sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Étienne Daho, "Saudade" (1991)


Étienne Daho é um famoso cantor francês cuja carreira remonta à década de '80.

Em plena "Dahomania" lança um dos seus álbuns mais famosos "Paris Ailleurs", donde foi retirado o single “Saudade”, inspirado pelo seu "amor" por Portugal.

No site francês da FNAC é referido que "Paris Ailleurs" é um "disco maduro, sensual e muito pessoal" e que "o jovem cantor nascido na New Wave se tornava neste disco um artista de envergadura com canções que iriam marcar uma geração".




Curiosamente existe uma página não oficial dedicada ao artista com o nome saudade



Link: http://saudadelesite.free.fr/

Letra

En ce mai de fous messages
J'ai un rendez-vous dans l'air
Inattendu et clair
Déjà je pars à ta découverte
Ville bonne et offerte
C'est l'attrait du danger
Qui me mène à ce lieu
C'est d'instinct
Qu'tu me cherches et approches
Je sens que c'est toi

C'est à l'aube que se ferment
Tes prunelles marina
Sous quel meridien se caresser
Dans mes bras te cacher
Dans ces ruelles fantômes
Ou sur cette terrasse
Où s'écrase un soleil
Tu m'enseignes
Le langage des yeux
Je reste sans voix

Les nuits au loin tu cherches l'ombre
Comment ris-tu avec les autres
Parfois aussi je m'abandonne
Mais au matin les dauphins se meurent
De saudade...

Où mène ce tourbillon
Cette valse d'avions
Aller au bout de toi et de moi
Vaincre la peur du vide
Les ruptures d'équilibre
Si tes larmes se mèlent
Aux pluies de novembre
Et que je dois en périr
Je sombrerai avec joie

De saudade...

Mais informações (audio)

(1) David Ferreira a contar: " saudade, nas línguas do mundo: Etienne Daho"| 20 Out, 2014

A certa altura, o cantor refere ruelas fantasmagóricas, uma esplanada onde o sol esmaga.

(2) INA: "Etienne DAHO : sa fascination pour le Portugal, les Etat Unis et la Corse" | 25 Abril, 1992  (entre o 1º e o 3º  minutos)
Quando o entrevistador lhe pergunta se esse fascínio teve origem em filmes como "Dans la ville blanche," o cantor diz que não, que é uma cidade que mexe consigo e que está fascinado por Alfama e pela "boutê de la vie" que caracteriza a cidade.


quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Da Silva (França)


(Emmanuel) Da Silva é um jovem cantor francês, de ascendência portuguesa, de 29 anos.

Durante a sua adolescência integrou um grupo Punk "Mad Coakroches", mas aos 21 anos concentra-se numa música mais acústica com o seu grupo "Venus Coma". Dedicou-se igualmente à música electrónica sob o pseudónimo de Mitsu.

Em 2005 lançou o seu primeiro álbum a solo "Décembre", donde foi retirado para single o tema "L'Indécision" que obteve bastante sucesso em França.

Já em 2007 foi publicado o segundo álbum "De beaux jours à venir", tendo um dos temas já sido divulgado na rádio Antena 3.

Fonte: Wikipedia (adaptado)

* "Se fendre les joues" (ao vivo no Trabendo em 2006) - com guitarra portuguesa e contagem em português




* "L'averse" (2007)

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

"Faro de Lisboa", Revolver (2002, 2006)


"Revólver" é um grupo musical de Valência (Espanha), liderado por Carlos Goñi, cujo estilo musical oscila entre o pop e o rock.

No seu álbum "Sur" de 2002 foi incluído o tema "Faro de Lisboa", o qual foi recuperado no álbum acústico "Basico III", com a colaboração de Enrique Bunbury, antigo vocalista dos "Heróes del Silencio".



