quarta-feira, 29 de abril de 2009

"Venham mais cinco" em versão dos Keltia (1979) e Victor Manuel y Ana Belén (2015)

 

O grupo Keltia, um duo galego formado por Xosé Ramón Gayoso (apresentador do programa Luar da TV Galiza; à esquerda na foto) e Álvaro Someso, publicou em finais da década de 80 o seu único álbum, "Choca esos cinco", o qual incluía, entre outros temas, adaptações de poemas da espanhola Rosalía de Castro e uma versão da famoso canção “Venham mais cinco” de José Afonso que dá título ao disco e que foi igualmente editado como single.

Fonte: caratulascoque

Video: "Choca esos cinco

 


Canciones regaladas de Victor Manuel y Ana Belén


Nos últimos meses de 2013, Carlos San Martin, que trabalha para a editora Sony Espanhola, propôs ao cantor Victor Manuel e à sua esposa Ana Belén que lançassem um álbum com versões de alguns dos seus temas preferidos.

 “A Guerra das Rosas”, da autoria de José Mário Branco e Manuela de Freitas (incluído no álbum "Do amor e dos dias" de Camané), e “Venham mais Cinco”, de Zeca Afonso, foram duas das canções escolhidas. Quando Victor Manuel comunicou a San Martín que a SPA (Sociedade Portuguesa de Autores) não respondera ao seu pedido por carta, San Martín considerou que era “normal”, pois ele tinha trabalhado em Portugal.

Voltou a pedir e demoraram um mês a responder a uma mensagem por correio eletrónico onde solicitavam o envio das canções em MP3 para fazê-las chegar aos seus autores, cópia digital essa que já tinha seguido na correspondência anterior. Passou mais um mês e foi necessário pedir o apoio de Lourdes Guerra e Luis Pastor para intercederem junto de Zélia, viúva de Zeca Afonso, e só assim começaram a ter aprovação para gravar essa canção.

Fontes: "Antes de que sea tarde: Memorias descosidas" de Víctor Manuel (adaptado)/ Sony music


A GUERRA DE LAS ROSAS (A GUERRA DAS ROSAS) José Mario Branco / Manuela de Freitas

Canción muy divertida que habla de las relaciones de una pareja al borde del precipicio pero siempre dispuestos a reconciliarse. Es una canción portuguesa cantada solo por Víctor. “Partiste sin decir adiós ni nada, fingiste que era culpa toda mía, dijiste que mi vida era extraviada, te grité por la escalera que porqué no te morías…”

12. CHOCA ESOS CINCO (VENHAM MAIS CINCO) José Afonso

Una de las mas celebradas canciones del autor de “Grandola villa morena”. Muy versionada y muy popular en Portugal. Aparentemente ligera pero canción de resistencia siempre. Con aire de fiesta y cargas de profundidad. Hermosa canción del añorado Zeca Afonso.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

"Abril" de Maria del Mar Bonet (1975)

Maria del Mar Bonet cantou "Abril", uma balada da sua autoria, pela primeira vez em Abril de 1975, dedicando-a a José Afonso e esclarecendo quem era o "amigo" de quem falava e qual a "canção" a que se referia.

O Caudilho ainda estava vivo (Franco morreu em Novembro de 1975) mas velho e doente; o regime parecia perto de colapsar.

A queda do regime português em Abril de 1974 foi saudada pelos liberais espanhóis que viram nela um prenúncio do que sucederia em Espanha... Mas em Março de 1975 a liberdade ainda não tinha chegado e muitos lembravam com apreensão os horrores da Guerra Civil...

Neste belo poema, Maria del Mar Bonet chama "Abril" ao mês desse nome, à liberdade e, presumivelmente, à revolução que muitos desejavam desde que fosse pacífica, como em Portugal (mas que Espanha acabou por não ter).

O tema foi incluído no disco ao vivo "A l' Olympia" de 1975.

Fonte: net

Video

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Franz-Josef Degenhardt lança "Portugal / Chile" (1974)

Franz-Josef Degenhardt é um poeta, escritor e cantor de "protesto" de nacionalidade alemã, tendo gravado o tema "Grândola, Vila Morena" no seu álbum "Mit aufrechtem Gang" de 1975.

