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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O sucesso de “Petticoats of Portugal” (“Rapariga do Portugal”)


Com o sucesso internacional de canções portuguesas como “Coimbra” (“Avril au Portugal”) e “Lisboa Antiga” (“Adieu Lisbonne”), Portugal esteve na moda durante os anos 50 tendo inspirado sucessos internacionais como “Lavandiéres au Portugal” e “Petticoats of Portugal”.

“Petticoats of Portugal” (“Rapariga do Portugal”) é uma canção popular norte-americana com música e letra de Michael Durso, Mel Mitchell and Murl Kahn.

Dick Jacobs and His Orchestra alcançou o 16º lugar no Top dos Estados Unidos em Outubro de 1956. Na crítica da Billboard, publicada na altura, e que é igualmente um reflexo do sucesso do tema, pois seis diferentes versões competiam por um lugar no top, era referido que: "Com "Petticoats", Jacobs apresenta uma faceta que irá vender por si próprio à primeira audição (“has a side which will sell itself on first listen”). O tema é contangiante e melodioso e a combinação da orquestra com o coro transmite-lhe uma curiosa produção".

Billy Vaughn and His Orchestra atingiu o nº 83 do Top Norte Americano em Dezembro de 1956.

Por outro lado, a versão de Caesar Giovannini alcançou a 19ª posição em Chicago e o nº 29 na Revista Cashbox, mas não entrou nas tabelas da revista da Billboard.


A estranha fixação da "música de elevador" por Portugal

Os anos 50 foram uma época de ouro para a chamada "música de elevador".

Curiosamente muitas dessas músicas debruçavam-se sobre países como Portugal. Mesmo que não tivessem letra, bastava estar atento aos seus títulos: "Portuguese Washerwoman”, “April In Portugal”…

Por que será ?


O fado como potencial moda latina

"Petticoats of Portugal” foi regravado por inúmeros artistas, incluindo Valentina Félix, uma cantora portuguesa radicada nos E.U.A.

Sam Chase referiu na revista Billboard que, após o sucesso da Bossa Nova, o Fado poderia ser uma das novas “Modas Latinas” (conjuntamente com estilos novos como o Bongoson, a Guarania e o Bambuco).

Segundo o jornalista, o Fado tinha alcançado um sucesso considerável na América Latina, sobretudo no Brasil. A qualquer momento poderia surgir uma combinação do Fado com um ritmo brasileiro, que pudesse originar uma nova moda.

Em São Paulo, a Adega Lisboa Antiga estava constantemente cheia de admiradores dos principais representantes do Fado no Novo Mundo, como Teresinha Alves (da Editora Continental) e Manuel Taveira (da RCA Victor).


O jornalista referiu igualmente que a editora Mointor tinha um importante papel no surgimento do fado com artistas como Valentina Felix e Fernanda Maria, realçando que o álbum “Petticoats of Portugal” de Valentina Felix representava uma novidade. Pela primeira vez uma cantora era acompanhada por um grupo instrumental (e não pelos tradicionais dois guitarristas), o Conjunto Cantares de Portugal. E havia o recurso à língua inglesa em duas canções: “Petticoats of Portugal” e “April in Portugal”, que podiam contribuir para a difusão deste estilo de música portuguesa.


Outras versões

“Petticoats of Portugal” foi regravado por artistas como Terry Lester, Ray Martin, Perez Prado, Tex Beneke, Florian Zabach (orquestra com coro), Lawrence Welk ou Warren Covington and The Commanders (em versão instrumental foxtrot).

O cantor brasileiro Cauby Peixoto lançou, em 1957, no seu segundo álbum, uma versão em português, em ritmo tango, com letra de Ghiaroni, intitulada “Garotas de Portugal”.

E Pierre Kolmann, pseudónimo do músico brasileiro Britinho, também gravou, em 1957, "Anáguas de Portugal", em versão instrumental.


