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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Grácia Nasi, uma história de vida


Grácia Nasi, baptizada com o nome cristão de Beatriz de Luna, nasceu em 1510 no seio de uma família de cristãos-novos (marranos) originários de Castela, vinda para Portugal após a expulsão dos judeus de Espanha, em 1492. Entre os convertidos encontrava-se a família de Grácia assim como a do seu futuro marido Francisco Mendes, aliás Semah Benveniste, natural de Sória em Castela.

Seu irmão Agostinho Miguel era médico na corte e leccionava medicina na Universidade de Lisboa. Em 1528, ao 18 anos, Beatriz casou-se com Francisco Mendes, que, junto com seu irmão Diogo Mendes, liderava um império de comércio de pedras preciosas e especiarias, cuja casa bancária tinha sucursais na França e Flandres. Do casamento nasceu uma única filha, de nome de baptismo Ana, a quem chamavam Reina.


Em 1535, Francisco Mendes morre, ficando Grácia e o cunhado, que dirigia a filial em Antuérpia, como gestores de uma imensa fortuna. A Inquisição foi estabelecida em Portugal em 1536 e Beatriz, percebendo o perigo que corria no país, abandona o país, com destino a Antuérpia,  acompanhada da filha, da irmã e de seus sobrinhos Bernado e João Micas (futuro Joseph Nasi), então com 13 anos.

Em 1547 encontra-se em Veneza, porto de abrigo de gente das mais variadas partes do mundo e um expoente de cultura na Europa. Até 1547, o clima é de tolerância para com a comunidade judaica aí residente mas quando, a partir de 1550, o Senado da Sereníssima, renova o decreto de expulsão dos judeus confirmando que não era possível ali permanecer em segurança. A certeza quanto ao perigo que corriam chega em 1553 quando na Praça de S. Marcos são queimados exemplares do Talmude e outros livros judaicos.


Enquanto se fecham as portas de Veneza abriam-se as de Ferrara onde permanece entre 1550 e 1552 onde a corte de Hércules II, Duque d’Este, acolhia a nação hebraica lusitana e espanhola sem olhar à nacionalidade ou religião. Ferrara, seria assim, a última paragem de Dona Grácia na Europa cristã antes de se refugiar definitivamente no mundo muçulmano.

Num momento em que cresciam as perseguições na Europa cristã um outro mundo de esperança se abria na Turquia. Em 1552 embarca para Constantinopla numa viagem que duraria seis meses. A primeira paragem seria Ragusa, um importante porto do Adriático, e Salónica.


                                                             (selo lançado em Israel)

Os dezoito anos em que vive em Istambul, no seu Palácio de Belvedere, junto às margens do Bósforo, são anos tranquilos em que finalmente pode confessar abertamente o judaísmo.

Grácia Nasi morre em 1569. É lembrada por muitos como “Uma das mais nobres mulheres e honrada como uma princesa”, símbolo do “coração do seu povo”, “Glória de Israel” e por aqueles que sempre auxiliou simplesmente como “A Senhora”.


A señora, a dama, Ha-geveret – em hebraico – marcou de uma maneira indelével a cultura judaica. Sua lembrança foi perpetuada através das inúmeras sinagogas que têm o seu nome, entre elas, uma em Esmirna, El Kal de la Señora, sinagoga que foi muito frequentada até 1970

Grácia Nasi é considerada a heroína por excelência do judaísmo, em geral, e do judaísmo sefaradita, em particular. Salvou centenas de marranos da morte e das perseguições. Tentou agir contra o anti-semitismo, impondo um boicote económico. Tentou construir uma pátria judaica na Palestina, tendo Tiberíades como base.

Fontes/Mais informações: Universidade de CoimbraComunidade Judaica de BelmonteÓculos do mundoRevista Luxriototal  /  morashawikipedia / criptojews / redejudiariasportugal / Esther Mucznik

Museu on-line

Versão on-line de "A Senhora" de Catherine Clément


Livros e mais livros

A primeira biografia de Grácia Nasi foi escrita por uma mulher, Alice Fernand-Halphen, em 1929, na Revue de Paris sob o título: "Une Grande Dame Juive de la Renaissance - Gracia Mendes-Nasi".

Antes, já alguns autores se haviam referido a ela no século XVII e no século XIX, nomeadamente, Meyer Keyserling na sua "História dos Judeus em Portugal", "Geschichte Der Juden in Portugal", publicada em 1867. Mas é sobretudo no século XX que se desenvolvem obras romanescas e estudos históricos dedicados à sua vida e personagem dos quais o grande marco é o livro de Sir Cecil Roth, "Dona Gracia Nasi" publicado em 1948.

"A Senhora" de Catherine Clément (1992)

Foi Alain Oulman (colaborador e herdeiro da editora de livros francesa Calmann-Levy) quem convenceu Catherine Clément a escrever "A Senhora" (1981-1989) . Era uma história que ele conhecia bem, por ser sobrinho de uma mulher que acreditou ser uma reencarnação de Beatriz de Luna.

