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sexta-feira, 15 de junho de 2018
"Ontem, Hoje e Amanhã" no Festival World Popular Song Festival do Japão (1975)
José Cid inicia em 1971 a sua carreira a solo, tendo participado em Novembro desse ano, sem grande sucesso, no World Popular Song Festival de Tóquio, com "Ficou para Tia".
Em Novembro de 1975, volta a Tóquio, participando pela segunda vez (enquanto intérprete) no célebre festival (também conhecido como Yamaha Music Festival), com a versão original de "Ontem, Hoje e Amanhã" ("Yesterday, Today and Tomorrow").
Os outros concorrentes eram artistas muito importantes e extremamente prestigiados, como Elton John (lnglaterra), Simone (Brasil), Aguaviva (Espanha) ou Gilbert O”Sullivan (Irlanda).
O tema obtém um honroso 9.º lugar, entre os vinte e nove participantes, e ainda o reconhecimento com um dos prémios Outstanding Song Awards do Festival, enquanto "composição notável".
Apesar de José Cid ter escolhido a língua inglesa para se apresentar em solo nipónico, o single que saiu para o mercado em Março de 1976 acolheu no seu lado A a versão portuguesa de "Ontem, hoje e amanhã" (Decca SPN 199 G), com uma apelativa e sugestiva referência na capa "Canção Vencedora do Prémio Outstanding Composion no Festival de Tóquio de 1975".
O tema foi gravado pelo grupo brasileiro Dimensão 5, em 1979, com o título original "Yesterday Today Tomorrow".
Fontes/Mais informações: Blog josecidcamaleao / "José Cid - O lado B de um provocador" de Miguel Oliveira
Videos: registo audio do Festival
sexta-feira, 15 de julho de 2016
Entre Lisboa e Nagasaki no filme "7 gatsu 24 ka dôri no Kurisumasu" ("Christmas na Av. 24 de julho") (2006)
"Christmas na Av. 24 de julho", um título insólito, pelo menos em português. Distinto do significado que tem para o mundo ocidental, o Natal para o povo japonês é apenas uma época romântica. E é nesse ambiente de busca por um relacionamento que a protagonista devaneia.
Baseado na novela homónima de Shuichi Yoshida, este filme decorre em duas cidades distantes entre si, mas que o autor considera serem muito semelhantes - Lisboa e Nagasaki.
A protagonista, uma rapariga que, por influência de um livro de "manga" que vai lendo, imagina estar em Lisboa durante algumas situações, justifica os devaneios da sua imaginação com as muitas e diferentes características que Lisboa e Nagasaki têm em comum - os eléctricos, as colinas, as vielas e, em particular, um candeeiro de iluminação pública que existe, de facto, no centro do Largo das Portas do Sol e que tem um "gémeo" em Nagasaki.
Ao longo do filme, diversos raccords entre aspectos das duas cidades assinalam a transição da protagonista entre o seu mundo real, Nagasaki, e o seu mundo fantasiado, Lisboa.
Rua Augusta
Vestígios do mundo real lastram o cenário da imaginação.
Rua das Açucenas à Ajuda.
O realizador explora inúmeros planos de eléctricos em diversos locais da cidade, pois eles são o meio de transporte da protagonista também em Nagasaki.
Praça de Luís de Camões numa perspectiva pouco acessível.
Praça da Figueira
Explorando a enorme diversidade de cenários disponíveis
Calçada de São Francisco.
Uma singular perspectiva da Rua da Voz do Operário à Graça.
A Rua da Bica Duarte Belo aparece diversas vezes no decurso do filme e sempre em planos distintos.
Deserto, o Largo das Portas do Sol com uma única "turista".
A igreja de São Vicente de Fora.
Encontrada a sua paixão, no final do filme a protagonista consegue transportá-la até ao seu mundo imaginado, cada vez mais real.
Talvez por intenção, ou talvez não, a verdadeira Avenida 24 de Julho nunca aparece. Surge aqui junto ao Mosteiro dos Jerónimos.
