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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Referência a Vinho Madeira em “Privateering” de Mark Knopfler (2012) e “Have a Madeira My Dear” de Flanders & Swann (1956)


Corsários, mulheres bonitas e vinho Madeira. Estes são os ingredientes de uma nova música de Mark Knopfler, vocalista conhecido dos Dire Straits. A música dá pelo nome de “Privateering”, a qual, curiosamente, dá o nome ao álbum, lançado em Setembro de 2012.

A referência ao vinho Madeira repete-se várias vezes ao longo da música, cuja letra refere a vida aventureira dos corsários ao serviço da coroa britânica. Um corso, ou corsário, era um pirata que através da carta de corso de um governo, era autorizado a pilhar navios de outra nação. Com os corsos, os países podiam enfraquecer os seus inimigos sem suportar os custos relacionados com a manutenção e construção naval.

O corso (Privateer) surge-nos como um herói aventureiro com uma vida boémia e de luxúria da qual fazia parte o famoso e irresistível Vinho Madeira.


Mas esta não terá sido a única vez que o Vinho Madeira inspirou letras de músicas que se tornaram célebres um pouco por todo o mundo. O famoso duo cómico inglês Flanders and Swann começou a interpretar em 1956 as suas canções em duas revistas, “At the top of a hat” e “At the top of another hat”. “Have a Madeira My Dear” foi celebrizado na primeira dessas revistas e a letra fala de um velho que seduz uma jovem com a ajuda do Vinho Madeira.

A peça estreou-se em 1960 no West End, em Londres e foi um sucesso que percorreu vários continentes até à Austrália e América. Nos Estados Unidos foi um sucesso estrondoso da Brodway.  O refrão Madeira My Dear “ficou no ouvido” um pouco por todo o mundo, particularmente de muitos ingleses e americanos, até aos nossos dias.


"Madeira my Dear" foi igualmente interpretada por muitos outros artistas como Tony Randall ou os holandeses Ted de Braak e Johnny Jordaan.

Fontes: IVBAM / wikipedia / Funtrivia 

Letra de "Privateering"

(...)
To lay with pretty women
to drink Madeira wine
to hear the roller’s thunder
on a shore that isn’t mine
Privateering, we will go
Privateering, Yoh! oh! ho!
Privateering, we will go
Yeah! oh! oh! ho!

Video: Youtube 

Letra de "Have a Madeira My Dear"

She was young, she was pure, she was new, she was nice
She was fair, she was sweet seventeen.
He was old, he was vile, and no stranger to vice
He was base, he was bad, he was mean.
He had slyly inveigled her up to his flat
To view his collection of stamps,
And he said as he hastened to put out the cat,
The wine, his cigar and the lamps:

Have some madeira, m'dear.
You really have nothing to fear.
I'm not trying to tempt you, that wouldn't be right,
You shouldn't drink spirits at this time of night.
Have some madeira, m'dear.
It's really much nicer than beer.
I don't care for sherry, one cannot drink stout,
And port is a wine I can well do without...
It's simply a case of chacun a son gout
Have some madeira, m'dear


Videos: Flanders & Swann / Tony Randall (no Carol Burnett Show) / Ted de Braak (NL)



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O sucesso de “Petticoats of Portugal” (“Rapariga do Portugal”)


Com o sucesso internacional de canções portuguesas como “Coimbra” (“Avril au Portugal”) e “Lisboa Antiga” (“Adieu Lisbonne”), Portugal esteve na moda durante os anos 50 tendo inspirado sucessos internacionais como “Lavandiéres au Portugal” e “Petticoats of Portugal”.

“Petticoats of Portugal” (“Rapariga do Portugal”) é uma canção popular norte-americana com música e letra de Michael Durso, Mel Mitchell and Murl Kahn.

Dick Jacobs and His Orchestra alcançou o 16º lugar no Top dos Estados Unidos em Outubro de 1956. Na crítica da Billboard, publicada na altura, e que é igualmente um reflexo do sucesso do tema, pois seis diferentes versões competiam por um lugar no top, era referido que: "Com "Petticoats", Jacobs apresenta uma faceta que irá vender por si próprio à primeira audição (“has a side which will sell itself on first listen”). O tema é contangiante e melodioso e a combinação da orquestra com o coro transmite-lhe uma curiosa produção".

