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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Demi Moore no papel de Hester Prynne , a primeira adúltera na literatura Norte-Americana


Hester Prynne, a protagonista de "A letra escarlate", de Nathaniel Hawthorne, um dos grandes escritores do século XIX, foi a primeira adúltera da ficção americana, tendo o autor lhe atribuído a nacionalidade portuguesa para eventualmente não ferir susceptibilidades dos seus compatriotas.


Sinopse

A história decorre em Boston, no ano de 1666, envolvendo uma mulher chamada Hester Prynne, a qual é submetida ao severo castigo por ter cometido adultério contra seu marido que está no mar.

Hester é presa e logo após é retirada da cadeia e levada à outra cidade. Lá ela é obrigada a usar uma letra "A" vermelha que a identificava como adúltera.

Ela continua a aguardar pela chegada do marido, colocando-se a hipótese de que o marido tenha morrido em alto-mar.

Hester então é forçada a ganhar a vida como costureira para sustentar a si e à filha chamada Pearl. Hester conhece Arthur Dimmesdale, um clérigo, que convence a comunidade a parar de maltratar Hester e a filha.

Roger Chillingsworth, actual marido de Hester descobre que há algo entre Dimmesdale e Hester e uma noite enquanto Dimmesdale dormia, Chillingsworth descobre que Dimmesdale possui uma letra "A" marcada a ferro em sua carne. Ele percebe o que a letra significa e vê a conexão entre os amantes. Chillingsworth quer vingar-se pois agora sabe do romance dos dois. Durante grande parte do livro Chillingsworth tenta vingar-se até que eventualmente morre. Dimmesdale acaba revelando-se como adúltero e também morre enquanto recebe um beijo de Pearl.

Hester e Pearl deixam a cidade após a revelação dos factos. Ao crescer, Pearl casa-se com um rico aristocrata e inicia sua própria família. Hester morre algum tempo depois e é enterrada junto a Dimmesdale. Na tumba dividida pelos dois é gravada a letra "A".

Fonte: Shvoong

Dica: Alexandra Pereira

Mais informação: wikipedia

Cinema


"Letra Escalarte" foi por diversas vezes adaptado ao cinema, sendo de realçar as versões de Victor Sjöström (1926), de Wim Wenders (1973) e Rolland Joffe (1995), com o papel de Hester a ser interpretado por Lilian Gish, Senta Berger e Demi Moore respectivamente.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

"Lovers in Lisbon" de Barbara Cartland (1988)


Barbara Cartland (1901—2000) foi uma das mais bem-sucedidas escritoras de romances cor-de-rosa.

Nos seus livros, mulheres inocentes e virgens casavam-se sempre com homens ricos da alta sociedade.

Com mais de 600 obras publicadas, Cartland é autora de "Lovers in Lisbon" editado em 1988.

Sinopse:

A duquesa de Monreuil desejava ardentemente conhecer o marquês Álvaro de Oliveira Vasconcelos.

A duquesa queria verificar se ele era parecido com o pai, o belo, rico e arrogante marquês João Vasconcelos, que, trinta anos antes, a fizera sofrer a ponto de fazê-la desejar a morte. Por essa semelhança, o marquês Álvaro pagaria com o coração. E o instrumento de vingança da duquesa seria uma jovem linda e meiga que, por uma estranha ironia, se chamava Felicidade.

Os olhos de Felicidade encontraram os do marquês, e ela estremeceu...

Fonte: Wikipedia, Yahoo

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

"Comboio Nocturno para Lisboa" de Pascal Mercier (2004)


Pascal Mercier - pseudónimo de Peter Bieri, é um escritor Suiço, nascido em Berna, que é actualmente professor de Filosofia em Berlim, onde vive.

No seu terceiro livro, "Comboio Nocturno para Lisboa" (“Nachtzug nach Lissabon”), o escritor desvenda uma Lisboa mística num thriller filosófico, relatando a história de um professor suiço que troca uma vida de rotinas pela busca de um escritor português, ao jeito de Fernando Pessoa.

O livro esteve 140 semanas na tabela dos livros mais vendidos na Alemanha e foi igualmente um sucesso editorial em França e Espanha, tendo transmitido uma nova visão sobre Portugal e dado à expressão "apanhar um comboio nocturno para Lisboa" o sentido de mudar de vida.


