Mostrar mensagens com a etiqueta nome / título. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta nome / título. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
“La Portuguesa” de Ballesteros e Cofiner (1953-1958)
O fado-canção “La Portuguesa” foi composto para a revista de Zarzuela "Secreto de Estádio", uma revista à espanhola de temática desportiva em dois actos, com libreto de Ignacio Ballesteros e música de Enrique Cofiner.
Estreada no Teatro de La Zarzuela em 2 de julho de 1953, e apresentada como a revista da juventude, do desporto e do bom humor, teve mais de 400 actuações em Madrid, sendo protagonizada por intérpretes como Mayte Pardo ou Elena Maya.
A canção foi igualmente gravada por Enrique Cofiner y sus Chicos com a participação vocal de Pilar Gentil.
E em 1955 foi lançada uma versão em italiano, “La Portoghese”, em ritmo mambo, pela Orchestra Angelini com Carla Boni, com letra em italiano da autoria de Gian Carlo Testoni.
A versão em italiano foi também gravada por artistas como Lidia Martorana, Alberto Pizzigoni e Fatima Robin's com Fred Buscaglione e a sua orquestra.
E em 1958 foi regravada em França por André Claveau (que era conhecido como o Príncipe Branco da Canção Francesa), com letra de Eddy Marnay.
"Aïe ! mon coeur", tinha como subtítulo “La Portuguesa”, apesar de não ser feita qualquer referência direta a Portugal na letra, e foi um dos quatro temas cantados por Claveau na pré-eliminatória em que foi escolhido “Dors, non amour” como a canção representante de França no Festival da Eurovisão de 1958.
A adaptação para francês teve uma imensa repercussão em França, tendo "Aïe ! mon coeur" sido gravado quer por André Claveau, quer por muitos outros artistas como Dalida, Marcel Amont, Suzy Delair, Patrice & Mario, Colette Mars, Nadine Claire, Virginie Reno, Dora Neri, Lucien Jeunesse, Eddie Barclay, Les Cubancitos, ...
Fontes: discogs / la zarzuela webcindário / redebibliotecacascam / wikipedia (Festival 1958) / il discoblo /
quinta-feira, 15 de março de 2012
Gerrit Komrij: de Trás-os-montes até Vila Pouca
Gerrit Komrij, escritor e poeta holandês, estava farto da vida literária e das suas obrigações e decidiu emigrar para um país longínquo. Isso foi em 1984 e o país mais longínquo que podia imaginar nessa altura foi Portugal. Com o seu companheiro, foram à procura de isolamento numa aldeia afastada de Trás-os-montes (Alvites). Foram cinco anos dramáticos (entre 1984 e 1988) e não tardou que entrassem em conflito com os poderes locais. Estes cinco anos resultaram no romance "Atrás dos Montes".
Agora vivem na Beira (Vila Pouca da Beira, Oliveira do Hospiyal), também num sítio isolado, mas um pouco mais perto da "civilização", isto é, mais perto de uma livraria, presença essencial a Gerrit Komrij, que colecciona livros desde os seus 15 anos. Diz que são mais humanos do que os seres humanos. E aqui começou devagar a sentir-se em casa, aprendeu a língua, teve, como diz, o privilégio de conhecer uma literatura.

"Atrás dos Montes" (1990)
“Atrás dos Montes” (“Over de Bergen”) é a história de um jovem em busca das suas raízes.
Pedro Sousa e Silva, farto da vida de “jet set” de Lisboa, chega à terra dos seus sonhos, na província mais distante e mais isolada do país, para se instalar no imponente solar abandonado que os seus antepassados habitaram outrora. (...)
A sua existência parece predestinada a uma vida serena de prazeres simples. Mas não tarda que por detrás da fachada exótica se descubra uma sociedade baseada na desconfiança e no terror. À volta da velha casa estala uma guerra sem tréguas. O isolamento transforma-se numa prisão. Confrontado com uma comunidade onde nada mudou após a queda do regime totalitário, Pedro é obrigado a ceder.

Até mais logo ... (uma estória interessante)
Em "Atrás dos Montes", Gerrit fala da exuberância da paisagem, da hospitalidade nacional, da qualidade de vida e de um episódio delicioso que revela porque se cansam tanto os portugueses com a verdade.
Komrij tinha acabado de se instalar na sua quinta, em Alvites, e resolveu descer à aldeia para conhecer os habitantes. A simpatia local esmagou-o, mas regressou a casa em pânico, dizendo ao seu companheiro: "Todos se despediram dizendo 'até mais logo', deve ser tradição da terra. No final da tarde aparecem-nos aí".
Prepararam então o jardim para receber a aldeia. Esperaram, esperaram, mas ninguém apareceu. Komrij levou algum tempo a descodificar este desligamento entre o que se diz e o que se faz - mas percebeu a simplicidade: é só uma forma educada de adiar um problema.

