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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

53 anos de Portugal no Festival da Eurovisão (1964-2016)


Antes de vencermos o Eurovision Song Contest de 2017 em Kiev, Ucrânia, com "Amar pelos Dois" interpretado por Salvador Sobral, Portugal já tinha uma longa história no Festival Eurovisão da Canção, mas nunca tinha sido particularmente bem sucedido com as 45 músicas que foram apresentadas ao longo de todos estes anos, tendo até então apenas 9 das canções ficado no top 10, enquanto que as outras 36 canções ficaram quase sempre muito mal representadas, por vezes, até em último lugar. Além disso, Portugal nunca havia conseguido superar o 6.º lugar de 1996, com a música "O meu coração não tem cor", de Lúcia Moniz.

A saga principiou em 1964 e contou com uma quantidade generosa de embaraços (zero pontos por duas vezes, último lugar em três ocasiões, oito anos sem passar das meias-finais), algumas flagrantes injustiças (como é que "E Depois do Adeus", de Paulo de Carvalho, ficou em último lugar na edição de 1974?), mas também alguns brilharetes.


A Revista Blitz efectuou uma selecção das nossas "melhores" canções eurovisivas (tendo por base a classificação final e o número de participantes):

1. Lúcia Moniz, "O Meu Coração Não Tem Cor" (1996) - 6º lugar /23 participantes
2. Sara Tavares, "Chamar a Música" (1994) - 8º/25
3. Dulce Pontes, "Lusitana Paixão" (1991) - 8º/22
4. José Cid, "Um Grande, Grande Amor" (1980) - 7º/19
5. Carlos Mendes, "A Festa da Vida" (1972) - 7º/18
6. Anabela, "A Cidade (Até Ser Dia)" (1993) - 10º/25
7. Manuela Bravo - Sobe, Sobe, Balão Sobe (1979) - 9º/19
8. Alma Lusa, "Se Eu Te Pudesse Abraçar" (1998) - 12º/25
9. Tonicha, "Menina do Alto da Serra" (1971) - 9º/18
10. Vânia Fernandes, "Senhora do Mar (Negras Águas)" (2008) - 13º/25

As canções portuguesas nunca tinham atingido o top 5, mas algumas delas tinham tido algum destaque a nível internacional, sobretudo porque era habitual nas décadas de 60, 70 e 80 a regravação das canções noutras línguas, quer pelos próprios cantores, quer por outros intérpretes.

"Sol de Inverno" de Simone de Oliveira (1965)


Francisco Petrônio foi o primeiro artista internacional a gravar uma versão de uma canção portuguesa participante no Festival da Eurovisão quando em 1965, ano em que actua no Casino Estoril, gravou uma versão de “Sol de Inverno”, com letra de Jerónimo de Sousa e música de Nóbrega e Sousa, que fora o tema vencedor do Grande Prémio TV da Canção Portuguesa na interpretação de Simone de Oliveira.

Nesse mesmo ano foi igualmente lançada uma versão instrumental por Roger Danneels And His Orchestra .

"Ele e Ela" de Madalena Iglésias  (1966)


A canção "Ele e Ela" interpretada por Madalena Iglésias, com letra e música de Carlos Canelhas, foi regravada em castelhano pela jovem cantora Marichella, com o título de "El y Ella".

Marichella, de seu nome completo María del Carmen Torres Ballester, participou no Festival de Benidorm de 1966 e gravou dois EPs  para a editora Marfer, ambos em 1966.

“El y Ella” foi incluído na colectânea "Marfer Parade nº 4" e no primeiro EP de Marichella, intitulado "Esta Es Marichela" que incluía igualmente versões de três canções italianas, com destaque para "Ninguno Me Puede Juzgar" (versão de "Nessuno Mi Può Giudicare", original da cantora italiana Caterina Caselli).

"Menina do Alto da Serra" de Tonicha (1971)

 



 Com música de Nuno Nazareth Fernandes e letra de Ary dos Santos, ficou em 9.º lugar no Festival da Eurovisão, em Dublin, o melhor resultado obtido até essa altura pelo nosso País.