Sinopse

Raimund Gregorius, um professor de Latim e Grego, tem, num mesmo dia, um encontro fortuito com uma mulher portuguesa numa ponte de Berna e depara-se com um livro que contém as reflexões enigmáticas de um português. Em consequência desses dois acontecimentos, o professor toma a decisão de viajar para Lisboa para procurar o autor do livro (Amadeu Prado, um autor imaginado pelo escritor).

A sonoridade da língua portuguesa

Foi a música da língua portuguesa que o levou a escrever “Comboio Nocturno para Lisboa”, tendo sido motivado pelo som da língua e pela melodia das frases.

Segundo o escritor, o som da língua portuguesa “É suave, terno, sedativo, que não seduz facilmente. Consigo ouvir a melodia do português durante todo o dia. Em minha casa tenho um canal de televisão português e consigo ouvir aquilo durante horas, ainda que muitas vezes não perceba nada. É como uma bela paisagem e entramos naquela paisagem e esquecemos tudo.”

Livro de Amadeu de Prado no filme adaptado da obra de Pascal Mercier

Porquê a escolha de Portugal e de um escritor português

Achei que eu, suíço, criado na cidade de Berna, não conseguia ter estofo para fazer sair de mim as frases que saem da pena de Amadeu de Prado. Eu era muito pequeno e insignificante. (...) A solução era inventar uma personagem que pudesse dizer frases como aquelas e essa pessoa foi Amadeu de Prado (...)

Porque havia [Fernando] Pessoa, o som da língua que adoro e lamento não ter tempo para a aprender a falar. E Lisboa como cidade que assenta perfeitamente em Raimund [nome da personagem do professor de filosofia que deixa tudo para ir atrás da escrita misteriosa de Amadeu de Prado].

É uma cidade lenta, com ares de século XIX, tirando os carros; um pouco decadente. Precisava ainda de um ditador para ter o tópico político da resistência no livro. Para se ter uma movimento de resistência é preciso haver um ditador e entre o ditador e aquele resistente queria que houvesse um conflito do tipo pai e filho, tinha de ser um ditador especial, com a imagem de paternidade. Não podia ser Franco, nem Hitler nem Mussolini ou Estaline.

Salazar era um tipo diferente de homem. Um intelectual, professor de economia, não era alguém que gostasse da brutalidade. Claro que cometeu actos brutais, mas nada como Estaline ou Hitler. Portanto foi Pessoa, o som da língua, Lisboa como cidade e o ditador certo. Tudo isto me levou a Portugal e a Lisboa.

Fontes: casa dos pais, portal da literatura


"Comboio Nocturno para Lisboa" foi adaptado ao cinema pelo realizador dinamarquês Billie August em 2013, contando nos principais papeis com actores de reconhecida notoriedade como Jeremy Irons, no papel de Raimund Gregorius.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

"Último acto em Lisboa" de Robert Wilson (1999)

Robert Wilson é um escritor britânico de romances policiais actualmente a viver em Portugal.

Wilson fez uma pesquisa bibliográfica e histórica excelente e misturou-a habilmente com a ficção contando uma história passada em Portugal mas que começa em 1940 simultaneamente na Alemanha e em Portugal. Além disso passou bastante tempo na Beira Baixa para pesquisar para o livro e a falar com pessoas que ainda estavam vivas e viveram os tempos do volfrâmio.

Wilson conhece muito bem os portugueses (vive no Alentejo), como se comportam e o seu temperamento e consegue descrever muito bem no livro, várias dessas idiossincrasias, quer em termos históricos, quer mais recentes.

Sob o ponto de vista de uma lição de história, mas não só, o livro é excelente, quer na construção do enredo e, quer nas personagens e nas descrições de paisagens e lugares.

A acção é construida baseado-se numa série de acontecimentos que se iniciam nos anos 40, por um grupo de personagens mas não todos derivados de uma linha familiar, como por exemplo, uma história onde se descreveria o que acontece a sucessivas gerações.

Antes, Wilson junta personagens diferentes, de nacionalidades diferentes, relaciona - as com o tempo histórico que se vivia – a 2ªguerra mundial - e tudo é descrito tendo em conta as interacções entre os personagens e como os actos de alguém há 50 anos virão a originar repercussões enormes nos anos 80 e 90.

