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quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Na pista dos baleeiros açorianos de "Moby Dick" (1851)
"Moby Dick" foi publicado em três fascículos com o título de "Moby Dick" ou "A Baleia" em Londres em 1851, e ainda no mesmo ano em Nova York em edição integral.
O livro foi revolucionário para a época, com descrições imaginativas das aventuras do narrador - Ismael, suas reflexões pessoais, e grandes trechos de não-ficção, sobre variados assuntos, como baleias, métodos de caça, arpões, a cor branca (de Moby Dick), detalhes sobre as embarcações e seu funcionamento, bem como sobre o armazenamento de produtos extraídos das baleias.
A obra acompanha Ismael quando este se alista no baleeiro Pequod e segue-o na saga do capitão Ahab, um louco que atravessa oceanos para vingar a perda da sua perna, arrancada por um mítico cachalote branco.
A determinado momento do livro descobre-se, na tripulação do navio, Daniel, um marinheiro açoriano, da minúscula ilha do Corvo. Para a maioria dos leitores, o motivo da presença de um português na obra permaneceu um mistério durante décadas.
Melville esclarece que "não poucos destes caçadores de baleias são originários dos Açores, onde as naus de Nantucket que se dirigem a mares distantes atracam, frequentemente, para aumentar a tripulação com os corajosos camponeses destas costas rochosas. Não se sabe bem porquê, mas a verdade é que os ilhéus são os melhores caçadores de baleias".
Foi na cidade de Fairhaven, no Estado de Massachusetts, que Herman Melville embarcou numa baleeira no dia 3 de Janeiro de 1841. O escritor viveu 18 meses no Acushnet, o navio do capitão Valentine Pease Jr. e foi essa experiência que alimentou as minuciosas descrições publicadas em 1851.
Na sociedade fechada do arquipélago, os açorianos viam nos cascos dos navios o reflexo de um mundo novo, perdido em abundância e aventura, e embarcavam. Assim que tocavam os porões gordurosos das baleeiras, mudavam de nome: os Rosa passavam a Roger, os Freitas a Frates, os Machado a Marshall.
Pequod, o navio baleeiro de Moby Dick, esteve ao largo dos Açores, mas não fez escala. Dezenas de páginas do romance nasceram no terreno das experiências pessoais do seu autor. Se menciona os baleeiros açorianos, terá Melville conhecido algum ?
O jornalista Alexandre Soares foi no encalço destes nossos antepassados e encontrou Laura Pereira, uma bibliotecária casada com um português, que lhe mostrou uma moldura castanha com uma lista da tripulação do Acushnet. “São os companheiros de Melville”, explica. Esta pode ser a prova definitiva de que o escritor conheceu um baleeiro açoriano.
Laura começa a virar a moldura. Com algum esforço, a mancha de letras ganha alguma definição. Já se distingue a caligrafia do capitão, o barco tinha uma tripulação de 27 homens. Mais alguns segundos e a espiral de letras e linhas organiza-se para destacar quatro nomes: George M. Gurham, Joseph Luís, John Adams, Martin Brown. Jorge, José, João e Martim. Todos açorianos, os quatro da ilha do Faial. Mistério resolvido.
Fontes/Mais informações: Diário de Notícias / moby dick game / wikipedia / whaling museum
terça-feira, 15 de julho de 2014
A emigração portuguesa em “O Salto” (“Voyage of Silence”) de Christian de Chalonge (1967)
Filme emblemático sobre a emigração portuguesa clandestina, “O Salto” está imbuído de uma forte carga política e ideológica, fruto do ambiente efervescente vivido em França na época. O crescente fluxo migratório, as condições em que partiam os emigrantes – a pé e em camionetas de carga – e a forma como eram recebidos em França são questões retratadas de forma crua e realista. Com esta primeira obra o francês Christian de Chalonge viria a arrecadar, em 1968, o prestigiado Prémio Jean Vigo.
“O Salto” é um filme francês estreado em 1968, sob direcção de Christian Chalonge, com a participação, entre outros, de Marco Pico (António Ferreira), Ludmila Mikaël (Dominique), António Passalia (Carlos), Américo Trindade (Américo), António Assunção e Henrique de Souza (Alberto).
Carlos Saboga, hoje famoso argumentista do cinema português, era um jovem imigrante em Paris nessa altura, alguém que vivendo noutra realidade, a dos exilados políticos, viu de perto os bidonvilles por razões profissionais (participou na pesquisa para o filme "O Salto", de Christian de Chalonge, sobre a emigração clandestina portuguesa):