Texto e imagens: Lisboa no cinema (adaptado)
quarta-feira, 15 de junho de 2016
Lisboa como lugar mítico no filme “Saraba natsu no hikari” ("Adeus ao verão da Luz") de Yoshishige Yoshida (1968)
Falsamente apresentado como um road-movie, o filme não segue, contudo, a deriva de uma viagem. O seu périplo salta entre lugares para estar neles, sem se preocupar em viajar entre eles. Embora próximo de “Viaggio in Italia” (1954) de Roberto Rossellini, no sentido em que a viagem acompanha o caso amoroso de um casal — neste caso num casal em inicio de relação; no filme italiano num casal em crise de uma antiga relação, substituindo-se assim os lugares de Itália de Rossellini por lugares da Europa (embora Roma seja a cidade final da viagem do filme de Yoshida).
O filme centra-se em Makoto Kawamura (Tadashi Yokouchi), professor universitário de arquitectura que viaja na Europa em busca do edifício que inspira uma Igreja que existia em Nagasaki, destruída pelas perseguições cristãs no Japão, e que descobrira num desenho que o acompanha; e Naoko Toba (Mariko Okada), uma japonesa casada com um francês e morada em Paris, que se dedica à importação de mobiliário e objectos de arte, e que teve familiares mortos em Nagasaki.
Esta cidade japonesa, simultaneamente referida e ausente, assume relevância simbólica no filme: primeiro como o primeiro lugar de fixação dos portugueses, com feitoria comercial, portanto da primeira chegada da cultura ocidental; depois como símbolo de destruição da bomba atómica no final da 2ª Guerra, portanto, um símbolo trágico dessa ligação do Ocidente com o Japão.
Nagasaki intersecta as respectivas ‘mnemose’ [memória] e ‘amnese’ das duas personagens, sendo o lugar ausente que anima o encontro amoroso em diferentes lugares da Europa: Kawamura veio para a Europa para recuperar uma memória das origens do contacto (a Igreja); Naoko para esquecer uma recente e trágica da morte da família com a bomba. Contudo, o amor deste encontro, marca o retorno dessa ligação às raízes que Naoko procurava esquecer.
Na primeira cena do filme observamos Kawamura a entrar na Igreja do Mosteiro dos Jerónimos pelo portal Sul, passando depois ao Claustro, a que se segue a Torre dos Jerónimos.
A passagem por estes lugares históricos são acompanhados por reflexões da personagem em voz off (dominante no filme) sobre a epopeia dos portugueses para Oriente, a sua chegada ao Japão, e como fundadores da feitoria de Nagasaki.
O encontro com Naoko dá-se em cima do mapa do mundo no mosaico do chão do Padrão dos Descobrimentos, enquanto Kawamura aponta no mapa uma data marcante da relação dos portugueses com o Japão. Segue-se o ruído da baixa de Lisboa, a subida para o Castelo, ou Alfama.
Yoshida explora o passeio através de enquadramentos de rigorosa disposição formal, impondo simetrias e cruzamentos inesperados as suas personagens, sempre peças de um jogo compositivo. Segue-se a Praia do Guincho, na proximidade do referido Cabo da Roca, como o lugar mais ocidental do continente Europeu. Lisboa era esse símbolo, o mais antigo e primeiro do contacto com o Japão, e o mais distante na sua ocidentalidade extrema, em referência a essa Europa. Era o primeiro marco ou cais do périplo de uma busca a iniciar.
O filme acompanha o diálogo das personagens em Óbidos e Nazaré (no Sitio da Nazaré) completando-se ai a passagem do casal por Portugal. Seguiu-se Espanha, Paris, Mont-Saint-Michel, Estocolmo, Dinamarca, Amesterdão, de novo Paris e finalmente Roma.
Lisboa foi esse cais inicial, na geografia e na historia, simbolicamente referido na evocação de Nagasaki como cidade ausente, oferecida nas memorias perdidas ou recalcadas das duas personagens.
