ao serviço de Sua Majestade”.

Fonte: Revista “Conhecer”, nº 2

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