"Paris estava cercada de bidonvilles onde estavam os tipos que estavam a fazer a França. Estes tipos estavam escondidos, não se viam nas ruas. Trabalhavam na Renault, na Citroën, na construção civil, nas auto-estradas. Eu conhecia os bairros de lata lisboetas - Casal Ventoso, Vale Escuro -, porque enquanto militantes [comunistas] íamos lá falar com as pessoas, mas nunca tinha visto nada assim. As condições de vida eram pavorosas. Quando os franceses falam dos 30 anos de prosperidade a seguir à guerra, esquecem-se dessa outra face da moeda."
Sinopse
António é um marceneiro português que, para fugir à guerra colonial e à pobreza, decide emigrar para França, respondendo ao desafio de um amigo. À dureza da travessia da fronteira, somam-se as dificuldades em Paris. Sem documentos, sem trabalho e sem falar francês, António deambula pela cidade em busca de Carlos, o amigo que lhe prometera ajuda. Neste seu percurso solitário, a esperança e o optimismo vão dando lugar à desilusão, sentimento partilhado por muitos portugueses com quem se vai cruzando.
Por não encontrar Carlos, e sem saber o que fazer, António pede ajuda a Dominique, uma jovem enfermeira francesa, que conhecera em Portugal, contudo a jovem não poderá ser de grande utilidade para um imigrante ilegal (que, ainda por cima, não fala francês), mas ainda lhe consegue arranjar um pequeno “biscate”, ajudando à mudança de casa de um médico.
Quando António encontra Carlos, sente-se traído, ao saber que o compatriota exige uma elevada quantia em dinheiro para lhe arranjar os documentos de trabalho e o pagamento de uma percentagem do seu salário durante cinco anos, acabando por ir parar a uma cidade com piores condições do que a vila portuguesa donde era originário.
Prémios
Prémio OCIC do Festival de Veneza (1967)
Prémio Jean Vigo (1968)
Música de Luís Cília
Luís Cília foi para França forçado. Nos primeiros tempos tocava nas festas das associações de emigrantes. Apenas quando fez a música para o filme "O Salto" é que se dedicou só à música.
Em 1966 foi entrevistado pela televisão francesa no âmbito de um programa sobre a juventude que emigrou para França
Filmes sobre a emigração portuguesa
O realizador José Vieira, a residir em França e autor de “Gente do Salto" (2005), que pretende ser um documento com memórias de portugueses que fugiram para França nos anos 60 que, no seu entender, França e Portugal continuam a ignorar, referiu por ocasião da apresentação do seu documentário, que “há poucos filmes sobre a emigração portuguesa em França, realidade que poderá ser alterada em breve com o surgimento de novas histórias feitas pelos filhos dos portugueses.”
Fontes/Mais informações: RTP / Films de France / Museu Emigrante / Textos da internet / Itacaproject / Memória Viva / Scoop.it (cinema e emigração)
Videos: Genérico / Tema do filme em assobio
domingo, 15 de abril de 2012
"Retour à Lisbonne” de Carlos K. de Brito (2008)
Não é vulgar autores portugueses escreverem numa língua que não seja a sua, mas por vezes tal situação acontece, como é o caso de “Retour à Lisbonne” de Carlos K. Debrito, escrito originalmente em francês.O autor é natural de Braga, onde nasceu em 1952 e frequentou o Liceu Sá de Miranda. É licenciado pela Faculdade de Medicina de Lisboa, exerceu a sua profissão no Hospital Júlio de Matos entre 1984 e 1989, sendo actualmente médico psiquiatra em França.
“Retour à Lisbonne” é o primeiro romance de Carlos K. de Brito, editado em finais de 2008 pela Editora L’Harmattan de Paris.
“Retour à Lisbonne” constitui uma verdadeira deambulação europeia, uma especial procura de identidade. A descrição de cada passo é assim acompanhada pela reflexão intelectual e, sobretudo, pela dimensão afectiva que daí resulta.
Sinopse:
“De passagem por Lisboa, Xavier Martins revê, ao longo de um trajecto cuidadosamente escolhido, o seu passado. Tendo nascido na capital portuguesa bem antes de Abril de 1974, obrigado a exilar-se por causa do regime totalitário da época, revisita esta cidade que um dia foi a sua, com um olhar crítico e um coração sempre lusitano.
Xavier Martins mergulha rapidamente nas suas recordações mais íntimas. Uma viagem interior, uma ida e volta, que nos conduz singularmente através das ruas de Lisboa, Bruxelas e Paris.
Fonte: Nortebad (adaptado)
sábado, 31 de março de 2012
J. Rentes de Carvalho: entre a Holanda e Portugal