Billy Vaughn and His Orchestra atingiu o nº 83 do Top Norte Americano em Dezembro de 1956.

Por outro lado, a versão de Caesar Giovannini alcançou a 19ª posição em Chicago e o nº 29 na Revista Cashbox, mas não entrou nas tabelas da revista da Billboard.


A estranha fixação da "música de elevador" por Portugal

Os anos 50 foram uma época de ouro para a chamada "música de elevador".

Curiosamente muitas dessas músicas debruçavam-se sobre países como Portugal. Mesmo que não tivessem letra, bastava estar atento aos seus títulos: "Portuguese Washerwoman”, “April In Portugal”…

Por que será ?


O fado como potencial moda latina

"Petticoats of Portugal” foi regravado por inúmeros artistas, incluindo Valentina Félix, uma cantora portuguesa radicada nos E.U.A.

Sam Chase referiu na revista Billboard que, após o sucesso da Bossa Nova, o Fado poderia ser uma das novas “Modas Latinas” (conjuntamente com estilos novos como o Bongoson, a Guarania e o Bambuco).

Segundo o jornalista, o Fado tinha alcançado um sucesso considerável na América Latina, sobretudo no Brasil. A qualquer momento poderia surgir uma combinação do Fado com um ritmo brasileiro, que pudesse originar uma nova moda.

Em São Paulo, a Adega Lisboa Antiga estava constantemente cheia de admiradores dos principais representantes do Fado no Novo Mundo, como Teresinha Alves (da Editora Continental) e Manuel Taveira (da RCA Victor).


O jornalista referiu igualmente que a editora Mointor tinha um importante papel no surgimento do fado com artistas como Valentina Felix e Fernanda Maria, realçando que o álbum “Petticoats of Portugal” de Valentina Felix representava uma novidade. Pela primeira vez uma cantora era acompanhada por um grupo instrumental (e não pelos tradicionais dois guitarristas), o Conjunto Cantares de Portugal. E havia o recurso à língua inglesa em duas canções: “Petticoats of Portugal” e “April in Portugal”, que podiam contribuir para a difusão deste estilo de música portuguesa.


Outras versões

“Petticoats of Portugal” foi regravado por artistas como Terry Lester, Ray Martin, Perez Prado, Tex Beneke, Florian Zabach (orquestra com coro), Lawrence Welk ou Warren Covington and The Commanders (em versão instrumental foxtrot).

O cantor brasileiro Cauby Peixoto lançou, em 1957, no seu segundo álbum, uma versão em português, em ritmo tango, com letra de Ghiaroni, intitulada “Garotas de Portugal”.

E Pierre Kolmann, pseudónimo do músico brasileiro Britinho, também gravou, em 1957, "Anáguas de Portugal", em versão instrumental.


Ray Franky interpretou “De Rokjes van Portugal”, em 1957, com letra em holandês de Lei Camps e Jos Dams.


Guy Belanger foi o responsável pela adaptação para francês, com o título de “Le Jupon du Portugal”, publicada por músicos como Tune Up Boys.

E Marc Fontenoy foi o autor da letra, com o mesmo nome, “Le Jupon du Portugal”, gravada por Johnny Grey (incluindo no EP "Cindy" que foi nº 1 na Bélgica em 1957).


“Muchachita de Portugal” com letra em espanhol de Alvey, pseudónimo de Alberto L. Martinez, foi gravada por artistas como os argentinos Los 4 bemoles.

James Last lançou, em 1973, uma versão instrumental com o título “In Portugal”.

E Lars Lönndahl e Monica Velve gravaram “Det bläser upp i Portugal”, com letra em sueco da autoria de Kairo.



A versão em Finlandês, “Portugalin Tuulispää”, da autoria de Pauli Ström, foi interpretada, em ritmo Béguin, por Olavi Virta.


E Börge Müller foi o autor da letra em dinamarquês, "Påenbænk i Lissabon", cuja versão foi gravada por Erik Michaelsen.


E a famosa actriz Jayne Mansfield também interpretou "Petticoats of Portugal" no seu álbum "An evening with Jayne".



