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sábado, 15 de agosto de 2015

“Dawn” de H. Rider Haggard (1884) e outras histórias madeirenses


Muitos autores estrangeiros situaram os seus romances na Ilha da Madeira. Alguns dos escritores nunca visitaram a Madeira. Na opinião de Donald Silva, a ilha surge nas criações literárias de diversos escritores porque desde cedo os estrangeiros desenvolveram uma certa visão romântica da Madeira. Este romantismo cresceu no Séc. XIX, com os diários de viagem e outros documentos, e a Madeira, claro, tornou-se muito conhecida no Século XX. 

Provavelmente o escritor inglês H. Rider Haggard, que visitou a Madeira em 1881, no regresso da África do Sul para Inglaterra (após a derrota dos ingleses em Majuba Hill), terá sido o primeiro escritor estrangeiro a localizar a acção de um romance na Madeira.


Em "Dawn", um melodrama Vitoriano do escritor britânico em três volumes, que foi o seu primeiro romance, o jovem Arthur Heigham é o herói que se apaixona por Angela Caresfoot. O dominador pai da jovem é contra a relação e Arthur concorda em se se afastar de Angela durante um ano.

Arthur vai para a Ilha da Madeira. Durante a viagem de barco conhece uma mulher mais velha, Mildred Carr, que vive na Madeira e que acaba por se apaixonar por ele. A Quinta Vígia é descrita em “Dawn” como Quinta Carr onde o Arthur e Mildred Carr fazem amor.

Arthur conhece também os Bellamy que estão na Madeira por questões de saúde de Lord Bellamy. Arthur acompanha Lady Bellamy a um desfile para ouvir a banda tocar. Lady Florence e Mrs. Velley são outras personagens britânicas que residem na Ilha da Madeira e Mildred recebe o governador da Madeira.

Quando retorna para Inglaterra encontra Angela casada com o seu pérfido primo George.

Após regressar à Madeira fica a saber que Angela foi obrigada a casar com o primo. George acaba por morrer e Arthur volta para casar com Angela, deixando Mildred destroçada.


Sax Rohmer

“Moon of Madness” (1927) do escritor inglês Sax Rohmer (pseudónimo de Arthur S. Wade), criador do Dr. Fu-Manchu, que chegou a viver na Madeira, é outro dos exemplos mas antigos. O livro conta a história de um agente secreto irlandês que, juntamente com uma agente norte-americana, persegue um espião por toda a Europa, culminando num confronto fatal na Ilha da Madeira.

Em "Black Magic" o Dr. Sarafan era um respeitável residente da Ilha da Madeira.

Noutro dos seus livros, "The Affairs of Sherlock Holmes", um dos personagens, Ma Lorenzo, é meio português.


Ann Bridge e outras escritoras britânicas que viveram na Madeira

Várias escritoras britânicas viveram na Madeira, como as irmãs Margaret Emily Shore (1819-1839), Arabella Shore (1822-1900) e Louisa Catherine Shore (1824-1895), Jane Wallas Penfold (1821-1884), Isabella de França (1795-1880), a prolífica Evelyn Everett-Green (1856-1932) e Ann Bridge (1889-1974).

“The Malady in Madeira” (1970) de Ann Bridge (pseudónimo de Mary Ann Dolling O'Malley) é um dos mais arrepiantes livros situados na Madeira, relatando a realização por parte da Russia de testes de gás nervoso em ovelhas selvagens. Mrs. Hathway vai para a Madeira por questões de saúde e é acompanhada por Julia Probyn. Aí encontram Aglaia a esposa de Colin Munro, que estava a recuperar de um acidente de carro em que perdeu o seu bébé. Colin acaba por descobrir que os russos estão a testar na Madeira o mesmo gás que testaram no Médio Oriente e que terá provocado a morte do marido de Julia.

O livro faz parte da série "Julia Probyn mystery series" que inclui igualmente "The Portuguese Escape" de 1958.


Dorothy Dunnett

A escritora escocesa Dorothy Dunnett (1923-2001), autora da série de aventuras "The house of Niccoló" (banqueiro e mercador do século XV), descreve no 4º livro da série, "Scales of God" (de 1991), uma breve visita de Niccoló à Madeira.