Letra

Yo que recorro los mares y que palmo a palmo el mundo
de un confín a otro confín
hoy tomo mi último rumbo desde mi cuerpo hasta el tuyo
desde donde estoy a ti
tú que recorres Lisboa y sus calles y sus fondas
con hombres de una sola vez
tú serás mi último puerto para amarrarme a tu alma
y sólo yo vivir en él

Faro que alumbras al mundo por encima de la tempestad
devuélveme la esperanza a y que brille mi estrella
pero no en soledad oye mi voz mi última oportunidad
faro que alumbras al mundo alumbra mi vida

Fotos y cartas marchitas de cuando planes y sueños
aún vivían en su pel dos vidas en dos maletas
entre Lisboa y Madrid en una estación de tren
él se durmió para siempre con su billete en la mano
en un banco del andeén
y ella se apagó de golpe como se apaga una vela
después del amanecer

Faro que alumbras al mundo por encima de la tempestad
devuélveme la esperanza a y que brille mi estrella
pero no en soledad oye mi voz mi última oportunidad
faro que alumbras al mundo alumbra mi vida

Hoy reposan en silencio uno siempre junto al otro
aunque en alma y papel
por fin se unieron sus vidas volcando las dos maletas
sobre su mar a la vez
otra historia como tantas de amor y de mala suerte
y de un destino traidor pero en el puerto en Lisboa
cuando la luna te aplasta alguien canta esta canción

Faro que alumbras al mundo por encima de la tempestad
devuélveme la esperanza a y que brille mi estrella
pero no en soledad oye mi voz mi última oportunidad
faro que alumbras al mundo alumbra mi vida

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Carlos Cano homenageia Amália em "Maria La Portuguesa" (1987)


Carlos Cano (1946-2000) foi um popular cantautor granadino que, especializando-se em estilos tradicionais como a copla andaluza e o fado, procurou utilizar a canção para reivindicar e lutar por uma Espanha democrática e livre

Compôs uma canção para homenagear Amália, intitulada "Maria La Portuguesa", que foi um êxito tanto em Espanha como no estrangeiro.



“Un día lejano de 1984 compré en Lisboa un disco de Amália Rodrigues, homenaje a Valerio, el gran poeta del fado. Recuerdo la portada: era un primer plano de ella, hermosa, con los ojos cerrados, pintados de azul, la boca roja y el pelo azabache cayéndole por los hombros. Oir su voz me dejó completamente enamorado.

La escuchaba todos los días, a todas horas, mirando la portada. Su voz tenía la facultad de hacerme viajar por la melancolía de todas las pasiones, los amores y los sueños perdidos, pero la fuerza de su lamento no empujaba a la depresión ni a la amargura, sino que fortalecía tu espíritu.

El color de su voz era negro, casi morisco y de una capacidad emocional fuera de lo común. A fuerza de tanto oírla acabé obsesionado, preguntándome: ¿Por qué cierras los ojos?

Así fue como escribí María la Portuguesa, como respuesta.”



O tema foi incluído no seu álbum "Quedate com la Copla" (1987) e mais tarde regravado no seu último álbum "De lo Perdido y Otras Coplas" (2000).

"Ay, María la portugesa
desde Ayamonte hasta Faro
se oye este fado por las tabernas
donde bebe viño amargo
porque canta con tristeza
porque esos ojos cerrados
por un amor desgraciado,
por eso canta, por eso pena"

O tema, com letra de Joaquim Sabina, foi igualmente interpretado por Maria de Dolores Pradera e Lenita Gentil.

Fonte: Granelandia

CARLOS CANO (com "participação de Amália")



MARIA DE DOLORES PRADERA (cantora e actriz espanhola)



MERCHE, 17/11/2007 (cantora pop espanhola)

sábado, 17 de novembro de 2007

James Bond em Portugal (1969)


O filme “Ao Serviço de Sua Majestadade” da série James Bond (007) foi parcialmente rodado em Portugal. “On His Majesty’s Secret Service” (OHMSS) foi o primeiro filme após o abandono de Sean Connery, sendo o agente inglês interpretado pelo australiano George Lazenby.

Apesar de não ter sido dos filmes mais bem sucedidos, aquando da sua estreia, o fim tem vindo a ser reavaliado, sendo considerado actualmente um dos melhores da série.

O filme não seguiu o esquema tradicional da série, nomeadamente porque o herói acaba por se casar com Tracy (protagonizada por Diane Rigg, mais conhecida pela sua interpretação de Miss Emma Peel na série “Os Vingadores).