Ray Franky interpretou “De Rokjes van Portugal”, em 1957, com letra em holandês de Lei Camps e Jos Dams.


Guy Belanger foi o responsável pela adaptação para francês, com o título de “Le Jupon du Portugal”, publicada por músicos como Tune Up Boys.

E Marc Fontenoy foi o autor da letra, com o mesmo nome, “Le Jupon du Portugal”, gravada por Johnny Grey (incluindo no EP "Cindy" que foi nº 1 na Bélgica em 1957).


“Muchachita de Portugal” com letra em espanhol de Alvey, pseudónimo de Alberto L. Martinez, foi gravada por artistas como os argentinos Los 4 bemoles.

James Last lançou, em 1973, uma versão instrumental com o título “In Portugal”.

E Lars Lönndahl e Monica Velve gravaram “Det bläser upp i Portugal”, com letra em sueco da autoria de Kairo.



A versão em Finlandês, “Portugalin Tuulispää”, da autoria de Pauli Ström, foi interpretada, em ritmo Béguin, por Olavi Virta.


E Börge Müller foi o autor da letra em dinamarquês, "Påenbænk i Lissabon", cuja versão foi gravada por Erik Michaelsen.


E a famosa actriz Jayne Mansfield também interpretou "Petticoats of Portugal" no seu álbum "An evening with Jayne".



Letra "Petticoats of Portugal"

When breezes blow petticoats of Portugal.
There’s quite a show on the streets of Portugal;
Each passer by winks his eye, whistles and smiles,
The ooh’s and ah’s, loud hurrahs, echo for miles;
The shapely gams, ‘neath petticoats of Portugal.
Start traffic jams,
But the cop on the square doesn’t care!
There’s not a guy alive who doesn’t thrive
On watching skirts go free!
Especially the petticoats of Portugal


Letra "Le Jupon au Portugal"

C'est si joli
Un jupon du Portugal
Jupon fleuri
Capiteux et virginal

(...)

C'est si grisant
Un jupon du Portugal
Qu'en le voyant
Tourner joyeusement
Dans un bal
Un grand amour peut naître en vous
Qui vous remplit de désirs fous
C'est idéal
Un p'tit jupon du Portugal

Fontes: wikipediaTheOzHiztoryblog  / Billboard

Mais versões
 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Wendy Nazaré canta "Lisboa" em novo video-clip (2012)


Descendente de ingleses, mas também de argelinos, belgas e portugueses, Wendy Nazaré homenageou as raízes lusitanas no segundo álbum, "A tire d'ailes", interpretando, em dueto com o cantor francês Pep's, o tema "Lisboa" cujo video clip foi gravado na capital portuguesa.

Artista desde os 11 anos, idade que tinha quando escreveu a primeira canção em inglês, Wendy Nazaré não conseguiu ainda se tornar uma estrela na Bélgica, onde mora actualmente, mas parece ser uma daquelas cantoras para quem a música, mais do que um negócio, é uma paixão.

Desde pequena passou férias em Portugal, junto de um senhor de quem gostava muito, mas que na altura não imaginava que era seu avô (pois o seu avô, português, tinha tido uma relação amorosa com a sua avô, belga. no Congo). Nasceu assim uma forte ligação a esse seu avô e a Portugal, que esteve na origem da canção "Lisboa", pois a cantora afirma que era capaz de escrever toneladas de canções sobre Portugal e sobre o seu avô.