Franz-Josef Degenhardt publicara igualmente, em 1974, o single "Portugal / Chile" em clara referência ao 25 de Abril e ao golpe do Chile que ocorrera em 1973.

Video: "Grândola vila Morena" (em alemão)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

"Grândola, Vila Morena" através do Mundo


"Grândola, Vila Morena", da autoria de Zeca Afonso, ficou associada ao 25 de Abril, bem como ao início da Democracia em Portugal, pelo facto de ter sido utilizada pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) como segunda senha da Revolução dos Cravos.

Tornou-se assim num hino á liberdade e à democracia, o que terá contribuído para que a canção fosse regravada por grupos e intérpretes de todo o mundo:

1) Cantada no Chile (pelo grupo Aparcoa, em 1965),

2) Traduzida para o alemão (por Franz Josef Degenhardt),

3) Interpretada em estilo jazz (por Charlie Haden & Carla Bley) ou a golpe de teclas (por Pascal Cormelade no álbum "Live in Lisbon and Barcelona 99")

4) Em versões mais calmas (pela brasileira Nara Leão) e outras mais estridentes (Juventude Maldita / Colera)

5) A solo (Roberto Leal no seu álbum "Lisboa antiga" gravado em 1974) ou em grupo.

6) Desde o hard-core brasileiro (*) até ao rock do País Basco (versão de Betagarri).

(*) Em 1987 foi regravada pelo grupo de rock brasileiro 365, no seu LP Mix da Música São Paulo, constando na 7ª faixa com o nome de "Vila Morena"

Fontes: wikipedia / Rate your music / Blogoteca (audio)

Foto: Guedelhudos (ié ié)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

"Grândola, Vila Morena" na voz de Nara Leão

A cantora brasileira Nara Leão gravou em 1974 os temas "Grândola, Vila Morena" e "Maio Maduro de Maio", ambos da autoria de Zeca Afonso, os quais foram incluídos no EP "A Senha do Novo Portugal" da editora Philips.

Os temas foram recuperados na colectânea "Raridades 2" editada em 2002 e que, como o próprio nome indica, visava a redescoberta de temas desconhecidos da cantora brasileira.

Audio: 1, 2

"Grândola, Vila Morena" e a censura brasileira

A canção "Grândola, Vila Morena", de Zeca Afonso, foi gravada por Nara Leão em 1974, passando inicialmente despercebida à censura brasileira.

Num documento do III Exército Brasileiro é demonstrada a indignação das autoridades quando confrontadas com o facto de que "esta música vem sendo tocada com insistência, diariamente na Rádio Continental de Porto Alegre, no horário das 12.00 às 13.00 horas”.

Em resposta, o Director da Censura, Romero Lago, afirma que a canção estava autorizada desde 20 de Maio de 1974 para poder ser gravada pelo cantor luso-brasileiro Roberto Leal.

Curiosamente, "Grândola ...", uma das senhas da Revolução dos Cravos não foi alvo de censura por parte das ditaduras do Brasil, Espanha e Portugal.


"Narólogos"

Preciso da ajuda de um 'narólogo' para esclarecer um mistério. Comprei aqui em Lisboa um compacto simples da Nara cantando o 'hino' da revolução portuguesa de 75: 'Grândola, Vila Morena', do Zeca Afonso. Nunca tinha ouvido falar desta gravação...

Procurei nas discografias do CliqueMusic e Itaú Cultural e nada. Browseei a internet e nada.

Quem me pode me ajudar com alguma informação? Alguém que tenha a biografia do Sérgio Cabral pode 'checar' se há alguma referência? Terá o disco saído no Brasil? Acho que não...

Fonte: Alan Romero (net)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

"Alentejo" dos The Shadows (1967)

Os Shadows começaram por ser uma banda de apoio ao cantor pop inglês Cliff Richard, sendo um quarteto instrumental organizado em torno dos guitarristas Hank Marvin e Bruce Welch que começou a gravar autonomamente em 1960 e obteve um grande sucesso com o tema "Apache".

Originalmente designados como Drifters, mudaram o nome para Shadows aquando da sua primeira tourné com Cliff Richard, para evitar confusões com o popular grupo americano de R&B de idêntico nome.

O som dos Shadows era polido, limpo e metálico, mas (para alguns melómanos) pouco emocional. Além de "Apache", tiveram outros êxitos tais como "Man of Mystery" de 1960 e "Kon-Tiki" de 1961, tendo continuado a gravar até aos anos 90.