A acção (do Livro) não decorre em Portugal, mas sim na Suíça, contudo diversas cenas foram rodadas em Portugal:



* Sequência inicial – aquando da tentativa de suicídio de Tracy:

Praia do Guincho

* Pega de touros:

Herdade do Vinho, Zambujal (ou Azambuja)

Duplo: Nuno Salvação Barreto (forcado)



* Cena final na estrada:

Parque Nacional da Arrábida National, Setúbal
Serra da Arrábida, Setúbal

* Outras cenas:

Palácio de Benfica
Casino do Estoril, Estoril, Cascais, Lisboa
Costa do Estoril, Lisboa
Joalharia Ferreira Marques, Rossio, Lisboa
Ponte 25 de Abril, Lisboa
Palácio Hotel, Rua do Parque, Estoril
(hotel onde fica hospedado James Bond)
Rua do Parque, Estoril, Lisboa
Sesimbra



O elenco ficou hospedado no Hotel Palácio Estoril, decorria o ano de 1968 (...) O exterior do Hotel, o Lobby e a piscina, vista dos quartos, são parte integrante de muitas das cenas do filme que foi estreado em 1969. A piscina tinha sido recentemente construída.

No filme é possível ver a entrada do Hotel - fachada exterior e lobby – que se mantém sem alterações significativas e a piscina, enquadrada no jardim, que foi recentemente remodelada, embora mantenha o mesmo desenho.


Participou no filme o então jovem funcionário do Hotel, José Diogo, com 18 anos de idade, que ainda hoje é um dos Chefes de Portaria do Palácio. É possível vê-lo em imagens de “Ao Serviço de Sua Majestade!” entregando a chave do quarto (...).

Quando George Lazenby surge no seu Aston Martin e estaciona à porta do Hotel Palácio é José Afonso que lhe abre a porta do carro. “Foi um filme normal”, relativiza, tendo já perdido a conta às entrevistas que deu sobre esta sua aparição no grande ecrã — mesmo sendo este um dos filmes menos famosos da saga do espião britânico. “Abri a porta, fechei a porta. Não recebi cachet, não me pagaram nada, mas eu também não fazia caso disso. O hotel pagava-me, eu estava ao serviço do hotel”.




Fontes/Mais informações: Hotel Palácio (adaptado) / Observador  / Boletim Municipal de Cascais / Agentlemansjotter 
Video: Reportagem do Canal Cascais  / On the tracks of 007 
Outras imagens: C4pt0m3nt3 / Forum Setúbal / Waymarking
 
José Diogo e José Afonso, dois dos figurantes do Hotel Palácio

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Lisbon Story de Wim Wenders (1995)


Lisboa ia ser a "Capital Cultural da Europa" em 1996, coincidindo com o 100º aniversário do Cinema. Por isso, Wim Wenders decidiu mostrar Lisboa quer com tecnologia moderna quer com recurso a aparelhos mais tradicionais.

Encontraram uma câmera do cinema mudo que ainda funcionava, pelo que certas partes do filme foram rodadas da mesma forma que o filme "Cameraman" de Buster Keaton.


O argumento ("story"), se assim o quisermos chamar, aborda as ligações entre um realizador que já não crê na capacidade das câmeras traduzirem a verdade e um engenheiro de som que ainda acredita na magia das imagens e do som.

No princípio é o som - próprio e característico - de Lisboa que prevalece em detrimento da experiência visual. E o encanto não provém apenas dos sons de Lisboa, mas igualmente dos "Madredeus" que integram o elenco do filme.

Videoclip de "Alfama"



Cena do filme ("Alfama")

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Devendra Banhart encanta-se por "Santa Maria da Feira" (2005)


O cantor norte-americano Devendra Banhart gostou tanto da recepção que obteve durante o "Festival para Gente Sentada", realizado na cidade de Santa Maria da Feira, que decidiu homenagear a cidade nesta bonita canção interpretada em espanhol/castelhano.




O referido tema foi utilizado numa campanha publicitária da Volkswagen:






Jornal Público (suplemento "ipsilon")

Confirmam-se as influências de que Devendra falava: especificamente, Caetano Veloso, mais genericamente a música e a lírica sul-americana.

Muitas canções deste disco longo – mais de 74 minutos – são cantadas em espanhol, como "Pensando en ti: Comiendo 'peira' en Santa Maria de la Feira", o que quer que ele queira dizer com "peira" [deverá ser pera].  