"Menina" foi gravado em holandês por Thérèse Steinmetz, com o título de "Aan De Hand Van Twee Gelieven" e em finlandês por Mimmi Mustakallio, mantendo o nome de "Menina".

A versão de Mimmi Mustakallio foi gravada em conjunto com a Olli Heikklän Orkesteri, tendo sido lançado como lado b da versão do tema "Borriquito", grande sucesso do cantor espanhol Peret.

"E Depois do Adeus" de Paulo de Carvalho (1974)


A canção, com letra de José Niza e música de José Calvário, ficou injustamente  em último lugar, com apenas 3 pontos, ex aequo com as canções da Alemanha, Suíça e Noruega.

Foi a canção que serviu de primeira senha à revolução de 25 de Abril de 1974, o que contribuiu para que se tornasse uma das canções portuguesas mais icónicas, entre as que participaram no Festival da Eurovisão.

"E Depois do Adeus" foi incluída na banda sonora da novela brasileira "Meu Rico Português" lançada pela editora Continental, em duas versões, uma instrumental que serviu de tema de abertura e interpretada pela Orquestra de Luiz Arruda Paes, e outra cantada pelo português Sebastião Manuel (com o Grupo Verde Vinho).

Ester de Abreu, cantora portuguesa radicada no Brasil, Moacir Franco e Márcio José também regravaram o tema no Brasil

 
 

"Flor de Verde Pinho" de Carlos do Carmo (1976)


A cantora italiana Arianna Masini incluiu no seu álbum "Perche' io non potevo dimenticare le rose" de 2012 uma versão, em português com influência brasileira, da canção "Flor de Verde Pinho", da autoria de Manuel Alegre (letra) e José Niza (música).

"Dai li dou" dos Gemini (1978)



Com a moda das regravações das canções participantes no Festival da Eurovisão, o tema "Dai Li Dou", interpretado pelos Gemini, foi regravado na Suécia por Jojos e na Finlândia por Esa Katajavuori & The SoundTrack Band.

"Um grande, grande amor" de José Cid (1981)


A compilação "Eurovisio Special 80" incluía regravações, por cantores finlandeses, dos temas que participaram no Festival de Eurovisão de 1980, tendo "Grande Grande Amor" sido regravado pelo cantor Markku Aro (que participou no Festival da Eurovisão de 1971 ) com o título de "Suurin Rakkautein.

A canção composta e interpretada por José Cid teve igualmente direito a uma versão em sueco pelo grupo Vikingarna, liderado por Christer Sjögren. Segundo o site "escportugal, o tema "Adios Adjö" esteve no competitivo top dos singles mais vendidos na Suécia durante 10 semanas em 1980.


 
"Bem bom" das Doce (1982)


A canção defendida pelas Doce, com letra e música de Tó-Zé Brito (creditado no disco brasileiro como Zé Brito), António Pinho e Pedro Brito, foi regravada no ano seguinte pela girlsband brasileira Sabor De Mel sob o título "Momentos de Verão (Bem Bom)", com letra de Marisa Baldanza e Pisca (que participou no último disco de Elis Regina conjuntamente com Pedro Baldanza). A canção foi incluída num single editado pela Sugared do Rio de Janeiro.


"Esta balada que te dou" de Armando Gama (1983)
 



A canção composta por Armando Gama foi editada em 17 países da Europa e terá entrado no top da Bélgica.

Foi regravada em sueco pelo cantor sueco Stefan Borsch, com o título "Det Här Är Balladen Till Dej" e em versão instrumental pelo alemão Klaus Wunderlich sob o título "Esta Balada que eu te dou" (ou "When The Love Has Gone").

Foi igualmente gravada pelo cantor Jugoslavo Ivo Pattiera com o título de "Poklanjam ti pjesmu (Esta balada que te dou)", com letra em Croata de Mišo Doležal.

"Silêncio e tanta gente" de Maria Guinot (1984) 



Maria Guinot gravou versões em inglês, francês e alemão.

A cantora finlandesa Anneli Saaristo - que viria a participar no Festival de Eurovisão de 1989, gravou "Jos Joskus", uma versão em finlandês da canção de Maria Guinot, no seu álbum de 1984.

