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domingo, 15 de novembro de 2020

Amália na revista "Life" (1952)

 

Estava eu, vasculhando os arquivos da LIFE Magazine (já nem me lembro do que procurava), quando dei com uma fotos de Allan Grant (Fotografo da revista LIFE), que só diziam: "Edith Piaf & Amolia". 

Cliquei para ver as fotos, pensando que ia encontrar fotos da Edith Piaf, já que o nome Amolia não me dizia nada, quando se me depara um monte de fotos de Amália, apenas com a indicação da data (setembro de 1952) e do fotografo. Algumas das fotos são de excelente qualidade, outras nem por por isso. Aqui ficam para quase todos. 

 


Em 1952 Amália actua pela primeira vez em New York, no Night-Club, La Vie en Rose, onde ficará 14 semanas em cartaz.Torna-se no ano seguinte, na primeira artista portuguesa a cantar na televisão americana no famoso programa Coke Time with Eddie Fisher, onde interpreta Coimbra. Actua em festas e na rádio. Chegou a receber convites para actuar na Broadway, cantando cantigas em Inglês. 

No ano seguinte editou o seu primeiro LP nos EUA (as gravações anteriores eram em discos de 78 rotações), "Amália Rodrigues Sings Fado From Portugal and Flamenco From Spain", lançado em 1954 pela Angel Records, assinala a sua estreia no formato do long-play, a 33 rotações, criado apenas seis anos antes e, na época, ainda longe de conhecer a expressão de mercado que depois viria a conquistar. O álbum, que seria editado em 1957 em Inglaterra e, um ano depois, em França, nunca teve prensagem portuguesa. 

 

Por exigência do mercado americano, Amália gravou alguns flamencos e a propósito conta-se que Orson Welles perguntou um dia, em Madrid qual era a maior cantora de flamenco e os madrilenos responderam que era portuguesa, vivia em Lisboa e chamava-se Amália. 

Fonte: citizengrave.blogspot.pt (em "Portal do Fado")

sábado, 15 de agosto de 2020

Fado Blanquita ... entre Espanha, Portugal e a América Latina


O "Fado Blanquita" terá sido escrito expressamente para a cantora Blanquita Suárez, em 1917, com letra de Rafael Adam e música original do maestro Álvaro Retana.

Blanquita Suárez iniciou-se muito cedo no mundo dos palcos, por volta dos 12 anos, e ao longo da sua carreira participou em operetas, revistas, no denominado género chico, como vedeta e "cupletista" (cantora de coplas).


Como muitas actrizes dessa época, Blanquita gravou vários discos e participou como actriz secundaria em vários filmes.

Em 1917 ainda era uma jovem estrela de variedades no teatro Eldorado de Barcelona quando interpretou "Fado Blanquita", tendo sido retratada por Pablo Picasso na época em que estreou este Fado.


O tema foi igualmente gravado, nessa época, por diversas cantoras, como era usual, nomeadamente por Mary Focela ou Mercedes Serós.



Em 1923 foi publicada "El En-Fado de Blanquita" uma versão para piano, da autoria de Espert Pascual e Alvaro Retana, que teve direito a uma partitura ilustrada por Augusto em estilo Art-déco.


"Fado Blanquita" foi mais tarde gravado por cantoras como Eugenia Roca, com acompanhamento da Orquesta Barcelona, Margarida Sanchez ou Lilian de Celis.


Apesar da sua origem em Espanha, o "Fado Blanquita" foi sempre divulgado como sendo um fado português ou brasileiro.




Continuaram a existir inúmeras versões de "Fado Blanquita", sobretudo no México, a partir da década de 40, quer em versões instrumentais, quer interpretadas em espanhol, tendo-se tornado mais divulgado em associação ao estilo de dança do mesmo nome, que, ainda hoje, tem algum impacto no México e em alguns Estados do Sul dos Estados Unidos.

 

A versão instrumental de "Manuel S. Acuna and His Orchestra", que foi editada nos Estados Unidos da América na década de 40, identifica-se como "Baile Português" para o público hispânico mas na edição para o público anglófono refere que se trata de um Fado Mexicano "Made for Folk Dance Fed. of Calif." (música que se destinava a dança folclórica do Estado da Califórnia).


"Fado Blanquita" foi introduzido na California pelo famoso coreografo  Cesare "Vani" Vanoni em meados da decada de 1940 e foi popular até ao início da década de 1950.