Letra


Pensando cada dia, cada hora
Pensando en ti
Caminando, mi cesta llena de moras
Son para ti
Temprano por la tarde y por la noche
Sueño de ti
La dee da dee da dee da dee da dee da dee la da dee da dee da
La dee da dee da dee da dee da dee da dee la da dee da dee da

Comiendo perra
En santa maria de la feira 
Que placer ir La gente buena
Solo goza nunca hay pena
Pa' que sufrir
Jugando en el mar, en la arena
Viviendo asi

La dee da dee da dee da dee da dee da dee la da dee da dee da

La dee da dee da dee da dee da dee da dee la da dee da dee da

Ventana blanca
Hay que venga la mañana
Hay que venga otra vez
Esperando
Asi es como yo paso mi tiempo
Esperando a Inaniel
Y rezando por su calor, por su aliento
Sobre mi piel

Te digo todo aqui va bien
Conmigo de no dormir
Amigo, te suplico, te lo pido
Que me ayudes a mi, a mi

Buscando
Con mi ancla en la marea
Nadando en ti
Yo voy andando
Oyeme, te estoy llamando
Te amo a ti

Por el valle me encontré un rio escondido
Me ahoge ahi
Me recuerdo, hacía calor pero tenia frio
Me iba a morir

Bianca Ay Paloma, ay Angelina
Por fin te vi
Por fin te vi
Por fin te vi

sábado, 10 de novembro de 2007

Amália através do Mundo


Amália actua pela primeira vez no estrangeiro, a 07 de Fevereiro de 1943 em Madrid, a convite do embaixador Pedro Teotónio Pereira.

Em Setembro de 1944, Amália viajou para o Brasil acompanhada pelo maestro Fernando de Freitas para actuar no mais famoso casino da América do Sul: o Casino Copacabana.


Em 1946 regressa a Lisboa depois de ter permanecido onze meses com uma companhia de revistas no Rio de Janeiro, onde grava também os seus primeiros discos, oito 78 RPM com um total de 16 gravações, para a editora brasileira Continental.

Em Abril de 1949 cantou pela primeira vez em Paris, no Chez Carrère e em Londres no Ritz, em festas do departamento de Turismo organizadas por António Ferro.


Décadas de 50-60

Um marco decisivo na internacionalização de Amália é a sua participação, em 1950, nos espectáculos do Plano Marshall, que contribuiu para o sucesso internacional de "Coimbra" (igualmente conhecido como "Avril au Portugal", "April in Portugal", "The Whisp'ring Serenade" ou "Abril en Portugal").

Em 1952 Amália actua pela primeira vez em Nova Iorque, no "La Vie en Rose", onde ficará 14 semanas em cartaz.

Actua pela primeira vez na Cidade do México em 1953.



E torna-se na primeira artista portuguesa a actuar na televisão americana no famoso programa "Coke Time with Eddie Fisher", onde interpreta "Coimbra" ("April in Portugal"), que se tornara um enorme sucesso nos Estados Unidos.






É editado nessa altura o seu primeiro álbum, “Amália Rodrigues Sings Fado From Portugal and Flamenco from Spain”, que não foi editado em Portugal mas teve edições em Inglaterra e França, e inclui “Coimbra”.


Por exigência do mercado americano, Amália gravou alguns flamencos e a propósito conta-se que Orson Welles perguntou um dia, em Madrid qual era a maior cantora de flamenco e os madrilenos responderam que era portuguesa, vivia em Lisboa e chamava-se Amália.

Estreia-se no Mocambo, em HolIywood, em 1954.


Amália é convidada para um pequeno papel no filme de Henri Verneuil “Os Amantes do Tejo", produção francesa parcialmente rodada em Portugal, em 1954, com Daniel Gélin e Trevor Howard. No filme Amália interpreta "Solidão" (“Canção do Mar”) e "Barco Negro".


“Os Amantes do Tejo” não foi um filme de grande sucesso, mas correu em todo o mundo e toda a gente pode ver Amália. Havia quem dissesse e escrevesse que valia a pena ver o filme para ouvir Amália a cantar “Barco Negro”.

O filme deu-lhe o pontapé de saída para a França e a França deu-lhe o pontapé de saída para o mundo. Antes tinha havido a América [Brasil, México, EUA], mas o que lá se passa não se sabe na Europa."



