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domingo, 15 de outubro de 2017

100 anos de filmes rodados na Madeira (3) - Década de 80


Paulo Branco começou a produzir filmes de Raul Ruiz na década 80. O primeiro filme foi rodado no continente, mas posteriormente filmou "Les trois couronnes du matelot" ("As três coroas do Marinheiro" de 1983), "Point de fuite" ("Ponto de Fuga" de 1984) e "Les Destins de Manoel" ("Manuel na ilha das maravilhas" de 1984) na Madeira. E a sua esposa, Valeria Sarmiento, dirigiu "Notre mariage" em 1984.


"Les trois couronnes du Matelot" é uma delirante viagem surrealista onde a Madeira ocupa lugar de destaque como uma exótica ilha nos mares tropicais da... América do Sul.

Rodado parcialmente na cidade do Funchal, contou com a produção de Paulo Branco e a participação de actores portugueses como Adelaide João, Diogo Dória e José de Carvalho.


"Point de Fuite", com direcção de fotografia de Acácio Rosa, teve a participação de Paulo Branco (como produtor e actor), Ana Marta, José Maria Vaz da Silva (familiar do produtor António Vaz da Silva), Vasco Pimentel e  Joaquim Pinto (como responsáveis pelo som e actores), João Bénard da Costa e Júlia Correia.


“Les Destins de Manoel” é um “(...) filme onde feérico se cruza com a saudade e a ternura infantil que nunca se havia feito no cinema nacional (...). A ideia original do filme foi de João Botelho.

É de realçar a participação de alguns actores madeirenses, tais como o miúdo Rúben de Freitas e Marco Paulo de Freitas que interpretam a personagem Manuel durante a infância e a sua adolescência”.



Em "Norte mariage", primeiro filme de Valeria Sarmiento, com co-produção de Paulo Branco e António Vaz da Silva, participam, em papéis secundários, os actores portugueses Cecília Guimarães (Basili), Luís Lucas (Gérardo), Fernando Heitor (Jaime), Filipe Ferrer (advogado) e Alexandre de Sousa (médico).

 “Les tricheurs” ("Os Batoteiros") (1984)


Entre 21 de fevereiro e final de abril de 1984 é rodada uma película intitulada “Les tricheurs” ("Os Batoteiros"), produzida por Paulo Branco e realizada por Barbet Schroeder, um dos directores de cinema mais conhecidos que trabalhou na Madeira.

O argumento foi adaptado das memórias de Steve Baës, um jogador compulsivo (que já participara no filme "Ponto de Fuga" de Raul Ruiz), que foi igualmente conselheiro técnico e interpretou ... o gerente do Casino da Madeira.

Virgílio Teixeira, Bulle Ogier e Jacques Dutronc

O filme rodado, quase totalmente, no interior do Casino contou com a presença de Virgílio Teixeira, num pequeno papel memorável como Toni, um "croupier" corrupto, bem como a participação de outros actores como Carlos César, Carlos Wallenstein, Tozé Martinho, Leandro Vale e Roger Sarbib (que participara nos filmes de Jesus Franco).

“Ennemis intimes” ("Inimigos Íntimos") (1987)

 

 "Ennemis intimes" do realizador Denis Amar marcou o regresso de Cunha Telles à Madeira, tendo sido rodado nos montes do Caniçal, entre março e setembro de 1987, onde foram edificados os cenários para filme. Teve como figurantes alguns madeirenses.

Com um enredo simples, o filme conta-nos a história passada numa sala de cinema isolada onde dois homens, marido e amante, lutam pela mesma mulher, sendo obrigados a unir forças para resistir a um bando de desordeiros que quer invadir o edifício para ajustar contas com um deles.




Fontes/Mais informações: Ana Paula Almeida (Aprender a Madeira e Tese) / Ciclo de cinema / Folha de Sala (1) / Raul Ruiz (1)(2) / "Tricheurs" (1) (2) / "Ennemis intimes" (1)(2) (3)  / DN (Ciclo de cinema)

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

100 anos de filmes rodados na Madeira (2) - Décadas de 60 e 70

Amália em "As Ilhas Encantadas" (1965)

António Cunha Telles, produtor e realizador madeirense, é um nome fundamental para o cinema português das décadas de 60, 70 e 80. Fundador das Produções Cunha Telles surge associado a filmes produzidos no Arquipélago da Madeira, como "Vacances portugaises", filme de Pierre Kast de 1961 rodado na Ilha Dourada em Porto Santo, e "As ilhas encantadas" do luso-francês Carlos Viladerbó.

