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quinta-feira, 15 de março de 2018

Portugal no Festival da OTI (1972-2000)


No dia 25 de novembro de 1972 realizava-se, em Madrid, a 1.ª edição do Festival OTI, Grande Prémio da Canção Iberoamericana promovido pela "Organização da Televisão Ibero-Americana" (OTI). Um festival inspirado na Eurovisão que reunia países que falam castelhano e português.

De entre os artistas que representaram Portugal contam-se diversos representantes de Portugal na Eurovisão como Simone de Oliveira, Tonicha, Paulo de Carvalho, José Cid, Adelaide Ferreira, Dora, Dulce Pontes e Anabela. Lena d’Água foi a última representante portuguesa no ano 2000.


Portugal concorreu ao Festival de la OTI desde a primeira edição, tendo alcançado o 6º lugar com Tonicha que interpretou a canção "Glória, Glória Aleluia", da autoria de José Cid.

"Glória, Glória Alelulia" não foi um dos maiores sucessos de Tonicha, mas foi regravada no ano seguinte pelo cantor inglês Vince Hill sob o título "Glory Hallelujah". E em Portugal foi gravada por Simone e José Cid. 



Participante em 22 edições, Portugal conquistou 4 posições no pódio do concurso: Uma vez em 2.º lugar e três vezes em 3.º lugar.


A melhor posição de Portugal foi a conquista de um 2.º lugar em 1984, na Cidade do México,  com o tema “Vem no meu sonho” interpretado por Adelaide Ferreira que viria a ganhar no ano seguinte o Festival da Canção e representar Portugal na Eurovisão.


Os terceiros lugares foram conquistados por José Cid, com o tema "Na cabana junto a praia" em 1979, Anabela em 1993 com "Onde estás?" e Beto com o tema "Quem espera desespera" em 1998.

Apesar de nunca termos obtido o 1º lugar, coube a Portugal a organização do festival de 1987, sendo o espectáculo realizado no Teatro São Luís, em Lisboa, com a apresentação de Ana Zannati e Eládio Clímaco, sendo a nossa representante Teresa Mayuco.


Fontes/Mais informações: ESC Portugal / Esc Portugal - 40 anos do Festival / Youtube / wikipedia (1) (2) / discogs / Museu RTP



 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

53 anos de Portugal no Festival da Eurovisão (1964-2016)


Antes de vencermos o Eurovision Song Contest de 2017 em Kiev, Ucrânia, com "Amar pelos Dois" interpretado por Salvador Sobral, Portugal já tinha uma longa história no Festival Eurovisão da Canção, mas nunca tinha sido particularmente bem sucedido com as 45 músicas que foram apresentadas ao longo de todos estes anos, tendo até então apenas 9 das canções ficado no top 10, enquanto que as outras 36 canções ficaram quase sempre muito mal representadas, por vezes, até em último lugar. Além disso, Portugal nunca havia conseguido superar o 6.º lugar de 1996, com a música "O meu coração não tem cor", de Lúcia Moniz.

A saga principiou em 1964 e contou com uma quantidade generosa de embaraços (zero pontos por duas vezes, último lugar em três ocasiões, oito anos sem passar das meias-finais), algumas flagrantes injustiças (como é que "E Depois do Adeus", de Paulo de Carvalho, ficou em último lugar na edição de 1974?), mas também alguns brilharetes.


A Revista Blitz efectuou uma selecção das nossas "melhores" canções eurovisivas (tendo por base a classificação final e o número de participantes):

1. Lúcia Moniz, "O Meu Coração Não Tem Cor" (1996) - 6º lugar /23 participantes
2. Sara Tavares, "Chamar a Música" (1994) - 8º/25
3. Dulce Pontes, "Lusitana Paixão" (1991) - 8º/22
4. José Cid, "Um Grande, Grande Amor" (1980) - 7º/19
5. Carlos Mendes, "A Festa da Vida" (1972) - 7º/18
6. Anabela, "A Cidade (Até Ser Dia)" (1993) - 10º/25
7. Manuela Bravo - Sobe, Sobe, Balão Sobe (1979) - 9º/19
8. Alma Lusa, "Se Eu Te Pudesse Abraçar" (1998) - 12º/25
9. Tonicha, "Menina do Alto da Serra" (1971) - 9º/18
10. Vânia Fernandes, "Senhora do Mar (Negras Águas)" (2008) - 13º/25

As canções portuguesas nunca tinham atingido o top 5, mas algumas delas tinham tido algum destaque a nível internacional, sobretudo porque era habitual nas décadas de 60, 70 e 80 a regravação das canções noutras línguas, quer pelos próprios cantores, quer por outros intérpretes.