Texto: Tese de Fernando Rosa Dias: "Cidade Branca - Lisboa no ecrã"
Imagens: Lisboa no Cinema (Lisboacinema.blogspot.pt)
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segunda-feira, 30 de julho de 2012
Grácia Nasi, uma história de vida
Grácia Nasi, baptizada com o nome cristão de Beatriz de Luna, nasceu em 1510 no seio de uma família de cristãos-novos (marranos) originários de Castela, vinda para Portugal após a expulsão dos judeus de Espanha, em 1492. Entre os convertidos encontrava-se a família de Grácia assim como a do seu futuro marido Francisco Mendes, aliás Semah Benveniste, natural de Sória em Castela.
Seu irmão Agostinho Miguel era médico na corte e leccionava medicina na Universidade de Lisboa. Em 1528, ao 18 anos, Beatriz casou-se com Francisco Mendes, que, junto com seu irmão Diogo Mendes, liderava um império de comércio de pedras preciosas e especiarias, cuja casa bancária tinha sucursais na França e Flandres. Do casamento nasceu uma única filha, de nome de baptismo Ana, a quem chamavam Reina.
Em 1535, Francisco Mendes morre, ficando Grácia e o cunhado, que dirigia a filial em Antuérpia, como gestores de uma imensa fortuna. A Inquisição foi estabelecida em Portugal em 1536 e Beatriz, percebendo o perigo que corria no país, abandona o país, com destino a Antuérpia, acompanhada da filha, da irmã e de seus sobrinhos Bernado e João Micas (futuro Joseph Nasi), então com 13 anos.
Em 1547 encontra-se em Veneza, porto de abrigo de gente das mais variadas partes do mundo e um expoente de cultura na Europa. Até 1547, o clima é de tolerância para com a comunidade judaica aí residente mas quando, a partir de 1550, o Senado da Sereníssima, renova o decreto de expulsão dos judeus confirmando que não era possível ali permanecer em segurança. A certeza quanto ao perigo que corriam chega em 1553 quando na Praça de S. Marcos são queimados exemplares do Talmude e outros livros judaicos.
Num momento em que cresciam as perseguições na Europa cristã um outro mundo de esperança se abria na Turquia. Em 1552 embarca para Constantinopla numa viagem que duraria seis meses. A primeira paragem seria Ragusa, um importante porto do Adriático, e Salónica.
(selo lançado em Israel)
Os dezoito anos em que vive em Istambul, no seu Palácio de Belvedere, junto às margens do Bósforo, são anos tranquilos em que finalmente pode confessar abertamente o judaísmo.
Grácia Nasi morre em 1569. É lembrada por muitos como “Uma das mais nobres mulheres e honrada como uma princesa”, símbolo do “coração do seu povo”, “Glória de Israel” e por aqueles que sempre auxiliou simplesmente como “A Senhora”.
A señora, a dama, Ha-geveret – em hebraico – marcou de uma maneira indelével a cultura judaica. Sua lembrança foi perpetuada através das inúmeras sinagogas que têm o seu nome, entre elas, uma em Esmirna, El Kal de la Señora, sinagoga que foi muito frequentada até 1970
Grácia Nasi é considerada a heroína por excelência do judaísmo, em geral, e do judaísmo sefaradita, em particular. Salvou centenas de marranos da morte e das perseguições. Tentou agir contra o anti-semitismo, impondo um boicote económico. Tentou construir uma pátria judaica na Palestina, tendo Tiberíades como base.
Fontes/Mais informações: Universidade de Coimbra / Comunidade Judaica de Belmonte / Óculos do mundo / Revista Lux / riototal / morasha / wikipedia / criptojews / redejudiariasportugal / Esther Mucznik
Museu on-line
Versão on-line de "A Senhora" de Catherine Clément
Livros e mais livros
A primeira biografia de Grácia Nasi foi escrita por uma mulher, Alice Fernand-Halphen, em 1929, na Revue de Paris sob o título: "Une Grande Dame Juive de la Renaissance - Gracia Mendes-Nasi".
Antes, já alguns autores se haviam referido a ela no século XVII e no século XIX, nomeadamente, Meyer Keyserling na sua "História dos Judeus em Portugal", "Geschichte Der Juden in Portugal", publicada em 1867. Mas é sobretudo no século XX que se desenvolvem obras romanescas e estudos históricos dedicados à sua vida e personagem dos quais o grande marco é o livro de Sir Cecil Roth, "Dona Gracia Nasi" publicado em 1948.