Na década de 70 podemos referir as produções estrangeiras  "Madeira, Island and its people" (1972) de Norman Mackenzie e a série de TV alemã "Piet auf hoher See" (1971) de Horst Deuter, mas o principal destaque recai sobre diversas produções de Jesús Franco filmadas na primeira metade da década de 70.



Jesus Franco e a Ilha da Madeira


A ligação de Jess Franco a Portugal não se resume à colaboração de Soledad Miranda,  que falecera de acidente em 1970, e Carmen Yazalde (por vezes creditada como Britt Nichols), que participou em 7 filmes do realizador espanhol. É em Portugal que arranja produtores e realiza filmes, quer no Continente quer na ilha da Madeira.

As principais produções que contém imagens gravadas na Madeira são datadas da primeira metade de década de 70, como "Al outro lado del espejo" (filme de 1973 também conhecido como "Obscene Mirror", "Inside the Dark Mirror" ou "The Other Side of the Mirror" pois era habitual Jesús Franco lançar várias versões), "Erotic Rites of Frankenstein" (1973), "Un capitán de quince años" (1974), "Lustful Amazons" ("Maciste contre la reine des Amazones" de 1974),  "Female Vampire" (também conhecido como "La Comtesse Noire" - nome provisório de uma versão não hardcore ou "Les Avaleuses" de 1975) e "Les Glutonnes" (1975). E retorna à Madeira em 1981 para rodar "Linda". 


Os filmes "Obscene Mirror", "Maciste contra a Rainha das Amazonas" e "Maciste contra Atlântida" contam com a participação do músico madeirense Tony Cruz, que fazia parte do conjunto de Roger Sarbin. Um diálogo com Robert Wood, que em "Obscene Mirror" representa um trompetista de um conjunto, sendo o madeirense o cantor e baterista desse grupo. O tema "Madeira love" do conjunto de Roger Sarbib foi regravado por uma cantora norte-americana. Nos outros filmes Tony Cruz participa como "guarda do tesouro", em cenas filmadas no Ribeiro Frio.

Roger Sarbib participa em "Al otro lado del espejo", "Maciste contre la reine des Amazones" e "Les Glutonnes".

"Obscene Mirror" (1973)

Quase inteiramente rodado no Funchal. A mansão onde a protagonista vive é o Pestana Miramar (onde provavelmente a equipa terá ficado hospedada).



Cerveja Brisa

Igreja de São Martinho

Cena rodada no Teatro Baltazar Dias
Referência à Ilha da Madeira

"Erotic Rites of Frankenstein" (1973)

Filme rodado em Cascais mas incluindo algumas cenas filmadas na Madeira.

Capela de Fátima

Largo da Fonte (Monte)

Ribeiro Frio

"Un capitán de quince años" (1974)

 "Un capitán de quince años" foi, em grande parte, rodado num barco e numa densa floresta. No início do filme é possível ver o exterior do Forte Santiago no Funchal.


"Female Vampire" (1975)

Um dos principais cenários foi o Hotel Sheraton (actual Pestana Carlton).
 

Ao fundo o "Reids Palace" onde morava o Dr. Orloff

Câmara dos Lobos
Figurantes a olhar para a câmara de filmar

"Les Glutonnes" (1975)

A maior parte do filme foi rodado na Madeira, sobretudo em Porto Moniz. No início do filme podemos ver uma Capela do Monte em Ribeiro Frio, que já aparecera no filme "Erotic Rites of Frankestein".




Fontes/Mais informações: Tapatalk (Jesus Franco) / Ana Paula Almeida (Aprender a Madeira e Tese) / Ciclo de cinema / Folha de Sala (1)  / sobre Tony Cruz (Aprender a Madeira) / Original e Versão de "Madeira Love" / Blog sobre Jess Franco /  DN (Ciclo de cinema)

terça-feira, 15 de agosto de 2017

100 anos de filmes rodados na Madeira (1) - Décadas de 20, 30 e 50


"Un Giorno a Madera" (1924)

Em 1924 foi rodado na Ilha da Madeira o filme de ficção "Um dia na Madeira" ("Un Giorno a Madera") do realizador italiano Mário Gargiulo, com Livio Pavanelli e Tina Xeo nos principais papéis.