"Sol de Inverno" de Simone de Oliveira (1965)


Francisco Petrônio foi o primeiro artista internacional a gravar uma versão de uma canção portuguesa participante no Festival da Eurovisão quando em 1965, ano em que actua no Casino Estoril, gravou uma versão de “Sol de Inverno”, com letra de Jerónimo de Sousa e música de Nóbrega e Sousa, que fora o tema vencedor do Grande Prémio TV da Canção Portuguesa na interpretação de Simone de Oliveira.

Nesse mesmo ano foi igualmente lançada uma versão instrumental por Roger Danneels And His Orchestra .

"Ele e Ela" de Madalena Iglésias  (1966)


A canção "Ele e Ela" interpretada por Madalena Iglésias, com letra e música de Carlos Canelhas, foi regravada em castelhano pela jovem cantora Marichella, com o título de "El y Ella".

Marichella, de seu nome completo María del Carmen Torres Ballester, participou no Festival de Benidorm de 1966 e gravou dois EPs  para a editora Marfer, ambos em 1966.

“El y Ella” foi incluído na colectânea "Marfer Parade nº 4" e no primeiro EP de Marichella, intitulado "Esta Es Marichela" que incluía igualmente versões de três canções italianas, com destaque para "Ninguno Me Puede Juzgar" (versão de "Nessuno Mi Può Giudicare", original da cantora italiana Caterina Caselli).

"Menina do Alto da Serra" de Tonicha (1971)

 



 Com música de Nuno Nazareth Fernandes e letra de Ary dos Santos, ficou em 9.º lugar no Festival da Eurovisão, em Dublin, o melhor resultado obtido até essa altura pelo nosso País.

"Menina" foi gravado em holandês por Thérèse Steinmetz, com o título de "Aan De Hand Van Twee Gelieven" e em finlandês por Mimmi Mustakallio, mantendo o nome de "Menina".

A versão de Mimmi Mustakallio foi gravada em conjunto com a Olli Heikklän Orkesteri, tendo sido lançado como lado b da versão do tema "Borriquito", grande sucesso do cantor espanhol Peret.

"E Depois do Adeus" de Paulo de Carvalho (1974)


A canção, com letra de José Niza e música de José Calvário, ficou injustamente  em último lugar, com apenas 3 pontos, ex aequo com as canções da Alemanha, Suíça e Noruega.

Foi a canção que serviu de primeira senha à revolução de 25 de Abril de 1974, o que contribuiu para que se tornasse uma das canções portuguesas mais icónicas, entre as que participaram no Festival da Eurovisão.

"E Depois do Adeus" foi incluída na banda sonora da novela brasileira "Meu Rico Português" lançada pela editora Continental, em duas versões, uma instrumental que serviu de tema de abertura e interpretada pela Orquestra de Luiz Arruda Paes, e outra cantada pelo português Sebastião Manuel (com o Grupo Verde Vinho).

Ester de Abreu, cantora portuguesa radicada no Brasil, Moacir Franco e Márcio José também regravaram o tema no Brasil

 
 

"Flor de Verde Pinho" de Carlos do Carmo (1976)


A cantora italiana Arianna Masini incluiu no seu álbum "Perche' io non potevo dimenticare le rose" de 2012 uma versão, em português com influência brasileira, da canção "Flor de Verde Pinho", da autoria de Manuel Alegre (letra) e José Niza (música).

"Dai li dou" dos Gemini (1978)



Com a moda das regravações das canções participantes no Festival da Eurovisão, o tema "Dai Li Dou", interpretado pelos Gemini, foi regravado na Suécia por Jojos e na Finlândia por Esa Katajavuori & The SoundTrack Band.

"Um grande, grande amor" de José Cid (1981)


A compilação "Eurovisio Special 80" incluía regravações, por cantores finlandeses, dos temas que participaram no Festival de Eurovisão de 1980, tendo "Grande Grande Amor" sido regravado pelo cantor Markku Aro (que participou no Festival da Eurovisão de 1971 ) com o título de "Suurin Rakkautein.

A canção composta e interpretada por José Cid teve igualmente direito a uma versão em sueco pelo grupo Vikingarna, liderado por Christer Sjögren. Segundo o site "escportugal, o tema "Adios Adjö" esteve no competitivo top dos singles mais vendidos na Suécia durante 10 semanas em 1980.