Letra "Petticoats of Portugal"

When breezes blow petticoats of Portugal.
There’s quite a show on the streets of Portugal;
Each passer by winks his eye, whistles and smiles,
The ooh’s and ah’s, loud hurrahs, echo for miles;
The shapely gams, ‘neath petticoats of Portugal.
Start traffic jams,
But the cop on the square doesn’t care!
There’s not a guy alive who doesn’t thrive
On watching skirts go free!
Especially the petticoats of Portugal


Letra "Le Jupon au Portugal"

C'est si joli
Un jupon du Portugal
Jupon fleuri
Capiteux et virginal

(...)

C'est si grisant
Un jupon du Portugal
Qu'en le voyant
Tourner joyeusement
Dans un bal
Un grand amour peut naître en vous
Qui vous remplit de désirs fous
C'est idéal
Un p'tit jupon du Portugal

Fontes: wikipediaTheOzHiztoryblog  / Billboard

Mais versões
 

sábado, 31 de março de 2012

J. Rentes de Carvalho: entre a Holanda e Portugal


Nascido em Vila Nova de Gaia em 1930, de ascendência transmontana, foi obrigado por razões políticas a abandonar Portugal, tendo vivido em Paris e largas temporadas no Brasil. Entretanto, um amigo, adido comercial da embaixada do Brasil na Holanda, precisou de ajuda para dirigir uns relatórios. "Respondi-lhe que iria duas semanas no máximo. Fiquei 55 anos."

Depois da experiência como assessor na embaixada, andou a vender revestimentos para telhados. "Foram três anos muito duros."

Na época conheceu um professor catedrático que dirigia um curso de literatura portuguesa na Universidade de Amesterdão. "Tinha aprendido português na Indonésia e escrevera uma tese sobre Fernando Pessoa. Já tinha uns 60 anos e conversávamos muito sobre literatura e Portugal. Um dia, disse-me: ‘você não é dos telhados, mas da universidade’".

Assim começou a dar aulas sem ser licenciado. Em cerca de dois anos deu por findo o curso com a tese "O Povo na Obra de Raul Brandão". Ali leccionou até 1988.


Principal bibliografia (1972)

A sua bibliografia inclui romances (entre eles "Montedor", 1968, "O Rebate", 1971, "A Sétima Onda", 1984, "La Coca", 1992, "Ernestina", 1998, "A Amante Holandesa", 2003), contos, diário ("Tempo Contado" - nome do seu blog - ou "Tempo sem Tempo"), crónica ("Mazagran", 1992) e guias de viagem. O seu "Portugal, een gids voor vrieden" ("Portugal, Um Guia para Amigos"), de 1988, esgotou dez edições.

"Com os Holandeses" ("Waar die andere God woont", publicado originalmente em neerlandês, em 1972, e um sucesso editorial na Holanda) é a primeira obra de J. Rentes de Carvalho no catálogo da Quetzal.

O mais recente título de Rentes de Carvalho é "Gods Toorn over Nederland" ("A Ira de Deus sobre a Holanda").

"Com os Holandeses" (1972)


Um dos grandes temas de Rentes de Carvalho teve como base a observação da vida dos holandeses. O ponto de partida foi o seu famoso "Waar die andere God woont" de 1972, traduzido para português com o título "Com os holandeses".

Na Holanda já vai na 13ª edição, a Portugal só chegou em 2009.

Luís Carmelo escreveu, nessa altura, que é "pena é que Portugal não tenha tido, no último meio século, nenhum escritor estrangeiro que tivesse dado do país o retrato tão corrosivo e objectivo como o que Rentes de Carvalho generosamente concedeu à Holanda. Apesar de algumas farpas estimulantes e certeiras do amigo holandês Gerrit Komrij (e do seu ainda actualíssimo "Um Almoço de negócios em Sintra").


Um desconhecido em Portugal durante muitos anos

José Rentes de Carvalho vendia milhares de livros na Holanda, mas isso não fazia dele alguém conhecido em Portugal.

As suas primeiras editoras em Portugal publicaram os seus livros sem jamais prestarem contas, pelo que optou por publicar os seus livros na Holanda, ainda que os escreva em Português e na sua maioria tenham mais de Portugal do que da Holanda, mas por razões insondáveis também nunca nenhum editor português tomou nota da sua existência.