Quando Alain Oulman lhe pediu que escrevesse a história de Gracia Nasi, ela começou por recusar: «eu sou judia, mas pertenço a outro mundo judeu. O meu avô nasceu em Baku, a minha avó algures na Checoslováquia, encontraram-se em Odessa, morreram em Auschwitz. Foram denunciados por um padre católico, e foi esse ponto que eu senti que tinha em comum com esta história».

Algumas das fontes de Catherine Clément

Catherine Clément refere que o livro de referência sobre a vida de Beatriz Luna é o de Sir Cecil Roth, "Dona Grácia Nasi" (1948), o primeiro volume de uma obra consagrada à casa dos Nasi. E sugere igualmente, entre outros livros, a leitura  do romance "Le Duc de Naxos" de Georges Nizan (1989).

As informações sobre as últimas comunidades marranas provém do filme "Les Derniers Marranes" de Frédéric Brenner e Stan Neumann, difundido em 1990 no canal Sept.


"O Fantasma de Hannah Mendes" ("The Ghost of Hannah Mendes") (1998)

Doña Gracia Mendes (ou Hannah Mendes) tem sido alvo de inúmeros livros, tanto novelas como estudos históricos. A perspectiva da escritora israelo-norte-americana Naomi Ragen é particularmente original: a  busca de um manuscrito perdido em pleno século XX.

A acção decorre em 1996, em Nova Iorque. Este é o lugar onde vive Catherine da Costa, viúva de Carl da Costa, um filho do Rabino Obadia da Costa. Quando Catherine sabe que tem pouco tempo de vida, engendra um plano para que as suas netas, Francesca e Suzanne, que nunca tinham ligado muito à sua ascendência judaica, se interessem pela procura, na Europa, das páginas perdidas de um manuscrito antigo, do século XVI, relatando a história de Hannah Mendes, a sua fuga à Inquisição, bem como a sua falsa, porque compulsiva, conversão ao Cristianismo.

 
"O Judeu de Malta" e "O Mercador de Veneza"

Christopher Marlowe ter-se-à inspirado numa história sobre Joseph Nasi para escrever uma peça sobre um mau negociante judeu que através de artimanhas tinha conseguido enganar os príncipes europeus. Confundiu Chipre com Malta e intitulou a peça de "O Judeu de Malta". Mais tarde William Shakespeare teve conhecimento do Judeu de Malta e transformou Joseph Nasi, duque de Naxos, em Shylock, "O Mercador de Veneza".


Em Portugal

A vice-presidente da comunidade israelita em Portugal, Esther Mucznik, é a autora do livro "Grácia Nasi - a Judia portuguesa do século XVI que desafiou o seu próprio destino" (2010).

Esther Mucznik admite que inicialmente hesitou em escrever sobre Grácia Nasi, visto que já há muitos livros sobre a história desta mulher. A autora explica que escreveu uma biografia baseada nos factos existentes, embora acabe por passar a sua visão de judia portuguesa sobre o assunto.

domingo, 15 de julho de 2012

Memórias de António José da Silva, O Judeu em "Masmorras da Inquisição" de Isolina Bresolin Vianna (1997)


Embora classificado como romance, "Masmorras da Inquisição – Memórias de António José da Silva, o Judeu", apoia-se sobre factos e documentos históricos, entre eles os autos do processo de António José. Nada foi inventado ou falsificado. O que ali está é a triste e dura verdade configurada naqueles depoimentos, todos verdadeiros na sua essência.

É verdade que um gesto de amor livrou-o da morte infamante pelo garrote e da tortura da fogueira inquisitorial, como é verdade que ele sempre foi muito amado, querido e admirado, mas, infelizmente, também muito invejado, uma das causas prováveis da sua injusta morte. António José da Silva, o Judeu, foi uma das mais ilustres vítimas da Inquisição, sacrificado pela “culpa de não ter culpa”.


Tradição literária

A Ficção histórica não antagoniza os factos históricos, ao contrário, desperta o interesse, mobiliza as atenções e abre caminhos para novas pesquisas e descobertas. A peça teatral “António José, ou o Poeta e a Inquisição” de Domingos José Gonçalves de Magalhães (1983) abriu o caminho para o romance histórico “O Judeu” de Camilo Castello Branco (1866), que estimulou a publicação de uma parte da documentação inquisitorial do comediógrafo brasileiro (Revista do IHGB, Tomo LIX, 1896) que, por sua vez, levou Teófilo Braga, o primeiro Presidente da República Portuguesa, ao opúsculo "O Mártir da Inquisição Portuguesa" (1910).

António Baião avançou com novas pesquisas em “Episódios Dramáticos da Inquisição Portuguesa (2º volume, 1924) que, finalmente, desembocaram no trabalho seminal de J. Lúcio Azevedo, em “Novas Epanáforas” (1932).

