domingo, 15 de julho de 2018

"Vocês sabem lá ..." e os primórdios da canção moderna portuguesa (1958)



"Vocês Sabem Lá" é uma canção de 1958, com letra de Jerónimo Bragança e música Nóbrega e Sousa, que foi interpretada por Maria de Fátima Bravo aquando da realização do 1.º Festival de Música Portuguesa, no Cinema Império, em Lisboa, no dia 21 de Janeiro de 1958. Nasceu, assim, aquela que alguns consideram ser a primeira canção moderna portuguesa.

Neste Festival, com consagrados compositores como António Melo, Fernando de Carvalho, Frederico Valério, Ferrer Trindade, Belo Marques, Tavares Belo, Alves Coelho Filho e Nóbrega e Sousa, estava estabelecido que não haveria classificação nem prémios. Porém, quando Maria de Fátima Bravo acabou de cantar "Vocês sabem lá", revelou-se um grande êxito e o público levantou-se numa grande ovação.


A canção foi gravada em Portugal por cantores portugueses de renome como Maria de Fátima Bravo, Simone de Oliveira, Tony de Matos, Maria José Valério, Trio Odemira, José Cid, Carlos Quintas, Rita Guerra, entre outros.

E foi igualmente gravada em Portugal por artistas estrangeiros, nomeadamente o cantor italiano Loris Velli, em 1959, e o conjunto espanhol Los Delta em 1961.




Existem também versões no Brasil, Espanha, Itália e Estados Unidos.

No Brasil foi interpretada pela jovem cantora gaúcha Cândida Rosa em 1961, cuja carreira ficou mais restrita ao Rio Grande do Sul  (foi escolhida a "Rainha do Rádio gaúcho em 1956 e "Melhor cantora do Rádio gaúcho" em 1958) que já gravara em 1959 outras canções portuguesas (o fox-canção "Foi Deus", de Alberto Janes, e o fox-slow "De degrau em degrau", de Nóbrega e Sousa e Jerónimo Bragança).

"Vocês sabem lá" foi igualmente incluída no álbum "Aguarela Portuguesa", de 1995, da cantora brasileira Joanna dedicado à reinterpretação de clássicos da música portuguesa, o qual também incluía uma versão de "Vira Virou" da dupla brasileira Kleiton e Kledir, que foi originalmente interpretada por Eugénia de Mello e Castro.


A versão italiana, "Torna a me", com adaptação de Locatelli e Zipi (Bruno Rosetanni), foi gravada em 1959 pelo actor Sílvio Noto em colaboração com o duo Blengio.

Existem igualmente versões por Nilla Pizzi (que gravou "Amore e Odio" versão de "Degrau em Degrau" dos mesmos autores de "Vocês Sabem Lá") e Bruno Rosettani (que era casado com uma das irmãs Blengio).



A cantora italiana Nella Colombo gravou em 1960 a versão em castelhano "Que sabe la gente!" com letra de Mapel em registo slow-rock.


 

A versão em inglês, "I long to be loved", com letra de Carl Sigman, foi lançada como lado B do single "It´s a Lonesome Town" da cantora norte-americana Jeannie Thomas. Ambos os temas tiveram direito a crítica nas prestigiadas revistas norte-americanas Billboard (de 08-02-1960) e Cashbox (de 30-01-1960).

Crítica na revista Billboard
Crítica na revista Cashbox
Existe igualmente uma versão em inglês com letra de Eric Boswell com o título de "The Touch of your hand".

Fontes/Mais informações: "Nóbrega e Sousa: uma vida cheia de música" / Guedelhudos (1)(2) / "Nóbrega e Sousa - Música no Coração" de Nuno Gonçalo da Paula / Blog sobre Nóbrega e Sousa / Os Reis do Vinil / Dicionário Cravo Albin da MPB (Cândida Rosa) (1) (2) / Câmara Municipal de Lisboa

sexta-feira, 15 de junho de 2018

"Ontem, Hoje e Amanhã" no Festival World Popular Song Festival do Japão (1975)


José Cid inicia em 1971 a sua carreira a solo, tendo participado em Novembro desse ano, sem grande sucesso, no World Popular Song Festival de Tóquio, com "Ficou para Tia".

