A temática da imigração portuguesa surge na "chanson française" no tema "Le Portugais" de Joe Dassin, gravado em Novembro de 1970 e incluído no seu álbum “L’ Amérique” e no lado B do single "L'equipe a Jojo".
O tema foi igualmente gravado em 1971 pela actriz e cantora grega Melina Mercouri (que casou com o realizador norte-americano Jules Dassin, pai de Joe Dassin), tendo sido incluído no lado B do seu single “Je suis Grecque”
Avec son marteau piqueur Il creuse le sillon de la route de demain. Il y met du coeur, Le soleil et le gel sont écrits sur ses mains, Le Portugais dans son ciré tout rouge Qui ressemble à un épouvantail... As-tu vu l'étrange laboureur Des prairies de béton et des champs de rocailles?
Il faut en faire des voyages, Il faut en faire du chemin. Ce n'est plus dans son village Qu'on peut gagner son pain... Loin de son toit, de sa ville, À cinq cent milles vers le Nord, Le soir dans un bidonville Le Portugais s'endort.
Il est arrivé a la gare d'Austerlitz voilà deux ans déjà... Il n'a qu'une idée, gagner beaucoup d'argent et retourner là-bas. Le Portugais dans son ciré tout rouge Qui ressemble à un épouvantail - Il ne t'entend pas, Il est sur le chemin qui mène au Portugal.
Il faut en faire des voyages, Il faut en faire du chemin. Ce n'est plus dans son village Qu'on peut gagner son pain... Loin de son toit, de sa ville, À cinq cent milles vers le Nord, Le soir dans un bidonville Le Portugais s'endort
Fernando Pessoa ter-se-á encontrado com Cavafy num cruzeiro em 1929. Nada fora planeado e eles não se conheciam. Iriam para Londres, mas o destino de ambos era Nova Iorque. Ambos queriam conhecer Nova Iorque, mas não tinham confidenciado esse desejo a ninguém.
Documentário ou ficção ? O realizador grego Stelios Haralambopoulos relata-nos a história de um encontro entre dois poetas, duas almas gémeas que deixaram a sua marca na literatura do século XX.
Mas talvez o verdadeiro protagonista do filme seja a própria POESIA.
O documentário "The Night Fernando Pessoa Met Constantine Cavafy" ("Ti nyhta pou o Fernando Pessoa synantise ton Konstadino Kavafi" no original), realizado por Stelios Charalambopoulos venceu a categoria "Melhor Documentário", no 49.º Festival de Cinema de Thessaloniki na Grécia.
O cantor francês Georges Moustaki, nascido no Egipto (filho de pais gregos), para além de ser um grande amante da cultura e da música de expressão portuguesa (principalmente da musica brasileira) durante muitos anos transportou para a sua música grandes causas, como a da libertação dos povos sujeitos às opressões de regimes ditatoriais e a "proclamação da boa hora permanente" (tal como canta numa das suas canções mais famosas).
Não estranhou por isso que a Revolução de Abril, conhecida por Revolução dos Cravos, não lhe fosse indiferente, tendo lançado em 1974 um single dedicado à revolução de 25 de Abril de 1974, precisamente com o título de "Portugal (Fado Tropical)". (...)
(...) foi a partir de uma canção de Chico Buarque ("Fado Tropical", canção com declamação de poeta de Carlos do Carmo), que Moustaki transformou num enorme êxito a canção "Portugal", num registo bem ao seu estilo, de arranjos perfecionistas, embora em segundo plano a favor do intimismo que a sua voz nos oferece.
Moustaki permanece ainda, aos 76 anos em perfeita actividade, tendo visitado o nosso país em 2008, onde ofereceu dois concertos ao público português e no qual, mais uma vez, voltou a cantar em português alguns versos da canção "Portugal", tal como antes o fizera em disco. (...)
Moustaki faz de "Fado Tropical" uma nova canção. Ele fala da sua própria musa, das suas irmãs de exílio e das suas cicatrizes: evocando claramente o 21 de abril de 1967, quando se deu um golpe de Estado na Grécia.