A listagem, evidentemente incompleta, não poderia deixar de registar a narrativa dramática de Bernardo Santareno, "O Judeu" (1968), a monumental pesquisa académica de José de Oliveira Barata, "António José da Silva, Criação e Realidade" (1983) e o filme "O Judeu" de Jom Tob Azulay (1988-1996).

Ao longo da história da cultura percebe-se, nítida, uma interpelação e interlocução entre narração e conhecimento, entre facto e ficção, entre criação e realidade que, longe de se excluírem, acrescentam-se num processo vital, de grande riqueza.

Estas memórias ficcionais, “Masmorras da Inquisição“, da historiadora Isolina Bresolin Vianna, são o mais novo elo de um fertilíssimo encadeamento que está longe de ser concluído.

Fonte: Judaica Portugal / Alberto Dines

Mais informações sobre a vida de António José da Silva: Morasha

sábado, 30 de junho de 2012

A vida de António José da Silva em “O Judeu” (1986-1995)



O filme é baseado na história real de António José da Silva, poeta e o mais célebre autor de teatro de Portugal do século 18, que ficou conhecido como “O Judeu”, nascido no Brasil, de origem judaica.


Para Jom Tob Azulay, o realizador, são várias as razões que motivaram o interesse de levar a cabo este projecto: o dramatismo da história, por exemplo, é uma delas, acrescido do facto de proporcionar um bom tratamento cinematográfico; o ser um tema luso-brasileiro e, simultaneamente, uma homenagem a um artista fundamental na evolução da Literatura e da Cultura dos dois países.


Sinopse

Torturado aos 20 anos pela Inquisição por crime de judaísmo, António José da Silva (1704-1736), nascido no Brasil e chamado de 'o judeu', redescobre o sentido da vida graças ao teatro de marionetes. Casa com Leonor de Carvalho, cristã-nova como ele, e frequenta os salões aristocráticos dos Estrangeirados (Iluministas) que o apoiam.

Uma denúncia de heresia contra sua prima Brites Eugênia e o espírito irreverente das comédias desse Molière português do século XVIII, o conduzem mais uma vez aos cárceres do Santo Ofício junto com a mãe, Lourença Coutinho e a mulher.


Secretário do Rei, D. João V, o brasileiro Alexandre de Gusmão, tenta libertá-lo, enquanto seu inquisidor, o jovem dominicano D. Marcos, sofre dúvidas de consciência sobre a legitimidade do processo inquisitorial. Mesmo assim, Lourença e Leonor são torturadas.

Mas, no jogo de pressões, que opõe o Rei ao Inquisidor Geral, D. Nuno de Athayde e Mello, um outro destino é reservado ao poeta: o martírio pelo fogo, que fez dele um dos mitos da história de Portugal e do Brasil.


Retrato de António José da Silva e da sua época

O objectivo fundamental é o de apresentar um retrato de António José da Silva e da sua época (o Século das Luzes, sob o reinado de D. João V): realçar, por um lado, o carácter luso-brasileiro da formação do poeta, advogado e dramaturgo nascido no Brasil e filho de pais brasileiros, e cuja obra conheceu ampla popularidade durante os séculos XVIII e XIX nos dois países, e, por outro lado, recriar um painel da época, em que sobressaem não só a trajectória pessoal do poeta e da sua família (cristãos novos perseguidos pelo Santo Ofício), como também um autêntico mosaico de personagens típicas da nobreza, clero e povo.

 
Co-produção

A produção do filme foi inicialmente assumida pelo produtor português António Vaz da Silva que não chega a concluí-la pela morte do protagonista, Felipe Pinheiro, e por problemas financeiros subsequentes. Só passados vários anos é que outro produtor português, António da Cunha Telles, aceita conclui-lo, recorrendo a um duplo para o papel do protagonista.


 
Locais de rodagem

Os primeiros dias de rodagem efectuaram-se na Sé Patriarcal de Lisboa e no Museu do Azulejo (“transformado” no gabinete do inquisidor-geral), sendo as etapas seguintes Mafra (Convento de Mafra), Óbidos, Alcobaça e Nazaré.



Elenco luso-brasileiro

O elenco luso-brasileiro é muito vasto. Entre os actores brasileiros, cerca de meia dúzia, contam-se: Filipe Pinheiro (António José da Silva), Cristina Aché (Leonor), Dina Sfat (Lourença), José Lewgoy, Edwin Luisi (Alexandre de Gusmão) , Fernanda Abreu (Brites) e Ruth Escobar (rainha D. Maria).


Dos portugueses, quase meia centena de participantes, citamos, apenas, alguns: José Neto (D. Marcos, inquisidor), Rogério Paulo (Promotor do Santo Ofício), Rui de Carvalho (padre Pantoja), Antonino Solmer (André), Mário Viegas (D. João V), Nicolau Breyner (D. Câmara, inquisidor), Laura Soveral (Maria Coutinho), e Varela Silva (João Mendes).


