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quarta-feira, 29 de abril de 2009
"Venham mais cinco" em versão dos Keltia (1979) e Victor Manuel y Ana Belén (2015)
O grupo Keltia, um duo galego formado por Xosé Ramón Gayoso (apresentador do programa Luar da TV Galiza; à esquerda na foto) e Álvaro Someso, publicou em finais da década de 80 o seu único álbum, "Choca esos cinco", o qual incluía, entre outros temas, adaptações de poemas da espanhola Rosalía de Castro e uma versão da famoso canção “Venham mais cinco” de José Afonso que dá título ao disco e que foi igualmente editado como single.
Fonte: caratulascoque
Video: "Choca esos cinco"
Canciones regaladas de Victor Manuel y Ana Belén
Nos últimos meses de 2013, Carlos San Martin, que trabalha para a editora Sony Espanhola, propôs ao cantor Victor Manuel e à sua esposa Ana Belén que lançassem um álbum com versões de alguns dos seus temas preferidos.
“A Guerra das Rosas”, da autoria de José Mário Branco e Manuela de Freitas (incluído no álbum "Do amor e dos dias" de Camané), e “Venham mais Cinco”, de Zeca Afonso, foram duas das canções escolhidas. Quando Victor Manuel comunicou a San Martín que a SPA (Sociedade Portuguesa de Autores) não respondera ao seu pedido por carta, San Martín considerou que era “normal”, pois ele tinha trabalhado em Portugal.
Voltou a pedir e demoraram um mês a responder a uma mensagem por correio eletrónico onde solicitavam o envio das canções em MP3 para fazê-las chegar aos seus autores, cópia digital essa que já tinha seguido na correspondência anterior. Passou mais um mês e foi necessário pedir o apoio de Lourdes Guerra e Luis Pastor para intercederem junto de Zélia, viúva de Zeca Afonso, e só assim começaram a ter aprovação para gravar essa canção.
Fontes: "Antes de que sea tarde: Memorias descosidas" de Víctor Manuel (adaptado)/ Sony music
A GUERRA DE LAS ROSAS (A GUERRA DAS ROSAS) José Mario Branco / Manuela de Freitas
Canción muy divertida que habla de las relaciones de una pareja al borde del precipicio pero siempre dispuestos a reconciliarse. Es una canción portuguesa cantada solo por Víctor. “Partiste sin decir adiós ni nada, fingiste que era culpa toda mía, dijiste que mi vida era extraviada, te grité por la escalera que porqué no te morías…”
12. CHOCA ESOS CINCO (VENHAM MAIS CINCO) José Afonso
Una de las mas celebradas canciones del autor de “Grandola villa morena”. Muy versionada y muy popular en Portugal. Aparentemente ligera pero canción de resistencia siempre. Con aire de fiesta y cargas de profundidad. Hermosa canción del añorado Zeca Afonso.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
"Grândola, Vila Morena" na voz de Nara Leão
A cantora brasileira Nara Leão gravou em 1974 os temas "Grândola, Vila Morena" e "Maio Maduro de Maio", ambos da autoria de Zeca Afonso, os quais foram incluídos no EP "A Senha do Novo Portugal" da editora Philips.Os temas foram recuperados na colectânea "Raridades 2" editada em 2002 e que, como o próprio nome indica, visava a redescoberta de temas desconhecidos da cantora brasileira.
Audio: 1, 2
"Grândola, Vila Morena" e a censura brasileira
A canção "Grândola, Vila Morena", de Zeca Afonso, foi gravada por Nara Leão em 1974, passando inicialmente despercebida à censura brasileira.
Num documento do III Exército Brasileiro é demonstrada a indignação das autoridades quando confrontadas com o facto de que "esta música vem sendo tocada com insistência, diariamente na Rádio Continental de Porto Alegre, no horário das 12.00 às 13.00 horas”.
Em resposta, o Director da Censura, Romero Lago, afirma que a canção estava autorizada desde 20 de Maio de 1974 para poder ser gravada pelo cantor luso-brasileiro Roberto Leal.
Curiosamente, "Grândola ...", uma das senhas da Revolução dos Cravos não foi alvo de censura por parte das ditaduras do Brasil, Espanha e Portugal.

"Narólogos"
Preciso da ajuda de um 'narólogo' para esclarecer um mistério. Comprei aqui em Lisboa um compacto simples da Nara cantando o 'hino' da revolução portuguesa de 75: 'Grândola, Vila Morena', do Zeca Afonso. Nunca tinha ouvido falar desta gravação...
Procurei nas discografias do CliqueMusic e Itaú Cultural e nada. Browseei a internet e nada.
Quem me pode me ajudar com alguma informação? Alguém que tenha a biografia do Sérgio Cabral pode 'checar' se há alguma referência? Terá o disco saído no Brasil? Acho que não...
Fonte: Alan Romero (net)
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segunda-feira, 6 de abril de 2009
"Viagem a Lisboa" de José Luis Aguirre (1996)
José Luis Aguirre é um escritor espanhol que nasceu em Valência, em 31 de Janeiro de 1931, no seio de uma família de escritores, tendo-se notabilizado sobretudo na área do conto e do teatro.Aguirre recebeu em 2007 o Prémio Lluís Guarner. De entre os seus trabalhos é de realçar a colectânea de contos "Cuando éramos jóvenes", que incorpora novas técnicas narrativas como o "estilo indirecto livre", o "monólogo interior", "palavras novas", "ruptura tipográfica" e "numeração caótica".
A série, dedicada ao escritor português Fernando Pessoa, inclui os capítulos "Viaje a Lisboa", "Inicio en Lisboa", "Buscando al Señor Pessoa", "El día que desapareció el señor Pessoa" e "La Última Estafa".
Señor Pessoa
“Si vas a Lisboa, como he oído, dale recuerdos de mi parte al amigo Pessoa”. “¿A quién?” “A Fernando Pessoa, hombre... no me digas que no lo conoces o, al menos, no lo has oído nombrar”. “Si claro, Pessoa”, disimulé mi ignorancia. “En Lisboa lo conoce todo el mundo y si tienes tiempo le darás un paquetito de mi parte. No sé la dirección pero tu pregunta porque en Lisboa, como te digo, lo conoce todo el mundo”.
Al día siguiente Miguel me enviaba una cajita envuelta en papel de regalo muy bien atada con una cinta verde y con el nombre y dirección en una de sus caras: “Fernando Pessoa. Chiado. Lisboa” (...)
(...)
"El señor Pessoa no estaba en los cafés. El señor Pessoa no estaba en el embarcadero viejo. El señor Pessoa no estaba en la Plaza del Comercio. El señor Pessoa no estaba en su pensión. El señor Pessoa no estaba en la oficina. El señor Pessoa no estaba en Lisboa."
Versão integral
Fontes: uji / Panorama
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segunda-feira, 2 de março de 2009
"Portugal I Love You" de John Edmond
John Edmond é um cantor nascido na Rodésia (actual Zimbabwe) que obteve grande sucesso, sobretudo na década de 70, com as suas canções de cariz patriótico.No início da década de 80, o cantor publicou o single "Portugal I Love You", o qual chegou a ser lançado no Brasil.
Após contactar a sua esposa, ficámos a saber que a mesma era de origem portuguesa, o que inspirou o cantor a compôr a referida canção.
Depoimento de Teresa Edmond
"Portugal I Love You" was written by John Edmond for me "Teresa" now his wife.
John being a song writer singer and entertainer and myself being a dancer met on a show in the 70's fell in love and walla........... he wrote the song for me!, me being of Portuguese descent and a dancer inspired John to write the song.
"Coimbra" was a restaurant that we use to perform at. "Portugal I love you" was released in Brazil in the 1980's [and] became a very well played track on various Brazillian Radio stations. Amazing that you should find it after all these years!
The Cd on which this song "Portugal I Love" you is a track is still available and as popular as ever. It is on the CD "BY REQUEST" from John Edmond on our web site www.johnedmond.co.za.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
“Lejos de Lisboa” de Pasión Vega (2003)