A acção decorre em Veneza, Espanha, Madeira e África, durante uma viagem em busca do Ouro africano e da rota do Preste João.


Denise Robins

Em “Dark Corridor” (de 1974), da escritora inglesa Denise Robins (1897-1995), conhecida como "Queen of Romance", a jovem Corisande Gilroy está noiva de Martin, que considera o homem mais maravilhoso do mundo. Mas quando Corrie o procura no hotel da Madeira, onde iriam passar férias, ele não se encontra lá. O quarto está vazio, a mala está apenas parcialmente feita e nem sinal de Martin apesar dos esforços da polícia local. Será que ele desapareceu no corredor escuro que lhe apareceu em sonho.

Fontes: Marina Oliver (Literary thrills in Madeira em Revista "Brit in Madeira" de Outubro de 2013, pág. 18) /  Vista da serra / Laureano Macedo (Quem foram as escritoras madeirenses do passado) / Prefer reading (Ann Bridge)

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Histórias madeirenses de Marina Oliver: “A Fatal Slip” (2011) e "Mischief in Madeira" (2014)


Marina Oliver é uma escritora inglesa, nascida em 1934, cuja obra literária se iniciou em 1974, tendo assinado igualmente com diversos pseudónimos como Sally James, Donna Hunt, Bridget Thorn, Vesta Hathaway, Livvy West e Laura Hart.

Marina divide o seu tempo entre Shropshire, na Inglaterra, e a Ilha da Madeira onde se radicou, tendo lançado livros cuja acção se localiza na Ilha da Madeira como "A Fatal Slip" e "Mischief in Madeira".


Em “A Fatal Slip” (de 2011), o primeiro livro da série de livros de mistério de Dodie Fanshaw, Dodie, uma antiga estrela de Hollywood, encontra-se na Madeira a apoiar a rodagem de um documentário sobre a sua vida e a relação com os seus vários maridos.

Dodie não está satisfeita com a atitude do seu filho Jake, que lhe pede constantemente dinheiro. Em vez de regressar a Inglaterra, Jake permanece na Madeira, gerando atritos com os amigos de Dodie, com um dos actores, com a família madeirense que gere o hotel onde ele está hospedado, e com uma mulher mais velha e rica com quem tem um caso.

A situação torna-se intolerável quando Jake, embriagado, na véspera de Ano Novo, entra, sem ser convidado, numa festa a decorrer num iate, disposto a assistir ao fogo de artifício anual na cidade do Funchal. Quando ocorre um acidente fatal, Dodie tem que descobrir se foi um crime ou um acidente.


Em "Mischief in Madeira" (de 2014), Catherine está de visita aos pais que vivem na Ilha da Madeira. Catherine está interessada em saber se haverá viabilidade em lançar na ilha o seu negócio de confecção de roupas de festa para as crianças.

Catherine e o seu ex-marido, a estrela de golfe Justin O'Brien, encontram Keith Livermore numa festa organizada pelos pais de Dominic Thorn. Dominic também foi um golfista profissional, mas agora dirige um negócio de venda de equipamentos de golfe através da Internet.

Quando Dominic rejeita uma proposta de Keith Livermore, que quer lançar lojas em Espanha e em Portugal, este tona-se agressivo. E Dominic pede a ajuda de vários amigos na Ilha da Madeira, entre os quais Catherine e o seu pai, Major, que tivera um caso com a mãe de Keith.

Fontes: Página Oficial / wikipedia

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Eddie Constantine em Lisboa (1960)


"Eddie em Lisboa” é um filme francês de acção e espionagem, realizado em 1960 por Pierre Monzarel, tendo como protagonista o famoso actor Eddie Constantine, que inspirou o título português.

A presença de Constantine nos seus filmes era tão marcante que vários títulos dos seus filmes utilizaram o seu nome: "Ça va être ta fête" tornou-se "Eddie em Lisboa" em Portugal, "Des frissons partout " foi intitulado "Eddie wieder colt-richtig" e "Eddie, o tromokratis ton Parision", respectivamente na Alemanha e Grécia, e "Lemmy pour les dames" foi traduzido para "Eddie ja naiset" na Finlândia.