O tema foi igualmente regravado pelos holandeses Eddy Starr Orchestra em 1991.

"Lusitana Paixão" de Dulce Pontes (1992)


O cantor cipriota Alex Panayi em colaboração com o inglês Matheson Bayley incluíram no seu álbum "Native Hue" de 2014 (álbum com canções clássicas do Eurofestival reinterpretadas em diversos géneros e estilos) uma versão de "Lusitânia Paixão", da autoria de Fred Micaelo (letra), José da Ponte (letra e música) e Jorge Quintela (música)).

"Deixa-Me Sonhar (Só Mais Uma Vez)" de Rita Guerra (2003)

 Matheson Bayley, que colaborou na versão de "Lusitânia Paixão" de Alex Panayi, regravou igualmente "Deixa-Me Sonhar", da autoria de Paulo Martins, em versão instrumental piano.

"Dança Comigo (Vem Ser Feliz)" de Sabrina (2007)



A jovem cantora sul-africana Leandie Lombard, publicou em 2008, então com 16 anos,  o seu primeiro álbum "Wees Net…. (Don't be….)" que incluía oito versões de canções participantes na Eurovisão, com destaque para o tema "Mxit", versão em Afrikaans da canção composta por Tó Maria Vinhas e Emanuel.

Fontes/Mais informações:Blitz (adaptado) / Marichella (1)(2)(3)(4) / Escportugal (JC) / Escovers (JC) / (AG) / (Sabrina)

domingo, 20 de outubro de 2013

"Kanimambo": de Moçambique para o Mundo


Uma Casa Portuguesa“ tem pouco de moçambicano. Mas “Kanimambo”, igualmente com música de Artur Fonseca e letra de Reinaldo Ferreira e Matos Sequeira, “já tem qualquer coisa de africano, naquela versão retro-luso-treto-africana, como os 'portugas' que tentam dançar a marrabenta”.

João Maria Tudella alcançou em 1959 o seu primeiro êxito como cançonetista, interpretando, no Rádio Clube de Moçambique, a canção "Kanimambo".

Com “Kanimambo” fará carreira em Portugal continental e algum sucesso nos Estados Unidos e na América do Sul. Defendendo sempre o seu estatuto de amador, é igualmente convidado para uma digressão ao Brasil.
 

 “Kanimambo” (obrigado num dialecto moçambicano) ficou como um símbolo dos últimos e melhores momentos da soberania portuguesa em Moçambique e ainda hoje, à beira Índico, é talvez a mais conhecida canção moçambicana.

Além do original, cantado por João Maria Tudela, existe uma outra versão, mais kitsch, cantada pelos Catita Brothers.

“Kanimambo” foi igualmente gravado pelo alemão  Horst Wende e a sua orquestra (versão instrumental), no seu álbum "Africana", que incluía versões de diversas canções de sabor africano, e pelo grupo galego “Los Españoles” num dos seus E.P. (Extended Play).


Los Españoles

Los Españoles foram um grupo vocal e instrumental formado por cinco jovens provenientes de La Coruña, León e Pontevedra que, sem perder as suas características hispânicas, possuíam um  repertório internacional que lhes permitiu ter algum sucesso, nas décadas de 50 e 60, em diversos países europeus, como França, Holanda, Alemanha e Suécia.

Além de "Kanimambo", gravaram "Moçambique", um outro sucesso de João Maria Tudella, com letra de Matos Sequeira e música de Artur da Fonseca, bem como versões do "Fado das Queixas", da autoria de Frederico de Brito e José Carlos Rocha, e "De degrau em degrau" de Jerónimo Bragança e Nóbrega e Sousa.



Fontes: Estado sentido / Ratosreturn / wikipedia

Agradecimento: João Carlos Callixto

Video: Horst Wende / Los Españoles ("Moçambique")

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

"Uma Casa Portuguesa" de cariz internacional


“Uma Casa Portuguesa” é uma das canções mais conhecidas da música portuguesa. A música é do maestro Artur Fonseca, que dirigia a orquestra de salão do Rádio Clube de Moçambique, com letra de dois jovens poetas de Lourenço Marques, Reinaldo Ferreira e Vasco Matos Sequeira.