Apesar de Portugal ser em Espanha um vazio, existe uma minoria informada, que não só se interessa, como aprecia o ignorado vizinho. Para alguma elite é mesmo um distintivo de bom gosto.
Na cultura portuguesa encontram figuras e ambientes que promovem nos media e alguns encontram fontes de inspiração artística. É o caso de Pasión Vega que, no seu álbum “Banderas de nadie”, apresenta "Lejos de Lisboa", um tema alusivo a Lisboa, com laivos de toada fadista.
“Lejos de Lisboa”
A música foi composta por Ernesto Halffter (1905-1989) para uma letra popular portuguesa (anónima), com o título original “Ai, qué linda moça”.
Após Paco Gordillo, agente de Pasión, ter assistido à interpretação de “Lejos de Lisboa” pela soprano María Bayo, decidiram contactar a família de Halffter a demonstrar o interesse pelo tema, tendo sido feita a adaptação para castelhano, mantendo-se o título original.
“Ai, qué linda moça” foi uma das seis canções portuguesas baseadas em textos populares (de 1940-41), que foram gravadas, em 1999, na sua versão em português pela soprano María José Montiel, acompanhado ao piano por Miguel Zanetti.
Fontes: Edmundo Tavares, Carles Garcia
Video
Letra
La melancolía de calles perdidas que huelen a mares,
gente que camina y luces de luna de barcos que parten.
Si cierro los ojos puedo ver las calles por donde anduvimos
y escuchar canciones que hablan del destino que nunca tuvimos.
Poemas del aire vendrán hasta aquí
lejos de Lisboa y lejos de ti.
Amor recordado, tristeza sin fin,
Lejos de Lisboa y lejos de ti.
La ropa tendida al sol de la tarde, banderas de nadie;
Las calles en cuesta que suben a un cielo de azules que arden.
Plazas con palomas, puestos de claveles y de rosas blancas,
la ciudad antigua guarda la memoria de un tiempo que escapa.
Poemas del aire vendrán hasta aquí
lejos de Lisboa y lejos de ti.
Amor recordado, tristeza sin fin,
Lejos de Lisboa y lejos de ti.
Amor recordado, tristeza sin fin,
lejos de Lisboa y lejos de ti.
(Popular portuguesa/Versão espanhola: Pablo Guerrero/Música: Ernesto Halffter) Editions Max Eschig, París
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
"Formiga bossa nova" de Adriana Partimpim (2004)