Shadows e Portugal

Os Shadows vinham com frequência a Portugal, em viagens de férias, e foi através de Bruce Welch que Paul MaCartney começou igualmente a fazer férias no Algarve. Um dos instrumentais dos Shadows chamava-se "Alentejo", a longa planície que era necessário atravessar, desde Lisboa, para chegar às praias do Sul, e que foi também palco da criação da letra da canção Yesterday por Paul MaCartney.

A composição "Alentejo" é de 1967 e tem uma vaguíssima sonoridade portuguesa. Foi incluída no disco "From Hank,Bruce, Brian and John", publicado pela editora Columbia.

Também publicado pela Columbia foi o EP com o título "Alentejo", de 1968 e que incluía, além do referido instrumental, os temas "Let Me Take You There", "Naughty Nippon Nights" e "San Francisco".

Fontes: Vilar de Mouros / Guedelhudos (ié ié)

Links: Video (particular), midi, tablatura

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Cliff Richard em Portugal

Cliff Richard gravou em Portugal, em Maio de 1965, nos estúdios da Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos, algumas faixas orquestrais do álbum "When In Rome" (1965).

A orquestra era dirigida por Norrie Paramor, mas os músicos eram portugueses, da orquestra de Shegundo Galarza, como se pode notar pela imagem, onde se vê Fernando Correia Martins e Carlos Menezes.

Hugo Ribeiro, técnico de som da Valentim, partilha esta capa com Cliff Richard e Norrie Paramor:


Século Ilustrado (29 de Maio de 1965):

"Não é só o Sol que vem passar as férias a Portugal. A canção decidiu, agora, fazer "rendez-vous" de vedetas no nosso País. Cliff Richard, um menino bonito inglês, que arranca suspiros mesmo a septuagenárias, e os Shadows, um conjunto que faz vibrar até qualquer cadáver, gravaram nos estúdios de som instalados em paço de Arcos. Do Algarve, onde o conjunto passa férias com Cliff, na casa que este possui há já vários anos na Albufeira, sobrançando as águas mansas do Atlântico, os cinco deslocaram-se à capital para registar algumas das suas composições mais famosas".

Curiosidades

Cliff Richard assistiu no dia 13 de Dezembro de 1964 na Igreja das Chagas, em Lisboa, ao casamento de Carlos do Carmo com Maria Judite Leal, hospedeira da TAP.

Cliff Richard e os Shadows protagonizaram em Lisboa, no cinema Império, nos dias 11 e 12 de Dezembro de 1965 um dos primeiros concertos yé-yé do País.

Cliff Richard ofereceu um espectáculo ao povo de Albufeira, que ficou registado em DVD


Fontes: Daniel Bacelar / Guedelhudos

sexta-feira, 10 de abril de 2009

"A Primeira Aldeia Global – Como Portugal Mudou o Mundo" de Martin Page

Tive o privilégio de ler a primeira edição deste livro ainda na sua versão original, em Inglês, e fiquei completamente siderado. Este livro, com cerca de trezentas páginas, fez mais pela minha compreensão da história do meu País do que todos os livros das disciplinas de História que li no liceu e depois na universidade ou das muitas leituras que ao longo dos anos fui fazendo dos tomos de História de Portugal dos mais eméritos historiadores portugueses.

A razão está porventura exactamente nesse facto. É que este livro é escrito por alguém que não é nem historiador nem português. Dito de outra forma, é escrito por alguém que tem um olhar diferente, menos focado na historiografia oficial, seguramente controverso, mas absolutamente fascinante.

Na verdade, não se pode dizer que este seja um livro de história no seu sentido clássico. É um livro escrito por um antropólogo e jornalista inglês – Martin Page – que viveu em Portugal e se apaixonou pelo nosso País.

Por isso, apesar de tratar de factos da história portuguesa foi escrito como se fosse um romance e essa é, sem dúvida, uma particularidade que faz toda a diferença.

É, por tudo isto, um livro contagiante, que se lê num fôlego, com descrições tão impressivas que emergem como imagens a desfilar perante os nossos olhos, qual filme épico (curiosamente, Martin Page quando escreveu este livro já estava cego).

