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terça-feira, 15 de agosto de 2017

100 anos de filmes rodados na Madeira (1) - Décadas de 20, 30 e 50


"Un Giorno a Madera" (1924)

Em 1924 foi rodado na Ilha da Madeira o filme de ficção "Um dia na Madeira" ("Un Giorno a Madera") do realizador italiano Mário Gargiulo, com Livio Pavanelli e Tina Xeo nos principais papéis.

Este filme mudo era uma adaptação do livro "Un Giorno a Madeira, una pagina Dell’Igiene Dell’ Amore" lançado por Paolo Mantegazza em 1876. Traduzido ainda em vida do autor nas principais línguas europeias, este curioso livro consagrou a Madeira no imaginário italiano e europeu de fins de Oitocentos, como a isola dei fiori e dell’amore.


Sinopse

"Emma, personagem dotada de uma espiritualidade e de uma nobreza de carácter dignas das maiores heroínas românticas, procura na Madeira o último reduto de esperança para a cura da doença, ao passo que o seu apaixonado William se vê condenado a expiar na determinação da sua índole britânica a dor da perda da amada, pondo também ele à prova o seu carácter, principal protagonista afinal deste romance".


A produção estrangeira na Madeira intensificou-se a partir da década de 30, com filmes de ficção como: "Porque Mentes, Menina Kate?" (com realização de Georg Jacoby, 1935); "Die Finanzen des Großherzogs" ("As Finanças do Grão-duque" (Gustaf Gründgens, 1934) remake do filme homónimo de Murnau; "O prisioneiro de Corbal" (filme de Karl Grüne de 1935-36); "Les Mutinés de L’ Elseneur" (filme de Pierre Chenal de 1936 com base na obra de Jack London); e "Love Affair" ("Ele e Ela" de Leo McCarey, de 1939).


No campo do documentário é de destacar: "Madeira: A Garden in the Sea" (1931); "Cruising the Mediterranean" (André de la Varre, 1933); "Madeira: Jardim do Oceano" (Dawley, 1933); "From London to Madeira" (de Karl Gr, 1935); "Escala na Madeira" (René Ginet, 1935); e "Madeira: Isle of Romance" (1938).

"Warum lügt Fräulein Käthe?” (1935)


Entre 12 e 20 de novembro de 1934 esteve na Madeira uma equipa cinematográfica alemã da Majestic-Film GmbH, liderada pelo produtor Helmut Eweler e pelo realizador Geog Jacoby,  onde filmaram parte de um filme que estreou nas salas alemãs a 29 de janeiro de 1935, chamado “Porque Mentes, Menina Kate?” no original “Warum lügt Fräulein Käthe?”.

Na ilha da Madeira filmaram, a 15 de novembro, uma série de danças folclóricas madeirenses no “Reid’s Palace Hotel”, “executados pelo grupo de senhoras e cavalheiros, da nossa sociedade elegante”, como dizia o “Diário de Noticias do Funchal” de 16 de novembro de 1934, tendo nos outros dias filmado algumas ruas da cidade do Funchal e cenas do quotidiano madeirense.

"Marriage of Corbal" (1936)

A 10 de dezembro de 1935 chegara ao Funchal a Capitol Film Corporation, uma empresa inglesa, juntamente com mais de 20 pessoas, entre técnicos e actores para a rodagem do filme “The Marriage of Corbal” (ou "The Marriage of Corbal"), realizado por Karl Grune, com argumento de S. Fullman, com base na obra de Rafael Sabatini, ambientado no período da Revolução Francesa.

Parcialmente rodado no Vale da Ribeira Brava, as filmagens terminaram a 26 de dezembro, tendo também empregado cerca de 200 figurantes madeirenses. Com este filme também foi realizado um documentário “From London to Madeira”, onde se retratava as peripécias da viagem da equipa até à Madeira e os bastidores da filmagem na ilha.

"Love Affair" (1939)


"Love Affair", um dos mais importantes filmes românticos do final dos anos 30, foi parcialmente rodado na Madeira, onde vivia a avó do protagonista, o que terá sido motivado pela fama do porto do Funchal na altura dos grandes cruzeiros transatlânticos, com filmagens no Funchal e numa casa de Santa Luzia.



Sinopse

O pintor francês Michel Marnet (Charles Boyer) conhece a cantora americana Terry McKay (Irene Dunne) a bordo de um navio que cruza o Oceano Atlântico.

