quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Video de "Au commencement" de Etienne Daho (1996)

O cantor francês Étienne Daho publicou em 1996 o álbum "Eden", sendo o primeiro single "Au commencement" cujo clip foi filmado em Portugal sob direcção de Philippe Gautier.





Video

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Video de "Dirty Sticky Floors" de Dave Gahan gravado na Praia da Rocha (2003)

As cenas exteriores do video do primeiro single a solo de Dave Gahan (vocalista dos Depeche Mode), "Dirty Sticky Floors", foram filmadas no Algarve, na Praia Da Rocha.





Video

Os Depeche Mode rodaram parte do video de "Enjoy the Silence" no Algarve

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

"Penina", a canção portuguesa dos Beatles (1969)


"Penina" é uma canção que Paul McCartney escreveu no Algarve, em Portugal, no final de 1968, quando esteve de férias no Ano Novo com Linda McCartney no sul do país.

Carlos Mendes ou Jotta Herre

Ao contrário do que se julga e do que está publicado em muitos livros e editado em alguns discos, a canção foi escrita para o grupo português Jotta Herre e não para Carlos Mendes, vocalista dos Sheiks, considerados os "Beatles portugueses".

Os Jotta Herre editaram a canção num EP Philips 431923PE, com mais três canções originais da banda. Carlos Mendes também editou a canção, sendo esta a que aparece no célebre álbum "The Songs Lennon And McCartney Gave Away - By The Original Artists" (EMI NUT18, 1979).

Infelizmente, nenhuma das edições portuguesas de "Penina" inclui a data da respectiva edição, não se sabendo com certeza absoluta quem editou primeiro, se os Jotta Herre, se Carlos Mendes. São ambas de 1969, mas este é ainda um ponto em investigação. Uma coisa é certa, porém: Paul McCartney escreveu a canção para os Jotta Herre e não para Carlos Mendes.


Depoimento de Paul McCartney

O próprio Paul McCartney conta parcialmente a história de "Penina" no fanzine do antigo clube de fãs de McCartney, "Club Sandwich":

"Fui a Portugal de férias e uma noite, quando regressava ao hotel, já alegrote, resolvi tomar mais uns copos ao bar. Estava um grupo a tocar e eu acabei por ir parar à bateria. O hotel chamava-se Penina e improvisei ali uma canção sobre esse nome. Alguém me perguntou se podia ficar com ela e eu dei-lha. Nunca pensei em gravá-la eu próprio".


"The Songs Lennon And McCartney Gave Away"

Na contracapa do álbum "The Songs Lennon And McCartney Gave Away", escreve Tony Barrow, então assessor de imprensa dos Beatles, sobre "Penina" e Carlos Mendes: "a mais obscura canção do álbum é uma gravação de 1969 de Carlos Mendes, "Penina", que, acredito, tenha sido dada a Carlos por Paul quando esteve de férias em Portugal".

Isto não é porém exacto como o próprio Paul McCartney escreveu no "Club Sandwich".


Jotta Herre

A canção foi dada aos Jotta Herre e não a Carlos Mendes. Os Jotta Herre eram um grupo da cidade do Porto, no norte de Portugal, que tocava no Hotel Penina, no Algarve, perto de Portimão. Por mais incrível que pareça o Hotel, de luxo, e um dos mais famosos de Portugal, ainda hoje não tem nas suas paredes uma qualquer placa a assinalar o gesto de Paul McCartney. Seria bom para o seu turismo.

Os Jotta Herre ("jotta" de Jaime, que se desligou do grupo, e "herre" de Rui) eram formados por Aníbal Cunha, hoje empresário exportador no sector cerâmico, Rui Pereira, falecido em 1972, Carlos Pinto, hoje presidente da Sony Music em Portugal, e Giuseppe Flaminio, hoje representante da Universal Music na cidade do Porto.


Depoimento de um Jotta Herre

Conta Giuseppe: "naquela noite, juntámo-nos todos à volta de Paul e de Linda, bebemos um copo e então ele propôs: vamos tocar. Passava da uma hora da manhã e o Paul deu um show inesquecível. Tocou sucessivamente piano, baixo, guitarra e bateria. Tocou bateria como eu nunca tinha visto um músico tocar".

"Cada vez entrava mais gente na sala. Paul voltou à bateria e pediu "one minute". Começou a cantarolar e desafiou a malta para tentar acompanhar a sequência harmónica que estava a sair. Eram 4 horas da madrugada e, logo ali, compôs e cantou a música e a letra da canção que nos ofereceu. No fim, pôs-lhe um título, o nome do hotel". (...)