"Um almoço de negócios em Sintra" (1996), colectânea de crónicas sobre Portugal
Todas as semanas escreve uma crónica sobre a sua aldeia portuguesa para um jornal holandês - onde satiriza sobre tudo e todos.
"Um Almoço de Negócios em Sintra" é um retrato em corpo inteiro de Portugal e dos portugueses. Um retrato solícito e inteligente, que anda tão perto do enternecimento como da provocação. Os nossos defeitos, de tão próprios, acabam por parecer virtudes. E as nossas patentes qualidades têm, afinal, a mais peculiar das marcas.
"Um Almoço de Negócios em Sintra" é, assim, para os portugueses, um livro frontal, aqui e além incómodo, mas sempre revelador.

"Vila Pouca, Contos Portugueses" (2009)
De 1984 a 1988, Komrij viveu em Alvites, Trás-os-Montes, uma vivência que inspirou o seu primeiro romance Over de bergen (Atrás dos Montes, 1990). Desde 1988 vive em Vila Pouca da Beira, que retratou em "Vila Pouca, Portugese verhalen".

Libretto de "Melodias Estranhas" (2001)
A ópera "Melodias Estranhas" é uma co-produção bilingue luso-flamenga, com música de António Chagas Rosa e libreto do holandês Gerrit Komrij, para as duas Capitais Europeias da Cultura de 2001 (Roterdão e Porto).
A ópera é centrada nas personagens de Erasmo de Roterdão e Damião de Góis que, há 500 anos atrás, construíram uma amizade a partir da recusa mútua pelo fanatismo religioso.

"Nós por eles" (RTP 2)
“Está no meu carácter ver o lado ridículo das pessoas e escrever sátiras sobre eles, mas, claro, estou consciente do facto que estou a viver num país onde sou um hóspede e os portugueses são muitíssimo generosos em me acolher, portanto não posso ser demasiado crítico.”
“(…) numa outra língua, a dois mil quilómetros de distância, escrevo de uma maneira muito simpática sobre o que acontece nesta pequena aldeia por baixo da superfície.”
“Quando eu ficar absolutamente maluco, então, não sei onde me vão pôr (…) Mas enquanto tenho o destino em minhas próprias mãos vou ficar aqui. Sim, acho que vou morrer aqui. O cemitério é mesmo ao lado, portanto a viagem será curta.“
Fontes: Programa “Nós por eles” (RTP 2) / wikipedia / ritualmente / ilcml / dornes / Expresso
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Álbum lusófono de Anna Maria Jopek (2011)
A cantora Anna Maria Jopek está actualmente a promover três discos novos dedicados a três diferentes inspirações: o folclore polaco em "Polanna", a fusão das tradições musicais da Polónia e Japão em "Haiku" e a música lusa (lusófona) em "Sobremesa".Os três álbuns estão disponíveis numa única publicação intitulada "Lustra" onde a música é acompanhada por uma centena de fotos representativas dos últimos três anos. Segundo o site oficial da cantora, "Sobremesa" é uma espécie de "sobremesa", após a sofisticação do prato principal (os dois restantes álbuns).

