sexta-feira, 31 de julho de 2009

Laura Soveral, actriz global


Laura Soveral é uma famosa actriz portuguesa com inúmeros trabalhos em teatro e televisão, sendo igualmente reconhecida pela sua actividade cinematográfica, com destaque para o filme "Uma Abelha na Chuva" de Fernando Lopes (1972).

Foi casada com o filho de Marcelo Caetano, tendo vivido em meados da década de 70 no Brasil.

Em 1976 actuou na novela "O Casarão", da autoria de Lauro César Muniz (exibida também em Portugal), contracenando com Tony Correia, e em "Duas Vidas", da autoria de Janete Clair, ambas da Rede Globo de Televisão.



Regressou a Portugal, após a participação nessas duas novelas, onde teve uma sólida carreira como actriz.

Gravou no Rio Grande do Sul a série "O Segredo" (2004), uma produção da Stopline Films (Lisboa), em co-produção com a RTP e a Ccfbr Produções (São Paulo, Brasil).


"O Casarão" (1976)

A participação de Laura Soveral deu-se com um “empurrão” de Raul Solnado, que estava no Brasil e convidou Laura a ir visitar a Globo. A produção da novela estava à procura de uma actriz portuguesa para desempenhar o papel de Francisca (interpretado igualmente pela jovem moçambicana Ana Maria Grova na época de 1920-1936).


"Duas Vidas" (1976)

Laura Soveral interpretava a personagem Leonor, dona da gravadora Danúbio, que perdeu o filho Rómulo nm acidente e passa o tempo a lembrar-se dele. Dino César (Mário Gomes) que sonha ser cantor finge ser amigo do filho de Leonor para ganhar a confiança da dona da gravadora.

A actriz Elza Gomes, que emigrou para o Brasil aos 11 anos, interpreta o papel de Dona Rosa.



"O Segredo" (2004)

Uma série contemporânea onde se cruzam famílias portuguesas que emigraram para o Brasil há várias décadas em busca de riqueza, com os novos emigrantes de hoje. A terra e o gado versus os escritórios de aço e vidro das grandes cidades. Uma história em busca do passado.

Leonel Vieira foi o responsável pela produção e direcção geral da série, trabalhando com a realizadora Patrícia Sequeira e o realizador brasileiro Paulo Nascimento.

O elenco principal é formado por 26 actores portugueses e brasileiros e os técnicos e meios de produção são também de ambos os países.

Fontes: wikipedia / Brinca Brincando / rtp / Correio da manhã  / Memórias Cinematográficas / TV, música e cinema (Facebook)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Tony Correia, actor descoberto nos estúdios da Globo


Tony Correia [natural de Canas do Senhorim] emigrou para o Brasil, onde chegou em 1976. Foi de barco e o objectivo era visitar os tios que viviam no Rio de Janeiro. O espírito aventureiro ‘obrigou-o’ a outras visitas, uma delas determinante: os estúdios da Globo.

A emissora precisava de um português para o papel do emigrante Jacinto (para a novela "Casarão") e o produtor Moacyr Deriquem, ao encontrá-lo numa esplanada em frente à sede da Globo, convidou-o ao aperceber-se do sotaque de Tony quando este pediu uma Coca-Cola.


Do núcleo português da novela, fez ainda parte a moçambicana Ana Maria Grova (Francisca enquanto jovem)  que em 1978 tivemos também oportunidade de ver em "Escrava Isaura".

 

Muito antes da chegada de Ricardo Pereira, Nuno Lopes e Maria João Bastos às novelas brasileiras, já Tony Correia quebrava corações do lado de lá do Atlântico.

Na década de 70, graças às participações em ‘O Casarão’ (onde encarnou o português Jacinto enquanto jovem e meia-idade) e ‘Locomotivas’(na pele do ingénuo Machadinho), tornou-se num galã com direito a capa de revista.


[licenciado em Engenharia] Tony Correia optou pela segurança de um emprego na France Telecom, na área da publicidade, tendo recentemente retomado a carreira de actor.

Bellissima

"Os últimos episódios de ‘Belíssima’, em exibição na SIC, vão revelar uma surpresa. Quem era o marido português que ‘Safira’ (Cláudia Raia) teve. A filha, ‘Maria João’ (Bianca Comparato), ficará a saber que o seu pai se chama ‘Nuno’, um actor nascido em Canas de Senhorim e que chegou a ser o galã da televisão brasileira.

