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quinta-feira, 15 de março de 2018

Portugal no Festival da OTI (1972-2000)


No dia 25 de novembro de 1972 realizava-se, em Madrid, a 1.ª edição do Festival OTI, Grande Prémio da Canção Iberoamericana promovido pela "Organização da Televisão Ibero-Americana" (OTI). Um festival inspirado na Eurovisão que reunia países que falam castelhano e português.

De entre os artistas que representaram Portugal contam-se diversos representantes de Portugal na Eurovisão como Simone de Oliveira, Tonicha, Paulo de Carvalho, José Cid, Adelaide Ferreira, Dora, Dulce Pontes e Anabela. Lena d’Água foi a última representante portuguesa no ano 2000.


Portugal concorreu ao Festival de la OTI desde a primeira edição, tendo alcançado o 6º lugar com Tonicha que interpretou a canção "Glória, Glória Aleluia", da autoria de José Cid.

"Glória, Glória Alelulia" não foi um dos maiores sucessos de Tonicha, mas foi regravada no ano seguinte pelo cantor inglês Vince Hill sob o título "Glory Hallelujah". E em Portugal foi gravada por Simone e José Cid. 



Participante em 22 edições, Portugal conquistou 4 posições no pódio do concurso: Uma vez em 2.º lugar e três vezes em 3.º lugar.


A melhor posição de Portugal foi a conquista de um 2.º lugar em 1984, na Cidade do México,  com o tema “Vem no meu sonho” interpretado por Adelaide Ferreira que viria a ganhar no ano seguinte o Festival da Canção e representar Portugal na Eurovisão.


Os terceiros lugares foram conquistados por José Cid, com o tema "Na cabana junto a praia" em 1979, Anabela em 1993 com "Onde estás?" e Beto com o tema "Quem espera desespera" em 1998.

Apesar de nunca termos obtido o 1º lugar, coube a Portugal a organização do festival de 1987, sendo o espectáculo realizado no Teatro São Luís, em Lisboa, com a apresentação de Ana Zannati e Eládio Clímaco, sendo a nossa representante Teresa Mayuco.


Fontes/Mais informações: ESC Portugal / Esc Portugal - 40 anos do Festival / Youtube / wikipedia (1) (2) / discogs / Museu RTP



 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

50 anos de personagens e actores portugueses em novelas brasileiras (1965-2015) (III)

"Gente Fina" (Globo, 1990)


Na década de 1990, todas as emissoras produziam dramaturgia na guerra pelas audiências. Nesse momento também os actores de origem portuguesa aparecem com mais frequência, mas as primeiras novelas dos anos 90 ainda mostram brasileiros no papel de lusitanos.

"Gente Fina" foi uma dessas novelas,  apresentando Paulo Goulart como Joaquim e Laerte Morrone como Agenor, sócios de Guilherme (o protagonista da novela interpretado por Hugo Carvana) numa oficina de mecânica.

Joaquim era pai de dois filhos, com os nomes de Gil Vicente (Marcos Breda) e Pêro Vaz (Fábio Villa Verde).

À esquerda Laerte Morrone

"Rainha da Sucata" (Globo, 1990)


Em "Rainha da Sucata", Lima Duarte e Nicette Bruno interpretavam o casal Onofre e Neiva Pereira, pais da protagonista da novela, Maria do Carmo (Regina Duarte). Ele, que teve participação especial no início da história, era negociante de ferro-velho, simpático e esperto. Ela, dona de casa, abria um restaurante depois da morte do marido.

"O Dono do Mundo" (Globo, 1991)

Em "O Dono do Mundo" Antonio Calloni é William, filho de um milionário que mora ao mesmo tempo no Brasil e em Portugal.

A novela contava a história de um cirurgião plástico, casado, que sente atração por outra mulher e, no casamento dela aposta com os amigos que passará a noite de núpcias com a noiva, em vez do marido. O noivo se suicida e a mulher passa a perseguir o médico.

"Pedra sobre Pedra" (Globo, 1992)


Em 1992, começam a aparecer, ainda de forma tímida, alguns actores portugueses, como os escalados para "Pedra sobre Pedra", de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares. A trama se passa em Resplendor, no sertão da Bahia, e era repleta de casos de amor e família rivais.

Um núcleo da novela refere-se aos ciganos que chegam à cidade e instalam-se nas terras de Cândido Alegria, que havia usurpado a propriedade das terras ao português Benvindo (interpretado pelo actor brasileiro Buza Ferraz).


