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sábado, 15 de março de 2014
Jarbas Junior aborda temáticas portuguesas em “Navio Português” (2004) e “A Espada de Camões” (2012)
O escritor cearense Jarbas Junior publicou em 2004 a epopeia moderna “Navio Português”, que abrange um conjunto de poesias identificadas com os justos e nobres anseios da lusofonia.
"Navio Português" é bem a prova desse mérito, pela grandeza do tema e pela força literária com que se apresenta. Nele as ressonâncias de Camões e de Fernando Pessoa são mais do que simples influências: lembram contactos mediúnicos …, revelações telepáticas – como é sugerido no prefácio que, mais do que uma introdução, é verdadeiro canto de amor a Portugal.
Nem poderia ser diferente: “Navio Português” é, todo ele, uma celebração da terra lusitana, “o país que coube numa nau”, segundo o primoroso achado do poeta. Jarbas Junior traz a lume um rosário de cantos e acalantos em louvor à terra lusitana, onde celebra os seus heróis e poetas, evoca os imperecíveis feitos de Vasco da Gama, Camões, Cabral, e descortina em luminosa metáfora os cenários esplêndidos das paisagens ibéricas.
“A Espada de Camões”
“A Espada de Camões” narra, de uma forma ficcional, a vida e aventuras do maior poeta português. O livro de Jarbas Junior apresenta Camões "de modo incomum, como aventureiro de terras e mares, em ritmo alucinante, com enredo de estilo cinematográfico, envolvente, dinâmico, cativante".
O romance “A Espada de Camões” surge para revelar ao mundo as aventuras e proezas de um herói que foi poeta; oferecendo assim, aos leitores de todas as idades, um modelo de virtudes e conduta moral a ser seguido.
Não se trata de uma biografia e sim de um romance, onde ficção e realidade se misturam a bel prazer do autor, que até consegue salvar de um fim ingrato a bela Dinamene, desaparecida após um naufrágio na costa da África, quando se perderam também diversos manuscritos do grande poeta lusitano.
No livro, a bela chinesa continua viva, mas Camões não sabe. Ela, também, pensa que ele desapareceu no mar, até que chega às suas mãos um exemplar de “Os Lusíadas”, publicado dez anos após o naufrágio. Mas… Tem sempre um mas… Ela está casada com outro, o capitão do galeão espanhol que a salvou e mora em Madrid.
Do porte de um Dante, Virgílio, Cervantes – Camões se vê cercado por uma caterva de nobres invejosos, que impedem seu acesso à corte e tentam roubar seu precioso manuscrito…
Fontes: Casa do Ceará / Thesaurus / Nosrevista / Márcio Catunda / Edmilson Caminha / Google books
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sábado, 15 de fevereiro de 2014
Imagens e influências portuguesas na obra poética de Manuel Bandeira
Desde Camões, vê-se clara a influência lusitana na poesia brasileira – como demonstra o estudo de Gilberto Mendonça Telles (1973): "Camões e a poesia brasileira".
O poeta brasileiro Manuel Bandeira, que foi um dos maiores símbolos do modernismo brasileiro – tendo sido recitado por Ronald de Carvalho o poema “Os sapos”, em 1922, na conhecidíssima semana de arte moderna, terá sido aquele em que, nas palavras de Jorge de Sena, esse "veio profundo foi mais permanente".
É aliás inegável a profunda influência da poesia lusa em Manuel Bandeira. O próprio refere Camões, António Nobre, Eugénio de Castro, como tendo feito parte da sua formação e das suas fontes inspiradoras.
Manuel Bandeira reconheceu, no seu “Itinerário de Pasárgada” (1954), a enorme influência que a literatura portuguesa teve na sua formação e na criação da sua obra poética; não só Camões, cuja lírica lamentou ter apenas descoberto tardiamente: “o gosto que tomei a Camões, cujos principais episódios de “Os Lusíadas” sabia de cor (…). O que ainda hoje lamento é não ter tomado então conhecimento da lírica do maior poeta de nosso idioma.
Do Camões lírico apenas sabia o que vinha nas antologias escolares”, mas todos os outros com os quais manteve sempre estreitos laços, mesmo nos tempos mais radicais do primeiro modernismo brasileiro.
O biógrafo brasileiro de Pessoa, José Paulo Cavalcanti Filho , na sua monumental obra "Fernando Pessoa, uma quase autobiografia", além de aproximar o poeta português dos leitores brasileiros, estreita os laços entre o escritor lusitano e os poetas modernistas do Brasil, como Vinícius, Drummond e Bandeira – realçando semelhanças nos versos e nos temas.
Ao assumir as influências lusitanas, Manuel Bandeira não trai o ideal de uma cultura autenticamente brasileira, talvez, por entender que elas devem ser tomadas, juntamente com as indígenas e africanas, como fonte para construção de nossa identidade. O poeta em questão, ao se posicionar de maneira mais flexível e à margem do movimento, acaba por não se contradizer como acontece com a maioria dos modernistas de 22.
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| Livro de Gilberto Mendonça Telles (1973) |
"A Camões"
Quando n’alma pesar de tua raça
A névoa da apagada e vil tristeza
Busque ela sempre a glória que não passa,
Em teu poema de heroísmo e de Beleza.
Gênio purificado na desgraça,
Tu resumiste em ti toda a grandeza:
Poeta e soldado... Em ti brilhou sem jaça
O amor da grande pátria portuguesa.
E enquanto o fero canto ecoar na mente
Da estirpe que em perigos sublimados
Plantou a cruz em cada continente
Não morrerá sem poetas nem soldados
A língua em que cantaste rudemente
As armas e os barões assinalados.
O soneto “A Camões” está presente no primeiro livro de Manuel Bandeira, "A cinza das horas" (1917). Para esta homenagem a Camões, o autor utiliza-se da intertextualidade , tão em voga na poesia moderna e muito frequente em Manuel Bandeira, e dela vai se servir para reescrever outras tantas formas clássicas, atitude que podemos entender como mais uma maneira do poeta de cultivar e preservar a tradição.
Em "Mafuá do malungo" (1948) aparecem três outras referências ao poeta: nas poesias “Portugal, meu avozinho” e “Improviso”; e em “Ad Instar Delphini”, invocando o poeta: “Camões, valei-me! Adamastor, Magriço”.