Fontes: Correio da Manhã / Canas e Senhorim / Currículo / Blog pessoal

segunda-feira, 27 de julho de 2009

"Vira Vira" dos Mamonas Assassinas

"Vira-Vira"  é uma canção da banda de rock brasileira Mamonas Assassinas, lançada originalmente no seu álbum homónimo de estreia. Foi a 2ª música mais tocada no país no ano de 1995.

A canção é uma referência ao cantor português Roberto Leal e à canção "Arrebita", lançada no início dos anos 1970.

“Quando os meninos estouraram com a música eu estava em Portugal. Todo mundo achava que eu ia ficar chateado, que ia processar. Meus advogados falaram que eu ganharia um bom dinheiro. Quando cheguei no Brasil vi o país todo cantando, meu próprio filho cantava. Eles me levaram para a nova geração, dando uma dimensão ainda maior do meu trabalho. Me tornei amigo deles”.


A letra é inspirada numa piada do humorista Costinha, editada no disco "O Perú da Festa - Vol. 2", que conta a história de um português que foi convidado para uma orgia (também conhecida como suruba). Por não saber do que se tratava, ele enviou a esposa para ir em seu lugar. Ela volta uma semana depois, cheia de dores, sendo vítima da zombaria do português. No final da canção, ele acaba sentindo indirectamente o que a esposa passou, com o último verso: "Ai, como dói!"


Costela portuguesa

Julio Rasec (teclados) – o sobrenome artístico era, na verdade, seu segundo nome, César, escrito ao contrário – ficou conhecido pela performance de Maria, na música "Vira-Vira".

Os irmãos Reoli, Samuel (baixo) e Sérgio (bateria), usavam uma corruptela do verdadeiro nome da família, Reis de Oliveira, como nome artístico.

Letra (extracto)

Fui convidado pra uma tal de suruba,
Não pude ir, Maria foi no meu lugar
Depois de uma semana ela voltou pra casa,
Toda arregaçada não podia nem sentar.

Quando vi aquilo fiquei assustado,
Maria chorando começou a me explicar.
Daí então eu fiquei aliviado,
E dei graças a Deus porque ela foi no meu lugar

Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém
Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Neste raio de suruba, já me passaram a mão na bunda,
E ainda não comi ninguém!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Roberto Leal, um cantor de fé


Roberto Leal é o nome artístico do cantor português António Joaquim Fernandes natural de Trás-os-Montes.

Imigrou para o Brasil em 1962, com os pais e 10 irmãos. Em 1971 inicia sua carreira, com a canção "Arrebita" (original do conjunto António Mafra), e neste mesmo ano tem a sua primeira aparição em Televisão no Programa do Chacrinha.

Em 1972 ganha o prémio de Rei da Juventude Brasileira, do Velho Guerreiro (Chacrinha) e o importante Troféu Globo de Ouro, da TV Globo, entre inúmeros outros.

Protagonizou o filme "O Milagre", que conta sua própria história, com recordes de bilheteira (14 semanas em cartaz no Cine Paissandu).


Como tudo começou

Quando comecei a minha carreira no Brasil, levava na bagagem a infância, as coisas que ouvia na minha aldeia de Vale da Porca em Trás-os-Montes. Levei comigo uma música muito engraçada do grupo António Mafra chamada "Arrebita" e o brasileiro achou aquilo fantástico.

Mas até eu colocar a música cá fora, as coisas foram muito difíceis. Foi uma luta gravar e tocar. Foi preciso um homem de muita coragem chamado Chacrinha, para eu ter a minha grande oportunidade. A partir daí nunca mais parei.


Agradecimento a Barros de Alencar

"Quando  eu chequei aqui fui a todas as gravadoras do Brasil. Todas. E nenhuma me quis porque música portuguesa não dava certo. Então é maravilhoso quando alguém viu e disse que por ser música portuguesa ia dar certo".

Foi o radialista e cantor Barros de Alencar, que foi o seu primeiro empresário, que sugeriu a gravação de "Arrebita".  Os filhos de Alencar eram "loucos" por essa música. E então Alencar insistiu "Canta essa música. Quando criança gosta é porque é sucesso. Vamos gravar ?". 