Este filme mudo era uma adaptação do livro "Un Giorno a Madeira, una pagina Dell’Igiene Dell’ Amore" lançado por Paolo Mantegazza em 1876. Traduzido ainda em vida do autor nas principais línguas europeias, este curioso livro consagrou a Madeira no imaginário italiano e europeu de fins de Oitocentos, como a isola dei fiori e dell’amore.


Sinopse

"Emma, personagem dotada de uma espiritualidade e de uma nobreza de carácter dignas das maiores heroínas românticas, procura na Madeira o último reduto de esperança para a cura da doença, ao passo que o seu apaixonado William se vê condenado a expiar na determinação da sua índole britânica a dor da perda da amada, pondo também ele à prova o seu carácter, principal protagonista afinal deste romance".


A produção estrangeira na Madeira intensificou-se a partir da década de 30, com filmes de ficção como: "Porque Mentes, Menina Kate?" (com realização de Georg Jacoby, 1935); "Die Finanzen des Großherzogs" ("As Finanças do Grão-duque" (Gustaf Gründgens, 1934) remake do filme homónimo de Murnau; "O prisioneiro de Corbal" (filme de Karl Grüne de 1935-36); "Les Mutinés de L’ Elseneur" (filme de Pierre Chenal de 1936 com base na obra de Jack London); e "Love Affair" ("Ele e Ela" de Leo McCarey, de 1939).


No campo do documentário é de destacar: "Madeira: A Garden in the Sea" (1931); "Cruising the Mediterranean" (André de la Varre, 1933); "Madeira: Jardim do Oceano" (Dawley, 1933); "From London to Madeira" (de Karl Gr, 1935); "Escala na Madeira" (René Ginet, 1935); e "Madeira: Isle of Romance" (1938).

"Warum lügt Fräulein Käthe?” (1935)


Entre 12 e 20 de novembro de 1934 esteve na Madeira uma equipa cinematográfica alemã da Majestic-Film GmbH, liderada pelo produtor Helmut Eweler e pelo realizador Geog Jacoby,  onde filmaram parte de um filme que estreou nas salas alemãs a 29 de janeiro de 1935, chamado “Porque Mentes, Menina Kate?” no original “Warum lügt Fräulein Käthe?”.

Na ilha da Madeira filmaram, a 15 de novembro, uma série de danças folclóricas madeirenses no “Reid’s Palace Hotel”, “executados pelo grupo de senhoras e cavalheiros, da nossa sociedade elegante”, como dizia o “Diário de Noticias do Funchal” de 16 de novembro de 1934, tendo nos outros dias filmado algumas ruas da cidade do Funchal e cenas do quotidiano madeirense.

"Marriage of Corbal" (1936)

A 10 de dezembro de 1935 chegara ao Funchal a Capitol Film Corporation, uma empresa inglesa, juntamente com mais de 20 pessoas, entre técnicos e actores para a rodagem do filme “The Marriage of Corbal” (ou "The Marriage of Corbal"), realizado por Karl Grune, com argumento de S. Fullman, com base na obra de Rafael Sabatini, ambientado no período da Revolução Francesa.

Parcialmente rodado no Vale da Ribeira Brava, as filmagens terminaram a 26 de dezembro, tendo também empregado cerca de 200 figurantes madeirenses. Com este filme também foi realizado um documentário “From London to Madeira”, onde se retratava as peripécias da viagem da equipa até à Madeira e os bastidores da filmagem na ilha.

"Love Affair" (1939)


"Love Affair", um dos mais importantes filmes românticos do final dos anos 30, foi parcialmente rodado na Madeira, onde vivia a avó do protagonista, o que terá sido motivado pela fama do porto do Funchal na altura dos grandes cruzeiros transatlânticos, com filmagens no Funchal e numa casa de Santa Luzia.



Sinopse

O pintor francês Michel Marnet (Charles Boyer) conhece a cantora americana Terry McKay (Irene Dunne) a bordo de um navio que cruza o Oceano Atlântico.