O "Fado Blanquita", sobretudo como estilo de dança, foi sendo apresentado com nomes diferentes: "Fado Moresco" com coreografia de Millie von Konsky, por volta de 1954; "Caballito Blanco ( Mexican)", por Carolyn Mitchell ou Helen Erfer, em 1949; E "Fado for Fours" (Fado para quatro), por Vyts Beliajus, em 1957.


Vyts Beliajus afirmava que se "Fado para quatro" se tratava de uma dança portuguesa que tinha aprendido através de uma cigana espanhola de nome Triana e que só podia ser dançada ao som de "Fado Blanquita".


Links: Blanquita Suarez / Pilar Arcos / Margarita Sanchez / Banda Columbia (1920) / Orquestra da Emissora Nacional (1934)   Carlos Campos (inst.) / Tucson Folk dance (2016)
Fontes/Mais informações: Sobre Mary Focela (1)/Blanquita Suarez(1)(2)-quadro de Picasso  / Pastora Império (1) / SFD (Society of Folk Dance) / Folk dance / Dança (1)(2)(3)(4)




quarta-feira, 15 de julho de 2020

Os fados de Nicolino Milano: "Fado Liró" e "Lulu Fado"

 

No início do Século XX, um período marcado pela presença massiva de maestros e compositores portugueses no Rio de Janeiro, o compositor brasileiro Nicolino Milano empreendeu o caminho inverso, conquistando expressivo sucesso comercial em Portugal e mais tarde em França.

Nicolino Milano tornou-se conhecido em Portugal mesmo antes de sua chegada a Portugal. Sousa Bastos, na sua "Carteira do Artista", publicada em Lisboa, em 1898, testemunhava que Nicolino Milano era, na época, um dos mais destacados músicos do Rio de Janeiro.


Nicolino Milano viajou para Lisboa em 1906, actuando como regente do Teatro da Avenida, aquando da representação da revista “A.B.C.”, de Acácio de Paiva e Ernesto Rodrigues. Uma das peças musicais dessa revista tornar-se-ia o grande sucesso popular de Nicolino Milano: o “Fado Liró”.

Em 1909, a companhia do Teatro da Avenida trouxe a “A.B.C.” para o Brasil, estreando no Teatro Apolo do Rio de Janeiro.

"Os Geraldos" na revista "O Malho"

O “Fado Liró”, que "levava a palma ao próprio choro", alcançou também no Brasil considerável sucesso, popularizando-se então, com ritmo de marcha, no carnaval de 1911:

"Guitarra, guitarra geme/que meu peito todo freme/Quando choras pianinho/Não há fado com mais alma/Que o liró, pois leva a palma/Até ao próprio choradinho/As condessas e duquesas/Ao contá-lo pedem meças/Sem receio de perder/Nas areias de Cascais/Tem meu fado encantos tais/Que é da gente endoidecer/Oh! Oh! Oh! Oh!" etc.


O "Fado Liró" foi gravado, entre 1909 e 1913, por Os Geraldos, Mário Pinheiro, Banda Escudero, Almeida Cruz e Moysés Mondadori. E em 1953 foi gravado por Joaquim Pinheiro.
 
E o mais curioso é que em 1912, no ano seguinte ao desse Carnaval em que o fado português de um brasileiro se transformara em marchinha foliona de rua, uma marcha composta pelo português Filipe Duarte para a revista "O país do vinho" – estreada no Teatro Recreio em junho de 1910 e aí reposta em 1911 – transformar-se-ia, abrasileirada, num dos mais constantes sucessos do Carnaval no Brasil a partir daquele ano de 1912: “A Vassourinha”.
 

Nicolino Milano fica na história da música portuguesa e brasileira, sobretudo com "Fado Liró", mas foi com "Lulu-fado" (com o subtítulo "Le Vrai Fado Portugais") - que foi uma criação de L. Duque na sua adaptação para piano ou para piano e canto - que obteve maior reconhecimento internacional, nomeadamente em França e Bélgica e, posteriormente, nos Estados Unidos da América em associação à dança do mesmo nome.

A versão (ou original ?) de "Lulu -Fado" em português, com letra de Guedes d'Oliveira, intitulava-se "Fado Gramacho", tendo sido gravada por Medina de Sousa e coro.