Com a morte do português, seus sobrinhos-netos Inês e Ernesto Soares de Melo (interpretados pelos actores portugueses Suzana Borges e Carlos Daniel) viajam ao Brasil para reclamar as terras que, segundo eles, foram deixadas como herança.

A actriz brasileira Nivea Maria interpretou Ximena Vilares, primeira-dama de resplendor, que faz uso do sotaque português. Foi a primeira novela Globo a ser financiada pela RTP, que (antecipando a inauguração da SIC) participou com 20% da produção, e teve cenas gravadas em Lisboa.

 "As Pupilas do Senhor Reitor" (SBT, 1994)


Remake da novela que Lauro César Muniz escreveu para a TV Record entre 1970 e 1971, com base no livro homónimo de Júlio Diniz, contudo sem o sucesso da novela da Record.

O destaque ficou por conta das três beatas fofoqueiras interpretadas por Ana Lúcia Torre, Cláudia Mello e Míriam Mehler.

"A Idade da Loba" (Bandeirantes, 1995)


Co-produção entre a TV Plus e a RTP. Pela primeira vez uma novela brasileira foi exibida em Portugal antes de se estrear no Brasil.

A actriz portuguesa Helena Laureano teve uma participação especial, interpretando a fotógrafa Tereza, que viaja ao Brasil em trabalho e se envolve com Arruda (Taumaturgo Ferreira).

"O Campeão" (Bandeirantes, 1996)

Anabela Teixeira participou como Filomena e Margarida Carpinteiro como Generosa. A novela teve como tema central o desejo de reencontro de pessoas que se tinham separado.

"Perdidos de Amor" (Bandeirantes, 1996)


"Perdidos de Amor" traz no seu elenco dois actores portugueses, Diogo Infante, como Fernando, e Cristina Carvalhal, como Ceuzinha. Ele interpretou um cafajeste e ela, uma mulher conservadora.

"Meu Pé de Laranja Lima" (Bandeirantes, 1996)


O actor brasileiro Gianfrancesco Guarnieri é quem interpreta o português Manuel Valadares na terceira versão de "Meu Pé de Laranja Lima", novamente na Bandeirantes.

"Salsa e Merengue"  (Globo, 1996)


Após uma ausência de vários anos de actores e personagens portugueses nas novelas da Globo, Paulo Pires (como Vasco) e Marques D'Arede (como Rodolfo, pai de Vasco) tem uma participação especial em "Salsa e Merengue", transmitida em Portugal pela SIC (que é participada pela Globo, com quem celebra um acordo de exclusividade) e não pela RTP.

Vasco e Rodolfo vão ao Brasil para amparar Bárbara (Rosamaria Murtinho) após a morte do marido Guilherme (Walmor Chagas). Vasco associa-se a uma vilã (Cristina Oliveira) e juntos passam a fazer roubos e dificultar a vida de muitos personagens.

"Xica da Silva" (Manchete, 1996)


Em 1996, "Xica da Silva", da Manchete (transmitida em Portugal pela TVI), também teve no elenco vários actores portugueses. A novela se passa em 1751 e narra a história de Xica da Silva (Taís Araújo), escrava, que desperta a paixão de um comprador de diamantes que tenta transformá-la em fidalga.

Fazem parte do elenco Antônio Torres, Lídia Franco, Anabela Teixeira e Rosa Castro André, que constituem a família Pereira. Gonçalo Diniz também tem um pequeno papel como o capitão Macário (que curiosamente é o nome do pai do actor português).

Gonçalo Diniz a esquerda na foto
O último episódio teve cenas filmadas em Lisboa, onde João Fernandes casa com Violante (abandonando-a logo de seguida) para salvar Xica. O actor português Camacho Costa é o padre que celebra o casamento.

"Anjo Mau" (Globo, 1997)


Na segunda versão de "Anjo Mau", da autoria da argumentista portuguesa Maria Adelaide do Amaral, o brasileiro Sérgio Viotti interpretou o personagem Américo Abreu, imigrante português dono de uma mercearia de alto nível em São Paulo.

Seguro com o dinheiro, deplora as futilidades da filha Marilu (Mila Moreira) e não confia no genro, Ciro (Raul Gazola), por ele ser um jogador. É muito apegado à neta, Lígia (Lavínia Vlasak). Tem enorme bom senso e visão para os negócios.

Casa-se com Goreti (Lília Cabral) e vão a Portugal, onde diversas cenas foram gravadas.