Episódio curioso e sintomático desse desdém passou-se em 1989, durante a Buchmesse de Frankfurt. O editor holandês decidiu que o stand inteiro da editora seria quase inteiramente dedicado aos seus livros. Fora e dentro do stand foram colocadas várias fotografias do autor, com o nome em bom tamanho, e fotografias das capas, tudo em formato de cartaz.


Durante três dias passaram por lá dezenas de editores, funcionários da cultura e jornalistas portugueses. O escritor viu alguns a pararem embasbacados, mas não houve um único com curiosidade de saber quem era o compatriota, ou por que razão o exibiam ali.

Leonardo de Freitas, o patrão da Editorial Escritor, escreveu-lhe em fins de 1997 a dizer que gostaria de editar os seus livros, o que aconteceu até meados da primeira década do Século XXI.

Actualmente, com a Quetzal a relançar a sua obra em Portugal, José Rentes de Carvalho diz-se com “o coração cheio”.


Holandeses e Portugueses

Dos holandeses bem nos falta o afinco ao trabalho e ao estudo a sério, a consciência social, a disciplina, a pontualidade.

Para a Holanda poderíamos certamente exportar aquela nossa forma de carinho que, mesmo quando não é sincera, sempre dá um certo conforto à alma.

E poderíamos ensinar os holandeses a comer. Há aqui excelentes restaurantes, mas a culinária doméstica é de fugir dela a sete pés.

Um pouquinho do nosso "deixa lá" também compensaria da rigidez calvinista.


Outras curiosidades

Até recentemente desconhecido do grande público português, é actualmente considerado um dos autores mais inovadores e inteligentes da prosa escrita em língua Portuguesa.

Para a editora De Arbeiderspers, de Amsterdam, dirigiu e escreveu os posfácios da edição em língua holandesa das principais obras de Eça de Queiroz.

A sua biobibliografia acha-se incorporada desde a 9ª edição na Grote Winkler Prins Encyclopedie, a mais antiga (1870) das enciclopédias holandesas.

Fontes/Mais informações: Eito fora / jornal i / Página oficial / wikipedia / DN / Blog Tempo Contado / Up Magazine (TAP)/ Pnet Literatura / Bert Ernste / Quetzal

quinta-feira, 15 de março de 2012

Gerrit Komrij: de Trás-os-montes até Vila Pouca

Gerrit Komrij, escritor e poeta holandês, estava farto da vida literária e das suas obrigações e decidiu emigrar para um país longínquo. Isso foi em 1984 e o país mais longínquo que podia imaginar nessa altura foi Portugal.

Com o seu companheiro, foram à procura de isolamento numa aldeia afastada de Trás-os-montes (Alvites). Foram cinco anos dramáticos (entre 1984 e 1988) e não tardou que entrassem em conflito com os poderes locais. Estes cinco anos resultaram no romance "Atrás dos Montes".

Agora vivem na Beira (Vila Pouca da Beira, Oliveira do Hospiyal), também num sítio isolado, mas um pouco mais perto da "civilização", isto é, mais perto de uma livraria, presença essencial a Gerrit Komrij, que colecciona livros desde os seus 15 anos. Diz que são mais humanos do que os seres humanos. E aqui começou devagar a sentir-se em casa, aprendeu a língua, teve, como diz, o privilégio de conhecer uma literatura.


"Atrás dos Montes" (1990)

“Atrás dos Montes” (“Over de Bergen”) é a história de um jovem em busca das suas raízes.

Pedro Sousa e Silva, farto da vida de “jet set” de Lisboa, chega à terra dos seus sonhos, na província mais distante e mais isolada do país, para se instalar no imponente solar abandonado que os seus antepassados habitaram outrora. (...)

A sua existência parece predestinada a uma vida serena de prazeres simples. Mas não tarda que por detrás da fachada exótica se descubra uma sociedade baseada na desconfiança e no terror. À volta da velha casa estala uma guerra sem tréguas. O isolamento transforma-se numa prisão. Confrontado com uma comunidade onde nada mudou após a queda do regime totalitário, Pedro é obrigado a ceder.


Até mais logo ... (uma estória interessante)

Em "Atrás dos Montes", Gerrit fala da exuberância da paisagem, da hospitalidade nacional, da qualidade de vida e de um episódio delicioso que revela porque se cansam tanto os portugueses com a verdade.