Quem introduziu a formiga na bossa nova ?
Em 2004 a cantora brasileira Adriana Calcanhotto gravou [com a colaboração de António Chaínho] a música "Formiga Bossa Nova" no disco "Adriana Partimpim", disco idealizado para as crianças, no qual a artista usa o heterónimo de Adriana Partimpim (seu apelido na infância).
A música "Formiga Bossa Nova" foi musicada pelo compositor português Alain Oulman, responsável por alguns dos maiores sucessos de Amália Rodrigues.
A melodia foi construída sobre o poema do poeta também português Alexandre O'Neill (Alexandre Manuel Vahía de Castro O'Neill de Bulhões) fundador do Movimento Surrealista de Lisboa.
O poema que deu origem a canção é intitulado "Velha Fábula em Bossa Nova". A letra é esta:
"Minuciosa formiga / não tem que se lhe diga:/ leva a sua palhinha /asinha, asinha. /Assim devera eu ser /e não esta cigarra / que se põe a cantar / e me deita a perder. /Assim devera eu ser: /de patinhas no chão, / formiguinha ao trabalho / e ao tostão ./ Assim devera eu ser / se não fora / não querer. / (-Obrigado,formiga! / Mas a palha não cabe / onde você sabe...) .
Como este mundo é redondo e Platão já anunciava o Eterno Retorno, vale lembrar que em 1969, pela etiqueta ColumbiaVC, foi editado um single gravado especialmente por Amália Rodrigues com esta canção.
Como vemos, Amália Rodrigues já introduzira a formiga na Bossa Nova. Confira o áudio
Fonte: Rádio Educativa (Brasil):
Drop of Jupiter
Aqueles que conhecem o último álbum editado pela brasileira Adriana Calcanhoto, de certo já ouviram o tema "Formiga Bossa Nova".
É talvez a música de que mais gosto do Adriana Partimpim. Como curiosa que sou, pesquisei o autor da poema, e qual não foi o meu espanto quando encontrei o nome de Alexandre O’Neill ? Mais interessante ainda foi descobrir que este poema foi musicado por Alain Oulman para Amália Rodrigues, e a canção editada em 1970, no LP "Com que voz".
Curiosidade: o tema foi igualmente regravado nos discos ao vivo de Cristina Branco e Entre aspas.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
O fado de Charles Aznavour
Fui das pessoas que melhor a conheceu [Amália]. (...) Éramos amigos de longa data. Conheci-a na Bélgica, na véspera de ela dar um concerto em Monte Carlo. Passámos a noite inteira a cantar e a conversar, e de madrugada disse-lhe: “Tem um avião para apanhar, não?” Prometemos rever-nos, fizemos um espectáculo a dois em Lyon, ainda ela não era a vedeta que viria a ser. E quando ela me disse que nunca tinha cantado em francês, escrevi-lhe uma canção: “Ai mourir pour toi” (em 1957).[Amália] Cantou-a e gravou-a. Eu traduzi-a assim, porque a sonoridade de “Mourir pour toi” me lembrava “Mouraria”. Foi a primeira canção em francês que ela cantou.
Gravei duas músicas sobre Portugal: “Lisboa” e “Fado”. Gosto muito de fado, que é, verdadeiramente, canção. Se um fado tem um texto do Pessoa, eu sei o peso que isso tem. Sei quem é Pessoa, li as suas traduções, conheço melhor o passado da canção portuguesa do que a “nouvelle chanson”.
Lembro-me bem do Alfredo Marceneiro, que se calhar os jovens portugueses não conhecem. Portugal foi o segundo país estrangeiro onde pus os pés, depois da Espanha. Em espanhol canto fluentemente, mas o português é demasiado próximo do francês e do espanhol, e por isso mais difícil.
Fonte: Revista Única (Semanário Expresso) (2008-02-09)
Em 1957, no cume do sucesso da Amália na França e inspirado no “Ai, Mouraria” Charles Aznavour compõe uma cantiga especialmente para ela, o “Aïe Mourir Pour Toi”, que também foi gravado por Dalida.
Segundo o próprio Aznavour, ofereceu esta cantiga para Amália, por que só ela poderia interpretar com a força dramática que esta triste cantiga com ares de fado precisava.
Foi então que em 1958 se editou o EP “Amália chante en français” cujo titulo em portugal é “Amália canta em francês”, e assim que esta cantiga passou ao repertório da Amália, quase por obrigação, já que quando ela pisava o palco do Olympia, era o próprio Bruno Coquatrix desde os bastidores a dizer: Amália!... Aïe mourir pour toi... s´il vous plaît!
Fonte: Amália no mundo
Fonte: Revista Única (2008-02-09)
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Personagens e amigos portugueses na obra de Jorge Amado
Uma das minhas diversões durante o trabalho duro e difícil do romance é colocar nomes de amigos nos personagens: a um frade cachopeiro e mandrião baptizei com o nome de Nuno Lima de Carvalho [jornalista português], todo o contrário: burro-de-carga no trabalho, não respeita domingo nem feriado, ex-seminarista casto permanece pudico e só reza missa no altar de Santa Clarinda, esposa e mártir.
Natário da Fonseca, jagunço e capitão da Guarda Nacional, herdou o prenome de um pasteleiro, notabilidade de Viana do Castelo, siô Manuel Natário, o dos pães-de-ló.
Manuel Natário
Manuel Natário, o dono da pastelaria, diz-nos que "até gostou" de ser jagunço no livro: "Ele fez aquilo com muito gosto". E porque a amizade entre os dois não permitia melindres. Nem amuos. Mas o verdadeiro retrato do amigo minhoto, deixou-o Amado na dedicatória que lhe fez em Tocaia Grande: "Manuel Natário, capitão de doces e salgados, comandante do pão-de-ló, mestre do bem-comer".
"[Jorge Amado] viu na Senhora d'Agonia a sua Iemanjá. E Viana fez de Jorge Amado e sua mulher seus cidadãos honorários. Mas a peregrinação também se fez ao Santuário de Manuelzinho Natário. Zélia e Jorge Amado não se rogaram. Ficaram mesmo fregueses. Fez mais.
Passou à posteridade chamando-o para a personagem mais importante de seu último romance, "Tocaia Grande", na figura destemida de Capitão Natário. E não se ficou por aqui. Com os paladares avivados, quis que o Presidente Sarney e D. Marly no Palácio da Alvorada, provassem deste pão-de-ló de Viana. E foram muitos pãos-de-ló que emigraram até Brasília pela mão de Lima de Carvalho e Jorge Amado"
Nuno Lima de Carvalho
Nuno Lima de Carvalho conta à Antena1 que conheceu o escritor em 1980 e acompanhou-o nas suas viagens por Portugal. Este galerista português inspirou a personagem de um frade que namorava com uma freira às escondidas. Apareço como um frade cachopeiro, Frei Nuno de Santa Maria, que ia celebrar missa todos os dias a um Convento, onde tinha lá uma freirinha que se entretinha depois com ele atrás da torre da igreja.
Conheceu Jorge Amado na casa de José Franco, artista popular de Mafra.
José Franco
Segundo Zélia Gattai na sua autobiografia, Jorge Amado conheceu José Franco, quando visitou a aldeia típica na companhia de Beatriz Costa e Francisco Lyon de Castro nos fins dos anos 60, tornando-se grandes amigos a partir daí. Jorge Amado visitava José Franco, a quem chamava queridinho, sempre que se deslocava a Portugal e a sua casa em Salvador é decorada com peças do artista português.
Álvaro Salema
Em "Navegação de Cabotagem" (apontamentos para um livro de memórias que jamais escreverei", Jorge Amado faz referência a muitos amigos portugueses, como Álvaro Salema que descreve como «O homem mais modesto, o mais tímido, o mais corajoso, o mais leal, o mais digno, Álvaro Salema. Em silêncio se retirou de cena, pouco antes do final da tragicomédia, personificava a decência, já não tinha lugar no palco.»
Álvaro Salema publicou em 1982 o livro "Jorge Amado: o homem e a obra presença em Portugal". Nesta obra é abordado o que representou a obra de Jorge Amado em Portugal, antes e depois de ser considerado um escritor "maldito", excomungado, proibido, e a influência que ela exerceu sobre várias gerações. E é acrescentado também o que é o portuguesismo de Jorge Amado no sentido da sua ligação a Portugal, do que ele já conhece do país e da sua gente.
Arroz doce
A receita de arroz doce utilizada por Zélia Gattai foi-lhe dada por Elisa Salema, esposa do escritor português Álvaro Salema.
Segundo o livro organizado por Paloma Jorge Amado, come-se arroz-doce nas obras “Cacau“, “Jubiabá“, “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e “O Sumiço da Santa“.
Lisboa - Luanda - Bahia
Em Navegação de Cabotagem, quando evoca a sua ida a Angola a convite de Agostinho Neto, em 1979, diz que ao percorrer as ruas de Luanda ou de Lisboa não se sente no estrangeiro – «Luanda, uma das faces da Bahia, a outra é Lisboa».
Jorge Amado tinha com Portugal uma relação especial. Amigos, muitos – Ferreira de Castro, Álvaro Salema, o Chico, (Francisco Lyon de Castro, o editor que mais obras suas publicou, dono de Publicações Europa-América) Beatriz Costa, Fernando Namora, Mário Soares, Ramalho Eanes, Mimi, a dona do modesto restaurante do Parque Mayer, que Jorge preferia a estabelecimentos de luxo.
Sangue Português misturado com o brasileiro
E, se nos romances amadianos quase não há referências a Portugal, a situações aí passadas e a personagens portuguesas, a justificação pode ser encontrada na dedicação quase exclusiva do escritor ao universo baiano da região cacaueira e de Salvador, onde, como ele mesmo explica, na época em que se passam as suas histórias, os portugueses não existiam como imigrantes, embora houvesse sangue português misturado com o brasileiro:
"Em Ilhéus o sangue português estava no sangue sergipano, aqui na Bahia no sangue dos mulatos, da gente da Bahia, do povo. Ao lado disso, havia os árabes [...], imigrantes que tinham chegado mais tarde. A Bahia foi a capital do Brasil, uma cidade portuguesa. Os portugueses iam para lá até uma certa época, depois isso deixou de acontecer, os portugueses chegavam às centenas de milhares para o Rio e São Paulo. Mas não para a Bahia. [...] Há na Bahia mil e poucos portugueses, todos ricos – ricos, quer dizer, não «trabalhadores», são pessoas com comodidades(AMADO, 1992, p. 161-162).
Referência a "O Crime do Padre Amaro" em "Gabriela, Cravo e Canela" (1958)
A personagem Malvina luta para escapar do futuro que lhe é reservado. Um futuro que inclui casamento e filhos e não uma faculdade e trabalho, como gostaria. Malvina quer ser livre. A jovem conquista um grau de autonomia incomum ao seu ambiente através da leitura. Compreendemos aqui a leitura como um ato de transgressão das normas, já que ela lê livros considerados proibidos para mulheres.
Entre as obras lidas por Malvina e tidas como “impróprias” pelos frequentadores da Papelaria Modelo, ponto de encontro dos intelectuais de Ilhéus, está "O Crime do Padre Amaro", de Eça de Queirós.
A leitura, apesar de emancipadora, é vista como “degradante”, pela sociedade patriarcalista da cidade onde transcorre o romance. O acto de ler é, para Malvina, libertador e, ao mesmo tempo, transgressor. (...)
Uma passagem do livro sintetiza nossa ideia da emancipação feminina de Malvina através da leitura. Quando a personagem e suas colegas entram na Papelaria Modelo, Malvina escolhe folhear os títulos de Aluísio de Azevedo e Eça de Queirós, enquanto as demais buscam os livros da Biblioteca das Moças.
Uma colega diz a Malvina que na sua casa tem "O Crime do Padre Amaro" e que, ao tentar lê-lo, seu irmão “disse que não era leitura pra moça”. Malvina fica revoltada e revida: “Por que ele pode ler e você não?”. Malvina compra o romance e desencadeia duas reacções, uma instantânea e outra posterior. A primeira são os comentários dos frequentadores da loja. “Essas moças de hoje... até livro imoral elas compram”, diz um homem. A segunda reacção veio do pai de Malvina, o coronel Melk. O pai vai até a loja e pede ao livreiro João Fulgêncio que não venda mais livros para Malvina que não sejam “de colégio” porque “os outros não servem para nada, só servem para desencaminhar”. Como punição pela audácia, Malvina recebe uma sessão de espancamento com rebenque do coronel."