"Lu Lu fado (Le vrai fado portugais)" foi gravada, em 1914, pela Conway's Band (que gravou 169 fonogramas) e pela Prince's Orchestra.

Foi igualmente gravada pela National Promenade Band em 1914 e por Manuel Carvalho (com a International Novelty Orchestra) em 1924.



Maurice Mouvet, norte-americano de ascendência belga, e a esposa Florence Walton terão sido os  criadores do "Lulu-Fado" como estilo de dança como é referido na partitura acima.

Esse estilo de dança foi altamente publicitado, em diversos jornais norte-americanos, sobretudo em 1914, acompanhando assim a tendência de criação de inúmeros estilos de dança no período do Ragtime. Foi inclusive incluido numa série de artigos denominada "How To Do the New Dances".

Uma das críticas que se apontava ao novo estilo "Lulu Fado" é que só existia uma música ("Lulu Fado" de Nicolino Milano) para dançar esse estilo de dança.




Foi igualmente publicada no Jornal The Star a forma de dançar o "Lulu Fado" na série "How to dance the Modern Dances" pelo autor de "Social Dancing of Today"John Murry Anderson.


Melvin M. Franklin, coreógrafo norte-americano de origem alemã, foi o criador do estilo de dança "Lulu Fada" em 1915 (ou em 1914 segundo outras fontes), que seria uma variante do "Lulu Fado", incluído em "Famous Dancers Collection".


Foi igualmente criado o Lulu Foxtrot, em 1917, por Robert T. Almond, que combinava o Foxtrot com o Lulu Fado (que seria "a portuguese one-step /polka), ambos de 1914.


Nicolino Milano, que ficou igualmente famoso por compor outros estilos de música (nomeadamente os Hinos do Pará e de Pernambuco e a marcha do centenário) compôs igualmente o "Fado do Cigarro" mais conhecido por ter uma partitura da autoria de Stuart Carvalhais.


Links: "Fado Liró" por Mário Pinheiro  e Joaquim Ramos  / "Lulu Fado" (instrumental) / Lulu fado (dança) / Lulu Fado (ampico Lexington) / "Lulu fada"

Fontes/Mais informações:  Marcelo Bonavides / Meloteca / Wikipedia / Revista Brasil-Europa / "Diálogos luso-brasileiros no Acervo José Moças da Universidade de Aveiro" de Pedro Aragão/ Dança (1)(2)(3)(4)(5)(6) /  Discografia (EUA)(Brasil)(Rolos de Piano) / "A música popular no romance brasileiro" de José Ramos Tinhorão / Dicionário

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Maria Callas em Lisboa na peça "Lisbon Traviata"


Maria Callas, então a mais famosa cantora de Ópera do mundo, estreou-se em Lisboa, em Março de 1958, a cantar "La Traviata", de Verdi. Decorria a temporada de ópera do São Carlos. Ao seu lado estava um tenor ainda desconhecido, Alfredo Kraus. A gravação de uma das récitas de São Carlos tornou-se célebre e é uma referência fundamental.

Terrence McNally, dramaturgo premiado com nem mais nem menos do que quatro Tonys, escreveu em 1985 "The Lisbon Traviata", em que explora a obsessão por Callas e por esta gravação. A peça acabou por ter algum sucesso em Nova Iorque e em Londres.


A acção decorre no presente (de então) e a peça foi considerada ousadíssima, viviam-se os primeiros e conturbados tempos da SIDA, Rock Hudson, o primeiro nome mundialmente conhecido a sofrer da doença, morreu nesse ano. Todas as quatro personagens da peça são gays, duas delas, Stephen e Mike, numa relação de anos que agoniza nos seus últimos dias, quando já surge no horizonte uma terceira pessoa para Mike, um rapazinho mais novo de seu nome Paul (fixem este nome), que, diz-nos o autor, está a meio da casa dos vinte.

O pretexto para a peça é o facto de ter acabado de surgir no mercado uma nova Traviata com a Callas (fui verificar, o disco foi lançado em 1980), uma gravação pirata da sua célebre Violetta de 27 de Março de 1958 em Lisboa, no Teatro de S. Carlos.


O primeiro acto decorre em casa de Mendy, a seguir a um jantar em que tem Stephen como convidado. Stephen calha a mencionar a "Traviata de Lisboa", que acabou de comprar, e a partir daí Mendy fica posseso, num frenesi insuportável, quer à viva força ir buscar o disco, morre se não o ouvir quanto antes.