 Prémios

Melhor Filme; Melhor Actor Secundário (Coadjuvante) para José Lewgoy; Melhor Direcção de Arte para Adrian Cooper e Melhor Som no Festival de Brasília
 Melhor Actor Secudário (Coadjuvante) para José Lewgoy no Festival de Cartagena 
Primeiro Prémio no HBO Brasil
 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Um Judeu Português no “Faroeste Selvagem”

Salomão [Solomon] Nunes Carvalho, um descendente de judeus portugueses nascido na cidade de Charleston, na Carolina do Sul, foi o primeiro fotógrafo a atravessar os Estados Unidos da América e a registar com a sua objectiva as paisagens e as gentes do longínquo e mítico Oeste americano.

Integrado na quinta expedição do coronel John Charles Frémont, destinada a explorar traçados possíveis para o caminho de ferro entre o rio Mississippi e a costa do Pacífico, Nunes Carvalho tirou mais de 300 fotografias (daguerreotipos) da expedição, muitas delas em condições de extrema dificuldade.


O coronel John Charles Frémont tentara recolher registos fotográficos das suas viagens anteriores, chegando mesmo a tentar ele próprio a complexa arte do daguerreotipo, mas sem qualquer tipo de sucesso. É a sua reputação que faz com que Frémont convide Nunes Carvalho para acompanhar a expedição.

Considerado um dos melhores daguerreotipistas americanos da época, Salomão Nunes Carvalho tinha um estúdio na cidade de Baltimore e era reconhecido também como retratista e pintor. Alguns dos seus desenhos chegaram a figurar nas notas de um dólar da Reserva Federal.


Família judaica

O seu pai, David Nunes Carvalho, fora um dos principais impulsionadores do movimento de reforma litúrgica judaica nos EUA, defendendo a tradução dos livros de orações e a introdução de sermões em Inglês nas sinagogas, chegando a ser um dos fundadores da Reformed Society of Israelites de Charleston, a primeira congregação americana do judaísmo reformado.

O tio de Salomão, Emanuel Nunes Carvalho, mais tradicionalista, era hazzan (condutor da liturgia) da comunidade de judeus portugueses de Barbados, emigrando depois para os EUA, onde exerceria as mesmas funções nas sinagogas portuguesas de Charleston e Filadélfia. Em 1815, o ano em que Salomão nasceu, o seu tio publicou o primeiro livro de gramática hebraica escrito por um judeu nas Américas. (...)

Fonte/Mais informações: Rua da Judiaria

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

David Ricardo, economista (1772—1823)

Nascido em Londres, David Ricardo foi o terceiro de dezassete filhos de uma família holandesa de classe média, descendentes de judeus (sefarditas) que fugiram das perseguições em Portugal.

Seu pai emigrou dos Países Baixos para a Inglaterra pouco antes de David nascer, onde prosperou negociando na Bolsa de valores. David viveria alguns anos na Holanda com outros elementos da família, tendo ali completado parte da sua instrução primária.

Em 1815, David Ricardo já era considerado o mais importante economista de toda a Grã-Bretanha, graças ao seu conhecimento prático sobre o funcionamento do sistema capitalista, vindo da sua carreira como perito em finanças.

Mas sua grande obra-prima, sem dúvida, foi “Princípios de Economia Política e Tributação”, publicado em 1817. Esse livro consagrou Ricardo como o grande nome da Economia Política Clássica, junto com Adam Smith, dominando a cena económica não apenas da Inglaterra, mas de todo o mundo ocidental por muitas décadas, até o surgimento do marxismo e do marginalismo (os quais foram muito influenciados pela obra de Ricardo).

Teoria das vantagens comparativas

A sua teoria das vantagens comparativas constitui a base essencial da teoria do comércio internacional. Demonstrou que duas nações podem beneficiar do comércio livre, mesmo que uma nação seja menos eficiente na produção de todos os tipos de bens do que o seu parceiro comercial.

Segundo o autor, uma nação é rica em razão da abundância de mercadorias que contribuam para a comodidade e o bem-estar de seus habitantes. Ao apresentar esta teoria, usou o comércio entre Portugal e Inglaterra como exemplo demonstrativo.

Fonte: wikipedia (adaptado)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Harold Pinter, lusodescendente ?

O dramaturgo britânico Harold Pinter venceu o Prémio Nobel da Literatura [em 2005], tornando-se o 13.º judeu a ganhar o Nobel nesta categoria, sucedendo à escritora judia austríaca Elfriede Jelinek, vencedora do prémio em 2004.

Será Harold Pinter descendente de judeus portugueses? Esta questão não tem uma resposta fácil. Pinter acreditava que o seu nome de família resultava da anglicização de “Pinto” (ou “Pinta”), um sobrenome generalizado entre as famílias de judeus portugueses da Diáspora.

