sábado, 16 de fevereiro de 2008

Carlos Mattos: o português dos Oscar ®


Nasceu em Angola, cresceu em Moçambique e chegou a Portugal aos 8 anos. Aos 18 radicou-se no Sul da Califórnia.

Carlos De Mattos criou com Ed Phillips a Matthews Studio Equipment, começando por produzir, numa pequena garagem, filtros difusores para as luzes.

Quando em 1970, Carlos De Mattos criou a sua empresa, cada estúdio tinha um fabrico de material diferente e o resultado era a incompatibilidade entre equipamentos.

A Matthews criou a sua linha de tripés e outros suportes, conseguiu que fosse estabelecido um formato standard e passou a produzi-lo em exclusivo, tendo passado a ser o mais conhecido do mundo.

O grande salto foi em 1983. A Academia de Hollywood distinguiu a Matthews com um Oscar graças à “Tulip Crane” – a primeira grua para operar câmaras, demonstrável, transmontável e instalável em qualquer sitío. O caminho para mais inovações estava criado, culminando em 1986 com outro Oscar, desta vez para a “Remote-Cam”.


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Quando um operador de câmara de TV morreu numas gravações. Carlos e Ed pensaram como evitar estas situações. O engenheiro Bob Netmann desenhou e construiu o sistema de suporte para câmaras com movimentos controlados por controle remoto. A ideia foi sempre a de alugar e não de vender, a fim de rentabilizar a inovação. Mas o preço foi considerado muito elevado e a “Remote Cam” não vingou.

Deprimidos, optaram por oferecer um aluguer grátis à NBC, para demonstração durante um jogo de futebol americano com a contrapartida de terem os créditos no final do jogo.
No dia seguinte, Carlos recebe um telefonema de um realizador fascinado com a “Remote Cam”. Era Francis Ford Coppola, que estava a filmar “Cotton Club”. Tornou-se o primeiro cineasta a usar este sistema, seguindo-se Spielberg e tantos outros.
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O mega-êxito “Titanic” foi todo filmado com equipamento alugado à Matthews Studio Group. Outros filmes onde se podia encontrar material com o logotipo da Matthews: “O Quinto Elemento” (Luc Bresson), Jackie Brown (Quentin Tarantino), “A Máscara de Zorro”, “Forrest Gump” (Robert Zemeckis).

Além do cinema, a Matthews faz-se representar na televisão, publicidade, teatro, mega-concertos de rock (como os Rolling Stones) e até em eventos desportivos, como os Jogos Olímpicos de Inverno.

Fonte: TV Filmes, nº 20, Março de 1998

Recentemente tentou criar no Barreiro uma cidade cinematográfica, contudo não conseguiu os apoios necessários para viabilizar uma "Hollywood à portuguesa".

1 comentário:

lidia bergano disse...

é bom saber que portugueses se evidenciam lá fora.. porque cá dentro está difícil.. especialmente na área do cinema

lidiabergano@gmail.com
http://www.lidia-bergano.com