Links

Videos: Recriação do programa do Chacrinha no filme de 1978 / "Carimbó Português" no Festival de sucessos (1977) da TV Tupi / Programa de Barros de Alencar (1983) / A história de ... (1951-2019) (Almeida Junior Locutor) / "Come Away" (Versão de "Bate o pé" de Jona Lewie) / "Vira Vira" de Mamonas Assassinas (programa do Faustão)  / programa de Ronnie Von


Versões

Ao longo da sua carreira, Roberto Leal gravou diversas versões de temas portugueses, nomeadamente no início da sua carreira:

"Arrebita" (de António Mafra) (em 1971)
"Todos me querem", "O Malhão", "As pernas da Carolina" (Trio Boreal), "Diga o que é" (Alberto Janes) (em 1973)
"Lisboa antiga" e "Grandola, Vila Morena" (em 1974)
"Clarinha" (de António Mafra), "O Bailinho da Madeira" e "Canção do Mar" (em 1975)
"Só Nós Dois" e "Caninha Verde" (em 1976)
Poutpourri "Tiroliro", "Ó Rosa, Arredonda A Saia",  "Lavadeiras de Portugal" (André Popp/Roger Lucchesi), "Chapéu Preto"  (em 1978)
"Lisboa Não Sejas Francesa" e "Milho Verde" (em 1978)
"Tudo isto é Fado" e "Nem às Paredes Confesso" (em 1979)
"Cheira  a Lisboa" (em 1980)
"Coimbra" (em 1981)
"Morrer de Amor" e "O dia em que o Rei fez anos" (ambos de José Cid)  e "Ó Tempo Volta para Trás" (em 1987)

Em 1986 editou o disco "Romantismo de Portugal" com versões de diversos clássicos da música portuguesa.

Homenageou Amália, em 1975, com o tema "Canção para Amália".


Canções com referência a Portugal

"Viagem a Lisboa", "Carimbó Português" e "Madeira Porto Dourado" (em 1975)
"Na casa de um português" e "Trás os montes" (1978)
"Viva Portugal" (1980)
"Virgem de Fátima" e "Festa Portuguesa" (1981)
"O Samba nasceu em Portugal", "Rever Portugal" (de Archimedes Messina) e "Cozido à Portuguesa" (em 1982)
"Férias em Portugual" e "Português sem Passaporte" (1983)
 "Português do Mundo" (1983)
"Agosto em Portugal" (1985)
"Canto a Portugal" (versão de "Canto a Galicia" de Julio Iglesias, em 1988)
"Jovem Lisboa" (1990)

(...)

Versões internacionais

O tema "Bate o pé", da autoria de Roberto Leal e Márcia Lúcia, sua esposa, com inspiração em canções tradicionais portuguesas, foi regravado em 1977 em alemão por Peter Rubin, com o título "Das Nenn' Ich Service", e em inglês, em 1978, por Terry Dactyl And The Dinosaurs & Jona Lewie (antes do sucesso a solo) com o título "Come Away".

Em 1980 foi editado na Holanda a versão de Santos Tavares (que deverá ter origens em Cabo Verde) do tema "Terra da Maria", igualmente da autoria de Roberto Leal e Márcia Lúcia. 



Vira Vira

"Vira-Vira" é uma canção da banda de rock brasileira Mamonas Assassinas, lançada originalmente no seu álbum homónimo de estreia. Foi a 2ª música mais tocada no país no ano de 1995.

“Quando os meninos estouraram com a música eu estava em Portugal. Todo mundo achava que eu ia ficar chateado, que ia processar [por ser um eventual plágio de "Arrebita"]. Meus advogados falaram que eu ganharia um bom dinheiro. Quando cheguei no Brasil vi o país todo cantando, meu próprio filho cantava. Eles me levaram para a nova geração, dando uma dimensão ainda maior do meu trabalho. Me tornei amigo deles”.


Crítica musical

“A Popularidade de Roberto Leal” chega nas lojas hoje, na verdade não é um cd novo e sim um album com as músicas mais populares de Roberto ... eu chorei de rir ... mas é um cd prá la de divertido e alto astral... mesmo não gostando do estilo “jaspion de portugual” adorei o cd... as músicas tem mensagens positivas ... um ritmo animado ... eu acho que até quem não goste do estilo deve pegar pra dar uma ouvida. Afinal não é qualquer um que vende 17 milhões de cópias sem precisar rebolar a bundinha e descer até o chão, passar horas repetindo os refrões como nos axés ou ate mesmo batendo o cabelo como Colapso Calypso. (...)


Sucesso no cinema com “O Milagre - O poder da fé” (1978)

Em 1978 passou por uma experiência única e muito bem sucedida, que foi a sua primeira incursão no cinema. Protagonizou o filme “O Milagre”, que conta sua própria história, com recordes de bilheteira (foram 14 semanas de permanência em cartaz no Cine Paissandu, apenas para citar um exemplo).