A canção "O Pastor", dos Madredeus, foi a escolhida para retratar as requintadas tramas do destino tecidas por Eça de Queirós em seu romance, sendo um dos temas de abertura da mini-série. A canção marcava também as sequências mais importantes da história.
Além da música de abertura, o conjunto foi responsável por outros três temas: "As Ilhas dos Açores", "Haja o que Houver" e "Matinal". A banda sonora incluía igualmente o tema "Fado" de Dulce Pontes.
"O Pastor"
"O Pastor" começou a tornar-se célebre na Europa após sua inclusão numa coletânea da EMI francesa, chamada "Ambiances, Musique d’une Nouvelle Âge", na qual constavam ainda canções de nomes consagrados como Philip Glass, Brian Eno e Miles Davis.
Em 1993, os Madredeus viajaram para a Grécia, em viagem promocional patrocinada por sua gravadora, a EMI. Sem que o grupo ou seu agente em Portugal soubessem, a EMI grega tinha licenciado a utilização da canção para um anúncio televisivo local da marca de uísque J&B.
O resultado foi, no mínimo, uma pequena comédia de erros: o grupo desceu no Aeroporto de Atenas sob uma calorosa recepção dos representantes da EMI grega, cercados de anúncios da bebida e meninas vestidas com uniformes que ostentavam a marca.
O grupo pensou que tudo aquilo se tratava de uma estratégia de seu agente, enquanto a EMI grega imaginava também que o grupo tinha autorizado o uso da canção.
Apurados os factos, o resultado de tais desencontros foi o 2º lugar no top de vendas grego do álbum "Existir" ...
Outros temas
Não será apenas "O Pastor" que irá "embalar" a intrincada trama de amor e desejo de "Os Maias". Já no primeiro capítulo da mini-série, transmitido em 9 de janeiro de 2001, dois outros temas do grupo, ambos relançados no álbum "Antologia"(2000), emolduraram a paixão de Pedro da Maia (vivido magistralmente por Leonardo Vieira) por Maria Monforte (Suzana Spoladore).
Na cena em que Pedro vê Maria Monforte passeando numa "charrete", ouve-se o belíssimo tema instrumental "As Ilhas dos Açores", originalmente lançado no álbum "Existir"(1990).
Depois, quando Pedro reflecte sobre seu amor e vai até a residência de Maria Monforte, para declarar-se a ela, ouve-se uma das mais ricas canções de amor do Madredeus: "Haja o que Houver", do álbum "O Paraíso"(1998).
No segundo episódio, o tema "Haja o que Houver" foi tocado na íntegra, enquanto Pedro da Maia e Maria Monforte se encontravam num parque em Sintra, e no sétimo capítulo a canção "Matinal", do álbum "Existir", pontuou a dramática cena da fuga de Maria Monforte.
A banda sonora, lançada em CD pela Som Livre, inclui temas de Madredeus e Dulce Pontes, além de outros temas instrumentais.
Aliki Kayaloglou é uma cantora grega, que já colaborou com dois dos mais importantes compositores gregos, inicialmente com Mikis Theodorakis e depois com Manos Hadjikdakis.
Empenhada em partilhar o seu gosto pela poesia, Aliki possui uma particular forma de interpretar textos poéticos e de os comunicar com o público, dando recitais, desde 1982, sobre alguns dos seus poetas preferidos como G. Seferis, O. Elytis, Cavafy K., Ritsos G., Anagnostakis M., Gatsos N., Lorca, Horácio Ferrer, Fernando Pessoa e outros.
Em 2007 lançou o disco "Aliki Kayaloglou Sings Fados and Reads Fernando Pessoa's Ode Maritima" no qual cantava o fado e declamava a "Ode Marítima" de Fernando Pessoa.
Fado e Fernando Pessoa (adaptado do blog de um lusodescendente)
Numa bela tarde, deparei-me com um disco em que apenas dois nomes me eram familiares. "Fado" e "Fernando Pessoa". (...)
Escusado será dizer que às vezes ainda caio na armadilha de sentir as minhas raízes. Mesmo com uma ênfase em outro lugar. E se o mundo fosse um? ...
