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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Os luso-americanos no cinema de Hollywood (II) - cinema mudo


A época do cinema mudo foi a que apresentou uma maior presença de luso-americanos, no entanto nos filmes “Martin Eden” (1914) e “Footfalls” (1921) os personagens de origem luso-americana na literatura passaram a não ter qualquer ligação a Portugal nas adaptações cinematográficas.

“Martin Eden” (1914)

Em “Martin Eden”, com base num dos romances mais autobiográficos de Jack London (publicado em 1909), a senhoria de Martin, enquanto este era um aspirante a escritor na zona de San Francisco, chamava-se Maria Silva, uma viúva trabalhadora com muitos filhos (entre as quais Mary, de 8 anos, e Teresa de 9) a quem Martin oferece uma quinta quando se torna rico.

No livro de Jack London a personagem tinha raízes portuguesas (1), mas passou a ser italiana no filme produzido pela Bosworth Film co. em 1914.

(1) "Ele pagava 2 dólares e meio por semana de renda por um pequeno quarto que pertencia a uma senhoria portuguesa, uma viúva trabalhadora e algo agreste, que ia aumentando a sua ninhada de alguma forma, e afogando a tristeza e fadiga num galão de vinho que adquiria na loja da esquina"


“The Paliser Case” ("Caso Paliser") de 1920

Um dos primeiros filmes mudos, a abordar a comunidade lusa (neste caso de Nova Iorque), foi “The Paliser Case” de 1920, dirigido por William Parke, adaptado do livro policial de Edgar Saltus (publicado em 1919).

O filme conta a história de Cassy Cara (interpretada por Pauline Frederick), que é uma jovem aspirante a cantora de ópera,  filha de Angelo Cara, um violinista de origem portuguesa (2), com uma deficiência física (3), que é acusada de matar o homem por quem se apaixonara, que está noivo de uma jovem da alta sociedade.


(2) No romance de Edgar Saltus, Angelo é descrito como sendo natural de Lisboa, tendo emigrado ainda jovem para a América.

(3) "Nós somos portugueses" diz Cassy, "ou pelo menos o meu pai é. Ele tocava no Metropolitan. Mas pôs-se a 'jeito' e numa noite em que regressava de uma casa privada, onde actuara, foi atacado por duas pessoas que o empurraram.

Cassy e Angelo Cara
Cassy está apaixonada por Keith Lennox, que está noivo de Margaret Austen, uma jovem da alta-sociedade. Margaret rompe com o noivado por julgar, erradamente, que Keith teria uma relação com Cassy. Mas, entretanto, Cassy fica noiva de Monty Paliser, sacrificando a sua felicidade pessoal por causa do seu mesquinho pai.

Cassy descobre que as intenções de Paliser não eram as melhores e que a cerimónia do seu casamento foi falsa, pois o padre era o jardineiro de Paliser disfarçado. Cassy abandona Paliser e relata a sua humilhação a Lennox.


Paliser acaba por ser assassinado à facada e as suspeitas recaem sobre Lennox. Para protege-lo, Cassy confessa que é autora do crime.

No fim descobre-se que o autor do crime foi o pai de Cassy, o violinista português, que acaba por morrer de ataque de coração.



“The Forbidden thing” de 1920

O primeiro filme realizado por Alain Dway para a Associated Productions foi adaptado de um conto de Mary Mears, publicado na revista Metropolitan Magazine em Abril de 1920.

“The Forbidden thing” conta a história de Abel Blake, um puritano da Nova Inglaterra (New England), que está apaixonado por Joan, mas que se deixa seduzir por Glory Prada, uma jovem portuguesa interpretada por Marcia Manon, descobrindo mais tarde que esta lhe era infiel.

Outros personagens de origem portuguesa são José Silva (proprietário de um circo ambulante que se envolve com Glory e que acaba por a matar) e Joe Portega, interpretados pelos actores Jack Roseleigh e Arthur Thalasso.