Sinopse: "Uma família de feirantes portugueses, radicada no Brasil, vive em (...) sérias dificuldades financeiras. Para agravar a situação, o pai está cego e não pode mais trabalhar para auxiliar no sustento da família. Devoto fervoroso, a grande esperança do pai é conseguir algum dinheiro para ir a Portugal, onde, acredita, recuperará a visão rezando no altar de Santo Ambrósio.

Vivendo de pequenos expedientes, o filho caçula, ajudado por seu amigo Toninho, busca de todas as maneiras conseguir algum dinheiro para que seu pai possa realizar o seu sonho. Mas suas tentativas não resultam em nenhum salto positivo, além de sempre o colocar em situações complicadas. Tentando ser cantor, o rapaz é vítima de exploradores que lhe tiram o pouco que consegue ganhar. Mas mesmo assim, consegue gravar um disco que resulta num grande sucesso. Em pouco tempo, rico e famoso, leva o seu pai a Portugal, onde acontece o milagre". (Extraído do Guia de Filme, 79)


Fâs

Fãs famosos não faltam para o cantor. Entre eles estão o padre Marcelo Rossi, que gravou um "Vira de Jesus", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e até o técnico brasileiro Luiz Felipe Scolari.

Fontes/Mais informações: página oficial / wikipedia / Ovo colorido / Mundo Universitário / Blog oficial / Cinemateca Brasil  / wikipedia (1) (2) / Revista Quem (16-09-2019) /  Filme completo 








quarta-feira, 22 de julho de 2009

Secos e Molhados, grupo musical brasileiro


Secos & Molhados foi uma banda brasileira, criada pelo cantor e compositor português João Ricardo em 1971 e que tornou célebre o cantor Ney Matogrosso.

Canções do folclore português, como "O Vira" (uma sátira da música folclore portuguesa), misturadas com a poesia de Cassiano Ricardo, João Apolinário, Vinícius de Moraes e Fernando Pessoa, entre outros, fizeram do grupo um dos maiores fenómenos musicais do Brasil do início da década de 70.

Apogeu

No dia 23 de Maio de 1973, o grupo entra no estúdio "Prova" para gravar o seu primeiro disco, que vendeu mais de 300 mil cópias em apenas dois meses, atingindo em pouco tempo um milhão de cópias vendidas.

Os Secos & Molhados tornaram-se um dos maiores fenómenos da música popular brasileira, batendo todos os recordes de vendas de discos e público.

Após o fim do grupo Secos & Molhados, e de sucessos como "Rosa de Hiroxima" e "O Vira", os três membros seguiram carreiras a solo, com destaque para o sucesso de Ney Matogrosso.

João Ricardo

João Ricardo nasceu em Arcozelo em 21 de Novembro de 1949. É filho do poeta e jornalista João Apolinário Teixeira Pinto falecido em 22 de Outubro de 1988.

Tinha quatorze anos quando começou a se envolver com música brasileira. Com a mudança para o Brasil em 1964, para onde o seu pai se exilara, depara-se com a efeverscência musical do país e com o começo da Jovem Guarda, tendo composto entre os 17 e os 18 anos algumas das canções que se viriam a tornar clássicos dos Secos & Molhados.

Após o fim dos Secos & Molhados, João Ricardo lançou em 1975 um disco homónimo, mais conhecido por Pink Record.

João Ricardo adquiriu os direitos de autor do nome Secos & Molhados, tendo reactivado o grupo em 1978, mas sem o sucesso de outrora.

Poemas de João Apolinário musicados pelo grupo

João Apolinário: poeta, jornalista, antifascista, exilou-se no Brasil onde permaneceu vários anos. Nasceu em 1924 e morreu em 1988, na lindíssima vila de Marvão onde existe uma placa a assinalar que ali viveu e morreu.

"A Primavera nos Dentes" - (Morse de Sangue);
"Urgente...Mais Flores" ou "A Luta Necessária" – (Morse de Sangue);
"Sei (Eu sei)" - (Poeta Descalço);
"Doce Doçura" - (Poeta Descalço);
"Os metálicos Senhores Satânicos" - (Poeta Descalço);
"Minha namorada" - (Poeta Descalço);
"Angústia" - (Poeta Descalço);
"Vôo" - (Primavera de Estrelas);
"Flores Astrais" - (Primavera de Estrelas);
"Amor" - (Poeta Descalço).

Fontes: wikipedia, uol, guedelhudos (ié-ié), gin tonic

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Marco Mazolla, produtor musical brasileiro

Marco Aurélio da Silva "Mazzola" (Rio de Janeiro, 25 de abril de 1947) é um dos mais importantes produtores musicais do Brasil, tendo sido o responsável pelo lançamento de artistas como Raul Seixas, Belchior, Marina Lima, Adriana Calcanhotto, Chico César, Zeca Baleiro, entre outros. Trabalhou ainda com nomes como Elis Regina, Gilberto Gil ou Rita Lee.