Em Novembro de 1975, volta a Tóquio, participando pela segunda vez (enquanto intérprete) no célebre festival (também conhecido como Yamaha Music Festival), com a versão original de "Ontem, Hoje e Amanhã" ("Yesterday, Today and Tomorrow").


Os outros concorrentes eram artistas muito importantes e extremamente prestigiados, como Elton John (lnglaterra), Simone (Brasil), Aguaviva (Espanha) ou Gilbert O”Sullivan (Irlanda).

O tema obtém um honroso 9.º lugar, entre os vinte e nove participantes, e ainda o reconhecimento com um dos prémios Outstanding Song Awards do Festival, enquanto "composição notável".



 Apesar de José Cid ter escolhido a língua inglesa para se apresentar em solo nipónico, o single que saiu para o mercado em Março de 1976 acolheu no seu lado A a versão portuguesa de "Ontem, hoje e amanhã" (Decca SPN 199 G), com uma apelativa e sugestiva referência na capa "Canção Vencedora do Prémio Outstanding Composion no Festival de Tóquio de 1975".

O tema foi gravado pelo grupo brasileiro Dimensão 5, em 1979, com o título original "Yesterday Today Tomorrow".

Fontes/Mais informações: Blog josecidcamaleao / "José Cid - O lado B de um provocador" de Miguel Oliveira

Videos: registo audio do Festival

terça-feira, 15 de maio de 2018

A tentativa de internacionalização dos Green Windows e o sucesso de "Vinte anos"


No final de 1972, o Quarteto 1111 actuou no Festival dos Dois Mundos, realizado em Lisboa, tendo interpretado canções com uma forte componente harmónica, na medida em que todos os elementos do grupo cantavam, incluindo as mulheres e namoradas dos membros do grupo, perfazendo um total de 8 pessoas em palco.

No final do concerto um responsável pela editora Decca, Dick Rowe (*), abordou a banda tendo-os convidado a gravar algumas canções em inglês, seduzindo-os com a possibilidade de uma carreira internacional.

(*) que ficou injustamente famoso por ter  chumbado a primeira maqueta apresentada pelos Beatles e que, pouco depois, assinou com os Rolling Stones

Disco promocional para o mercado britânico

Piscando o olho à internacionalização, o Quarteto adopta o nome Green Windows. Era o Quarteto 1111 mas mais comercial e com as namoradas/mulheres dos músicos. Aliás na contracapa do single é referido que Green Windows é o nome inglês para o Quarteto 1111 associado a 4 vozes femininas.

Em Inglaterra, o grupo trabalhou com o conhecido Ivor Raymonde, sendo gravadas duas canções  da autoria de José Cid e Tozé Brito ("Vinte anos" e "Uma nova maneira de encarar o mundo"), com os títulos de "Twenty Years" e "Story of a man", e que saíram para o mercado em formato single (com"Story of a Man", que é comercialmente bem menos apelativa que "Twenty Years", como lado A).


Apesar das grandes promessas de promoção e de algumas músicas gravadas em inglês, espanhol e francês, o certo é que o projecto Green Windows acabou por ser bem-sucedido apenas em Portugal, onde o primeiro single, "20 Anos", ultrapassou as 100 mil unidades vendidas.

O disco foi igualmente lançado noutros países como a Bélgica.

Edição belga

"Vinte Anos" transformou-se, talvez, na canção mais emblemática de José Cid de toda a sua carreira.

A secção rítmica de "Vinte Anos" foi composta por uns músicos de um grupo de rock sinfónico, os Blue Mink, isto porque, à data da gravação, devido às leis inglesas e à auto protecção dos músicos ingleses, os músicos estrangeiros não podiam tocar nos próprio discos se o mesmo fosse gravado em Inglaterra, mas apenas cantar... Pelo que foram músicos de estúdio ingleses que acabariam por gravar a parte rítmica de um dos temas mais conhecidos da música portuguesa.


Depois do extraordinário sucesso da versão portuguesa de "Vinte Anos" e do fracasso evidente da versão inglesa desse mesmo tema, a Editora voltou a tentar uma nova projecção internacional da banda, desta vez na vizinha Espanha, porta de saída para todos os demais países de expressão latina.