Participa em “April in Portugal”, com realização de Evan Loyd, filme inteiramente dedicado a Portugal e ás suas belezas naturais, em Technicolor e Cinemascope.

Estreado em Londres em 1955, este filme, em que Amália interpreta “Coimbra” e “Canção do Mar” foi premiado nos festivais de Berlin e Mar del Plata.


Amália interpreta "Lisboa Antiga" no documentário mexicano “Músicas de Sempre”, de Tito Davidson. E, posteriormente, canta "Uma Casa Portuguesa" no documentário "Las Canciones Unidas" do mesmo autor (com imagens da actuação na TV Mexicana).


Parte para Paris porque tinham gostado de a ouvir cantar “Barco Negro”, mas era considerada uma cantora de fado, que é uma canção que viaja muito mal. Amália nem sabia como conseguira levar o fado pelo mundo fora, pois não era fácil ouvir durante duas horas fados pesadíssimos numa língua que não se entende:

“Em França, como em qualquer outro país estrangeiro, canto um fado ligeiro, depois um fado mais fado, depois uma música mais vida, tipo ‘Lisboa, não sejas Francesa’, depois outro fado sério, depois uma espanholada, depois outro triste. E então, quando já tenho o público na mão, posso cantar o que quiser, que ele já vem”.

Como quando apresento digo só o nome das canções, não digo se é espanhol, português ou italiano, para os franceses aquilo era tudo fados. E diziam que eu cantava dos fados mais tristes aos mais alegres, como ‘Tani’ ou ‘Trepa no Coqueiro’”.


Edita o seu primeiro LP em França, em 1955, através da Pathé-Marconi. Em Abril de 1956, Amália, actua pela primeira vez no Olympia de Paris, numa das festas de despedida de Josephine Baker.

Dias mais tarde, estreia-se no Olympia como “vedeta americana”, encerrando a primeira parte do espectáculo, pois não tinham confiança nela para ser vedeta principal.



O sucesso é tal que, terminadas as três semanas do contrato, Amália é convidada para o prolongar mais três semanas. No ano seguinte, estreia-se como primeira vedeta no Olympia de Paris.


Em menos de três anos, Amália atinge em França o máximo do prestígio e da popularidade, com a colaboração de Felix Marouani, um dos principais agentes artísticos do país.

Canta no Olympia, no Bombino, no ABC, na La Tête de l’Art, que era uma noite chíquissima na Villa d’Est. Fez tournées por praias, casinos teatrais e outros espaços culturais.


Amália assina contrato com a editora francesa Ducretet-Thomson, para a qual gravará material publicado em dois álbuns e cinco EP antes de regressar à Valentim de Carvalho.

Também os artistas a adoram, muitos escrevendo canções especialmente para ela, como foi o caso de Charles Aznavour que inspirando-se no "Ai, Mouraria" escreveu para Amália: "Aïe, Mourir Pour Toi".


Bruno Coquatrix, proprietário do Olympia, quis abrir uma casa de fados para Amália chamado “Maison du Fado”, junto à Torre Eiffel, mas não se chegou a concretizar. Só depois apareceu o “Fado” de Clara d’Ovar e outras casas. Ponderou ficar a viver em França, depois de ser homenageada com a Chave e a Medalha da Cidade de Paris, mas acabou por voltar a Portugal.

Em 1965, Amália atinge a sua melhor interpretação no cinema em "As Ilhas Encantadas" do estreante Carlos Vilardebó, baseado numa novela de Herman Melville. Neste filme, diferente de todos os outros da sua carreira, Amália pela primeira vez não canta.

E no ano seguinte interpreta "Le premier jour du monde" no filme francês "Via Macau" de Jean Leduc.


Actua em países como Roménia, Espanha, França, E.U.A. e Canadá.

Entre 6 e 26 de Maio de 1969, Amália Rodrigues realizou uma longa digressão pela União Soviética, tendo actuado em Leninegrado, Moscovo, Tblissi (Geórgia), Erevan (Arménia) e Baku (Azerbaijão).


Décadas de 70

Em Janeiro de 1970, Amália parte para Roma para actuar no Teatro Sistina em Roma. O sucesso foi tal que o fenómeno "Amália" se espalha por Itália. Começava então "La Folia per La Rodrigues".