O álbum apresenta diversas histórias de Lisboa, a cidade onde Anna Maria Jopek encontrou a sua segunda casa. É uma colecção de algumas das suas canções preferidas no seio do mundo do Português e da cultura lusófona.
"Sobremesa" foi gravado em Lisboa com uma banda multicultural criada para esta ocasião e conta com a presença e as músicas de cantores e compositores de língua portuguesa como Sara Tavares, Camané, Paulo de Carvalho, Ivan Lins, Tito Paris, Beto Betuk e Yami.
Há ainda três composições inéditas (nomeadamente o dueto com Tito Paris) criadas especialmente para este projeto luso-polaco. Anna Maria Jopek (que já foi protagonista de uma campanha publicitária do Millennium BCP na Polónia) interpreta em Português (com sotaque de portugal e do Brasil), na língua crioula e em Kimbundu. Ela canta algumas canções em língua portuguesa, com aquele delicioso sotaque que as polacas têm quando falam a língua de Camões e que já arrebatou muitos corações lusitanos, brasileiros, angolanos...
A banda que acompanha a cantora na "Sobremesa Toure" é composta por Yani, Nelson Canoa (do programa da SIC "Ídolos"), Marito Marques, Joao Balão, Marek Napiórkowski e Henryk Miśkiewicz.Alinhamento
1. Rua dos Remédios (do álbum "Catavento" de Beto Betuk)
2. Tylko tak Moglo Byc (com Tito Paris)
3. Mãe Negra (com Paulo de Carvalho)
4. Lizbona Moja Milosc (com Sara Tavares)
5. Kananga do amor
6. Noce Nad Rzeka
7. Ye yo (com Yami)
8. Cabo da Roca
9. Naanahanae
10. Smuga Smutku (com Ivan Lins)
11. Sodade
12. Spojrz, Przeminelo
13. Lizbona, Rio I Hawana
Letras (Cabo da Roca)
Czy tu się kończy świat?
Czy drugą stronę ma?
To wie jedynie wiatr.
Jesteś na Cabo da Roca
Possível tradução (com base no tradutor do google)
Será que existe o fim do mundo ?
Será que existe o outro lado?
Apenas sabe que há vento.
Quanto estás no Cabo da Roca
Fontes: eurovisionontop / grandprixeurovision.blogspot / danjazzpoucodetudo / Tugas na Polónia
Videos pessoais: "Mãe Negra" (com Paulo de C.) / Lizbona Moja Milosc (com Sara Tavares) / Cabo da Roca
Etiquetas:
2010s,
Duetos,
Europa de Leste,
Lisboa,
Mundo empresarial,
música,
nome / título,
Participações,
Publicidade,
Versão
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
A redescoberta de Carlos Paredes
Em 2004, Ben Chasny (dos Six Organs of Admittance) teve a sorte de, entre concertos, descobrir a obra de Carlos Paredes: "Acho que devia ser conhecido no mundo inteiro. Toda a gente que fala de [John] Fahey [guitarrista norte-americano falecido em 2001] devia começar a falar de Paredes também".
A descoberta foi tão marcante que Chasny dedicou a Paredes a faixa "Lisboa" e o disco "School of the Flower" (2005).
"Adorava mudar-me para aí e já pensei nisso muitas vezes. As palavras não chegam para dizer o que eu gosto em Lisboa. É uma questão de humor e sabor. São os amigos que fiz aí. É a luz. São muitas coisas."

Chasny aproveitou igualmente para avisar os responsáveis da editora com quem trabalha, a Drag City, de que as versões em LP de alguns dos álbuns de Paredes estavam há muito fora de circulação e que a sua recuperação era, mais que uma obrigação, um evidente privilégio. (...)
Fred Somsen, português que faz parte da equipa da Drag City em Londres, diz-nos que "Paredes é ainda relativamente pouco conhecido internacionalmente, talvez o seja por via das comunidades emigrantes, talvez também pela versão que o Kronos Quartet fez de 'Verdes Anos'”. Ainda assim, nada que não seja contornável: “Acreditamos que uma edição destas pode conseguir chegar a outros públicos.

Kronos Quartet
O quarteto de cordas fundado, em 1973, pelo violinista David Harrington em Seattle, Washington, ficou a conhecer Carlos Paredes através de um disco editado na sua companhia, a Elektra Nonesuch, no princípio dos anos 90.
Demorou algum tempo até arranjarem alguém para fazer os arranjos, no caso, Osvaldo Golijov, a única pessoa que conheciam capaz de transpor a música de Paredes para quarteto de cordas e fazê-la parecer-se, de facto, com música de quarteto de cordas.
O álbum "Kronos Caravan" (2000) incluia músicas de 10 compositores de diferentes países, sendo de realçar as versões de dois temas de Carlos Paredes: "Canção Verdes Anos" e "Romance nº 1". O disco alcançou o nº 4 no Top de Álbuns de Música Clássica da Revista Billboard, permanecendo no top durante 15 semanas.
Revista Uncut (2011)

A revista britânica deu 4, num máximo de 5 estrelas, aos dois álbuns de Carlos Paredes, "Guitarra Portuguesa" e "Momento Perpétuo", editados internacionalmente pela Drag City.
A "Uncut" colocara, anteriormente, o álbum "Guitarra Portuguesa", de Carlos Paredes (Drag City), no 7º lugar da sua playlist, que, na altura, era encabeçada pelos Wilco ("The Whole Love").
"Tired of John Fahey clones? Try this reissue from 1971 of next level Portuguese guitar wizardry."