“Outside the Law” (1921)

“Outside the Law”, filme mudo de 1921, realizado por Tod Browning para a Universal Pictures, com argumento de Lucien Hubbard e Tod Browning.

Relata a história de um crime que decorre em San Francisco, sendo o filme protagonizado por Lon Chaney (o homem das mil caras) que interpreta dois papeis, um criminoso de origem portuguesa, “Black Mike” Sylva, e Ah Wing, de etnia chinesa.


"Footfalls" (1921)

Em “Footfalls” (William Fox Studios, filme mudo de 1921), tendo por base uma história de Wilbur Daniel Steele (que ganhou o prémio O. Henry Memorial Award em 1920), o protagonista era natural de São Miguel, Açores, na obra literária, com o improvável nome de Boaz Negro.

Boaz é um sapateiro cego da Nova Inglaterra que tem a capacidade de identificar as pessoas pelos seus passos. O seu filho chamava-se Manuel. Mas na adaptação cinematográfica passam a se chamar Hiram Scudder, o pai, e Tommy, o filho.

Tommy é suspeito de matar um empregado bancário, que era hóspede do seu pai, mas é o empregado bancário que acaba por ser identificado pelo protagonista como sendo o autor do crime (pois afinal o morto não era o empregado bancário).


“My son” (1925)

“My son” (First Nacional, filme mudo de 1925), com Alla Nazimova no papel de Ana Silva. Com base numa peça de Martha M. Stanley.

(Mais informações)


“The Yankee Clipper” (1927)

"The Yankee Clipper” (DeMille Pictures, filme mudo de 1927), realizado por Rupert Julian, adaptado de uma história de Denison Clift, relata uma corrida de barco desde a China até Boston, entre um norte-americano, Hal Winslow, e um inglês, Richard, que é o principal vilão da história.


Outro dos vilões é um dos homens da tripulação, conhecido como Portuguese Joe (interpretado por Walter Long), que além de ser um dos responsáveis por um motim, também tem interesse romântico por Jocelyn, que era noiva de Richard, mas que acaba por se enamorar por Winslow.


“Beware of Blondes” (1928)

Em “Beware of Blondes” (Columbia Pictures, filme mudo de 1928), realizado por George B. Seitz, que decorre num barco a vapor que transporta uma esmeralda preciosa para o Hawaii, que vai ser alvo de tentativa de roubo. O actor Harry Semels interpreta o papel de Portugee Joe, um dos personagens suspeitos que vão a bordo.

Fontes/Mais informações: Geoffrey L. Gomes "Cinematic portayals of Portuguese-Americans" / Mamie Caro / The moving Picture world

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Os luso-americanos no cinema de Hollywood (I)


Os luso americanos estiveram frequentemente ausentes do cinema norte-americano. Contudo os raros filmes que falaram dos luso-americanos apresentaram-nos em papeis de protagonista ou em papeis de suporte com alguma relevância e foram interpretados por algumas das grandes estrelas de Hollywood, como Spencer Tracy (em "Captain Courageous" de 1937), Edward G. Robinson (em "Tiger Shark" de 1932), Anthony Quinn (em "The World in his arms" de 1952) e Julia Roberts (em "Mystic Pizza" de 1988).


Uma das razões dessa escassez de papeis resulta da relativamente reduzida presença da comunidade lusa na literatura internacional, havendo de realçar clássicos como “Lobos do Mar” ou “Tortilla Flat”, adaptados de famosos escritores como Rudyard Kypling e John Steinbeck, contudo muitas das obras eram mais obscuras e menos eternas.

Curiosamente, a época do cinema mudo foi a que apresentou uma maior presença de luso-americanos, no entanto nos filmes “Martin Eden” (1914) e “Footfalls” (1921) os personagens de origem luso-americana (nas obras literárias) passaram a não ter qualquer ligação a Portugal.