Sinopse

Eddie Constantine interpreta o agente secreto John Larvis (ou John Lewis na versão em inglês) que se desloca a Lisboa numa missão especial para encontrar Marc Lemoine, um agente duplo desaparecido, que tem em sua posse informações importantes que lhe podem custar a sua vida.

Em Lisboa, Larvis é ameaçado por um gangue violento e envolve-se com uma jovem jornalista francesa, interpretada por Barbara Laage. O chefe dos Serviços Secretos acaba por que lhe contar que Lemoine nunca existiu. Mas tal informação não significa o fim da sua missão em Lisboa, pois é a partir daí que começam os seus verdadeiros problemas.


Rodagem em Portugal

Rodado em Lisboa, o filme tem cenas gravadas no Aeroporto de Lisboa, no Hotel Ritz e nas Avenidas Novas, sendo um dos figurantes o então jovem António Homem Cardoso, que se tornou um dos mais famosos fotógrafos portugueses das última decadas.


O sucesso de Eddie Constantine 

Filmes havia cuja publicidade girava sobretudo em torno do prestígio do protagonista principal. O seu nome, à frente da ficha artística de qualquer filme, faz esgotar as lotações, é garantia de uma acção movimentada, cheia de imprevisto, como detective corajoso, hábil em desenvencilhar-se das armadilhas dos bandidos que persegue (...)


Como Eddie Constantine mudou a vida do fotografo Homem Cardoso

António Homem Cardoso tinha 14 anos, quando ia a passar na Praça de Touros de Algés e reparou numas luzes. Como era de dia achou estranho e resolveu aproximar-se. Era um filme que estava a ser rodado. Os actores principais eram Eddie Constantine e Bárbara Laage.

A simpatia pelo jovem de tenra idade foi imediata e durante todo o tempo de gravações passou a sair sempre com eles. "Eles simpatizaram comigo, convidaram-me para figurante e mascote e pagaram-me 1363 escudos, uma fortuna na altura".

No final Eddie Constantine ofereceu-lhe a sua máquina fotográfica, acto que revolucionou a vida de António para sempre. A partir desse momento começou a tirar fotografias, o seu trabalho começou a agradar as pessoas e pensou que poderia fazer desse passatempo a sua profissão e continuar o seu ritmo de vida, livre.

Fontes: imdb / ideias de rua / adrimag / mediatico / kisskiss

segunda-feira, 15 de abril de 2013

“Hammerhead” de David Miller rodado em Lisboa e Costa do Sol (1968)


 “Hammerhead” (“Cabeça de martelo” em português) é um filme de suspense britânico realizado por David Miller e protagonizado por Vince Edwards (Vince Edwards), Peter Vaughan (Hammerhead), Judy Geeson e Diana Dors.

Baseado no romance de James Mayo e escrito por Herbert Baker, que fez os filmes de Matt Helm para a Columbia Pictures.

Filme rodado parcialmente em Portugal (Lisboa, Estoril, Cascais), mas que não consegue tirar vantagem de algumas cenas bonitas de Portugal.


Sinopse

Os serviços secretos britânicos recorrem aos serviços de um espião norte-americano, Charles Hood, para tentar impedir os planos de um criminoso internacional, chamado Hammerhead, que é suspeito de querer roubar um relatório secreto sobre um sistema de defesa nuclear apresentado, numa conferência da NATO, em Lisboa.

Hood faz-se passar por mensageiro de uma valiosa colecção de artigos eróticos, sendo convidado para subir a bordo do iate de Hammerhead, que é coleccionador desse tipo de artigos, mas distrai-se com os avanços da modelo Sue Trenton e das amantes de Hammerhead, Ivory e Kit.


Curiosidades

Durante a perseguição final 300 hippies vagueiam pelas rochas da Baía de Cascais (festa psicadélica em Cascais).