Outras Curiosidades
A música de Carlos Paredes foi utilizada em diversos filmes, nomeadamente, em 1962, na curta metragem “P.X.O.” de Pierre Kast e Jacques Doniol-Valcroze.
Em 1989, pode-se ouvir o tema “Dança” na banda sonora ambiente da digressão de Paul McCartney. O disco fora oferecido a Paul pelo "guedelhudo" Luís Pinheiro de Almeida.
Fontes: Independanças / BodySpace / Guedelhudos / Jornal Público / Nabulabula / Ponto Alternativo
Videos: "Verdes anos" (Kronus Quartet) / "Lisboa" (Six Organs of Admittance)
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
"Portuguese Soul" de Jimmy Smith (1973)

Jimmy Smith, considerado o rei do órgão Hammond, nasceu em Dezembro de 1928 e começou a tocar em 1951, tendo dado os primeiros passos no café Bohemia, em Nova Iorque. Uma sessão no clube Birdland e uma actuação no Newport Jazz Festival de 1957 foram a rampa de lançamento para a carreira do organista.
A partir daí, Smith tocou intensivamente nos anos 60 e 70 e gravou com músicos como Kenny Burrell, Lee Morgan, Lou Donaldson, Tina Brooks, Jackie McLean, Ike Quebec e Stanley Turrentine. Editou nada menos do que mais de 30 albums para a Blue Note e 20 para a Verve...
O músico norte-americano foi eleito por várias vezes melhor organista de jazz pela revista "Downbeat", a primeira das quais em 1964.

Jimmy Smith "Portuguese Soul"
Jimmy Smith passou pelos palcos do Cascais Jazz e em virtude dessa actuação editou em 1973 um disco a que deu o título de "Portuguese Soul".
Lançado pela Verve, este registo foi gravado em Nova Iorque, com uma Big band dirigida por Thad Jones.

As faixas deste trabalho são:
A1. And I Love You So"
A2. Blap"
B1. "Opening:Prologue"
B2. "1st Movement:Portuguese Soul"
B3. "2nd Movement:Ritual"
B4. "3rd Movement:Farewell To Lisbon Town"

Como tudo começou
Tudo começou às 4 da manhã de domingo, do dia 13 de Novembro de 1972, após a realização do último concerto de uma digressão europeia de três meses, em Cascais, uma pequena vila nos arredores de Lisboa.
Já tínhamos arrumado os equipamentos, mas a música não parava de se mover na minha cabeça, indo em tantas direções que eu sabia que não iria dar origem a apenas a uma ou duas canções, mas sim a uma 'suite' completa.
Apenas 2 "extractos" (lyric lines) são inspirados directamente pela digressão portuguesa: "Travelling around in Lisbon Town, beautiful sights you'll see", que faz parte do Prólogo, e "We'll come back again someday, and see things lovelier", no momento final de "Farewell To Lisbon Town".
(adaptação abreviada do texto inscrito no verso do disco "Portuguese Soul")
Fontes: Jazz no país do improviso / Van Groove express / Guedelhudos
Video: "First movement"
Etiquetas:
1970s,
E.U.A.,
Lisboa,
Localidades (diversas),
música,
nome / título
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
"Salada Portuguesa" de Manoel Monteiro (1909-1990)
Manoel Monteiro nasceu em Portugal, em São Martinho de Cimbres, no concelho de Armamar, distrito de Viseu. Emigrou para o Brasil, em 1923, aos 14 anos de idade conjuntamente com o pai e um tio. Dois anos mais tarde, o pai e o tio regressaram a Portugal, e ele passou a viver sozinho na cidade do Rio de Janeiro.
Empregou-se no comércio, trabalhando como caixa. Ingressou na escola de ballet, onde estudou sob a orientação de Maria Olenewa. Em 1927, passou a integrar o corpo de balé do Teatro Municipal, onde se manteve até 1930, quando foi proibido de dançar devido a problemas cardíacos.

Estreou em disco em 1933, gravando na editora Odeon os fados "O teu olhar" e "O último fado", ambos compostos por Carlos Campos. Em seguida, gravou a "Marcha das rosas” e a canção "Chora a cantar", de motivo popular.
Teve seu primeiro grande sucesso, com a gravação do fado "Santa Cruz" (Caramés / D. Santos), editados no seu terceiro disco.

