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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

“O Clube Dumas” de Arturo Pérez-Reverte (1993)


Um caçador de livros antigos procura os poucos volumes existentes de uma obra cujas imagens podem abrir as próprias portas do Inferno. Acontece é que um desses livros se encontra nas mãos de um coleccionador privado, em Sintra. O “Clube Dumas” transporta-nos para lá.

Uma das epígrafes que encabeça os capítulos [capítulo VII] é retirado de “O Crime da Estrada de Sintra”, de Eça Queiroz e Ramalho Ortigão, revelando um interesse do autor não só pela geografia, como pela literatura lusitana.


"As nove portas"

Lucas Corso, procura a autenticidade de um dos exemplares de "As nove portas", encadernação de 1666 por Aristide Torchia, a mando do livreiro Varo Borja. Esta procura vai levá-lo aos outros dois exemplares conhecidos.

O segundo encontra-se em Sintra, propriedade do bibliófilo Victor Fargas e o terceiro, em Paris, propriedade da Baronesa Frida Ungern, uma viúva fascinada pelo oculto.

Após o contacto de Corso com os dois proprietários, estes são assassinados e os livros destruídos ou roubados. Não sem antes, Corso poder compará-los e verificar que oito das nove gravuras existentes nos livros, tinham diferenças entre si.

Curiosidades

A colecção de Victor Fargas inclui a 1ª edição - em 4 volumes - de "Os Lusíadas" de Luís de Camões (Ibarra 1789)

"Club Dumas" foi nomeado para os prémios Anthony, Macavity e World Fantasy.

O filme "A nona porta" (1999) de Roman Polanski (1999) foi baseado neste livro de Reverte.

Fontes: Filipe d’Avillez, Revista “Os Meus Livros” (adaptado) / wikipedia / Clorofórmio do Espírito

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Passagem por Lisboa em "As Últimas 36 Horas" de George Seaton (1965)


"36 Hours" é um filme norte-americano realizado por George Seaton, com argumento adaptado de um conto de Roald Dahl, que foi parcialmente rodado em Lisboa.

Sinopse

O major Pike (James Garner) é enviado à Lisboa para se encontrar com um espião alemão e descobrir o que ele sabe sobre o Dia D, alguns dias antes do previsto para o desembarque.

O major conhece todos os detalhes da operação e quer conferir se os alemães sabem de alguma coisa. Mas Pike é raptado e enviado drogado à Alemanha, onde os nazis montam uma sofisticada base, simulada como um hospital norte-americano.

Ao acordar, com os cabelos pintados de grisalho, os nazis convencem Pike de que ele está em 1950, e que não se lembra dos últimos seis anos por estar a sofrer de amnésia. Pensando que a guerra já tinha acabado, Pike não guarda mais segredo da operação. E revela aos nazis disfarçados que o desembarque do Dia D será na Normandia.

Mas os seus raptores descuidam-se e dão, assim, a oportunidade a Pike de corrigir o seu erro.

Imagens do filme disponibilizadas no Youtube por C4pt0m3nt3 ("Cristiano Ronaldo, Vinho e Vasco da Gama"







Lisbon Cha Cha



A banda sonora, da autoria do famoso compositor Dimitri Tiomkin, inclui os temas "Ticket to Lisbon / Lady in Black" e "Lisbon Cha Cha".

Fontes: wikipedia / Imdb / Notrecinema

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Jogo de espiões em "Tempestade em Lisboa" de George Sherman (1944)

Ponto nevrálgico de rotas marítimas e aéreas, Lisboa reforçou a sua posição no “mapa-mundo norte americano” a partir do momento em que na grande produção "Casablanca" (1942) de Michael Curtiz, a cidade constitui o destino onde muitos desejavam chegar desesperadamente.

"Storm over Lisbon” pode ser lido como uma continuação de "Casablanca", porque o espectador é levado finalmente à cidade à qual a maioria dos refugiados de Casablanca desejam chegar.

Uma cidade que é de novo um ninho de várias proles de espiões aliados e do Eixo, estabelecidos no entanto de forma menos improvisada. O bar Rick’s de Rick Blaine.(Humphrey Bogart) é substituído pelo casino de Deresco’s de Deresco (Eric von Stroheim), um escroque que vende pelo melhor preço informações de qualquer espécie que interesse a qualquer serviço secreto. Em "Casablanca" o herói é o dono de um "night club". Em Lisboa, o casino pertence ao vilão.


