segunda-feira, 8 de junho de 2009

Os portugueses no Japão (Século XVI)


Em 1542-1543, os portugueses chegaram ao Japão, que até então era um país exótico e praticamente desconhecido dos povos europeus.

Foram os portugueses, por exemplo, que introduziram no território japonês as armas de fogo, que foram então utilizadas por alguns daimios (senhores feudais japoneses) e pelo próprio Xogum (título equivalente ao Chefe Maior do Estado, outorgado pelo imperador) para colocar a dinastia dos Tokugawa no poder.

Além disso, Portugal conseguiu, através de manobras políticas, manter o monopólio do comércio exterior do Japão, levando e trazendo mercadorias da China, Filipinas, Índia e outros territórios da região.

Como grande potência naval que era, todo o comércio marítimo com o japão era feito apenas por barcos portugueses.

Religião

Como se pode imaginar, a religião teve um papel importantíssimo nessa história. Missionários portugueses foram aos poucos ganhando confiança do Xogum e dos daimios, e iniciaram o trabalho de catequização dos japoneses, incluindo alguns Daimios importantes.

Porém, nem tudo era festa para os portugueses. A religião católica é radicalmente diferente do budismo e do shentoísmo praticados na terra do sol nascente, assim como os costumes dos nanbam-jin (bárbaros do sul, como eram chamados os portugueses e, posteriormente, qualquer europeu, já que chegavam ao Japão pelo sul do país), que agrediam as tradições e os costumes japoneses.

Em algumas regiões isso era tolerado, em outras, não. Alguns missionários portugueses foram mortos e tornaram-se mártires da igreja em terras orientais. Num dos momentos de boa-vontade para com a nova religião (e incentivado pelos enormes lucros obtidos com os acordos com os portugueses), o Xogum acabou por ceder Nagasaki aos interesses dos missionários portugueses, que ali estabeleceram uma base comercial e religiosa.

Nagasaki é, até hoje, a única cidade do Japão com características urbanísticas portuguesas (como grande parte das cidades brasileiras).

Viagem de cinco jovens japoneses

Vários episódios interessantes são relatados pela história, entre eles a viagem de cinco jovens japoneses, quase todos filhos de famílias abastadas, convertidos ao cristianismo, que foram convidados a viajar a Roma para conhecer Sua Santidade, o Papa.

A viagem durou 10 anos, contando ida e volta, e os que sobreviveram às péssimas condições dos navios da época, ao retornarem ao japão, assustados com a barbárie da civilização oriental, tornaram-se samurais.

Além de Portugal, Inglaterra, Espanha e Holanda também chegaram às terras dos japoneses.

Os espanhóis também traziam religiosos a bordo, o que gerou alguns conflitos sérios. Inglaterra e Holanda estavam interessados apenas nos lucros do comércio então dominado pelos portugueses.

Alterações nos usos e costumes

Além das armas de fogo, os portugueses acabaram por introduzir costumes e mesmo a nossa língua na cultura japonesa. Várias palavras do idioma japonês são de origem portuguesa, como pan (pão).

Durante os quase 100 anos que os religiosos europeus permaneceram em terras nipônicas, foram expulsos por diversas vezes pelo Xogum, mas depois readmitidos.

Cerca de cem anos depois o Xogum expulsa todos os estrangeiros do país (sob pena de morte para os que desobedecem) e fecha o Japão para o resto do mundo. O país permaneceu fechado até 1853, quando o comandante Perry, da marinha americana, chega com uma esquadra e exige a abertura do país para o resto do mundo.

Referências literárias

Essa história é narrada de forma romanceada no best-seller Xógum, de James Clavell, que fez enorme sucesso na década de oitenta. Apesar de narrar as aventuras de um piloto holandês, Clavell retrata as rivalidades entre holandeses e portugueses.

Outro livro interessante sobre o assunto é o "Choque luso no Japão dos Séculos XVI e XVII", de autoria de José Yamashiro, que traz detalhes históricos interessantes.

Fonte: O cabide

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