É importante acrescentar que Camões, ao contrário do que se podia esperar, foi homenageado pela maioria dos poetas modernistas brasileiros, acerca da presença de Camões no Modernismo brasileiro, Gilberto M. Teles diz o seguinte: “Tinha-se a impressão de que o Modernismo ia também combater Camões, que trazia para a época dupla conotação de passado: o da Literatura e o do colonialismo português.
Mas a surpresa é que, com excepção apenas do actualíssimo João Cabral de Melo Neto (...), todos os poetas modernistas pagaram seu tributo à obras de Camões, transformando-a, lírica e épica, em temas de poesia e através de alusões, paráfrases, parábolas, através de todas as formas de referência, procuraram homenagear Camões (...).” e explica tal ocorrência pelo fato de que entendiam “que Camões estava acima dos nacionalismos e das ideologias de esquerda ou de direita. (...) Camões é sentido como génio, autor universal, e podia, portanto ser festejado sem isso implicar “colonialismo literário” (...).”
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| Viagem de 1957 de Craveiro Lopes ao Brasil (1) |
"Craveiro dá-me uma rosa"
Craveiro, dá-me uma rosa!
Mas não qualquer, General:
Que eu quero, Craveiro, a rosa
Mais linda de Portugal!
Não me dês rosa de sal.
Não me dês rosa de azar.
Não me dês, Craveiro, rosa
Dos jardins de Salazar!
A Portugal mando um cravo.
Mas não qualquer, General:
Mando o cravo mais bonito
Da minha terra natal!
Este é outro poema presente no "Mafuá do malungo" e em que Manuel Bandeira dirige-se ao General Craveiro Lopes, quando este visitou o Brasil, referindo-se à falta de liberdade que imperava em Portugal .
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| Viagem de 1957 (2) |
Tal qual “Portugal, meu avozinho” o poema acima é desenvolvido em redondilhas maiores e dividido em quartetos. Além das coincidências formais, em “Craveiro, dá-me uma rosa”, o poeta sugere um vínculo entre os dois países, através da troca cultural, “a rosa” pelo “cravo”, que por serem caracterizados pela beleza, podem simbolizar as artes.
Enfim, um elo de amizade e cultura entre dois países irmãos que só pode estabelecer-se pelas vias culturais e jamais pela política obscurantista de então, que, pela sua miopia, só visam ao progresso alicerçado em ideais estéreis, chegando, como se pode constatar hoje, a lugar nenhum.
Glória aos poetas de Portugal.
Glória a D. Dinis. Glória a Gil
Vicente. Glória a Camões. Glória
a Bocage, a Garret, a João
de Deus (mas todos são de Deus,
e há um santo; Antero de Quental).
Glória a Junqueiro. Glória ao sempre
Verde Cesário. Glória a Antônio
Nobre. Glória a Eugênio de Castro.
A Pessoa e seus heterônimos.
A Camilo Pessanha. Glória
a tantos mais, a todos mais.
- Glória a Teixeira de Pascoais.
Tomamos como ponto de partida o poema “Improviso”, também do livro "Mafuá do malungo". O poema composto em octossílabos, -empregados na poesia cortesã da Idade Média e calcada em moldes provençais, “que até meados do século findo, e ainda depois, os poetas de Portugal e do Brasil geralmente não o consideraram digno de ser contemplado em suas composições.”- , cujo título “Improviso” remete ao gênero largamente praticado na Idade Média sob a forma de epigramas, madrigais e quadrinhas musicadas.
Manuel Bandeira para saudar os poetas portugueses, utilizou-se de uma estrutura clássica com o mesmo despojamento com que se utilizava dos versos livres, o que se verifica nos dois poemas citados e como se verificará nos três próximos poemas.
Em seu “Improviso”, o poeta faz referência a alguns dos principais nomes da Literatura Portuguesa de todos os tempos. Seguindo a ordem cronológica, glorifica e coloca em um plano divino os poetas reconhecidos como ícones, dos quais não só literatos portugueses, como também os brasileiros, receberam e recebem influências.
"A Antônio Nobre"
Tu que penaste tanto e em cujo canto
Há a ingenuidade santa do menino;
Que amaste os choupos, o dobrar do sino,
E cujo pranto faz correr o pranto:
Com que magoado olhar, magoado espanto
Revejo em teu destino o meu destino!
A esmorecer e desejando tanto...
Mas tu dormiste em paz como as crianças.
Sorriu a Glória às tuas esperanças
E beijou-te na boca... O lindo som!
Quem me dará o beijo que cobiço?
Foste conde aos vinte anos... Eu, nem isso...
Eu, não terei a Glória... nem fui bom.
"A Antônio Nobre” é outro soneto do livro "A cinza das horas", em que também podemos observar a intertextualidade. Há uma referência clara de Manuel Bandeira ao segundo terceto do soneto formado de decassílabos, sem título, presente no capítulo “Sonetos - 3”, da única obra de Antônio Nobre, Só; a estrofe é a seguinte: “O meu Condado, o meu condado, sim!/ Porque eu já fui um poderoso Conde,/ Naquela idade em que se é conde assim...” .
Massaud Moisés faz as seguintes observações acerca de “A Antonio Nobre”: “de silhueta Parnasiano Simbolista, e fruto da coincidência entre a moléstia de Manuel Bandeira e do poeta português, traduz uma predileção estética da juventude, a poesia de Manuel Bandeira constitui uma espécie de diário íntimo, registro lírico dum dia-a-dia em que a arte era o prato obrigatório.” Aqui, mais uma vez, podemos constatar a influência de um poeta lusitano, Antonio Nobre é uma constante na obra de Manuel Bandeira, verificáveis em seu coloquialismo e penumbrismo .
Em “A Antonio Nobre”, Manuel Bandeira expressa sua homenagem ao poeta que o emociona “E cujo pranto faz correr o pranto”, e com quem se identifica “Revejo em teu destino o meu destino!”; porém a “Glória” de ter morrido ainda jovem não “sorriu” a Manuel Bandeira, que lamenta, com sua habitual modéstia, não ter tido a mesma sorte, nem o mesmo talento: “Eu, não terei a Glória.nem fui bom.”
Jaime Cortesão
Honra ao que, bom português,
Baniram do seu torrão:
Ninguém mais que ele cortês,
Ninguém menos cortesão.
Para finalizar a presente exposição sobre as homenagens de Manuel Bandeira a poetas portugueses, temos uma quadrinha em redondilhas maiores que o poeta dedica a Jaime Cortesão, presente em "Mafuá do malungo". (...)
Fontes/Mais informações: Blog da Professora Eleandra Lelli (texto principal) / "Camões e a Poesia Brasileira" de Gilberto Mendonça Teles / Tese de Maria da Natividade Esteves Gonçalves / Felipe Garcia de Medeiros
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quarta-feira, 12 de outubro de 2011
“Língua” de Caetano Veloso e Elza Soares (1984)

