quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Yanez, o fiel companheiro de "Sandokan, o Tigre da Malásia" (Itália)

O escritor italiano Emilio Salgari (1863-1911) tornou-se mundialmente conhecido pelas aventuras de Sandokan.



Yanez de Gomera (ou Ianes) é um português que funciona, desde o primeiro episódio da saga, como um complemento de Sandokan, sendo apresentado como um personagem astuto, inteligente, irónico e sempre optimista, características que o tornam uma espécie de co-protagonista, surgindo como protagonista em alguns dos livros como "A reconquista de Mompracem" e "A Vingança de Yanez" (publicado, postumamente, em 1913).

"Português, de origem nobre, atravessou meio mundo antes de alcançar Mompracem e de se tornar no melhor amigo de Sandokan. Aventureiro temido, com um passado misterioso, leal, generoso, está sempre pronto para a aventura e sempre com o sorriso nos lábios" (em blog "Santa-Nostalgia")


Na famosa série de TV, o português é interpretado pelo actor francês Philippe Leroy.



quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Capitão Jorge Vicente e a Saga de Richard Sharpe


Bernard Cornwell (Londres, 23 de fevereiro de 1944) é um dos mais importantes escritores britânicos da atualidade. Já publicou mais de 40 livros e teve obras traduzidas para mais de 16 idiomas.

A sua "saga" mais extensa, "As Aventuras de Sharpe", é formada por 21 livros, retratando as aventuras de Richard Sharpe no exército inglês durante o período Napoleônico, desde o seu início como recruta, em "O Tigre de Sharpe", até se tornar tenente-coronel em "Sharpe's Waterloo".

O Capitão Jorge Vicente é um oficial português que é apresentando em dois romances de Bernard Cornwell.


Em "Sharpe's Havoc", publicado em 2003, Jorge Vicente é um tenente da Linha de Infantaria, que colabora na libertação do Porto, enquanto que em "Sharpe's Escape" (2004), que aborda a Batalha do Buçaco, já é Capitão.

Nascido em Coimbra, Jorge Vicente estudara direito na Universidade do Porto. Ao longo de todo o livro, Jorge Vicente e Sharpe entram em conflito devido ao idealismo do português e do seu desejo de manter as "regras da guerra". Acabam, no entanto, por desenvolver uma relação de mútuo respeito.

A campanha de Portugal é abordada em outros livros da saga, como por exemplo "Sharpe's Gold" (destruição de Almeida), "Sharpe's Skirmish" (defesa de Tormes) e "Sharpe's Enemy".


Fontes: Wikipedia e http://bernardcornwell.net

domingo, 23 de dezembro de 2007

Rui da Silva no nº 1 do Top Inglês (2001)


Rui da Silva é um produtor português cujo single "Touch Me", escrito e cantado pela cantora inglesa Cassandra Fox, alcançou o nº 1 do top de vendas inglês em 2001.

Foi o primeiro artista português a obter um sucesso no Reino Unido.

O seu primeiro sucesso foi "Não", lançado em 1993, sob o pseudónimo Doctor J, que utilizava samples de um tema dos "Xutos & Pontapés". Posteriormente, formou com DJ Vibe (Tó Pereira) o grupo USL (Underground Sound of Lisbon) que alcançou um sucesso mundial, ainda que apenas na cena de dança, com o single "So Get Up" vocalizado pelo norta-americano Darin Pappas (que mais tarde formaria os "Ithaka").



Como se desencadeou o fenómeno "Touch Me"

“Tem sido um crescendo, desde há uma série de meses para cá. Começámos a promover o disco, ainda na Kismet (editora do artista), em Junho, e as coisas foram crescendo até culminar com o número um.

Fizemos alguns acetatos, colocámos nas mãos certas de alguns DJs e deixámos que o disco se desenvolvesse nas discotecas. No final do Verão havia já grande procura do disco. O disco passou depois para a rádio, tocou nos programas especializados de música de dança e atingiu todos os tops, de discos da semana aos "pick of the week".