De novo, conseguir um bilhete de avião desta vez para Nova Iorque, é o destino mais ambicionado por qualquer refugiado europeu e o móbil dos crimes e dos jogos de interesse.

Em Casablanca, Victor Lazlo, importante líder da resistência checa, procurava obter “letters of transit” para poder voar para Lisboa.Em “Storm over Lisbon”, a dançarina checoslovaca Maritza (interpretada por Vera Ralston) também faz tudo para conseguir um bilhete para o “clipper” que parte de Lisboa para Nova Iorque.

O circuito de evasão europeu, segundo Hollywood, estava completo.


Sinopse

Deresco (Erich Von Stroheim) é proprietário de um casino em Lisboa. Apesar de Portugal ser um pais neutral, ele actua como espião free-lancer para quem lhe pagar o seu preço.

O escritório de Deresco está situado no alto de uma torre-prisão que comunica com o casino por um elevador digno de um arranha-céus de Nova Iorque donde são lançados os corpos dos espiões mais incómodos.

Deresco tenta impedir, com a ajuda da dançarina checa Maritza (Vera Ralston), que o jornalista americano John Craig (Richard Arlen) saia de Portugal com um microfilme secreto sobre as actividades japonesas na Birmânia.


Bill Flanagan (Robert Livingston), um piloto americano e Craig (Richard Arlen) são salvos por Maritza que se enamora do primeiro, depois de inúmeras aventuras.

Na verdade Maritza é um contra-agente enviado para desmascarar as actividades de Deresco.

Maritza dá a conhecer às autoridades portuguesas as actividades de Deresco, tendo o apoio do “Ministério da Justiça” nas suas actividades de contra-espionagem em favor dos Aliados.

No final, Bill e John embarcam num clipper para Nova Iorque e convidam Maritza para segui-los.

Na última cena do filme, Maritza recusa a oferta para permanecer na Europa ao serviço da contraespionagem e desaparece lentamente ao som de uma música melancólica de cavaquinhos, em jeito de fado.

É criada assim uma visão norte-americana da Europa ocupada constituída por um labirinto de cidades pelas quais têm que passar os felizes eleitos que chegam aos EUA. Cidades onde, apesar de oficialmente neutrais, o perigo nazi é bem presente.

Imagens de Portugal

À semelhança de “One Night in Lisbon”, Lisboa só é vista à luz do dia a partir de imagens retiradas de documentários da época que muito rapidamente oferecem algumas instântaneas da cidade.

Mais uma vez a Praça do Rossio, um detalhe de calçada à portuguesa e uma vista das grades da Praça Luis de Camões que com o seu desenho semelhante à Cruz de Cristo transmitem subliminarmente a impressão de que os protagonistas chegaram a uma cidade ibérica e católica.

Em tudo o que resta do filme, Lisboa é representada sempre à noite, o que terá ajudado certamente a limitar o budget do filme.


A acção desenrola-se em cinco lugares distintos da cidade: o Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo, o casino-torre de Deresco, o esconderijo subterrâneo de Craig, uma zona arborizada ao longo do Tejo e um bar típico.

Do alto da torre, Deresco explica ao espião Alexis Vandelyn antes de considerar matá-lo e lançá-lo ao rio Tejo, que dali é possível apreciar “one of the most exciting views of the world”.

No filme, duas americanas de meia idade que chegam ao casino do Estoril e exclamam: “It’s better than Montecarlo. Montecarlo never had a Deresco’s. Such a finesse!”.


A sala do casino e os cenários das coreografias das danças de Maritza não escapam a um gosto orientalizante, reminiscências da visão norte-americana de Portugal do século XIX e ao mesmo tempo da aproximação ao aspecto do Hotel do parque do Estoril da época.

O bar típico de Lisboa possui unicamente mesas com toalhas aos quadrados e o gerente, mais bem um taberneiro, tem colocado na cabeça um barrete parecido com os gorros típicos dos campinos do Ribatejo.