"Os Velhos Marinheiros ou os Capitães de Longo Curso" (1961)
"Vindo ao mundo na cidade da Bahia em 1868 e órfão aos cinco anos, Vasco Moscoso de Aragão foi criado pelo avô materno, o rico comerciante de origem lusa José Moscoso, que o retira da escola com a idade de apenas dez anos e o mete na casa comercial. Todavia, o pupilo não nascera para o comércio (...)
O actor português Joaquim de Almeida interpretou o "Velho Marinheiro" no filme "O Duelo", dirigido em 2015 pelo realizador brasileiro Marcos Jorge.
"Teresa Baptista Cansada de Guerra" (1972)
Uma das personagens, Joana das Folhas, Joana França, era uma negra idosa, viúva de um português [Manuel França] sítio herdado do compadre Antonio Minhoto.
"Farda, Fardão, Camisola de Dormir" (1979)
Jorge Amado escolheu uma militante comunista portuguesa para ser uma das protagonistas femininas de "Farda, Fardão, Camisola de Dormir", um de seus romances menos conhecidos e dos poucos cuja história não se passa na Bahia.
Maria Manuela é uma militante, comunista, esposa do Conselheiro da Embaixada de Portugal (em Paris) e amante do poeta romântico e boémio Antônio Bruno que morre na capital francesa, abrindo-se uma vaga na Academia Brasileira de Letras, facto que vai desencadear uma verdadeira guerra nos meios intelectuais do Rio de Janeiro;
Misturando personagens fictícios a figuras históricas, Jorge Amado reconstitui de retornar à terra natal. É hora, pois, de Serginho dar as costas à sua Cataguases, cortada pelo rio Pomba, em cujas águas o autor parece ter se inspirado para construir uma prosa de fluxo forte intercalado por rápidos e iluminadores flashbacks. Em Portugal, o passar dos anos será demarcado com extrema subtileza pelo afloramento de uma plêiade de idiomatismos lusos na prosa interiorana de Serginho, revelando a mão segura e inventiva de um dos mais bem-sucedidos autores brasileiros contemporâneos.
"Tocaia Grande" (1984)
Jorge Amado esteve ligado por laços afectivos a Viana do Castelo, tendo granjeado muitos amigos – sendo de destacar Manuel Natário, dono da pastelaria "Natário" em Viana do Castelo, e Nuno Lima de Carvalho, Director da Galeria de Arte do Casino Estoril (mas natural de uma freguesia do concelho de Viana do Castelo), imortalizados em “Tocaia Grande” como “Capitão Natário da Fonseca” e “Frei Nuno”, respectivamente.
Sinopse: "Esta é a história da fundação de uma cidade no sul da Bahia numa época em que as plantações de cacau eram adubadas com sangue. A disputa pela terra e pelo domínio político entre os coronéis Boaventura Amaral e Elias Daltro.
Tudo começa quando Natário da Fonseca quer deixar de ser um simples jagunço para virar coronel. Natário se destaca comandando o “grupo” de Boaventura. Com esse destaque, ele ganha a patente de Capitão e, com isso, algumas terras. Natário começa a plantar cacau e incentiva a fundação de uma nova cidade cujo nome será Tocaia Grande, palco de conflitos com os coronéis de Itabuna que querem continuar dominando a região e não admitem a ascenção de Natário."
"O Sumiço da Santa" (1988)
Por causa de "O Sumiço da Santa" voltam nomes de amigos e o gosto de Jorge Amado por integrá-los na ficção, personagens dos seus romances. Neste livro podemos "ler" Luiz Forjaz Trigueiros, António Alçada Baptista, José Carlos Vasconcelos, Fernando Assis Pacheco. É uma forma de homenagear os seus amigos.
"Para receber a imagem preciosa, o director escolhera Edimilson Vaz, jovem e talentoso etnólogo, auxiliar de confiança. Ele próprio não pudera ir, naquele preciso momento presidia concorrida entrevista colectiva com a imprensa falada e escrita (...) presentes jornalistas da Bahia, os correspondentes de importantes órgãos do Sul do país e, para culminar, o enviado de uma cadeia de jornais portugueses, um certo Fernando Assis Pacheco.
"Navegação de Cabotagem" (1992)
Onde mais e melhor se percebe a importância que Portugal tinha para o escritor e o homem Jorge Amado é no seu livro de memórias, posto que Navegação de Cabotagem está repleto de pequenos fragmentos sobre o país e os seus habitantes.
No conjunto de apontamentos fragmentários e não ordenados cronologicamente que formam essa obra, são mencionados acontecimentos importantes ou comezinhos da história pessoal e profissional do criador de Gabriela, bem como as suas relações afectivas, intelectuais, ideológicas e literárias com os portugueses e Portugal.
Fontes/Mais informações: Jorge Amado, “Navegação de Cabotagem, Apontamentos para um livro de Memórias que jamais escreverei"/ Diário do Minho / RTP / Público / DN / Colóquio 100 anos de Jorge Amado / Arroz doce / Jorge Trabulo Marques / Entrevista a Nuno Lima de Carvalho / A viagem dos Argonautas / Mosqueteiras Literáris (sobre "O Crime do Padre Amaro") Alma Lusa (sobre "O Duelo") / Muxicongo / Estrada dos Livros e Livros e Raquetes (sobre "Farda, Fardão ...")
O actor português Joaquim de Almeida interpretou o "Velho Marinheiro" no filme "O Duelo", dirigido em 2015 pelo realizador brasileiro Marcos Jorge.
"Teresa Baptista Cansada de Guerra" (1972)
Uma das personagens, Joana das Folhas, Joana França, era uma negra idosa, viúva de um português [Manuel França] sítio herdado do compadre Antonio Minhoto.
"Farda, Fardão, Camisola de Dormir" (1979)
Jorge Amado escolheu uma militante comunista portuguesa para ser uma das protagonistas femininas de "Farda, Fardão, Camisola de Dormir", um de seus romances menos conhecidos e dos poucos cuja história não se passa na Bahia.
Maria Manuela é uma militante, comunista, esposa do Conselheiro da Embaixada de Portugal (em Paris) e amante do poeta romântico e boémio Antônio Bruno que morre na capital francesa, abrindo-se uma vaga na Academia Brasileira de Letras, facto que vai desencadear uma verdadeira guerra nos meios intelectuais do Rio de Janeiro;
Misturando personagens fictícios a figuras históricas, Jorge Amado reconstitui de retornar à terra natal. É hora, pois, de Serginho dar as costas à sua Cataguases, cortada pelo rio Pomba, em cujas águas o autor parece ter se inspirado para construir uma prosa de fluxo forte intercalado por rápidos e iluminadores flashbacks. Em Portugal, o passar dos anos será demarcado com extrema subtileza pelo afloramento de uma plêiade de idiomatismos lusos na prosa interiorana de Serginho, revelando a mão segura e inventiva de um dos mais bem-sucedidos autores brasileiros contemporâneos.
"Tocaia Grande" (1984)
Jorge Amado esteve ligado por laços afectivos a Viana do Castelo, tendo granjeado muitos amigos – sendo de destacar Manuel Natário, dono da pastelaria "Natário" em Viana do Castelo, e Nuno Lima de Carvalho, Director da Galeria de Arte do Casino Estoril (mas natural de uma freguesia do concelho de Viana do Castelo), imortalizados em “Tocaia Grande” como “Capitão Natário da Fonseca” e “Frei Nuno”, respectivamente.
Sinopse: "Esta é a história da fundação de uma cidade no sul da Bahia numa época em que as plantações de cacau eram adubadas com sangue. A disputa pela terra e pelo domínio político entre os coronéis Boaventura Amaral e Elias Daltro.
Tudo começa quando Natário da Fonseca quer deixar de ser um simples jagunço para virar coronel. Natário se destaca comandando o “grupo” de Boaventura. Com esse destaque, ele ganha a patente de Capitão e, com isso, algumas terras. Natário começa a plantar cacau e incentiva a fundação de uma nova cidade cujo nome será Tocaia Grande, palco de conflitos com os coronéis de Itabuna que querem continuar dominando a região e não admitem a ascenção de Natário."
"O Sumiço da Santa" (1988)
Por causa de "O Sumiço da Santa" voltam nomes de amigos e o gosto de Jorge Amado por integrá-los na ficção, personagens dos seus romances. Neste livro podemos "ler" Luiz Forjaz Trigueiros, António Alçada Baptista, José Carlos Vasconcelos, Fernando Assis Pacheco. É uma forma de homenagear os seus amigos.
"Para receber a imagem preciosa, o director escolhera Edimilson Vaz, jovem e talentoso etnólogo, auxiliar de confiança. Ele próprio não pudera ir, naquele preciso momento presidia concorrida entrevista colectiva com a imprensa falada e escrita (...) presentes jornalistas da Bahia, os correspondentes de importantes órgãos do Sul do país e, para culminar, o enviado de uma cadeia de jornais portugueses, um certo Fernando Assis Pacheco.
"Navegação de Cabotagem" (1992)
Onde mais e melhor se percebe a importância que Portugal tinha para o escritor e o homem Jorge Amado é no seu livro de memórias, posto que Navegação de Cabotagem está repleto de pequenos fragmentos sobre o país e os seus habitantes.
No conjunto de apontamentos fragmentários e não ordenados cronologicamente que formam essa obra, são mencionados acontecimentos importantes ou comezinhos da história pessoal e profissional do criador de Gabriela, bem como as suas relações afectivas, intelectuais, ideológicas e literárias com os portugueses e Portugal.
Fontes/Mais informações: Jorge Amado, “Navegação de Cabotagem, Apontamentos para um livro de Memórias que jamais escreverei"/ Diário do Minho / RTP / Público / DN / Colóquio 100 anos de Jorge Amado / Arroz doce / Jorge Trabulo Marques / Entrevista a Nuno Lima de Carvalho / A viagem dos Argonautas / Mosqueteiras Literáris (sobre "O Crime do Padre Amaro") Alma Lusa (sobre "O Duelo") / Muxicongo / Estrada dos Livros e Livros e Raquetes (sobre "Farda, Fardão ...")
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Jorge Amado e os ancestrais japoneses (1980)
O prazer de ouvir Luís Forjaz Trigueiros (escritor português) contar histórias, casos, só comparável ao de ler seus contos portugueses. (...)
No tombadilho do navio [durante excursão pelas ilhas gregas] discutiam os dois casais [Forjaz Trigueiros, David Mourão-Ferreira e respectivas esposas], não preciso dizer que acaloradamente, de outra maneira não discutem os portugueses, discutiam poesia, assunto explosivo, sob a vista de um grupo de japoneses postados atentos na amurada.
No auge do debate, um dos japoneses aproxima-se dos polemistas e a eles se dirige:
- Estão falando português, não é verdade ? De onde são ?
- De Portugal, ora pois, somos portugueses – contesta David Mourão.
O rosto nipónico se abre em sorriso brasileiro:
- São portugueses... – anuncia ao grupo na expectativa: - .. são nossos ancestrais.
Nossos ancestrais. Pensando nas epopeias lusas no oriente, coitos monumentais, ignotas descendências, Luís Forjaz deseja saber se ‘por acaso eles têm sangue português nas veias asiáticas, um navegador de passagem na rota das descobertas, quem sabe ?’
- Sangue português ? Nós ? Não. Somos brasileiros nascidos em São Paulo, os portugueses são antepassados dos brasileiros – ensina: - São nossos bisavós.
De todos os brasileiros, com certeza. Filha de pai e mãe italianos, Zélia sente-se em casa na cidade de Lisboa, é estrangeira em Florença, onde nasceu seu pai, no Vêneto, terra de sua mãe.
Fonte: Jorge Amado, “Navegação de Cabotagem - Apontamentos para um livro de Memórias que jamais escreverei"
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Jorge Luís Borges e as suas raízes portuguesas