A partir daí, surgiu interesse de editoras em assinar o disco. Houve semanas caóticas, em Outubro, em que o telefone não parava de tocar. Achámos que a Arista era a editora certa com as pessoas certas. O chefe do departamento de A&R é uma pessoa com o mesmo background que eu " música de dança, sair à noite nas discotecas"

E o A&R responsável pela música de dança na Arista tinha os meus discos todos. Sempre acreditei que era um disco que poderia ir ao Top 5 inglês e que, editado na semana certa, poderia atingir o número um. Mas não queria que fosse um caso de uma editora comprar os direitos, vender o disco, ganhar uma pipa de massa e pôr tudo na gaveta. Andava à procura de uma editora que desenvolvesse a minha carreira como artista, que me possa entusiasmar para conseguir melhores resultados no futuro."



Sobre a repercussão de trabalhos anteriores

"Pelo que me apercebo, as pessoas gostam bastante da música que faço, já de há uns anos para cá. Quando me mudei para Inglaterra é que me comecei a aperceber do impacto que as músicas que tenho feito nos últimos sete ou oito anos têm tido, não dentro de um leque muito grande de pessoas " porque nunca tive oportunidade de ter a exposição que tenho com este disco -, mas junto do público especializado, das pessoas que são quase viciadas em música. Essas gostam do meu trabalho, têm uma série de discos meus. Simplesmente, as pessoas gostam da música que faço."

Como conheceu Cassandra Fox

"Ia buscar a minha mulher [que é inglesa] ao trabalho, num cocktail bar em Picadilly. Ouvi uma miúda a cantar na rua e achei que era indicada para cantar numa música que estava a fazer na altura. Convidei-a, trocámos números de telefone, liguei-lhe na semana seguinte e combinámos. E a minha música não é bem a onda dela. Quando a encontrei estava a cantar uma música rock qualquer, acompanhada por uma banda. Mas achei que tinha aquilo que precisava."

Fonte: Netparque, Wikipedia

Apesar das expectativas iniciais, e de ter, na altura, remisturado temas de Jennifer Lopez e Lighthouse Family, o sucesso não se repetiria, pelo que Rui da Silva ficou rotulado, em Inglaterra, como sendo mais um "One Hit Wonder" (artista de apenas um único êxito). Contudo ninguém lhe tira o mérito de ter sido o primeiro, e até agora, único artista português a atingir tal feito.

sábado, 22 de dezembro de 2007

"Madredeus" pelo Mundo


Actuação em Londres

Os Madredeus são o grupo musical português de maior projecção mundial. A sua música combina influências da música tradicional portuguesa com a música erudita e com a música popular contemporânea, com destaque para a música popular brasileira (sobretudo a bossa nova).

Formados em 1986, o grupo era, até ao início da década de ’90, relativamente desconhecido no estrangeiro. Isto mudou quando os Madredeus deram uma série de concertos na Bélgica onde decorria a Europália, uma exposição que no ano de 1991 foi dedicada à cultura portuguesa.

Documentário francês

Outro facto que contribuiu para que os Madredeus se tornassem conhecidos no estrangeiro foi a utilização, na Grécia, à revelia do grupo, da canção "O Pastor" num filme publicitário, da marca de Whisky “Grant’s”. Impulsionado por esse anúncio, “Existir”, o segundo álbum do grupo, alcançou o segundo lugar do top grego.

A partir de 1993, a editora “EMI” decidiu lançar os Madredeus no circuito discográfico internacional, através da sua etiqueta “Hemisphere”.

Edição brasileira

Em 1994 a banda lança “O Espírito da Paz”, um álbum que consolida o grupo no estrangeiro através de uma longa digressão internacional, a qual incluiu o Brasil e alguns países do Extremo Oriente .

Durante as sessões de gravação de “O Espírito da Paz”, que decorreram em Inglaterra, os Madredeus gravaram outro disco, que seria editado em 1995. Wim Wenders, impressionado com a música do grupo, os tinha convidado para musicarem um filme sobre Lisboa, chamado Lisbon Story (no Brasil, "O Céu de Lisboa"; em Portugal, "Viagem a Portugal"), do qual o grupo foi protagonista. A banda sonora deu ao grupo ainda maior projecção internacional

Digressão pela Colômbia

Em 2001, o álbum "Movimento" obteve igualmente um grande sucesso, atingindo o quarto lugar do top grego.

As canções do grupo foram incluídas em diversas produções televisivas no Brasil, desde a novela "As Pupilas do Senhor Reitor", em 1995, com a canção "A Vaca de Fogo”, à mini-série da Rede Globo de Televisão "Os Maias", em 2001, com as canções "Matinal", "Haja o que Houver", "As Ilhas dos Açores" e a canção que se tornou o tema de abertura da referida produção televisiva, a emblemática "O Pastor".