Fontes: Blog "A música francófona" (adaptado) / Lusojornal











Video: Youtube

Letra

Ça n'fait même pas 20 ans que j'te connais et toi tu vois déjà dans mes veines
Le creux qu'à laissé les larmes et la distance de 2000km
C'est parce que t'as la même gorgé de soleil et de souvenirs qui dansent
Au rythme des fados, de leur robe noir et des cris immenses
Y'a comme un goût de par coeur que je parcours dans tes soirs, tes matins
Pourtant on n'est ni soeur ni amant d'avec ou sans lendemain
On a ces mêmes grands places, ces grands hommes qui nous ont marqués au fer
Depuis Salazar le marquis de Pombal jusqu'à nos terribles grand-pères

Cheira bem, já tem sol, Cheira a lua, cheira a Lisboa Cheira bem, já tem sol, Cheira a lua, cheira a Lisboa

Perdue entre la mer et les montagnes mentholées de Sintra
Toi tu te repères avec un nuage d'alegria
Ta seule ligne de conduite est de suivre le vent et peu importe
Des marées où tout passe, orage, tourment, pourvu qu'il t'emporte padapadapada
Tu t'es rebâties après un séisme pire que l'enfer
Plus belle, plus rayonnante
Tu nous éclabousses de lumière
Et ça me rassure de savoir que même quand nous ne serons plus là
Même juste dans l'air encore, on te sentira padapadapada

terça-feira, 16 de março de 2010

"Lisbonne Carnets" de Dupuy e Berberian (2001)

"Lisboa: Cadernos" é um caderno de viagens semelhantes aos que a dupla Dupuy e Berberian já tinha dedicado às cidades de Barcelona e Nova Iorque, em que captam em traços rápidos e elegantes a vida das cidades por onde passam.

Tendo já superado, de forma brilhante (veja-se a historia de Mr. Jean, "Viagem a Lisboa") a questão da incontornável herança pessoana, Dupuy e Berberian limitam-se aqui a retratar com a sensibilidade que os caracteriza os espaços e as gentes dessa Lisboa que descobriram mais em pormenor aquando da sua passagem pelo Salão Lisboa em 2000.

Fonte: Diário As Beiras; João Miguel Lameiras (em Bedeteca)

"Bons Baisers de Lisbonne" (2002)

Por ocasião do Festival de Angoulême 2002, a editora Cornelius ofereceu aos seus clientes uma série de mini-postais ("Bons baisers de Lisbonne") da autoria de Dupuy e Berberian.

quinta-feira, 11 de março de 2010

“Salade Portugaise” com Lady S em Lisboa (2009)

Foi em "Salade Portugaise", lançado recentemente, que Shania Rivkas, uma jovem estoniana, que trabalha como intérprete no Parlamento Europeu, e às ordens da CIA, sob o nome de código Lady S., chegou a Lisboa para seguir uma pista que a podia levar a reencontrar o pai, que julgava morto, ao mesmo tempo que contribuía para desmantelar um atentado terrorista da Al Qaeda.

Escrito por Jean Van Hamme e desenhado por Philippe Aymond, tem na capa a protagonista em trajos menores, tendo por fundo uma boa perspectiva da cidade e do castelo de S. Jorge, e no interior uma atribulada refeição à sombra da ponte 25 de Abril, uma animada perseguição pelas ruas lisboetas com um eléctrico envolvido e um aparatoso acidente automóvel nos arredores de Sesimbra.

Fonte:Pedro Cleto (adaptado)

Shania e Ralph Ellington, agente da CIA, terão de partir para Lisboa afim de localizarem um indivíduo que afirma ter-se evadido de Zigursk, após a queda da URSS em 1991, e se apresenta como sendo um dos sábios que lá trabalhavam, e chama-se Abel Rivkas, tendo a sua evasão sido concretizada num cargueiro português.

E já no avião da TAP-Air Portugal que sobrevoa Lisboa - estupendo picado sobre uma Praça do Comércio (eu, apesar de republicano, prefiro chamar-lhe Terreiro do Paço) bem visível -, Ralph esclarece, para que Shania não crie falsas esperanças:

"Pelo contrário, ele pode ser um impostor, uma toupeira enviada pelo FSB (serviço de informações russo que substituiu o KGB, esclarecimento dado em rodapé), para descobrir os nossos segredos.

A partir daqui (prancha 13, página 17), a trama desenrola-se em Lisboa, por locais bem conhecidos, uns, outros nem tanto (eu, lisboeta, confesso que embora os reconheça, não me lembro onde ficam alguns deles), em acção num ritmo extremamente bem desenvolvido, com forte dinamismo, até à prancha 37 (página 41).