Na verdade, era bastante comum aos judeus portugueses emigrados alterar o nome de família como forma de melhor se integrarem nos países de acolhimentos – em França, os descendentes do pedagogo Jacob Rodrigues Pereira, por exemplo, chamam-se hoje “Pereire”, enquanto o ramo americano da mesma família optou por “Perera” (ver National Foundation for Jewish Culture: On Being Sephardic: The Children of the Diaspora, by Victor Perera).

Por outro lado, sabe-se que os judeus portugueses são responsáveis pelo restabelecimento da comunidade judaica em Inglaterra, depois do rabino Menasseh ben Israel (Manuel Dias Soeiro) ter negociado com Oliver Cromwell, no século XVII, a revogação do decreto de expulsão de 1290.

Foram os judeus portugueses os primeiros a chegar a Londres. Sabe-se também que existiam vários “Pintos” entes estes pioneiros – o rabino português Joseph Jesurun Pinto (1565-1648), por exemplo, viveu em Londres grande parte da sua vida.

A eventual descendência portuguesa de Harold Pinter virá por parte do pai, Jack Haim Pinter, uma vez que a família da mãe, Frances Moskowitz, tem raízes nas comunidades judaicas da Polónia e Ucrânia.

Mesmo assim, sem mais elementos factuais – a não ser a palavra do próprio Harold Pinter – é difícil traçar com certezas a sua mais do que provável ancestralidade judaica portuguesa. A pista final é dada pelo facto do pai de Harold Pinter ser sefardita e da esmagadora maioria dos judeus sefarditas britânicos descenderem de judeus portugueses.

Fonte: Rua da Judiaria (adaptado)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sean Paul, cantor de reggae

Sean Paul Henriques nasceu em Kingston, Jamaica, em Janeiro de 1975.

Seu avô paterno era um judeu sefardita português e sua avó paterna era afro-caribenha, existindo uma lenda sobre um naufrágio tumultuoso ("shipwreck of horse-rustling ancestors during a daring escape from bounty hunters").

A família de Sean Paul tem uma longa tradição em desportos aquáticos e o seu pai foi inclusive membro da primeira equipa de Polo Aquático da Jamaica. Mais tarde, o próprio Sean foi um importante jogador de polo, tendo abandonado a carreira desportiva para se dedicar à música.

A partir de 1996 começou a lançar singles na Jamaica, que cedo ganharam popularidade. Em 1999 o seu sucesso expandiu-se para a América.

Sean Paul lançou o seu primeiro álbum no ano 2000, "Stage One", que incluía muitos dos seus anteriores singles de sucesso.

Dois anos mais tarde, Sean Paul lançou o seu segundo álbum, "Dutty Rock" que, graças ao sucesso do seu primeiro álbum e dos singles "Gimme the Light" e "Get Busy", rapidamente se tornou um sucesso de vendas.

Na mesma altura, Sean Paul teve algumas participações em músicas de outros artistas, como a sua participação em "Baby Boy", de Beyoncé e em "Breathe", de Blu Cantrell, que o consolidaram como um dos importantes cantores de reggae e dance-hall do início do século XXI.

Fonte: wikipedia

segunda-feira, 6 de julho de 2009

"Judeus portugueses na Jamaica" de Mordechai Arbell

"Havia judeus na Jamaica muito antes que os ingleses ocupassem a ilha em 1655. As ilhas eram então conhecidas como 'Portugals'"

Este é o primeiro registo escrito sobre a população judaica da Jamaica e do seu papel na vida económica e cultural do país.

Mordechai Arbell, antigo embaixador de Israel, começa por abordar a história dos primeiros colonos que chegaram no século XVI e como as suas interligações familiares lhes permitiram desempenhar um papel fundamental no comércio internacional.

Google.books

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Carsten Wilke lança "História dos Judeus portugueses"


O percurso histórico dos judeus portugueses é "um dos mais bem estudados da história judaica", afirma Carsten Wilke que defende que a história dos judeus portugueses tem "um trajecto singular" e não um anexo da de Espanha.

Segundo o autor, o livro constitui uma "síntese de vinte séculos de civilização judeo-portuguesa", destinando-se "a um público não especializado".

Carsten L. Wilke referencia quatro pontos essenciais da história dos judeus portugueses:

o período medieval;
a conversão forçada,
a dispersão; e:
o "renascimento judaico" em 2000.

No período medieval, "Portugal garantia aos judeus mais protecção e segurança que qualquer outro país europeu".

Em 1497 D. Manuel I decreta a conversão ao cristianismo, e a "retracção do judaísmo" que se lhe seguiu promoveu uma clandestinidade precária e "a dispersão da comunidade judaica por todos os cantos do mundo".

Esta dispersão, segundo Wilke, foi "confortada por um judaísmo reinventado" e fez criar uma "consciência judeo-portuguesa", que "forneceu um dos exemplos mais acabados de um particularismo étnico no seio do povo judaico".

A data de 1964 torna-se essencial, quando o jornalista Inácio Steinhardt estabelece o primeiro contacto com a comunidade judaica de Belmonte, "a única que perdurou".