"Força de um desejo" (Globo, 1998)


No ano seguinte, a emissora apresentou Força de um desejo, ambientada na segunda metade do século XIX que trata de questões como a Abolição dos Escravos e a Guerra do Paraguai.

José de Abreu fez uma participação especial no papel de Pereira, um português comerciante interesseiro e trambiqueiro que vive no Brasil mas tem muita vontade de voltar a Portugal.

"Tiro e Queda" (Record, 1999)


Em 1999, a novela da Record, "Tiro e Queda", teve o brasileiro Giuseppe Oristânio como intérprete do português José Manuel Cordeiro, o Neco, e Georgia Gomide como sua sogra, Dona Conceição.

A história do autor Luís Carlos Fusco começava com um banquete promovido por um milionário, Raul Amarante, na sua mansão. Dez pessoas estavam presentes: Amarante, a esposa, sete convidados e Neco, o garçom português.

Diagnosticado com uma doença incurável, o milionário decidiu anunciar seu testamento no qual todos os presentes têm interesse, menos o garçom. Depois disso, vários assassinatos foram cometidos. Neco era dono de uma padaria, onde os personagens do núcleo de classe média se encontravam.

Fontes principais: “De Antônio Maria a Balacobaco: panorama da presença portuguesa na telenovela brasileira” de Elaine Javorski (Encontro Nacional da História de Mídia) / "A influência das relações comerciais e culturais entre Brasil e Portugal na inserção de personagens portugueses nas telenovelas" de Elaine Javorski e Isabel Ferin Cunha (Universidade de Coimbra)

Outras Fontes: Ualmédia / Mundo das novelas / Astros em revista / Bandeirantes start / Teledramaturgia / wikipedia / Mundo das novelas / Todo dia um texto novo  / Imgrum / Novelas e mundo / Memória Globo / Movenotícias / Gshow

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Obras de Júlio Diniz, "Pupilas do Senhor Reitor" e "Fidalgos da Casa Mourisca", adaptadas à TV Brasileira


Em Portugal, o teatro radiofónico surgiu nos anos 1930 na Emissora Nacional, do Estado, mas o primeiro folhetim só surgiu após a Segunda Guerra. Nem por acaso foi "As Pupilas do Senhor Reitor", com base na famosa novela oitocentista de Júlio Dinis.

A radionovela começa também a ter espaço na rádio brasileira na década de 40, quando fazem sucesso várias histórias romanceadas, em capítulos, não só no horário chamado nobre, o nocturno, mas também pela manhã às 9 h, quando era emitida a novela “As pupilas do Senhor Reitor” e, logo depois, “Os Fidalgos da Casa Mourisca”.

As duas radionovelas eram gravadas, devido aos custos para realizar uma radionovela. As agências de publicidade produziam as novelas no Rio de Janeiro ou em São Paulo, gravavam e distribuíam as cópias para outras emissoras do país.


O filme português “As Pupilas do Senhor Reitor" de Perdigão Queiroga (de 1961) foi igualmente divulgado no Brasil, através da adaptação brasileira de Anselmo Duarte e Miguel Pinheiro, tendo nos principais papéis actores brasileiros, como Anselmo Duarte (Daniel) e Marisa Prado (Margarida) e actores portugueses como Isabel de Castro (Clara), Américo Coimbra (Pedro), Silva Araújo (reitor), António Silva (João da esquina), Raul de Carvalho (José das Dornas) e Humberto Madeira (doutor João Semana).


"As Pupilas do Senhor Reitor" (TV Record, 1970)

A convite de Dionísio Azevedo, Lauro César Muniz vai para a TV Record em 1970, para adaptar “As Pupilas do Senhor Reitor”, um romance de aldeia, conforme Júlio Diniz o define. Imbuído da sua experiência de cidade de interior, de Guará, injectou a sua vivência da província, da infância, mas manteve o ambiente e a tradição portuguesa do Minho, mantendo a história no século XIX.

O romance em tom de crónica é muito certinho. O autor da novela criou muitas situações, muitos personagens, para fazer cerca de 280 capítulos! Os cultores de Júlio Diniz não se queixaram.


Com direcção de Dionísio Azevedo e Nilton Travesso, a novela foi exibida entre 23 de março de 1970 e 6 de março de 1971, inicialmente às 19h, em 279 capítulos tendo sido um grande sucesso de audiência (numa época em que a TV Globo já liderava), o que motivou a alteração do seu horário para as 20 h.