Nascido em Vila Nova de Gaia em 1930, de ascendência transmontana, foi obrigado por razões políticas a abandonar Portugal, tendo vivido em Paris e largas temporadas no Brasil. Entretanto, um amigo, adido comercial da embaixada do Brasil na Holanda, precisou de ajuda para dirigir uns relatórios. "Respondi-lhe que iria duas semanas no máximo. Fiquei 55 anos."
Depois da experiência como assessor na embaixada, andou a vender revestimentos para telhados. "Foram três anos muito duros."
Na época conheceu um professor catedrático que dirigia um curso de literatura portuguesa na Universidade de Amesterdão. "Tinha aprendido português na Indonésia e escrevera uma tese sobre Fernando Pessoa. Já tinha uns 60 anos e conversávamos muito sobre literatura e Portugal. Um dia, disse-me: ‘você não é dos telhados, mas da universidade’".
Assim começou a dar aulas sem ser licenciado. Em cerca de dois anos deu por findo o curso com a tese "O Povo na Obra de Raul Brandão". Ali leccionou até 1988.

Principal bibliografia (1972)
A sua bibliografia inclui romances (entre eles "Montedor", 1968, "O Rebate", 1971, "A Sétima Onda", 1984, "La Coca", 1992, "Ernestina", 1998, "A Amante Holandesa", 2003), contos, diário ("Tempo Contado" - nome do seu blog - ou "Tempo sem Tempo"), crónica ("Mazagran", 1992) e guias de viagem. O seu "Portugal, een gids voor vrieden" ("Portugal, Um Guia para Amigos"), de 1988, esgotou dez edições.
"Com os Holandeses" ("Waar die andere God woont", publicado originalmente em neerlandês, em 1972, e um sucesso editorial na Holanda) é a primeira obra de J. Rentes de Carvalho no catálogo da Quetzal.
O mais recente título de Rentes de Carvalho é "Gods Toorn over Nederland" ("A Ira de Deus sobre a Holanda").
"Com os Holandeses" (1972)

Um dos grandes temas de Rentes de Carvalho teve como base a observação da vida dos holandeses. O ponto de partida foi o seu famoso "Waar die andere God woont" de 1972, traduzido para português com o título "Com os holandeses".
Na Holanda já vai na 13ª edição, a Portugal só chegou em 2009.
Luís Carmelo escreveu, nessa altura, que é "pena é que Portugal não tenha tido, no último meio século, nenhum escritor estrangeiro que tivesse dado do país o retrato tão corrosivo e objectivo como o que Rentes de Carvalho generosamente concedeu à Holanda. Apesar de algumas farpas estimulantes e certeiras do amigo holandês Gerrit Komrij (e do seu ainda actualíssimo "Um Almoço de negócios em Sintra").

Um desconhecido em Portugal durante muitos anos
José Rentes de Carvalho vendia milhares de livros na Holanda, mas isso não fazia dele alguém conhecido em Portugal.
As suas primeiras editoras em Portugal publicaram os seus livros sem jamais prestarem contas, pelo que optou por publicar os seus livros na Holanda, ainda que os escreva em Português e na sua maioria tenham mais de Portugal do que da Holanda, mas por razões insondáveis também nunca nenhum editor português tomou nota da sua existência.
Episódio curioso e sintomático desse desdém passou-se em 1989, durante a Buchmesse de Frankfurt. O editor holandês decidiu que o stand inteiro da editora seria quase inteiramente dedicado aos seus livros. Fora e dentro do stand foram colocadas várias fotografias do autor, com o nome em bom tamanho, e fotografias das capas, tudo em formato de cartaz.