Efectivamente, muitos estrangeiros escreveram sobre Portugal ao longo dos anos, particularmente livros de viagens, depois de estadas mais ou menos curtas no nosso País, desde William Beckford, a Lord Byron até à Princesa Rattazzi, só para citar os mais conhecidos. E a verdade é que nem sempre os seus relatos foram os mais edificantes para nós portugueses. Não é o caso deste livro. Nele os portugueses não são ridicularizados nem o País é apoucado, muito pelo contrário.

Neste livro os portugueses são retratados como um povo universalista “que mudou o mundo” e Portugal como “A Primeira Aldeia Global” – precisamente o título do livro.

Fonte: Tinta Fresca (Daniel Adrião)

Sinopse

Quando Jonas foi engolido pelo «grande peixe», tentava apenas escapar para o território que é agora Portugal.

Foi aqui que Aníbal encontrou os guerreiros, as armas e o ouro que tornaram possível a sua marcha sobre Roma; e Júlio César, a fortuna que lhe permitiu as conquistas da Gália e da Inglaterra.

Durante a Alta Idade Média, mais a norte, os governantes árabes integraram Portugal na civilização mais avançada do mundo. Após a conquista de Lisboa, pelos Normandos, o novo Portugal levou Veneza à bancarrota e tornou-se a nação mais rica da Europa.

Antes de ser eleito Papa, com o nome de João XXI, Pedro Hispano, nascido em Lisboa, escreveu um dos primeiros compêndios modernos sobre Medicina que, um século mais tarde, era livro de consulta obrigatória em quase toda a Europa.

Os Portugueses levaram as túlipas, o chocolate e os diamantes para a Holanda, introduziram na Inglaterra o hábito do chá das cinco e deram a Bombaim a chave do Império.

Ensinaram a África a proteger-se contra a malária e levaram carregamentos de escravos para a América.

Introduziram, na Índia, o ensino superior, o caril e as chamuças e, no Japão, a tempura e as armas de fogo.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

"Diário de uma viagem a Lisboa" de Henry Fielding (1707-1754)


"Diário de Uma Viagem a Lisboa" insere-se na narrativa de viagem, género literário com que Fielding mantinha uma relação irónica.

Com a saúde arruinada por excesso de trabalho e por um estilo de vida castigador, Fielding apanha em 1754 um veleiro com destino a Lisboa, na esperança de que um clima mais ameno o faça recuperar.

Publicado postumamente, "Diário de Uma Viagem a Lisboa" descreve a sua viagem até Lisboa e há um parágrafo, no fim, que é quando ele chega à cidade.

Está tão inchado que tem de ser levado para a cidade para jantar, e a única coisa que ele diz sobre Lisboa é que foi transportado para "a cidade mais nojenta da Terra". Termina assim o livro.

Lisboa vingou-se de Henry Fielding, porque ele teve de ficar aqui para sempre [está enterrado no cemitério dos ingleses], depois de ter sido tão desagradável para com ela.

Fonte: FCSH (Jonathan Coe)

Relatos de viagens

O papel creditado á viagem na formação do gentleman corresponde a uma tradição essencialmente britânica que remonta à época isabelina, se aprofundou sob o consulado Stuart, tendo-se popularizado durante o século XVIII.

Tal tradição alicerçava-se no reconhecimento da importância do contacto dos jovens com o mundo real, complementando a educação tradicional, livresca e académica. (...)

O Grand Tour [subordinando-se ao tema pleasure and instruction, preconizado por Fielding], inicialmente circunscrito à Itália e à França, passaria, a partir de meados do século XVIII a incluir destinos mais diversificados, abrangendo as regiões mais remotas ou periféricas do continente europeu e, nomeadamente, as nações ibéricas.

O Terramoto de Lisboa, de 1755, mais intensificaria a romaria dos britânicos (...)

Mais informações "O Monumento de Mafra visto por estrangeiros"

segunda-feira, 6 de abril de 2009

"Viagem a Lisboa" de José Luis Aguirre (1996)

José Luis Aguirre é um escritor espanhol que nasceu em Valência, em 31 de Janeiro de 1931, no seio de uma família de escritores, tendo-se notabilizado sobretudo na área do conto e do teatro.