É também a historia de como – indirectamente – o regime Salazarista se fortaleceu com a guerra (economicamente e politicamente) usando para isso a venda do volfrâmio, um metal muito duro e denso que era usado para fabricação de filamentos de lâmpadas eléctricas, e acima de tudo, de ligas de aço poderosas, essenciais para blindagem de tanques. (...)

Sinopse

A historia é contada de duas formas, alternando a narrativa. Uma passada nos anos 90, a outra passada nos anos 40.

Começa com o recrutamento do Sr. Klaus Felsen para as SS (...) a sua missão é a seguinte: é encarregue de fazer chegar até às 3000 toneladas por ano a importação de volfrâmio para a Alemanha, quer importando-o legalmente, quer por contrabando.

Na acção que decorre nos anos 90, o inspector Zé Coelho, é escolhido para resolver um caso. É escolhido por ser uma criatura difícil, e porque o caso é estranho. Trata-se de descobrir um homicídio de uma rapariga chamada Catarina Oliveira de 16 anos que morre em Monsanto. Caso relacionado com acontecimentos que se iniciaram 50 anos antes.

Wilson vai assim alternando na escrita; capítulos passados em Lisboa, Beira Baixa e Berlim de há 50 anos atrás e momentos na década de 90 em Lisboa e na zona de Sintra – Azenhas do Mar. As descrições do “terreno” são muito boas com imensos pormenores.

(...)

Fonte: Dissidente-x

terça-feira, 13 de maio de 2008

Azmaria e a série de anime "Chrno Crusade" (Japão, 2003)


"Chrno Crusade" é uma série de anime japonesa que mistura realidade com ficção, incluíndo, por exemplo, as verdadeiras "Profecias de Fátima".

Além de Chrno, Rosette e AION, destaca-se a meiga Azmaria – nascida em Fátima em 12 de Março de 1912 - que apesar de ter somente 12 anos é muito madura e sempre tenta ajudar seus amigos.

Azmaria é levada para os Estados Unidos após à morte dos seus pais, durante a Primeira Guerra Mundial, sendo adoptada por Ricardo Hendric, um homem ambicioso e mau que pretendia utilizar os poderes de Azmaria para reviver sua falecida esposa Melda.

Após ser salva por Rosette e Chrno, Azmaria - conhecida como apóstolo da Caridade - fica sob a protecção da ordem de Magdalan.

Virgem / Nossa Senhora de Fátima:






Fontes: wikipedia / C4pt0m3nt3

sexta-feira, 11 de abril de 2008

"O Ciclo Sefardita" de Richard Zimler


Richard Zimler iniciou, em 1996, o "Ciclo Sefardita", uma série de romances independentes que abordam as diferentes gerações e ramificações de uma família de judeus portugueses – a família Zarco.

Nesse seu primeiro romance, Zimler refere que, em 1990, descobrira numa cave de Istambul sete manuscritos do século dezasseis escritos por um cabalista chamado Berequias Zarco.

"O Último Cabalista de Lisboa" (1996)

"O Último Cabalista de Lisboa" é um romance cuja acção decorre em 1506 entre os judeus forçados a converter-se ao cristianismo, no reinado de D. Manuel I. Em Abril desse ano, durante as celebrações da Páscoa, cerca de 2000 cristãos-novos foram assassinados num pogrom e os seus corpos queimados no Rossio. As principais personagens pertencem a uma família de cristãos-novos residente em Alfama, cujo patriarca, Abraão Zarco, é um iluminador e membro da célebre escola cabalística de Lisboa. Depois do pogrom, ele e uma jovem rapariga são encontrados mortos na cave, com a porta fechada por dentro. (...) Estes os mistérios que terão de ser resolvidos por Berequias Zarco, sobrinho de Abraão e seu discípulo no estudo da cabala."

"Meia-Noite ou o Princípio do Mundo" (2003)

"No início do século XIX em Portugal, John Zarco Stewart, filho duma judia portuguesa e de um escocês, é uma criança endiabrada, sensível e profundamente curiosa, herdeira involuntária de uma fé amortalhada em três séculos de secretismo.
Mas um período de perda e de amargas revelações põe um fim abrupto à sua inocência, e só a misteriosa interferência de um mágico estrangeiro, trazido de África para o Porto pelo pai do rapazinho, consegue salvá-lo: Meia-Noite, um curandeiro africano e antigo escravo, o homem que se tornará no maior amigo de John e determinará o curso do seu destino."