A todos estes elementos cenográficos é associado um elemento sonoro desconcertante pela sua ausência de relação com Lisboa. Um grupo de três rufias de bigode, lenço ao pescoço e boné, que não são mais do que agentes de segurança locais, passeia-se pelos bares. Tocam sempre, sem cantarem, o mesmo vira do Minho: “Meninas vamos ao vira!”. Uma canção oriunda de uma província bem distante mas que refere as “meninas de Lisboa”.


Recriação de Lisboa

Foi talvez para a recriação do primeiro lugar que os cenaristas da republic Pictures trabalharam mais detalhadamente. Na verdade, a ponte-embarcadouro e a fachada fluvial da estação são primorosamente imitadas.

Para esta reconstituição terá sido fundamental um documentário de actualidades da série "The March of Time" produzido em 1943 e hoje disponível no Steven Spielberg Movie and Film Archive destinado, entre outros objectivos, a dar conta da actividade da ligação da Pan American Airways em Lisboa.

A inspiração para a cenografia da torre do Deresco’s terá sido obtida a partir de outro documentário da série "The March of Time" hoje disponível no arquivo da HBO e provavelmente da interpretação livre a partir de postais ilustrados da Torre de São da Casa O’Neil (ou de Santa Marta) e do farol de Santa Marta em Cascais e mesmo da Torre de Belém.

Fontes: Dr. João Mascarenhas Mateus, “Uma Cidade de Espionagem Internacional. Lisboa segundo Hollywood” / Allmovie

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Lisboa como cidade de Espionagem Internacional em "Uma noite em Lisboa” de Edward H. Griffith (1941)

Com a posição de neutralidade de Portugal na Segunda Guerra Mundial, Lisboa ganhou uma nova imagem - a de cidade de espionagem internacional e de diplomacia mundial.

As primeiras produções de Hollywood que usam Lisboa no seu título, apresentam a cidade com uma mistura de clichés tardo-orientalistas, de cosmopolitismo e de atraso próprio dos estereótipos associados ao mundo ibérico e ibero-americano.

É no entanto surpreendente o esforço aplicado na reconstituição de alguns espaços e edifícios da cidade e dos seus arredores. A imagem de cidade misteriosa, com caves de vinho e impregnada de música nostálgica marcará futuras produções cinematográficas internacionais sobre Lisboa e sobre Portugal.

Contexto

“Uma noite em Lisboa” foi estreado em Maio de 1941 (sete meses antes da entrada dos Estados Unidos na Guerra), sendo o guião baseado na peça de teatro “There’s Always a Juliet” de John Van Druten.

Antes de ser adaptada a cinema, a obra tinha obtido já um grande sucesso no teatro no inicio da década de 30. O filme foi adaptado ao contexto bélico e propagandístico do momento, pelo que acabou por ter pouco a ver com a peça de teatro.

Sinopse

No filme, a dinâmica da história leva os três protagonistas a Lisboa, onde Leonora Pettycote (Madeleine Carroll), motorista voluntária do ministro da guerra inglês deverá entregar uma mensagem ao embaixador britânico.

O comandante Peter Walmsley (John Loder) e o norte-americano Dwight Houston (interpretado por Fred MacMurray) acabam por a salvar de um rapto perpetrado pelos serviços secretos alemães que tentam capturar a mensagem.

O texto da missiva é também altamente simbólico:"Of all forms of caution, caution in love is the most fatal", numa alusão indirecta à importância que os E.U.A. deveriam dar à escolha dos seus aliados no caso de entrarem na Guerra.

Em linhas gerais o que se mantém na transferência do teatro para o cinema é o amor entre uma inglesa e um americano cosmopolita, as diferenças nas atitudes amorosas entre a púdica inglesa e o desinibido americano, simbolicamente a atracção de aliança entre a Grã-Bretanha e os EUA.



Recriação de Lisboa

Reconstruída em estúdio não tem nada que ver com a Lisboa real, mas transmite uma impressão simultaneamente idílica e quase tropical. Algumas ruas de Lisboa quase que se assemelham com ladeiras do Funchal.

Lisboa só é vista à luz do dia a partir de imagens retiradas de documentários da época.