A adaptação do texto do escritor português Júlio Dinis, tratava dos conflitos dos moradores locais: um médico (João Semana, interpretado por Sérgio Mambert) que perde o posto para outro mais jovem, recém-formado (Daniel), e o envolvimento das “pupilas” Clara (Georgia Gomide) e Margarida (Márcia Maria), que estão sob o cuidado do reitor Padre Antônio (Donísio Azevedo), com os irmãos Daniel (Agnaldo Rayol) e Pedro das Dornas (Fúlvio Stefanini) .


A novela era toda gravada num estúdio da Record, no Aeroporto de São Paulo, com todo o requinte que a emissora poderia empregar na época. Sem locações (exteriores). Era um estúdio muito grande onde foi reconstituída uma praça, com fachadas das casas. De forma engenhosa, as fachadas eram retiradas e apareciam os interiores das casas. Quase nunca fizeram cenas exteriores.

No terceiro mês de apresentação da telenovela, a atriz Geórgia Gomide deixou "As Pupilas do Senhor Reitor". Sua personagem, "Clara", do núcleo de protagonistas, passou a ser interpretada por Maria Estela. A mudança fez com que a personagem Margarida (interpretada por Márcia Maria) ganhasse maior destaque e assumisse o papel de protagonista.

Segundo arquivos da Unicamp, é a telenovela de maior audiência da história da Record em todos os tempos. Obteve média geral de 20 pontos na audiência, com capítulos que ultrapassaram os 30 pontos de média.


O cantor Manoel Taveira radicado no Brasil (que editou um disco com algumas músicas da novela) interpretava um monossilábico ajudante de barbeiro que só conseguia fazer frases completas quando cantava.

O cantor Dino Meira, então radicado no Brasil, fazia o papel de cantor do Porto e interpretou o tema “Caminhos da minha vida”, uma espécie de jazz português, na trilha sonora complementar – canções interpretadas pelos actores.

A actriz portuguesa Maria José Vilar canta, nessa trilha sonora complementar, “Dá-me um beijo”, vira composto sob medida para a intérprete de Elvira, a esposa do Marceneiro Rogério.

 
"Os Fidalgos da Casa Mourisca" (Rede Record e TV Rio, 1972)

"Os Fidalgos da Casa Mourisca" foi uma telenovela brasileira exibida pela Rede Record entre 2 de maio e 2 de setembro de 1972, às 19h, em 107 capítulos.

Baseada no romance homónimo de Júlio Diniz, foi adaptada por Dulce Santucci e dirigida por Randal Juliano.

Foi uma tentativa fracassada de reeditar o sucesso de "As Pupilas do Senhor Reitor", do mesmo escritor.


Rodolfo Mayer, no papel de Dom Luís, e Geraldo Del Rey e Ademir Rocha no papel dos filhos de Dom Luís, Jorge e Maurício, eram os Fidalgos do título, destacando-se igualmente as actrizes Maria Estela (no papel de Berta, uma plebeia que se casava com um dos filhos) e Laura Cardoso (que interpretara o papel de Tereza em "Pupilas do Senhor Reitor" como Gabriela).


"As Pupilas do Senhor Reitor" (SBT, 1994)

"Remake" da novela de 1970, da Record, escrita por Lauro César Muniz. Exibida de 6 de dezembro de 1994 a 8 de julho de 1995, em 185 capítulos (originalmente às 19h45), foi escrita por Muniz e adaptada por Ismael Fernandes e Bosco Brasil, novamente sob a direcção de Nilton Travesso.

A novela tinha como protagonistas Juca de Oliveira (Padre Antônio - Senhor Reitor), Débora Bloch (Margarida), Luciana Braga e Eduardo Moscovis Moscovis (Daniel das Dornas), Tuca Andrada (Pedro das Dornas) e Elias Gleizer (Sr. José das Dornas).


O tema de abertura era "Canção do mar", na voz de Dulce Pontes, que a tornou conhecida por todo o  Brasil.

A personagem da atriz Lucinha Lins, Magali do Porto, é uma cantora famosa de Portugal que visita Póvoa do Varzim e dá um show ao ar livre para os habitantes da cidade, e canta o clássico "Ai, Mouraria!"

Apesar do excelente trabalho de arte e direção, a novela não conseguiu cativar tanto o público e a audiência caiu.