"Goa ou o Guardião da Aurora" (2005)

“Na colónia portuguesa de Goa, estava o século XVI a chegar ao fim, a Inquisição fazia enormes progressos na sua missão de impedir todos os "bruxos" - quer fossem nativos hindus, quer imigrantes judeus - de praticarem as suas crenças tradicionais. (...)
Ao viver nos limites do território colonial, a família Zarco consegue manter firmes as suas raízes luso-judaicas. (...)Quando as crianças atingem a idade adulta, a família é destroçada quando, primeiro o pai e depois o filho, são presos pela Inquisição. Mas quem poderia tê-los traído?"

"A Sétima Porta" (Zarco 4) (2007)

Em Berlim, na década de Trinta, o descendente de Berequias Zarco, Isaac Zarco, está determinado a descobri-lo. Está convencido que o pacto entre Hitler e Estaline – para além de outros «sinais» - anuncia que uma profecia apocalíptica feita pelo seu antepassado está prestes a concretizar-se. Acredita também que, se conseguir descodificar esses textos cabalísticos medievais, pode salvar o mundo.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Michel Vaillant em Portugal (1971 e 1984)


Michel Vaillant é um personagem de banda desenhada da autoria de Jean Graton, que de uma forma muito própria, conseguia misturar a realidade e a ficção, pondo Michel a conviver com os maiores campeões de sempre do desporto automóvel.

Centrando a sua carreira na fórmula 1, onde chegou a andar a mais de 300 à hora nas ruas de Paris, não deixou de participar nas várias disciplinas do desporto motorizado. Conhecemos-lhe uma vitória no Paris / Dakar e várias incursões no mundial de ralis, para além das vitoriosas participações nas 24h de Le Mans.



As aventuras de Vaillant foram editadas inicialmente, em Portugal, através da revista “Cavaleiro Andante” que rebaptizou o herói com o nome mais português de Miguel Gusmão.

Michel Vaillant participou no “Rali em Portugal” (“Cinq filles dans la course” na versão original de 1971), e voltou à capital portuguesa em “O Homem de Lisboa” (“L’ homme de Lisbonne” de 1984), numa intriga sobre espionagem industrial. E teve “Um encontro em Macau” (“Rendez-vous à Macao” de 1983).




" Rali em Portugal" (1971)

Editado em 1971, com o título original "5 Filles dans la Course!", centra-se na 3ª edição do Rali TAP disputada no ano de 1969. Dando seguimento ao álbum anterior, "De L'huille sur la Piste", a história deste livro tem como foco principal o relacionamento entre os pilotos de automóveis e as mulheres.

Com o Rali de Portugal como pano de fundo, a equipa Vaillante junta-se a outras duas equipas mistas para termos cinco raparigas na corrida. Michel faz parceria com Françoise Latour a sua futura mulher.


Mas é o eterno mulherengo Steve Warson que se torna na personagem principal do livro. Para além da companheira de viatura, a Portuguesa Cândida Maria de Jesus, que no seu estilo habitual tenta conquistar, é confrontado com a presença da quinta rapariga, a Americana Betty, "la grande saucisse", que lhe fará a cabeça em água ao longo de todo álbum e que terá mais tarde participações nos livros "Rush" e "Des Filles et des Moteurs".

A passagem por Portugal é bem notada, o desenho está impecável, e os locais facilmente reconhecíveis, começando pelo primeiro "quadradinho" que nos mostra um 727 da TAP e uma vista do Castelo de S.Jorge com a Ponte Salazar (estamos em 1969) ao fundo bem como o Cristo Rei.


Também curioso é a passagem do Rali pela noite de Sintra, na qual o autor brinda-nos com os comentários dos espectadores, em Português, como são exemplo os "é o Jacky Ickx Anda Jacky!", "mais depressa", "vão matar-se!", "estão doidos!" e a melhor "anda os franceses".


 Não faltam as referências a personagens portuguesas como Augusto César Torres, director da prova até à sua morte ou Alfredo Vaz Pinto, vice primeiro-ministro de Marcello Caetano.