“Língua” é uma canção composta por um conjunto de expressões que constroem e refazem a língua portuguesa, revisada pelas inovações brasileiras, diluídas em estrangeirismos e variações regionalistas.
É uma provocação constante e total, que rabisca a língua de Camões e de Fernando Pessoa, arrastando-a pelos vícios da linguagem das praias brasileiras e impostas pela televisão.
Na gravação original, em 1984, Caetano Veloso dividia os refrões com Elza Soares, numa composição que nos arrastava a um samba-enredo que parecia explodir nas avenidas.
“Flor do Lácio sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer o que pode esta língua?”
Letra
Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
“Minha pátria é minha língua”
Fala Mangueira! Fala!
Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?
(...)
Nomes de nomes
Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé
e Maria da Fé
Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?
Gal Costa
Gal Costa - que regravou o tema - aguenta sozinha, em um só fôlego, o desafio de uma das mais complicadas letras do autor, que se ancora nos neologismos que nos parecem instransponíveis.
"O Cinema Falado"
No filme "O Cinema Falado", de Caetano Veloso, é referido que "Não é por acaso que, em português coloquial, Prosa quer dizer conversa, rap, charla, …"

Videos: Caetano & Elza Soares (Video pessoal) / "O Cinema Falado"
Fonte: virtualiaomanifesto
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quarta-feira, 5 de outubro de 2011
"Os Argonautas" de Caetano Veloso (1969)

[Navegar é Preciso] É um texto famoso de Fernando Pessoa, desses que se incorporam à memória cultural de um povo. Cito de memória: "Navegadores antigos tinham um lema: navegar é preciso, viver não é preciso. Quero para mim este lema, adaptando-o à minha vida e à minha missão no mundo: viver não é necessário, o que é necessário é criar."
Para a minha geração, a frase lembrada por Pessoa foi popularizada por Caetano Veloso em sua canção "Os argonautas", no seu "disco branco" saído em 1969, logo após sua prisão pelo regime militar.