Durante três dias passaram por lá dezenas de editores, funcionários da cultura e jornalistas portugueses. O escritor viu alguns a pararem embasbacados, mas não houve um único com curiosidade de saber quem era o compatriota, ou por que razão o exibiam ali.
Leonardo de Freitas, o patrão da Editorial Escritor, escreveu-lhe em fins de 1997 a dizer que gostaria de editar os seus livros, o que aconteceu até meados da primeira década do Século XXI.
Actualmente, com a Quetzal a relançar a sua obra em Portugal, José Rentes de Carvalho diz-se com “o coração cheio”.

Holandeses e Portugueses
Dos holandeses bem nos falta o afinco ao trabalho e ao estudo a sério, a consciência social, a disciplina, a pontualidade.
Para a Holanda poderíamos certamente exportar aquela nossa forma de carinho que, mesmo quando não é sincera, sempre dá um certo conforto à alma.
E poderíamos ensinar os holandeses a comer. Há aqui excelentes restaurantes, mas a culinária doméstica é de fugir dela a sete pés.
Um pouquinho do nosso "deixa lá" também compensaria da rigidez calvinista.

Outras curiosidades
Até recentemente desconhecido do grande público português, é actualmente considerado um dos autores mais inovadores e inteligentes da prosa escrita em língua Portuguesa.
Para a editora De Arbeiderspers, de Amsterdam, dirigiu e escreveu os posfácios da edição em língua holandesa das principais obras de Eça de Queiroz.
A sua biobibliografia acha-se incorporada desde a 9ª edição na Grote Winkler Prins Encyclopedie, a mais antiga (1870) das enciclopédias holandesas.
Fontes/Mais informações: Eito fora / jornal i / Página oficial / wikipedia / DN / Blog Tempo Contado / Up Magazine (TAP)/ Pnet Literatura / Bert Ernste / Quetzal
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Fernando Abrantes was a Robot (1991)

Fernando Abrantes estudou engenharia de som na Alemanha. Em 1991, recebeu um convite surpreendente. Fazer parte da formação dos Kraftwerk, o mítico grupo alemão criador de conceitos pop que continuam a fascinar gerações.
O teclista Karl Bartos havia abandonado o projecto, que se preparava para empreender a sua terceira grande digressão pelo Reino Unido, e para completar o quarteto foi escolhido Abrantes.
Uma das novidades dos cerca de 15 concertos onde o português interveio foi a introdução de novos robôs no conceito visual. Foram criados quatro com as feições de cada um dos membros, providos de membros móveis e controlados pelos músicos, remotamente. Depois da saída de Abrantes, os Kraftwerk estabilizaram a sua formação com Ralf Hutter, Florian Schneider, Fritz Hilpert e Henning Schmitz.

Como é que se deu a entrada de Fernando Abrantes nos Kraftwerk
"A minha mãe é alemã, estudei engenharia de som sete anos em Düsseldorf e foi aí que conheci Fritz Hilpert, hoje um dos principais membros dos Kraftwerk. Ele é também engenheiro de som, é responsável por "disparar" o computador central e toca percussões electrónicas no grupo. Éramos amigos e colaborámos em alguns projectos.
Em 1991, já eu estava em Portugal, recebi um telefonema dele a perguntar-me se queria fazer um "casting" para substituir Karl Bartos, o teclista principal. Já tinha aqui a minha vida, tinha nascido a minha primeira filha, mas lá fui ter com eles. Pagaram-me um bilhete de avião, gostaram de mim e ficou decidido que iria integrar a formação do grupo na digressão por Inglaterra nesse mesmo ano."