Os galos de Barcelos gigantes foram utilizados para a fotografia da capa do single dos Duo Ouro Negro "Maria Rita"

Participação de Tomás de Macedo

Um dos temas da banda sonora, da autoria de David Bailey, é intitulado "Hood arrives in Portugal"

Fontes: TCM / wikipedia / blockbuster / Dan Pavlides, Rovi / captomente (fotos do filme)







sexta-feira, 15 de março de 2013

“A Casa da Rússia” de John le Carré (1989)


John Le Carré, pseudónimo do escritor britânico David Cornwell, publicou em 1989 “The Russia House”, um romance de espionagem que decorre no fim da Guerra Fria.

“A Casa da Rússia” conta-nos a história de Barley Blair num livro que nos leva de Moscovo a Leninegrado, a Londres e, finalmente, a Lisboa, onde se desenrola uma parte importante da história, pois é em Portugal que é interrogado pelos serviços secretos ingleses.

É famosa a referência ao Príncipe Real, e aos discursos de um velho místico que seria o professor Agostinho da Silva.

Le Carré

Sinopse

Katya Orlova, amiga e ex-amante de Dante, um famoso cientista soviético, tenta entregar um livro  do seu amigo a Bartholomew Blair, um editor inglês, para que este as publique no Ocidente.

A obra, que contém segredos militares que podem ser vitais para a defesa do Ocidente, é extraviada e fica na posse dos Serviços Secretos Britânicos. Estes, especialmente o sector conhecido como Casa da Rússia, pretendem que Blair se encontre com Katya para descobrir quem é o autor destas obras e se há veracidade nas informações.

Contudo, a aproximação de Katya com Blair, não só fisica mas também emocional, vai agitar com as instruções primeiramente dadas a Blair.

No fim, Katya e a sua família prosseguem a sua vida em tranquilidade, Goethe (Dante), que tinha estado hospitalizado, é considerado morto, por causa natural, e Blair instala-se em Lisboa, onde tinha casa e recomeça a sua vida.

Agostinho da Silva, filósofo português

Agostinho da Silva

Num dos vídeos de “Conversas Vadias”, Cáceres Monteiro, lê a Agostinho da Silva umas linhas de John Le Carré que, em “A Casa da Rússia”, tem uma famosa referência ao Jardim do Príncipe Real, e aos discursos de um velho místico que seria o professor Agostinho da Silva a ocasionais discípulos , “por vezes, durante o dia, [chegara a] ouvir os discursos de um velho místico, com rosto de santo, que gosta de receber os seus discípulos, discípulos de todas as idades…”.

Agostinho da Silva, escutando a leitura da citação, comenta: “Se fosse navio, não tinha jeito para ser rebocador, e em terra continua da mesma maneira”.

Acrescenta, combatendo a hipótese da sua santidade: “Depois, ele [John le Carré] fala no tal místico com cara de santo. Eu suponho que ele estava de lado, só viu metade da cara. Se tivesse visto a outra metade, talvez mudasse de opinião…”.


Adaptação ao cinema

O livro "A Casa da Rússia" foi adaptado para o cinema em 1990, cerca de um ano depois da sua publicação, com título homónimo, sob a direcção de Fred Schepisi e com a interpretação de Sean Connery e Michelle Pfeiffer.

As cenas finais foram filmadas em Lisboa.


Opinião  de Fred Schepisi

Amei Lisboa. Ainda mais depois de ter estado na Rússia durante meses, o que na altura era muito complicado, com racionamento de comida, roupa e outros bens. Achei Lisboa encantadora. Tivemos imenso apoio e ajuda para conseguir o melhor das cenas lá. E adorámos a comida e os vinhos. Ficámos muito seduzidos pela cultura.





Alcatifas Lusotufo :)

Fontes: Filipe d’Avillez, Revista “Os Meus Livros” (adaptado) / Infopedia  / Wikipedia (filme)  / C7nema.netC7nema.net / A viagem dos Argonautas (sobre Agostinho da Silva) / Captomente (cenas do filme)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

“House Under Water” (1963) de Len Deighton


“Horse Under Water” (1963) foi o segundo livro de espionagem de Len Deighton protagonizado por um espião anónimo (identificado como Harry Palmer nas adaptações ao cinema), sendo curiosamente o único dos livros que não foi adaptado ao cinema. Foi planeada uma adaptação ao cinema em 1968, mas foi abandonada após o fracasso do filme “Billion Dollar Brain”.