Nenhum de nós tinha a menor ideia de quem fosse Fernando Pessoa. Era apenas um nome que Caetano tinha bradado, enfurecido, para a plateia que o vaiava durante sua interpretação de "É proibido proibir", num daqueles festivais.
Com a vaia, o cantor interrompeu o canto e disparou na direcção da plateia um monólogo a plenos pulmões com uns dez minutos de duração, no qual, a certa altura, gritava: "Hoje não tem Fernando Pessoa!" (*)
(*) [Caetano Veloso ia interpretar "É Proibido Proibir" com Os Mutantes, pretendendo, inicialmente, incluir um texto de Fernando Pessoa para homenagear a actriz Cacilda Becker que estava a ser pressionada para rescindir o seu contrato com a televisão]

Fernando Pessoa? Quem diabo é esse cara? Corremos todos para as enciclopédias e descobrimos que era um "poeta modernista português, falecido em 1935". Ficamos mais perplexos ainda. Oi... quer dizer que o Modernismo tinha chegado em Portugal?!
Pensávamos que Portugal tinha estacionado em Camões e Gil Vicente.
Aí saiu um compacto [single] simples, tendo no lado B a faixa "Ambiente de festival", com a vaia do teatro e a diatribe de Caetano, e no lado A a canção "É proibido proibir" ("A mãe da virgem diz que não... e o anúncio da televisão... e estava escrito no portão..."), na qual, a certa altura, brotava a voz surda e angustiada de Caetano recitando: "Esperai! Cai no areal e na hora adversa que Deus concede aos seus..."

Eram os versos do poema "D. Sebastião", na parte III de "Mensagem", único livro publicado em vida por Fernando Pessoa. Até hoje não sei o que diabo têm a ver Dom Sebastião e o slogan "É proibido proibir"; mas foi este talvez o primeiro link "pessoano" na obra de Caetano, retomado depois com "Os argonautas": "O barco... meu coração não aguenta tanta tormenta, alegria, meu coração não contenta..."
Era um fado nostálgico em tom menor, ao som de bandolins, onde se misturavam temas como a navegação sem rumo e o vampirismo ("O barulho do meu dente em tua veia... o sangue, o charco..."). E o refrão, em tom maior ascendente, triunfante: "Navegar é preciso... Viver não é preciso!"

Só muitos anos depois é que vi comentários sobre a ambiguidade da frase. "Precisão" pode significar necessidade: navegar é necessário, viver não é necessário. Mas pode significar também exactidão, e aí teríamos: navegar é uma ciência exacta, viver não o é.
O que está muito mais de acordo com os argonautas da Escola de Sagres, com suas bússolas, astrolábios e portulanos. Naufrágios, calmarias e tempestades, no entanto, nos mostram a ingenuidade dessa distinção. Viver e navegar estão submetidos ao mesmo princípio de incerteza. Não nos esqueçamos de que para navegar é preciso viver, não é preciso?
Fonte: Braulio Tavares (Publicado no Jornal da Paraíba, edição de 25 de julho de 2004)

Homenagem à cultura portuguesa
"Os Argonautas" foi interpretado por cantoras como Elis Regina, Maria Betânia e Ângela Maria.
Trata-se de um fado, em homenagem à cultura portuguesa, ao mar e à mítica viagem dos Argonautas comandados por Jasão [em metáfora aos navegadores portugueses].
Há quem tenha notado no modo de cantar de Veloso uma homenagem a Amália Rodrigues e uma homenagem a Fernando Pessoa, com a inclusão do verso "Navegar é preciso, viver não é preciso" que tem origem no general romano Pompeo (106-48 aC) "Navegar é necessário; viver não é necessário".
Além da menção ao mar (que é uma constante em Mensagem), fica claro o conteúdo sebastianista da letra, tal como acontece no livro de Pessoa.
Letra
o barco, meu coração não aguenta
tanta tormenta
alegria, meu coração não contenta
o dia, o marco, meu coração
o porto, não
navegar é preciso
viver não é precisoo barco, noite no teu tão bonito
sorriso solto perdido
horizonte, madrugada
o riso, o arco, da madrugada
o porto, nada
navegar é preciso
viver não é preciso
o barco, o automóvel brilhante
o trilho solto, o barulho
do meu dente em tua veia
o sangue, o charco, barulho lento
o porto silêncio

"A Mensagem do Tropicalismo"
Uma conferência de Caetano Veloso e Antonio Cicero intitulada "A Mensagem do Tropicalismo", sobre a influência de Mensagem de Fernando Pessoa no movimento tropicalista, inaugurou o ciclo Livres Pensadores na Casa Fernando Pessoa, no dia 4 de Dezembro de 2009.
António Cícero estivera anteriormente no "I Congresso Internacional Fernando Pessoa". Segundo o ensaísta, "Caetano conta que uma das principais influências que sofreu foi de Agostinho da Silva, um professor português, um intelectual, um pensador, que havia emigrado para o Brasil, onde deu aulas, e em cujos ensaios ele reconhecia um certo messianismo que derivava imediatamente de Fernando Pessoa".
Caetano, que leu “Mensagem” na faculdade, impressionara-se sobretudo pelo facto de Fernando Pessoa ser capaz de dar vida digna a esse mito (ao parecer constituir a fundação da língua portuguesa).