Lisboa é dada a conhecer numa primeira e fugitiva imagem aérea que mostra os embarcadouros do Tejo e a Praça do Rossio. Segue-se uma vista panorâmica de Lisboa em que Dwight a Leonora observam antes de entrar no hotel em que ficam hospedados.

A referência ao vinho está presente nas cenas “underground” ambientadas em caves repletas de barris. No clube nocturno uma música melancólica que se assemelha a algo parecido com o fado pretende constituir mais uma nota identitária.

Imagem de Lisboa

As visões da cidade que são oferecidas ao espectador são de dois tipos. Uma primeira consiste no enunciar das ideias pré-concebidas que o guionista pensava serem as que os americanos e ingleses tinham de Lisboa.

Um segundo tipo de impressões são outras que se obtêm através da acção que supostamente decorre em Lisboa. Por outras palavras, o guião é estruturado de forma a “corrigir” em parte as imagens construídas que americanos e ingleses tinham sobre Lisboa.

A primeira ideia de Lisboa é colocada na “boca” de Florence, a velha criada de Leonora. Ela representa a inglesa que nunca tinha viajado e que conhecia o mundo através do prisma victoriano.

Quando Leonora pergunta: "Com que se parece Portugal ?”, Florence responde "Produzem vinho e as mulheres fazem todo o trabalho. Mas deve ser muito bonito. Ouvi dizer que não é muito moderno. O Sol tem muita importancia. Não devo gostar disso”.

Imagem politicamente correcta

O filme pretende oferecer obviamente uma imagem politicamente correcta de Portugal e de Lisboa. Praticamente em nenhum momento se chama a atenção para situações de atraso civilizacional, a não ser um carro puxado por um cavalo e outro por uma parelha de bois com a sua canga.

Em Lisboa, pode-se passar um romântico fim-de-semana, chegar e partir em avião. Os hoteis são bons (poucos para a quantidade de pessoas que chegam à cidade), os clubes nocturnos ao nível dos melhores da Europa. Nas palavras de Dwight : “Portugal is a country still at peace with people having fun and still laughing. Bright sun and blue sea. Great castles made of tiles looking like jewels”.

Curiosidade

Como os Estados Unidos ainda não tinham entrado na Guerra, as mensagens são de solidariedade com os sofrimentos causados com os bombardeamentos de Londres e de ajuda pronta dos Estados Unidos. O protagonista americano ajuda apenas a protagonista inglesa a resistir aos alemães.

A polícia portuguesa não parece imiscuir-se nas actividades dos vários representantes das nações em conflito.

Não aparece um único actor português. Só o taxista pronuncia um "Sim senhor" em verdadeiro português.

Nem a cantora de fado é portuguesa, sendo interpretada por Antoinette Valdez.

O actor franco-romeno Marcel Dalio, recepcionista do hotel em “One night in Lisbon” será o croupier de “Casablanca” (1942).

Participaram igualmente outros actores europeus de prestígio como os ingleses Edmund Gwenn e Dame May Whitty.

Fontes/Mais informaçoes: Dr. João Mascarenhas Mateus, “Uma Cidade de Espionagem Internacional. Lisboa segundo Hollywood” (adaptado) / TCM / Allmovie

quarta-feira, 27 de abril de 2011

"The Lisbon Crossing" de Tom Gabbay (2007)

"Encontro em Lisboa" é o segundo livro do escritor norte-americano Tom Gabbay protagonizado por Jack Teller (o primeiro "The Berlin Conspiracy" foi publicado em 2006 e o terceiro "The Tehran Conviction" foi editado em 2009).

Estamos no Verão de 1940 e a Europa está sob o jugo da máquina de guerra nazi. Jack Teller chega a Lisboa, cidade neutra, pelo braço da estrela de cinema Lili Stern, para ajudar a procurar a sua amiga de infância, Eva Lange.

Tendo fugido do terror nazi, crê-se que Eva esteja escondida por entre os milhares de refugiados desesperados que caíram sobre Lisboa. Mas Jack não é o único no seu encalço. O melhor detective de Hollywood, Eddie Grimes, estivera a tratar do caso - até aparecer morto.

Em vez de respostas, Jack põe a descoberto uma série de mistérios que vão desde os glamorosos clubes nocturnos do Estoril até às ruelas húmidas e perigosas de Lisboa.