Finalmente, Shania e seu pai Abel Rivkas estão juntos, mas são perseguidos pelos espiões russos por outras paragens nos arredores de Lisboa - Azoia, por exemplo, como se lê numa placa - até a acção atingir um clímax de violência extremamente bem desenhado, que desagua numa cena de convivência onde participam dois veteranos dos seviços de informação portugueses (SIS?), de nomes Amalia (sem acento agudo no a) e Manoël (com trema, sinal que deixou de existir na língua portuguesa de Portugal após o acordo ortográfico de 1945...).

Fonte: Geraldo Lins (adaptado)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

"O Segredo de Coimbra" de Étienne Schréder (1997)

Étienne Schréder é belga, e este é o seu primeiro álbum de banda desenhada, tendo escolhido a cidade de Coimbra como local de acção, e o século XVIII como época (mais propriamente o ano de 1774).

Tudo está "rodeado" de grande fantasia, com a criação de um jovem príncipe obcecado com a construção de uma soberba ponte sobre o rio Mondego, e dado, ainda a ciências ocultas, esotéricas, possuidor de alguns maquinismos estranhos, que acabam por destruir as obras da ponte.

É difícil ao leitor acompanhar o fio complicado da história, bastante sibilina.

Os desenhos têm qualidade artística, embora não ajudem a entender correctamente o enredo. Acrescente-se que, de facto, o Universidade Coimbrã possui uma série de maquinismos setecentistas únicos no mundo.

Sinopse

Que segredo esconde esta imagem deformada, esta anamorfose que Roland Buisen estuda em vão desde há meses? Quem é o personagem representado?

As investigações de Buisen levam-no até ao Gabinete de Física da Universidade de Coimbra, a essas salas esquecidas onde a ciência do Século das Luzes se confunde com as lendas de outros tempos.

É graças a este misterioso retrato que Roland Buisen vai desvendar a história de um jovem príncipe de saúde débil e de um perceptor demasiado preocupado em protegê-lo, a história das máquinas construídas para uso exclusivo da criança e da ponte com que não cessa de sonhar...

Departamento de Física

Nas escadarias do Departamento de Física encontra-se uma réplica ampliada de uma anamorfose piramidal. Para conseguir visionar a imagem que resulta da união das quatro figuras é necessário descobrir o degrau correcto, que depende da altura do observador, de forma a que este alinhe a sua visão com o vértice da pirâmide de espelhos.

As anamorfoses do Museu de Física estiveram presentes na exposição "Os Mecanismos do Génio", realizada no Palais des Beaux-Arts de Charleroi em 1991.

Por ocasião desse evento, Étienne Schréder publicou a primeira edição de O Segredo de Coimbra, um livro de banda desenhada cujo enredo se baseia nos mistérios das anamorfoses

Fontes: ci.uc, Gulbenkian, Máquina especulativa

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Jess & James

O grupo Jesse and James, formado por dois irmãos, António e Fernando Lameirinhas, oriundos da zona do Porto, foram considerados pela editora Belter como uma das suas grandes apostas.

Os dois irmãos foram para a Belgica ainda novos e com os nomes artísticos de Tony and Waldo Lam formaram o grupo JJ Band, com antigos membros das bandas Manfred Mann e The Crazy World od Arthur Brown.

Aí gravaram os primeiros discos para a editora Palette. Tiveram bastante sucesso durante a 2ª metade da década de 60 e início de 70, tanto na Bélgica como na Espanha. Chegaram a editar 10 singles e 3 LP`s (1967/1972) para a editora espanhola Belter. Nada mau para 2 portugueses...

As edições dos Jess & James na Belter eram reedições dos originais da Palette, apenas em 2 casos a Belter publicou singles com versões espanholas de temas deles.