Michel e Ambos estão comprometidos, mas, no entanto, apaixonam-se. Durante uma paragem na Ilha da Madeira (Porto Santo), visitam a avó de Michel, Janou (Maria Ouspenskaya), que "aprova" Terry. O casal marca um encontro no Empire State Building para daí a 6 meses, mas nem tudo corre como desejado.



O título do filme na Áustria refere-se explicitamente a essa paragem no nosso arquipélago: "Ein Spitzentuch von Madeira".


Na década de 50 é de destacar: "Madeira Story", da responsabilidade de uma equipa inglesa, com o apoio de artistas e autoridades madeirenses, estreou-se em Londres; "Moby Dick" (filme de John Huston de 1956), "Sylviane de mes nuits" (Marcel Blistène, 1957), uma série de documentários de Jacques Cousteau e "Windjammer: The Voyage of the Christian Radich" (de Bill Colleran e Louis De Rochemont III, 1958).

"Moby Dick" (1956)


"Moby Dick" é um filme britânico realizado pelo norte-americano John Huston em 1956. O filme começou a ser filmado no País de Gales mas partes do filme foram rodadas no mar em frente ao Caniçal com acção real de caça à baleia, feita por baleeiros da Ilha da Madeira. O filme baseava-se na obra homónima de Herman Melville que curiosamente tinha mais ligação aos Açores do que à Madeira.

Nos créditos iniciais do filme é feito o agradecimento aos "Baleeiros da Madeira pela grande ajuda que deram" ("Whalermen of Madeira for the great help they gave").


Jacques Yves Cousteau

Entre 15 e 20 de agosto de 1956 esteve na Madeira uma missão cientifica francesa, a bordo do navio “Calypso” e chefiada pelo famoso explorador submarino Jacques-Yves Cousteau (1910-1997), tendo nesta estadia aproveitado para fazer cinco filmes, dois dos quais da pesca do peixe espada preta (Aphanopus carbo).

"Sylviane de mês nuits" (1957)

A 7 de novembro de 1956 começam as filmagens na Madeira do filme francês, produzido pela Isis Films, “Sylviane de mes nuits”, escrito e realizado por Marcel Blisténe e protagonizado por Giselle Pascal e Franck Villard, tendo as filmagens terminado a 18 de novembro.


“Windjammer: The Voyage of the Christian Radich” (1958)

Chega à Madeira a 27 de dezembro de 1956 o cineasta norte-americano Louis Rouchemont, com uma equipa de operadores cinematográficos para filmar diversos panoramas da Madeira para um documentário, em “Cinemiracle”, que esteva a realizar usando o navio-escola norueguês “Christian Radich”, a que se dará o titulo de “Windjammer: The Voyage of the Christian Radich”, estreado a 25 de abril de 1958.


Ciclo de cinema "100 Anos de filmes rodados na Madeira"


"100 Anos de filmes rodados na Madeira" é uma mostra de 8 das melhores obras cinematográficas de ficção filmadas no arquipélago de entre as mais de 50 películas realizadas desde 1912. Para além do valor óbvio dos filmes apresentados, alguns deles de grandes mestres do cinema mundial como Leo MacCarey, Raul Ruiz, Barbet Schroeder ou John Huston, esta mostra pretende anunciar a importância da Madeira como “location” para produção audiovisual.

Não só pela beleza das suas paisagens (ver por exemplo o plano fantástico da Serra d’Água em “O prisioneiro de Corbal” ou a perseguição automóvel nas estradas antigas do Seixal em “Os Batoteiros”) mas também pela facilidade de encontrar lugares tão diferentes numa ilha tão pequena, reduzindo assim os custos de produção.

Cena de "O prisioneiro de Corbal"
Fontes/Mais informações: Ana Paula Almeida (Aprender a Madeira e Tese) / Museu Vicentes / Ciclo de cinema / Folha de Sala (1) /  Ando a ler isto, Dejalu4ds e Fnac ("Un Giorno a Madeira")

Videos: "Warum lügt Fräulein Käthe?" / "Prisoner of Corbal" / "Love Affair" / "Moby Dick" (1)(2) / "Winjammer ..."

sábado, 15 de julho de 2017

Actores e técnicos portugueses na mini-série "O Conde de Monte-Cristo" (1979)


"O Conde de Monte-Cristo" é uma mini-série franco-italo-alemã em quatro episódios de 90 minutos, adaptada da obra de Alexandre Dumas, com Jacques Weber no papel de Edmond Dantes, sob direcção de Denys de La Patellière e difundida entre 29 de Dezembro de 1979 e 19 de Janeiro de 1980 no canal francês  FR3.