"A Senhora" de Catherine Clément (1992)
Foi Alain Oulman (colaborador e herdeiro da editora de livros francesa Calmann-Levy) quem convenceu Catherine Clément a escrever "A Senhora" (1981-1989) . Era uma história que ele conhecia bem, por ser sobrinho de uma mulher que acreditou ser uma reencarnação de Beatriz de Luna.
Quando Alain Oulman lhe pediu que escrevesse a história de Gracia Nasi, ela começou por recusar: «eu sou judia, mas pertenço a outro mundo judeu. O meu avô nasceu em Baku, a minha avó algures na Checoslováquia, encontraram-se em Odessa, morreram em Auschwitz. Foram denunciados por um padre católico, e foi esse ponto que eu senti que tinha em comum com esta história».
Algumas das fontes de Catherine Clément
Catherine Clément refere que o livro de referência sobre a vida de Beatriz Luna é o de Sir Cecil Roth, "Dona Grácia Nasi" (1948), o primeiro volume de uma obra consagrada à casa dos Nasi. E sugere igualmente, entre outros livros, a leitura do romance "Le Duc de Naxos" de Georges Nizan (1989).
As informações sobre as últimas comunidades marranas provém do filme "Les Derniers Marranes" de Frédéric Brenner e Stan Neumann, difundido em 1990 no canal Sept.
"O Fantasma de Hannah Mendes" ("The Ghost of Hannah Mendes") (1998)
Doña Gracia Mendes (ou Hannah Mendes) tem sido alvo de inúmeros livros, tanto novelas como estudos históricos. A perspectiva da escritora israelo-norte-americana Naomi Ragen é particularmente original: a busca de um manuscrito perdido em pleno século XX.
A acção decorre em 1996, em Nova Iorque. Este é o lugar onde vive Catherine da Costa, viúva de Carl da Costa, um filho do Rabino Obadia da Costa. Quando Catherine sabe que tem pouco tempo de vida, engendra um plano para que as suas netas, Francesca e Suzanne, que nunca tinham ligado muito à sua ascendência judaica, se interessem pela procura, na Europa, das páginas perdidas de um manuscrito antigo, do século XVI, relatando a história de Hannah Mendes, a sua fuga à Inquisição, bem como a sua falsa, porque compulsiva, conversão ao Cristianismo.
"O Judeu de Malta" e "O Mercador de Veneza"
Christopher Marlowe ter-se-à inspirado numa história sobre Joseph Nasi para escrever uma peça sobre um mau negociante judeu que através de artimanhas tinha conseguido enganar os príncipes europeus. Confundiu Chipre com Malta e intitulou a peça de "O Judeu de Malta". Mais tarde William Shakespeare teve conhecimento do Judeu de Malta e transformou Joseph Nasi, duque de Naxos, em Shylock, "O Mercador de Veneza".
Em Portugal
A vice-presidente da comunidade israelita em Portugal, Esther Mucznik, é a autora do livro "Grácia Nasi - a Judia portuguesa do século XVI que desafiou o seu próprio destino" (2010).
Esther Mucznik admite que inicialmente hesitou em escrever sobre Grácia Nasi, visto que já há muitos livros sobre a história desta mulher. A autora explica que escreveu uma biografia baseada nos factos existentes, embora acabe por passar a sua visão de judia portuguesa sobre o assunto.
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quinta-feira, 31 de maio de 2012
"O Voo da Passarola" de Azhar Ali Abidi (2006)
Nos primeiros anos do século XVIII, Bartolomeu Lourenço de Gusmão - um sacerdote nascido no Brasil, que era então território português - viajou para Lisboa e dedicou-se à concepção de um navio voador a que ele chamou de Passarola.
Partindo deste facto histórico, o romancista paquistanês, mas naturalizado australiano, Azhar Abidi mistura detalhe histórico com a
especulação e o sonho, construindo um romance envolvente e original
sobre o confronto entre fé e desejo, razão e desilusão, autoridade e liberdade, que foi nomeado para o prémio de Literatura de Melbourne de 2006.