Gravação dos The Beatles

Embora Paul McCartney tenha afirmado que não gravaria "Penina" ela aparece gravada pelos Beatles no CD pirata "Unheard Melodies, The Songs The Beatles Gave Away", juntamente com as versões dos Jotta Herre e de Carlos Mendes.

Fontes/Mais informações: LPA: "Beatles em Portugal", Beatles Brasil, Guedelhudos (adaptado, incluindo subtítulos)


A gravação original de "Penina" pelos Jotta Herre foi incluída, em 1969, numa compilação da Philips brasileira intitulada "Hit Hit Hurrah!".

Recentemente foi publicada no Brasil a compilação "Beatles '69", coordenada pelo jornalista Marcelo Fróes, no qual está incluída uma nova versão de "Penina" interpretada pelo brasileiro Aggeu Marques.

Audio

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Letra de "Yesterday" dos The Beatles foi escrita em Portugal

A letra de "Yesterday", uma das mais emblemáticas canções de Paul McCartney e dos Beatles, foi escrita em Portugal, dentro de um carro, no trajecto de cinco horas, por estradas más, na altura, entre Lisboa e Faro.

Foi o próprio McCartney que o confessou no livro "Yesterday And Today", editado em 1995 nos 30 anos da canção.

Composto a dormir

Com mais de 2.500 versões diferentes, um recorde do "Guinness", e mais de sete milhões de passagens na rádio norte-americana, outro recorde sem precedentes, "Yesterday", que tem apenas dois minutos de duração, foi composto (melodia) a dormir.

Num dia de 1963, no início da carreira dos Beatles, Paul McCartney, 21 anos, acordou de manhã com a melodia na cabeça e sentou-se imediatamente ao piano a tocá-la, dando-lhe o título provisório, mas pouco romântico, de "Scrambled Eggs (Oh My Baby How I Love Your Legs)".

"Quando trauteava a canção com que tinha sonhado, a mãe de Jane entrou na sala e perguntou se alguém queria ovos mexidos ("scrambled eggs").

"A melodia saiu-me tão bem que julguei que estava a copiar alguém, a fazer algum plágio inadvertido. Andei meses a ver se alguém conhecia a canção", conta Paul McCartney. (...)

Em férias em Portugal

O título da canção foi definitivamente fixado em Portugal, a 27 de Maio de 1965, quando Paul McCartney veio duas semanas de férias, com Jane Asher, para casa de Bruce Welch, dos Shadows, em Albufeira (Algarve).

Nesse dia, Paul McCartney voou de Londres para Lisboa (Faro, no Algarve, não tinha ainda aeroporto) e no carro alugado com motorista, a caminho de Albufeira, escreveu a letra de "Yesterday" ao passar pelo rio Mira.

"Sempre detestei perder tempo e a viagem era muito longa", justifica assim Paul McCartney a inspiração para a letra.

Estrelas pop inglesas

Nos anos 60, Albufeira era ainda uma pacata aldeia piscatória onde estrelas pop como Cliff Richard, Frank Ifield e Bruce Welch (The Shadows), entre outros, tinham casas. Acima de tudo podiam deleitar-se sem ser reconhecidos. Foram aliás os britânicos - e sobretudo os músicos pop - que deram a conhecer Albufeira ao Mundo.

Em casa de Bruce Welch

Ao chegar a Albufeira, a casa de Bruce Welch, guitarra-ritmo dos Shadows, onde permaneceria de férias, McCartney pediu de urgência uma guitarra.

"Já estava a fazer as malas para me ir embora de Portugal quando Paul me perguntou se eu não tinha uma guitarra", conta Bruce Welch.

Bruce emprestou-lhe uma Martin 0018, de 1959, e McCartney dedilhou, com a guitarra virada ao contrário por ser canhoto, e cantou pela primeira vez "Yesterday", com a letra escrita no carro e que se conhece hoje. (...)

Fontes: LPA: "Beatles em Portugal", Beatles Brasil, Guedelhudos (adaptado, incluindo subtítulos)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Capa de "Country Life" dos Roxy Music fotografada em Portugal (1974)


Bryan Ferry, líder dos Roxy Music, veio passar férias a Portugal, com o estilista Anthony Price e o fotografo Eric Boman - numa pausa das gravações do álbum "Country Life" - para que pudesse ter a tranquilidade necessária para escrever as letras do disco.

No Algarve conheceram num bar duas jovens de nacionalidade alemã (Constanze Karoli e Eveline Grunwald). Bryan Ferry sugeriu a Eric Boman que as fotografasse junto de um jardim local. As jovens posaram em roupa interior, julgando que se tratava de uma brincadeira de verão, não desconfiando de que estavam a fotografar uma das mais famosas capas do rock de sempre.