Principais destaques

Foi, em 1978, um dos promotores da primeira Noite Brasileira do Festival de Montreux, na Suiça, onde levou Gilberto Gil, A Cor do Som e Ivinho. Nesse mesmo ano, produz "Realce" de Gilberto Gil com clássicos como "Realce" e "Não Chores Mais" de Bob Marley.

Colaborou com Paul Simon nas gravações de "The Rhythm of the Saints" de 1990.

Co-produziu, com Phil Ramone, a faixa "The World on a String", de Frank Sinatra, em duo com Liza Minelli. Produziu também duas faixas do CD "Brazil" do Manhattan Transfer (Grammy de melhor disco de 1989).

Colaborou com Quincy Jones no LP gravado ao vivo por Miles Davis em Montreux, em 1994.

Depois de ser director artístico da Warner, da CBS e da Sony funda em 1995 a sua própria etiqueta, MZA, onde revela novos valores como Chico César, Zeca Baleiro ou Rita Ribeiro.

Trabalha com a Banda Eva e no primeiro álbum a solo de Ivete Sangalo ("Canibal" de 1999).

Em 2005, foi homenageado, durante a Noite Brasileira do Festival de Montreux, por seus 30 anos de produção musical. Nesse mesmo ano, lançou o CD duplo "MPBZ 30 Anos, 30 Sucessos" contendo gravações originais que produziu ao longo da sua actividade de produtor musical.

Em 2007 é lançada a autobiografia "Ouvindo Estrelas" onde conta histórias de bastidores e sua relação com artistas com quem trabalhou, bem como dos seus antecendentes familiares que tem uma forte ligação a Albergaria-a-Velha (terra da sua família paterna).

"Ouvindo Estrelas" (autobiografia)

Meu pai, Carlos da Silva Ferreira, teve um começo de vida bastante curioso. Seus pais eram portugueses, que trabalhavam no Brasil — o pai, como mordomo, e a mãe, como arrumadeira.

Quando meu pai nasceu, começou a atrapalhar a rotina exaustiva de tarefas que seus pais precisavam cumprir — ainda mais por que meu avô não tinha o menor jeito nem paciência com criança.

Assim, com seis ou oito meses, decidiram levá-lo para Portugal, para ser criado pelos meus bisavós paternos, na "aldeia" de Albergaria-a-Velha, perto de Aveiro.

Somente quando ele tinha 13 ou 14 anos, seus pais voltaram a viver em Portugal. (...) Esse meu avô era um homem rude, algo brutal até, e mal-humorado. (...)

Em Portugal, a vida era muito difícil, não havia trabalho para ninguém e foi por isso que meu pai [já casado e pai de dois filhos - Marco nasceria já no Brasil] resolveu vir para o Brasil [no decurso da 2ª Guerra Mundial].

Como tinha vários parentes no Rio de Janeiro, pediu que um dos tios lhe mandasse uma Carta de Chamada, um documento que representava o compromisso de alguém que convidava uma pessoa para vir para o Brasil, garantindo-lhe residência fixa e trabalho.

Extractos do livro

Fontes: wikipédia; Autobiografia

Ligação: Blog de Albergaria

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Adelino Moreira, compositor de música ligeira (1918-2002)


Nascido em Covêlo, no concelho de Gondomar, em 28 de Março de 1918, Adelino Moreira de Castro chegou ao Brasil com apenas um ano de idade. O pai, comendador Serafim Sofia, era joalheiro e, em busca de vida melhor, instalou-se com toda a família na praça Mauá, no Rio de Janeiro. Não demorou a prosperar e a mudar-se para Córregos, onde, segundo Adelino, “era dono de quase toda a cidade”.

Em 1943, o comendador patrocinava o programa Seleções Portuguesas, na Rádio Clube do Brasil. Dirigido pelo maestro Carlos Campos, professor de guitarra de Adelino, o programa logo passou a contar com a presença constante do futuro compositor, que interpretava fados e umas “coisinhas” de sua autoria.

Após gravar diversos 78 rotações, Adelino retorna a Portugal em 1948 tendo actuado no Teatro Sá de Miranda e gravado pela Pharlophon portuguesa vários discos de música brasileira.

Após regressar ao Brasil, tinha uma certeza: não queria ser cantor. Mas se dedicaria com afinco à composição.