Cantado pela primeira vez pela angolana Sara Chaves, que estava de passagem em Moçambique, no Teatro Manuel Rodrigues em Lourenço Marques numa quase certamente quente noite de uma 4ª feira, 30 de Janeiro de 1952, num sarau em honra de uma delegação do Colégio Militar de Lisboa, que então visitava Moçambique. Mais tarde, João Maria Tudela mostrou a canção a Amália Rodrigues que a cantou e a celebrizou mundialmente, tendo sido incluída no álbum “Amália no Olympia”.

A canção tinha originalmente um ritmo lento, suave, expressivo, bem diferente do que todo o Portugal conhece na interpretação de Amália Rodrigues.



Percurso internacional de uma "Casa Portuguesa"

A cantora espanhola Gloria Lasso gravou, em 1955, versões de “Uma Casa Portuguesa”, em espanhol e francês, respectivamente com o título de “Una Casa Portuguesa”, com letra de G. Dasca, e “Quand Je Danse Dans Tes Bras “, com letra em francês de Max François.

Amália Rodrigues e Gloria Lasso receberam o troféu “Caravela de prata” em 1955. O tema foi gravado sob direcção de orquestra de Franck Pourcel, que igualmente lançou uma versão instrumental.


A canção foi gravada em Espanha, ainda na década de 50, por cantores como o espanhol Jorge Sepulveda e a argentina Lydia Scott. E, mais tarde, nos anos 60, por Marisol.

E, em Itália, "Una Casa Portuguesa" foi gravada por Wilma de Angelis, pelo quarteto vocal Poker di voci ou por Gerardo e il suo complesso.


O maior número de versões registou-se, no entanto, em França, com cantoras como Frederica ou Lynda Gloria (do Casino de Paris) a interpretarem "Quand Je Danse Dans Tes Bras ...", e inúmeras versões instrumentais por orquestras como as de Jacques Hélian, Hubert Rostaing, Henri Rossotti , Eddie Barclay e Noel Chiboust Pourcel, ou músicos como o acordeonista  Marcel Azzola e o pianista Charlie Oleg.


"Uma Casa Portuguesa" tornou-se igualmente uma das canções portuguesas mais populares no Brasil, sendo gravadas, ainda na década de 50,  versões por artistas luso-brasileiros como Gilda Valença e Manoel Monteiro.  E foi cantada em 1984 por João Gilberto num concerto em Portugal.

E também foi recuperada por Caetano Veloso que incluiu "Uma Casa Portuguesa"  num pout-pourri conjuntamente com as canções brasileiras "Por causa de você" e "Felicidade".


Caetano Veloso afirmou ao jornal italiano "La Repubblica" que temas como "Lisboa Antiga" e "Uma Casa Portuguesa" são um presente para a história da música. E que temas como "Coimbra" não estão assim tão afastados da música do compositor italiano Nino Rota.

Nelson Riddle gravou igualmente "Uma Casa Portuguesa", também conhecido como "House in Portugal", em 1958, na sequência do sucesso de "Lisbon Antigua", que foi nº1 nos Estados Unidos em 1955.


O tema também foi gravado pela orquestra de Reginald Conway, em ritmo samba“, sob o título "Uma Casa Portuguesa (A Portuguese home)”.

E foi gravado, nos anos 70, pelo cabo-verdiano Johnny Rodrigues, que obteve bastante sucesso nos Países Baixos com versões de temas portugueses como "Hey Mal yo".


Videos: Gloria Lasso / Manoel Monteiro / João Gilberto / Caetano Veloso / Jorge SepúlvedaMarisol / Poker di voci / Amália no Olympia

Um fado moçambicano ? 

Este fado é alegre, musicalmente agradável, reprodutor de uma exo-saudade idílica e exageradamente generoso, em parte porque não tropeça nas muitas razões que fizeram com que Portugal, uma miserável pequena ditadura e uma sociedade em quase tudo parada no tempo, fosse um tão apetecível lugar de onde se emigrar.