A RTP participou com mais de 60 técnicos, além de numerosos actores em papéis de destaque e cerca de 1600 figurantes.


O papel da RTP foi também determinante na produção: as filmagens, que decorreram entre março e junho de 1979, foram realizadas em Portugal, devido à beleza dos décors naturais que o nosso país possuía, assim como ao “cansaço do público francês em ver sempre os mesmos cenários, geralmente utilizados neste género de filmes”, segundo explicação do realizador, Denys de la Patellière.

"Encontrámos em Portugal décors soberbos que não são conhecidos dos franceses. Convinham perfeitamente ao estilo do filme, que deveria ter também interiores diferentes dos parisienses clássicos. Todos os interiores de grande classe são parecidos uns com os outros em Paris: móveis estilo Luís XV ou Luís XVI, todos iguais.

Actores portugueses:

Paulo Renato e Diogo Dória
O realizador mostrou-se interessado em utilizar actores desconhecidos em França, por ser agradável filmar rostos diferentes. As vozes dos artistas portugueses foram dobradas.

Carlos de Carvalho (no papel de Franz d'Epinay), Diogo Dória (Maximillien Morrel), Carlos César (Martuccio), Luís Santos (pai de Dantes) e Paulo Renato (Morel) foram alguns dos actores em maior destaque.

É igualmente de realçar a participação de muitos outros, tais como Suzana Borges (mulher no baile), Manuel Cavaco (guarda prisional), Luís Cerqueira (aio), Isabel de Castro (esposa de Gaspard), Alexandre de Sousa (Polícia), Baptista Fernandes (Juíz), Morais e Castro (empregado do Hotel), Leonor Pinhão (Eugénie Danglars), Curado Ribeiro (Marquês de Bagville), Artur Semedo (Marquês Cavalcant), Elsa Wallencamp e Sinde Filipe.

Os cantores Vitorino Salomé e Sérgio Godinho
Sérgio Godinho aparece no papel de bandido italiano juntamente com o Vitorino Salomé, chefe do bando.

Locais de rodagem:


Os locais escolhidos para as filmagens incluíram: Porto de Peniche, Convento de Mafra, Grutas de Mira de Aire, Loures, Óbidos, Algarve, Forte de São João Baptista (Berlengas), Quinta das Torres (Azeitão), Sanatório Grandella (Montachique), Quinta da Penha Verde (Sintra), Palácio de Seteais (Sintra), Castelo de Sesimbra, Palácio de Queluz, Palácio dos Marqueses de Fronteira (Lisboa),  Palácio Palmela, Casa do Duque de Palmela, Teatro de S. Carlos, Teatro Nacional D. Maria II, Hotel Avenida Palace, Palacetes particulares, ...

Peniche viu o seu porto transformar-se no porto da cidade francesa de Marselha no século XIX. O seu cais foi “inundado” com os típicos lampiões do fim do século passado.


Mafra “virou” Roma de 1838: um grandioso carnaval ao estilo da época desfilou pela rua fronteiriça ao convento de Mafra, totalmente transformada numa artéria de Roma.

E as fachadas dos prédios foram totalmente transformadas, reproduzindo fielmente a arquitectura daquele tempo.


Na impossibilidade de ser utilizado o grande estúdio da Tobis, a produção resolveu transformar uma garagem, para os lados de Caneças, num estúdio improvisado onde instalou o Castelo de If. Em menos de dois dias, montou-se todo um conjunto de estruturas que proporcionaram o ambiente necessário a uma prisão da época. E não faltaram os subterrâneos e os corredores para uma fuga.

Denys de La Patellière durante a rodagem em Portugal

Queixas

Independentemente do sucesso junto do público, e depois de uma forte propaganda feita pela circunstância de se tratar de uma realização com maioria de mão-de-obra nacional, a série trouxe algumas dores de cabeça aos nossos profissionais que nela participaram.