Muitas lojas proibiram o disco [nomeadamente no mercado norte-americano], tendo sido publicada uma edição alternativa que apenas incluia a vegetação.



Fontes: wikipedia / superseventies / best album covers / wasted talent

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

U2 em Portugal (2004)

Sessões fotográficas em Portugal

A Praia Grande, perto de Sintra, e a zona da Expo foram locais visitados pela comitiva de cerca de vinte pessoas que inclui os quatro irlandeses - Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen - e dois seguranças. O restaurante Bica do Sapato e a discoteca Lux foram também locais por onde a comitiva passou.

O objectivo da curta estadia é realizar sessões fotográficas que irão servir de suporte a toda a operação de promoção do próximo álbum dos U2, a editar no Verão e, eventualmente, à capa do mesmo. A escolha de Lisboa foi uma opção do holandês Anton Corbijn e foi preparada há algum tempo.

Anton Corbijn & U2

(...) está também a ser preparado um livro de fotografias de Anton Corbijn sobre os U2, que provavelmente incluirá algumas das fotografias que agora está a trabalhar em Lisboa.

A colaboração entre fotógrafo e U2 é longa. Conhecidas para sempre ficaram as fotografias ao grupo no deserto do Nevada na altura do álbum "The Joshua Tree" (1987).

Capa, Video alternativo e Calendário

Os U2 estiveram antes em Lisboa e arredores (Sintra e Barreiro) a fotografar o calendário 2005 e na bagagem levaram ainda a capa do álbum, "How To Dismantle An Atomic Bomb" e um vídeo gravado em Lisboa. O lisbon vídeo ilustra a remix de Jacknife Lee para o tema Vertigo, que foi a música escolhida para lançar a “Bomba”.

Ligação: Video / Piscina da Praia Grande

Muito se tem questionado sobre o local onde foi tirada a fotografia que faz capa do cd dos U2. Pois bem, vendo com atenção o video do remix "Vertigo" filmado em Lisboa, pode-se reparar num bar abandonado chamado Concha Bar, onde as paredes em vidro (portas ou janelas talvez) são parecidas com as que servem de cenário à capa.

Fontes: Público (Victor Belanciano) / U2only / u2.pt

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Video de "Cathedral Song" rodado em Portugal (1989)

O video clip do tema "Cathedral Song", 3.º single da cantora britânica Tanita Tikaram, foi filmado em Portugal, nomeadamente em Almada (Cristo-Rei), Lisboa (Rosa dos ventos) e na Praia Grande (Piscina).



O tema, na versão da brasileira Zélia Duncan, foi uma das músicas mais tocadas no Brasil na década de 1990, tendo sido regravado por Leandro (da dupla sertaneja Leandro e Leonardo), Banda Catedral e Renato Russo.

Fontes: wikipedia / forum música / Núvem das almas

Video

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

"What's in a Word" dos The Christians (1992)

O video do tema "What's in a Word" dos The Christians foi filmado em Lisboa, incluindo imagens dos arredores da Faculdade das Belas Artes.






Video

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

David Ricardo, economista (1772—1823)

Nascido em Londres, David Ricardo foi o terceiro de dezassete filhos de uma família holandesa de classe média, descendentes de judeus (sefarditas) que fugiram das perseguições em Portugal.

Seu pai emigrou dos Países Baixos para a Inglaterra pouco antes de David nascer, onde prosperou negociando na Bolsa de valores. David viveria alguns anos na Holanda com outros elementos da família, tendo ali completado parte da sua instrução primária.

Em 1815, David Ricardo já era considerado o mais importante economista de toda a Grã-Bretanha, graças ao seu conhecimento prático sobre o funcionamento do sistema capitalista, vindo da sua carreira como perito em finanças.

Mas sua grande obra-prima, sem dúvida, foi “Princípios de Economia Política e Tributação”, publicado em 1817. Esse livro consagrou Ricardo como o grande nome da Economia Política Clássica, junto com Adam Smith, dominando a cena económica não apenas da Inglaterra, mas de todo o mundo ocidental por muitas décadas, até o surgimento do marxismo e do marginalismo (os quais foram muito influenciados pela obra de Ricardo).

Teoria das vantagens comparativas

A sua teoria das vantagens comparativas constitui a base essencial da teoria do comércio internacional. Demonstrou que duas nações podem beneficiar do comércio livre, mesmo que uma nação seja menos eficiente na produção de todos os tipos de bens do que o seu parceiro comercial.