Naquela altura, Portugal só era lindo para quem estava em Moçambique porque estava tão longe. O poema só pode ser interpretado como um dos mais sublimes exercícios de sarcasmo dos afectos concebidos na língua portuguesa.

João Maria Tudella também gravou "Uma Casa Portuguesa" em 1959

Mas este fado nunca foi visto nem apercebido como tal, em parte por se enquadrar tão precisamente na grelha popularucho-travestipoética prevalecente e imposta nos círculos de então. Nesse aspecto, para mim, será sempre um fado moçambicano, dos tempos em que alguns ali viviam uma forma muito peculiar de se ser português.

Em que a distância, a saudade e o isolamento se prestavam à alegoria. Enfim, este poema de moçambicano tem pouco, mas tem piada saber pois quase qualquer português a sabe cantar.

Fontes/Mais informações: Estado sentidoDelagoabayword / Margarida Navarro  / ratosreturn / Hitparade italiawikipedia 


Capas

sábado, 10 de agosto de 2013

O sucesso internacional do Duo Ouro Negro


Houve um tempo, um tempo breve, em que pareceu que a música popular portuguesa podia ser assim: uma coisa intercontinental, afro-europeia e euro-africana, que pregava um estilo de vida dominado pela elegância e a alegria; atenta às mudanças do mundo e a cada uma das novas tendências internacionais.

Sendo originalmente um trio, foi já como duo que Raul Indipwo e Milo MacMahon - então conhecidos ainda com os seus nomes lusitanos, Raul Aires Peres e Emílio Pereira – se tornaram conhecidos graças às suas espantosas harmonias vocais e a um domínio exímio da guitarra.


Após o êxito conseguido na capital angolana chegam a Lisboa em 1959 pela mão do empresário cinematográfico Ribeiro Belga e, apesar da concorrência em voga no mundo da canção, conquistam em absoluto o público com actuações no Cinema Roma e no Casino Estoril, gravam discos (inicialmente acompanhados pelo conjunto de Sivuca, depois pela orquestra de Joaquim Luís Gomes) e passam pelos écrãs da RTP (onde nessa época se actuava sempre em directo).

Começam a sua internacionalização com a actuação em países como a Suíça, França, Finlândia, Suécia, Dinamarca e Espanha.


Seguindo a “onda” dos ritmos de dança como o twist, o madison, o surf e muitos outros, o Duo Ouro Negro lança o kwela, que rapidamente se transformou numa moda, sendo considerado o ritmo do Verão em 1965.

A nova moda pegou e, para a cena europeia, representava uma novidade encantadora. Paris rendeu-se ao kwela e a Europa também. Na verdade Kwela significa Flauta no dialecto Zulu, e não é mais do que um misto de twist, surf e uma dança de ritual africana.


Em 1966 actuaram nas galas de comemoração do IV Centenário do Principado do Mónaco  e em 1967 actuaram no Olympia, durante 3 semanas em Maio e 3 semanas em Outubro.

Foram convidados a actuar no II Festival de música popular do Rio de Janeiro, onde acabaram em 8º lugar na fase internacional com o tema "Kubatokuê Mulata" (que foi igualmente regravado por Dino Meira, que na altura estava emigrado no Brasil).


E foram uma das atracções internacionais convidadas a participar no "Rendez-vous avec Danny Kaye", um espectáculo de comemoração do XX aniversário da UNICEF, transmitido em directo do Alhambra, em Paris, para 200 milhões de espectadores.

Não haverão muitos grupos hoje em dia que se orgulhem de poder editar os seus discos em tão longínquas paragens como o Raul e o Milo. Começou em 1965 em Paris com o Kwela, e não mais parou: Estados Unidos da América, Brasil, Colômbia, Argentina, Espanha, Alemanha, Israel, Angola, Moçambique, África do Sul, Japão... Tantos, tantos países.


Mas o ano de 1969 marcou particularmente o Duo, gravam em Buenos Aires para a Odeon, acompanhados pela orquestra de Jorge Leone, "Latino",  um LP que marcaria a música de então, que inclui temas como "El Fuego Compartido", "Quando Cheguei ao Brasil" e "Muamba, Banana e Cola".