Videos
(1) Caetano lê trecho da carta de Pêro Vaz de Caminha interpreta "Os Argonautas"
(2) Elis Regina canta "Os Argonautas" (de Caetano Veloso) no especial Sexta Nobre-Gloco 71/72.
(3) Caetano e Chico - Juntos e ao Vivo
(4) Maria Betânia [a música foi feita para ela cantar]
Outras fontes/mais informações: umbarco.blog / música e memória / fumacas.weblog / yahoo / Mundo pessoa / Caetano en detalle / Lusoleituras
Caetano Veloso colaborou na edição nº1 da revista "Pessoa"
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011
"Lisboa em Pessoa" de João Correia Filho (2011)
Certo dia, um jornalista brasileiro apaixonado por literatura conheceu um roteiro para desvendar Lisboa, criado pelo poeta Fernando Pessoa, o qual foi publicado com o título “Lisboa: o que o turista deve ver”. Desse encontro nasceu a inspiração para que João Correia Filho refizesse o percurso proposto pelo poeta e transformasse a sua aventura neste guia: "Lisboa em Pessoa - guia turístico e literário da capital portuguesa".
Além dos lugares citados pelo poeta, o autor incluiu outros locais imperdíveis para quem deseja explorar a cidade e mais três itinerários extras: um baseado na vida e na obra de Eça de Queiroz, uma visita a Sintra e um roteiro pelas livrarias e pelos cafés mais charmosos de Lisboa.
Para completar, criou um guia de sobrevivência para facilitar a vida dos viajantes ao longo das suas aventuras lisboetas. Além dos poemas de Fernando Pessoa, incluiu também trechos da obra de outros escritores portugueses, como José Saramago, Inês Pedrosa e Luís de Camões, que ajudaram o jornalista a ir mais fundo na alma lusitana.
Mais do que um guia, "Lisboa em Pessoa" é também um relato fascinante, recheado de belas imagens, e vai conquistar aqueles que, como o autor, têm a viagem como uma das suas grandes paixões. E na literatura, a sua maior inspiração.
Fontes: Clube dos Livros / Viagem de Cinema
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quarta-feira, 21 de setembro de 2011
"El Visir de Abisinia" de José Ángel Cilleruelo (2001)
"Una elegía de la vanguardia" [um louvor à vanguarda] é o subtítulo de "El Visir de Abisinia", romance do escritor catalão José Ángel Cilleruelo que recria a aventura criativa do primeiro movimento vanguardista português, a denominada "Geração Orfeu".Os personagens do livro são inspirados nestes protagonistas - como os poetas Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Armando Côrtes-Rodrigues, Alfredo Guisado e Ângelo Lima, os pintores José de Almada Negreiros e Santa Rita Pintor, mas a narrativa não procura ser fiel à história. O escritor procura reconstruir o ambiente de liberdade e paixão pela arte que se viveu durante aqueles anos prodigiosos.
A obra mistura ficção e realidade, como no caso em que Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa vão visitar o poeta Ángel del Perú ao Sanatorio Miguel Bombarda.

"Barrio Alto" (1997)
José Ángel Cilleruelo - que estudou Letras nas universidades de Barcelona e Lisboa - publicou em 1997 um livro sobre Lisboa, "Barrio Alto", onde se intercala narração, ensaio e verso.
Fontes: wikipedia / Francisco López Porca, "Lisboa: Una configuración de espacios y personajes" / Agapea
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quarta-feira, 23 de março de 2011
Tony Ramos encarna irmãos gémeos separados pelo Oceano Atlântico em "Baila Comigo" (1981)
"Baila Comigo" foi uma telenovela brasileira, da autoria de Manoel Carlos, produzida pela Rede Globo e exibida no Brasil de 16 de Março a 26 de Setembro de 1981.