Por entre espiões alemães e jornalistas ingleses, e enquanto fazem de detectives, Lili e Jack vão-se cruzando com personagens como o Capitão Catela, fiel seguidor do regime de Salazar mas que não resiste a uma boa quantia em dinheiro, o aristocrata de Cascais, Ricardo Espírito Santo ou os Duques de Windsor.

Jack vai fazendo descobertas chocantes que o levam de Lisboa às avenidas arriscadas de Paris, onde os seus actos podem mudar o curso da guerra.

Fontes: shvoong / conta-me historias /wook / Publishers Weekly

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

“Portuguese Joe Silvey" de Jean Barman (2004)

"The Remarkable Adventure of Portuguese Joe Silvey" publicada em 2004 é o primeiro trabalho de Jean Barman abordando a problemática da emigração açoriana para a Colúmbia Britânica.

No prefácio desta obra escreve Manuel A. Azevedo: "Existe um provérbio português que diz que Deus está em todo o lado, mas os portugueses chegaram lá primeiro."

Joe Silvey

Joe Silvey (Silva) foi um dos primeiros pioneiros portugueses a chegar ao Canadá muito antes de 1867, o ano da Confederação à qual a Colúmbia Britânica se juntou em 1871.

A história do picoense Joe Silvey iniciou-se durante a corrida ao ouro de 1858 na Colúmbia Britânica. Estes foram os anos em que a população não nativa cresceu do dia para a noite. As 1000 almas que habitavam a Colúmbia Britânica viram de um momento para o outro o seu lugar "inundado" por sonhadores à procura de riqueza. Em pouco tempo a população somava 20.000 pessoas.

Todavia, o picoense Joe Silvey não encontrou fortuna no ouro mas encontrou uma esposa nativa da localidade que mais tarde ficaria conhecida por Vancouver.


Matrimónio e fixação em Stanley Park

Silva casou com Khaltinaht, neta do lendário chefe índio Kiapilano. Após o matrimónio, o casal partiu de canoa rumo a Point Roberts onde José Silva abriu um bar (saloon) e se dedicou à pesca. Viveu em Brockton Point, a actual Stanley Park, localidade onde acabaria por encontrar outros companheiros de língua entre eles o baleeiro Peter Smith, Joe Gonsalves, o primeiro polícia de Vancouver, Tomkins Brew.

Todos eles, com excepção de Gonsalves, que permaneceu solteiro - casaram com mulheres aborígenes.

Jean Barman publicou igualmente "Stanley Park’s Secret", uma obra mais abrangente que recorda também as famílias esquecidas do Rancho kanaka, Brockton Point e Whoi Whoi.

Curiosidades sobre Joe Silvey

Silvey, que nasceu na pequena Ilha do Pico, na cidade de Calheta de Nesquim, empregou-se num navio americano aos 12 anos de idade e, eventualmente abandonou a tripulação e se estabeleceu nesta província – e 158 anos após o início da sua aventura na costa do Canadá, há mais do que 1.000 dos seus descendentes espalhados por esta província.

Joe adquiriu uma propriedade em Stanley Park, estabeleceu um negócio de pescaria, construiu o seu primeiro barco e iniciou a indústria de pesca com redes – usando a sua experiência lusitana.

Documentário

Alguns sorriram admirados… outros choraram. Foi uma experiência emocionante para todos,” assim descreveu o produtor Bill Moniz em entrevista à Voz Lusitana, referindo-se à reacção dos descendentes de Joe Silvey, quando viram o documentário “Portuguese Joe” no mês de maio de 2008.

Uma vêz cada ano os descendentes de Joe Silvey se reunem no pequeno cemitério em Reid Island, o único pedaço de terra da ilha que ainda é de propriedade do saudoso português, com o propósito de honrar a sua memória. Bill Moniz capturou em filme a emoção do momento.