(Novela da Record)

Opereta "Os Fidalgos da Casa Mourisca" (1940)

O compositor, instrumentista e regente J. Aimberê (José Aimberê de Almeida) nasceu em Anápolis (atual Analândia) SP em 9/4/1904 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 24/11/1944. Além da opereta "Noite de reis" (1928), foi autor das músicas das operetas "Tutu marambaia" (1939), libreto de Batista Júnior e Belisário Couto, e em 1940, de "Os fidalgos da casa mourisca", libreto de Costa Junior.

Fontes/Mais informações: Wikipédia (Pupilas 1970. Os Fidalgos da Casa Mourisca, Pupilas 1994) / Tudo isso e TV / E10blog / Biografia de Lauro César Muniz / Revistacal / Recreio Brasil / Novelas do Brasil (Os Fidalgos da Casa Mourisca) / Teledramaturgia / Astros em Revista  / ufrgs (rádio cearense) / Opereta

Rádio novela "Fidalgos da Casa Mourisca" em cartaz na Tupi (1943)
Póvoa do Varzim (Erro da revista)





Trio de fofoqueiras em destaque na produção da SBT

A SBT utilizou as cenas ousadas de Francisquinha para alavancar as audiências 



sábado, 15 de outubro de 2016

Férias em Portugal, com argumento de Janete Clair, em “Férias Sem Volta” (1977 e 1993)


Caso Especial foi uma série de telefilmes produzidos e exibidos pela Rede Globo entre 10 de setembro de 1971 e 5 de dezembro de 1995, com dia, horário e periodicidade de exibição variados, tendo totalizado 172 episódios.

Em 2 de dezembro de 1977 foi exibido, com grande repercussão, um “Caso Especial” de autoria de Janete Clair. Dirigido por Antônio Abujamra, um dos principais encenadores do teatro brasileiro, o Caso Especial de Janete reunia no elenco Renata Sorrah, o actor português Tôni Côrrea e Thereza Amayo, que fazia o papel de amiga e prima da protagonista. Idealizada pela escritora quando passou férias em Portugal, a acção do telefilme decorria em Lisboa, Sintra, Cascais e Estoril.

Nos anos 90, a história foi refeita e reapresentada com Carolina Ferraz no papel que foi de Renata Sorrah.


Sinopse

Um rapaz do interior do Brasil (Carlos Gregório), às vésperas do casamento, põe o carro na frente dos bois e tenta "se aproveitar" da noiva: bela, jovem e virgem (Renata Sorrah). Traumatizada, a moça dispensa o apressadinho e decide visitar Portugal com a mãe. A jovem reencontra a razão de viver durante a viagem: apaixona-se por um "gajo" da terra (Toni Corrêa).



"Remake"

Para homenagear o décimo aniversário da morte de Janete Clair, nada melhor que uma história romântica, gravada nos cenários mais sugestivos de Lisboa; o caso especial "Férias sem volta'', que foi exibida pela Rede Globo em 1993, com argumento de Janete Clair  e adaptação de Leonor Bassères.

Entre a Torre de Belém, o Castelo de São Jorge, a Alfama, Sintra e Cascais, a triste Hortênsia se recupera do trauma provocado pela morte do noivo em um acidente e é galanteada pelo guia turístico Salvador.

Dirigidas por Roberto Talma, as cenas em Portugal foram gravadas em quatro dias e trouxeram a Portugal Carolina Ferraz e Eva Wilma, que interpretam Hortênsia e Laura, mãe da protagonista.

O papel de Salvador (o guia  português) ficou com o actor português Diogo Infante, então com 26 anos. "Férias sem volta", que tem também as participações de Carlos Zara, como pai de Hortênsia, Cássio Gabus Mendes (o noivo que morre) e o actor português Marco António Del Carlo.

 Fontes: Mauro Ferreira ("Nossa Senhora das Oito") / Wikipedia / Sandra Cohen

sábado, 15 de agosto de 2015

“Dawn” de H. Rider Haggard (1884) e outras histórias madeirenses


Muitos autores estrangeiros situaram os seus romances na Ilha da Madeira. Alguns dos escritores nunca visitaram a Madeira. Na opinião de Donald Silva, a ilha surge nas criações literárias de diversos escritores porque desde cedo os estrangeiros desenvolveram uma certa visão romântica da Madeira. Este romantismo cresceu no Séc. XIX, com os diários de viagem e outros documentos, e a Madeira, claro, tornou-se muito conhecida no Século XX. 