Em 2002, são lançado alguns álbuns experimentais que causaram acaloradas discussões entre os fãs e críticos: "Electrónico", uma compilação de versões electrónicas das canções do grupo efectuadas por alguns dos mais conhecidos músicos europeus da área da electrónica, e “Euforia”, um álbum duplo com canções gravadas ao vivo pelo grupo com a "Vlaams Symfonisch Radio-orkest", Orquestra Sinfônica da Rádio Flamenga, da Bélgica.

Em vinte anos de carreira, os Madredeus lançaram 14 álbuns e estiveram em digressão em 41 países.


O México é, sem sombra de dúvida, o país não-lusófono onde o Madredeus alcançou seu maior sucesso. Foi em Zocalo, uma praça central e de importância histórica na Cidade do México, que o grupo português fez seu concerto com maior público até hoje -cerca de cinquenta mil pessoas, estimadamente.

Naquele país, o lançamento dos álbuns do Madredeus sempre contou com a divulgação da imprensa, e suas digressões em terras mexicanas contaram com casas de espectáculo com lotação esgotada e um público cativo, apesar da relativa barreira linguística existente.

"Lisbon story" (edição brasileira)

Os seus temas foram regravados por alguns artistas estrangeiros, como recentemente as cantoras Sol (anterior vocalista dos espanhóis “Presuntos Implicados”) e Mylene Pires (brasileira que lançou um álbum com diversas reinterpretações de temas do grupo).

O grupo colaborou igualmente com diversas artistas internacionais, como o tenor espanhol José Carreras e o cantautor italiano Ângelo Braduardi.

Fontes: Wikipedia / Madredeus(Brasil)

"Maio Maduro Maio" (Bélgica)



"Coisas Pequenas" (Japão)



"Oxála" (remix dos franceses Telepopmusik)



"Pomar das Laranjeiras" (com a Flemish Radio Orchestra)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

"A Música em Pessoa" em versão brasileira



Lançado pela primeira vez em 1985, data em que se comemorou os cinquenta anos de morte de Fernando Pessoa, "A Música em Pessoa" é um exemplo de casamento perfeito entre a poesia portuguesa e a canção brasileira.

São 15 poemas, musicados por alguns dos principais compositores brasileiros: Antonio Carlos Jobim, Francis Hime, Edu Lobo, Milton Nascimento, Sueli Costa, Arrigo Barnabé, Dori Caymmi, entre outros. Se Fernando é português na poesia, "A Música em Pessoa" é brasileira na canção.

Produzido por Elisa Byington e Olivia Hime, "A Música em Pessoa traz, em sua nova edição, remixada e remasterizada, um bónus especial: a inédita versão de Tom Jobim para "Autopsicografia" ('dos versos o poeta é um fingidor finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente'), cantada pelo próprio Tom.



A canção havia ficado de fora da edição original por um argumento simples: na euforia de musicar poemas de Pessoa, Tom excedera a encomenda fazendo três canções para o disco. "Autopsicografia" acabou ficando num baú virtual por 17 anos (mais ou menos como a obra de Pessoa, só revelada em toda sua grandeza depois da morte do poeta, em 1935).

Tom interpreta ainda suas versões para "O Rio da Minha Aldeia" e "Cavaleiro Monge"; Marco Nanini relê "Passagem das horas", com música de Francis Hime; Francis e Olivia Hime cantam "Glosa"; Marília Pêra sustenta "O menino da sua mãe", ambas com melodia de Francis; Nana Caymmi potencializa "Segue o teu destino", musicada por Sueli Costa; Ritchie revela um aspecto britânico de Pessoa em "Meantime"; Jô Soares incorpora Álvaro de Campos em "Cruzou por mim, veio ter comigo em uma rua da baixa".



A intenção das produtoras de "A Música em Pessoa" foi incluir os quatro heterónimos mais famosos do poeta: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares, além de poemas assinados por Fernando Pessoa - ele mesmo.