Robôs-réplicas
"Era engraçado ver a minha cabeça-de-robô na imprensa... [risos]. Fazia parte da concepção do espectáculo. Era impressionante como aquilo funcionava porque os robôs eram tratados com extremo cuidado. Foram feitos por uma empresa italiana que conseguiu, via "MIDI", que todas as articulações pudessem ser comandadas por computador. (...)"
Fonte: Vítor Belanciano (Público / Ipslon) (adaptado)
Fernando Abrantes actuou com os Kraftwek na digressão inglesa de "The Mix" (1991), tendo posteriormente sido substituído por Henning Schmitz, contudo o robô de Abrantes continuou a aparecer na tournée.
Sobre esse aspecto, Ralf disse: "é muito mais fácil trocar um membro do que um robô!"
Outras Fontes: DJ Hunter-Nila /Parabolicadoblum
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Luís Jardim, músico sem fronteiras
Luís Jardim nasceu na freguesia de Santa Maria Maior, na Rochinha, Ilha da Madeira. Começou com 9 ou 10 anos, com uma banda, que na altura foi muito conhecida na Madeira nos anos 60, chamada Demónios Negros. Saiu da Madeira com 16 anos com destino a Inglaterra, à procura de novas oportunidades, visto que na Madeira era muito difícil. Durante a viagem de barco para Inglaterra, conheceu um trio que actuava no barco, com o qual começou a colaborar.
A cantora chamava-se Linda Allan, e foi a sua primeira esposa, tendo ficado conhecida como Linda Jardim, a intérprete feminina do tema "Video Killed the Radio Stars" dos The Buggles.
Quando chegou a Londres rapidamente entrou no mundo da música. Pensavam que Luís Jardim era brasileiro, pois havia muito músicos brasileiros a trabalhar fora do Brasil, e não havia tradição de músicos portugueses.
Trouxe balanço/groove para a música inglesa, que nessa altura era algo frio, o que o levou a ser convidado por muitos artistas. Colaborou em mais de 5.000 discos nos primeiros anos.
Formou em 1971 os Rouge, um grupo que tocava música mais soul/funky e que editou pela CBS, tendo durado até 1975.
Segundo Luís Jardim o grupo teve sucesso em países como os E.U.A., Canadá, Austrália e Japão.
Fez parte da banda de artistas como Tom Jones e Tina Turner. "Toquei durante 3 anos com Tina Turner e no fim ninguém me conhecia".
Em 1977 tornou-se músico de estúdio. O seu percurso pode ser seguido pelas "capas" dos discos onde participou, mesmo que o nome venha escrito errado (às vezes Louie Jardim, Louis Jardim, ...).
Colaborou igualmente, em 1979, com o grupo Chromium, conjuntamente com Linda Jardim, Ann Dudley, Hans Zimmer, e os futuros Buggles, Trevor Horn (como produtor) e Geoff Downes, mas não tiveram grande sucesso.
A primeira remistura que fez foi para a versão de dança de "Relax" dos Frankie Goes To Hollywood. Mais tarde formou uma equipa de produção que se dedicava essencialmente a remisturas, e fez discos de house e hip-hop escondido por trás do nome Matt Vinyl.

Acompanhou artistas como os Madness (nos álbuns "Keep Moving"), Asia (nos álbuns "Arena" e "Aura"), Claire Martin ("Take My Heart"), Katie Melua e Axelle Read.
Luís Jardim integrou igualmente o agrupamento Jazz, Charlie Watts and his Tentet, liderado pelo famoso baterista dos Rolling Stones.

Participação em mais de 10.000 discos
O decano Luís Jardim é percussionista e trabalha como músico de estúdio desde 1973. A lista de álbuns em que participou é infindável e notável, contando com nomes de todas as áreas musicais, dos Rolling Stones, Eric Clapton ou Elvis Costello, a James Brown, Björk ou Art of Noise
Os seus dotes no domínio das percussões e do baixo começaram a propagar-se por uma imensidão de álbuns de artistas mais ou menos famosos, atingindo um pico de reconhecimento quando surgiu nas gravações de “Steel Wheels” e “Voodoo Lounge”, dos Rolling Stones.