A caracterização dos grupos étnicos, de uma forma negativa ou estereotipada, sempre fez parte da cultura popular, pelo que, sem surpresa, acabou por ser transposta para o entretimento, incluído o cinema.

A caracterização dos luso-americanos é, assim, também, muito diversificada, alternando aspectos positivos com negativos, como é o caso de Manuel, que se torna um exemplo de vida positivo para um menino mimado em “Lobos do Mar” (1937), ou Big Joe Portagee que passa os dias a mendigar por vinho de má qualidade em “Tortilla Flat” (1942), ambos os filmes sob direcção de Victor Fleming.

Fontes/Mais informações: Geoffrey L. Gomes "Cinematic portayals of Portuguese-Americans" / Mamie Caro / Portugees

Além dos filmes já referenciados, podemos igualmente destacar:


"I Cover the Waterfront" ("Ao longo do cais") (1933)
 
Filme realizado por James Cruze, com Ben Lyon no papel do jovem jornalista Joe Miller e Claudette Colbert como filha de um pescador pouco escruploso (Eli Kirk interpretado por Ernest Torrence).

A acção decorre em San Diego e envolve a entrada ilegal de imigrantes chineses. Eli Kirk é o responsável por este negócio, que é apoiado - ainda que de forma reluctante - por Tony Silva, um pescador de origem portuguesa, que é interpretado pelo actor George Humbert, que também desempenhou o papel de Manuel Lopez no filme "Daughters Courageous" (de 1939).

Mrs. Silva é interpretada pela actriz francesa Rosita Marstini.


O filme é baseado no livro de Max Miller que relata diversas histórias reais que lhe aconteceram enquanto era repórter que cobria os embarques e desembarques num porto californiano.

(Fonte/Mais informações: Pop corn time movies  / Movie classics / Youtube  )


"He Was Her Man" ("O Homem que eu perdi") (1934)

Filme realizado por Lloyd Bacon, com James Cagney no principal papel, Flicker Hayes, um arrombador de cofres recém-saído da prisão, que se quer vingar dos homens que o incriminaram. Quando se esconde em San Francisco, conhece Rose Lawrence, uma antiga prostituta, que está prestes a casar com Nick Gardella (interpretado por Victor Jory), um pescador português que vive numa pequena cidade mais a sul, onde Flicker, que adopta o nome de Jerry Allen, acaba por se esconder.  

Flicker é reconhecido por Pop Sims, mas não se apercebe dessa situação, sendo seguido até a essa pequena cidade, onde Pop arrenda um quarto na casa dos Gardella.


Rose pretende que Flicker/Jerry se vá embora, mas os Gardella convidam-no para o casamento. Rose pretende desistir do casamento, por se ter apaixonado por Flicker/Jerry, mas Nick acredita que podem passar um pano sobre tudo o que aconteceu e que poderão ser felizes (pois Flicker entrega-se às autoridades para salvar Rose). 

A mãe de Nick, creditada como Mrs. Gardella, é interpretada por Sarah Padden.


(Fonte/Mais informações: Histórias de CinemaTCM  / Mupi )


"Prison break" ("Feras humanas") (1938)

Filme de série B realizado por Arthur Lubin para a Universal Pictures, com argumento de Norton S. Parker e Dorothy Reid, adaptado do conto "The Walls of San Quentin" de Norton S. Parker.

A acção decorre na Califórnia, sendo o filme protagonizado pelo actor Barton MacLane, que desempenha o papel de Joaquin Shannon, um pescador de atum, de origem portuguesa e islandesa, que é injustamente acusado de matar o irmão da sua namorada (a família da namorada não aprovava o seu relacionamento com um "Portuga").

Maria, a irmã de Joaquin, era interpretada pela actriz Constance Moore.