"O Voo da Passarola" (no seu original "Passrola Rising") é baseado
na história real de Bartolomeu Lourenço de Gusmão, mas apesar de ambos
os personagens principais (Bartolomeu e o seu irmão Alexandre) serem
verdadeiros, as aventuras descritas no livro são fictícias.
Bartolomeu e Alexandre utilizam a
Passarola para escapar da perseguição da Inquisição, viajando pela Europa,
onde encontram alguns dos personagens mais coloridos do Iluminismo
europeu, incluindo Voltaire, Rousseau, Lineu e o irascível Rei Estanislau da Polónia, até culminarem numa expedição militar à Índia, para defender as possessões francesas de Pondicherrey, e posteriormente numa perigosa missão científica ao Pólo Norte.
Como tudo começou ?
Azhar Abidi já queria escrever um romance sobre um navio voador muito antes de conhecer a história de Bartolomeu
Lourenço. O autor tinha um esboço do romance, mas
precisava de uma personagem e de uma voz. Mas quando tomou conhecimento de Bartolomeu, teve a sensação de ter encontrado esse personagem.
E através do irmão, Alexandre, criou
a voz de que necessitava. O registo histórico serviu de base ao romance, mas a história vai mais "longe". No final do livro Bartolomeu vai estudar a gravidade do Ártico
gelado.
A passarola de Bartolomeu de Gusmão faz parte do imaginário
nacional. O primeiro homem a voar teria sido português. O seu dirigível seria
aquela barca elevada por ar quente, uma espécie de cesto onde cabiam homens e
instrumentos.
No entanto, quem perceba um mínimo de física reconhece, imediatamente, que aquela construção não se poderia elevar nos ares.
No entanto, quem perceba um mínimo de física reconhece, imediatamente, que aquela construção não se poderia elevar nos ares.
Bartolomeu de Gusmão
Bartolomeu Lourenço de Gusmão nasceu em Dezembro de 1685 em
Santos, no Brasil, que era então território português. Estudou em Belém, na
Baía, ingressou na Companhia de Jesus e deslocou-se definitivamente para a
capital em 1708. Ainda no Brasil, destacou-se como inventor.
Em 1709 teria já a ideia de construir uma máquina voadora, pelo que dirigiu ao
rei D. João V uma petição em que requeria para si uma patente sobre os
proveitos de um «instrumento que inventou para andar pelo ar». Nesse documento,
enumera as vantagens do desenvolvimento futuro do seu invento, tanto para as
comunicações como para a guerra e o comércio. Sabe-se que o rei despachou
favoravelmente a petição. (...)
Há quem afirme que o abandono das experiências foi motivado
pela tremenda chacota que os ignorantes e invejosos fizeram do seu invento. (...) Essas
fantasias, propagadas pela chacota popular, desprestigiam o inventor português.
A honra de voar pela primeira vez num balão haveria de caber a dois franceses,
Pilâtre de Rozier e o marquês de Arlandes, que se elevaram nos ares em 1783, 74
anos depois das experiências de Gusmão. Mas a honra de construir pela primeira
vez um balão capaz de subir por meio de ar quente cabe - segundo o que se sabe
ao certo - ao inventor português.
terça-feira, 15 de maio de 2012
A presença de Portugal no Ceilão na obra de Gaston Perera
Gaston Perera começou por se dedicar à escrita de romances históricos como "The Rebel of Kandy" (1999), "Historical Tales" (2000) e "Sons of the Rebel" (2005), todos localizados durante a presença de Portugal no antigo Ceilão (actual Sri Lanka), tendo-lhe sido atribuído o prémio "State Literary Award for English Fiction" em 2000.
Posteriormente escreveu diversos livros sobre a história militar do Ceilão, tendo publicado "Kandy Fights the Portuguese - A Military History of Kandyan Resistance" (2007) e "The Portuguese Missionary in 16th and 17th Century Ceylon" (2009).
"The Rebel of Kandy" (1999)
Os primeiros livos de Gaston Perera desenrolam-se em Kandy nos séculos XVI e XVII. O
protagonista do seu primeiro livro “The Rebel of Kandy” é Konnapu Bandara que, ameaçado pelo seu próprio povo, se junta aos Portugueses de Kotte, sendo baptizado com o nome cristão de Dom João da Áustria.