Fontes/Mais informações: Os Reis do Yé-Yé / Ratosreturn / Guedelhudos (1) (2) / Angola BelaBlog Duo Ouro Negro / Rubellus Petrinus / Enciclopédia da Música Ligeira sob direcção de Luís Pinheiro de Almeida e João Pinheiro de Almeida

Versão de Dino Meira (1968)

sábado, 20 de julho de 2013

Sucesso mundial de Lucenzo com "Vem Dançar Kuduro" (2010-2012)


Lucenzo, de seu nome Luís Filipe Oliveira, nasceu em Bordéus, no seio de uma família de emigrantes portugueses com origens na aldeia de Vilas Boas (distrito de Bragança).

Começou sua carreira em bandas de hip-hop como Sol da Noite e Les Portugais de Bordeaux (Os Portugueses de Bordéus), tendo lançado em 2006 “Portugal é Nossa Terra“ com DJ Lusitano, o que o tornou relativamente popular junto da comunidade portuguesa em França, a que se seguiram os temas “Emigrante del Mundo” e “Dame Reggaeton”.


Após descobrir o estilo Kuduro, proveniente de Angola, decide apostar nesse "novo" estilo, assinando contrato com a Universal francesa, que publicaria em Janeiro de 2010 o tema "Vem Dançar Kuduro", uma canção bilíngue em português e inglês, com a participação do rapper norte-americano Big Ali radicado em França, que se tornou um enorme sucesso quer em França quer noutros países europeus.

O canal de televisão MTV Idol torna o tema um dos maiores sucessos do verão de 2010, o que lhe permite alcançar o European Top 10 e o segundo lugar das estações de rádio do Canadá.


O sucesso de "Vem danzar Kuduro" (2º lugar no top francês) origina igualmente encenações flash-mobs um pouco por toda a França com coreografias de Kuduro (na Torre Eiffel, Centros Comerciais, Malls, etc.).

O álbum "Emigrante Del Mundo" é igualmente um sucesso em França (8º lugar no top francês), sendo lançado como segundo single "Baila Morena", que atinge o 9º lugar em França.

 

“Danza Kuduro" de Don Omar feat. Lucenzo

“Vem Dançar Kuduro” foi regravado em Maio de 2011 pelo porto-riquenho Don Omar, com a participação de Lucenzo. “Danza Kuduro” foi incluído na banda sonora do filme “Fast Five” ("Velocidade Furiosa 5: Assalto no Rio"), tendo sido um dos vídeos mais vistos no YouTube.

O tema garantiu a Lucenzo e Don Omar cinco prémios Latin Billboard, incluindo Canção do ano, Vocal event e Canção de ritmo latino.

Foi igualmente gravada uma nova versão para o álbum "Emigrante Del Mundo" de Lucenzo.


Diferenças e semelhanças entre "Vem Dançar Kuduro" e "Danza Kuduro"

A base da música é a mesma de "Vem Dançar Kuduro", com algumas modificações. Em ambas as canções Lucenzo canta em português, mas em "Vem Dançar Kuduro" é o vocalista principal, tendo a participação de Big Ali, enquanto que em "Danza Kuduro" o vocalista é Don Omar, e Lucenzo faz uma participação especial.


Sobre a alteração de "Danza Kuduro" para "Dança com tudo" na versão da música para a novela “Avenida Brasil"

Após o sucesso no Carnaval do Brasil, o tema de Lucenzo foi regravado por Robson Moura e Lino Kriss, sendo escolhido como tema de abertura de "Avenida Brasil", novela das 21h da TV Globo, que estreou no dia 26 de abril de 2012.

"Claro que aceitei. Quem não aceitaria no meu lugar? Para mim, ter uma música em uma novela brasileira é uma grande conquista. Em Portugal, o termo "Danza Kuduro" não tem o significo maldoso que pode ter aqui no Brasil, não tem esse duplo-sentido. Achei que a mudança ficou boa. É adequado, ainda mais porque uma novela é assistida por gente muito jovem, por pessoas mais velhas. É melhor evitar a polémica.”

Fontes: wikipedia / Página oficialRevista Quem / Brazilian Press