A partir da década de 1980 foram-se constituindo espaços da comunidade como locais de oração até que em 2000 se deu o que o autor considera um "renascimento judaico" quando é inaugurado um cemitério judeu em Belmonte. Quatro anos depois foi inaugurado um Museu.

Imaginário nacional

Portugal tem um olhar único sobre a história judaica. No imaginário nacional, o judaísmo pertence não apenas à sua tradição cultural, mas também à sua genealogia.

Na época medieval, os monarcas portugueses garantiram aos judeus mais protecção e segurança do que qualquer outro país europeu.

A entrada de Portugal na era moderna fez-se, porém, no decurso de um processo de "cristianização" violenta de toda a sua vasta comunidade judaica, e os descendentes desta, quando não puderam, ou quiseram, sobreviver como judeus no exílio, misturaram-se em grande número ao resto da população.

Os que se exilaram e vieram a fundar, ou desenvolver, dezenas das mais dinâmicas comunidades judaicas do mundo moderno, nem por isso deixaram de reivindicar além-fronteiras a identidade contraditória de "judeus do desterro de Portugal".

Há mais de um século que esta história complexa e absolutamente singular apaixona estudiosos dos mais variados ramos do saber, dentro e fora de Portugal. E se hoje os aspectos parcelares de dois milénios de civilização judeo-portuguesa estão amplamente estudados, são também dos mais mal resumidos, o que explica que sejam tão mal conhecidos fora dos círculos especializados. A presente síntese vem colmatar essa lacuna.

Fonte: Lusa (adaptado)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Spinoza, filósofo

Benedictus de Spinoza (1632—1677), forma latinizada de Baruch de Spinoza, nasceu em Amsterdão, no seio da família judaica Spinoza, de portugueses foragidos da perseguição pela Inquisição, sendo, juntamente com Descartes e Leibniz, um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna.

No verão de 1656, foi excomungado na Sinagoga Portuguesa de Amsterdão pelos seus postulados a respeito de Deus em sua obra, defendendo que Deus é o mecanismo imanente da natureza e do universo, e a Bíblia uma obra metafórico-alegórica que não pede leitura racional e que não
exprime a verdade sobre Deus.

Spinoza "era de mediana estatura, feições regulares, pele um tanto morena, cabelos pretos e crespos, sobrancelhas negras e bastas, denunciando claramente a descendência de judeus portugueses. No trajar muito descuidado, a ponto de quase se confundir com os cidadãos da mais baixa classe".

"À procura de Spinoza" de António Damásio

António Damásio, o famoso neurocientista português, debruçou-se sobre o pensamento de Spinoza no seu livro "À procura de Spinoza", o qual tem como objecto específico as Emoções e Sentimentos, seus mecanismos e seu papel no comportamento e vivência humanas.

A obra inclui ainda uma apresentação, predominantemente decorativa, de dados biográficos deste filósofo, associada a uma revisão airosa de factos histórico-sociais, de aspectos religiosos, científicos, geográficos, etc., da época, com certo pendor para as referências ao Judaísmo e sua importância em Portugal e na Holanda nesse tempo.

Fontes: wikipedia, Júlio Campos

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Baruch Lopes Leão de Laguna, pintor

Considerado um dos mais representativos retratistas holandeses dos finais do século XIX e da primeira metade do século XX, Baruch Lopes Leão de Laguna nasceu em Amsterdão, a 16 de Fevereiro de 1864, no seio de uma família sefardita portuguesa.

A sua vida começa tal como haveria de acabar – marcada pelos mesmos tons de tragédia. Aos dez anos perdeu os pais – Salomão Lopes de Leão Laguna e Sara Kroese – dando entrada no orfanato da comunidade de judeus portugueses de Amsterdão. Apoiado pelos professores da comunidade, ganhou o gosto pela pintura, estudando primeiro na Escola Quellinus e depois na Academia Nacional de Belas Artes da Holanda.

Para sobreviver, Leão Laguna trabalhou para o pintor Jacob Meijer de Haan – primeiro na pastelaria da família, no bairro judeu de Amsterdão, e posteriormente no atelier, como seu assistente.

Aos poucos, a pintura de Leão de Laguna foi ganhando fama e reconhecimento suficientes para lhe permitirem dedicar-se por completo à sua paixão. Em 1885 faz a sua primeira exposição na Associação Arti et Amicitiae, uma mostra bastante bem recebida pela crítica e pelos colegas. Por essa altura Baruch Lopes de Leão Laguna casa com Rose Asscher, filha de um lapidador de diamantes.

Durante os primeiros anos da ocupação nazi, Leão Laguna refugiou-se na região de Laren, no norte da Holanda. Terá sido nessa altura que pintou o auto-retrato que figura em cima. Auxiliado por uma família que o esconde numa quinta remota, Leão Laguna fica-lhes imensamente grato, oferecendo-lhes vários dos seus quadros (entre os quais este auto-retrato).