Assim, em 1974 José Cid gravou, juntamente com os Green Windows, para a Decca, a versão cantada em castelhano de "Vinte Anos", com o nome " Vivamos nuestro amor  (Vinte anos)", com letra de Alfonso Alpin, num registo candidamente cantado e orquestralmente não muito diferente das primitivas versões embora com algumas nuances.


Contrariamente às versões inglesa e portuguesa, a capa do disco é radicalmente diferente, nela constando a foto em corpo completo dos elementos dos Green Windows. Também diferente das versões anteriores, é a escolha para lado B do single do tema "Imagens", em detrimento de "Uma nova maneira de encarar o mundo", por se tratar de uma tema comercialmente mais apelativo e por ter sido também canção concorrente ao Festival da Canção de 1974, classificada em terceiro lugar.

Na sequência da gravação em castelhano deste tema, José Cid recebeu um convite para se tornar compositor exclusivo de Julio Iglesias, mas recusou liminarmente. O convite surgiu porque José Cid estava a gravar, em Espanha, na mesma empresa discográfica de Iglesias, que era a Colurnbia, e tinha vindo de Londres com versões cantadas em castelhano - mas gravadas com os arranjos e orquestrações de Inglaterra - de "20 Anos" e de outras grandes músicas. Na altura, essas versões eram muito à frente e impressionaram Julio Iglesias.


"Vinte anos" chegou a ter algum sucesso no Brasil (35º do top de vendas apresentado pela NOPEM em 04-07-1974, beneficiando da existência de várias versões por cantores brasileiros) e em outros países da América do Sul, como o Perú.

O cantor Bert Van der Bourg gravou, em 1973, a versão em alemão de "Vinte anos" com o título de "Lass Uns In Liebe Leben" (com letra de Lambert Fleming) que foi lado B do seu single "das Tal der 1000 Blumen".



Mas o maior destaque foi no Brasil, onde o tema foi gravado em 1974 por cantores como Alberto Luíz e Júlio César e pela dupla misteriosa Ringo Black & Kid Holiday (formada por Tony Damito e Carlos Cezar, que depois integrou a dupla sertaneja "Carlos Cezar & Cristiano").

A letra das diversas versões era ligeiramente diferente do original.



A versão de Alberto Luiz chegou a ser a 9ª canção com mais airplay radiofónico no Brasil em 16-07-1974. E a versão de Júlio Cesar alcançou a 5ª posição em 04-09-1974.


 


E em 1988, a dupla sertaneja Raul & Ramalho ‎gravou "Primeiro Amor (Vinte Anos)" no seu álbum "Por Gostar de Você".

 

Existem igualmente versões em castelhano pelo cantor brasileiro Claudio Faissal e pelo espanhol Tony Cruz (incluído no álbum "Niña Manañera" de 1975).



Fontes/Mais informações: Blog josecidcamaleao (1) (2)  / "José Cid - O lado B de um provocador" de Miguel Oliveira / guedelhudos (com colaboração de Pedro Brandão) / Canal do youtube "Para sempre sertanejo"

Videos:  Bert Van Der Bourg (1973) / Alberto Luíz (1974) / Júlio César (1974) /  Ringo Black & Kid Holiday (1974) / Tony Cruz (1975) / Raul & Ramalho (1988) / Green Windows (Inglês) (Espanhol)

domingo, 15 de abril de 2018

O sucesso internacional de Madalena Iglésias (1959-1972)


Madalena Iglésias nasceu a 24 de outubro de 1939 na freguesia de Santa Catarina, em Lisboa, filha de mãe espanhola (oriunda de Pontevedra na Galiza) e pai português. No ano de 1954 estreia-se em simultâneo na televisão e na Emissora Nacional.

O seu primeiro contrato internacional foi assinado em 1959, tendo actuado em Espanha  no Cabalgata de Fin de Semana, um conhecido programa de Bobby Deglan na Rádio Voz de Madrid. Foram dez espectáculos, tendo participado igualmente em três espectáculos na televisão espanhola (RTVE). E em 1960 foi contratada pela Rádio Barcelona onde actuou ao lado de Jacqueline François e de Tony Dallara.