 
(Fontes/Mais informações: WikipediaImdb / Geoffrey L. Gomes "Cinematic portayals of Portuguese-Americans" / Youtube )

"Daughters Courageous" ("Filhas corajosas") (1939)


Segundo dos quatro filmes protagonizados pelas três irmâs Lane (Lola, Rosemary e Priscilla), sendo a quarta irmã interpretada por Gale Page. Os principais actores masculinos são John Garfield, no papel de Gabriel Lopez, o filho de um pescador português, e Claude Rains.

Realizado por Michael Curtiz, com argumento dos gémeos Julius J. Epstein e Philip G. Epstein (que viriam a colaborar em "Casablanca"),  adaptado da peça "Fly Away Home" de Dorothy Bennett e Irving White, "Daughters courageous" não é uma sequela, pois trata-se de uma família distinta dos outros filmes ("Quatro irmãs", "Quatro noivas" e "Quatro mães").


Nan Masters, uma mãe "solteira", vive com as suas quatro filhas casadoiras e planeia casar-se com Sam, um empresário. Mas é surpreendida pelo regresso de Jim, o seu primeiro marido, que abandonara a sua família durante vinte anos. O errante e irresponsável Jim é recebido friamente pela sua família, mas a sua personalidade cativa as quatro filhas.

Uma das irmãs, Buff, está enamorada por Gabriel, um pescador de origem portuguesa algo cínico e irresponsável (como o pai das jovens), mas tem a oposição da sua mãe, Nan, que sabe da conturbada história do jovem e teme que a filha sofra o mesmo que ela. Gabriel acaba por perceber que o seu feitio não se ajustará a uma vida familiar convencional, pois tem o mesmo espírito errante de Jim, pelo que decidem viajar juntos pelo mundo, deixando assim o caminho livre para Nan se casar com Sam e impedindo Buff de repetir o erro de sua mãe.

Gabriel é admoestado pelo pai
Manuel Lopez, pai de Gabriel, é interpretado por George Humbert (que interpretou outro pescador português em "I cover the waterfront" de 1933).

Fontes/Mais informações: Wikipedia / Memorial da Fama / American Film Institut  / Excerto / Trailer

domingo, 15 de junho de 2014

Sucesso de "A Gaiola Dourada" de Ruben Alves (2013)

 
"A Gaiola Dourada” (título original em francês: “La cage dorée”) é um filme francês de comédia, escrito e realizado pelo luso-francês Ruben Alves, que retrata a comunidade de emigrantes portugueses radicados em França.

O filme estreou em França a 24 de abril de 2013, tendo estado 22 semanas em exibição e alcançado mais de um milhão e duzentos mil espectadores.


Acompanhamos Maria (Rita Blanco) e José Ribeiro (Joaquim de Almeida), um casal luso a viver há 30 anos num dos melhores bairros de Paris. Ela é porteira do prédio (a ‘gaiola dourada’), ele trabalha nas obras.

Ambos são fulcrais para os patrões, embora esse reconhecimento só surja quando o casal recebe uma avultada herança com a condição de se mudarem para Portugal e fica num dilema, entre cumprir o sonho ou manter a rotina. A coscuvilhice lusa leva a que todos saibam da herança secreta e, às escondidas, os patrões franceses vão tentar convencer o casal a ficar.


As características mais portuguesas são o âmago do filme tanto no lado mais cómico, como no lado mais sério. Destaque ainda para a estridente e divertida Maria Vieira e a surpreendente actriz luso-francesa Bárbara Cabrita, que faz de filha de Maria e José, num papel intenso.

O filme tem uma pequena participação do futebolista Pauleta (que representou o Paris Saint German), que aparece subitamente para a festa final. 


Porquê o título - a "Gaiola Dourada" ?

Um dia, Ruben Alves viu uma reportagem sobre uma porteira portuguesa que trabalhava em Paris. A câmara seguia a senhora durante todo o dia de forma a documentar o seu quotidiano.