O álbum foi recentemente reeditado pela etiqueta brasileira 'Biscoito Fino', podendo ser encomendado (e ouvido) na sua página na Internet

Fonte: Biscoito Fino

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

"Madredeus" regravados por Mylene Pires (Brasil)

 

A literatura portuguesa ainda frequenta as prateleiras das livrarias brasileiras - graças às proezas de um Saramago, primeiro prémio Nobel em literatura de língua portuguesa -, mas a música produzida em terras lusitanas ainda é solenemente ignoradas pelas rádios e emissoras de televisão.

Nas últimas décadas, apenas um grupo musical português parece ter alcançado relativo sucesso no Brasil - a ponto de motivar a edição de uma antologia composta exclusivamente para o mercado brasileiro -, ainda assim um sucesso que é mais mensurável por sua inevitável lotação esgotada nos concertos que aqui fizeram que, propriamente, pela presença na 'mídia'.


O Madredeus - com sua música intemporal, fincada na tradição mas moderníssima em sua concepção - ganhou fãs ardorosos de sua música no Brasil e algumas releituras interessantes de suas canções, de artistas como Rebeca Mata e Zizi Possi. Não seria exagero dizer também que o sucesso do Madredeus no Brasil, a partir dos primeiros anos da década de 1990, motivou a vinda de outros grandes músicos portugueses - gente da qualidade de uma Dulce Pontes, de uma Mariza, de uma Né Ladeiras - e o interesse de músicos brasileiros pela nova música que surgia naquele país que até há pouco era apenas uma metrópole distante, cujo traço cultural mais forte para os brasileiros residia em seu folclore e sua ruralidade pitoresca.


Se o Brasil devia à música de Portugal algum tributo, este foi bem pago pelo surgimento de =Não Muito Distante=, álbum da cantora e compositora Mylene Pires. Ela usa sua voz suave, encorpada e tão brasileira à serviço de dezesseis temas do Madredeus, abrangendo todas as fases desses vinte anos de carreira da banda portuguesa mais conhecida em todo o mundo. Apesar de ser um álbum de regravações, o trabalho de Mylene é surpreendente: a cantora não se limita a reproduzir os arranjos primorosos do Madredeus, tampouco se prende às influências dos vocais de Teresa Salgueiro, ou tenta imitar alguma alma portuguesa que se encontra com facilidade nessas canções.


O trabalho de Mylene é, deliberadamente, de recriação: ela encontrou, em cada canção do Madredeus, suas raízes brasileiras - já presente na música ou sugerida pelo espírito das letras ou pelos temas. Assim, a "Oxalá" bossanovista de Pedro Ayres Magalhães transforma-se em um candomblé suave, a emblemática O "Pastor" torna-se um forró melodioso e a belíssima "Haja o que Houver" ganha sonoridades de folia de reis.

Nada, em suas recriações da obra do Madredeus, é óbvio ou gratuito. As canções tão conhecidas dos fãs do Madredeus ganham um frescor novo nessas sonoridades tão brasileiras, e a sensação que se tem é a de que "A Andorinha da Primavera" sempre fora uma marchinha carnavalesca à anos 1920, ou que "A cantiga do Campo" era um ijexá trazido às nossas fazendas de café pelos antigos escravos... Tudo é surpreendente - e belo.


Se para o fã do Madredeus uma primeira audição desses temas é um misto de estranhamento e excitação, a sensação que resta depois de algumas audições é de puro encantamento. Afinal, como explicar que soem tão bem "O Pomar das Laranjeiras" em ritmo de samba-canção ou "O Menino" - talvez uma das mais intrigantes faixas do álbum - cantado por um coral guarani acrescido das vozes rascantes de rezadeiras nordestinas? Não muito distante é um álbum de redescobertas - das letras bem construídas e das ricas melodias dos portugueses do Madredeus, da sonoridade da música brasileira, das raízes comuns entre os dois países que tanto tem em comum.

Infelizmente, como estamos em um Brasil que ainda se volta de costas às suas origens - tanto lusitanas quanto latino-americanas -, o álbum de Mylene, inteiramente gravado no Brasil, ganhou edição apenas em Portugal, que está a recebê-lo como uma das grandes novidades do ano. Oxalá a voz de Mylene consiga atravessar o oceano de volta ao lar e que aqui encontre a acolhida que merece. Pois, além de fazer um excepcional trabalho de recriação da obra de um dos mais instigantes grupos musicais de Portugal, a voz de Mylene é afinada, doce e deliciosa de se ouvir.