Contra todas as regras deontológicas, os genéricos omitiam quase por completo o trabalho dos portugueses, sendo apenas referidos – e em situação de subalternidade – três dos mais de sessenta especialistas em tarefas diversas.


Apenas apareciam no genérico os nomes de Manuel Costa e Silva, responsável português pela produção; António Escudeiro, director de fotografia, relegado para terceiro lugar, depois de técnicos de imagem que não estiveram sequer em Portugal, onde se rodaram mais de 90% das cenas; e o segundo assistente de realização, José Torres. Esquecidos ainda pela produção francesa foram muitos dos actores, também a rondar as várias dezenas.

Também os locais onde decorreram as filmagens não foram mencionados, com excepção do Palácio de Queluz. Teria havido, inclusive, acordos relativamente a algumas das localizações, como por exemplo as grutas de Mira de Aire, que condicionavam a cedência das mesmas a uma menção no genérico.


Abade Faria

O Abade Faria, que ajuda Edmond Dantés a escapar do castelo de If e lhe revela a localização do seu tesouro na ilha de Monte-Cristo, é inspirado num padre  e cientista luso-goês que se destacou como um dos primeiros estudiosos da hipnose, mas na obra de Alexandre Dumes é um padre italiano condenado por crimes com implicações políticas.

Fontes/Mais informações: Brinca Brincando (fonte principal) / Imdb / wikipedia / DVD mania  

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domingo, 15 de maio de 2016

Filmes sobre a Segunda Guerra Mundial ambientados em Lisboa


Questionado sobre a possibilidade de realizar um filme em Lisboa, Woody Allen referiu em 2012 que “tinha que ser um filme romântico. Porque Lisboa é romance ou espiões. Quando pensamos em Lisboa pensamos logo em espiões. Lisboa era aquele lugar na Segunda Guerra Mundial, para onde os espiões iam.”

Para essa mitificação de Lisboa foi determinante o famoso filme “Casablanca” (1942) (…) Não é visível como cidade, mas coloca-se no mapa, em todos os sentidos, para o cinema internacional. É nestas passagens, entre amores transviados e fundos de contrabandos e espionagem, que momentos fugazes de salvação se sucediam. Lisboa era já o cais separado da Guerra que assolava a Europa, um cais virado para a travessia Atlântica.

"One Nigth in Lisbon" (1941)
 

O primeiro caso a apontar é "One Night in Lisbon" (1941) de Edward H.Griffith, numa altura em que os Estados Unidos ainda não tinham entrado na Guerra. Lisboa seria aqui um mero local de passagem para uma intriga de espionagem de fundo que serve de entrelaçamento narrativo a uma história amorosa.

Uma rua em Lisboa mais parecendo uma ladeira no Funchal
O filme não foi distribuído em Portugal porque ameaçava a neutralidade assumida, sobretudo o modo como apresenta os espiões alemães a influenciar a polícia portuguesa na chegada de estrangeiros e a organização no país das suas redes, dominando lugares e passagens sombrias.

"International Lady" ("Mulher Internacional") (1941) 


Espiões ingleses e americanos em luta contra as sabotagens dos nazis, num puro estilo de série B, cheio de lances de acção.

George Brent é o agente do FBI, Basil Rathbone, o da Scotland Yard. Ilona Massey  a tal "mulher internacional" no meio dos dois, com Lisboa por lugar de passagem.




"Lady from Lisbon" (1942)



Estreado em plena II Guerra Mundial, "The Lady from Lisbon" é um filme britânico que combina a comédia com acções de espionagem.

O filme descreve a história de uma mulher sul-americana que se oferece para fazer espionagem em Lisboa em troca da famosa pintura "Mona Lisa" que está em poder dos nazis. Mas de repente começam a aparecer muitas cópias da "Mona lisa".

No final, após um agente britânico descobrir a pintura original, a mulher decide aderir aos Aliados.


Cenas de Lisboa:



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"Lady has plans" (1942)


Baseado numa história de Leo Birinski, “The Lady Has Plans” (com o título de “Num Corpo de Mulher” no Brasil) é uma comédia de espionagem norte-americana realizada por Sidney Lanfield e protagonizada por Ray Milland (que, mais tarde, realizaria “Lisbon”) e Paulette Goddard.

O filme foi estreado em 24 de Janeiro de 1942, decorrendo a acção em Lisboa na época palco de espiões e repórteres.