Jardim também pode ser escutado, por exemplo, em registos dos Pink Floyd ("The Final Cut"), ABC, Art of Noise, Björk, Boy George, Ray Charles, Eric Clapton, Elvis Costello, Bryan Ferry, Frankie Goes to Hollywood (capa de "Welcome to the Pleasuredome"), Goldie, Madness, Seal, Soul II Soul, Tears For Fears e Wham!.
Luís Jardim referiu ao programa "Bairro Alto", da RTP2, que obteve, em 1986, um prémio Grammy como melhor instrumentista pela participação no tema “Slave to the Rhythm” de Grace Jones (produção de Trevor Horn).

Depoimento de Rui Veloso
Eu já conhecia o Luís há anos, porque, uma vez, em Londres, fui recebido por ele de uma maneira que me deixou espantado. Quero dizer, sempre era o Luís Jardim, o homem que toca com todos aqueles gajos importantes. E ele, com uma paciência infinita, andou a mostrar-me uma imensidão de estúdios diferentes. (…)
Mas quando conheci o Luís já tinha cá em casa milhentos discos com o nome dele, escrito de várias maneiras - Louis Jardim, Luis Jardin. Discos do James Brown, dos Rolling Stones, vários dos Soul II Soul.
Curiosidade
Linda Jardim foi igualmente a intérprete do tema "Energy in Northampton" dos Northampton Development Corporation, mas não teve grande sucesso.

Fontes: "Bairro Alto" (RTP2) / Jardim.co.uk / Guedelhudos / wikipedia / Guia da Madeira / Blitz (Ricardo Camacho / Rita Guerreiro)
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Joaquim Paulo edita livros "Jazz Covers" (2008) e "Funk & Soul Covers" (2010) pela Taschen

A editora alemã Taschen lançou, em 2008, "Jazz Covers", um livro do coleccionador português Joaquim Paulo, que reproduz ao longo de 496 páginas cerca de 700 capas de vinis de jazz dos anos 1940 a 1990 da sua discoteca pessoal.
O livro, de capa mole e com um formato aproximado de um LP, reproduz as capas dos perto de 700 discos acompanhados de ficha técnica, comentários e entrevistas que contextualizam historicamente cada vinil.

"Jazz Covers" é "um documento da história do jazz e revelador de como a componente gráfica teve uma ligação muito importante com a música", disse Joaquim Paulo à agência Lusa.
Os discos foram escolhidos a partir da colecção pessoal de 25.000 títulos de Joaquim Paulo, profissional ligado à rádio em Portugal há mais de vinte anos e, mais recentemente, fundador da editora "Mad About Records".

Considerando esta obra "um projecto de vida", Joaquim Paulo trabalhou neste livro ao longo de dois anos, seleccionando os discos e compilando testemunhos de personalidades-chave para contar a história do jazz. São os casos de Rudy Van Gelder, o engenheiro de som que gravou álbuns para a Blue Note ou para a Prestige, o produtor de jazz Creed Taylor e o designer Bob Ciano.
Joaquim Paulo propôs o projecto à Taschen, porque queria uma editora "que tivesse um grande cuidado gráfico" e foi o próprio fundador da editora alemã, Benedict Taschen, que viabilizou a edição.

Apesar de o jazz remeter invariavelmente para os Estados Unidos, a escolha de Joaquim Paulo é geograficamente ampla, com a inclusão de discos da Argentina, Brasil, Polónia, Roménia ou Reino Unido.
Da galeria de eleitos fazem parte Miles Davis, Chet Baker, Thelonious Monk, John Coltrane, Ornette Coleman, Count Basie, Art Blakey, Bill Evans, Ella Fitzgerald e Chick Corea, mas também Stan Getz, Claus Ogerman, Teuo Nakamura, Vince Guaraldi, Moacir Santos e Maurice Vander.

Muitos dos discos foram seleccionados também por revelarem uma "cumplicidade entre os designers e os músicos. Há uma sintonia entre o que a capa mostra e a música", sobretudo dos anos 1950 e 1960, comentou Joaquim Paulo.
A escolha, que exclui artistas portugueses, vai apenas até aos anos 1990, por causa do declínio das edições de música em vinil e da rápida ascensão do digital, com o CD.
Joaquim Paulo recebeu o prestigiado Prix du Livre de Jazz 2008, atribuído pela Academia Francesa de Jazz.