 
"Bem bom" das Doce (1982)


A canção defendida pelas Doce, com letra e música de Tó-Zé Brito (creditado no disco brasileiro como Zé Brito), António Pinho e Pedro Brito, foi regravada no ano seguinte pela girlsband brasileira Sabor De Mel sob o título "Momentos de Verão (Bem Bom)", com letra de Marisa Baldanza e Pisca (que participou no último disco de Elis Regina conjuntamente com Pedro Baldanza). A canção foi incluída num single editado pela Sugared do Rio de Janeiro.


"Esta balada que te dou" de Armando Gama (1983)
 



A canção composta por Armando Gama foi editada em 17 países da Europa e terá entrado no top da Bélgica.

Foi regravada em sueco pelo cantor sueco Stefan Borsch, com o título "Det Här Är Balladen Till Dej" e em versão instrumental pelo alemão Klaus Wunderlich sob o título "Esta Balada que eu te dou" (ou "When The Love Has Gone").

Foi igualmente gravada pelo cantor Jugoslavo Ivo Pattiera com o título de "Poklanjam ti pjesmu (Esta balada que te dou)", com letra em Croata de Mišo Doležal.

"Silêncio e tanta gente" de Maria Guinot (1984) 



Maria Guinot gravou versões em inglês, francês e alemão.

A cantora finlandesa Anneli Saaristo - que viria a participar no Festival de Eurovisão de 1989, gravou "Jos Joskus", uma versão em finlandês da canção de Maria Guinot, no seu álbum de 1984.

O tema foi igualmente regravado pelos holandeses Eddy Starr Orchestra em 1991.

"Lusitana Paixão" de Dulce Pontes (1992)


O cantor cipriota Alex Panayi em colaboração com o inglês Matheson Bayley incluíram no seu álbum "Native Hue" de 2014 (álbum com canções clássicas do Eurofestival reinterpretadas em diversos géneros e estilos) uma versão de "Lusitânia Paixão", da autoria de Fred Micaelo (letra), José da Ponte (letra e música) e Jorge Quintela (música)).

"Deixa-Me Sonhar (Só Mais Uma Vez)" de Rita Guerra (2003)

 Matheson Bayley, que colaborou na versão de "Lusitânia Paixão" de Alex Panayi, regravou igualmente "Deixa-Me Sonhar", da autoria de Paulo Martins, em versão instrumental piano.

"Dança Comigo (Vem Ser Feliz)" de Sabrina (2007)



A jovem cantora sul-africana Leandie Lombard, publicou em 2008, então com 16 anos,  o seu primeiro álbum "Wees Net…. (Don't be….)" que incluía oito versões de canções participantes na Eurovisão, com destaque para o tema "Mxit", versão em Afrikaans da canção composta por Tó Maria Vinhas e Emanuel.

Fontes/Mais informações:Blitz (adaptado) / Marichella (1)(2)(3)(4) / Escportugal (JC) / Escovers (JC) / (AG) / (Sabrina)

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Salvador Sobral conquista a Europa com "Amar pelos Dois" (13-05-2017)

 

Quando foram anunciados os pontos do televoto para a canção da Bulgária não havia já dúvida possível: Portugal ganhava o Festival da Eurovisão. E fazia-o com a mais improvável (…) das canções “Amar pelos Dois”, composta por Luísa Sobral, com arranjo de Luís Figueiredo e interpretada de forma sublime por Salvador Sobral, tinha já arrebatado o voto do júri dos 42 países presentes, igualando o recorde de classificações máximas (os míticos “twelve points”) que pertencia até aqui à sueca Loreen, obtido em 2012 com “Euphoria”.

Mas naquele momento em que se sabia que a canção búlgara (“Beautiful Mess”, interpretada pelo muito jovem Kristian Kostov) ficava em segundo lugar no televoto, à canção de Salvador Sobral cabia também o primeiro lugar no voto popular, arrebatando um total de 758 pontos nunca antes visto na Eurovisão.


A canção, que conquistou a pontuação máxima no televoto na Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Islândia, Israel, Lituânia, Noruega e Suíça, era uma das raras que se apresentavam em Kiev na sua própria língua. O mesmo sucedia com a bielorussa e a búlgara, além claro dos temas provenientes dos países que têm o inglês como língua-mãe.

Até Espanha e França rendiam parte da sua letra ao inglês … Mas a cantar na mesma língua em que de noite sonha, Salvador Sobral fez a diferença. E inscreveu um episódio marcante na história, tanto do Festival da Eurovisão como da exposição internacional da música portuguesa. (…)

Fonte: Nuno Galopim em “Revista Blitz” (adaptado)


Curiosidades

Portugal era o país concorrente que há mais tempo participava no festival sem nunca ter ganho (a estreia aconteceu em 1964).

"Amar pelos Dois" sagrou-se vencedora do Festival Eurovisão da Canção com a atribuição da votação máxima (doze pontos) por parte dos júris de dezoito países e pelos telespectadores de doze países.