Mais tarde os portugueses pedem para que regresse a Kandy
para servir de espião e para casar com a Rainha, Dona Catarina (Kusumasana Devi). Mas acaba por aí se fixar e subir ao trono como Wimaladharmasuriya
I (sendo um dos refundadores do actual Sri Lanka).
"Kandy Fights the Portuguese" (2007)
Esta obra relata a resistência dos Kandyans (nativos de Cândia) às tentativas de subjugação dos portugueses durante o período de 1594-1638. A obra está dividida em 3 partes. Começa com uma descrição do terreno em que ocorreram os conflitos e descreve os homens que participaram nas lutas, as armas utilizadas e as práticas militares de cada lado.
A segunda parte é uma história da guerra que ocorreu neste período e analisa as campanhas e as grandes batalhas onde os Kandyans aniquilaram os portugueses. A terceira parte consiste num relato de uma batalha nas planícies para pôr em relevo a diferença entre a guerra nas montanhas e nas planícies.
"The Portuguese Missionary in 16th and 17th Century Ceylon: The Spiritual Conquest" (2009)
É o primeiro relato completo sobre a presença dos missionários portugueses no antigo Ceilão, tendo por base a obra de Frei Fernão de Queiróz (contemporâneo dos acontecimentos) e de autores mais recentes como Frei S. G. Perera e Frei V. Perniola.
O livro está dividido em seis partes, entre as quais, se destaca: discussão sobre a ideologia dos missionários; análise dos aspectos organizacionais da missão, tais como a preparação do missionário, seu relacionamento com o Estado e sua remuneração; qualidades do missionário; a estratégia adoptada pelos missionários; e as tácticas adoptadas para implementar a estratégia.
Ceilão Português
O chamado Ceilão Português, que se situa no actual Sri
Lanka, foi território de Portugal durante 153 anos. Foi o único caso em que os
portugueses tentaram uma conquista territorial efectiva no Índico, ao estilo do
Império Espanhol nas Américas, não se limitando às fortalezas e feitorias
costeiras.
Primeiramente os Portugueses assinaram um tratado com
o reino de Cota. O Ceilão Português foi estabelecido pela ocupação de Kotte e a
conquista de reinos Cingaleses circundantes. Em 1565 a capital do Ceilão
Português foi transferida de Kotte para Colombo.
Kandy
Houve vários reinos em Ceilão, mas Candy (Cândia ou Kandy) ficou sempre fora da órbita portuguesa. Portugal conseguiu controlar toda a costa mas nunca conseguiu conquistar o interior da ilha que é onde ficava o reino de Kandy que foi o nosso mais poderoso opositor.
A ilha foi uma espécie de Vietname para o exército português onde se desbaratou homens e dinheiro na tentativa de conquistar o seu interior.
Tissa
Abeysekera
C.
Gaston Pereira, Tissa Abeysekera e C.R. de Silva são alguns dos mais importantes estudiosos da presença portuguesa no antigo Ceilão. Tissa Abeysekera publicou em 2005 o livro "Jaffna under the Portuguese" (na foto o Forte de Jaffna).
Fontes/Mais informações: lakbimanews / Amoras e Amores / wikipedia / Amazon / mahavansa.blogspot.pt / Colonial Voyage / The Island / João Nobre Oliveira / Royal Asiatic Society
segunda-feira, 30 de abril de 2012
"The Last Sinhala Lions" e "Fires of Sinhala" de Colin de Silva

Colin de Silva (1920-2000) foi um escritor natural do Sri Lanka que emigrou para os Estados Unidos da América nos anos 60, tendo publicado uma série de romances históricos, nos quais se destaca "The Winds of Sinhala" de 1982, que recriava os tempos de Dutugemunu (que reinou até ao ano 137 Antes de Cristo), sua mãe, a rainha Viharamahadevi, seu grande antagonista, o rei Cholan, Elara e uma série de personagens subordinados.