Fontes / Mais informações: Straight.com / Fernando Cândido / Imdb / Lusos na diáspora / Cunnusreborn / Eduardo B. Pinto / Voz lusitana

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

John "Portugee” Phillips, Herói de fronteira do Wyoming

John Phillips – também conhecido por Portuguese Phillips ou ainda, de acordo com a oralidade da época, Portugee Phillips – nasceu no lugar de Terras, Lajes do Pico, a 28 de Abril de 1832, com o nome de Manuel Filipe Cardoso. (…)

No livro "The John ‘Portugee’ Phillips Legends", o investigador norte-americano Robert A. Murray dá uma ideia da dimensão a que chegou a sua "canonização pagã": "À medida em que o processo de ficcionalização continuou, Phillips transcendeu o carácter de pioneiro determinado e atingiu a mesma categoria mítica, impossível, a que os escritores guindaram Daniel Boone, David Crockett, Kit Carson ou muitas outras figuras da fronteira."

Batalha de Fetterman (21.12.1866)

John Phillips, um simples guia ao serviço do exército sedeado no recém-estabelecido Fort Phil Kearny, no então Território do Dakota (hoje no Nebraska), realizou um único grande feito na vida, mas foi o suficiente para a sua lenda durar até aos dias de hoje.

Ainda hoje não se sabe com total precisão o que é realidade e o que é mito. Mas, de noite, sob um forte nevão e perante temperaturas abaixo de zero, Phillips terá cavalgado na companhia de Daniel Dixon cerca de 190 milhas (300 quilómetros) ao longo do Trilho de Bozeman até Horseshoe Station, aí chegando na manhã de Natal.

Expediu um telegrama para Fort Laramie, em Horse Creek (Wyoming), a pedir ajuda, e, como se não bastasse, descansou algumas horas e dirigiu-se ele próprio para o forte, ao longo de mais 40 milhas (65 quilómetros), para certificar-se que era enviado socorro para o Fort Phil Kearny. Com isso, salvou a vida de mais de 90 pessoas. O seu cavalo, hoje mítico, chamava-se Dandy.



Imagem: "Phillips Ride" de Phoebe Blair

Século XX

Nos anos 60 do século XX, a empresa de cereais Kellog’s deu-lhe um espaço de destaque numa caixa de corn flakes, a meio de uma série dedicada aos doze maiores pioneiros do faroeste americano (Men Of The Wild West), entre os quais Daniel Boone, Kit Carson, Buffalo Bill Cody ou Pat Garrett.

Este momento representou o apogeu da fama do pioneiro açoriano. Pouco antes havia-se registado o lançamento do livro "Portugee Phillips and the Fighting Sioux", além de vários artigos em revistas de cunho popular. Contudo a fama de John Phillips não foi sempre tão generalizada.

Ao contrário do que imaginavam alguns escritores, o picoense morreu em relativo anonimato, para só décadas depois ser canonizado como herói da fronteira. Hoje em dia, em muitas cidades dos Estados Unidos, há monumentos, memoriais e exposições dedicadas a John Phillips.

Fontes/Mais informações: Joel Neto (Grande Reportagem) / Phil Kearny / Donald Warrin / Portuguese times

terça-feira, 2 de novembro de 2010

"Os Portugueses no Faroeste: Terra a Perder de Vista" de Donald Warrin e Geoffrey L. Gomes (2001)

No fim do século XIX havia 22.474 cidadãos lusos na zona Nordeste dos Estados Unidos, dos quais mais de 90 por cento residentes no Massachusetts e no Rhode Island. "Land As Far As the Eye Can See", de Donald Warrin e Geoffrey L. Gomes, chega a Estados nunca antes considerados, entre os quais o Nevada, o Oregon, o Wyoming, o Arizona, o Idaho ou o New Mexico.

Trabalho de detective

"Foi um trabalho de detective. Já se escreveu muito sobre a imigração portuguesa da Califórnia e da Nova Inglaterra, mas nunca se tinha escrito nada sobre os portugueses que se fixaram no Velho Oeste, muito provavelmente por terem sido poucos.

Nas pequenas comunidades onde viveram, as pessoas conhecem essas histórias, mas não são do domínio comum". É por isso que há chineses e italianos nos "westerns" mas nós nunca estamos lá, apesar de termos chegado "a ser representativos" na construção do caminho-de-ferro transcontinental.

Espírito aventureiro

"Os portugueses tinham um espírito aventureiro que outros imigrantes nunca demonstraram: estiveram em sítios onde a maioria tinha medo de ir, e estiveram lá muito precocemente e não muito acompanhados.