Kenneth Harper (Ray Milland) é correspondente de rádio em Lisboa durante a Segunda Guerra Mundial, tendo como assistente Sidney Royce (Paulette Godard). Quando os dois chegam a Lisboa, são perseguidos por bandidos e agentes do governo quando Sidney é confundida com a espia nazi Rita Lenox, que traz diversos planos secretos tatuados nas costas com tinta invisível.

“The Lady has Plans” foi um dos quatro filmes protagonizados pela dupla de actores no espaço de um ano. Os outros foram “Star Spangled Rhythm”, “Reap the Wild Wind” e “The Crystal Ball”.



"Journey for Margaret" ("Refugiados") (1942)


Realizado em 1942 por W. S. Van Dyke, logo a seguir à entrada dos EUA na 2ª Grande Guerra, baseia-se numa história verdadeira. O repórter de guerra, John Davis (Robert Young), e a sua esposa Nora (Laraine Day) ficam retidos em Londres durante os ataques nazis. Nora perde o bebé de que estava à espera e regressa aos EUA de avião via Lisboa, enquanto que John permanece em Londres, mas perde a paixão que caracterizava a sua escrita.

Num dos seus trabalhos ajuda o pequeno Peter (William Severn), que ficara orfão pelo após a sua família ser vítimada pelos bombardeamentos. John volta a encontrar Peter aquando da visita a um orfanato, dirigido por Trudy Strauss (Fay Bainter) onde encontra também a pequena Margaret (Margaret O'Brien então com 5 anos).


Quando decide voltar para os EUA, John pretende levá-los consigo e adoptá-los. Mas todos os aviões para Lisboa estão cheios com meses de antecedência, pelo que há um problema de peso, pois a única solução é levá-los em substituição da sua bagagem (até ao limite de 40 libras), o que significa que só poderá levar uma das crianças.

"Escape to danger" (1943)


Filme realizado por Lance Comfort protagonizado por Eric Portman  (como Anthony Lawrence), Ann Dvorak (Joan Grahame) e Karel Stepanek  (Franz Von Brinkmann).

Joan Grahame, uma professor Inglesa que vive numa Dinamarca dominada pelo regime nazi, colabora com a resistência dinamarquesa, contudo o chefe da Gestapo, Franz Von Brinkmann, , acredita que ela é leal aos ideais alemães.


Von Brinkmann decide enviar Joan para Inglaterra, mas primeiro envia-a para Lisboa, no entanto a sua história de ter estado presa num campo de concentração é recebida com desconfiança pelos representantes britânicos, que optam por a enviar para a América do Sul e não para Londres.
 
 "Storm over Lisbon” ("Tempestade em Lisboa") (1944)




Filme realizado por George Sherman para a Republic Pictures. Estreado em 16 de Outubro de 1944.

Deresco (Erich Von Stroheim) é proprietário de um casino em Lisboa. Apesar de Portugal ser um pais neutral, ele actua como espião free-lancer para quem lhe pagar o seu preço.

(Mais informações)

"The Conspirators" (1944)



Filme dirigido por Jean Negulesco, para a Warner Bros (na sequência do êxito de "Casablanca", com argumento de Vladimir Pozner e Leo Rosten, adaptado da obra "The Conspirators" de Frederic Prokosch. Estreado em 24 de Outubro de 1944.  

Vincent Van Der Lyn (interpretado por Paul Henreid), um holandês defensor da liberdade durante a 2ª Grande Guerra, é forçado a ir para Lisboa, cidade neutral, para escapar aos Nazis. Em Lisboa [identificada no trailer como "Cidade dos ecos e das sombras"] encontra um pequeno grupo de "conspiradores".

O líder do grupo, Ricardo Quintanilla (Sydney Greenstreet), sabe que um dos seus colegas está aos serviços dos Nazis e quer que Van Der Lyn o ajude a identificar esse traidor.




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“The House on 92nd Street” ("A Casa da Rua 92") (1945)


Filme realizado por Henry Hathaway para a 20th Century-Fox sobre a espionagem internacional durante a Segunda Grande Guerra, com uma breve passagem por Lisboa.

A existência de uma cena em Lisboa, apesar de ser algo forçada na narrativa, é obrigatória, acompanhando o mito da cidade dos espiões que à época já existia.