Além dos 3 LP's como Jess & James, há ainda o disco "A New Exciting Experience", assinado como Free Pop Electronic Concept, em que aos irmãos Lam/Lameirinhas e seus colaboradores habituais se junta ainda o compositor belga Arsène Souffriau, para um trabalho que funde música electroacústica e rock

Fontes: Reis do Yé-Yé / Fantomas / Bissaide

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

"Serénade Portugaise" de Charles Trenet (1938)



Da autoria de Charles Trenet, "Sérénade Portugaise" foi interpretado por artistas como Tino Rossi, Léo Marjane e Jaime Plana. Curiosamente o tema - uma canção de "marinheiro" - não tem qualquer referência directa a Portugal na sua letra.

"Sérénade portugaise" ficou associada ao "L'Anschluss" (anexação da França pela Alemanha de Hitler), pelo facto de ser contemporânea desse momento histórico.



Depoimento de Georges Guétary ("Ma Route Fleurie de Chansons")

"A l'occasion d'un nouveau spectacle, pour permettre un changement de décor, Mistinguett me demande de choisir une chanson que je chanterai devant le rideau. Je choisis, une chanson de marin, composée par Charles Trenet. "La Sérénade Portugaise". Toute la saison, je chante ma sérénade devant le rideau. Je rêve de plus en plus aux lauriers de Tino Rossi. La fermeture annuelle du Théâtre arrive. Nous sommes en Août 1939.[…] C'est la guerre.

(Elle) semble figée dans une position d'attente. Nous nous installons mon oncle et moi à Guéthary, nous demandant quand nous pourrions reprendre la vie qui nous plaisait. […] Je continue à travailler le chant. Les Allemands arrivent […]



Letra

J'écoute le vent qui parle de ma belle
J'écoute le vent qui me parle d'amour
Le jour s'est enfui car il fait nuit sans elle
Sans elle, l'écho dans le bois reste sourd
Et gronde, gronde le tonnerre
Et gronde, gronde le ciel lourd

Je suis un marin, je chante les rivages
Je chante les flots et je chante les fleurs
Je fais des bouquets avec tous les nuages
Mais la fleur d'amour est toujours dans mon coeur
Et chante, chante ma jeunesse
Et chante, la joie et les pleurs !

Ce soir à minuit c'est la fête au village
Et nous danserons sous les platanes verts
J'aurai dans mes bras la fille la plus sage
Pour qui je fredonne ma chanson sur la mer
Et vogue, vogue mon ivresse
Et claque ma voile dans l'air !


Curiosidade

Em 2007, o grupo belga Laïs lançou o seu quarto álbum "The Ladies Second Song", com base em poemas de autores clássicos como W.B. Yeats, Paul Verlaine e Pablo Neruda, incluíndo igualmemte uma versão do tema "Serenade Portugaise".

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Grupo belga roda videoclip no Parque das Nacões

O realizador alemão Heinrich Pflug rodou em 2003, em Portugal, dois videoclips do grupo belga Sylver: "Why Worry", rodado em estúdio, e "Shallow Water" a aproveitar os bonitos cenários do Parque das Nações ("Expo 98").




quinta-feira, 29 de maio de 2008

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Nuno Resende representa a Bélgica no Eurofestival de 2005


Nuno Resende nasceu no Porto, em 1973, tendo-se mudado para a Bélgica aos 12 anos, quando os pais foram trabalhar para o Conselho Europeu, iniciando aí os primeiros passos numa carreira artistica como cantor.

Depois de várias incursões no mundo da música, actuando em peças músicais de sucesso na Bélgica e na França, foi escolhido pelo público para representar a Bélgica no festival da Eurovisão de 2005 com o tema "Le Grand Soir".

O músico português participara igualmente no festival belga de 2000, então como um dos componentes do grupo La Teuf, contudo o tema não foi, então, seleccionado para representar a Bélgica.