Fonte: madredeusbrasil.blog.com

Link: Myspace

"Oxalá"



"Pastor"



Entrevista ao Programa "Essência"



Entrevista ao Programa "Zoom Cultural"



sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Alfacinha, um miúdo luso na "Turma da Mônica"


'António Alfacinha', o mais novo personagem de BD da 'Turma da Mónica', fala português (ibérico) e veste-se com as cores da bandeira portuguesa. O 'miúdo luso' estreia-se este mês no Brasil, no n.º 7 da revista 'Cebolinha'. As revistas com as histórias que integram este novo herói do autor brasileiro Maurício de Sousa chegam a Portugal até ao final do ano.


As aventuras do mais recente membro da turma 'do bairro' passam por uma história de amor. O miúdo lisboeta de gema – cabelo preto e risca ao meio a lembrar um bigode aristocrático – vai apaixonar-se pela 'Mónica' no primeiro encontro, despertando ciúmes no 'Cebolinha'. Sem dominar as peculiaridades da língua 'brasileira', será enganado pelos outros rapazes quanto às frases mais adequadas para conquistar a miúda, o que acaba por lhe valer uma tareia 'de coelho', da Mónica.



Entrevista ao autor Maurício de Sousa:

– [Vai criar um novo personagem] Um lisboeta?

– É. Vai falar com o sotaque bem português com ‘A Turma da Mônica’ e provocar algumas confusões, até pelos sentidos distintos das mesmas palavras. Vai ser bom para as crianças saberem como se fala em Portugal e no Brasil.

– Os brasileiros fazem muitas piadas sobre os portugueses e até nos chamam ‘padeiros’. Será que vai ter sucesso?

– Vamos fazer o quê se, na realidade, as melhores padarias são portuguesas? (risos) Tenho muitos amigos portugueses.

Pai de Alfacinha é dono de uma padaria
António Alfacinha é "uma ideia antiga" de Maurício que agora se concretiza. (...)

Como principal característica, o Alfacinha "fala o português original de Portugal, com diferenças fonéticas, palavras diferentes, para que as crianças no Brasil também as conheçam e até comecem a utilizá-las. Assim haverá uma aproximação de crianças do Brasil e de Portugal que acho extremamente positiva".



E é nessas diferenças da língua (visível logo no nome: António, com "o" aberto, e não "Antônio" à brasileiro) que se baseiam as três primeiras histórias que Alfacinha co-protagoniza. Nelas, sucedem-se os trocadilhos e as confusões verbais, com bem conseguidos efeitos cómicos, possivelmente mais acessíveis a nós portugueses, mais habituados à língua brasileira, pela influência das telenovelas e da música, do que o inverso. Depois de travar conhecimento com o Cebolinha logo na primeira história - "Alfacinha, o miúdo luso" - António - que usa e abusa do "oh pá!" e do "ora pois!" - conhece outros membros da Turma, como o Cascão e o Xaveco, com quem joga futebol.



O encontro com a Mônica, resulta em paixão à primeira vista para o pobre portuguezinho, que é enganado pelos outros miúdos, quanto às melhores frases para a cativar. Depois de levar uma tareia "de coelho", a marca registada da Mônica, Alfacinha vingar-se-á de forma surpreendente!

Na terceira história, a sua paixão pela "cachopinha" desperta os ciúmes do Cebolinha, começando entre ambos uma guerra culinária que termina da forma habitual, com os dois pretendentes unidos na desgraça, vencidos e (con)vencidos pelo coelho da Mônica!



Outros portugueses que Maurício de Sousa criou

António Alfacinha não é o primeiro português criado por Maurício de Sousa nos seus "quadrinhos", embora seja o primeiro a merecer um lugar de (relativo) destaque. Nos anos 50, ainda a Turma não existia, Maurício criou Mingão, o dono de um talho, que agora chegou a ser apontado como pai do Alfacinha, o que acabou por não se concretizar.


Entretanto abandonado, Mingão voltou a aparecer de forma fugaz em "Lostinho - perdidinhos nos quadrinhos", uma sátira da Turma da Mônica à série televisiva "Lost" ("Perdidos").