Os irmãos Sobral arrecadaram dois dos três prémios Marcel Bezençon (que foi um dos criadores do Festival da Eurovisão) votados pelos profissionais creditados no Festival que decorreu em Kiev. Luísa Sobral obteve o prémio de Composição atribuída pelos músicos, enquanto que Salvador obteve o Prémio Artístico votado pelos comentadores.

“Amar pelos Dois” foi escolhido como tema do genérico da telenovela "Tempo de Amar", da Rede Globo.

Fontes/Mais informações: wikipedia  / bbc.com


domingo, 15 de outubro de 2017

100 anos de filmes rodados na Madeira (3) - Década de 80


Paulo Branco começou a produzir filmes de Raul Ruiz na década 80. O primeiro filme foi rodado no continente, mas posteriormente filmou "Les trois couronnes du matelot" ("As três coroas do Marinheiro" de 1983), "Point de fuite" ("Ponto de Fuga" de 1984) e "Les Destins de Manoel" ("Manuel na ilha das maravilhas" de 1984) na Madeira. E a sua esposa, Valeria Sarmiento, dirigiu "Notre mariage" em 1984.


"Les trois couronnes du Matelot" é uma delirante viagem surrealista onde a Madeira ocupa lugar de destaque como uma exótica ilha nos mares tropicais da... América do Sul.

Rodado parcialmente na cidade do Funchal, contou com a produção de Paulo Branco e a participação de actores portugueses como Adelaide João, Diogo Dória e José de Carvalho.


"Point de Fuite", com direcção de fotografia de Acácio Rosa, teve a participação de Paulo Branco (como produtor e actor), Ana Marta, José Maria Vaz da Silva (familiar do produtor António Vaz da Silva), Vasco Pimentel e  Joaquim Pinto (como responsáveis pelo som e actores), João Bénard da Costa e Júlia Correia.


“Les Destins de Manoel” é um “(...) filme onde feérico se cruza com a saudade e a ternura infantil que nunca se havia feito no cinema nacional (...). A ideia original do filme foi de João Botelho.

É de realçar a participação de alguns actores madeirenses, tais como o miúdo Rúben de Freitas e Marco Paulo de Freitas que interpretam a personagem Manuel durante a infância e a sua adolescência”.



Em "Norte mariage", primeiro filme de Valeria Sarmiento, com co-produção de Paulo Branco e António Vaz da Silva, participam, em papéis secundários, os actores portugueses Cecília Guimarães (Basili), Luís Lucas (Gérardo), Fernando Heitor (Jaime), Filipe Ferrer (advogado) e Alexandre de Sousa (médico).

 “Les tricheurs” ("Os Batoteiros") (1984)


Entre 21 de fevereiro e final de abril de 1984 é rodada uma película intitulada “Les tricheurs” ("Os Batoteiros"), produzida por Paulo Branco e realizada por Barbet Schroeder, um dos directores de cinema mais conhecidos que trabalhou na Madeira.

O argumento foi adaptado das memórias de Steve Baës, um jogador compulsivo (que já participara no filme "Ponto de Fuga" de Raul Ruiz), que foi igualmente conselheiro técnico e interpretou ... o gerente do Casino da Madeira.

Virgílio Teixeira, Bulle Ogier e Jacques Dutronc

O filme rodado, quase totalmente, no interior do Casino contou com a presença de Virgílio Teixeira, num pequeno papel memorável como Toni, um "croupier" corrupto, bem como a participação de outros actores como Carlos César, Carlos Wallenstein, Tozé Martinho, Leandro Vale e Roger Sarbib (que participara nos filmes de Jesus Franco).

“Ennemis intimes” ("Inimigos Íntimos") (1987)

 

 "Ennemis intimes" do realizador Denis Amar marcou o regresso de Cunha Telles à Madeira, tendo sido rodado nos montes do Caniçal, entre março e setembro de 1987, onde foram edificados os cenários para filme. Teve como figurantes alguns madeirenses.

Com um enredo simples, o filme conta-nos a história passada numa sala de cinema isolada onde dois homens, marido e amante, lutam pela mesma mulher, sendo obrigados a unir forças para resistir a um bando de desordeiros que quer invadir o edifício para ajustar contas com um deles.




Fontes/Mais informações: Ana Paula Almeida (Aprender a Madeira e Tese) / Ciclo de cinema / Folha de Sala (1) / Raul Ruiz (1)(2) / "Tricheurs" (1) (2) / "Ennemis intimes" (1)(2) (3)  / DN (Ciclo de cinema)