Dois gémeos separados pelo Oceano Atlântico
Helena deu à luz gêmeos, mas não pôde criá-los ao lado do pai, Joaquim Gama (Quim). Entregou um deles a Quim e criou o outro com o marido, o médico Plínio Miranda. Os gêmeos idênticos João Victor e Quinzinho cresceram sem que um soubesse que o outro existia.
"O advogado João Victor mora em Portugal. É contido, sério, europeu, chora de forma tensa e sem maiores estardalhaços".
"Quinzinho, o carioca simpático que fala muito, ri e chora com espalhafato e gosta de aventuras".
A saúde de Quim (Raul Cortez) obriga a família Gama a retornar ao Brasil.
Lisboa
A família Gama, composta por Quim (Raul Cortez), a sua esposa Martha (Tereza Rachel) e os filhos João Victor (Tony Ramos) e Débora (Beth Goulart) tinham vivido durante muitos anos em Lisboa.
Aproveitando esse facto, o autor, Manoel Carlos, introduziu na novela várias referências a Portugal. João Victor recitava Fernando Pessoa e, em certa ocasião, Martha delicia-se quando encontra ovos moles e pastéis de nata no frigorífico do filho…
Tony Ramos, Raul Cortez, Beth Goulart (que tem um namorado em Lisboa e não quer voltar para o Rio de Janeiro), Cláudio Cavalcanti (colaborador de Quim), Susana Vieira e Otávio Augusto (Paula e Mauro, um casal de turistas que reconhecem Quim em Lisboa) deslocaram-se a Portugal para gravar algumas cenas dos primeiros capítulos.
Durante quatro dias, foram realizadas gravações em Lisboa, Estoril, Óbidos e Batalha.
Curiosidade
"Vira Virou" de Kleyton & Kledir (também gravado por Eugénia Melo e Castro) era o tema de João Victor em Lisboa.

Depoimento de Tony Ramos
O actor brasileiro Tony Ramos, que encarnou os dois irmãos gémeos, recebeu os aplausos da crítica pelo desafio de fazer o duplo papel dos gémeos recorrendo apenas a recursos técnicos de voz, postura corporal e respiração para viver personalidades tão diversas
"Sem nenhuma barba ou bigode, eu só tentei diferenciar no penteado. O Quinzinho, que era o gêmeo que vivia no Brasil, tinha um cabelo mais solto. O outro, João Vítor, que foi criado na Europa, penteava o cabelo com escova. E como eu sempre tive muito cabelo, muito pelo, isso ajudava a dar um movimento.
Havia um duplo, para que eu pudesse abraçar meu irmão gêmeo. Não havia os recursos que temos hoje, então: "Trava a câmera. Ninguém mexe na câmera, pelo amor de Deus!"
E eu saía, trocava de roupa no meio do estúdio e pronto, fazia o outro. O João Vítor era um homem que lia e declamava Fernando Pessoa. Olha a coragem do Manoel Carlos, em 1981: colocar Fernando Pessoa dito por um actor, às oito e meia da noite, para todo o Brasil."

Primeiro grande sucesso de Tony Ramos em "Antônio Maria"
A novela que disparou meu nome junto com o público foi "Antônio Maria", com Sérgio Cardoso. Esse grande actor que foi Sérgio Cardoso! Ele fazia o motorista português de uma família aristocrata paulista, e essa novela foi um grande sucesso nacional.
Para você ter uma idéia, era tamanho sucesso que nós fazíamos capítulos ao vivo em capitais, com o elenco sendo recepcionado nos aeroportos. Tenho tudo isso fotografado, em revistas da época. É inesquecível.
Fontes: Brinca Brincando / Wikipedia / Teledramaturgia / Memória Globo / Revista Focus (2002)

Dois gémeos separados pelo Oceano Atlântico
Helena deu à luz gêmeos, mas não pôde criá-los ao lado do pai, Joaquim Gama (Quim). Entregou um deles a Quim e criou o outro com o marido, o médico Plínio Miranda. Os gêmeos idênticos João Victor e Quinzinho cresceram sem que um soubesse que o outro existia.
"O advogado João Victor mora em Portugal. É contido, sério, europeu, chora de forma tensa e sem maiores estardalhaços".
"Quinzinho, o carioca simpático que fala muito, ri e chora com espalhafato e gosta de aventuras".
A saúde de Quim (Raul Cortez) obriga a família Gama a retornar ao Brasil.
Lisboa
A família Gama, composta por Quim (Raul Cortez), a sua esposa Martha (Tereza Rachel) e os filhos João Victor (Tony Ramos) e Débora (Beth Goulart) tinham vivido durante muitos anos em Lisboa.
Aproveitando esse facto, o autor, Manoel Carlos, introduziu na novela várias referências a Portugal. João Victor recitava Fernando Pessoa e, em certa ocasião, Martha delicia-se quando encontra ovos moles e pastéis de nata no frigorífico do filho…
Tony Ramos, Raul Cortez, Beth Goulart (que tem um namorado em Lisboa e não quer voltar para o Rio de Janeiro), Cláudio Cavalcanti (colaborador de Quim), Susana Vieira e Otávio Augusto (Paula e Mauro, um casal de turistas que reconhecem Quim em Lisboa) deslocaram-se a Portugal para gravar algumas cenas dos primeiros capítulos.
Durante quatro dias, foram realizadas gravações em Lisboa, Estoril, Óbidos e Batalha.
Curiosidade
"Vira Virou" de Kleyton & Kledir (também gravado por Eugénia Melo e Castro) era o tema de João Victor em Lisboa.