Stephen recusa firmemente, Mike está na casa de ambos e recebe nessa noite o seu novo namorado. Que nasceu em Portugal, filho de portugueses, que poderá (ou não, e é isso que Mendy tenta desesperadamente tirar a limpo) ter sido levado pelo avô a ver a "Traviata de Lisboa", no Teatro San Marco — leram bem. E que se chama Paul Della Rovere — também leram bem.

Fontes/Mais informações: "A Gota de Rantanplan" / wikipedia / Hemeroteca digital   Noticias magazine / Flama / Século ilustrado (em "iconografia" / valkirio
 
"O Século Ilustrado" (1958)

Revista Flama (1958)
Quando os erros estão no original ...

domingo, 15 de julho de 2018

"Vocês sabem lá ..." e os primórdios da canção moderna portuguesa (1958)



"Vocês Sabem Lá" é uma canção de 1958, com letra de Jerónimo Bragança e música Nóbrega e Sousa, que foi interpretada por Maria de Fátima Bravo aquando da realização do 1.º Festival de Música Portuguesa, no Cinema Império, em Lisboa, no dia 21 de Janeiro de 1958. Nasceu, assim, aquela que alguns consideram ser a primeira canção moderna portuguesa.

Neste Festival, com consagrados compositores como António Melo, Fernando de Carvalho, Frederico Valério, Ferrer Trindade, Belo Marques, Tavares Belo, Alves Coelho Filho e Nóbrega e Sousa, estava estabelecido que não haveria classificação nem prémios. Porém, quando Maria de Fátima Bravo acabou de cantar "Vocês sabem lá", revelou-se um grande êxito e o público levantou-se numa grande ovação.


A canção foi gravada em Portugal por cantores portugueses de renome como Maria de Fátima Bravo, Simone de Oliveira, Tony de Matos, Maria José Valério, Trio Odemira, José Cid, Carlos Quintas, Rita Guerra, entre outros.

E foi igualmente gravada em Portugal por artistas estrangeiros, nomeadamente o cantor italiano Loris Velli, em 1959, e o conjunto espanhol Los Delta em 1961.




Existem também versões no Brasil, Espanha, Itália e Estados Unidos.

No Brasil foi interpretada pela jovem cantora gaúcha Cândida Rosa em 1961, cuja carreira ficou mais restrita ao Rio Grande do Sul  (foi escolhida a "Rainha do Rádio gaúcho em 1956 e "Melhor cantora do Rádio gaúcho" em 1958) que já gravara em 1959 outras canções portuguesas (o fox-canção "Foi Deus", de Alberto Janes, e o fox-slow "De degrau em degrau", de Nóbrega e Sousa e Jerónimo Bragança).

"Vocês sabem lá" foi igualmente incluída no álbum "Aguarela Portuguesa", de 1995, da cantora brasileira Joanna dedicado à reinterpretação de clássicos da música portuguesa, o qual também incluía uma versão de "Vira Virou" da dupla brasileira Kleiton e Kledir, que foi originalmente interpretada por Eugénia de Mello e Castro.


A versão italiana, "Torna a me", com adaptação de Locatelli e Zipi (Bruno Rosetanni), foi gravada em 1959 pelo actor Sílvio Noto em colaboração com o duo Blengio.

Existem igualmente versões por Nilla Pizzi (que gravou "Amore e Odio" versão de "Degrau em Degrau" dos mesmos autores de "Vocês Sabem Lá") e Bruno Rosettani (que era casado com uma das irmãs Blengio).



A cantora italiana Nella Colombo gravou em 1960 a versão em castelhano "Que sabe la gente!" com letra de Mapel em registo slow-rock.


 

A versão em inglês, "I long to be loved", com letra de Carl Sigman, foi lançada como lado B do single "It´s a Lonesome Town" da cantora norte-americana Jeannie Thomas. Ambos os temas tiveram direito a crítica nas prestigiadas revistas norte-americanas Billboard (de 08-02-1960) e Cashbox (de 30-01-1960).

Crítica na revista Billboard
Crítica na revista Cashbox
Existe igualmente uma versão em inglês com letra de Eric Boswell com o título de "The Touch of your hand".

