terça-feira, 15 de maio de 2018

A tentativa de internacionalização dos Green Windows e o sucesso de "Vinte anos"


No final de 1972, o Quarteto 1111 actuou no Festival dos Dois Mundos, realizado em Lisboa, tendo interpretado canções com uma forte componente harmónica, na medida em que todos os elementos do grupo cantavam, incluindo as mulheres e namoradas dos membros do grupo, perfazendo um total de 8 pessoas em palco.

No final do concerto um responsável pela editora Decca, Dick Rowe (*), abordou a banda tendo-os convidado a gravar algumas canções em inglês, seduzindo-os com a possibilidade de uma carreira internacional.

(*) que ficou injustamente famoso por ter  chumbado a primeira maqueta apresentada pelos Beatles e que, pouco depois, assinou com os Rolling Stones

Disco promocional para o mercado britânico

Piscando o olho à internacionalização, o Quarteto adopta o nome Green Windows. Era o Quarteto 1111 mas mais comercial e com as namoradas/mulheres dos músicos. Aliás na contracapa do single é referido que Green Windows é o nome inglês para o Quarteto 1111 associado a 4 vozes femininas.

Em Inglaterra, o grupo trabalhou com o conhecido Ivor Raymonde, sendo gravadas duas canções  da autoria de José Cid e Tozé Brito ("Vinte anos" e "Uma nova maneira de encarar o mundo"), com os títulos de "Twenty Years" e "Story of a man", e que saíram para o mercado em formato single (com"Story of a Man", que é comercialmente bem menos apelativa que "Twenty Years", como lado A).


Apesar das grandes promessas de promoção e de algumas músicas gravadas em inglês, espanhol e francês, o certo é que o projecto Green Windows acabou por ser bem-sucedido apenas em Portugal, onde o primeiro single, "20 Anos", ultrapassou as 100 mil unidades vendidas.

O disco foi igualmente lançado noutros países como a Bélgica.

Edição belga

"Vinte Anos" transformou-se, talvez, na canção mais emblemática de José Cid de toda a sua carreira.

A secção rítmica de "Vinte Anos" foi composta por uns músicos de um grupo de rock sinfónico, os Blue Mink, isto porque, à data da gravação, devido às leis inglesas e à auto protecção dos músicos ingleses, os músicos estrangeiros não podiam tocar nos próprio discos se o mesmo fosse gravado em Inglaterra, mas apenas cantar... Pelo que foram músicos de estúdio ingleses que acabariam por gravar a parte rítmica de um dos temas mais conhecidos da música portuguesa.


Depois do extraordinário sucesso da versão portuguesa de "Vinte Anos" e do fracasso evidente da versão inglesa desse mesmo tema, a Editora voltou a tentar uma nova projecção internacional da banda, desta vez na vizinha Espanha, porta de saída para todos os demais países de expressão latina.

Assim, em 1974 José Cid gravou, juntamente com os Green Windows, para a Decca, a versão cantada em castelhano de "Vinte Anos", com o nome " Vivamos nuestro amor  (Vinte anos)", com letra de Alfonso Alpin, num registo candidamente cantado e orquestralmente não muito diferente das primitivas versões embora com algumas nuances.


Contrariamente às versões inglesa e portuguesa, a capa do disco é radicalmente diferente, nela constando a foto em corpo completo dos elementos dos Green Windows. Também diferente das versões anteriores, é a escolha para lado B do single do tema "Imagens", em detrimento de "Uma nova maneira de encarar o mundo", por se tratar de uma tema comercialmente mais apelativo e por ter sido também canção concorrente ao Festival da Canção de 1974, classificada em terceiro lugar.

Na sequência da gravação em castelhano deste tema, José Cid recebeu um convite para se tornar compositor exclusivo de Julio Iglesias, mas recusou liminarmente. O convite surgiu porque José Cid estava a gravar, em Espanha, na mesma empresa discográfica de Iglesias, que era a Colurnbia, e tinha vindo de Londres com versões cantadas em castelhano - mas gravadas com os arranjos e orquestrações de Inglaterra - de "20 Anos" e de outras grandes músicas. Na altura, essas versões eram muito à frente e impressionaram Julio Iglesias.


"Vinte anos" chegou a ter algum sucesso no Brasil (35º do top de vendas apresentado pela NOPEM em 04-07-1974, beneficiando da existência de várias versões por cantores brasileiros) e em outros países da América do Sul, como o Perú.

O cantor Bert Van der Bourg gravou, em 1973, a versão em alemão de "Vinte anos" com o título de "Lass Uns In Liebe Leben" (com letra de Lambert Fleming) que foi lado B do seu single "das Tal der 1000 Blumen".



Mas o maior destaque foi no Brasil, onde o tema foi gravado em 1974 por cantores como Alberto Luíz e Júlio César e pela dupla misteriosa Ringo Black & Kid Holiday (formada por Tony Damito e Carlos Cezar, que depois integrou a dupla sertaneja "Carlos Cezar & Cristiano").

A letra das diversas versões era ligeiramente diferente do original.



A versão de Alberto Luiz chegou a ser a 9ª canção com mais airplay radiofónico no Brasil em 16-07-1974. E a versão de Júlio Cesar alcançou a 5ª posição em 04-09-1974.


 


E em 1988, a dupla sertaneja Raul & Ramalho ‎gravou "Primeiro Amor (Vinte Anos)" no seu álbum "Por Gostar de Você".

 

Existem igualmente versões em castelhano pelo cantor brasileiro Claudio Faissal e pelo espanhol Tony Cruz (incluído no álbum "Niña Manañera" de 1975).



Fontes/Mais informações: Blog josecidcamaleao (1) (2)  / "José Cid - O lado B de um provocador" de Miguel Oliveira / guedelhudos (com colaboração de Pedro Brandão) / Canal do youtube "Para sempre sertanejo"

Videos:  Bert Van Der Bourg (1973) / Alberto Luíz (1974) / Júlio César (1974) /  Ringo Black & Kid Holiday (1974) / Tony Cruz (1975) / Raul & Ramalho (1988) / Green Windows (Inglês) (Espanhol)

1 comentário:

Blogger disse...

A.alpin é pseudónimo de Augusto Algueró (conhecido arranjador, compositor e maestro espanhol)