Depoimento de Tony Ramos
O actor brasileiro Tony Ramos, que encarnou os dois irmãos gémeos, recebeu os aplausos da crítica pelo desafio de fazer o duplo papel dos gémeos recorrendo apenas a recursos técnicos de voz, postura corporal e respiração para viver personalidades tão diversas
"Sem nenhuma barba ou bigode, eu só tentei diferenciar no penteado. O Quinzinho, que era o gêmeo que vivia no Brasil, tinha um cabelo mais solto. O outro, João Vítor, que foi criado na Europa, penteava o cabelo com escova. E como eu sempre tive muito cabelo, muito pelo, isso ajudava a dar um movimento.
Havia um duplo, para que eu pudesse abraçar meu irmão gêmeo. Não havia os recursos que temos hoje, então: "Trava a câmera. Ninguém mexe na câmera, pelo amor de Deus!"
E eu saía, trocava de roupa no meio do estúdio e pronto, fazia o outro. O João Vítor era um homem que lia e declamava Fernando Pessoa. Olha a coragem do Manoel Carlos, em 1981: colocar Fernando Pessoa dito por um actor, às oito e meia da noite, para todo o Brasil."

Primeiro grande sucesso de Tony Ramos em "Antônio Maria"
A novela que disparou meu nome junto com o público foi "Antônio Maria", com Sérgio Cardoso. Esse grande actor que foi Sérgio Cardoso! Ele fazia o motorista português de uma família aristocrata paulista, e essa novela foi um grande sucesso nacional.
Para você ter uma idéia, era tamanho sucesso que nós fazíamos capítulos ao vivo em capitais, com o elenco sendo recepcionado nos aeroportos. Tenho tudo isso fotografado, em revistas da época. É inesquecível.
Fontes: Brinca Brincando / Wikipedia / Teledramaturgia / Memória Globo / Revista Focus (2002)
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quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Cristina Branco canta Slauerhoff (2000)
Cristina Branco propôs a edição do seu primeiro álbum de estúdio, "Murmúrios", a uma editora portuguesa. Foi recusado. Depois, com ele (após ter optado pela Holanda como rampa de lançamento para a sua carreira), ganhou o prémio do "Le Monde de la Musique" para o melhor álbum de "world music" de 1999. Quando o foi receber a Paris, na presença das Bartollis deste mundo, em vez de se restringir aos proverbiais agradecimentos, pediu para cantar com o companheiro, guitarrista e compositor Custódio Castelo.
Valeu-lhe um contrato com a Universal francesa, fruto do instantâneo "coup de foudre" pela sua música de um responsável dessa editora presente na cerímonia. "Post Scriptum", de 2000, reincidiu no mesmo prémio.
E, com "O Descobridor - Cristina Branco canta Slauerhof", atingiu o disco de platina pelas vendas na Holanda, terra natal de Jan Jacob Slauerhoff, o poeta das muitas afinidades com Portugal e a mitologia do fado. (...)

Jan Jacob Slauerhoff
Jan Jacob Slauerhoff, um poeta holandês razoavelmente desconhecido em Portugal, não seria a escolha mais evidente para o álbum de uma cantora portuguesa cuja matriz é ainda o fado...
Slauerhoff era um indivíduo completamente inadapatado à sociedade do princípio do século XX. Privou com o Fernando Pessoa e foi tradutor de Camões. Buscava o estímulo de outras culturas que o fizessem sair da sua forma de escrever e sentir que era um bocado depressiva.
Acho que acabei por encontrar nele aquela tristeza que toda a gente vê no fado. Era médico de bordo, passou por todas as colónias portuguesas (viveu algum tempo em Macau e apaixonou-se por uma bailarina local de quem teve um filho) e, quando veio a Portugal, encontrava-se muito doente. Fazia uma vida bastante boémia e conheceu muitos lugares e cantores de fado.
Um dos poemas deste disco, "Vida Triste", é a tradução dele de uma letra de fado que lhe foi oferecida por um desses boémios com quem se dava. E que, agora, sessenta e tal anos depois, foi resgatada para a língua portuguesa por nós.