No repertório de Manuel Monteiro, destacavam-se géneros portugueses como fados, viras e marchas, tendo também gravado obras de autores brasileiros, principalmente do género carnavalesco.
Sua discografia em 78 rpm vai de 1933 a 1959, tendo gravado cerca de 65 discos com 127 músicas, a maior parte na Odeon.

Alguns dos seus sucessos:
"Rosas de Portugal"
"Amores de estudante"(1939);
"O último fado"
"Marcha das rosas" (1933);
"Rosas divinais" (1933);
"O canto do ceguinho" (1933);
"A morte da ceguinha" (1933);
"Heroísmo de bombeiro" (1933);
"Meu Portugal" (1933);
"Corações de Portugal" (1934);
"Salada Portuguesa" (1935)
"Maria morena"(1955)
"Nem às paredes confesso" (1955)
Primeiro cantor português a ter sucesso no Brasil
Em 1949, foi homenageado pela classe artística com um evento realizado no Teatro Carlos Gomes, por ter sido o primeiro cantor português a ter sucesso no Brasil.
Abriu, assim, o caminho para que outros cantores lusos se projectassem por intermédio das gravadoras nacionais, como José Lemos e Joaquim Pimentel, já em 1935, e vários outros posteriormente.

Em 1948, participou como actor e responsável pela coreografia do filme "Inconfidência Mineiroa", realizado por Carmen Santos”.
"Salada Portuguesa" ("Caninha verde")

Em 1935, lançou com grande sucesso a marcha "Salada Portuguesa" (V. Paiva / P. Barbosa), que se tornaria conhecida com o título "Caninha verde", mencionado no texto da música.
Esta marcha foi por si apresentada no filme 'carnavalesco' "Alô, alô, Brasil" (Fevereiro de 1935), de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro. Ainda neste ano, gravou as marchas "João, João, João", "Balãozinho multicor", "Olé, Carmen", em homenagem a Carmen Miranda; e "Sou da folia".

Letra de "Salada Portuguesa" ("Caninha verde")
A minha caninha verde já chegou de Portugal
A minha caninha verde já chegou de Portugal
Vamos todos, minha gente, festejar o carnaval
Vamos todos, minha gente, festejar o carnaval
Vai Manoel mais a Maria
Nos três dias de folia
Pierrot e Colombina
Vai João e negra Mina...
A minha caninha verde já chegou de Portugal
A minha caninha verde já chegou de Portugal
Vamos todos, minha gente, festejar o carnaval
Vamos todos, minha gente, festejar o carnaval
O vovô já me dizia
No Brasil há alegria
Desde o tempo de Cabral
Que existe o Carnaval...
(...)
"Fado Manoel Monteiro"

É um dos fados mais significativos do repertório de Manoel Monteiro da autoria de A. Ferreira e Gonçalves Dias, gravado em disco Odeon, em 1937.
Sou português e grito ao mundo inteiro
Filho de gente humilde, mas honrada
E se adoro o Brasil hospitaleiro
Jamais esquecerei a Pátria amada.
Brasil e Portugal trago-os no peito
Unidos pela amizade e pela história
Se devo a Portugal o meu respeito
Ao Brasil devo toda minha glória.
Sinto pela minha Pátria devoção
Mas amo tanto a Pátria brasileira
E chego a não saber se o coração
Ama a segunda mais do que a primeira
E por ser do Brasil um grande amigo
Sou brasileiro afirmo muita vez
E sinto orgulho igual de quando sinto
Nasci em Portugal, sou português.
Portugal é meu torrão natal
A Pátria mãe de heroís e de guerreiros
Mas se o Brasil nasceu de Portugal
Eu sou portanto irmão dos brasileiros.

Rádio
Iniciou sua actividade radiofónica no início da década de 30, quando se apresentou no programa "Luso brasileiro” da Rádio Educadora do Brasil. Na época, as rádios mantinham programas específicos de música portuguesa, para atender à procura da numerosa colónia que emigrou para o Brasil.
Teve um programa na Rádio Vera Cruz. Durante as décadas de 1960/70 esteve sempre presente em programas de rádio e TV relacionados com temas portugueses.
Outras Homenagens
Seu nome foi dado a uma das ruas de Cimbres (Portugal), para assim, perpetuar seu filho ilustre. No Brasil, o cantor conta com sete nome de ruas, espalhadas por diversas cidades do País.
Em 1992, J. Gonçalves Monteiro, lançou um livreto sobre a vida e carreira de Manoel Monteiro. Foi feita uma tiragem de 1000 exemplares para venda. Toda a receita seria revertida para fazer um busto e colocá-lo em Cimbres. Infelizmente não teve grande repercurssão.
O poeta e diplomata brasileiro Vinicius de Moraes no seu tema "Samba da Benção" faz referência a Manoel Monteiro: "A benção Manoel Monteiro, e a todos os fadistas deste mundo!"
Fontes: Thais Matarazzo (1)(2)(3) / Cifrantiga2 / Mundo Lusíada / Blog Manuel Monteiro Fadista / Dicionario MPB
Videos (com imensas fotos): Eradogramaphone ("Fado do Povo", "O Meu Barquinho" e "Amores de Aldeia") / "Madragoa" / "Minha bandeira"