Michel, Françoise, César Torres, Cândida, Brigitte e Jacky Ickx.
Uma nota também para a mistura da ficção com a realidade, é que a dupla Gilbert Staepelaere/Nicole Sol, caracterizada neste álbum, participou mesmo no Rali TAP de 1969 ao volante de um Ford 20M, tendo obtido o mesmo resultado que obtiveram no livro.

Mais do que um livro de banda desenhada, “Rali em Portugal” é uma homenagem ao nosso País, pela descrição afectiva que faz dos lugares. Aliás, o trabalho de investigação observa-se extremamente bem conseguido.
Serra de Montejunto
Cândida mostra a Universidade de Coimbra

Abundam as descrições minuciosas dos troços onde se desenrolam as corridas. Lisboa, Sintra, Arganil, Buçaco, Montejunto, Coimbra e a sua Universidade, Estoril e os jardins do Casino… é um autêntico roteiro turístico em forma de desenhos em quadradinhos. Aliás, a primeira vinheta trata logo de descrever a imagem única que é o avião a fazer um círculo sobre o Tejo para se enquadrar com a pista da Portela.


"O homem de Lisboa" (1984) 

Michel Vaillant volta a Portugal e ao Rali de Portugal, mas desta vez quem corre pela Vaillante é Steve Warson acompanhado pela sua nova namorada Julie Wood, que aproveitam para passear por Lisboa, passando pelo elevador da Glória e pela Torre de Belém.



Michel faz uma viagem de urgência a Lisboa para "brincar" aos espiões. Documentos secretos, da futura viatura revolucionária de turismo, são roubados da fábrica Vaillante. Michel tem de apanhar o traficante americano Tony Cardoza e recuperar os documentos.


Paralelamente à espionagem industrial, temos oportunidade de acompanhar a prestação de Steve e Julie no rali. As primeiras 4 páginas são dedicadas à loucura dos espectadores Portugueses.

Aos mares de gente que acorriam às classificativas, especialmente as de Sintra, e que rodeavam a estrada completamente, só se afastando dos carros no último momento.


Quanto a Portugueses temos novamente a presença de César Torres o organizador da prova, bem como a dupla Jorge Ortigão/João Baptista que correm ao volante de um dos Vaillante Comando e também o maior dos bedéfilos que é retratado algures na página 33.

Buçaco

Uma das imagens mais interessantes de "Rali em Portugal" é o Hotel Palácio do Buçaco onde Steve e Betty têm o seu primeiro "desencontro".


Estoril

O Hotel Estoril Sol, o Clube de Ténis do Estoril e o Casino Estoril são alguns dos cenários de "Rali em Portugal".


Setúbal

No livro “Rali em Portugal” há o registo de um pequena passagem por Setúbal a caminho da capital, o piloto passa por uma das artérias mais movimentadas da cidade junto a um dos mais antigos e conhecidos stands de automóveis da cidade.


Sintra

A Sintra o autor dedica cinco pranchas do álbum. De início os pilotos queixam-se do musgo que cobre os paralelos do piso, tornando-o numa pista de patinagem, das ruas estreitas e das curvas apertadas.

É o Assalto a Sintra “porque se trata de um verdadeiro assalto: a escalada de um ninho de águias por ruelas estreitas e uma sucessão de curvas apertadas!”

E vemos a Quinta Mazziotti, o arco da Penha Verde e o Largo do Vítor na confluência com o início da Estrada da Pena!!!


Montagem de Pedro Macieira

E em "O homem de Lisboa" é utilizado o cenário da Lagoa Azul para a passagem dos bólides, em que os desenhos demonstram fielmente as loucura que os espectadores praticavam para verem quase em cima dos carros os seus pilotos favoritos, criando situações de grande perigo.


"Febre de Bercy" (1988)

Em 1998 foi lançado “A Febre de Bercy” (“La Fièvre de Bercy”), primeira parte de uma aventura em dois volumes centrada no Elf Masters de Bercy, a prova de karts que fecha a temporada da Fórmula 1 e que, desta vez, conta com a participação de Michel Vaillant e de Steve Warson.


Para os leitores portugueses, a história tem o aliciante de contar com o português Pedro Lamy como um dos concorrentes, para além da intriga (vagamente) policial girar em torno de um CD contendo um programa de cronometragem criado pela Fastnet, uma empresa dirigida por um português, John Cabral que, ao que tudo indica, não é tão inocente como parece...