Como é que chegaram ao conhecimento da poesia de Slauerhoff?
Estava em digressão pela Holanda e, durante um jantar, conversávamos acerca da literatura portuguesa, de Fernando Pessoa. Nessa altura, alguém mencionou a existência de um poeta holandês que partilhava um pouco desse espírito. Pedi a tradução de um texto dele ("A Uma Princesa Distante" que também acabou por figurar no disco) e, apesar de ser uma tradução à letra, chegou para me aperceber que tinha uma forma de escrever e de pensar muito "portuguesa".
A tradutora fez-nos chegar vinte e tal poemas e, desses, cerca de onze, eram perfeitos para construir um álbum.
Fados ?
Houve uma primeira tradução muito agarrada ao texto original que era impossível de cantar. Fiz uma segunda tradução, mais livre e cantável e as coisas foram surgindo assim. No final, quando começámos a gravar, percebemos que não seriam exactamente fados mas sim temas muito tristes que acabavam por estar muito proximos do espírito original do fado. E, no fundo, foi através deste álbum que compreendi quais eram realmente as características do fado.
Fonte: João Lisboa (adaptado)
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terça-feira, 5 de outubro de 2010
"A história seguinte” de Cees Nooteboom (1991)
Cees Nooteboom, um dos escritores neerlandeses mais importantes da actualidade, não esconde o seu fascínio por Slauerhoff, que atravessa a sua obra quer como autor, quer como personagem. Dele diz Nooteboom: “Às vezes penso que este nómada frísio, descendente de Rimbaud e tradutor de Ruben Dário, que escreve fados e soleares, e que estava impregnado duma variedade portuguesa de melancolia – que é a saudade -, era um quinto heterónimo de Pessoa, uma sombra holandesa, chinesa, portuguesa, espanhola, por detrás de Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos, por detrás do mestre bonequeiro, cinco senhores dos anos vinte e trinta que deambulavam por Lisboa junto ao Tejo e falavam de Camões, Vasco da Gama e aguardente.
Desde jovem Nooteboom segue o seu rasto em viagens pelo mundo fora. Assim conheceu Lisboa, cidade onde desenrola parte do seu romance “Het volgende verhaal” traduzido para o português com o título "A história seguinte" (1993).
Fonte: “Camões e Macau num romance neerlandês” de Patrícia Couto com Arie Pos (adaptado)

Opinião
Um professor de literatura clássica holandês acorda um dia num quarto de hotel em Lisboa com a sensação de estar morto. «E nessa manhã tinha matéria de reflexão de sobra», comenta o personagem, que conta na primeira pessoa a sua história. Para além das curiosas referências a Lisboa e a alguns aspectos da cultura portuguesa, o livro é mais do que isso uma reflexão sobre a existência, uma retrospectiva que o protagonista faz da sua vida e respectivos dilemas.
O tema, sendo sério, é no entanto tratado com humor e enquadrado por fascinantes referências à literatura clássica greco-latina - os tais mitos que condensam tão certeiramente a condição humana.
Fonte: Scopos
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quinta-feira, 29 de julho de 2010
"Au bord du monde - Fernando Pessoa" de Valérie Uttscheid (1991)
Inspirado na obra de Fernando Pessoa, sobretudo do livro "Mensagem", "Au bord du monde - Fernando Pessoa" é uma curta metragem (23') de música, dança e cor, que é inspirada pela voz de Pessoa (encarnado pelos actores-dançarinos).Fonte: Festival de Clermont
Video: Myspace
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terça-feira, 27 de julho de 2010
"A noite em que Fernando Pessoa conheceu Constantine Cavafy" de Stelios Haralambopoulos (2008)
Fernando Pessoa ter-se-á encontrado com Cavafy num cruzeiro em 1929. Nada fora planeado e eles não se conheciam. Iriam para Londres, mas o destino de ambos era Nova Iorque. Ambos queriam conhecer Nova Iorque, mas não tinham confidenciado esse desejo a ninguém.Documentário ou ficção ? O realizador grego Stelios Haralambopoulos relata-nos a história de um encontro entre dois poetas, duas almas gémeas que deixaram a sua marca na literatura do século XX.
Mas talvez o verdadeiro protagonista do filme seja a própria POESIA.
Fontes: Festival de Riad / Pessoa para todas as ocasiões

Blog.UmFernandoPessoa
O documentário "The Night Fernando Pessoa Met Constantine Cavafy" ("Ti nyhta pou o Fernando Pessoa synantise ton Konstadino Kavafi" no original), realizado por Stelios Charalambopoulos venceu a categoria "Melhor Documentário", no 49.º Festival de Cinema de Thessaloniki na Grécia.
Trailer
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Mais informações: IMDB
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quinta-feira, 22 de julho de 2010
"E a Pessoa de Fernando Ignorou África ?" de João Craveirinha (2005)
Normalmente os artistas plásticos inspiram-se em obras literárias. João Craveirinha, neste Livro para Teatro, inspirou -se numa pintura sua em tela, de 1.20m x 90cm, feita em 1990 / 91 e exposta pela primeira em 1992, na Galeria da SPA, Sociedade Portuguesa de Autores em Lisboa. O tema deste LIVRO (e Pintura), está relacionado com o facto do poeta luso, FERNANDO PESSOA, ter vivido na África do Sul, mais concretamente em Durban – Natal e nunca ter transparecido esse aspecto nas suas memórias de adolescente, em terras do antigo Império Zulo de Shaka a Cet-shuaio, passando por Dingane, antigos soberanos da orgulhosa e temida estirpe dos filhos do céu – Izulo – como a si próprios se intitulavam.
Outra personagem principal no Livro, é a consciência colectiva de África, simbolizada pelo espírito azul de uma Princesa suázi / ronga, rodeada de bailado esotérico. Imagens em cadeia vão passando pelo imaginário da Peça Teatral desde Bartolomeu Dias ao Estado Novo e à 2ª Grande Guerra Mundial, passando pelo 5º Império das Descobertas Portuguesas, à Globalização dos nossos dias, sem esquecer Nelson Mandela, Patriarca Africano da Fraternidade Universal.
Fonte: macua.blogs.com
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