Ligação lusa
"Jazz Covers" foi uma ideia que partiu do próprio Joaquim Paulo. "Uma vez li no 'Expresso', isto há três anos [em 2005], que o director financeiro da Taschen na altura era um português, Pedro Lisboa, que hoje é o vice-presidente da editora.
Andei à procura dele em vários escritórios da Taschen - encontrei-o em Colónia. Enviei a proposta já escrita e esquematizada, com um trabalho prévio feito. Ele respondeu de imediato, coisa que me surpreendeu muito."
Fontes/Mais informações: Lusa / Ipsilon / Público / DN / Fragmentos-Lte / Blitz / Taschen

"Funk & Soul Covers"
Depois do excelente Jazz Covers, Joaquim Paulo já tem nova aventura pronta na Taschen – Funk & Soul Covers. O livro foi publicado em duas edições trilingues (português, espanhol e italiano, uma, e inglês, francês e alemão, a outra) e vem acompanhado de um disco de sete polegadas em vinil.
No livro há entrevistas com Larry Mizell, Gabe Roth e David Ritz («tipo porreiro», segundo o próprio Joaquim Paulo) e listas de Danny Krivit, Steinski, Egon, etc.
Das mais de 500 capas de discos que podem ver-se neste livro, todas pertencem à colecção pessoal de Joaquim Paulo, que tem cerca de 25 mil exemplares. "Foi um vício que me foi incutido pelo meu primo, que comprava imensos discos e eu desde miúdo só via aquele espírito de comprador compulsivo.


Cresci com uma referência destas, ele era também um grande fã de funk e jazz, por isso as primeiras coisas que ouvi em casa passaram muito por este tipo de música", contou.
Segundo o autor, o período da revolução musical vivida nas décadas de 60 e 70 do século XX foi acompanhado pelo grafismo das capas dos discos: "Agora ao falar com algumas pessoas ligadas a editoras de funk e soul da altura, e também com produtores, todos me dizem que havia ali uma comunhão de interesses, a indústria discográfica dava uma liberdade que permitia aos designers gráficos e aos fotógrafos fazer coisas que hoje são impensáveis."
Fontes: DN / 33-45 / Taschen
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
"Salada Portuguesa" de Manoel Monteiro (1909-1990)
Manoel Monteiro nasceu em São Martinho de Cimbres, Portugal. Emigrou para o Brasil, em 1923, aos 14 anos de idade conjuntamente com o pai e um tio. Dois anos mais tarde, o pai e o tio regressaram a Portugal, e ele passou a viver sozinho na cidade do Rio de Janeiro. Empregou-se no comércio, trabalhando como caixa. Ingressou na escola de ballet, onde estudou sob a orientação de Maria Olenewa. Em 1927, passou a integrar o corpo de balé do Teatro Municipal, onde se manteve até 1930, quando foi proibido de dançar devido a problemas cardíacos.

Estreou em disco em 1933, gravando na editora Odeon os fados "O teu olhar" e "O último fado", ambos compostos por Carlos Campos. Em seguida, gravou a "Marcha das rosas” e a canção "Chora a cantar", de motivo popular.
Teve seu primeiro grande sucesso, com a gravação do fado "Santa Cruz" (Caramés / D. Santos), editados no seu terceiro disco.

No repertório de Manuel Monteiro, destacavam-se géneros portugueses como fados, viras e marchas, tendo também gravado obras de autores brasileiros, principalmente do género carnavalesco.
Sua discografia em 78 rpm vai de 1933 a 1959, tendo gravado cerca de 65 discos com 127 músicas, a maior parte na Odeon.

Alguns dos seus sucessos:
"Rosas de Portugal"
"Amores de estudante"(1939);
"O último fado"
"Marcha das rosas" (1933);
"Rosas divinais" (1933);
"O canto do ceguinho" (1933);
"A morte da ceguinha" (1933);
"Heroísmo de bombeiro" (1933);
"Meu Portugal" (1933);
"Corações de Portugal" (1934);
"Salada Portuguesa" (1935)
"Maria morena"(1955)
"Nem às paredes confesso" (1955)

Primeiro cantor português a ter sucesso no Brasil
Em 1949, foi homenageado pela classe artística com um evento realizado no Teatro Carlos Gomes, por ter sido o primeiro cantor português a ter sucesso no Brasil.
Abriu, assim, o caminho para que outros cantores lusos se projetassem por intermédio das gravadoras nacionais, como José Lemos e Joaquim Pimentel, já em 1935, e vários outros posteriormente.