quarta-feira, 11 de maio de 2011
Jogo de espiões em "Tempestade em Lisboa" de George Sherman (1944)
Ponto nevrálgico de rotas marítimas e aéreas, Lisboa reforçou a sua posição no “mapa-mundo norte americano” a partir do momento em que na grande produção "Casablanca" (1942) de Michael Curtiz, a cidade constitui o destino onde muitos desejavam chegar desesperadamente."Storm over Lisbon” pode ser lido como uma continuação de "Casablanca", porque o espectador é levado finalmente à cidade à qual a maioria dos refugiados de Casablanca desejam chegar.
Uma cidade que é de novo um ninho de várias proles de espiões aliados e do Eixo, estabelecidos no entanto de forma menos improvisada. O bar Rick’s de Rick Blaine.(Humphrey Bogart) é substituído pelo casino de Deresco’s de Deresco (Eric von Stroheim), um escroque que vende pelo melhor preço informações de qualquer espécie que interesse a qualquer serviço secreto. Em "Casablanca" o herói é o dono de um "night club". Em Lisboa, o casino pertence ao vilão.

De novo, conseguir um bilhete de avião desta vez para Nova Iorque, é o destino mais ambicionado por qualquer refugiado europeu e o móbil dos crimes e dos jogos de interesse.
Em Casablanca, Victor Lazlo, importante líder da resistência checa, procurava obter “letters of transit” para poder voar para Lisboa.Em “Storm over Lisbon”, a dançarina checoslovaca Maritza (interpretada por Vera Ralston) também faz tudo para conseguir um bilhete para o “clipper” que parte de Lisboa para Nova Iorque.
O circuito de evasão europeu, segundo Hollywood, estava completo.

Sinopse
Deresco (Erich Von Stroheim) é proprietário de um casino em Lisboa. Apesar de Portugal ser um pais neutral, ele actua como espião free-lancer para quem lhe pagar o seu preço.
O escritório de Deresco está situado no alto de uma torre-prisão que comunica com o casino por um elevador digno de um arranha-céus de Nova Iorque donde são lançados os corpos dos espiões mais incómodos.
Deresco tenta impedir, com a ajuda da dançarina checa Maritza (Vera Ralston), que o jornalista americano John Craig (Richard Arlen) saia de Portugal com um microfilme secreto sobre as actividades japonesas na Birmânia.

Bill Flanagan (Robert Livingston), um piloto americano e Craig (Richard Arlen) são salvos por Maritza que se enamora do primeiro, depois de inúmeras aventuras.
Na verdade Maritza é um contra-agente enviado para desmascarar as actividades de Deresco.
Maritza dá a conhecer às autoridades portuguesas as actividades de Deresco, tendo o apoio do “Ministério da Justiça” nas suas actividades de contra-espionagem em favor dos Aliados.
No final, Bill e John embarcam num clipper para Nova Iorque e convidam Maritza para segui-los. Na última cena do filme, Maritza recusa a oferta para permanecer na Europa ao serviço da contraespionagem e desaparece lentamente ao som de uma música melancólica de cavaquinhos, em jeito de fado.
É criada assim uma visão norte-americana da Europa ocupada constituída por um labirinto de cidades pelas quais têm que passar os felizes eleitos que chegam aos EUA. Cidades onde, apesar de oficialmente neutrais, o perigo nazi é bem presente.
Imagens de PortugalÀ semelhança de “One Night in Lisbon”, Lisboa só é vista à luz do dia a partir de imagens retiradas de documentários da época que muito rapidamente oferecem algumas instântaneas da cidade.
Mais uma vez a Praça do Rossio, um detalhe de calçada à portuguesa e uma vista das grades da Praça Luis de Camões que com o seu desenho semelhante à Cruz de Cristo transmitem subliminarmente a impressão de que os protagonistas chegaram a uma cidade ibérica e católica.
Em tudo o que resta do filme, Lisboa é representada sempre à noite, o que terá ajudado certamente a limitar o budget do filme.