Eventualmente, Baruch Lopes de Leão Laguna é capturado pelos nazis e levado para o campo de extermínio de Auschwitz, onde é assassinado a 19 de Novembro de 1943, com 79 anos de idade.

Fonte: Rua da Judiaria

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Camille Pissarro, o primeiro pintor impressionista


Jacob Camille Pissarro (1830 — Paris, 13 de Novembro de 1903) foi um pintor francês, co-fundador do impressionismo, e o único que participou nas oito exposições do grupo (1874-1886).

Seu pai, Abraham Frederic Gabriel Pissarro, era português criptojudeu de Bragança, que, no final do século XVIII, quando ainda pequeno, emigrara com a sua família para Bordéus, onde na altura existia uma comunidade significativa de judeus portugueses refugiados da Inquisição. A mãe de Camille Pissarro era crioula e tinha o nome Rachel Manzano-Pomie.

Com o objectivo de descobrir novas formas de expressão, Pissarro foi um dos primeiros impressionistas a recorrer à técnica da divisão das cores através da utilização de manchas de cor isoladas – o seu quadro “The Garden of Les Mathurins at Pontoise” (1876) é um exemplo.

Em 1877 pintou “Les toits rouges, coin du village, effet d'hiver”. Durante os anos 80 juntou-se a uma nova geração de impressionistas, os “neo-impressionistas”, como Georges Seurat e Paul Signac, pintando em 1881 “Jeune fille à la baguette, paysanne assise” e experimentou com o pontilhismo.

Fonte: wikipedia

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Pierre Mendes-France, político


Pierre Mendès France (1907—1982) foi um político francês. Ocupou o cargo de primeiro-ministro da França, entre 18 de Junho de 1954 a 23 de Fevereiro de 1955.

Pierre Mendès France era descendente de uma família Judaico-Portuguesa ("Mendes de França") que se viu obrigada a sair de Portugal depois do Massacre de Lisboa de 1506.

Foi editado em disco um conjunto de entrevistas/depoimentos no qual se inclui "Du portugal a la france du xv au xvii siecle".

Fonte: wikipedia

Judeus em França

Milhares de judeus portugueses refugiram-se nos século XVI e XVII neste país, constituindo importantes comunidades em Bordéus, Baiona (Espanha, na fronteira com a França), San Juan de Luz, Biarritz, Bidart, Tartas, Lyon, La Rochelle, Marselha e Rouen.

Em Bordéus, esta comunidade possuia locais próprios de culto, cemitério, dominando o comércio, banca e construção naval. Era muito activa ainda no século XIX.

Ao longo dos séculos membros destas comunidades portuguesas tiveram grande notoriedade pública em multiplos domínios como: Jacob Camille Pizarro (1831 - 1903), pintor impressionista; Pierre Mendes-France (1907 - 1982), político, etc.

Fonte: Lusotopia

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Judeus em Nova Iorque


A imigração converteu Nova Iorque num lugar único, gente de todas as raças, falando todas as línguas e rezando todos os credos. É uma cidade onde ninguém é estrangeiro, terra de todos e também dos portugueses que chegaram há mais de 350 anos.

O primeiro grupo de portugueses chegou a Nova Iorque dia 7 de Setembro de 1654, quando a cidade era holandesa e se chamava Nova Amsterdão. Eram 23 pessoas, quatro casais, duas viúvas e treze crianças. Tinham fugido do Brasil. Eram judeus, mas não deixavam de ser portugueses.

É fascinante a saga dos judeus portugueses de Manhattan, que mais tarde mandaram vir outros judeus, descendentes de judeus da Península Ibérica que se tinham radicado em Inglaterra e na Holanda, fugindo à inquisição. Esses judeus são conhecidos como sefarditas.

Gente como os irmãos Mendes Seixas, trazidos de Lisboa em 1730, pelo patriarca do clã, Isaac Mendes Seixas:

* Gershom Mendes Seixas (1745-1816), conhecido como o “primeiro rabino do Novo Mundo”, era amigo pessoal de George Washington e foi um dos três representantes do clero presentes na cerimónia da sua tomada de posse como presidente em 1787;
* Abraão Mendes Seixas (1751-1799) foi oficial no exército revolucionário;
* Benjamin Mendes Seixas (1748-1817) foi um dos fundadores da Bolsa de New York, ao lado de Isaac Gomes, outro português, e Moisés Mendes Seixas (1744-1809) foi um dos organizadores do Banco de Rhode Island, percursor da actual Reserva Federal. Há quem diga que foram eles os inventores do capitalismo.

Construiram igualmente a primeira sinagoga de Manhattan, Sheriath Israel, ainda existente e designada Sinagoga Portuguesa e Espanhola. Lá conheci há anos o rabino Abraham Lopes Cardoso, que esteve à frente da sinagoga entre 1946 e 1984 e era considerado responsável pela preservação de muitas tradições portuguesas da congregação.