Em 1952, Adelino conheceu Nelson Gonçalves. Impressionado com o estilo do cantor, o compositor lhe entregou "Última Seresta" para ser gravada. Essa música inaugurava uma parceria que se estenderia por muitos anos e que faria de Nelson o principal intérprete de Adelino.

Nos anos seguintes, o cantor lançaria os primeiros dois grandes êxitos do compositor: os sambas-canções "Meu Vício é Você", de 1955, e "A Volta do Boêmio", de 1956. Na década de 60, Adelino e Nelson passaram também a compor juntos, surgindo, assim, vários sucessos, como o bolero "Fica Comigo Esta Noite" e os sambas-canções "Escultura" e "Êxtase".

Ainda nos anos 60, vários outros cantores gravaram músicas de Adelino, entre eles, Ângela Maria, Carlos Galhardo, Núbia Lafayette e Orlando Silva.

“Eu compunha para todo mundo. Todos os cantores de sucesso gravavam coisas minhas. Eu fazia música de acordo com a necessidade. Se precisava fazer 36 músicas por ano, eu fazia”, lembra o compositor.

Em 1966, alguns desentendimentos separaram Adelino de Nelson Gonçalves. A briga duraria até 1971, quando voltaram a trabalhar juntos. E, em meados da década de 70, além de continuar a compor, tornou-se empresário do cantor.

Fonte: página oficial

quarta-feira, 15 de julho de 2009

John Philip de Sousa, compositor e maestro (1854-1932)

Entre os cidadãos americanos de origem lusa, nenhum terá, decerto, granjeado tanta popularidade como John Philip de Sousa, que chegou, com inteira justiça, a ser considerado o músico mais famoso do seu tempo.

Nascido em Washington, a 6 de Novembro de 1854, John Philip de Sousa era filho do português António Sousa e de uma austríaca, Marie Elisabeth Trinkaus.

António era natural de Sevilha, onde os seus pais, João António de Sousa e Josefina Branco (que algumas fontes referem serem originários dos Açores), se terão refugiado (por motivos políticos?) durante a Guerra Peninsular.

Sem dúvida influenciado pelo pai, músico virtuoso e muito apreciado, desde cedo, aos seis anos, o pequeno John se dedicou ao estudo da música, com especial incidência no violino (a sua primeira paixão) e na actividade de composição.

Cultivando a marcha com grande mestria (chegaria a compor mais de 100!), confere-lhe uma nova vitalidade rítmica e melódica. Assim, composições como “Semper Fidelis”, que virá a ser adoptada como hino do US Marine Corps, “Hands Across the Sea” e “The Liberty Bell” tornar-se-ão mundialmente famosas e valer-lhe-ão o título de “Rei das Marchas”. E é justamente uma marcha sua, a “Washington Post”, que em 1890 é adoptada como padrão para a dança Two Step, que, na altura, faz furor nos dois lados do Atlântico.

Mas não era só nas marchas que o seu génio musical se manifestava. A opereta foi outra das suas preferências, tendo quatro das que compôs (“El Capitan”, “The Charlatan”, “The Bride Elect” e “Chris and the Wonderful Lamp”) sido produzidas na Broadway, com a primeira, “El Capitan”, a ver a sua estreia em 1895.

John Philip de Sousa é igualmente reconhecido por ter idealizado e dado nome ao Sousafone.


Outra faceta da sua polivalência artística manifestou-se na escrita, com sete livros publicados, entre os quais uma autobiografia, um manual sobre a condução de orquestras e algumas obras de ficção, como “Pipetown Sandy”, relato das aventuras de um rapaz em Washington no período da Guerra Civil (provavelmente recuperando algumas memórias da própria infância), e a novela “The Fifth String” um conto faustiano de um jovem que vende a própria alma para poder comprar um violino e captar a atenção da sua amada.

Escreveu também poesia (foi autor das letras da maior parte das suas canções) e vários artigos de jornal sobre os temas que apaixonadamente defendia.

Em 1896 o seu fervor patriótico era vertido na sua marcha mais famosa, “Stars and Stripes Forever”, que em 1897 seria adoptada pelo Congresso Americano como a marcha nacional dos Estados Unidos. Ainda hoje o nome de John Philip de Sousa é, automaticamente, associado àquela composição.

A influência musical de John Philip de Sousa faz-se sentir muitos anos passados sobre a sua morte, sendo as suas marchas frequentemente tocadas em concertos, eventos desportivos e em cerimónias militares ou civis (na verdade, algumas delas já ganharam um carácter marcadamente “civilista”).