A acção desenrola-se em cinco lugares distintos da cidade: o Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo, o casino-torre de Deresco, o esconderijo subterrâneo de Craig, uma zona arborizada ao longo do Tejo e um bar típico.
Do alto da torre, Deresco explica ao espião Alexis Vandelyn antes de considerar matá-lo e lançá-lo ao rio Tejo, que dali é possível apreciar “one of the most exciting views of the world”.
No filme, duas americanas de meia idade que chegam ao casino do Estoril e exclamam: “It’s better than Montecarlo. Montecarlo never had a Deresco’s. Such a finesse!”.

A sala do casino e os cenários das coreografias das danças de Maritza não escapam a um gosto orientalizante, reminiscências da visão norte-americana de Portugal do século XIX e ao mesmo tempo da aproximação ao aspecto do Hotel do parque do Estoril da época.
O bar típico de Lisboa possui unicamente mesas com toalhas aos quadrados e o gerente, mais bem um taberneiro, tem colocado na cabeça um barrete parecido com os gorros típicos dos campinos do Ribatejo.
A todos estes elementos cenográficos é associado um elemento sonoro desconcertante pela sua ausência de relação com Lisboa. Um grupo de três rufias de bigode, lenço ao pescoço e boné, que não são mais do que agentes de segurança locais, passeia-se pelos bares. Tocam sempre, sem cantarem, o mesmo vira do Minho: “Meninas vamos ao vira!”. Uma canção oriunda de uma província bem distante mas que refere as “meninas de Lisboa”.

Recriação de Lisboa
Foi talvez para a recriação do primeiro lugar que os cenaristas da republic Pictures trabalharam mais detalhadamente. Na verdade, a ponte-embarcadouro e a fachada fluvial da estação são primorosamente imitadas.
Para esta reconstituição terá sido fundamental um documentário de actualidades da série "The March of Time" produzido em 1943 e hoje disponível no Steven Spielberg Movie and Film Archive destinado, entre outros objectivos, a dar conta da actividade da ligação da Pan American Airways em Lisboa.
A inspiração para a cenografia da torre do Deresco’s terá sido obtida a partir de outro documentário da série "The March of Time" hoje disponível no arquivo da HBO e provavelmente da interpretação livre a partir de postais ilustrados da Torre de São da Casa O’Neil (ou de Santa Marta) e do farol de Santa Marta em Cascais e mesmo da Torre de Belém.
Fontes: Dr. João Mascarenhas Mateus, “Uma Cidade de Espionagem Internacional. Lisboa segundo Hollywood” / Allmovie
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Lisboa como cidade de Espionagem Internacional em "Uma noite em Lisboa” de Edward H. Griffith (1941)
Com a posição de neutralidade de Portugal na Segunda Guerra Mundial, Lisboa ganhou uma nova imagem - a de cidade de espionagem internacional e de diplomacia mundial. As primeiras produções de Hollywood que usam Lisboa no seu título, apresentam a cidade com uma mistura de clichés tardo-orientalistas, de cosmopolitismo e de atraso próprio dos estereótipos associados ao mundo ibérico e ibero-americano.
É no entanto surpreendente o esforço aplicado na reconstituição de alguns espaços e edifícios da cidade e dos seus arredores. A imagem de cidade misteriosa, com caves de vinho e impregnada de música nostálgica marcará futuras produções cinematográficas internacionais sobre Lisboa e sobre Portugal.
Contexto“Uma noite em Lisboa” foi estreado em Maio de 1941 (sete meses antes da entrada dos Estados Unidos na Guerra), sendo o guião baseado na peça de teatro “There’s Always a Juliet” de John Van Druten.
Antes de ser adaptada a cinema, a obra tinha obtido já um grande sucesso no teatro no inicio da década de 30. O filme foi adaptado ao contexto bélico e propagandístico do momento, pelo que acabou por ter pouco a ver com a peça de teatro.
SinopseNo filme, a dinâmica da história leva os três protagonistas a Lisboa, onde Leonora Pettycote (Madeleine Carroll), motorista voluntária do ministro da guerra inglês deverá entregar uma mensagem ao embaixador britânico.
O comandante Peter Walmsley (John Loder) e o norte-americano Dwight Houston (interpretado por Fred MacMurray) acabam por a salvar de um rapto perpetrado pelos serviços secretos alemães que tentam capturar a mensagem.
O texto da missiva é também altamente simbólico:"Of all forms of caution, caution in love is the most fatal", numa alusão indirecta à importância que os E.U.A. deveriam dar à escolha dos seus aliados no caso de entrarem na Guerra.
Em linhas gerais o que se mantém na transferência do teatro para o cinema é o amor entre uma inglesa e um americano cosmopolita, as diferenças nas atitudes amorosas entre a púdica inglesa e o desinibido americano, simbolicamente a atracção de aliança entre a Grã-Bretanha e os EUA.