A última pergunta da reportagem foi: “A senhora está aqui há 40 anos e a reforma está quase a chegar... vai voltar para Portugal?”. A senhora olha para a câmera e diz: “Claro que quero voltar para o meu país.” Depois pensa em silêncio e acrescenta: “Mas ao mesmo tempo, sinto-me tão bem na minha ‘Gaiola Dourada'".


Um produto de amor

A "Gaiola Dourada" é um produto de amor (aliás o título na Alemanha foi "Portugal mon amour"). O filme de Ruben Alves foi feito em França, com financiamento francês mas conta uma história profundamente portuguesa. Uma homenagem sentida em cada cena filmada pelo actor/realizador/guionista luso-francês.

E se o filme faz-nos rir também nos comove quando chegamos à consumação do sonho, no nosso Douro, tão bonito como só ele sabe ser. As filmagens tiveram como cenário a Quinta dos Malvedos da Família Symington, em Alijó, nas encostas do Douro.



Julga-se que há mais de 800 mil portugueses em França. A maior parte partiu nos anos 60, 70 e 80 e ocupou cargos pouco qualificados. O filme pega no estereótipo do casal português em que ela é porteira e ele trabalha na construção civil para mostrar de uma forma muito divertida mas com dilemas e traumas reais quem são estes portugueses em França.

Os temas que o filme aborda são profundos: quem são e o que sentem estes portugueses, a forma como são tratados pelos franceses, o amor incondicional por Portugal, o peso de 30 anos a viver em França entre os estereótipos, o dilema entre voltar à pátria e continuar a viver na rotina francesa, a relação difícil dos filhos com a sua ‘Portugalidade’


Fado

Um dos momentos mais emocionantes do filme é, sem dúvida, a interpretação do fado "Prece" de Amália por Catarina Wallenstein, que inclui o verso:"Das mãos de Deus tudo aceito, mas que morra em Portugal".

Era importante para Ruben Alves ter fado no filme, pois, além ser fã da música, o filme era sobre Portugal: "O que eu gosto nela é que ela não é cantora de fado, mas tem um lirismo na voz que eu acho interessante para o meio cinematográfico. E ela é actriz, era importante ter alguém que cantasse e interpretasse.

Gravámos mesmo com guitarristas e numa casa de fado, não como num estúdio. Cada minuto foi em directo, como numa casa de fado, tudo fechado, um calor horrível. Depois de quatro minutos eu disse 'corta', virei-me e estava a minha equipa toda a chorar. E eram franceses! Pensei que era bom sinal, se aqui estão a chorar, imagina os imigrantes, que vão perceber melhor."


O português em França

O português de França é bem visto a nível profissional, integrado, conhecido por ser corajoso e disponível, mas não há representação forte nos media ou no audiovisual. Quem são? Como vivem a emigração?

O realizador Ruben Alves quis pôr a nu estas questões e humanizar os portugueses, para mostrar que há mais nas pessoas para além da porteira e do homem das obras.

O filme não é autobiográfico mas é inspirado nos pais do realizador, que têm o mesmo perfil dos protagonistas. Nas sensações, na maneira de pensar e ver a vida.

Ruben Alves tentou dar uma alma portuguesa a este filme francês. Talvez seja o filme francês mais português de sempre.


Sucesso de crítica e bilheteira

O filme "A Gaiola Dourada" foi o 14º título de produção europeia com mais espectadores em 2013 no conjunto das salas de cinema dos países da União Europeia. Em França, o filme foi exibido ao público pela primeira vez, a 24 de abril de 2013, tendo tido uma grande afluência logo na primeira semana, com perto de mil espectadores por sala, o que representaria em média, 40 mil espectadores por dia.

Foi elogiado pela crítica francesa que considerou como "humano, sensível, irónico e sem pretensão" e um crítico francês considerou que poderia transformar-se "na comédia do ano".

Na antestreia, no Gaumont Marignan, em Paris, surgiram várias porteiras portuguesa, emigrantes em França, para ver o filme tendo uma delas sido entrevistada pelo jornal francês Le Figaro, expressando a sua felicidade pois era a primeira vez que alguém as retratava.