A maior parte da acção decorre numa pequena vila piscatória portuguesa, em 1960, em pleno período do Estado Novo. O enredo centra-se nos despojos de um submarino afundado nos últimos dias da segunda guerra mundial. Inicialmente os despojos eram moeda falsa que poderia servir para financiar uma revolução em Portugal. Depois aborda-se o tráfico de heroína (o “Horse” do título). Mas o verdadeiro objectivo é encontrar a “Weiss list”, uma lista de britânicos dispostos a apoiar o Terceiro Reich a formar um governo britânico manipulado pelos nazis.


“Missão Secreta em Portugal” (edição brasileira de 1968)

É suspense do começo ao fim da leitura. Numa fabulosa trama internacional. O autor maneja com perícia os seus instrumentos de ficcionista, não dando ao leitor a menor oportunidade de abandonar o volume antes de chegar ao fim.

Quantos segredos os nazis terão deixado boiando no mar, usando bóias como esconderijos, na esperança de, mais tarde, com uma reviravolta da guerra, recuperá-los? Em torno desse fato, o serviço secreto inglês tece uma rede de aventuras. As revelações vão sendo feitas pouco a pouco. Dizer mais é privar o leitor de descobrir por si mesmo o rumo desse enredo.

Não deixe de apreciar, é envolvente. Até onde foi a imaginação do escritor, o que realmente é verdade? Só lendo ...

Curiosidade

Len Deighton, e a sua esposa Ysabele repartiam o seu tempo entre as suas casas em Portugal e Guernsey (Reino Unido).

Fontes: wikipedia  / divevisionkirjasto / goodreads  

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Lisboa como centro privilegiado de espionagem



A fama de Lisboa como centro privilegiado de espionagem durante a segunda guerra mundial alimentou muitas mentes de escritores.

Um deles foi Graham Greene. Durante este período, encontrava-se de serviço em Lisboa, responsável por detectar casos de espionagem ou de agentes duplos na intricada teia que existia nessa altura.

Depois da guerra, utilizou essa experiência para escrever um romance de grande sucesso. Simplesmente, para o tornar mais apelativo, alterou o cenário de Lisboa para Havana. “O Nosso Agente em Havana” (1958) passa-se na ilha de Fidel Castro, mas tem um inconfundível cheiro a Portugal.

O protagonista Wormold foi inspirado em Paul Fidrmuc (conhecido por "Ostro") e Juan Pujol Garcia, ou "Garbo" (como ficou famoso), ambos espiões a actuarem em Lisboa no período de 1943-44.

Greene começou a escrever o livro em 1946 (o que inicialmente seria um argumento para um filme), localizando a acção na Estónia em 1938. Mas já na década de 50, optou por situar o livro em Havana, em plena guerra fria.


Foi mais ou menos a mesma situação que se passou com Ian Fleming. Depois de uma ida ao Casino Estoril, em que o britânico se cruzou com dois espiões alemães, surgiu a ideia de uma personagem ligada ao mundo da espionagem. Juntou-se o Casino à receita e nascia “Casino Royale” a primeira aventura do mítico James Bond, nome de código 007, licença para matar.

O título refere-se a um casino situado em França, na cidade fictícia de Royale les eaux. Mas na adaptação ao cinema localizaram o casino na antiga república jugoslava da Macedónia.

Fontes: Filipe d’Avillez, Revista “Os Meus Livros” (adaptado) / Paul Buck ("Lisbon - a Cultural and Literary Companion") / wikipedia / Sophie Edgerton

Curiosidade

 Existe uma referência a "Avril au Portugal" (que foi publicado no período pós-guerra) no livro "Diamonds are Forever" de Ian Fleming.