Vai pela primeira vez a França em 1960 e actua na televisão francesa no programa do cantor Charles Trenet e no programa "Paris Club" apresentado pelo cantor Luís Mariano. Actua igualmente no Marcadet Place e festeja os 21 anos em Paris. E teve direito a fotografia e três colunas no conhecido jornal francês Le Figaro. Voltaria mais tarde à Rádio Televisão Francesa para o programa "Paris de Nuit".

Mas o seu maior sucesso foi na Venezuela, onde actuou sucessivamente entre 1961 e 1972. A primeira actuação que ali realizou em 1961, valeu-lhe um êxito estrondoso e um contrato excelente: 48 actuações. Na Rádio de Caracas actuou em 15 espectáculos incluídos no “show” de Vitor Saume. Outros quinze na “boite” Pasaponga. Dez no “Coney Island” (espectáculos de 1h30 min cada) e mais quatro no Centro Português e no Centro Amigos da Madeira. E ao regressar a Portugal, depois de uma ausência de vários meses, Madalena Iglésias trazia consigo um alto galardão: o “Bolivar de Ouro”.



Em 1962 representou Portugal no Festival de Benidorm, a convite da nossa Emissora Nacional , e voltou à Venezuela, onde não ficou só pelos “shows” de Vitor Saume (actuações de 15 minutos no "El Show de las Doce") e Aldemaro Romero (actuações de 1 hora). Não actuou apenas nas “boîtes” Miranda e Pasapoga. Não ouviu apenas os aplausos do Centro Português. Em digressão pelo Interior, Madalena Iglésias levou o seu nome e a canção nacional a Maracay, Barquisimeto, La Guaira e Valência. E obtém diversos prémios, entre os quais: “18 Caciques de Ouro”, em 1962, e  “Guaicaipuro de Ouro" e 2º "Bolivar de Ouro" em 1963.


Conquistada definitivamente a Venezuela, Madalena iria nos anos seguintes ao Brasil, Colômbia e Panamá. No Rio de Janeiro, em S. Paulo, Belo Horizonte, Recife, Belém do Pará, nos “shows” de Cassio Moniz,  Ronald Golias, Noite de Gala, Elizeth Cardoso, Hebe Camargo (na TV Tupi, onde se cruzou com o cantor português Tristão da Silva), Luís Jatobá, César de Alencar (TV Rio) e Noite Social (na TV Marajoará do Pará). E ainda no programa "Portugal em sua casa" da Rádio Metropolitana e programa "Caravela da Saudade" de Alberto Maria Andrade no canal 2 da TV Cultura.

Obtém o prémio de melhor artista do ano em Belém do Pará (Troféu Carajá e Troféu Imperador, ambos da TV Marajoará) e a “Rosa de Ouro” conquistada no Rio de Janeiro, indo receber em 1963 o prémio atribuído pela TV Continental (Canal 9).



Na Colômbia actua na Rádio TV Caracol, no Grill "La Bamba" e "Boite" "Ás de Copas".

E no Panamá actua no Club Portobelo, num contrato inicial de 7 dias que se prolongará por 3 semanas, e é convidada do Canal 2 e do Canal 4 (no show de Blanquita Amaro). .

Festival de Aranda do Douro

Em 1964 participa no Festival de Aranda del Duero, alcançando o 1º lugar com o tema "Sonha" da autoria de Carlos Canelhas. Este festival era uma extensão do  Festival de Benidorm.

Os promotores deste festival lembraram-se de fazer um concurso luso-castelhano, com canções em ambos os idiomas tendo como justificação o facto de Aranda se situar no Alto Douro espanhol (na Província de Burgos) e o rio atravessar ambos os países.

Visita Angola e Moçambique no ano de 1964, actuando em Moçambique com o Conjunto de Renato SiIva.


E numa co-produção entre RTP e BBC são gravados em Lisboa 13 programas de variedades "Noite de Estrelas" com participação do maestro Edmund Ross.