Apesar de ser sobre uma família portuguesa tem uma parte muito universal com que todos se podem identificar. Foi por isso que o filme foi tão bem recebido não só pela comunidade portuguesa, mas pela francesa e até árabe.

O filme teve críticas muito boas mesmo de jornais intelectuais como o Le Monde ou o Telegrama. Tocou ao grande público, dos trabalhadores à classe mais alta. Mas o sucesso veio muito do boca a boca. É um filme pequeno, com um elenco de gente pouco conhecida em França. Tornou-se num fenómeno através da comunidade portuguesa. Houve reportagens sobre as idas de família inteiras às salas, algo que não se via em França à muito tempo. E no final batiam palmas, cantavam e até dançavam!

O sucesso de bilheteira em França motivou igualmente o cartunista KK a fazer um cartoon com a comparação entre o Iron Man e Iron Woman (que era a Maria) ilustrando com o título "Box-office: "La Cage Dorée" tient tête à "Iron Man 3".


Prémios e nomeações


Séléction Officielle Compétition Festival de l'Alpe d'Huez de 2013 (Prémio do Público, Prémio de Interpretação Feminina)

Prémios do Cinema Europeu - nomeado na categoria Prémio do Público

Nomeado para os César na categoria de melhor primeira obra

Fontes/Mais informações:wikipedia / destak / facebook / diário digital / cinemaschallenge / Lauro António apresenta / Próximo nível / C7nema.netImdb / TSF

  


sábado, 20 de julho de 2013

Sucesso mundial de Lucenzo com "Vem Dançar Kuduro" (2010-2012)


Lucenzo, de seu nome Luís Filipe Oliveira, nasceu em Bordéus, no seio de uma família de emigrantes portugueses com origens na aldeia de Vilas Boas (distrito de Bragança).

Começou sua carreira em bandas de hip-hop como Sol da Noite e Les Portugais de Bordeaux (Os Portugueses de Bordéus), tendo lançado em 2006 “Portugal é Nossa Terra“ com DJ Lusitano, o que o tornou relativamente popular junto da comunidade portuguesa em França, a que se seguiram os temas “Emigrante del Mundo” e “Dame Reggaeton”.


Após descobrir o estilo Kuduro, proveniente de Angola, decide apostar nesse "novo" estilo, assinando contrato com a Universal francesa, que publicaria em Janeiro de 2010 o tema "Vem Dançar Kuduro", uma canção bilíngue em português e inglês, com a participação do rapper norte-americano Big Ali radicado em França, que se tornou um enorme sucesso quer em França quer noutros países europeus.

O canal de televisão MTV Idol torna o tema um dos maiores sucessos do verão de 2010, o que lhe permite alcançar o European Top 10 e o segundo lugar das estações de rádio do Canadá.


O sucesso de "Vem danzar Kuduro" (2º lugar no top francês) origina igualmente encenações flash-mobs um pouco por toda a França com coreografias de Kuduro (na Torre Eiffel, Centros Comerciais, Malls, etc.).

O álbum "Emigrante Del Mundo" é igualmente um sucesso em França (8º lugar no top francês), sendo lançado como segundo single "Baila Morena", que atinge o 9º lugar em França.

 

“Danza Kuduro" de Don Omar feat. Lucenzo

“Vem Dançar Kuduro” foi regravado em Maio de 2011 pelo porto-riquenho Don Omar, com a participação de Lucenzo. “Danza Kuduro” foi incluído na banda sonora do filme “Fast Five” ("Velocidade Furiosa 5: Assalto no Rio"), tendo sido um dos vídeos mais vistos no YouTube.

O tema garantiu a Lucenzo e Don Omar cinco prémios Latin Billboard, incluindo Canção do ano, Vocal event e Canção de ritmo latino.

Foi igualmente gravada uma nova versão para o álbum "Emigrante Del Mundo" de Lucenzo.