Recriação de Lisboa
Reconstruída em estúdio não tem nada que ver com a Lisboa real, mas transmite uma impressão simultaneamente idílica e quase tropical. Algumas ruas de Lisboa quase que se assemelham com ladeiras do Funchal.
Lisboa só é vista à luz do dia a partir de imagens retiradas de documentários da época.
Lisboa é dada a conhecer numa primeira e fugitiva imagem aérea que mostra os embarcadouros do Tejo e a Praça do Rossio. Segue-se uma vista panorâmica de Lisboa em que Dwight a Leonora observam antes de entrar no hotel em que ficam hospedados.
A referência ao vinho está presente nas cenas “underground” ambientadas em caves repletas de barris. No clube nocturno uma música melancólica que se assemelha a algo parecido com o fado pretende constituir mais uma nota identitária.
Imagem de LisboaAs visões da cidade que são oferecidas ao espectador são de dois tipos. Uma primeira consiste no enunciar das ideias pré-concebidas que o guionista pensava serem as que os americanos e ingleses tinham de Lisboa.
Um segundo tipo de impressões são outras que se obtêm através da acção que supostamente decorre em Lisboa. Por outras palavras, o guião é estruturado de forma a “corrigir” em parte as imagens construídas que americanos e ingleses tinham sobre Lisboa.
A primeira ideia de Lisboa é colocada na “boca” de Florence, a velha criada de Leonora. Ela representa a inglesa que nunca tinha viajado e que conhecia o mundo através do prisma victoriano.
Quando Leonora pergunta: "Com que se parece Portugal ?”, Florence responde "Produzem vinho e as mulheres fazem todo o trabalho. Mas deve ser muito bonito. Ouvi dizer que não é muito moderno. O Sol tem muita importancia. Não devo gostar disso”.
Imagem politicamente correcta O filme pretende oferecer obviamente uma imagem politicamente correcta de Portugal e de Lisboa. Praticamente em nenhum momento se chama a atenção para situações de atraso civilizacional, a não ser um carro puxado por um cavalo e outro por uma parelha de bois com a sua canga.
Em Lisboa, pode-se passar um romântico fim-de-semana, chegar e partir em avião. Os hoteis são bons (poucos para a quantidade de pessoas que chegam à cidade), os clubes nocturnos ao nível dos melhores da Europa. Nas palavras de Dwight : “Portugal is a country still at peace with people having fun and still laughing. Bright sun and blue sea. Great castles made of tiles looking like jewels”.
CuriosidadeComo os Estados Unidos ainda não tinham entrado na Guerra, as mensagens são de solidariedade com os sofrimentos causados com os bombardeamentos de Londres e de ajuda pronta dos Estados Unidos. O protagonista americano ajuda apenas a protagonista inglesa a resistir aos alemães.
A polícia portuguesa não parece imiscuir-se nas actividades dos vários representantes das nações em conflito.
Não aparece um único actor português. Só o taxista pronuncia um "Sim senhor" em verdadeiro português. Nem a cantora de fado é portuguesa, sendo interpretada por Antoinette Valdez.
O actor franco-romeno Marcel Dalio, recepcionista do hotel em “One night in Lisbon” será o croupier de “Casablanca” (1942).
Participaram igualmente outros actores europeus de prestígio como os ingleses Edmund Gwenn e Dame May Whitty.
Fontes/Mais informaçoes: Dr. João Mascarenhas Mateus, “Uma Cidade de Espionagem Internacional. Lisboa segundo Hollywood” (adaptado) / TCM / Allmovie
Etiquetas:
* Alguns destaques,
1940s,
Cinema,
E.U.A.,
Hollywood,
II Guerra Mundial,
Lisboa,
nome / título,
Policial/Espionagem/Crime
Subscrever:
Mensagens (Atom)


.jpg)