Komrij tinha acabado de se instalar na sua quinta, em Alvites, e resolveu descer à aldeia para conhecer os habitantes. A simpatia local esmagou-o, mas regressou a casa em pânico, dizendo ao seu companheiro: "Todos se despediram dizendo 'até mais logo', deve ser tradição da terra. No final da tarde aparecem-nos aí".

Prepararam então o jardim para receber a aldeia. Esperaram, esperaram, mas ninguém apareceu. Komrij levou algum tempo a descodificar este desligamento entre o que se diz e o que se faz - mas percebeu a simplicidade: é só uma forma educada de adiar um problema.


"Um almoço de negócios em Sintra" (1996), colectânea de crónicas sobre Portugal

Todas as semanas escreve uma crónica sobre a sua aldeia portuguesa para um jornal holandês - onde satiriza sobre tudo e todos.

"Um Almoço de Negócios em Sintra" é um retrato em corpo inteiro de Portugal e dos portugueses. Um retrato solícito e inteligente, que anda tão perto do enternecimento como da provocação. Os nossos defeitos, de tão próprios, acabam por parecer virtudes. E as nossas patentes qualidades têm, afinal, a mais peculiar das marcas.

"Um Almoço de Negócios em Sintra" é, assim, para os portugueses, um livro frontal, aqui e além incómodo, mas sempre revelador.


"Vila Pouca, Contos Portugueses" (2009)

De 1984 a 1988, Komrij viveu em Alvites, Trás-os-Montes, uma vivência que inspirou o seu primeiro romance Over de bergen (Atrás dos Montes, 1990). Desde 1988 vive em Vila Pouca da Beira, que retratou em "Vila Pouca, Portugese verhalen".


Libretto de "Melodias Estranhas" (2001)

A ópera "Melodias Estranhas" é uma co-produção bilingue luso-flamenga, com música de António Chagas Rosa e libreto do holandês Gerrit Komrij, para as duas Capitais Europeias da Cultura de 2001 (Roterdão e Porto).

A ópera é centrada nas personagens de Erasmo de Roterdão e Damião de Góis que, há 500 anos atrás, construíram uma amizade a partir da recusa mútua pelo fanatismo religioso.


"Nós por eles" (RTP 2)

“Está no meu carácter ver o lado ridículo das pessoas e escrever sátiras sobre eles, mas, claro, estou consciente do facto que estou a viver num país onde sou um hóspede e os portugueses são muitíssimo generosos em me acolher, portanto não posso ser demasiado crítico.”

“(…) numa outra língua, a dois mil quilómetros de distância, escrevo de uma maneira muito simpática sobre o que acontece nesta pequena aldeia por baixo da superfície.”

“Quando eu ficar absolutamente maluco, então, não sei onde me vão pôr (…) Mas enquanto tenho o destino em minhas próprias mãos vou ficar aqui. Sim, acho que vou morrer aqui. O cemitério é mesmo ao lado, portanto a viagem será curta.“

Fontes: Programa “Nós por eles” (RTP 2) / wikipedia / ritualmente / ilcml / dornes / Expresso

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

"A Fuga" de Heleen Van Royen (2005)


Heleen van Royen é uma das mais conhecidas e polémicas escritoras holandesas. Jornalista de formação académica, trabalhou para muitos jornais e revistas.

O seu primeiro romance "A dona de casa feliz" foi logo bestseller, e com o dinheiro desse livro comprou uma casa no Algarve, em Alcantarilha.


Veio viver para Portugal por razões práticas, porque é muito fácil voar entre a Holanda e Portugal e por causa do clima. E gosta das pessoas porque são muito simpáticas e calmas.

Durante um ano, manteve duas casas, uma na Holanda e outra no Algarve. E depois decidiu vender a casa na Holanda, para ficar a viver definitivamente em Portugal com o marido e os seus dois filhos.


“Fuga” (2005)

No seu livro “Fuga” ("De ontsnapping"), Júlia é casada com Paul e mãe de duas crianças, Isabel e Jimmy. Está a ficar farta do casamento, porque já não é o que sonhara.

A paixão já se fora há muito tempo e a vida sexual não funciona. Começa a sonhar em fugir, pois sente-se encurralada.