Segundo o autor, uma nação é rica em razão da abundância de mercadorias que contribuam para a comodidade e o bem-estar de seus habitantes. Ao apresentar esta teoria, usou o comércio entre Portugal e Inglaterra como exemplo demonstrativo.

Fonte: wikipedia (adaptado)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Harold Pinter, lusodescendente ?

O dramaturgo britânico Harold Pinter venceu o Prémio Nobel da Literatura [em 2005], tornando-se o 13.º judeu a ganhar o Nobel nesta categoria, sucedendo à escritora judia austríaca Elfriede Jelinek, vencedora do prémio em 2004.

Será Harold Pinter descendente de judeus portugueses? Esta questão não tem uma resposta fácil. Pinter acreditava que o seu nome de família resultava da anglicização de “Pinto” (ou “Pinta”), um sobrenome generalizado entre as famílias de judeus portugueses da Diáspora.

Na verdade, era bastante comum aos judeus portugueses emigrados alterar o nome de família como forma de melhor se integrarem nos países de acolhimentos – em França, os descendentes do pedagogo Jacob Rodrigues Pereira, por exemplo, chamam-se hoje “Pereire”, enquanto o ramo americano da mesma família optou por “Perera” (ver National Foundation for Jewish Culture: On Being Sephardic: The Children of the Diaspora, by Victor Perera).

Por outro lado, sabe-se que os judeus portugueses são responsáveis pelo restabelecimento da comunidade judaica em Inglaterra, depois do rabino Menasseh ben Israel (Manuel Dias Soeiro) ter negociado com Oliver Cromwell, no século XVII, a revogação do decreto de expulsão de 1290.

Foram os judeus portugueses os primeiros a chegar a Londres. Sabe-se também que existiam vários “Pintos” entes estes pioneiros – o rabino português Joseph Jesurun Pinto (1565-1648), por exemplo, viveu em Londres grande parte da sua vida.

A eventual descendência portuguesa de Harold Pinter virá por parte do pai, Jack Haim Pinter, uma vez que a família da mãe, Frances Moskowitz, tem raízes nas comunidades judaicas da Polónia e Ucrânia.

Mesmo assim, sem mais elementos factuais – a não ser a palavra do próprio Harold Pinter – é difícil traçar com certezas a sua mais do que provável ancestralidade judaica portuguesa. A pista final é dada pelo facto do pai de Harold Pinter ser sefardita e da esmagadora maioria dos judeus sefarditas britânicos descenderem de judeus portugueses.

Fonte: Rua da Judiaria (adaptado)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

John dos Passos (1896-1970), um clássico da literatura norte-americana

Quem não ouviu já falar de John dos Passos, descendente de um emigrante português, um dos melhores escritores do século XX? Era essa, pelo menos, a opinião de Sartre: "É o maior escritor do nosso tempo."

A Penguin publicou-lhe as principais obras com uma chamada de atenção: "Dos Passos não é o nome de uma equipa espanhola de futebol, mas o nome de um grande escritor."

E a opinião de outros, como Faulkner, das mãos de quem recebe a medalha de ouro das artes e das letras, afirmando que "ninguém a merecia mais", Fitzgerald ou Hemingway, seu grande companheiro e amigo.

Principais Obras

Escreveu obras como "Manhattan Transfer" (1925), opondo ao naturalismo americano uma multivisão sinfónica inspirada nas experiências de montagem cinematográfica de Eisenstein e de Griffith, e a trilogia "USA" - "The 42nd Parallel" (1930), "1919" (1932) e "The Big Money" (1936) – numa escrita tumultuosa que tudo deve à imagem do nosso mundo feito de vidas isoladas, à música e à pintura de ritmos e formas quebradas ?

Publicou igualmente um livro sobre a epopeia dos Descobrimentos: "Portugal - Três Séculos de Expansão e Descobrimentos" (1969).



Ligações à Ilha da Madeira

O seu avô paterno, Manuel Joaquim Dos Passos, deixou a sua ilha da Madeira rumo aos Estados Unidos da América em 1830.

O escritor visitou a ilha do seu avô por três vezes. Era o ano de 1905, esteve com o pai, o Dr. John Randolph Dos Passos, brilhante advogado, na visita aos seus parentes madeirenses.

Em 1921, John Dos Passos, a caminho da Europa na companhia do escritor E. E. Cummings, esteve no Funchal.

A terceira e última vez fez-se acompanhar da sua mulher Elizabeth e da sua filha Lucy, então com 11 anos. Era o ano de 1960. A família Dos Passos foi recebida na Ponta do Sol pelas autoridades locais e por muitos dos seus parentes. Foi dia de festa na vila.