 Fonte: CommanderBond.net

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

As aventuras de OSS 117 em Portugal


Jean Bruce, pseudónimo de Jean Brochet, nascido em 1921, foi um popular escritor francês de romances de espionagem. Em 1949 criou uma personagem que haveria de se tornar célebre, um agente de nome Hubert Bonisseur de la Bath, mais conhecido por OSS 117.

Escreveu 75 romances com este protagonista e morreu a 27 de Março de 1963, em Paris, num acidente de automóvel.

Após a sua morte, a personagem não desapareceu. A sua mulher, Josette Bruce, agarrou no agente e escreveu mais 143 romances com OSS 117 como figura principal, entre 1966 e 1985.


Entre 1971 e 1972, Josette publica 3 livros com ligação a Portugal: "OSS 117 aime les Portugaises” (de 1971), “Balade en Angola” (de 1972) e “Maldonne à Lisbonne” (também de 1972).

Em 1987, os filhos de Jean Bruce, François Bruce e Martine Bruce retomam em mão o negócio familiar e acrescentam mais 24 títulos à personagem. 252 romances com base numa figura é coisa de que poucas se podem gabar.


"OSS 117 aime les Portugaises” (em português: "O amor dos portugueses")

O encontro entre agentes duplos não é uma tarefa fácil.

OSS 117 utiliza toda a sua experiência na sua chegada a Lisboa.

Aparentemente era uma missão muito tranquila, mas uma equipa de assassinos tenta eliminá-lo.

E uma jovem ingénua tenta drogá-lo antes de saltar para a sua cama.

As noites são frias em dezembro, mas das meninas não se pode dizer o mesmo.


"Maldonne à Lisbonne" (em inglês "Misdeal In Lisbon") 

Com poucos dias de intervalo são assinados dois agentes "permanentes" da CIA em Lisboa.

O agente OSS 117 terá que envidar todos os esforços para parar com este massacre e encontrar as causas e autores destes crimes.


"Balade en Angola" ("Balada de Angola" em português) 

Várias granadas, assim como um bornal de munição, estavam penduradas em seu cinto. Segurava um fuzil, de assalto Kalashnikov AK 47 de carregador curvo. Chamava-se Amérigo Kassinga. Seus homens apelidaram-no: O Tigre.

 Fontes: Doublesection / Spyguysandgals / Lauro António apresenta / Livrenpoche (1) (2) (3) / Thrillermagazine

"Maldonne à Lisbonne" de Pierre Genéve 

 Um outro autor, Pierre Genéve (pseudónimo do escritor monegasco Marc Schweitzer), publicou em 1965, na editora Les Presses Noires, o seu livro "Maldonne à Lisbonne", homónimo ao publicado por Josette Bruce em 1972.

domingo, 30 de dezembro de 2012

O sucesso "marginal" de Dick Haskins



Dick Haskins é o pseudónimo literário de António Andrade de Albuquerque, escritor português nascido em Lisboa em 18 de Novembro 1929.  O facto de os leitores portugueses não aceitarem bem os autores nacionais levou-o, por exigência editorial, a utilizar um pseudónimo com nomes ingleses, contudo nunca escondeu a sua nacionalidade portuguesa.

Em 1961, foi editado pela primeira vez no estrangeiro – em Espanha e em diversos países da América do Sul – através da Editorial Molino. Em 1963, as editoras alemã Wilhelm Goldmann Verlag, de Munique, e Krimi Verlag AG, de Wollerau, Suíça, contratam oito dos seus livros já então escritos e publicados no idioma original, para publicação na Alemanha, Áustria e Suíça, e o editor Plaza & Janés, de Barcelona, publica dois títulos em Espanha e na América do Sul.



Seguir-se-iam outros países a partir de 1963, França, Itália, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Suécia1, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Grã-Bretanha, Irlanda, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Estados Unidos, México, Colômbia, Argentina, Uruguai e Brasil.

Ainda na década dos anos sessenta, a RTP – Radiotelevisão Portuguesa – produz e apresenta no programa "Noite de Teatro" a adaptação da sua novela "Fim-de-Semana com a Morte" com o título de "O Caso Bardot".