Abandona a Holanda e parte para Portugal onde aluga uma casa em Seis Marias, perto de Carvoeiro. Ela está só e quer arranjar amantes, mas tem 38 anos e, em Albufeira, encontra muitos jovens bêbedos que não estão interessados numa mulher da sua idade, pelo que acaba por arranjar problemas.


"Nós por eles" (RTP 2)

"Nós por eles" é um programa da RTP 2 que relata a visão de cinco escritores estrangeiros sobre Portugal: Robert Wilson, Richard Zimler, Romana Petri, Heleen van Royen e Gerrit Komrij.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Nova campanha da G-Star realizada em Portugal (2011/2012)


A actriz francesa Clemence Poésy (dos filmes de "Harry Potter" e da série televisiva "Gossip Girl") é a protagonista da campanha publicitária da marca holandesa G-Star para a Primavera-Verão 2012.

O responsável por esta campanha é o icónico fotógrafo e cineasta holandês Anton Corbijn, tendo como protagonistas Clemence Poesy e o cineasta, actor e músico norte-americano Vincent Gallo, que já havia entrado na campanha de outono/inverno 2011 da marca holandesa.

Agora o cenário é Lisboa, vista do jardim de S. Pedro de Alcântara pela lente de Corbijn, que tem uma velha tradição de trabalhar em Portugal ("Enjoy the Silence" dos Depeche Mode, "Love is a better word (White city light)" dos Rain Birds, livro "U2 & I" dos U2).

A campanha primavera/verão 2012 será lançada em versão impressa e on-line em fevereiro e em publicidade exterior no início de abril.

Fontes: Revista Activa / Jornal Público (adaptado)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Alma "Fadista" de Lenny Kuhr (2001)


Lenny Kuhr, que em 1969 era uma muito jovem cantora com 19 anos de idade e apenas dois anos de carreira, ganhou nesse ano o Festival da Eurovisão, ex-equo com outros três concorrentes, interpretando a canção "De Troubadour".

Desde aí, Portugal tem estado de algum modo alheio a esta cantora, mas o mais curioso é que ela não se tem alheado de Portugal.

Anos 70

Nos inícios da década de 1970, Kuhr foi mais bem sucedida em França que no seu próprio país. Tendo como base Paris, associou-se ao grande cantor francês Georges Brassens, fazendo durante anos espectáculos conjuntos.

Em 1972, em França, esteve várias semanas no 1º lugar das tabelas de vendas com a versão gaulesa da canção de Roberto Carlos "Jesus Cristo".


Anos 80

E na Holanda, no inicio da década de 80, tornou-se praticamente um símbolo nacional, com direito a reconhecimento governamental, por causa de uma canção infantil que compôs e interpretou com um conjunto francês de crianças chamado Les Poppys.

Esta canção viria também, entre nós, a ser muito popular junto do publico mais pequeno, após ter sido gravada em português por….. Suzy Paula.

Posteriormente, a sua vida pessoal levou-a ao casamento, à conversão ao Judaísmo e a uma ida para Israel, onde viveu vários anos da década de 80.


Versões de Franz Schubert e colaboração com Freek Dicke

A sua carreira entretanto foi-se consolidando, tendo-se tornado num dos nomes mais prestigiados da Holanda, quer através de bem sucedidas interpretações das canções de Franz Schubert, que ficaram belíssimas na sua voz. Quer através de colaborações com o guitarrista Freek Dicke.

Num dos seus melhores trabalhos, feito em colaboração com aquele instrumentista, chamado "Heilig Vuur" (1991), Lenny Kuhr resolve deixar libertar a sua paixão por um género musical que muito admira, o "Fado".


Ligações ao Fado

Admiradora de Amália Rodrigues, compõe a canção "Ik Zal Altijd Om Je Blijven Geven (Dar-te-ei sempre"), onde a influência do fado se encontra muito presente.

Mas a sua admiração ao fado não se ficaria por aqui, a pouco e pouco ele irá fazer parte integrante do seu repertório! Primeiro grava "Grof Schaandal", uma versão em holandês do “Fadinho da Ti Maria Benta” de Amália. Mais tarde, assumindo a sua paixão por este género musical, grava um disco com o nome de "Fadista", em que presta uma bela homenagem à “canção nacional” portuguesa.