Fontes/Mais informações: Livros a Doi2 (1)(2) /  João Miguel Lameiras (Diário das Beiras), Pedro Macieira (em blog Rio das Maças) / Memória recente e antiga / AlagamaresPaulo Almeida / Geocaching / As leituras do Pedro (1) / Por um punhado de imagens / Sobre Pedro Lamy 


terça-feira, 11 de março de 2008

"Madame Souza" a heroína de "Belleville Rendez-Vous" (França, 2003)


 Só num mundo de animação paralelo é que uma velhota portuguesa - Madame Souza - podia ser a heroína de uma longa-metragem. E que longa-metragem! "Belleville Rendez-Vous" passa-se parte numa França parada nos anos 50, e outra parte numa Nova Iorque francófona (...)

Fonte: Eurico de Barros, Diário de Notícias


Um português não pode deixar de ver o filme sem notar que a sua protagonista é nossa compatriota: Madame Souza, uma imigrante de profissão indefinida mas que cumpre o estereótipo parisiense da "concierge" [espécie de porteira] portuguesa. Sei que há gente que se chateia com estas representações, – coisa que nunca consegui perceber. Aqui no caso isto seria duplamente pateta, uma vez que o filme é a mais terna homenagem que já vi à interminável humanidade destas nossas velhinhas que não param quietas.



Mme. Souza poderia também ser uma avó judia, grega ou cabo-verdiana, mas ninguém que veja o filme aqui em Portugal pode deixar de encontrar ali expressões ou atitudes de alguma mulher mais velha da sua família. E quando Mme. Souza atravessa o Oceano à procura do seu neto ao som da Missa em Dó menor de Mozart, Chomet eleva esta pequena e incansável mulher à dimensão épica. Finalmente! Já não era sem tempo da "concierge" portuguesa ter o seu momento de glória nas telas dos cinemas.

Fonte: Rui Tavares (Barnabé)



O cão ladra e o comboio passa. Uma avó atarracada, carrapito ao alto, exibe os tímidos pêlos de um buço. Fica como um espelho da imagem que os portugueses levaram ao mundo. Só quem não notou o galo de Barcelos estampado na toalha de mesa ou o prato onde se lê "Fátima Maria" (detalhe, detalhe) ficará espantado quando, lá mais para a frente, Madame Souza ataca o piano para cantar, tcham-tcham, "Uma Casa Portuguesa".

É uma senhora portuguesa com certeza, mas Madame Souza, a deliciosa protagonista de "Belleville Rendez-Vous", primeira longa-metragem de animação de Sylvain Chomet, até nasceu francesa, como uma evolução a partir da personagem da sua anterior curta-metragem "La Vieille Dame et Les Pigeons" (1998).



[Chomet refere que] "Quando estava em Montreal, Canadá, onde vivi durante dez anos, havia um restaurante que era dirigido por portugueses chamado 'Le Roi du Plateau'. Eu costumava ir lá e tornei-me amigo dos proprietários, o Michel e a Mónica Viegas.

Talvez tenha sido por isso que quis ter uma personagem portuguesa no filme. Creio que fui influenciado por eles. Na verdade, é a voz da Mónica que se ouve na canção e no monólogo inicial. Além disso, andei a ver uns livros à procura de imagens, para ter uma ideia de como a Madame Souza se vestiria, o carrapito, etc.

Em todo o caso, há muitos portugueses em França, são muito identificáveis porque se vestem sempre de escuro." Ah, o estereótipo cultural. Não se preocupem porque, para nós, o inglês de Sylvain Chomet também soa a sotaque de Pepe Le Pew. Além do mais, os "clichés" em "Belleville Rendez-Vous" também não deixam ilesos os franceses, como reconhece Chomet.

Fonte: Kathleen Gomes, Público

Link: video

segunda-feira, 10 de março de 2008

"Seara de Vento" de Manuel da Fonseca (1958)


"Em Bratislava (na Eslováquia) encontrei um operário da indústria pesada (na sua casa, que visitei, havia uma biblioteca de mais de três mil livros) cuja preocupação imediata era aprender francês para ler Corneille no original. As excelentes traduções não lhe bastavam.