Provavelmente o escritor inglês H. Rider Haggard, que visitou a Madeira em 1881, no regresso da África do Sul para Inglaterra (após a derrota dos ingleses em Majuba Hill), terá sido o primeiro escritor estrangeiro a localizar a acção de um romance na Madeira.


Em "Dawn", um melodrama Vitoriano do escritor britânico em três volumes, que foi o seu primeiro romance, o jovem Arthur Heigham é o herói que se apaixona por Angela Caresfoot. O dominador pai da jovem é contra a relação e Arthur concorda em se se afastar de Angela durante um ano.

Arthur vai para a Ilha da Madeira. Durante a viagem de barco conhece uma mulher mais velha, Mildred Carr, que vive na Madeira e que acaba por se apaixonar por ele. A Quinta Vígia é descrita em “Dawn” como Quinta Carr onde o Arthur e Mildred Carr fazem amor.

Arthur conhece também os Bellamy que estão na Madeira por questões de saúde de Lord Bellamy. Arthur acompanha Lady Bellamy a um desfile para ouvir a banda tocar. Lady Florence e Mrs. Velley são outras personagens britânicas que residem na Ilha da Madeira e Mildred recebe o governador da Madeira.

Quando retorna para Inglaterra encontra Angela casada com o seu pérfido primo George.

Após regressar à Madeira fica a saber que Angela foi obrigada a casar com o primo. George acaba por morrer e Arthur volta para casar com Angela, deixando Mildred destroçada.


Sax Rohmer

“Moon of Madness” (1927) do escritor inglês Sax Rohmer (pseudónimo de Arthur S. Wade), criador do Dr. Fu-Manchu, que chegou a viver na Madeira, é outro dos exemplos mas antigos. O livro conta a história de um agente secreto irlandês que, juntamente com uma agente norte-americana, persegue um espião por toda a Europa, culminando num confronto fatal na Ilha da Madeira.

Em "Black Magic" o Dr. Sarafan era um respeitável residente da Ilha da Madeira.

Noutro dos seus livros, "The Affairs of Sherlock Holmes", um dos personagens, Ma Lorenzo, é meio português.


Ann Bridge e outras escritoras britânicas que viveram na Madeira

Várias escritoras britânicas viveram na Madeira, como as irmãs Margaret Emily Shore (1819-1839), Arabella Shore (1822-1900) e Louisa Catherine Shore (1824-1895), Jane Wallas Penfold (1821-1884), Isabella de França (1795-1880), a prolífica Evelyn Everett-Green (1856-1932) e Ann Bridge (1889-1974).

“The Malady in Madeira” (1970) de Ann Bridge (pseudónimo de Mary Ann Dolling O'Malley) é um dos mais arrepiantes livros situados na Madeira, relatando a realização por parte da Russia de testes de gás nervoso em ovelhas selvagens. Mrs. Hathway vai para a Madeira por questões de saúde e é acompanhada por Julia Probyn. Aí encontram Aglaia a esposa de Colin Munro, que estava a recuperar de um acidente de carro em que perdeu o seu bébé. Colin acaba por descobrir que os russos estão a testar na Madeira o mesmo gás que testaram no Médio Oriente e que terá provocado a morte do marido de Julia.

O livro faz parte da série "Julia Probyn mystery series" que inclui igualmente "The Portuguese Escape" de 1958.


Dorothy Dunnett

A escritora escocesa Dorothy Dunnett (1923-2001), autora da série de aventuras "The house of Niccoló" (banqueiro e mercador do século XV), descreve no 4º livro da série, "Scales of God" (de 1991), uma breve visita de Niccoló à Madeira.

A acção decorre em Veneza, Espanha, Madeira e África, durante uma viagem em busca do Ouro africano e da rota do Preste João.


Denise Robins

Em “Dark Corridor” (de 1974), da escritora inglesa Denise Robins (1897-1995), conhecida como "Queen of Romance", a jovem Corisande Gilroy está noiva de Martin, que considera o homem mais maravilhoso do mundo. Mas quando Corrie o procura no hotel da Madeira, onde iriam passar férias, ele não se encontra lá. O quarto está vazio, a mala está apenas parcialmente feita e nem sinal de Martin apesar dos esforços da polícia local. Será que ele desapareceu no corredor escuro que lhe apareceu em sonho.

Fontes: Marina Oliver (Literary thrills in Madeira em Revista "Brit in Madeira" de Outubro de 2013, pág. 18) /  Vista da serra / Laureano Macedo (Quem foram as escritoras madeirenses do passado) / Prefer reading (Ann Bridge)