Diferenças e semelhanças entre "Vem Dançar Kuduro" e "Danza Kuduro"

A base da música é a mesma de "Vem Dançar Kuduro", com algumas modificações. Em ambas as canções Lucenzo canta em português, mas em "Vem Dançar Kuduro" é o vocalista principal, tendo a participação de Big Ali, enquanto que em "Danza Kuduro" o vocalista é Don Omar, e Lucenzo faz uma participação especial.


Sobre a alteração de "Danza Kuduro" para "Dança com tudo" na versão da música para a novela “Avenida Brasil"

Após o sucesso no Carnaval do Brasil, o tema de Lucenzo foi regravado por Robson Moura e Lino Kriss, sendo escolhido como tema de abertura de "Avenida Brasil", novela das 21h da TV Globo, que estreou no dia 26 de abril de 2012.

"Claro que aceitei. Quem não aceitaria no meu lugar? Para mim, ter uma música em uma novela brasileira é uma grande conquista. Em Portugal, o termo "Danza Kuduro" não tem o significo maldoso que pode ter aqui no Brasil, não tem esse duplo-sentido. Achei que a mudança ficou boa. É adequado, ainda mais porque uma novela é assistida por gente muito jovem, por pessoas mais velhas. É melhor evitar a polémica.”

Fontes: wikipedia / Página oficialRevista Quem / Brazilian Press 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Wendy Nazaré canta "Lisboa" em novo video-clip (2012)


Descendente de ingleses, mas também de argelinos, belgas e portugueses, Wendy Nazaré homenageou as raízes lusitanas no segundo álbum, "A tire d'ailes", interpretando, em dueto com o cantor francês Pep's, o tema "Lisboa" cujo video clip foi gravado na capital portuguesa.

Artista desde os 11 anos, idade que tinha quando escreveu a primeira canção em inglês, Wendy Nazaré não conseguiu ainda se tornar uma estrela na Bélgica, onde mora actualmente, mas parece ser uma daquelas cantoras para quem a música, mais do que um negócio, é uma paixão.

Desde pequena passou férias em Portugal, junto de um senhor de quem gostava muito, mas que na altura não imaginava que era seu avô (pois o seu avô, português, tinha tido uma relação amorosa com a sua avô, belga. no Congo). Nasceu assim uma forte ligação a esse seu avô e a Portugal, que esteve na origem da canção "Lisboa", pois a cantora afirma que era capaz de escrever toneladas de canções sobre Portugal e sobre o seu avô.

Fontes: Blog "A música francófona" (adaptado) / Lusojornal











Video: Youtube

Letra

Ça n'fait même pas 20 ans que j'te connais et toi tu vois déjà dans mes veines
Le creux qu'à laissé les larmes et la distance de 2000km
C'est parce que t'as la même gorgé de soleil et de souvenirs qui dansent
Au rythme des fados, de leur robe noir et des cris immenses
Y'a comme un goût de par coeur que je parcours dans tes soirs, tes matins
Pourtant on n'est ni soeur ni amant d'avec ou sans lendemain
On a ces mêmes grands places, ces grands hommes qui nous ont marqués au fer
Depuis Salazar le marquis de Pombal jusqu'à nos terribles grand-pères

Cheira bem, já tem sol, Cheira a lua, cheira a Lisboa Cheira bem, já tem sol, Cheira a lua, cheira a Lisboa

Perdue entre la mer et les montagnes mentholées de Sintra
Toi tu te repères avec un nuage d'alegria
Ta seule ligne de conduite est de suivre le vent et peu importe
Des marées où tout passe, orage, tourment, pourvu qu'il t'emporte padapadapada
Tu t'es rebâties après un séisme pire que l'enfer
Plus belle, plus rayonnante
Tu nous éclabousses de lumière
Et ça me rassure de savoir que même quand nous ne serons plus là
Même juste dans l'air encore, on te sentira padapadapada