Aguirre recebeu em 2007 o Prémio Lluís Guarner. De entre os seus trabalhos é de realçar a colectânea de contos "Cuando éramos jóvenes", que incorpora novas técnicas narrativas como o "estilo indirecto livre", o "monólogo interior", "palavras novas", "ruptura tipográfica" e "numeração caótica".

A série, dedicada ao escritor português Fernando Pessoa, inclui os capítulos "Viaje a Lisboa", "Inicio en Lisboa", "Buscando al Señor Pessoa", "El día que desapareció el señor Pessoa" e "La Última Estafa".

Señor Pessoa

“Si vas a Lisboa, como he oído, dale recuerdos de mi parte al amigo Pessoa”. “¿A quién?” “A Fernando Pessoa, hombre... no me digas que no lo conoces o, al menos, no lo has oído nombrar”. “Si claro, Pessoa”, disimulé mi ignorancia. “En Lisboa lo conoce todo el mundo y si tienes tiempo le darás un paquetito de mi parte. No sé la dirección pero tu pregunta porque en Lisboa, como te digo, lo conoce todo el mundo”.

Al día siguiente Miguel me enviaba una cajita envuelta en papel de regalo muy bien atada con una cinta verde y con el nombre y dirección en una de sus caras: “Fernando Pessoa. Chiado. Lisboa” (...)

(...)

"El señor Pessoa no estaba en los cafés. El señor Pessoa no estaba en el embarcadero viejo. El señor Pessoa no estaba en la Plaza del Comercio. El señor Pessoa no estaba en su pensión. El señor Pessoa no estaba en la oficina. El señor Pessoa no estaba en Lisboa."

Versão integral

Fontes: uji / Panorama

sexta-feira, 3 de abril de 2009

"Infantas de Portugal, Rainhas em Espanha" de Marsilio Cassoti (2007)

Enquanto estudava a história de Castela, Marsilio Cassoti constatou que onze das rainhas espanholas tinham origem portuguesa, sendo a nacionalidade com o maior número de rainhas.

O autor

Marsilio Cassotti estudou Ciências Políticas e Relações Internacionais na Universidade Católica de Buenos Aires e Línguas no Instituto Católico de Paris.

Durante vários anos, foi director de uma colecção de História pertencente a uma importante editora de Barcelona, e é autor de estudos fundamentais sobre mulheres como a princesa Éboli, esposa do português Rui Gomes da Silva, membro da casa da imperatriz Isabel de Portugal; a "Excelente Senhora"; a duquesa de Alba, mecenas de Goya; e a rainha Maria Luísa de Parma, avó da infanta Maria Isabel de Bragança. É igualmente autor de "D. Teresa - A Primeira Rainha de Portugal" (2008).

Sinopse:

Entre 1165 e 1816, onze infantas de Portugal foram rainhas de Espanha. A primeira, a infanta Urraca, filha de Afonso Henriques, que com o seu casamento contribuiu para a independência de Portugal, mas que, apesar de a boa relação com o seu marido e de o nascimento de um herdeiro, teve de se separar por ordem do Papa.

A infanta Maria, que ajudou o seu marido a vencer a batalha do Salado, se bem que este mantivesse uma relação adúltera, com a qual nem Santa Isabel de Portugal, avó da infanta conseguiu acabar.

A infanta Beatriz, que por ambição de sua mãe, Leonor Teles, foi o motivo da batalha de Aljubarrota.

A infanta Joana, irmã de Afonso V, que se viu obrigada a casar com um príncipe supostamente homossexual, sendo a "Excelente Senhora" fruto deste casamento.

Ou as mães lusitanas de Isabel, a Católica e Filipe II de Espanha, que ao educar os seus filhos num ambiente tão português, levaram-nos a ambicionarem a conquista do reino materno.

Chegando a Maria Isabel de Bragança, a quem se deve a fundação do Museu do Prado e que viveu amargurada pelo desprezo do marido, acabando por morrer vítima de uma cesariana ordenada pelo rei.

Porquê o interesse nestas mulheres ?

Em trabalhos anteriores ocupei-me da formação e consolidação da monarquia espanhola. Começando com a história do princípio de Castela, dei-me conta de que muitas das rainhas espanholas eram portuguesas. Era a maior nacionalidade a chegar ao trono além da espanhola.