Crítica ao filme com referência ao personagem Jack Haskins

A mesma novela, mantendo o título original, é adaptada ao cinema numa co-produção internacional – Portugal, Espanha e Alemanha – filme que foi protagonizado por António Vilar, Peter Van Eyck e a italiana Letícia Román, dobrado em diversos idiomas e apresentado em vários países, entre eles os Estados Unidos.

É homenageado em Paris em 1963, com a atribuição do cartão de membro do cartão de membro do "Intelligence club" e eleito membro do Clube dos Escritores Franceses de Literatura Policial e de Espionagem.


Em 1975, dada a boa aceitação dos seus livros traduzidos em alemão e publicados na Alemanha, Áustria e Suíça, tem um encontro em Frankfurt com o Director da Televisão da ARD - Süddeutscher Rundfunk Stuttgart, que estava interessada em comprar uma série de 13 episódios produzida por si e baseada nos seus livros publicados na Alemanha. 

Regressado ao seu país, o período de profundas mudanças de ordem política não o favorece no sentido de conseguir o apoio financeiro, técnico e artístico indispensável – inclusivamente da televisão oficial - para assumir a responsabilidade de uma produção que seria paga por cerca de cinco milhões de marcos.


Em 1979, assina um contrato como produtor externo com a RTP – Radiotelevisão Portuguesa – e produz uma série de 12 filmes baseados nas suas obras, que foram exibidos nos anos oitenta.

Publicado em 30 países estrangeiros desde a década dos anos sessenta pelos editores Editorial Molino, Plaza & Janés, Aldo Garzanti Editore, Wilhelm Goldmann Verlag, Krimi Verlag AG, Born Uitgeversmij, West Print AG, Angyra Publishing House, Presses Internationales, Columba Magazine, Howard Baker Publishers Limited, Malmborg & Hedström Förlags AB e Editora Record.

Fonte: Site oficial de Dick Haskins (adaptado)

Mais informações: Brinca Brincando (série TV portuguesa) / Novos Livros (entrevista) / Conta-me histórias            

sábado, 15 de dezembro de 2012

“Fim de Semana com a morte” de Julio Coll (Notícia da Emissora Nacional) (1966)


“Fim de Semana com a morte” ("Comando de asesinos" em Espanha ou "High season for spies" nos E.U.A.) assinala a estreia como produtor de António Vilar, o nosso actor mais internacional. É uma co-produção com a Espanha e a Alemanha, em que intervém técnicos e artistas dos três países, sob a direcção do realizador espanhol Julio Coll.

Baseia-se o filme numa obra do autor português Luís Albuquerque, por sinal conhecido pelo pseudónimo Dick Haskins. Além de António Vilar e dos portugueses Artur Semedo, Américo Coimbra e Carlos Teixeira, do elenco desta réplica luso-hispano-alemã aos filmes género James Bond fazem parte os alemães Peter Van Eyck e Kurt Jurgens, a italiana Leticia Roman e os espanhóis Ricardo Rubinstein, Mikaela e Ricardo Valle.  


“Fim de semana com a morte”, que foi quase inteiramente rodado em Portugal, é [era], segundo as intenções do actor-produtor António Vilar, o primeiro passo para um mercado comum cinematográfico com a Espanha, visando um mundo cinematográfico de mais de 300 milhões de espectadores. (…)

A película foi estrada com êxito na Alemanha, já o ano passado, em 42 salas simultaneamente, tendo sido exibida nas 30 principais alemãs e em quase 300 cinemas de província.

Foi igualmente vendido para os Estados Unidos, para exibição numa cadeia de salas de cinema naquele país, o que também acontece pela primeira vez com filmes nacionais.  

Fonte: Museu RTP (adaptado)

Nota: O filme não terá tido um sucesso tão estrondoso, pois António Vilar teve dificuldades no acesso a financiamento nos filmes seguintes 



Opinião do site MI6 community


"High Season for Spies" (1966) is an exception in the season, having been made in Portugal. It's perhaps the film most clearly inspired by the Swinging Sixties Bond movies.

But the sets expose the limited budgets available. Its take on what BBC Television Centre might look like if it were in a small street in Lisbon is an undoubted highlight.

Mais informações: Goethe institut