É igualmente editado em 1970 o duplo álbum "Amália e Vinicius", gravado ao vivo em casa de Amália e composto por fados interpretados por Amália, à guitarra e à viola, e poemas declamados pelo poeta brasileiro da "Bossa Nova", Vinicius de Moraes e por José Carlos Ary dos Santos, David Mourão-Ferreira e Natália Correia.

O álbum “Com Que Voz” recebe o IX Prémio da Crítica Discográfica Italiana (1971), o Grande Prémio da Cidade de Paris e o Grande Prémio do Disco de Paris (1975).


Actua pela primeira vez no Japão, em Osaka. O seu concerto em Tóquio, a 2 de Setembro no Sankei Hall, será gravado para edição em disco (“Amália no Japão”, publicado em 1971).


Em 1971, participa na novela “Os Deuses estão mortos”, da TV Record, de Lauro César Muniz e Dionísio Azevedo, interpretando a artista portuguesa Eugênia Câmara, paixão do poeta brasileiro Castro Alves.


Amália grava, em 1972, nos estúdios Valentim de Carvalho, 12 fados com o saxofonista de jazz Don Byas, para um álbum que só será editado dois anos mais tarde.

Apresenta no Canecão o espectáculo "Um Amor de Amália", idealizado por Ivon Curi. É um sucesso enorme que Amália se verá obrigada a interromper devido a contratos previamente assumidos, mas que volta a repetir ao longo da década de 70.


Grava em italiano o álbum “A Una Terra Che Amo”. Participa em programas de algumas das mais importantes estações de televisão, como a alemã ARD e a italiana RAI.

Prossegue com as suas digressões internacionais, que incluem concertos por países como Espanha, França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Itália, Suiça, Argentina, Brasil, Venezuela, Canadá, E.U.A, Zimbabwe, África do Sul, Egipto, Israel, Roménia ou U.R.S.S.

Recebe diversas condecorações, entre as quais a mais alta do governo libanês - A Ordem dos Cedros.


Décadas de 80-90

Canta em países como França, Itália, Suíça, Alemanha, Holanda, Luxemburgo, Bélgica, Reino Unido, Brasil, Argentina, Chile, Japão, Turquia ou Àfrica do Sul.

Em 1984 é editado “Amália na Broadway”, que reúne oito standards de musicais americanos gravados por Amália em 1965 nos estúdios de Paço d'Arcos com o maestro inglês Norrie Paramor, mas nunca antes editados em disco.

Grava, com acompanhamento de Jorge Fernando e Mário Pacheco, dois duetos com o cantor napolitano Roberto Murolo, para inclusão no álbum "Anima i Cuore" de 1994.


Mais de 600 discos

Heitor Vasconcelos é um dos principais coleccionadores de discos de vinil em Portugal. E da sua vasta colecção há um nome que se destaca e pelo qual tem uma maior admiração. Esse nome, claro, é o de Amália Rodrigues, de quem tem mais de 600 discos.

"Tenho discos prensados em Espanha, Itália, França, Holanda, Turquia, Israel, África do Sul, EUA, Japão, Canadá, México, Brasil, Chile, Venezuela. Tenho quase todos os discos de 78 rotações dela que foram editados, bem como os primeiros oito disco de 48 rotações editados no Brasil. Mas apesar de ter 600 peças, sei que existem 80 discos que não tenho, fora as coisas que ainda estão descobrir", disse ao DN.

Fontes/Mais informações: atelier.hannover  / Victor pavão dos Santos (“Amália, uma biografia”) / Amália no sapo / amalia.com / Eurico Mendes (Portuguese times) / The Art of Amalia (Bruno de Almeida) / webring (filmes) / Diário de Notícias / Dananos (discos) / Amália no mundo / José Milhazes (Da Rússia) / RTP

Ao Vivo no Japão ("Lavava no Rio Lavava")



Ao Vivo em Itália ("Coimbra")



Em dueto com Julio Iglésias na TV Francesa ("Un canto a Galicia", "Pêras")



México e Estados Únidos da America (inclui show de Eddie Fisher)




Olympia (Paris) - como tudo começou


TV Alemã ("Cravos de Papel"