Nesse trabalho, além de canções originais, onde a melancolia e a saudade são temas de referência e onde as sonoridades fadistas estão sempre presentes, Lenny Kuhr interpreta, na sua lingua natal, dois fados de Amália, sendo um deles “Solidão” de Frederico de Brito, Ferrer Trindade e David Mourão Ferreira.

Lenny Kuhr encontra-se actualmente a celebrar os seus 40 anos de carreira, dando frequentes espectáculos pelos Países Baixos, nos quais já se tornou inevitável a apresentação de “Portugese Lente (Uma Casa Portuguesa)”, o outro fado do seu disco “Fadista”.

Fontes: In-Senso (adaptado) / wikipedia / Página oficial

Videos: "Fadista" / "Portugese Lente" / "Ik Zal Altijd Om Je Blijven Geven"

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Cristina Branco canta Slauerhoff (2000)

Cristina Branco propôs a edição do seu primeiro álbum de estúdio, "Murmúrios", a uma editora portuguesa. Foi recusado. Depois, com ele (após ter optado pela Holanda como rampa de lançamento para a sua carreira), ganhou o prémio do "Le Monde de la Musique" para o melhor álbum de "world music" de 1999.

Quando o foi receber a Paris, na presença das Bartollis deste mundo, em vez de se restringir aos proverbiais agradecimentos, pediu para cantar com o companheiro, guitarrista e compositor Custódio Castelo.

Valeu-lhe um contrato com a Universal francesa, fruto do instantâneo "coup de foudre" pela sua música de um responsável dessa editora presente na cerímonia. "Post Scriptum", de 2000, reincidiu no mesmo prémio.

E, com "O Descobridor - Cristina Branco canta Slauerhof", atingiu o disco de platina pelas vendas na Holanda, terra natal de Jan Jacob Slauerhoff, o poeta das muitas afinidades com Portugal e a mitologia do fado. (...)


Jan Jacob Slauerhoff

Jan Jacob Slauerhoff, um poeta holandês razoavelmente desconhecido em Portugal, não seria a escolha mais evidente para o álbum de uma cantora portuguesa cuja matriz é ainda o fado...

Slauerhoff era um indivíduo completamente inadapatado à sociedade do princípio do século XX. Privou com o Fernando Pessoa e foi tradutor de Camões. Buscava o estímulo de outras culturas que o fizessem sair da sua forma de escrever e sentir que era um bocado depressiva.

Acho que acabei por encontrar nele aquela tristeza que toda a gente vê no fado. Era médico de bordo, passou por todas as colónias portuguesas (viveu algum tempo em Macau e apaixonou-se por uma bailarina local de quem teve um filho) e, quando veio a Portugal, encontrava-se muito doente. Fazia uma vida bastante boémia e conheceu muitos lugares e cantores de fado.

Um dos poemas deste disco, "Vida Triste", é a tradução dele de uma letra de fado que lhe foi oferecida por um desses boémios com quem se dava. E que, agora, sessenta e tal anos depois, foi resgatada para a língua portuguesa por nós.


Como é que chegaram ao conhecimento da poesia de Slauerhoff?

Estava em digressão pela Holanda e, durante um jantar, conversávamos acerca da literatura portuguesa, de Fernando Pessoa. Nessa altura, alguém mencionou a existência de um poeta holandês que partilhava um pouco desse espírito. Pedi a tradução de um texto dele ("A Uma Princesa Distante" que também acabou por figurar no disco) e, apesar de ser uma tradução à letra, chegou para me aperceber que tinha uma forma de escrever e de pensar muito "portuguesa".

A tradutora fez-nos chegar vinte e tal poemas e, desses, cerca de onze, eram perfeitos para construir um álbum.

Fados ?

Houve uma primeira tradução muito agarrada ao texto original que era impossível de cantar. Fiz uma segunda tradução, mais livre e cantável e as coisas foram surgindo assim. No final, quando começámos a gravar, percebemos que não seriam exactamente fados mas sim temas muito tristes que acabavam por estar muito proximos do espírito original do fado. E, no fundo, foi através deste álbum que compreendi quais eram realmente as características do fado.

Fonte: João Lisboa (adaptado)