Fonte: Eurico Mendes, Portuguese Times

Ligação: Rua da Judiaria

"Os Judeus do Desterro de Portugal" de António Carlos Carvalho


António Carlos Carvalho, jornalista e escritor, estudou o destino dos sefarditas nas suas múltiplas pátrias adoptivas, tendo concluído que a língua portuguesa sobreviveu durante várias gerações.

No seu livro, afirma que os judeus portugueses "talvez fossem os melhores de nós", e por isso foram expulsos.

(...) os desterrados dos séculos XV e XVIII mantiveram sempre uma estranha ligação afectiva, 'filial', com o país, ou a terra, que os rejeitou, e até mesmo com os reis, de que foram agentes, servidores, financeiros, numa relação que ultrapassa a simples lógica. Como se nunca tivessem conseguido cortar o cordão umbilical. E, desterrados, fizeram uma obra que ficou para a História, mas de que Portugal não soube beneficiar.

Os judeus portugueses, os denominados sefarditas, recusavam nos países de acolhimento misturar-se com Ashkenazim, julgando-se superiores. Porquê?

Ainda hoje, nos Estados Unidos, como se refere no livro, os descendentes dos judeus portugueses e espanhóis consideram-se uma espécie de nobreza de Israel – são os 'grandes' –, em contraste com as outras correntes migratórias (alemães e russos) que se instalaram em terras americanas. A origem desse sentimento de distinção, em que alguns vêem simples orgulho, reside numa tradição que remonta à dispersão das dez tribos perdidas: ficaram duas e os sefarditas diziam-se seus descendentes.

Baruch Espinosa e Amato Lusitano são algumas das grandes figuras judaicas de origem portuguesa. A expulsão de 1496 e a posterior perseguição aos cristãos-novos sangrou Portugal de gente que poderia ter sido essencial para o seu desenvolvimento. (...)

Marrocos, Holanda, Peru, Jamaica, América do Norte, Império Otomano constam entre as pátrias de adopção dessa gente (...)

Fonte: L. P.F. / DN (14-08-1999)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

"O Ciclo Sefardita" de Richard Zimler


Richard Zimler iniciou, em 1996, o "Ciclo Sefardita", uma série de romances independentes que abordam as diferentes gerações e ramificações de uma família de judeus portugueses – a família Zarco.

Nesse seu primeiro romance, Zimler refere que, em 1990, descobrira numa cave de Istambul sete manuscritos do século dezasseis escritos por um cabalista chamado Berequias Zarco.

"O Último Cabalista de Lisboa" (1996)

"O Último Cabalista de Lisboa" é um romance cuja acção decorre em 1506 entre os judeus forçados a converter-se ao cristianismo, no reinado de D. Manuel I. Em Abril desse ano, durante as celebrações da Páscoa, cerca de 2000 cristãos-novos foram assassinados num pogrom e os seus corpos queimados no Rossio. As principais personagens pertencem a uma família de cristãos-novos residente em Alfama, cujo patriarca, Abraão Zarco, é um iluminador e membro da célebre escola cabalística de Lisboa. Depois do pogrom, ele e uma jovem rapariga são encontrados mortos na cave, com a porta fechada por dentro. (...) Estes os mistérios que terão de ser resolvidos por Berequias Zarco, sobrinho de Abraão e seu discípulo no estudo da cabala."

"Meia-Noite ou o Princípio do Mundo" (2003)

"No início do século XIX em Portugal, John Zarco Stewart, filho duma judia portuguesa e de um escocês, é uma criança endiabrada, sensível e profundamente curiosa, herdeira involuntária de uma fé amortalhada em três séculos de secretismo.
Mas um período de perda e de amargas revelações põe um fim abrupto à sua inocência, e só a misteriosa interferência de um mágico estrangeiro, trazido de África para o Porto pelo pai do rapazinho, consegue salvá-lo: Meia-Noite, um curandeiro africano e antigo escravo, o homem que se tornará no maior amigo de John e determinará o curso do seu destino."

"Goa ou o Guardião da Aurora" (2005)

“Na colónia portuguesa de Goa, estava o século XVI a chegar ao fim, a Inquisição fazia enormes progressos na sua missão de impedir todos os "bruxos" - quer fossem nativos hindus, quer imigrantes judeus - de praticarem as suas crenças tradicionais. (...)
Ao viver nos limites do território colonial, a família Zarco consegue manter firmes as suas raízes luso-judaicas. (...)Quando as crianças atingem a idade adulta, a família é destroçada quando, primeiro o pai e depois o filho, são presos pela Inquisição. Mas quem poderia tê-los traído?"

"A Sétima Porta" (Zarco 4) (2007)

Em Berlim, na década de Trinta, o descendente de Berequias Zarco, Isaac Zarco, está determinado a descobri-lo. Está convencido que o pacto entre Hitler e Estaline – para além de outros «sinais» - anuncia que uma profecia apocalíptica feita pelo seu antepassado está prestes a concretizar-se. Acredita também que, se conseguir descodificar esses textos cabalísticos medievais, pode salvar o mundo.