Em 1948, participou como actor e responsável pela coreografia do filme "Inconfidência Mineiroa", realizado por Carmen Santos”.
"Salada Portuguesa" ("Caninha verde")

Em 1935, lançou com grande sucesso a marcha "Salada Portuguesa" (V. Paiva / P. Barbosa), que se tornaria conhecida com o título "Caninha verde", mencionado no texto da música.
Esta marcha foi por si apresentada no filme 'carnavalesco' "Alô, alô, Brasil" (Fevereiro de 1935), de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro. Ainda neste ano, gravou as marchas "João, João, João", "Balãozinho multicor", "Olé, Carmen", em homenagem a Carmen Miranda; e "Sou da folia".

Letra de "Salada Portuguesa" ("Caninha verde")
A minha caninha verde já chegou de Portugal
A minha caninha verde já chegou de Portugal
Vamos todos, minha gente, festejar o carnaval
Vamos todos, minha gente, festejar o carnaval
Vai Manoel mais a Maria
Nos três dias de folia
Pierrot e Colombina
Vai João e negra Mina...
A minha caninha verde já chegou de Portugal
A minha caninha verde já chegou de Portugal
Vamos todos, minha gente, festejar o carnaval
Vamos todos, minha gente, festejar o carnaval
O vovô já me dizia
No Brasil há alegria
Desde o tempo de Cabral
Que existe o Carnaval...
(...)
"Fado Manoel Monteiro"

É um dos fados mais significativos do repertório de Manoel Monteiro da autoria de A. Ferreira e Gonçalves Dias, gravado em disco Odeon, em 1937.
Sou português e grito ao mundo inteiro
Filho de gente humilde, mas honrada
E se adoro o Brasil hospitaleiro
Jamais esquecerei a Pátria amada.
Brasil e Portugal trago-os no peito
Unidos pela amizade e pela história
Se devo a Portugal o meu respeito
Ao Brasil devo toda minha glória.
Sinto pela minha Pátria devoção
Mas amo tanto a Pátria brasileira
E chego a não saber se o coração
Ama a segunda mais do que a primeira
E por ser do Brasil um grande amigo
Sou brasileiro afirmo muita vez
E sinto orgulho igual de quando sinto
Nasci em Portugal, sou português.
Portugal é meu torrão natal
A Pátria mãe de heroís e de guerreiros
Mas se o Brasil nasceu de Portugal
Eu sou portanto irmão dos brasileiros.

Rádio
Iniciou sua actividade radiofónica no início da década de 30, quando se apresentou no programa "Luso brasileiro” da Rádio Educadora do Brasil. Na época, as rádios mantinham programas específicos de música portuguesa, para atender à procura da numerosa colónia que emigrou para o Brasil.
Teve um programa na Rádio Vera Cruz. Durante as décadas de 1960/70 esteve sempre presente em programas de rádio e TV relacionados com temas portugueses.

Outras Homenagens
Seu nome foi dado a uma das ruas de Cimbres (Portugal), para assim, perpetuar seu filho ilustre. No Brasil, o cantor conta com sete nome de ruas, espalhadas por diversas cidades do País.
Em 1992, J. Gonçalves Monteiro, lançou um livreto sobre a vida e carreira de Manoel Monteiro. Foi feita uma tiragem de 1000 exemplares para venda. Toda a receita seria revertida para fazer um busto e colocá-lo em Cimbres. Infelizmente não teve grande repercurssão.
O poeta e diplomata brasileiro Vinicius de Moraes no seu tema "Samba da Benção" faz referência a Manoel Monteiro: "A benção Manoel Monteiro, e a todos os fadistas deste mundo!"
Fontes: Thais Matarazzo (1)(2)(3) / Cifrantiga2 / Dicionario MPB
Videos (com imensas fotos): Eradogramaphone ("Fado do Povo", "O Meu Barquinho" e "Amores de Aldeia") / "Madragoa" / "Minha bandeira"


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