Relojoaria Carvalho em "The House on 92nd Street"

"Lisbon story" (1946)


Filme musical dirigido por Paul Stein, para a British National Filme, que conta com a participação de Patricia Burke e David Farrar e do famoso cantor de ópera austríaco Richard Tauber (que interpreta “Pedro the Fisherman”).

Uma cantora de cabaret francesa (Patricia Burke) e um espião britânico (David Farrar) viajam para a Alemanha nazi para salvar um cientista francês.


A cantora, escapa dos nazis em Paris, mas acaba por ser executada pelos nazis durante a cena final em Portugal. O tema "Pedro, the fisherman" era interpretado no teatro pelos Vincent Tildsley Mastersingers (vestidos de forma colorida como marinheiros portugueses) e no cinema por Richard Tauber.

A canção relata como Pedro, o pescador, abandona a sua amada Nina para ir para o mar, mas acaba por regressar mesmo a tempo de impedir que ela se case com Miguel, o rico produtor de vinho.



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"Gli Uomini sono Nemici" ou "Carrefour de Passions" (“Lisboa, encruzilhada de paixões”) (1947)


Filme de Henry Calef e Ettore Gianninni que apresenta Lisboa como cidade neutra. No início da Segunda Grande Guerra, Irène Dumesnil (Viviane Romance) junta-se à Gestapo no desejo de se vingar de Mario de Falla (Clément Duhour), um cantor de cabaré, que pertence à resistência e foi o responsável pela morte do seu amante.

Mais tarde, em 1943, Irène reencontra Mario em Lisboa e obtém dele informações importantes que transmite aos alemães. Mas ela é vítima do seu próprio jogo e acaba por se apaixonar por Mario. Tenta escapar à influência dos seus chefes, mas eles denunciam-na. Mario está disposto a fugir com ela, mas um súbito tiro de pistola irá impedir que ele concretize a sua missão.


"The Secret Door" (1964)


 

Baseado no conto “Paper Door” de Stephen Longstreet, “Secret Door” (também conhecido como “Now it can be told”) foi realizado por Gilbert L. Kay, tendo como protagonistas Robert Hutton, Sandra Dorne, Peter Illing e Peter Allenby. Alguns dos actores poderão ter ligação Portugal, Moises Batista, Carlos Rodriguez e Antonio Faria.

O filme relata a história de dois assaltantes, Joe Adams e Edward Brentano, que são obrigados a colaborar com os Serviços Secretos dos Aliados após o ataque a Pearl Harbour. A sua missão é entrar na Embaixada do Japão em Lisboa para fotografar documentos do inimigos que valem 1 milhão de dólares.

 "36 Hours" ("Ultimas 36 horas") (1965)


"36 Hours" é um filme norte-americano realizado por George Seaton, com argumento adaptado de conto "Beware of the Dog" de Roald Dahl, que foi parcialmente rodado em Lisboa.

O major Pike (James Garner) é enviado para Lisboa para se encontrar com um espião alemão e descobrir o que ele sabe sobre o Dia D, alguns dias antes do previsto para o desembarque. O major conhece todos os detalhes da operação e quer conferir se os alemães sabem de alguma coisa.


Mas Pike é raptado e enviado drogado à Alemanha, onde os nazis montam uma sofisticada base, simulada como um hospital norte-americano. Ao acordar, com os cabelos pintados de grisalho, os nazis convencem Pike de que ele está em 1950, e que não se lembra dos últimos seis anos por estar a sofrer de amnésia ...

(Mais informações)

"I deal in danger" ("O Décimo oitavo espião") (1966)


Realizado por Walter Grauman, tendo como protagonistas Robert Goulet (como David), Christine Carere (como Suzanne Duchard), Donald Harron (Guy Spauling), Horst Frank (Luber) e Werner Peters (Elm).

Durante a Segunda Guerra Mundial, o americano David March é o único agente que resta de uma rede de espiões dos Aliados conhecida como Blue Light.

David disfarça-se de simpatizante do nazismo, mas o capitão Elm, da Gestapo, suspeita das suas verdadeiras intenções e tenta prendê-lo ao levá-lo para Lisboa para se encontrar com Guy Spauling, um espião britânico que se faz passar por um cientista que pretende desertar para a Alemanha.

Fontes: Metakinema (Dr. João de Mascarenhas Mateus) / Captomente / Cinemateca / All Movie Guide / Moviedistrict