Video: Centro Cultural John dos Passos (Madeira)

Fontes: casoual / Presença / Ilhadamadeira.weblog

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Alfred Lewis (1902-1977), fundador do romance luso-americano

Romancista, contista, poeta e dramaturgo, Alfred Lewis, nascido Alfredo Luís, em 1902, na ilha das Flores, emigrou para os Estados Unidos aos 19 anos de idade, em 1922, nos últimos anos da segunda onda de emigração portuguesa para aquele país.

Lewis era filho de baleeiro, imigrante pertencente à primeira onda ligada à indústria baleeira americana, cujos grandes barcos faziam escala nos Açores para reabastecimento e recolha de tripulantes.

Se, como profissional, Lewis granjeou um certo êxito (formou-se em Direito e exerceu o cargo de Juiz Municipal), não foi menos o seu triunfo nas letras. Com efeito, Lewis tornou-se o primeiro e único imigrante português a conquistar a atenção do público vasto de língua inglesa.

Ele é autor de contos publicados numa revista literária de prestígio nacional, Prairie Schooner, tendo estes relatos dramáticos, que descrevem uma sociedade multi-racial, composta de mexicanos, portugueses, arménios e anglo-americanos, merecido referência numa antologia de grande renome, The Best American Short Stories, dois anos seguidos, em 1949 e 1950.

O seu maior sucesso editorial foi "Home is an Island" (1951), romance autobiográfico cujo protagonista jovem está prestes a emigrar para a América, descrevendo a vida numa pequena aldeia nos Açores, no princípio do século XX.

Após a sua morte, foi publicado "Sixty Acres and a Barn", romance de formação que conta a história de Luís Sarmento, imigrante açoriano que encontra na América um espaço de tolerância, prosperidade e realização amorosa.

Fontes: RTP (comunidades), Irene Maria F. Blayer (adaptado) / O jornal / Filipa Reis

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

"Senhora dos Açores" de Romana Pietri (2002)

Romana Petri nasceu em Roma, onde vive. Considerada uma das vozes mais representativas da actual escrita italiana, inicia a sua carreira literária em 1990 com "Il gambero blu e altri racconti" (prémio Rapallo e prémio Mondello opera prima).

Entre as suas obras mais aclamadas destacam-se "Alle Case Venie" («Uma guerra na Umbria – Case Venie», prémio Rapallo-Carige, finalista prémio Strega 1998), "La donna delle Azzorre" («A senhora dos Açores», prémio Grinzane Cavour 2002); e "I padri dgli altri" («Os pais dos outros», prémio Chiara e prémio Città di Bari).

"Sinopse"

Uma viagem de descoberta de um mundo outro, os Açores vistos pelos olhos de uma estrangeira, um périplo poético, um caminho de aprendizagem... A personagem principal, uma italiana, um guia misterioso - João Freitas - minúsculos pedaços de terra por entre um imenso oceano.

Como tudo começou

"Quando comecei a ler livros do Antonio Tabucchi, que sempre escreveu muito sobre Portugal. Ao falar com ele comecei a conhecer muito bem Portugal."

"A primeira vez que cá vim foi em 1990 [a Lisbao], depois fui aos Açores… e voltei muitas vezes. E comecei a ler também os livros traduzidos em Itália" [entretanto comprou uma casa em Lisboa, onde tenta passar todo o tempo possível. E descreve-se como uma italiana “muito aportuguesada”].


Açores

Em 1996, Romana Petri, regressou aos Açores - onde já havia estado duas vezes - com o objectivo de encontrar aquele rasgo de inspiração que lhe permitisse terminar o livro "Dagoberto Babilonio, Un Destino".

Quis, entretanto, o destino que se apaixonasse pelas gentes e costumes da ilha do Pico, abandonasse o seu trabalho e começasse de imediato a pensar noutras estórias.

Em "A Senhora dos Açores" cruzamo-nos com vários personagens (reais), sendo que João de Freitas assume um papel peculiar, talvez porque é a ele que a escritora dedica este livro.

Cenários portugueses

“A Senhora dos Açores” passa-se no Pico e tem outro romance com a ilha das Flores como cenário, “Um baleeiro dos montes” [editado pela Salamandra em Portugal].

Em “Uma Guerra na Úmbria” há uma passagem em que Alcina ouve de um companheiro de armas a letra do fado “Perseguição”.

Mais recentemente, "Regresso à ilha", apenas lançado em Portugal, retoma os lugares e gentes de "A senhora dos Açores":

Fontes: Cavalo de Ferro / Correio da Manhã (Sofia Rato) / Mundo a tinta da china