Jorge Luís Borges (1899-1986), famoso escritor argentino, sempre se orgulhou das suas raízes portuguesas e interessou-se muito pelos antepassados quando visitou o nosso país, em 1921 e 1984. Sabia-se que o seu bisavô, Francisco Borges, saíu um dia de Torre de Moncorvo com destino ao Rio da Prata [Argentina].
Rondaria os vinte e dois anos quando visitou Portugal. Em 1921, Jorge Luís Borges findava uma estadia de três anos em Espanha. É então que chega ao nosso país com o propósito de encontrar esses seus “mayores”, a “vaga gente” do seu sangue.
Cinquenta anos mais tarde, contará numa entrevista como tentou auscultar o paradeiro da família do seu bisavô português. “Quando consultámos a lista telefónica, havia tantos Borges que era como se não existisse nenhum”.
Em Torre de Moncorvo, o escritor dá hoje nome a uma avenida moderna.
Fontes: DNA, Tiago Rodrigues
Os Borges
Nada ou pouco sei dos meus ancestrais
Portugueses, os Borges: vaga gente
Que na minha carne, obscuramente,
Prossegue seus hábitos, temores e rituais.
Ténues como se nunca houvessem existido
E alheios aos trâmites da arte,
Indecifravelmente fazem parte
Do tempo, da terra e do que é esquecido.
Melhore assim. Cumprida a odisseia,
São Portugal, são a famosa gente
Que forçou as muralhas do Oriente
E se deu ao mar e a outro mar de areia.
São o rei que no místico deserto
Se perdeu mas jura estar perto.
(tradução de José Mário Silva)
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
“Ironbound/Fancy Poultry” (1987) de Suzanne Vega e "Murmúrios Urgentes (1994)
Ironbound é o nome de uma zona de Newark (New Jersey) onde reside uma grande comunidade portuguesa. A cantora norte-americana Suzanne Vega incluiu no seu álbum “Solitude Standing” a canção “Ironbound/Fancy Poultry”.
“tinha visto algumas mulheres portuguesas na zona de Newark, conhecida por Ironbound, em New Jersey, perto do local onde moro [do outro lado do rio para quem vive em Nova York], e elas pareceram-me muito bonitas e femininas e isso fez-me sentir como se estivesse muito longe, num lugar romântico e acolhedor como Portugal."
O livro “Murmúrios Urgentes” de Fátima Castro Silva, antiga colaboradora do jornal Blitz, é dedicado à cantora norte-americana, incluindo entrevistas e traduções das suas letras.
Video (início: 3 min 44 seg)
Excerto da letra (tradução):
“Na secção de Ironbound
Perto da Avenida L
Onde as mulheres portuguesas
Vêm ver o que está à venda.”
“Murmúrios Urgentes” - Depoimento de Manuel Hermínio Monteiro (Assírio & Alvim)
“É um livro muito especial e com uma história. É como se o observador e o observado escrevessem uma só imagem que não seria de espelho por não ser melhor e mais verdadeira. É como as obras de piano para quatro mãos.
A explicar: Fátima Castro Silva gostou de Suzanne Vega. Entrou em contacto com ela. Ela respondeu. A Fátima propôs-lhe um livro. Ela disse-lhe que sim. Começaram a trabalhar. Suzanne Vega entusiasmou-se. Encontram-se em Lisboa, em Londres, em Madrid e finalmente com bastante mais demora em Nova Iorque. Tomaz Rêde fotografou.
A autora de 99.9 Fº faz sugestões. Entrega inéditos da adolescência. Fotografias de miúda. Dialoga com a Fátima, intervém na construção do livro. Acrescenta-lhe novos dados, outras fotografias. Sabei que este não é como os outros livros, nem sequer como os da mesma colecção. É um livro muito especial que revela a surpreendente personalidade de Suzanne Vega. Não chegou a ser subsidiário das suas cantigas. Quem o ler vai gostar muito. […]”
Regravação em 2017
“Ironbound/Fancy Poultry” foi incluído no álbum "Close-Up, Vol. 2: People & Places" que consiste em regravações do repertório da cantora norte-americana.
Impressões de Portugal
Em Portugal, onde chegou a ser apelidada de "a menina da rádio", o impacto deste álbum ["Solitude Standing" de Suzanne Vega ficou sublinhado pela sua visita ao Palácio de Belém em 1988, a convite do Presidente da República Mário Soares.
Numa entrada do seu diário, datada de dezembro de 1993 e publicada em 2000 no seu website (incluída no livro "The Passionate Eye: The Collected Writings of Suzanne Vega"), a cantora americana recorda o momento, que descreve como inesperado.
Neste texto intitulado "Impressões de Portugal", Suzanne Vega partilha as memórias que guarda de Portugal e dos portugueses, sem esquecer a amabilidade de Mário Soares. "Fui convidada, em 1988, para visitar o Presidente Soares no seu Palácio, o que me surpreendeu porque não estou habituada a este tipo de convites de alta importância", escreveu a artista, acrescentando ainda que "o Presidente foi muito amável, mas não falávamos a língua um do outro. Sorrimos muito".
"Fui com um representante da minha editora, o meu namorado e o meu manager", prossegue o desfile de memórias. "Sentámo-nos uns ao lado dos outros, conversámos durante alguns minutos, tirámos fotografias e depois levantámo-nos e começámos a vaguear pelo palácio, que é tão bonito que parece um museu". Ainda neste registo, Vega refere-se à forma como o público português a recebia, então, nos concertos.
Sobre "Ironbound/Fancy Poultry", música presente em "Solitude Standing" e que começa com uma referência às mulheres portuguesas, a cantora americana nota o seguinte: "Quando toco esse tema, as oito mil pessoas presentes na assistência, seja em Lisboa, Porto ou Cascais, aplaudem, gritam, cantam comigo e, felizes, levantam os braços e festejam".
Fonte: Blitz
Mais informações sobre a ligação a Portugal: The Wandrinstar (David Furtado) + Site oficial
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
"Sonnets from the Portuguese" de Elizabeth Barrett Browning (1847)