Acho que adquiriram essa coragem a bordo dos baleeiros: quando chegavam à América já tinham estado no Pacífico Sul, já tinham encontrado pessoas de raças completamente diferentes e, por isso, na Califórnia eram dos menos relutantes a seguir em frente, em direcção ao interior.

Não tinham medo dos nativos americanos, nem dos perigos da fronteira, mesmo quando estavam sozinhos nesse ambiente inóspito. Encontrei comunidades do Velho Oeste onde nunca houve mais do que quatro ou cinco portugueses e mesmo assim pude escrever sobre eles, porque fizeram um nome."


Ruralidade

"Um dos aspectos mais singulares da imigração portuguesa é a sua tendência para ser muito rural e portanto muito isolacionista, sobretudo na região californiana de San Joaquin Valley.

As pessoas viviam em ranchos que eram como pequenas ilhas e tendiam a não socializar ou a socializar com outros portugueses, sobretudo com os que vinham da mesma ilha.

Há uma explicação para isso, que tem a ver com o individualismo destes imigrantes: eles sabiam que só se sairiam bem como agricultores ou criadores de gado, porque a cidade exigia deles uma educação que não tinham.

Sobreviveram porque economicamente eram independentes - tinham as suas terras, os seus negócios - e porque eram extraordinariamente poupados".

Outras actividades

Além de agricultores e criadores de gado, os portugueses do Oeste também foram barbeiros (sobretudo nas cidades mineiras do Nevada), cocheiros, condutores de diligências, operários ferroviários e dramaturgos (Tom de Freitas foi o primeiro cidadão do Idaho a publicar uma peça de teatro).

Tiveram carrinhas de distribuição de leite (como Joseph Oliver, que entre 1876 e 1913 distribuiu pessoalmente a sua produção, 365 dias por ano), hotéis e "saloons".


"Portuguese Joe" na ficção literária

Há um pescador nascido na ilha do Corvo no mítico "Moby Dick", de Herman Melville, mas o "Portuguese Joe" (cozinheiro do sr. Keane) de "Nos Mares do Sul" (Robert Louis Stevenson, 1850-1894), um dos clássicos do Romantismo escocês e anglo-saxónico, é o protótipo dos marinheiros migrantes portugueses do século XIX.

Como uma série de açorianos daquele tempo, também ele parece ter deixado as ilhas a bordo dos grandes navios pesqueiros, à procura de uma vida melhor. Como quase todos aqueles, também ele se chamava “Joe” – abundavam entre as classes sociais mais modestas nomes como José, João, Joaquim ou Jorge.

Fontes/Mais informações: Joel Neto (Grande Reportagem) / Inês Nadais (Ipsilon/Público, pág. 26) / Jornada online / Mundo Português

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

"O Regresso do Carocha" em "Ein Käfer gibt Vollgas" (1972)


A série de filmes do Super Carocha (Superbug em inglês) era uma "mistura" entre os filmes de 007 (o protagonista chama-se Jimmy Bondi) e do carocha Herbie (aqui o carocha chama-se Du-Du).

Após o sucesso do filme inicial, foi realizada uma sequela localizada em Portugal. Posteriormente foi lançado um terceiro filme (de uma série de 5 filmes) que recuperava parte das gravações do segundo filme (localizado em Portugal).


Com o título de "O Regresso do Carocha" ("Ein Kafer Gibt Vollgas"), o filme foi realizado por Rudolf Zehetgruber, contando com a participação como actor do realizador português Arthur Duarte, que foi igualmente responsável pela produção durante as filmagens em Portugal (nomeadamente no Algarve), e dos actores Joachim Fuchstberger (Plato), Robert Mark (Jimmy Bondi), Heidi Hansen (Tamara) e Katharina Orginski.

Acácio de Almeida foi um dos responsáveis pela direcção de fotografia.

Sinopse:

Plato (Joachim Fuchsberger) encontra-se em Portugal com o Marquês de la Scott (Karl-Otto Alberty) para tentar localizar as chapas de impressão de dinheiro falso, contando com a inesperada colaboração de Jimmy Bondi (Rudolf Zehetgruber) e do seu super carro Dudu.

Fontes: IMDb / cinefacts / kreis archiv

Trailer: movie pilot