Os Madredeus são o grupo musical português de maior projecção mundial. A sua música combina influências da música tradicional portuguesa com a música erudita e com a música popular contemporânea, com destaque para a música popular brasileira (sobretudo a bossa nova).
Formados em 1986, o grupo era, até ao início da década de ’90, relativamente desconhecido no estrangeiro. Isto mudou quando os Madredeus deram uma série de concertos na Bélgica onde decorria a Europália, uma exposição que no ano de 1991 foi dedicada à cultura portuguesa.
Documentário francês
Outro facto que contribuiu para que os Madredeus se tornassem conhecidos no estrangeiro foi a utilização, na Grécia, à revelia do grupo, da canção "O Pastor" num filme publicitário, da marca de Whisky “Grant’s”. Impulsionado por esse anúncio, “Existir”, o segundo álbum do grupo, alcançou o segundo lugar do top grego.
A partir de 1993, a editora “EMI” decidiu lançar os Madredeus no circuito discográfico internacional, através da sua etiqueta “Hemisphere”.
Edição brasileira
Em 1994 a banda lança “O Espírito da Paz”, um álbum que consolida o grupo no estrangeiro através de uma longa digressão internacional, a qual incluiu o Brasil e alguns países do Extremo Oriente .
Durante as sessões de gravação de “O Espírito da Paz”, que decorreram em Inglaterra, os Madredeus gravaram outro disco, que seria editado em 1995. Wim Wenders, impressionado com a música do grupo, os tinha convidado para musicarem um filme sobre Lisboa, chamado Lisbon Story (no Brasil, "O Céu de Lisboa"; em Portugal, "Viagem a Portugal"), do qual o grupo foi protagonista. A banda sonora deu ao grupo ainda maior projecção internacional
Digressão pela Colômbia
Em 2001, o álbum "Movimento" obteve igualmente um grande sucesso, atingindo o quarto lugar do top grego.
As canções do grupo foram incluídas em diversas produções televisivas no Brasil, desde a novela "As Pupilas do Senhor Reitor", em 1995, com a canção "A Vaca de Fogo”, à mini-série da Rede Globo de Televisão "Os Maias", em 2001, com as canções "Matinal", "Haja o que Houver", "As Ilhas dos Açores" e a canção que se tornou o tema de abertura da referida produção televisiva, a emblemática "O Pastor".
Em 2002, são lançado alguns álbuns experimentais que causaram acaloradas discussões entre os fãs e críticos: "Electrónico", uma compilação de versões electrónicas das canções do grupo efectuadas por alguns dos mais conhecidos músicos europeus da área da electrónica, e “Euforia”, um álbum duplo com canções gravadas ao vivo pelo grupo com a "Vlaams Symfonisch Radio-orkest", Orquestra Sinfônica da Rádio Flamenga, da Bélgica.
Em vinte anos de carreira, os Madredeus lançaram 14 álbuns e estiveram em digressão em 41 países.
O México é, sem sombra de dúvida, o país não-lusófono onde o Madredeus alcançou seu maior sucesso. Foi em Zocalo, uma praça central e de importância histórica na Cidade do México, que o grupo português fez seu concerto com maior público até hoje -cerca de cinquenta mil pessoas, estimadamente.
Naquele país, o lançamento dos álbuns do Madredeus sempre contou com a divulgação da imprensa, e suas digressões em terras mexicanas contaram com casas de espectáculo com lotação esgotada e um público cativo, apesar da relativa barreira linguística existente.
"Lisbon story" (edição brasileira)
Os seus temas foram regravados por alguns artistas estrangeiros, como recentemente as cantoras Sol (anterior vocalista dos espanhóis “Presuntos Implicados”) e Mylene Pires (brasileira que lançou um álbum com diversas reinterpretações de temas do grupo).
O grupo colaborou igualmente com diversas artistas internacionais, como o tenor espanhol José Carreras e o cantautor italiano Ângelo Braduardi.
Fontes: Wikipedia / Madredeus(Brasil)
"Maio Maduro Maio" (Bélgica)
"Coisas Pequenas" (Japão)
"Oxála" (remix dos franceses Telepopmusik)
"Pomar das Laranjeiras" (com a Flemish Radio Orchestra)