Elisabeth Barrett, mais tarde Browning, por casamento com o poeta Robert Browning, é o nome mais alto da poesia inglesa vitoriana. Numa época de austeridade, tornou-se a poeta do amor por excelência, legando aos vindouros alguns dos mais belos sonetos escritos em língua inglesa.
Os "Sonetos Portugueses" reflectem todo o alvoroço da sua paixão por Robert, as incertezas, as dúvida e a felicidade que esse amor lhe trouxe. Dado o carácter tão pessoal da obra, Elisabeth não desejava publicar estes sonetos, mas Robert persuadiu-a e sugeriu-lhe um título que indiciasse que os poemas eram simples traduções do português...
A primeira edição é de 1847 e é anónima, só após a sua morte os poemas foram publicados com o seu nome.
Fonte: Paula Cruz
Influência de Camões
Elizabett Barrett Browning foi a autora do famoso poema "Caterina to Camoens", um dos preferidos de Robert, o que a terá influenciado a escrever os "Sonetos Portugues" com base na tradição camoniana.
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sexta-feira, 8 de agosto de 2008
"Uma Casa em Portugal" de Richard Hewitt (1999)
Richard Hewitt cresceu na zona da baía de São Francisco e estudou em oito universidades diferentes, incluindo as Universidades de Beirute e de Viena e a Universidade da Califórnia, em Berkeley. Foi jogador profissional de golfe, bombeiro, arquitecto e tradutor de diversas línguas. Ele e a mulher, Barbara, uma conhecida pintora, dividem a sua vida entre Massachusetts e Sintra
"Uma Casa em Portugal" ("A Cottage in Portugal") foi publicado em 1999, tendo por base a sua vivência em terras lusas.
Sinopse
Para escapar ao inverno rigoroso da Nova Inglaterra, Richard e Barbara Hewitt decidem comprar uma casa com 300 anos situada numa aldeia minúscula nos arredores de Lisboa. Assim começam as aventuras - e as desventuras - do casal. Em breve descobrem que a sua pitoresca casa de sonho é não apenas estruturalmente frágil, como não possui nenhuma das condições básicas de conforto. Por outro lado, o contacto com a população local revela-se frequentemente desconcertante. António, o auto-proclamado mestre pedreiro e carpinteiro, mostra-se exímio na arte de arranjar desculpas para faltar ao trabalho, e Alberto, o electricista, desempenha as suas funções de uma forma extremamente 'sui generis', isto é, por tentativa e erro.
Servido por um humor irresistível e, afinal, por uma ternura muitas vezes tocante pelas coisas portuguesas, "Uma casa em Portugal" irá certamente deliciar o leitor.
As considerações de Richard Hewitt sobre a "lógica singular" do estilo de vida português surgem impregnadas dessa frescura que é apanágio dos observadores estrangeiros, capazes de se espantarem com um sem número de idiossincrasias e peculiaridades que nos passam despercebidas...
Fonte: Gradiva
Depois do sucesso de "Uma Casa em Portugal", Hewitt publicou "Regresso à Casa em Portugal"
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quarta-feira, 30 de abril de 2008
Joaquin Sabina e os "Pájaros de Portugal" (Espanha, 2005)
“Pájaros de Portugal” conta a estória de dois adolescentes espanhois que, em 1998, fugiram de casa para vir a Portugal, à boleia, para ver o mar.