Fonte: Marinha (adaptado)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Joe Raposo, músico (1937-1989),

Joe Raposo nasceu em Fall River, em 1937 e faleceu ainda novo, em Nova Iorque, em 1989.

Foi director musical dos famosos programas "Sesame Street" ("Rua Sésamo"), Muppets ("Marretas") e outras produções de Jim Henson e escreveu canções de sucesso como "Bein’Green", "Sing" e "Something Come and Play", cantadas por Frank Sinatra, The Carpenters, Barbra Streisand, Ray Charles e outros.

Joe Raposo chamava-se na realidade Joseph Guilherme Raposo e era filho de José Raposo, professor de música e regente da Banda de Santo Cristo, natural dos Arrifes, S. Miguel.

Em 2004 foi publicado o livro "A Boy and his Music" da autoria de Odete Amarelo e Gilda Arruda, com ilustrações de Josette Fernandes, que é a biografia de Joe Raposo contada às crianças em português e inglês.

Fontes: Portuguese Times (Eurico Mendes), Muppet.wikia, Muppet central

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Vicent Lopez, músico e líder de orquestra (1895-1975)

Vicente Lopez (1895-1975) foi um pianista e "chefe de orquestra" que nasceu em Brooklyn, Nova York, filho de imigrantes madeirenses.

A partir de 1921, com o início do apogeu da rádio, Vicente Lopez torna-se um dos mais importantes chefes de orquestra dos Estados Unidos, estatuto que mantem durante as décadas de 30 e 40.

Torna-se famosa a frase "Lopez speaking". O seu tema mais conhecido é "Nola", da autoria de Felix Arndt, e Lopez torna-se tão identificado com essa canção que ele acaba, em 1939, por satirizar esse facto numa curta-metragem da Vitaphone, em que Vicente López e a sua Orquestra cantam "Abaixo a Nola."

Lopez trabalhou ocasionalmente em longas-metragens, nomeadamente "The Big Broadcast" (1932).

Pela sua banda passaram importantes músicos norte-americanos, como por exemplo Artie Shaw, Xavier Cugat, Jimmy Dorsey, Tommy Dorsey, Mike Mosiello e Glenn Miller.

Apresentou igualmente diversos cantores: Keller Sisters and Lynch, Betty Hutton e Marion Hutton.

Tornou-se igualmente famoso o seu baterista, o irreverente Mike Riley, que popularizou o sucesso "The Music Goes Round and Round".

Em 1941, a sua Orquestra iniciou uma "estadia" musical no Taft Hotel em Manhattan que se prolongou por mais de 20 anos.

Fontes: wikipedia, Flickr

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sean Paul, cantor de reggae

Sean Paul Henriques nasceu em Kingston, Jamaica, em Janeiro de 1975.

Seu avô paterno era um judeu sefardita português e sua avó paterna era afro-caribenha, existindo uma lenda sobre um naufrágio tumultuoso ("shipwreck of horse-rustling ancestors during a daring escape from bounty hunters").

A família de Sean Paul tem uma longa tradição em desportos aquáticos e o seu pai foi inclusive membro da primeira equipa de Polo Aquático da Jamaica. Mais tarde, o próprio Sean foi um importante jogador de polo, tendo abandonado a carreira desportiva para se dedicar à música.

A partir de 1996 começou a lançar singles na Jamaica, que cedo ganharam popularidade. Em 1999 o seu sucesso expandiu-se para a América.

Sean Paul lançou o seu primeiro álbum no ano 2000, "Stage One", que incluía muitos dos seus anteriores singles de sucesso.

Dois anos mais tarde, Sean Paul lançou o seu segundo álbum, "Dutty Rock" que, graças ao sucesso do seu primeiro álbum e dos singles "Gimme the Light" e "Get Busy", rapidamente se tornou um sucesso de vendas.

Na mesma altura, Sean Paul teve algumas participações em músicas de outros artistas, como a sua participação em "Baby Boy", de Beyoncé e em "Breathe", de Blu Cantrell, que o consolidaram como um dos importantes cantores de reggae e dance-hall do início do século XXI.

Fonte: wikipedia

segunda-feira, 6 de julho de 2009

"Judeus portugueses na Jamaica" de Mordechai Arbell

"Havia judeus na Jamaica muito antes que os ingleses ocupassem a ilha em 1655. As ilhas eram então conhecidas como 'Portugals'"

Este é o primeiro registo escrito sobre a população judaica da Jamaica e do seu papel na vida económica e cultural do país.

Mordechai Arbell, antigo embaixador de Israel, começa por abordar a história dos primeiros colonos que chegaram no século XVI e como as suas interligações familiares lhes permitiram desempenhar um papel fundamental no comércio internacional.