Fontes/Mais informações: "Nóbrega e Sousa: uma vida cheia de música" / Guedelhudos (1)(2) / "Nóbrega e Sousa - Música no Coração" de Nuno Gonçalo da Paula / Blog sobre Nóbrega e Sousa / Os Reis do Vinil / Dicionário Cravo Albin da MPB (Cândida Rosa) (1) (2) / Câmara Municipal de Lisboa

terça-feira, 15 de agosto de 2017

100 anos de filmes rodados na Madeira (1) - Décadas de 20, 30 e 50


"Un Giorno a Madera" (1924)

Em 1924 foi rodado na Ilha da Madeira o filme de ficção "Um dia na Madeira" ("Un Giorno a Madera") do realizador italiano Mário Gargiulo, com Livio Pavanelli e Tina Xeo nos principais papéis.

Este filme mudo era uma adaptação do livro "Un Giorno a Madeira, una pagina Dell’Igiene Dell’ Amore" lançado por Paolo Mantegazza em 1876. Traduzido ainda em vida do autor nas principais línguas europeias, este curioso livro consagrou a Madeira no imaginário italiano e europeu de fins de Oitocentos, como a isola dei fiori e dell’amore.


Sinopse

"Emma, personagem dotada de uma espiritualidade e de uma nobreza de carácter dignas das maiores heroínas românticas, procura na Madeira o último reduto de esperança para a cura da doença, ao passo que o seu apaixonado William se vê condenado a expiar na determinação da sua índole britânica a dor da perda da amada, pondo também ele à prova o seu carácter, principal protagonista afinal deste romance".


A produção estrangeira na Madeira intensificou-se a partir da década de 30, com filmes de ficção como: "Porque Mentes, Menina Kate?" (com realização de Georg Jacoby, 1935); "Die Finanzen des Großherzogs" ("As Finanças do Grão-duque" (Gustaf Gründgens, 1934) remake do filme homónimo de Murnau; "O prisioneiro de Corbal" (filme de Karl Grüne de 1935-36); "Les Mutinés de L’ Elseneur" (filme de Pierre Chenal de 1936 com base na obra de Jack London); e "Love Affair" ("Ele e Ela" de Leo McCarey, de 1939).


No campo do documentário é de destacar: "Madeira: A Garden in the Sea" (1931); "Cruising the Mediterranean" (André de la Varre, 1933); "Madeira: Jardim do Oceano" (Dawley, 1933); "From London to Madeira" (de Karl Gr, 1935); "Escala na Madeira" (René Ginet, 1935); e "Madeira: Isle of Romance" (1938).

"Warum lügt Fräulein Käthe?” (1935)


Entre 12 e 20 de novembro de 1934 esteve na Madeira uma equipa cinematográfica alemã da Majestic-Film GmbH, liderada pelo produtor Helmut Eweler e pelo realizador Geog Jacoby,  onde filmaram parte de um filme que estreou nas salas alemãs a 29 de janeiro de 1935, chamado “Porque Mentes, Menina Kate?” no original “Warum lügt Fräulein Käthe?”.

Na ilha da Madeira filmaram, a 15 de novembro, uma série de danças folclóricas madeirenses no “Reid’s Palace Hotel”, “executados pelo grupo de senhoras e cavalheiros, da nossa sociedade elegante”, como dizia o “Diário de Noticias do Funchal” de 16 de novembro de 1934, tendo nos outros dias filmado algumas ruas da cidade do Funchal e cenas do quotidiano madeirense.

"Marriage of Corbal" (1936)

A 10 de dezembro de 1935 chegara ao Funchal a Capitol Film Corporation, uma empresa inglesa, juntamente com mais de 20 pessoas, entre técnicos e actores para a rodagem do filme “The Marriage of Corbal” (ou "The Marriage of Corbal"), realizado por Karl Grune, com argumento de S. Fullman, com base na obra de Rafael Sabatini, ambientado no período da Revolução Francesa.

Parcialmente rodado no Vale da Ribeira Brava, as filmagens terminaram a 26 de dezembro, tendo também empregado cerca de 200 figurantes madeirenses. Com este filme também foi realizado um documentário “From London to Madeira”, onde se retratava as peripécias da viagem da equipa até à Madeira e os bastidores da filmagem na ilha.

"Love Affair" (1939)


"Love Affair", um dos mais importantes filmes românticos do final dos anos 30, foi parcialmente rodado na Madeira, onde vivia a avó do protagonista, o que terá sido motivado pela fama do porto do Funchal na altura dos grandes cruzeiros transatlânticos, com filmagens no Funchal e numa casa de Santa Luzia.