A canção

Sobre a canção, referiu Joaquín Sabina que “Nem sempre há explicação para as canções, mas no caso de 'Pájaros de Portugal' teve origem num 'fait divers'. Há cerca de dez anos fugiram de suas casas em Tarragona dois jovens de 14 ou 15 anos. Como o país vivia num clima de medo, julgou-se que poderiam ter sido assassinados ou violados. Mas nada disso tinha acontecido: apenas queriam ver o mar ... Sim, às vezes as canções são inspiradas em notícias (...) Quando li a notícia pensei logo que daria uma canção, contudo apenas passados 8 anos, quando já estava meio esquecida, é que surgiu a inspiração”
Fonte: elmundo

"Quem quiser saber quem é um dos maiores 'songwriters' da península ibérica pode começar pela canção 'Pájaros de Portugal' do seu disco 'Alivio de luto'. Ouçam a canção, leiam a letra, vejam Lisboa no vídeo, tentem dar-se conta do domínio súbtil e natural das palavras, e depois ouçam/vejam os comentários do próprio autor. Avisa-se desde já que ele tem melhor, muitas coisas muito melhores sem desmerecer a canção, que para um admirador português de Sabina sempre é comovedor ouvir-lo cantar esta história, de Aberlado e Eloysa, que escaparam para Portugal com o fim de ver o mar, e ao voltar (virgens ao que parece) contaram que lhes havia parecido mais triste do que na televisão... Depois de enternecidos busquem atrás, esperem pelo que ainda há de vir, porque há de vir. Vale a pena"
Fonte: net
Letra:
No conocían el mar
y se les antojó más triste
que en la tele, pájaros de Portugal
sin dirección ni alpiste
ni papeles. (...)
Devuélveme el mes de abril,
se llamaban Abelardo y Eloisa,
arcángeles bastardos de la prisa.
Alumbraron el amanecer muertos de frío,
se arroparon con la sensatez del desvarío
tuyo y mío de vuelta al hogar,
qué vacío deja la ansiedad.
Qué vergüenza tendrán sus papás.
Sin alas para volar,
prófugos del instituto,
y de la cama, pájaros de Portugal,
apenas dos minutos
mala fama.
Luego la guardia civil
les decomisó el sudor
y la sonrisa, las postales de Estoril
sin posada, sin escudos
y sin visa.
Se llamaban Abelardo y Eloisa. (...)
video: "Pájaros de Portugal"



A canção

Sobre a canção, referiu Joaquín Sabina que “Nem sempre há explicação para as canções, mas no caso de 'Pájaros de Portugal' teve origem num 'fait divers'. Há cerca de dez anos fugiram de suas casas em Tarragona dois jovens de 14 ou 15 anos. Como o país vivia num clima de medo, julgou-se que poderiam ter sido assassinados ou violados. Mas nada disso tinha acontecido: apenas queriam ver o mar ... Sim, às vezes as canções são inspiradas em notícias (...) Quando li a notícia pensei logo que daria uma canção, contudo apenas passados 8 anos, quando já estava meio esquecida, é que surgiu a inspiração”
Fonte: elmundo