Onze mulheres portuguesas foram rainhas em Espanha. A importância real e política que tiveram não estava compensada com o que conhecíamos delas. Em Portugal conhece-se muito pouco. Em Espanha algumas foram muito importantes e os espanhóis sabem que eram portuguesas.

Quais são as que destaca ?

Isabel de Portugal, era neta de João I de Avis e neta do Duque de Bragança e mãe de Isabel, A Católica, a rainha mais importante de Espanha.

Outra, a imperatriz, também Isabel, filha de D. Manuel I, que se casa com Carlos V, imperador e rei de Espanha mãe de Filipe, que será Filipe II de Espanha (Filipe I de Portugal).

O costume era que as rainhas entregassem os seus filhos para criar às damas da nobreza. Voltavam a casa da rainha aos sete anos e começavam a instrução com um aio. Estas duas mulheres, pelo seu carácter, tiveram os seus filhos com elas até serem adolescentes. Eram muito portuguesas no seu modo de ser.

Fontes: Isabel Lucas (DN) / Forum

quarta-feira, 1 de abril de 2009

"Cartas de amor de uma freira portuguesa" de Jess Franco (1977)

Jesús Franco Manera é um cineasta espanhol nascido em 12 de Maio de 1936 em Madrid. Trabalhou muito no estrangeiro (Europa e Estados Unidos), e é conhecido por muitos pseudónimos: Jess Franco, Clifford Brown, David Khune, ...

Ao longo de mais de quarenta anos realizou cerca de duzentos filmes, e é um dos cineastas mais prolixos, originais e iconoclastas no sub-género da série B.

Jess Franco foi o autor da mais livre adaptação para cinema das cartas de Mariana Alcoforado, no filme "Cartas de uma freira portuguesa" (também conhecido pelo seu título original "Liebesbriefe einer portugiesischen Nonne", uma vez que era financiado por capitais suíços e alemães).

O filme foi rodado em Portugal com um elenco onde se incluem Susan Hemingway (no papel de Maria Rosalea), William Berger (no papel de padre Vicente) e os portugueses Ana Zanatti (no papel de uma freira “depravada e sádica”), Victor de Sousa, José Viana, Nicolau Breyner e Herman José (como Príncipe salvador).

 O filme ficou completo em 1975, mas passou por uma série de processos de censura, até que foi finalmente editado em 1977. Foram utilizados vários locais em Portugal para a rodagem do mesmo, onde se inclui o Mosteiro dos Jerónimos, o Palácio do Conde de Castro Guimarães em Cascais, e o Paço Real de Sintra, vendo-se também ao longe num vislumbre no filme, o Castelo dos Mouros.

Video



Extrato de blog "My two thousand movies" (2013)

A ligação de Jesus Franco a Portugal não se resumia a Soledad Miranda, que falecera de acidente em 1970, e é em Portugal que arranja produtores e realiza filmes, muitos deles na ilha da Madeira: "Il trono di fuoco" ("The Bloody Judge", 1970), "Drácula contra Frankenstein" (1971), "Christina, princesse de l'érotisme" ("A Virgin Among the Living Dead", 1971), "La maldición de Frankenstein" ("Erotic Rites of Frankenstein", 1972), "Quartier de femmes" (1972), "Les Glutonnes" (1973), "Al otro lado del espejo" (1973), "Les démons" (1973), "La Comtesse Noire" ("Female Vampire", 1973), "Maciste contre la reine des Amazones" (1974), "Un capitán de quince años" (1974), "Die Marquise von Sade" (Doriana Gray, 1976) e "Linda" (1980),  entre muitos outros.

Neste campo, um destaque para a polémica criada por "Die Liebesbriefe einer portugiesischen Nonne" ("Cartas de Amor de Uma Freira Portuguesa", 1976), rodado em monumentos e com a participação de futuras vedetas nacionais.

Os adjectivos, mau e pornográfico, utilizados para o descrever fazem parte de um mito que uma reportagem recente da SIC pouco fez por esclarecer. Não é um dos melhores filmes de Franco, mas foi penoso ver os jornalistas e as ditas estrelas a questionarem a qualidade do filme e mal agradecidos, sem terem em conta o culto internacional que lhe é dirigido.

Fontes/Mais informações: My two thousand movies / IMDb / Caminheiro de Sintra / SIC notícias / captomente (imagens)