Em tempos mais recentes. Quinzinho foi outro português a cruzar os caminhos da Turma, como namorado da comilona Magali. Filho de um padeiro, ao contrário do que se possa pensar, o seu nome não é diminutivo de Joaquim, mas antes uma tradição familiar pois os irmãos chamam-se Onzinho, Dozinho, Trezinho…

Fontes: Pedro Cleto - Jornal de Notícias / Sofia Canelas de Castro - Correio da Manhã /  Get back / Videos Youtube (Viagem a Portugal) (Alfacinha) (Quinzinho)




"Uma viagem a Portugal"

Em 2013 foi publicado o livro "Viagem a Portugal", com textos do autor brasileiro José Santos e desenhos de Maurício de Sousa,.

O livro coloca Mônica, Cascão, Cebolinha e Magali a mostrarem a diversidade da língua portuguesa.

"Eu sou neto de portugueses, apaixonado pela cultura portuguesa e resolvi fazer esse livro pois sempre me chamaram a atenção a infinidade de palavras tão peculiares ao português lusitano", explicou José Santos à agência Lusa.
Pastilha elástica, matraquilhos, jogo do galo, barbeiro e hospedeira de bordo são algumas das 250 palavras, habitualmente usadas pelos portugueses, que surgem nesta obra didática.
O livro está repartido por 13 cenas do quotidiano português - no mercado, na escola, em casa - e em cada uma delas há um texto com palavras usadas pelos portugueses e um glossário que remete para as que os brasileiros usam.

Fonte: Diário digital

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Oliveira da Figueira, um português nas "Aventuras de Tintin"


Portugal marca presença na obra de Tintin. O nosso mais ilustre representante nos livros de Tintin é, indiscutivelmente, o lisboeta Oliveira da Figueira, vendedor nato e “fala barato” que Hergé integrou em três álbuns (em “Os Charutos do Faraó”, “Tintin no País do Ouro Negro” e “Carvão no Porão”).


Oliveira da Figueira, que se estreia nos álbuns de Tintin em “Os Charutos do Faraó” e que chega a salvar Tintin em apuros na aventura “Carvão no Porão” (oferecendo a Tintin e a Haddock os disfarces que lhes permitirão sair da cidade e ir ao encontro do Emir Bem Kalish Ezab), é um comerciante conhecido por vender tudo e mais alguma coisa, designadamente, objectos inúteis ou não necessários para os seus compradores.


Os seus dotes de persuasão são tais que nem as “vítimas/clientes” notam, Tintin, incluído! Basta olhar para uma prancha extraída de um álbum editado em língua espanhola: “Felizmente não me deixei ir na conversa dele. A tipos como este, acaba-se, sempre por comprar uma data de coisas inúteis”. Na verdade, sempre apetrechado com tecnologia para vendas, Oliveira de Figueira até no deserto venderia areia!!


Hospitaleiro, Oliveira da Figueira logo que reconhece Tintin afirma que é preciso celebrar o acontecimento e serve “um copo de vinho de Portugal, do sol do meu país”, nas suas próprias palavras.


Oliveira da Figueira é ainda um óptimo contador de histórias, aspecto que se revelará decisivo para Tintin conseguir entrar na casa do professor Smith (que não é outro senão o Dr. Müller, vilão de “A Ilha Negra”) enquanto Oliveira da Figueira delicia os presentes com a narrativa de uma tragédia inventada in loco sobre o seu pseudo irmão que gostava de caracóis.


Portugal surge ainda na rota de Tintin através de um professor de Física da Universidade de Coimbra de seu nome Pedro João dos Santos (mencionado em “A Estrela Misteriosa” como membro da expedição científica composta por eminentes sábios europeus para a exploração de um aerólito nos mares árcticos).


Outra referência portuguesa em Tintin é o jornal “Diário de Lisboa” (entretanto extinto), cujo representante (em “Tintin no Congo”) procura, ainda que sem êxito, disputar o jovem repórter à tutela do “Vingtième Siècle”.

Fontes: Paulo Miguel e Helena Francisco (BD97) / Tintinófilo (Tintim em Portugal) / A voz Portalegrense / C4pt0m3nt3



Curiosidades:

* Oliveira de Figueira emigrou para o Médio Oriente devido aos efeitos da Grande Depressão de 1939.

* Na primeira edição portuguesa de “Os Charutos do Faraó” foi apresentado como sendo Espanhol, uma vez que Tintim tinha a nacionalidade portuguesa.