Interpretou igualmente "Allez, Allez, Allez" um tema dedicado à selecção de futebol da Bélgica que participou no Campeonato Europeu de 2000 organizado pela Bélgica e pela Holanda.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Michel Vaillant em Portugal (1971 e 1984)


Michel Vaillant é um personagem de banda desenhada da autoria de Jean Graton, que de uma forma muito própria, conseguia misturar a realidade e a ficção, pondo Michel a conviver com os maiores campeões de sempre do desporto automóvel.

Centrando a sua carreira na fórmula 1, onde chegou a andar a mais de 300 à hora nas ruas de Paris, não deixou de participar nas várias disciplinas do desporto motorizado. Conhecemos-lhe uma vitória no Paris / Dakar e várias incursões no mundial de ralis, para além das vitoriosas participações nas 24h de Le Mans.



As aventuras de Vaillant foram editadas inicialmente, em Portugal, através da revista “Cavaleiro Andante” que rebaptizou o herói com o nome mais português de Miguel Gusmão.

Michel Vaillant participou no “Rali em Portugal” (“Cinq filles dans la course” na versão original de 1971), e voltou à capital portuguesa em “O Homem de Lisboa” (“L’ homme de Lisbonne” de 1984), numa intriga sobre espionagem industrial. E teve “Um encontro em Macau” (“Rendez-vous à Macao” de 1983).




" Rali em Portugal" (1971)

Editado em 1971, com o título original "5 Filles dans la Course!", centra-se na 3ª edição do Rali TAP disputada no ano de 1969. Dando seguimento ao álbum anterior, "De L'huille sur la Piste", a história deste livro tem como foco principal o relacionamento entre os pilotos de automóveis e as mulheres.

Com o Rali de Portugal como pano de fundo, a equipa Vaillante junta-se a outras duas equipas mistas para termos cinco raparigas na corrida. Michel faz parceria com Françoise Latour a sua futura mulher.


Mas é o eterno mulherengo Steve Warson que se torna na personagem principal do livro. Para além da companheira de viatura, a Portuguesa Cândida Maria de Jesus, que no seu estilo habitual tenta conquistar, é confrontado com a presença da quinta rapariga, a Americana Betty, "la grande saucisse", que lhe fará a cabeça em água ao longo de todo álbum e que terá mais tarde participações nos livros "Rush" e "Des Filles et des Moteurs".

A passagem por Portugal é bem notada, o desenho está impecável, e os locais facilmente reconhecíveis, começando pelo primeiro "quadradinho" que nos mostra um 727 da TAP e uma vista do Castelo de S.Jorge com a Ponte Salazar (estamos em 1969) ao fundo bem como o Cristo Rei.


Também curioso é a passagem do Rali pela noite de Sintra, na qual o autor brinda-nos com os comentários dos espectadores, em Português, como são exemplo os "é o Jacky Ickx Anda Jacky!", "mais depressa", "vão matar-se!", "estão doidos!" e a melhor "anda os franceses".


 Não faltam as referências a personagens portuguesas como Augusto César Torres, director da prova até à sua morte ou Alfredo Vaz Pinto, vice primeiro-ministro de Marcello Caetano.


Michel, Françoise, César Torres, Cândida, Brigitte e Jacky Ickx.
Uma nota também para a mistura da ficção com a realidade, é que a dupla Gilbert Staepelaere/Nicole Sol, caracterizada neste álbum, participou mesmo no Rali TAP de 1969 ao volante de um Ford 20M, tendo obtido o mesmo resultado que obtiveram no livro.

Mais do que um livro de banda desenhada, “Rali em Portugal” é uma homenagem ao nosso País, pela descrição afectiva que faz dos lugares. Aliás, o trabalho de investigação observa-se extremamente bem conseguido.
Serra de Montejunto
Cândida mostra a Universidade de Coimbra

Abundam as descrições minuciosas dos troços onde se desenrolam as corridas. Lisboa, Sintra, Arganil, Buçaco, Montejunto, Coimbra e a sua Universidade, Estoril e os jardins do Casino… é um autêntico roteiro turístico em forma de desenhos em quadradinhos. Aliás, a primeira vinheta trata logo de descrever a imagem única que é o avião a fazer um círculo sobre o Tejo para se enquadrar com a pista da Portela.