"The Winds of Sinhala" foi o primeiro romance de uma tetralogia que inclui "The Fires of Sinhala", "The Founts of Sinhala" e "The Last Sinhala Lions".
Fernão de Albergaria, filho de Lopo Soares de Albergaria (3º Governador da Índia), é um dos protagonistas de dois dos seus romances históricos: "Fires of Sinhala" e "The Last Sinhala Lions".
"Fires of Sinhala" (1986)
A história remonta ao início do Século XVI quando os monarcas europeus lutavam pelo controle do lucrativo comércio de especiarias com o Oriente.
Foi almirante de Portugal, o aristocrático Lopo Soares de Albergaria, que em 1521 transporta consigo mosquete e canhões para subjugar o Ceilão.
O seu filho Fernão entra em conflito com o Príncipe Lanka Tikiri pelo amor da bela mestiça Julietta, o que adiciona um drama pessoal à luta política pela riqueza e poder.
Enquanto isso, a família do Príncipe Tikiri procura derrubar o supremo rei de Lanka. A formidável moura Aisha Raschid quebra o purdah para negociar com cada força ascendente, a Igreja militante ameaça as pacíficas tradições budistas de Lanka e Julietta é habilmente manipulada; será que ela vai casar com um homem que não ama verdadeiramente ?

"The Last Sinhala Lions" (1989)
Quando Fernão de Albergaria, o jovem governador português de Colombo (Sinhala, antigo Ceilão), constrói fortes em toda a costa litoral da ilha, o príncipe Tikiri - seu rival no amor e da guerra - treinou milhares de cavaleiros para um contra-ataque sobre os anéis de armas de fogo e aço.
Como a guerra se estendeu por todo o país, budistas, hindus e católicos, singaleses nacionalistas e europeus imperialistas europeus lutam pelo domínio da ilha.
O que estava em jogo era o poder sobre uma província rica em comércio e tesouro - mas também envolvia Aisha Raschid, uma mulher em busca de vingança, e a rainha Anuna, que procurou destruir seus inimigos e apreender a própria jóia de Colombo ...
Fontes: trademe / Lakbmanews / Paperbackswamp / Enciclopédia do Sri Lanka
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010
“O Reino Probido” de J. Slauerhoff (1932)
Em 1932, o escritor neerlandês J. Slauerhoff (1898-1936) publicou um romance no qual Macau e Camões surgem como dois dos protagonistas principais.O romance revela um mundo em decomposição e em conflito, dominado pela animosidade entre chineses e portugueses e é constituído por três linhas narrativas que se entrecruzam e se sobrepõem.
Primeira linha narrativa – história de Macau
Uma primeira relata a história de Macau, desde os acontecimentos que por volta de 1540 levaram à sua fundação até ao início do século XX. A imagem dada segue a linha de ascensão e queda apresentada na obra de C. A. Montalto de Jesus, “Historic Macao. Internacional Traits in China old and new” (1926). (…) Logo após a sua publicação foi proibida e queimada pelas autoridades. Não obstante Slauerhoff adquiriu um exemplar do livro durante a sua primeira visita a Macau.
(…) encontramos no Prólogo que trata da fundação de Macau dois protagonistas chamados Farria e Mendes Pinto e um “remake” do episódio da vingança de António de Farria em resposta à destruição de Liampó pelos chineses como relatado por Fernão Mendes Pinto na sua “Peregrinação”. Slauerhoff baseou-se no resumo do episódio que encontrou em “Historic Macao”.

Segunda linha narrativa – vida de Luís de Camões
Uma segunda linha narrativa descreve a vida de Luís de Camões na corte de Lisboa, a viagem de navio para o desterro, o naufrágio (aqui situado em frente à baía de Macau), um segundo exílio – desta vez para a China - e a travessia pelo deserto chinês. As duas linhas juntam-se quando Camões chega a Macau.