O ano de 1966 foi um dos mais importantes da carreira da Madalena Iglésias. Vence o Festival RTP da Canção com "Ele e Ela", novamente da autoria de Carlos Canelhas, que alcançou o 13º lugar no Festival da Eurovisão que se realizou no Luxemburgo.

A versão em espanhol, "El y Ella", é editada em Espanha, França e Holanda e é igualmente regravada pela jovem cantora espanhola Marichela.


E nesse mesmo ano é convidada para participar no III Festival de la Canción de Mallorca, em Palma de Maiorca. Neste festival participaram muitos artistas de prestigio internacional como Alberto Cortez, Marty Cossens, Nicola di Bari, Tony Dallara e Massiel, entre outros, num total de 26 canções.


Neste certame Madalena Iglésias representou Espanha com o tema "Vuelo 502" da autoria de Morell e Ceratto, acompanhada por Los 4 de la Torre, que conquistou o prémio Instituto de Cultura Hispânica para a melhor canção hispano-americana e foi editado num EP pela editora Belter.

Los De La Torre eram um grupo de Barcelona que chegou a ser formado por quatro irmãos de apelido De La Torre (inicialmente eram conhecidos como Los 4 de la Torre). O seu maior sucesso foi "Vuelo 502" que ficou em segundo lugar do Festival de Maiorca, mas teve tanto êxito que quase "eclipsou" o tema vencedor do certame.

Actores a fazer playback no programa "Escala em Hi FI"

Ainda em 1966 actua no Festival da Canção do Mediterrâneo, em representação da Espanha, com o tema "Septiembre", tendo-se classificado em 2º lugar.

Em 1967 efectua vários espectáculos no Canadá, com produção de Johnny Lombardi (nomeadamente com a participação do grande cantor italiano Domenico Modugno), e Estados Unidos da América (em cidades como San Diego, San Francisco, Nova Iorque, Newark ou Boston. Em Danbuty actua com António Calvário).

São editados vários temas, orquestrados por Adolfo Ventas, em 1968, através da editora Belter, para promoção internacional da cantora.


Em 1968 foi a cantora portuguesa presente na primeira edição das Olimpíadas da Canção da Grécia.

Eram 32 participantes oriundos de 17 países. Madalena Iglésias concorreu com o tema "Tu vais voltar", com letra de Francisco Nicholson e música de Jorge Costa Pinto, que se classificou em 4º lugar, obtendo igualmente uma Medalha de Prata.


Madalena Iglésias foi igualmente a representante portuguesa no III Festival Internacional da Canção Popular do Rio de Janeiro de 1968, com o tema "Poema da Vida" com letra de António José e música de Joaquim Luiz Gomes, tendo-lhe sido atribuído uma Menção de Simpatia.

Em 1969 retorna ao Brasil, actuando na TV Tupi  (São Paulo), TV Brasília, TV Record (São Paulo), TV Excelsior (Rio de Janeiro), TV Globo (Rio de Janeiro) e TV Belo Horizonte).

Em 1970 participa no Festival Internacional de Split na então Jugoslávia, tendo interpretado  duas canções, um original, "Mar Solidão", com poema de Vasco de Lima Couto e música de Jorge Costa Pinto, e uma versão de uma canção jugoslava.

Editou LPs no Brasil, México e Venezuela

Em 1971 é convidada a participar no I Festival Mundial de Onda Nueva, em Caracas, Venezuela, com o tema "Para falar de esperança", com letra de Francisco Nicholson e música de  Jorge Costa Pinto (música).

E participa igualmente no Festival de la Canción del Atlantico, pela terceira vez em representação de Espanha. Este festival teve lugar em Puerto de la Santa Cruz em Tenerife num evento em que Madalena representou o país vizinho a convite de Augusto Algueró (pai) defendendo o tema "No puedo renunciar" com letra de Cholo Baltasar.

Actuação na Radio Caracas TV (Foto de Carias Sisco/Arq.MLde Carvalho)

Casou-se em 1972, abandonou a carreira artística e foi viver para a Venezuela onde chegou a ter um programa na televisão na Radio Caracas Television (RCTV).