Google.books

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Carsten Wilke lança "História dos Judeus portugueses"


O percurso histórico dos judeus portugueses é "um dos mais bem estudados da história judaica", afirma Carsten Wilke que defende que a história dos judeus portugueses tem "um trajecto singular" e não um anexo da de Espanha.

Segundo o autor, o livro constitui uma "síntese de vinte séculos de civilização judeo-portuguesa", destinando-se "a um público não especializado".

Carsten L. Wilke referencia quatro pontos essenciais da história dos judeus portugueses:

o período medieval;
a conversão forçada,
a dispersão; e:
o "renascimento judaico" em 2000.

No período medieval, "Portugal garantia aos judeus mais protecção e segurança que qualquer outro país europeu".

Em 1497 D. Manuel I decreta a conversão ao cristianismo, e a "retracção do judaísmo" que se lhe seguiu promoveu uma clandestinidade precária e "a dispersão da comunidade judaica por todos os cantos do mundo".

Esta dispersão, segundo Wilke, foi "confortada por um judaísmo reinventado" e fez criar uma "consciência judeo-portuguesa", que "forneceu um dos exemplos mais acabados de um particularismo étnico no seio do povo judaico".

A data de 1964 torna-se essencial, quando o jornalista Inácio Steinhardt estabelece o primeiro contacto com a comunidade judaica de Belmonte, "a única que perdurou".

A partir da década de 1980 foram-se constituindo espaços da comunidade como locais de oração até que em 2000 se deu o que o autor considera um "renascimento judaico" quando é inaugurado um cemitério judeu em Belmonte. Quatro anos depois foi inaugurado um Museu.

Imaginário nacional

Portugal tem um olhar único sobre a história judaica. No imaginário nacional, o judaísmo pertence não apenas à sua tradição cultural, mas também à sua genealogia.

Na época medieval, os monarcas portugueses garantiram aos judeus mais protecção e segurança do que qualquer outro país europeu.

A entrada de Portugal na era moderna fez-se, porém, no decurso de um processo de "cristianização" violenta de toda a sua vasta comunidade judaica, e os descendentes desta, quando não puderam, ou quiseram, sobreviver como judeus no exílio, misturaram-se em grande número ao resto da população.

Os que se exilaram e vieram a fundar, ou desenvolver, dezenas das mais dinâmicas comunidades judaicas do mundo moderno, nem por isso deixaram de reivindicar além-fronteiras a identidade contraditória de "judeus do desterro de Portugal".

Há mais de um século que esta história complexa e absolutamente singular apaixona estudiosos dos mais variados ramos do saber, dentro e fora de Portugal. E se hoje os aspectos parcelares de dois milénios de civilização judeo-portuguesa estão amplamente estudados, são também dos mais mal resumidos, o que explica que sejam tão mal conhecidos fora dos círculos especializados. A presente síntese vem colmatar essa lacuna.

Fonte: Lusa (adaptado)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Spinoza, filósofo

Benedictus de Spinoza (1632—1677), forma latinizada de Baruch de Spinoza, nasceu em Amsterdão, no seio da família judaica Spinoza, de portugueses foragidos da perseguição pela Inquisição, sendo, juntamente com Descartes e Leibniz, um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna.

No verão de 1656, foi excomungado na Sinagoga Portuguesa de Amsterdão pelos seus postulados a respeito de Deus em sua obra, defendendo que Deus é o mecanismo imanente da natureza e do universo, e a Bíblia uma obra metafórico-alegórica que não pede leitura racional e que não
exprime a verdade sobre Deus.

Spinoza "era de mediana estatura, feições regulares, pele um tanto morena, cabelos pretos e crespos, sobrancelhas negras e bastas, denunciando claramente a descendência de judeus portugueses. No trajar muito descuidado, a ponto de quase se confundir com os cidadãos da mais baixa classe".

"À procura de Spinoza" de António Damásio

António Damásio, o famoso neurocientista português, debruçou-se sobre o pensamento de Spinoza no seu livro "À procura de Spinoza", o qual tem como objecto específico as Emoções e Sentimentos, seus mecanismos e seu papel no comportamento e vivência humanas.

A obra inclui ainda uma apresentação, predominantemente decorativa, de dados biográficos deste filósofo, associada a uma revisão airosa de factos histórico-sociais, de aspectos religiosos, científicos, geográficos, etc., da época, com certo pendor para as referências ao Judaísmo e sua importância em Portugal e na Holanda nesse tempo.

Fontes: wikipedia, Júlio Campos