Terceira linha narrativa – vida dum radiotelegrafista
A terceira linha narrativa conta a vida dum radiotelegrafista, que nos anos trinta do século XX se encontra embarcado no Mar da China. O radiotelegrafista apanha sinais misteriosos que mais tarde se mostram ligados à vida de Camões. Através dos sinais, o espírito do poeta consegue tomar conta do do espírito do radiotelegrafista. (…)
Romance simbólico
O que pode parecer um romance histórico é, pelo contrário, um complexo e arrojado romance simbólico que trata da identidade do homem moderno e da questão da inspiração poética. (…)
O texto que preverte “Os Lusíadas” é, ao mesmo tempo, construído à base de fragmentos da obra lírica de Camões, recorrendo a palavras, imagens ou motivos do poeta português. Este é o romance em que Slauerhoff é “possuído” por Camões, de quem, como um vampiro, extrai o canto.
Fonte: “Camões e Macau num romance neerlandês” de Patrícia Couto com Arie Pos (adaptado)
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terça-feira, 28 de setembro de 2010
Camões e Macau na obra de Slauerhoff
(…) Antes de terminar o curso de medicina, [o escritor neerlandês J. Slauerhoff (1898-1936)] fez uma viagem de navio e conheceu o Porto. Da impressão que a cidade lhe causou, restaram um poema “Portugeesch Fort” (“Forte Português”), a vontade de voltar a Portugal e a certeza de querer passar o resto da vida no mar. (…)“Oost Azië” (“Extremo Oriente”)
[Após embarcar para o Extremo Oriente] Em 1927 publicou um livro de poemas “Oost Azië” (“Extremo Oriente”) que inclui uma secção dedicada a Macau, constituída por cinco poemas: “De Jonken” (“Os juncos”), “Kathedraal S. Miguel” (“Catedral S. Miguel”), “Uitzicht op Macao van Monte af” (“Vista de Macau a partir da fortaleza do Monte”), “Ochtend Macao” (“Aurora Macau”) e “Camoës” (“Camões”).
“Solares”
De Março de 1928 a Fevereiro de 1931 (…) trabalhou como médico de bordo em navios da Lloyd Real Holandesa na carreira Amesterdão-Buenos Aires v.v., com escala obrigatória em Lisboa. Recordações das suas visitas à metrópole encontramos na colectânea de poesia “Solares” (1933), que contém uma secção intitulada “Saudades” onde encontramos poemas com títulos em português: “Lisboa”, “Fado’s”, “Vida triste”, “O engeitado”, “Saudade” e “Fado”.

Obsessão por Camões
Tal como faz de Lisboa e Macau projecções do seu próprio mal-estar, transforma também a figura de Camões. Reconhece nele um poeta maldito a seu modo e transfigura-o da mesma maneira que transfigurou os outros poetas com quem se identifcava, isto é, transpondo para eles as suas próprias obsessões. De todos estes poetas Camões é a personagem mais recorrente na obra de Slauerhoff.
Para além do poema já referido, publicado em “Oost Azië”, incluiu um poema intitulado "Camöes’ thuiskomst” (”Regresso de Camões") numa nova colectânea chamada “Eldorado” (1928).

Em 1932 é editado o seu primeiro romance “Het verboden rijk”, traduzido para português sob o nome “O Reino Proibido”. Aqui uma das duas personagens principais é baseada na figura de Luís de Camões.
Em 1935 é publicado o conto “Laatste verschijning van Camöes” ("A última aparição de Camões”). Neste conto surge novamente o protagonista de “O Reino Proibido”. Poucos meses antes da morte de Slauerhoff ainda foi publicado um outro poema intitulado “Camões”, na colectânea “Een eerlijk zeemansgraf” (“Um honroso jazigo de marinheiro”).
Personagem chamada Luís de Camões (em poemas, romance e conto)
Estamos assim perante um fenómeno curioso: nos poemas, no romance e no conto, Slauerhoff apresenta-nos uma personagem chamada Luís de Camões que é uma versão transfigurada da personagem histórica.
Dá-se, portanto, o caso algo contraditório de Slauerhoff denotar uma quase-obsessão pela figura de Camões, ao passo que a figura que apresenta tem pouco a ver com o verdadeiro Camões, mas pelo contrário muito mais com o próprio Slauerhoff.
Fonte: “Camões e Macau num romance neerlandês” de Patrícia Couto com Arie Pos (adaptado)
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