"O homem de Lisboa" (1984) 

Michel Vaillant volta a Portugal e ao Rali de Portugal, mas desta vez quem corre pela Vaillante é Steve Warson acompanhado pela sua nova namorada Julie Wood, que aproveitam para passear por Lisboa, passando pelo elevador da Glória e pela Torre de Belém.



Michel faz uma viagem de urgência a Lisboa para "brincar" aos espiões. Documentos secretos, da futura viatura revolucionária de turismo, são roubados da fábrica Vaillante. Michel tem de apanhar o traficante americano Tony Cardoza e recuperar os documentos.


Paralelamente à espionagem industrial, temos oportunidade de acompanhar a prestação de Steve e Julie no rali. As primeiras 4 páginas são dedicadas à loucura dos espectadores Portugueses.

Aos mares de gente que acorriam às classificativas, especialmente as de Sintra, e que rodeavam a estrada completamente, só se afastando dos carros no último momento.


Quanto a Portugueses temos novamente a presença de César Torres o organizador da prova, bem como a dupla Jorge Ortigão/João Baptista que correm ao volante de um dos Vaillante Comando e também o maior dos bedéfilos que é retratado algures na página 33.

Buçaco

Uma das imagens mais interessantes de "Rali em Portugal" é o Hotel Palácio do Buçaco onde Steve e Betty têm o seu primeiro "desencontro".


Estoril

O Hotel Estoril Sol, o Clube de Ténis do Estoril e o Casino Estoril são alguns dos cenários de "Rali em Portugal".


Setúbal

No livro “Rali em Portugal” há o registo de um pequena passagem por Setúbal a caminho da capital, o piloto passa por uma das artérias mais movimentadas da cidade junto a um dos mais antigos e conhecidos stands de automóveis da cidade.


Sintra

A Sintra o autor dedica cinco pranchas do álbum. De início os pilotos queixam-se do musgo que cobre os paralelos do piso, tornando-o numa pista de patinagem, das ruas estreitas e das curvas apertadas.

É o Assalto a Sintra “porque se trata de um verdadeiro assalto: a escalada de um ninho de águias por ruelas estreitas e uma sucessão de curvas apertadas!”

E vemos a Quinta Mazziotti, o arco da Penha Verde e o Largo do Vítor na confluência com o início da Estrada da Pena!!!


Montagem de Pedro Macieira

E em "O homem de Lisboa" é utilizado o cenário da Lagoa Azul para a passagem dos bólides, em que os desenhos demonstram fielmente as loucura que os espectadores praticavam para verem quase em cima dos carros os seus pilotos favoritos, criando situações de grande perigo.


"Febre de Bercy" (1988)

Em 1998 foi lançado “A Febre de Bercy” (“La Fièvre de Bercy”), primeira parte de uma aventura em dois volumes centrada no Elf Masters de Bercy, a prova de karts que fecha a temporada da Fórmula 1 e que, desta vez, conta com a participação de Michel Vaillant e de Steve Warson.


Para os leitores portugueses, a história tem o aliciante de contar com o português Pedro Lamy como um dos concorrentes, para além da intriga (vagamente) policial girar em torno de um CD contendo um programa de cronometragem criado pela Fastnet, uma empresa dirigida por um português, John Cabral que, ao que tudo indica, não é tão inocente como parece...

Fontes/Mais informações: Livros a Doi2 (1)(2) /  João Miguel Lameiras (Diário das Beiras), Pedro Macieira (em blog Rio das Maças) / Memória recente e antiga / AlagamaresPaulo Almeida / Geocaching / As leituras do Pedro (1) / Por um punhado de imagens / Sobre Pedro Lamy