Sinopse

O pintor francês Michel Marnet (Charles Boyer) conhece a cantora americana Terry McKay (Irene Dunne) a bordo de um navio que cruza o Oceano Atlântico.

Michel e Ambos estão comprometidos, mas, no entanto, apaixonam-se. Durante uma paragem na Ilha da Madeira (Porto Santo), visitam a avó de Michel, Janou (Maria Ouspenskaya), que "aprova" Terry. O casal marca um encontro no Empire State Building para daí a 6 meses, mas nem tudo corre como desejado.



O título do filme na Áustria refere-se explicitamente a essa paragem no nosso arquipélago: "Ein Spitzentuch von Madeira".


Na década de 50 é de destacar: "Madeira Story", da responsabilidade de uma equipa inglesa, com o apoio de artistas e autoridades madeirenses, estreou-se em Londres; "Moby Dick" (filme de John Huston de 1956), "Sylviane de mes nuits" (Marcel Blistène, 1957), uma série de documentários de Jacques Cousteau e "Windjammer: The Voyage of the Christian Radich" (de Bill Colleran e Louis De Rochemont III, 1958).

"Moby Dick" (1956)


"Moby Dick" é um filme britânico realizado pelo norte-americano John Huston em 1956. O filme começou a ser filmado no País de Gales mas partes do filme foram rodadas no mar em frente ao Caniçal com acção real de caça à baleia, feita por baleeiros da Ilha da Madeira. O filme baseava-se na obra homónima de Herman Melville que curiosamente tinha mais ligação aos Açores do que à Madeira.

Nos créditos iniciais do filme é feito o agradecimento aos "Baleeiros da Madeira pela grande ajuda que deram" ("Whalermen of Madeira for the great help they gave").


Jacques Yves Cousteau

Entre 15 e 20 de agosto de 1956 esteve na Madeira uma missão cientifica francesa, a bordo do navio “Calypso” e chefiada pelo famoso explorador submarino Jacques-Yves Cousteau (1910-1997), tendo nesta estadia aproveitado para fazer cinco filmes, dois dos quais da pesca do peixe espada preta (Aphanopus carbo).

"Sylviane de mês nuits" (1957)

A 7 de novembro de 1956 começam as filmagens na Madeira do filme francês, produzido pela Isis Films, “Sylviane de mes nuits”, escrito e realizado por Marcel Blisténe e protagonizado por Giselle Pascal e Franck Villard, tendo as filmagens terminado a 18 de novembro.


“Windjammer: The Voyage of the Christian Radich” (1958)

Chega à Madeira a 27 de dezembro de 1956 o cineasta norte-americano Louis Rouchemont, com uma equipa de operadores cinematográficos para filmar diversos panoramas da Madeira para um documentário, em “Cinemiracle”, que esteva a realizar usando o navio-escola norueguês “Christian Radich”, a que se dará o titulo de “Windjammer: The Voyage of the Christian Radich”, estreado a 25 de abril de 1958.


Ciclo de cinema "100 Anos de filmes rodados na Madeira"


"100 Anos de filmes rodados na Madeira" é uma mostra de 8 das melhores obras cinematográficas de ficção filmadas no arquipélago de entre as mais de 50 películas realizadas desde 1912. Para além do valor óbvio dos filmes apresentados, alguns deles de grandes mestres do cinema mundial como Leo MacCarey, Raul Ruiz, Barbet Schroeder ou John Huston, esta mostra pretende anunciar a importância da Madeira como “location” para produção audiovisual.

Não só pela beleza das suas paisagens (ver por exemplo o plano fantástico da Serra d’Água em “O prisioneiro de Corbal” ou a perseguição automóvel nas estradas antigas do Seixal em “Os Batoteiros”) mas também pela facilidade de encontrar lugares tão diferentes numa ilha tão pequena, reduzindo assim os custos de produção.

Cena de "O prisioneiro de Corbal"
Fontes/Mais informações: Ana Paula Almeida (Aprender a Madeira e Tese) / Museu Vicentes / Ciclo de cinema / Folha de Sala (1) /  Ando a ler isto, Dejalu4ds e Fnac ("Un Giorno a Madeira")

Videos: "Warum lügt Fräulein Käthe?" / "Prisoner of Corbal" / "Love Affair" / "Moby Dick" (1)(2) / "Winjammer ..."