Grávida de oito meses, ainda fez um programa no Canal 4 da televisão venezuelana mas deixou de actuar até os seus filhos terem cinco anos de idade. Depois, voltou a actuar esporadicamente na televisão venezuelana, mas já seria tarde para retomar a carreira.


A sua biógrafa, Maria de Lourdes de Carvalho afirmou recentemente, em declarações à agência Lusa, que a intérprete de "Ele e Ela" protagonizou "umas das mais interessantes carreiras da música portuguesa, que se afirmou não só cá, como internacionalmente, apesar das suas actuações além-fronteiras serem pouco conhecidas dos portugueses".

A pretexto do eventual apoio por parte do Estado Novo, Madalena Iglésias referiu: "Nunca tive ajuda de nenhum meio do Governo. Trabalhei na televisão porque não havia outro sítio. Não fiz nenhum espectáculo em que o SNI (Serviço Nacional de Informação) me tivesse apoiado. A carreira no exterior devo-a aos espanhóis, e lamento muito que isso choque o nosso patriotismo".

Outras curiosidades: Tinha um agente para a América Latina (Sr. José Rodriguez da Hispaven). Agentes em Espanha: Agência de Emílio Santamaria e Agência Internacional Francisco Bermudez. A sua editora, desde 1966, era a editora catalã Belter (uma das duas editoras que apostava na gravação de artistas portugueses, a outra era a madrilena Marfer).

Fontes/Mais informações: Fotobiografia (Maria Lourdes de Carvalho) / Revista Flama (em Blog Largo dos Correios) / wikipedia / facebook  / Blog dos Festivais da Canção (Aranda do Douro)(Maiorca)(Mediterrâneo)(Grécia) (Rio Janeiro)(Split)(Onda Nueva) / Macua / DN / RTP / "Vuelo 502" (actores fazendo playback no programa Escala en Hi Fi) / Revista Juvenil Serenata / Sobre o Festival de Aranda do Douro








quinta-feira, 15 de março de 2018

Portugal no Festival da OTI (1972-2000)


No dia 25 de novembro de 1972 realizava-se, em Madrid, a 1.ª edição do Festival OTI, Grande Prémio da Canção Iberoamericana promovido pela "Organização da Televisão Ibero-Americana" (OTI). Um festival inspirado na Eurovisão que reunia países que falam castelhano e português.

De entre os artistas que representaram Portugal contam-se diversos representantes de Portugal na Eurovisão como Simone de Oliveira, Tonicha, Paulo de Carvalho, José Cid, Adelaide Ferreira, Dora, Dulce Pontes e Anabela. Lena d’Água foi a última representante portuguesa no ano 2000.


Portugal concorreu ao Festival de la OTI desde a primeira edição, tendo alcançado o 6º lugar com Tonicha que interpretou a canção "Glória, Glória Aleluia", da autoria de José Cid.

"Glória, Glória Alelulia" não foi um dos maiores sucessos de Tonicha, mas foi regravada no ano seguinte pelo cantor inglês Vince Hill sob o título "Glory Hallelujah". E em Portugal foi gravada por Simone e José Cid. 



Participante em 22 edições, Portugal conquistou 4 posições no pódio do concurso: Uma vez em 2.º lugar e três vezes em 3.º lugar.


A melhor posição de Portugal foi a conquista de um 2.º lugar em 1984, na Cidade do México,  com o tema “Vem no meu sonho” interpretado por Adelaide Ferreira que viria a ganhar no ano seguinte o Festival da Canção e representar Portugal na Eurovisão.


Os terceiros lugares foram conquistados por José Cid, com o tema "Na cabana junto a praia" em 1979, Anabela em 1993 com "Onde estás?" e Beto com o tema "Quem espera desespera" em 1998.

Apesar de nunca termos obtido o 1º lugar, coube a Portugal a organização do festival de 1987, sendo o espectáculo realizado no Teatro São Luís, em Lisboa, com a apresentação de Ana Zannati e Eládio Clímaco, sendo a nossa representante Teresa Mayuco.


Fontes/Mais informações: ESC Portugal / Esc Portugal - 40 anos do Festival / Youtube / wikipedia (1) (2) / discogs / Museu RTP