"Quem quiser saber quem é um dos maiores 'songwriters' da península ibérica pode começar pela canção 'Pájaros de Portugal' do seu disco 'Alivio de luto'. Ouçam a canção, leiam a letra, vejam Lisboa no vídeo, tentem dar-se conta do domínio súbtil e natural das palavras, e depois ouçam/vejam os comentários do próprio autor. Avisa-se desde já que ele tem melhor, muitas coisas muito melhores sem desmerecer a canção, que para um admirador português de Sabina sempre é comovedor ouvir-lo cantar esta história, de Aberlado e Eloysa, que escaparam para Portugal com o fim de ver o mar, e ao voltar (virgens ao que parece) contaram que lhes havia parecido mais triste do que na televisão... Depois de enternecidos busquem atrás, esperem pelo que ainda há de vir, porque há de vir. Vale a pena"
Fonte: net
Letra:
No conocían el mar
y se les antojó más triste
que en la tele, pájaros de Portugal
sin dirección ni alpiste
ni papeles. (...)
Devuélveme el mes de abril,
se llamaban Abelardo y Eloisa,
arcángeles bastardos de la prisa.
Alumbraron el amanecer muertos de frío,
se arroparon con la sensatez del desvarío
tuyo y mío de vuelta al hogar,
qué vacío deja la ansiedad.
Qué vergüenza tendrán sus papás.
Sin alas para volar,
prófugos del instituto,
y de la cama, pájaros de Portugal,
apenas dos minutos
mala fama.
Luego la guardia civil
les decomisó el sudor
y la sonrisa, las postales de Estoril
sin posada, sin escudos
y sin visa.
Se llamaban Abelardo y Eloisa. (...)
video: "Pájaros de Portugal"
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segunda-feira, 10 de março de 2008
"Seara de Vento" de Manuel da Fonseca (1958)

"Em Bratislava (na Eslováquia) encontrei um operário da indústria pesada (na sua casa, que visitei, havia uma biblioteca de mais de três mil livros) cuja preocupação imediata era aprender francês para ler Corneille no original. As excelentes traduções não lhe bastavam.
E em Terezín, numa granja agrícola, um camponês mostrou-me orgulhosamente, a versão checa da “Seara de Vento”, de Manuel da Fonseca – um entre vários outros escritores portugueses que possuía numa sala apenas destinada a livros. Falou-me de Amanda Carrusca, a velha camponesa da “Seara...”, como quem fala de uma tia distante mas sempre próxima. ‘O seu povo é assim, meu amigo ? – perguntou-me. – O seu povo é como Amanda Carrusca ?’"
Fonte: Baptista-Bastos, “Capitão de Médio Curso” (*)
(*) Ensaio de biografia publicado em 1978, que se dividia em três áreas: “no curso doméstico”, “No curso da amizade” e “No curso das Viagens”.

Manuel da Fonseca, verdadeiro clássico do romance neo-realista português, além de poeta e contista, escreveu o romance "Seara de Vento" (1958), obra famosa pela apreensão de aspectos da vida dos camponeses no plano da ficção, em que o tratamento da antinomia cidade-campo é bem diverso do uso tradicional.
(...)
Em "Seara de Vento", de Manuel da Fonseca, dois personagens se impuseram: o vento (antropomorfizado) e Amanda Carrusca, mulher pequena, esquelética, mas indomável na força anímica que desde o inicio evidencia.
Fonte: passeiweb
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quinta-feira, 6 de março de 2008
“Nazaré” – peça radiofónica de Katharina Franck (2007)
“Nazaré - não a terra, mas a mulher”, uma peça radiofónica encomendada pela Bayern 2 Rádio, é transformada pela sua autora Katharina Franck juntamente com o músico Nuno Rebelo numa performance ao vivo aclamada, um tributo a Portugal de grande intensidade narrativa.” (Christian Deutschmann. Frankfurter Allgemeine Zeitung, 27 de Abril 2007).
Este espectáculo será apresentado em Portugal durante o mês de Abril de 2008 (em Lisboa, Viseu, Fundão).

"Fui convidada para escrever sobre a importância da Rádio. Lembrei-me do 25 de Abril 1974. Eu tinha 10 anos e vivia em Lisboa. Com uma visão muito pessoal desse momento histórico, quero afirmar que as nossas vidas pessoais, os nossos anseios e paixões, podem fazer parte da História.
Ficcionei parte da vida da Nazaré, que, à época, era a nossa empregada doméstica. Uma mulher portuguesa forte, independente e culta.
Não é uma reflexão politicamente correcta acerca da revolução, Não sou nem jornalista nem especialista em assuntos de política. Tenho questões pessoais com Portugal e com os portugueses. Escrevi um relato apaixonado sobre este país e o seu povo, ainda que se possa pensar o contrário no início do texto.
A descrição da sociedade portuguesa da época é baseada nos relatos dos meus pais e num livro de Kurt Meyer Clason – então director do Goethe Institut. Vi documentários sobre o Portugal pré e pós-revolucionário nos inestimáveis DVDs publicados pelo Expresso. Citações de Sophia de Mello Breyner Andresen, António Lobo Antunes e Herberto Hélder marcam clivagens na vida de Nazaré.
Quis para o texto uma música especial. Nuno Rebelo não só é um amigo desde esses anos de adolescência, é também um dos poucos músicos experimentais de cujo trabalho gosto verdadeiramente. O seu som é quente e cheio, cheio de significado também, sempre lúdico e profundamente artístico, sem se tornar pretensiosamente intelectual. Mal fala alemão, mas compreendeu imediatamente o significado e o meu estilo de narrativa, intuitivamente
Fonte: Página Oficial
Este espectáculo será apresentado em Portugal durante o mês de Abril de 2008 (em Lisboa, Viseu, Fundão).

"Fui convidada para escrever sobre a importância da Rádio. Lembrei-me do 25 de Abril 1974. Eu tinha 10 anos e vivia em Lisboa. Com uma visão muito pessoal desse momento histórico, quero afirmar que as nossas vidas pessoais, os nossos anseios e paixões, podem fazer parte da História.
Ficcionei parte da vida da Nazaré, que, à época, era a nossa empregada doméstica. Uma mulher portuguesa forte, independente e culta.
Não é uma reflexão politicamente correcta acerca da revolução, Não sou nem jornalista nem especialista em assuntos de política. Tenho questões pessoais com Portugal e com os portugueses. Escrevi um relato apaixonado sobre este país e o seu povo, ainda que se possa pensar o contrário no início do texto.
A descrição da sociedade portuguesa da época é baseada nos relatos dos meus pais e num livro de Kurt Meyer Clason – então director do Goethe Institut. Vi documentários sobre o Portugal pré e pós-revolucionário nos inestimáveis DVDs publicados pelo Expresso. Citações de Sophia de Mello Breyner Andresen, António Lobo Antunes e Herberto Hélder marcam clivagens na vida de Nazaré.
Quis para o texto uma música especial. Nuno Rebelo não só é um amigo desde esses anos de adolescência, é também um dos poucos músicos experimentais de cujo trabalho gosto verdadeiramente. O seu som é quente e cheio, cheio de significado também, sempre lúdico e profundamente artístico, sem se tornar pretensiosamente intelectual. Mal fala alemão, mas compreendeu imediatamente o significado e o meu estilo de narrativa, intuitivamente
Fonte: Página Oficial
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