Michel e Ambos estão comprometidos, mas, no entanto, apaixonam-se. Durante uma paragem na Ilha da Madeira (Porto Santo), visitam a avó de Michel, Janou (Maria Ouspenskaya), que "aprova" Terry. O casal marca um encontro no Empire State Building para daí a 6 meses, mas nem tudo corre como desejado.



O título do filme na Áustria refere-se explicitamente a essa paragem no nosso arquipélago: "Ein Spitzentuch von Madeira".


Na década de 50 é de destacar: "Madeira Story", da responsabilidade de uma equipa inglesa, com o apoio de artistas e autoridades madeirenses, estreou-se em Londres; "Moby Dick" (filme de John Huston de 1956), "Sylviane de mes nuits" (Marcel Blistène, 1957), uma série de documentários de Jacques Cousteau e "Windjammer: The Voyage of the Christian Radich" (de Bill Colleran e Louis De Rochemont III, 1958).

"Moby Dick" (1956)


"Moby Dick" é um filme britânico realizado pelo norte-americano John Huston em 1956. O filme começou a ser filmado no País de Gales mas partes do filme foram rodadas no mar em frente ao Caniçal com acção real de caça à baleia, feita por baleeiros da Ilha da Madeira. O filme baseava-se na obra homónima de Herman Melville que curiosamente tinha mais ligação aos Açores do que à Madeira.

Nos créditos iniciais do filme é feito o agradecimento aos "Baleeiros da Madeira pela grande ajuda que deram" ("Whalermen of Madeira for the great help they gave").


Jacques Yves Cousteau

Entre 15 e 20 de agosto de 1956 esteve na Madeira uma missão cientifica francesa, a bordo do navio “Calypso” e chefiada pelo famoso explorador submarino Jacques-Yves Cousteau (1910-1997), tendo nesta estadia aproveitado para fazer cinco filmes, dois dos quais da pesca do peixe espada preta (Aphanopus carbo).

"Sylviane de mês nuits" (1957)

A 7 de novembro de 1956 começam as filmagens na Madeira do filme francês, produzido pela Isis Films, “Sylviane de mes nuits”, escrito e realizado por Marcel Blisténe e protagonizado por Giselle Pascal e Franck Villard, tendo as filmagens terminado a 18 de novembro.


“Windjammer: The Voyage of the Christian Radich” (1958)

Chega à Madeira a 27 de dezembro de 1956 o cineasta norte-americano Louis Rouchemont, com uma equipa de operadores cinematográficos para filmar diversos panoramas da Madeira para um documentário, em “Cinemiracle”, que esteva a realizar usando o navio-escola norueguês “Christian Radich”, a que se dará o titulo de “Windjammer: The Voyage of the Christian Radich”, estreado a 25 de abril de 1958.


Ciclo de cinema "100 Anos de filmes rodados na Madeira"


"100 Anos de filmes rodados na Madeira" é uma mostra de 8 das melhores obras cinematográficas de ficção filmadas no arquipélago de entre as mais de 50 películas realizadas desde 1912. Para além do valor óbvio dos filmes apresentados, alguns deles de grandes mestres do cinema mundial como Leo MacCarey, Raul Ruiz, Barbet Schroeder ou John Huston, esta mostra pretende anunciar a importância da Madeira como “location” para produção audiovisual.

Não só pela beleza das suas paisagens (ver por exemplo o plano fantástico da Serra d’Água em “O prisioneiro de Corbal” ou a perseguição automóvel nas estradas antigas do Seixal em “Os Batoteiros”) mas também pela facilidade de encontrar lugares tão diferentes numa ilha tão pequena, reduzindo assim os custos de produção.

Cena de "O prisioneiro de Corbal"
Fontes/Mais informações: Ana Paula Almeida (Aprender a Madeira e Tese) / Museu Vicentes / Ciclo de cinema / Folha de Sala (1) /  Ando a ler isto, Dejalu4ds e Fnac ("Un Giorno a Madeira")

Videos: "Warum lügt Fräulein Käthe?" / "Prisoner of Corbal" / "Love Affair" / "Moby Dick" (1)(2) / "Winjammer ..."