E em Terezín, numa granja agrícola, um camponês mostrou-me orgulhosamente, a versão checa da “Seara de Vento”, de Manuel da Fonseca – um entre vários outros escritores portugueses que possuía numa sala apenas destinada a livros. Falou-me de Amanda Carrusca, a velha camponesa da “Seara...”, como quem fala de uma tia distante mas sempre próxima. ‘O seu povo é assim, meu amigo ? – perguntou-me. – O seu povo é como Amanda Carrusca ?’"

Fonte: Baptista-Bastos, “Capitão de Médio Curso” (*)

(*) Ensaio de biografia publicado em 1978, que se dividia em três áreas: “no curso doméstico”, “No curso da amizade” e “No curso das Viagens”.


Manuel da Fonseca, verdadeiro clássico do romance neo-realista português, além de poeta e contista, escreveu o romance "Seara de Vento" (1958), obra famosa pela apreensão de aspectos da vida dos camponeses no plano da ficção, em que o tratamento da antinomia cidade-campo é bem diverso do uso tradicional.
(...)
Em "Seara de Vento", de Manuel da Fonseca, dois personagens se impuseram: o vento (antropomorfizado) e Amanda Carrusca, mulher pequena, esquelética, mas indomável na força anímica que desde o inicio evidencia.

Fonte: passeiweb

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Spencer Tracy é pescador português no filme "Lobos do Mar" ("Captains Courageous") (1937)


Realizado por Victor Fleming (1937). Com Spencer Tracy, Lionel Barrymore, Freddie Bartholomew, Melvyn Douglas, John Carradine, Mickey Rooney.

Spencer Tracy é Manuel Fidello, um pescador português, que salva de morrer afogado um rapazito, filho de um milionário, que acaba por descobrir as delícias da vida simples.


Foi na pele do pescador português que Tracy conquistou a primeira das suas duas estatuetas. Produzido com o luxo das grandes fitas da MGM é a adaptação de uma história de Rudyard Kipling (prémio Nobel da Literatura) sobre um menino rico e mimado, salvo por um pescador português depois do desastre maritímo vivido a bordo de um paquete de luxo onde seguia em cruzeiro.

É junto a velhos lobos do mar que Freddie Bartholomew (na altura considerado como um dos meninos prodígios do cinema americano) acaba por perceber que a vida é dura e não se resume aos seus caprichos de criança mimada.

Fonte: TV Filmes, nº 9, Abril 1997

Manuel canta em "português" e fala com orgulho da "herança" de honradez que lhe foi transmitida pelo seu pai:


O filme foi adaptado, por duas vezes, para TV, sendo o papel de Manuel interpretado por Ricardo Montalban, em 1977, e Colin Cunningham, em 1996 (mas, nesta última série, o personagem principal era o Capitão Matthew Troop, interpretado por Robert Urich).

1977


1996



Rudyard Kipling

Rudyard Kipling, Prémio Nobel da Literatura em 1907, nasceu, em 1866, em Bombaim, India, mas estudou, desde os 6 anos, em Inglaterra. Aos 26 anos, casa com Caroline Balestier, filha de um advogado norte-americano e instala-se em Vermont (E.U.A.), onde vive durante quatro anos, aí escrevendo "Livro da Selva " e "Lobos do Mar".

 
Mais informações: DVDBeaver / Citizen Grave  (Quando Spencer Tracy foi Manuel)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Yanez, o fiel companheiro de "Sandokan, o Tigre da Malásia" (Itália)

O escritor italiano Emilio Salgari (1863-1911) tornou-se mundialmente conhecido pelas aventuras de Sandokan.



Yanez de Gomera (ou Ianes) é um português que funciona, desde o primeiro episódio da saga, como um complemento de Sandokan, sendo apresentado como um personagem astuto, inteligente, irónico e sempre optimista, características que o tornam uma espécie de co-protagonista, surgindo como protagonista em alguns dos livros como "A reconquista de Mompracem" e "A Vingança de Yanez" (publicado, postumamente, em 1913).

"Português, de origem nobre, atravessou meio mundo antes de alcançar Mompracem e de se tornar no melhor amigo de Sandokan. Aventureiro temido, com um passado misterioso, leal, generoso, está sempre pronto para a aventura e sempre com o sorriso nos lábios" (em blog "Santa-Nostalgia")


Na famosa série de TV, o português é interpretado pelo actor francês Philippe Leroy.